5.21.2007

conversa 189

Ela - Olha que a aposta é para cumprir...
Eu - A de fodermos?
Ela - Sim. Não fizemos mais nenhuma, pois não?
Eu - Sim, fizemos... a de passarmos o dedos pelo cu do outro e depois lambê-lo.
Ela (esgar assustado)
Eu - Não te preocupes, não fizemos nada.
Ela - Bem... é mais ou menos parecido.
Eu - Parecido como?
Ela - Comer-te a ti ou comer merda vai dar ao mesmo. (ri-se)
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

anjos caídos

Vou ver o Anjos Caídos, do Wong Kar Way. Não sei porque é que estou a dizer isto mas estou. Também me ando a sentir caidote. Anjo não mas caidote sim...

...ainda sobre divórcios....

Nélson Peralta, que pelos visto é do Bloco de Esquerda, deixou aqui um comentário no meu post divórcios na assembleia, e que visa clarificar o seguinte:

o projecto visava alterar aquele divórcio em que apenas um cônjuge o pretende. Actualmente, apenas ocorre com recurso a um tribunal onde se tem que provar a culpa do outro cônjuge.
O projecto visava permitir o divórcio a pedido de um dos cônjuges, exigindo um período de reflexão de 3 meses e duas audiências. Acabava-se com o tribunal.


link sugerido pelo próprio

miau

miau, no Divas & Contrabaixos. É um princípio como qualquer outro.

suor

O corpo respira algumas escassas esperanças. Talvez ela telefone hoje ao final da manhã, talvez ela telefone hoje ao final da tarde, talvez ela telefone hoje à noite. Talvez amanhã. O que se tem, e que não se sabe muito bem o que é, guarda-se numa mão que se aperta com força. Depois abre-se, às vezes, só para ver se ainda lá está. Só suor.
Só suor. Duma noite que era só para beber uma cerveja, talvez duas, sobra mais uma esperança. Uma conversa, a número não sei quantos, e alguns sorrisos que um ano de solidão aprendeu a desenhar automaticamente no nosso rosto. Depois há uma luz ténue e intermitente dos candeeiros da rua que nos espreita pela janela, e nos vê outra vez na cama com alguém que não é ela. É só suor e a luz tem pena de nós. Por isso afasta-se lentamente e deixa-nos dormir. Talvez de manhã ainda estejamos acompanhados. Talvez não.
Talvez não. O corpo respira escassas esperanças mas só pensamos que talvez não. Talvez não, talvez não, talvez não, talvez sim, talvez não. Os dias são um malmequer de que arrancamos pétalas pessimistas. Não há outras, ou pelo menos raramente as encontramos. E é só suor na nossa mão. Mesmo quando a abrimos para ver o que temos.

conversa 188

Eu – Acho que estou fodido, sabes?! A verdade é que eu não consigo. Ou uma mulher gosta de mim e eu não correspondo, ou eu gosto duma mulher e ela não corresponde. É sempre assim e estou a ficar farto.
Ela – Mas... às vezes até correspondem. Não te podes queixar.
Eu – Não estou a falar de sexo, percebes? Para ser sincero estou-me a cagar pra essa merda, actualmente. Estou mesmo fartinho de engates e queria conseguir ter outra vez uma relação a sério.
Ela – Não te preocupes. Dou-te três meses no máximo para teres uma coisa a sério...
Eu – Olha que não. Ainda ontem falei com um amigo meu, que eu acho que é parecido comigo só que tem mais quinze anos do que eu, ou seja, cinquenta. Divorciou-se há mais de dez anos e está-se a passar...
Ela – Olha o que eu te digo: três meses.
Eu – Olha que não.
Ela – Vai uma aposta?
Eu – Apostas a quê?
Ela – Uma noite de sexo.
Eu – Ahn?!
Ela – Se começares a andar com uma gaja até a fim de Agosto dás-e uma noite de sexo na tua casa. Se não começares dou-te eu uma a ti em minha casa...
Eu – Mas... se eu começar a andar com alguém não vou querer ir para a cama contigo, percebes?
Ela – Isso é um problema teu. As apostas são para se pagar.
Eu – O.K. Até ao fim de Agosto...
Ela – Ah! Não vale pores isto no teu blog.
Eu – Desculpa mas vou ter que pôr... é bom demais para não pôr.
Ela – Eu não me importo, se não puseres o meu nome, mas assim qualquer leitora tua que queira ter uma relação contigo já não vai ter até ao fim de Agosto, percebes? Que é para não lhe pores os cornos logo no princípio...
Eu – Mas o que é que isso interessa? Perder ou ganhar esta aposta tanto faz... a única coisa que muda é a casa...
Ela – Isso é verdade...
Eu – E o teu namorado? Tu não andas com um gajo qualquer do Porto?
Ela – Não interessa...
Eu – Não interessa?
Ela – Não. Ele é do Porto, a minha casa é em Aveiro. A tua também.
Eu – Mas que raio de aposta... que é que te deu?
Ela – Olho p'ra ti e apetece-me comer-te. Há algum problema?
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

animais

Cães
Há uns dias vi uma senhora a passear um casal de cães, segurando simultaneamente duas trelas. A fêmea seguia na frente, de cauda no ar e um laço nas orelhas. O macho seguia atrás, cabisbaixo e envergonhado. Não sei porquê identifiquei-me com o bicho.

Vampiros
Role Playing Game é um jogo onde desempenhamos o papel duma personagem qualquer. Eu sou o vampiro bagacinho, e fui criado pela vampira Ganestra. Epá... não há por aí mais nenhum tolo ou tola que queira jogar?

Cegonhas
Em Aveiro há mesmo muitas cegonhas. Passo frequentemente por algumas que fizeram ninho nas estruturas que sinalizam a saída da IP5 para a N109. Invejo-as: as cegonhas nunca se divorciam.

Cisnes
Também invejo os cisnes pela mesma razão. Os gajos nunca se divorciam mas ainda vão mais longe: quando estão para morrer ainda cantam.

Porcos
Quando eu era pequenino os meus pais compravam batatas directamente ao produtor. Era um senhor que se chamava Ti Manel das Batatas e vivia na freguesia de São Bernardo. Tinha porcos, e eu gostava de lá ir comprar as batatas com os meus pais para os poder ver. A minha dúvida era sempre a mesma: como é que o Obélix conseguia caçar só com a mão javalis, animais de porte parecido com aqueles que eu estava a ver.

Pirilampos
Uma vez acampei numa floresta em Eixo, uma freguesia rural de Aveiro, num fim de semana organizado por um amigo meu que já morreu, e que juntava várias bandas de música punk de todo o país. Só me lembro dos X-Acto e de algumas de Aveiro: Mentes Podres e Inkisição. Acabei por não ligar nada à música porque conheci lá uma miúda de cabelo vermelho que me entusiasmou à brava. Depois foi o costume: bebi demais e fumei demais, até que adormeci ao ar livre. Quando acordei montes de pirilampos brilhavam no céu escuro. Ela estava ao meu lado, tal como eu, cheia de terra e com o cérebro cansado. Olha, disse-lhe eu, o teu cabelo está a voar. Nunca mais a vi.

Hienas
A minha primeira namorada, já o disse aqui, chama-se Helena e andava comigo na escola primária. Era morena e corria muito mais do que eu. Foi, talvez, a primeira vez que senti o que é ser excluído dum grupo. Os outros rapazes da minhas sala chamavam-nos “namorados” com ar de gozo e atiravam-nos pedras. Deve ser por isso que sempre que vejo hiena me lembro dela, ou então porque estas memórias me fazem rir.

conversa 187

Porque é que há mulheres que me assustam quando me dizem que temos que ter uma conversa a sério? Nunca sei o que é que vai sair dali e sinto-me cansado. Preciso de paz. Alguém me arranja um sofá para dormir, durante um fim de semana, a mais de cem quilómetros de Aveiro?

Ela – Temos que falar muito a sério, não te parece?
Eu – Não, não me parece.
Ela – Essas tuas dificuldades de comunicação... acho que já sei porque é que te divorciaste.
Eu – Pronto, já sabes. Está bem... e depois?
Ela – E depois não gosto de deixar conversas a meio.
Eu – Então é melhor nem começarmos outra...
Ela – Começamos, falamos como gente grande e acabamos. Depois, se quiseres, cada um segue o seu caminho.
Eu – Era preferível atalhar caminho e cada um seguir já o seu caminho...
Ela – Isso era o que tu querias...
Eu – Sim, era o que eu queria.
Ela – Segunda e terça estás por Aveiro, não estás?
Eu – Sim, estou.
Ela – Achas que consegues marcar um encontro comigo e aparecer sem as tuas amigas?
Eu - Conseguir consigo, mas não me apetece...
Ela – Não tens futuro, pá.
Eu – Futuro tenho de certeza. Pode ser bom ou mau mas tenho futuro.
Ela – Não tens piada nenhuma.
Eu - Piada talvez não tenha mas futuro tenho.
Ela – Telefona-me amanhã para combinarmos.
Eu – Telefona tu. Tu é que queres conversar comigo e eu só tenho oito euros no meu telemóvel. São para falar com as minhas amigas...
Ela (desliga)
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

5.20.2007

xadrez 7

pfffffff...

O Beira-Mar vai voltar a ter o maior e melhor estádio da Liga de Honra. E eu (só em pensamento): - Foda-se!

conversa 186

Ela – Há uns meses parecia que gostavas mais de mim do que agora.
Eu – Vamos ser um bocadinho honestos... há uns meses falámos sobre isso e tu mandaste-me passear.
Ela – Eu não te mandei passear. Eu disse que precisava de tempo para pensar na minha vida...
Eu – E o que é que estás a querer dizer? Que esse tempo já passou?
Ela – Se fiquei à espera que acabasses de trabalhar e vim a tua casa às duas da manhã, é porque acho que é importante voltarmos a falar nisso...
Eu – Nisso o quê?
Ela – Em nós... em mim e em ti.
Eu – Pois... se calhar agora sou eu quem precisa de tempo...
Ela – Ou seja, és tu que me estás a mandar passear agora.
Eu – Não te estou a mandar passear. Nunca te faria isso. Estou a dizer-te que preciso de tempo para pensar na minha vida...
Ela – E se eu não te der esse tempo?
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

pensamentos catatónicos (74)

Detesto esta mania que a vida tem de pensar que o nosso objecto cardíaco é uma espécie de boxeur, ainda por cima sempre no ringue e a apanhar. Por mim deito-me já no chão e espero a contagem decrescente. Dez, nove, oito, sete...

adeus mónaco

a maior parte dos leitores do não compreendo as mulheres acredita que vou acabar preso numa manifestação anti-globalização. Sinceramente preferia casar com a princesa do Mónaco. Ou não...

divórcios na assembleia

O projecto de lei do Bloco de Esquerda, chumbado esta semana na Assembleia da República, e que visa facilitar o divórcio mesmo quando apenas um dos cônjuges o pretenda, devia ter sido aprovado. Os deputados do PCP e do Bloco votaram a favor, os mormons do CDS-PP e do PSD votaram contra. No PS, a disciplina de voto esteve quase a ser posta em causa pelos que não fodem nem saem de cima.
Quando um dos cônjuges se quer divorciar é porque o divórcio, de facto, já se deu. É uma questão de facilitar a papelada. Por muito que os homens não compreendam as mulheres que se querem divorciar deles, ou que as mulheres não compreendam os homens que se querem divorciar delas, não há volta a dar a esta questão. Para bem de todos.
A Zitinha votou contra, por exemplo, e é um dos exemplos de que os divórcios se devem facilitar, para facilitar também nem que seja um novo casamento oportuno.

5.19.2007

mulheres vs browsers

Às vezes apetecia-me que uma ou outra mulher tivesse semelhanças com um browser da internet. Pelo menos que desse para memorizar a palavra passe para quando um gajo quisesse entrar outra vez...

conversa 185

Ela - Eu dizia-te uma coisa que gostava de te fazer.
Eu - Então diz...
Ela - Ainda não bebi o suficiente.
Eu - Então bebe lá depressa que eu estou curioso.
Ela - Hoje não bebo mais.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

xadrez 6

distâncias...

António Boronha não tem dúvidas que eu topo as mulheres à distância. Concordo plenamente: eu topo as mulheres todas à distância. O problema é quando elas estão perto...

contra factos não há argumentos

Facto 1: Pelo que me disseram ontem à noite estou fodido. Mais semana, menos semana, o índice ivariano vai andar pelas ruas da amargura devido a uma contida crise de ciúmes.
Facto 2: Ontem uma miúda éne bonita olhou para mim várias vezes, primeiro no Clandestino (o melhor bar do mundo), depois no GRETUA. Estava com um tipo e a única coisa que eu consegui fazer foi perder o equilíbrio e dar-lhe um encontrão. Só em pensamento fartei-me de dizer “foda-se”.
Facto 3: Quando uma miúda me pergunta, cinco minutos depois de me conhecer, se o meu telemóvel tem máquina fotográfica e, quando eu respondo que não, me exibe uma merda cor de rosa e diz que tem um telefone muito melhor que o meu, eu fujo. Mas fujo mesmo.
Facto 4: Disponibilidade é que não me falta. Hoje de manhã, transeuntes perguntaram-me por três destinos em Aveiro e eu disse-lhes: siga o meu carro. Primeiro foi um senhor que queria ir ao Centro de Exposições, depois um casal de alemães que queria ir para a praia, depois uma senhora que queria ir para o museu de Santa Joana.
Facto 5: Não se deve discutir política quando se está com os copos, principalmente quando votamos normalmente no Bloco de Esquerda e estamos a falar com um amigo que acha que Israel é um estado vítima no médio oriente, que o sarkozy é um gajo moderado e que os impostos deviam aumentar para Portugal poder controlar as finanças públicas.

conversa 184

(com um amigo que me apareceu com um piercing azul no lábio inferior)

Eu – Olha... isso não é constrangedor quando estás a fazer um minete?
Ele (risos)
Eu – Não estou a brincar... estou a perguntar a sério... faz-me confusão.
Ele – Não. Isto desenrosca facilmente...
Eu – Ah! Pronto.
Ele – De qualquer maneira não gosto de fazer minetes. A minha namorada está farta de me chatear por causa disso...
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

ao menos isso...

O Beira-Mar ainda pode ficar na Primeira Liga, mais por demérito do Aves e do Vitória do que por mérito próprio, verdade seja dita, mas aqui o divorciado precisa duma alegria. O futebol serve para isto: quando as mulheres nos dizem que não somos bons na cama só um joguito de futebol é que nos pode levantar a moral.
Neste fim de semana, em que ainda por cima estou a trabalhar, não acredito que uma mulher possa salvar a minha vida, mas acredito que o Beira-Mar pode salvar a época. Ao menos isso...

5.18.2007

xadrez 5

conversa 183

(como se fôssemos actores dum filme francês da nouvelle vague)

Eu - O nosso amor é como estas ondas que morrem levemente na areia escondida pela noite.
Ela - Mas será útil, à luz desse amor, molhar os pés no que está prestes a morrer?
Eu - O existencialismo não concebe nada que seja útil. Eu e tu existimos, agora. mais nada...
Ela - Merde... a noite esconde as nossas pegadas na areia. Existem... mas apenas na nossa memória...

satélites no céu...

Ontem vi algumas frigideiras desenhadas no céu da praia da Barra. também passaram dois satélites e, na linha do horizonte, onde o mar toca o céu, havia um bar aberto. O índice ivariano volta a terrenos positivos, subindo quatro valores. Agora está no doze.

conversa 182

Ele - Vou-me enforcar, sabes?! mas tem que ser...
Eu - Já compraste o apartamento?
Ele - Não... aceitei casar com a XXXXXX...
Eu - Ah!... boa sorte... vais precisar.
Ele - Não queria nada casar... mas ela está sempre a insistir...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

5.17.2007

coisas imperdoáveis

Não me perdôo pelo facto de estar todo contente por ir jantar uma sandes com uma pessoa que me acelera o objecto cardíaco mas que já sei que... olhem... népias, e ainda por cima me faz cantar o "sobe sobe, balão sobe" a tarde toda.
Também nunca perdoei aos europeus o facto de a Manuela Bravo não ter vencido o festival da Eurovisão em 1979. Mais nada!

conversa 181

Ele – Tu estás a ser burro, pá. Aproveita... ela gosta de ti, isso vê-se.
Eu – Em primeiro lugar não gosto do verbo aproveitar neste tipo de coisas, em segundo tu és o único que vê que ela gosta de mim, em terceiro não percebo porque é que tem que ser sempre um gajo a dar o primeiro passo...
Ela – Bem... tens razão no “aproveita”. Também não gosto... mas acho que está mais ou menos instituído que é o homem que deve dar o primeiro passo.
Eu – Eu não sigo instituições... e não posso dar eu o primeiro passo, percebes?
Ele – Porquê?
Eu – Porque não estou emocionalmente para aí virado. Tenho outra mulher aqui dentro...
Ela – Mas quem é? Ela gosta de ti?
Eu – Opá... acho que gosta um bocadinho... mas já percebi que não vai ser a mulher da minha vida. Isso já percebi...
Ele – Então... não tens nada a perder...
Ela (virando-se para ele) – Não tem nada a perder mas não consegue...
Eu – É isso...
Ele (virando-se para mim) – Mas se ela desse esse primeiro passo, como é que reagias?
Eu – Sei lá... ela é muito bonita. E não é só bonita, gosto de estar com ela. Talvez fosse em frente, sim.
Ele – Então diz-lhe.
Eu – Não posso fazer isso. Não estou interessado em ter mais relações de três ou quatro dias, percebes? Pelo menos agora não estou...
Ele – É melhor do que nada.
Eu – Não sei se é...
Ela – Pois, eu também não...
Ele – Falta-te é coragem.
Eu – Falta-me certezas. É o que me falta...
Ela – Isso falta sempre a todos. Tens que experimentar e ver se se dão bem. Convida-a só para um jantar.
Eu – Não. Ela que me convide a mim se lhe apetecer.
Ela – Ela não vai fazer isso. É mulher. Tu é que tens que fazer. É o tal primeiro passo.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

Saturno tem anéis

enquanto não acabo o meu próximo livro, que ainda nem sei se consigo editar, fica aqui um texto sobre divórcios que escrevi no único livro que publiquei até hoje, e que escrevi ainda era casado.

As pilhas esgotaram-se. Desligou-se o ruído que, por frágeis ondas electromagnéticas, ligavam Saturno ao mundo. Ao de lá de fora, não ao seu, onde uma senhora gorda acaba de apanhar no meio da rua as cuecas do marido. Tinham caído do estendal com a força do vento, e por estarem mal lavadas ainda têm uma nódoa de merda em transparência. Saturno não reparou nisso porque nunca espreita pela janela, e a sua face distante ainda se concentra no agora silencioso rádio.
Logo à noite o marido da gorda vai chegar bêbado a casa, e quando reparar na nódoa vai espancar a mulher. Depois fazem as pazes entre cascatas de lágrimas, umas falsas, outras nem por isso, terminando num acto sexual mecânico. Depois de limpo o esperma num banho rápido ele vai tornar a sair, e as cuecas sujas desse dia vão ficar à espera que as lágrimas da esposa sequem. Só então as poderá lavar.
Saturno lembra-se de em pequenina brincar na rua com o filho deles. Foi, aliás, com ele, que teve a primeira brincadeira proibida. Tinham doze anos os dois, e ela já usava soutien. Nessa noite o pai fechou-a no quarto depois de lhe bater, enquanto o seu amigo foi levado às putas como prémio de ter chegado ao estado de Homem com H grande. Acabou também por levar uma surra, das mesmas mãos que acabaram de foder a vizinha depois de lhe bater, porque ao entrar no bordel começou a chorar de medo.
Daqui a bocado ele vai voltar, cantando no solitário negrume da avenida, e como um cão fiel a mulher estará à sua espera na janela, sujando de baba e lágrimas um vidro tristonho. Saturno não vai espreitar mas sabe-o, porque também ela espera alguém que vem com ele. É o seu filho com o tal H grande. Saturno tem anéis...


in "Numa Avenida de Merda", Ivar Corceiro. Edições Mortas. 2005

xadrez 4

5.16.2007

há uns dias cruzei-me com ela no corredor dum hipermercado

Há uns dias cruzei-me com ela no corredor dum hipermercado. A última vez que a tinha visto tinha sido num espaço idêntico, só que noutro centro comercial. Lembro-me que levava no carrinho de compras um pacote de fraldas e leite em pó. Perguntou-me se eu tinha filhos, e eu respondi que sim. Era óbvio, aliás. Em dois ou três segundos voltei anos atrás no tempo, e lembrei-me de lhe ter dado a mão na paragem do autocarro onde apenas ela devia entrar. Passou um, depois outro e mais outro e ela não entrou. Depois lembrei-me do calor dos lábios e olhei-os, como quem procura um tesouro esquecido. Mais nada... desejámos boa sorte um ao outro e prometemos que qualquer dia fazíamos um jantar.
Há uns dias cruzei-me com ela no corredor dum hipermercado. Ela olhou para o cesto que eu transportava na mão esquerda. Um quilo de arroz, um pack de cerveja, um pacote de massa e azeitonas. Perguntou-me se eu me tinha divorciado. Que sim, respondi-lhe tentando sorrir. Depois convidei-a para um café, ali mesmo, na praça da alimentação, se ela não estivesse com pressa. Ela hesitou. Os mesmos lábios que eu beijei há muitos anos tremeram. Que se tinha casado, disse-me.
Há uns dias cruzei-me com ela no corredor dum hipermercado. À nossa volta o silêncio amuou. Eu zanguei-me com a merda do tempo que nunca é oportuno, com a merda dos livros enfileirados que olhavam para mim a gritar títulos diferentes, com a merda das memórias que crescem como cabeças de hidra. Depois a cabeça dela encostou-se ao meu braço, só por um segundo, talvez meio segundo, e foi-se embora. Não lhe cheguei a dizer mas... talvez numa próxima vida.

l'amour va bien, merci

Assim de repente lembrei-me deste o amor vai bem, obrigado, dos mler ife dada. É tão delicioso...

conversa 180

Ele - Tu escreveste no teu próprio blog que as gajas não te acham bom na cama... mas... és burro ou quê?
Eu – Não escrevi isso. Escrevi que uma gaja não me achou bom na cama.
Ele – É preciso coragem. Isso vai-se espalhar num instante...
Eu – Não é preciso coragem. Entre mulheres estas merdas espalham-se facilmente. Elas sabem tudo e contam tudo umas às outras, portanto o melhor é ser eu a dizê-lo.
Ele – Mas nenhuma vai querer mais ir para a cama contigo...
Eu – Sei lá. Até pode ser que suscite curiosidade...
(passados uns minutos)
Ele - Mas quem foi a gaja?
Eu – Opá, não sei. Foi a XXXXXX que me contou mas não me disse quem é que lhe contou a ela...
Ele – Tás a ver? São fodidas, elas...
Eu – A merda é que estou farto de pensar e não chego lá nem com açúcar... não faço ideia quem lhe terá dito... mas tens razão, tens... são fodidas...
(passados uns minutos)
Ele – Não terá sido a YYYYYY? Disseste-me que não te correu lá muito bem com ela...
Eu – Pois... mas a YYYYYY não pode ter sido. Mal se conhecem...
Ele – Mas de boca em boca pode ter chegado da XXXXXX à YYYYYY.
Eu – Enaaaa... tou fodido.
Ele (risos)

crónicas da cidade que sopra | nesta cidade não há romance

Amanhã, no Diário de Aveiro, mais uma crónica da cidade que sopra. Nesta cidade não há romance.

De manhã deixou-se estar encostado à frialdade dos azulejos da parede, enquanto a água quente lhe acarinhava cuidadosamente a pele ferida. Fez amor com o silêncio, deixando cair no esquecimento os compromissos do dia, de que só se lembrou quando fechou a torneira e a água serpenteou rapidamente para se esconder dentro do ralo da banheira. Ali ficaram, a espernear como peixes fora da água, as obrigações por cumprir: uma ida para o emprego e uma duas contas por pagar já na data limite. Também ficou uma embalagem de sabão líquido a verter lentamente aquele líquido espesso, mas ele não a apanhou. Deixou-se ir nu até ao quarto onde se vestiu casualmente e saiu de casa sem direcção.

conversa 179

Ele - E a *******?
Eu - E a ******* o quê?
Ele - Ela está sempre a mandar-te mensagens a dizer que gosta de ti...
Eu - Não... nunca recebi nenhuma...
Ele - Não é no telemóvel. Estou a falar de olhares, pequenas coisas...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

5.15.2007

conversa 178

Esta conversa foi-me enviada por um amigo, que se quer manter anónimo, e foi escrita a quatro mãos depois da leitura da conversa 177. Diz que é uma homenagem a este blog... e eu agradeço.

Ele – Post delicioso...
Ele - e preocupante
Ela - A minha sorte é que dormi apenas com um aveirense!!
Ela - :P
Ele - O problema não é dormires com...
Ela - Então?
Ele - É estar acordado...
Ela - mas também só estive com um…
Ele - Sim, eu percebi :)
Ele - Mas podes estar com mais... temos que ter cuidado...
Ela - Nos próximos tempos não me parece :(
Ele - Não sejas pessimista, és uma mulher interessante (leia-se SEXO)
Ela - Nem isso… É o que te digo.. Não conheço pessoas novas, por isso, nem sexo :(
Ela - Celibato à força toda. Embora haja um jovem com algum sex appeal
Ela - e tu ontem pá..
Ela - a perguntar se ele gostava de miúdas mais tipo eu
Ele - Folgo saber que não sou eunuco ou gay para ti... :/
Ela - Eunuco???
Ele - Tu estás com uma conversa pessimista demais... És apologista que todos os que tu conheceste actualmente não podem ser interessantes - quecas de circunstância, romance ou paixão? - e por isso têm de ser conhecimentos novos?
Ele - É uma filosofia... redutora
Ela - Mas as pessoas que eu conheço são minhas amigas e não são assim tantas...e com amigos eu faço a distinção.
Ele - Não me digas que és daquelas que amigos = no sex
Ela - Sou um bocado... quando são amigos, amigos não consigo
Ele – (em pensamento) FODA-SE ts, ts, ts...
Ela - É verdade
Ele - São as cenas mais giras... mas tudo bem, cada um tem a sua opinião
Ela - Eu penso muito assim
Ele - Eu penso o contrário... o “turn on” é com alguém que tenha algo em comum: seja físico ou psíquico
Ela - Não quer dizer que não aconteça
Ele - … e isso consegue-se com jogo de sedução ou conhecimento
Ela - É claro que não vou para a cama com uma pessoa que não me diga nada
Ela - Mas aqueles que são amigos mais amigos por norma, não penso nisso sequer, estou a fazer-me entender??
Ele - Já percebi - não queres ir para a cama comigo :'(
Ela - Nem contigo, nem com outro amigos como tu. Quando são amigos, amigos... é como te disse, nem me lembro disso
Ela - Eu prefiro um bom amigo a uma boa queca
Ele - eu prefiro as duas...
Ela - ;)
Ele - E em conjunto, não tenho problemas nenhuns
Ele - Sabes, acho que as coisas têm de estar definidas
Ele - E só corre mal quando de um lado está algo e do outro coisa diferente
Ela - Exacto
Ela - E para não correr esses riscos…
Ele - Quando é uma curte em comum, uma queca em comum, o dar prazer ao outro... acho que fica tudo na boa na mesma
Ela - A minha opção é esta, não é só por isso, mas isso também conta
Ele - Respeito mas não concordo
Ela - :D
Ele - Pois é a falar que a malta se entende... antes de se entender doutras maneiras
Ela - ;)

datas em AVR

as próximas datas do divorciado, ambas em Aveiro, estão ali ao lado. Dia 28 de maio ponho música de novo no melhor bar do mundo, o Clandestino. No dia 9 de Junho, lá mais para os lados do Alboi, no Armazém do Silêncio, movimento as imagens que vão acompanhar os Retroboys em mais uma noite de soundburguers...

amiga envia email ao divorciado...



Tirei-te esta foto no dia em que te partiram os óculos com um murro, não sei se te lembras. (... ...) Como sei que gostavas muito deles não posso deixar de ta mandar, provavelmente foi a última. Embora na minha opinião ainda fiques mais feio com eles do que sem eles. Os que tens agora até te ficam menos mal. (... ...) Também és chato mas isso já te disse várias vezes. (... ...) Mas não esquentes, como dizia o meu avô há sempre um tampo para uma panela. Continua a procurar. (... ...) Beijos


e eu (só em pensamento): Foda-se!

xadrez 3


mulheres que eu gostava de poder não compreender (53)


nome: Jasmine Trinca
origem: Itália
info: vi-a ontem n'O Caimão, do Nanni Moretti. Epá... esta mulher resolvia todos os meus problemas menos um. Resolvia sim... não sei se já vos disse que gosto muito da Itália...

[apdeite]
aquele nome, Trinca, parece assustador...

só oito

O caralho da merda do índice ivariano desce para oito. Oito. Oito. E mais: estou amuado!

só duas coisitas sobre a Madeleine

Tenho evitado falar aqui do caso Madeleine. Só acho que a maior parte das pessoas devia fazer o mesmo, pelo menos quando é para culpabilizar os pais de negligência. Primeiro: só acha que os pais foram negligentes quem nunca teve filhos, e se teve, é um totó do caralho com quatro empregadas e motorista para andar atrás da criancinha. Segundo: os pais já estão a sofrer q.b. para ainda terem agora que levar com arrotos de postas de pescada de sádicos voyeurs.

conversa 177

Ela – O que é que tu pensas?! Eu já sei como é que tu és na cama...
Eu – Já sabes?! Como é que sabes?
Ela – Aveiro é uma cidade pequena. Já me relataram uma noite contigo...
Eu – Quem foi?
Ela - Não digo. Não posso dizer.
Eu – Hum... já agora, a opinião foi boa ou má?
Ela – Para ser sincera não fiquei com muita vontade...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

5.14.2007

coisas que fascinam (47)

bem... epá... há mulheres mesmo bonitas... mesmo, mesmo, mesmo! epá... o que é eu posso dizer mais?

conversa 176

Ela - Bom dia, estou a falar com o senhor Ivar Corceiro?
Eu - Bom dia... está a falar com o mordomo.
Ela - Seria possível falar com o senhor Ivar Corceiro?
Eu - Não. Ele está de férias na Malásia e só volta no fim do mês de Agosto.
Ela (depois de algum silêncio) - Então bom dia e muito obrigada...
Eu - Bom dia...

conversa 175

(conversa entre gajos completamente sóbrios)

Ele – O beijo é a melhor assinatura duma mulher. Se ela beija bem é porque é boa na cama.
Eu – Hum... não sei...
Ele – Mas sei eu... e se tiver a boca grande é porque é larguinha. Se tiver a boca pequena é mais apertada...
Eu – Hum... não sei.
Ele – É, é.
Eu – Não é não.
Ele – É, é.
Eu – Não é não.
Ele – É, é. Sei por experiência própria. Já estiveste com alguém que contraria esta minha tese?
Eu – Hum... por acaso já.
Ele – Quem?
Eu – Não digo...
Ele (olhando para mim fixamente) – Ah! Mas essa é chinesa...
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

xadrez 2


mulheres que eu gostava de poder não compreender (52)


nome: Velma Dinkley
origem: EUA
info: depois do post sobre sobre ela não podia deixar de a introduzir na secção "mulheres que eu gostava de poder não compreender". É mesmo da Velma que falo e não da Linda Cardellini (apesar de ser a actriz que melhor representou o papel). Sei lá... acho que tenho um fetiche por mulheres com óculos parecidos com os meus.

quatro pontos para uma segunda-feira de merda

1] De manhã fui a três lojas de roupa no Fórum Aveiro para ver se comparava uma camisola. Não comprei. Parece-me que já não fazem roupa lisa, sem desenhos ou frases estampadas, e eu não gosto de vestir roupa com merdas estampadas. Sinto-me uma espécie de árvore de natal. Gosto de camisolas lisas e com uma só cor, no máximo podem ter riscas, mas nada de desenhos. Phónix…

2] Vou trabalhar sete dias seguidos, o que equivale a dizer que no próximo de semana, em vez de estar com a minha filha, vou estar na companhia do Homem-Aranha em Espinho. Não gosto do Homem-Aranha nem um bocadinho. Foda-se (só em pensamento)

3] Hoje estava a tomar café e, como não havia mesas livres, uma miúda gira, mais ou menos da minha idade, perguntou-me se podia sentar-se na minha mesa. Que sim, respondi eu tentando ser o mais simpático possível. Ela sentou-se, abriu um livro e não me ligou nadinha. Ainda por cima o livro era do Paulo Coelho… Ainda há mulheres giras que lêem Paulo Coelho? Sim é capaz de haver… aquilo é mesmo literatura para meninas…

4] O Beira-Mar só conseguiu perder 3-0 com o Nacional da Madeira. Digo que só conseguiu porque, segundo parece, tentou perder por mais mas não foi capaz… se na próxima jornada o Beira-Mar não descer de divisão acendo uma velinha… Não compreendo o Beira-Mar…

5.13.2007

pensamentos catatónicos (73)

Alguém me explica porque é que há mulheres que tanto nos abraçam com força, beijam e falam como se fôssemos a coisa mais importante da vida delas, e no dia seguinte passam por nós e nem sequer nos cumprimentam?
Mais ainda: porque é que este comportamento esquizofrénico se repete várias vezes?

apreensão

eu?! apreensivo porque se o Beira-Mar perde hoje na Madeira pode descer já de divisão?!!! naaaaaaaaaaa!

Velma


É verdade que a Linda Cardellini é bonita, mas a sério que nos filmes do Scooby Doo, em que faz de Velma, se torna mesmo irresistível. Este fim de semana a minha filha obrigou-me a ver o filme e a ler-lhe as legendas em tempo real. Escusado será dizer que algumas vezes me distraí... eh! eh! e a minha filha resmungava: - "Então pai, o que é que ela disse?", e eu respondia: - "ah... desculpa filha... não li".
Sei lá... só posso dizer que tenho pena que a Velma não trabalhe num hipermercado ao pé da minha casa, para quando estou a apanhar seca na fila de pagamento me sentir melhor. Estou mesmo a ver: passava a comprar uma coisinha de cada vez para passar mais vezes na caixa... um quilinho de arroz, um pacote de massa, uma embalagem de cerveja preta... ai Velmita, Velmita.

vidro aberto

Hoje deixei o meu carro estacionado na baixa de Aveiro, na rua José Estevão, durante mais de duas horas, com o vidro da porta direita completamente aberto. O meu portátil estava em cima do banco. É a segunda vez que faço isto... ou é sorte ou não sei o que é... phónix!

5.12.2007

conversa 174

Ela - Pai, tens que arranjar uma namorada.
Eu - Porquê filha? Tens pressa?
Ela - Não é isso. Acho que precisas...
Eu - E porque é que achas que preciso?
Ela - Não sei... gostava que a minha família fosse maior
Eu - Mas a tua família já é grande...
Ela - Pois, mas só contigo é que posso jogar jogos e ouvir músicas do Sam the Kid. Acho que se tiveres uma namorada vai ser uma que joga jogos comigo e ouve Sam the Kid...
Eu - Olha que estás enganada. A mamã já foi minha namorada e detesta jogos e não ouve Sam the Kid.
Ela - Pois, por isso é que se separaram... percebes?
Eu - Se calhar não foi por isso...
Ela - Eu acho que foi. Até há uma música que diz que não se ama alguém que não ouve a mesma canção... quer dizer isso, não quer?
Eu - De facto quer...
Ela - Tás a ver?

5.11.2007

xadrez 1

conversa 173

Ela1 – O ****** diz que sou a mulher da vida dele mas não me fala há quatro dias...
Ela2 – Tem aqui um homem divorciado, tá vendo?
Eu como um croissant e mantenho o silêncio
Ela1 – Nem um telefonema nem um sms...
Ela2 – Cê quer um café?
Eu – Não...
Ela1 (virando-se para mim) – É por esta e por outras que vou ficar pra tia...

é só às vezes que lhe peço que se cale e ela não o faz

Não é sempre, é só às vezes que lhe peço que se cale e ela não o faz. O silêncio que estava sentado mesmo ao meu lado pagou a conta e foi-se embora. Gosto tanto dela que não percebo a insistência em foder-me a cabeça, em torturar-me com significantes sem significado. Ou que as bebidas expostas são para consumo da casa, ou que uma casa se trespassa, ou que um homem plastificado de tristeza plastifica documentos, ou que as crianças com mais de doze anos não podem brincar num parque infantil.
Não é sempre, é só às vezes que lhe peço que se cale e ela não o faz. Subtraio-me então a tudo o que a povoa e por isso me toca. Me cheira. Piso a primeira risca branca duma passadeira gasta, obrigando um automóvel a travar bruscamente. Depois atravesso calmamente uma avenida para a outra margem, espelho daquela em que estava, perante o condicionado pensamento dum condutor que me acompanha num travelling de íris fixas.
Não é sempre, é só às vezes que lhe peço que se cale e ela não o faz. Urino numa casa de banho pública e sei que aquilo onde os meus sapatos chapinham é mijo dos outros. Os outros. Sempre os outros. Caminham tão apressadamente que devem ter um destino certo, e eu invejo-os. O seu silêncio grita-me ao ouvido: - "não sabes onde vais, não sabes onde vais". Entro num café qualquer, escolho um lugar entre dois bancos vazios, mas o silêncio que estava sentado mesmo ao meu lado pagou a conta e foi-se embora.

o noam compreende quase tudo menos as mulheres



Para o fim de semana, e porque sou mais chato que a potassa, deixo aqui o link rapidshare para o álbum de spokenword, do Noam Chomsky, The Imperial Presidency. Acredito que o Noam não compreenda as mulheres, mas a sério que compreende muitas coisas. Agora as mulheres, pá... as mulheres... quem é que as compreende?

encuentros imediatos de lo tercero graucito

Olha! Deu-me um beijo no pescoço e disse-me para lhe telefonar. o índice ivariano sobre um pontito pequenito. Agora se encuentra en 13.

5.10.2007

não compreendo as cadelas




É verdade: os cães não compreendem as cadelas. Pelo menos não compreendem porque é que a maior parte delas está sempre com enxaquecas. Foi a pensar nisto que a feeladdicted criou uma sexual doll para eles. Estou mesmo a ver, no dia em que os cães falarem e escreverem, um dálmata deprimido a criar um blog chamado "não compreendo as cadelas" e a postar qualquer coisa como:

Eu – Queres vir à minha casota roer um osso?
Ela – Prefiro um Pitbull...
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

Depois é capaz de se pôr a beber a noite toda e a latir tristemente muito alto, sem deixar dormir nenhum dos vizinhos, até que alguém lhe atire pedras.

conversa 172

Ela - Tu é que tens problemas com as mulheres, não é?
Eu - Problemas?!
Ela - Sim... não és tu que até tens um blog que se chama "os meus problemas com as mulheres"?
Eu - Ah! Não é bem isso. Chama-se "não compreendo as mulheres"...
Ela - Então és tu que tens muitos problemas com as mulheres...
Eu - Só eu?
Ela - Sim, o blog não é só teu?
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

oito e meio


1] Bebo sempre o café sem açúcar mas às vezes ponho canela em pó.
2] Não bebo coca-cola nem vou ao Mac Donald's desde Julho de 1995.
3] Não compro o Expresso desde Março de 2003 por causa da manifestação pró-americana sobre a a invasão do Iraque.
4] Sinto tristeza e estou desiludido com a França por causa da vitória do Sarkozy.
5] Vou fazer uma casa de bonecas, em madeira, para a minha filha.
6] Quanto mais o tempo passa menos compreendo as mulheres e mais gosto delas.
7] Estou pessimista e acho que o Beira-Mar vai descer de divisão.
8] Desde que me separei, há já quase um ano, nunca mais escrevi nem fiz filmes. Agora estou a começar a conseguir escrever outra vez.
8,5] Não sei que lhe diga, pá. Até me apetece mas acho que não estamos bem na mesma onda.

5.09.2007

se eu fosse...

Foi a Didas que me mandou fazer este TPCC (trabalho para cybercafé)
Se fosse uma hora do dia, seria 22:22, porque é a hora a que eu marco mais encontros (é a mais fácil de escrever com o teclado do telemóvel)
Se fosse um astro, seria um qualquer daqueles que é só mulheres atrás
Se fosse uma direcção, seria uma qualquer desde que fosse só mulheres atrás
Se fosse um móvel, seria uma cama com um colchão de água duma divorciada
Se fosse um líquido, seria bagaço amarelo
Se fosse um pecado, seria comer quatro queques de chocolate seguidos
Se fosse uma pedra, seria de haxixe (que até nem fumo mas é cool dizer isto)
Se fosse uma árvore, seria um chorão
Se fosse uma fruta, seria um morango
Se fosse uma flor, seria uma margarida
Se fosse um clima, seria um qualquer desde que anunciado por aquela apresentadora loira da SIC que fazia o boletim meteorológico
Se fosse um instrumento musical, seria um reco reco
Se fosse um elemento, seria o túlio
Se fosse uma cor, seria o amarelo
Se fosse um animal, seria do Partido Nacional Renovador
Se fosse um som, seria silêncio
Se fosse música, seria desafinada
Se fosse estilo musical, seria música étnica
Se fosse um sentimento, seria esquizofrénico
Se fosse um livro, seria em branco
Se fosse uma comida, seria caracoletas
Se fosse um lugar, seria um cantinho perto do Mosteiro de Pitões das Júnias
Se fosse um gosto, seria amargo
Se fosse um cheiro, seria a suor
Se fosse uma palavra, seria schmetterling
Se fosse um verbo, seria (só em pensamento) foda-se
Se fosse um objecto, seria uma afiadeira de plástico em forma de sobrinho do pato Donald
Se fosse peça de roupa, seria umas cuecas compradas no chinês que tem uma chinesa bonita
Se fosse parte do corpo, seria o intestino grosso (pelo menos passo a vida a fazer merda)
Se fosse expressão facial, seria de sono
Se fosse personagem de desenho animado, seria Conan o Rapaz do Futuro
Se fosse filme, seria skhízein o elevador
Se fosse forma, seria uma que dê para fazer gelatina
Se fosse número, seria menos que zero
Se fosse estação, seria antes um apeadeiro
Se fosse uma frase, seria "queres vir a minha casa beber um copo?"

agora desafio, sem obrigatoriedade, qualquer um dos que têm ali ao lado um link

conversas 171

Ela – Logo saímos?
Eu – Logo não sei se saio mas se sair é em Aveiro...
Ela – Sempre Aveiro, sempre Aveiro... quando é que vens ao Porto?
Eu – Isso não é Porto, é Gaia.
Ela – É a mesma merda...
Eu – Agora não devo ir tão cedo. A CP já tem um comboio que passa em Espinho à meia-noite e vinte seis. Mesmo quando trabalho à noite vou de comboio, percebes? Hoje vim de comboio, não posso ir ao Porto, senão só posso voltar de manhã...
Ela – Mas tens onde ficar aqui...
Eu – Tás a brincar, não estás?
Ela – Não... podes ficar aqui na boa.
Eu – Eu sei que posso ficar aí. Não sei é se é na boa. A última vez não foi assim muito na boa...
Ela – Tu também... és rancoroso, pá.
Eu – Não é rancor, é cuidado. Tenho que ter cuidado comigo. É só isso... está bem?
Ela – Isso quer dizer que não me queres ver mais...
Eu – Não quer dizer nada. Quer dizer só que ando a ter cuidado comigo.
Ela – Eu sei que me passei. Tu nunca te passaste, foi?
Eu – Já me passei várias vezes, já. Nunca me pus às caneladas num amigo por causa disso... mas sim, já me passei várias vezes.
Ela – A culpa também foi tua.
Eu – Porquê?
Ela – Porque sim.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

mulheres que eu gostava de poder não compreender (51)


Nome: Tamara Obrovac
origem: Croácia
info: Nasceu em 1962 em Pula, na Croácia, e tem seis cd's editados. Foi-me apresentada agora quando fui a Lisboa. Podem ver o site oficial dela aqui. Vale a pena.

couchsurfing

Adoro o conceito. Já ouviram falar no couchsurfing?

crónicas da cidade que sopra | a possibilidade da dúvida

Amanhã é quinta-feira. Por isso é publicada mais uma crónica da cidade que sopra no Diário de Aveiro.

Detemo-nos na possibilidade da dúvida e é nela que tentamos dilatar a nossa presença. É como se ela fosse um comboio que não sabemos se pára na nossa estação, mas que talvez um dia o faça. Nem tudo é perfeito mas ela existe, a possibilidade da dúvida. Entretanto vamos respirando fumo, contornando notícias no jornal, aproveitando momentos a sós, gritando uma última palavra a um telefone que ensurdeceu. Depois caminhamos na cidade que sopra, em sentido paralelos que nos mantêm afastados, e esperamos que talvez o nosso fumo possa formar uma só nuvem.

5.08.2007

conversa 170

Ela - Nem sei que te diga...
Eu - Não digas nada. É melhor.
Ela - Mas queria dizer-te qualquer coisa bonita...
Eu - Ornintorrinco.
Ela - Ahn?!
Eu - Diz ornitorrinco. São bonitos os ornintorrincos.
Ela - É melhor não dizer nada...
Eu - Tás a ver?

vinho vs bravo

Acabei de ir ali abaixo ao bar comer um queque de laranja (não havia de chocolate) e tomar um café. Descobri que a minha colega que lá trabalha lê a revista Bravo, apesar de já ter mais de 12 anos. Na verdade tem 19. Estava a ler uma secção que se chama naturalmente bonita e eu pedi-lhe a revista emprestada. É que também quero ser naturalmente bonito, expliquei-lhe. Ela respondeu-me que a secção é só para mulheres, e tem razão, já que a própria revista (cuja única desculpa para tanta imbecilidade é ser alemã) se refere apenas a miúdas. É uma pena, há alguns conselhos que eu queria mesmo seguir. Bem... já que 70,3% dos leitores deste blog são mulheres, deixo aqui dois para quem quiser.

Olhar ZenSe tens os olhos irritados pelo pólen ou outras causa, anota este truque que te acalmará a irritação. Corta uma batata às rodelas e aplica-as nos olhos! As vitaminas B e C e os minerais deste rico tubérculo devolverão a frescura do teu olhar.
Tá fixe. No meu caso, para ficar com um olhar Zen, basta-me beber uns copos de vinho. Andar com batatas nos olhos é capaz de dar resultado mas há sempre o perigo dum gajo ir contra qualquer coisa.

Para ficares CoradinhaSe notas a pele do teu rosto apagada, tritura umas quantas framboesas ou morangos num almofariz, mistura-os com mel e aplica 15 minutos sobre o teu rosto. A cor vai subir-te à cara.
Eu mantenho a minha. Para ficar coradinho basta-me beber uns copitos de vinho. Acredito que os morangos com mel resultem mas, foda-se, já viram o que é um gajo andar todo peganhento na cara?! E se vem um cão lamber-nos?

Bem... estão a ver? Não há nada que um copito de vinho não faça...

a mulher que prendeu a chuva

A Divas apresenta hoje, às 18:30, na livraria Bertrand do Fórum Aveiro, o último livro de Teolinda Gersão, "A Mulher que Prendeu a Chuva". A Carolina Rodrigues vai ler um conto e acreditem que, só por isso, vale a pena ir.

conversa 169

Ele – Já vou com mais de um ano de divórcio e ainda estou na merda, Ivar. Ando assexuado e não consigo esquecer a ******.
Eu – Pois, eu vou com quase um ano… compreendo-te perfeitamente.
Ele – Odeio a gaja, pá.
Eu – Se não a consegues esquecer é porque não a odeias. Tem calma, pá. Ela não te fez mal nenhum…
Ele – Não fez?! O caralho é que não fez. Depois de três anos acaba com tudo de repente… foda-se.
Eu – Três anos não é nada. Eu cheguei quase aos dezasseis…
Ele – Epá, foda-se. Também te passaste…
Eu – Claro que sim. É impossível não te passares no princípio. Até era mau… queria dizer que andavas a viver com uma tipa que não te dizia nada…
Ele – Mas eu odeio a ******, pá. Enganou-me e mentiu-me.
Eu – se calhar não foi bem assim. Cansou-se de ti ou mudou de opinião. Tem esse direito. Toda a gente tem…
Ele – Mas então dizia logo no princípio.
Eu – Logo no princípio ela gostava de ti, passados três anos já não gostava assim tanto… tem esse direito, por muito que custe.
Ele – Não tem nada.
Eu - Tem, tem.
Ele – Não tem nada.
Eu – Tem, tem.
Ele – Não tem nada, caralho.
Eu – Tem, tem. E se gostas dela tens é que lhe desejar boa sorte.
Ele – Não me digas que tu queres que a tua ex-mulher se dê bem lá com o gajo com quem anda.
Eu – Quero, quero… garanto-te que sim. Gosto muito dela, espero que a vida lhe corra bem…
Ele – Estás a ser um hipócrita.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!
Eu – (voltando às palavras) – Bebes mais um fino?
Ele – Iá… é melhor mudar de assunto.

conversa 168

Ela – Às vezes sinto-me um animal num jardim zoológico. Tu passas pelas pessoas que estão a olhar para mim e nem olhas…
Eu – Não estou a perceber…
Ela – Estou a ser directa. O que é que não percebes?
Eu – Quer dizer… primeiro, utilizando a mesma analogia, tu estás numa jaula onde também está um macho. Segundo, não gosto muito de jardins zoológicos.
Ela (depois de alguns segundos de silêncio) – Pois, quando estão dois machos na mesma jaula, às vezes lutam um com o outro.
Eu – Pois, só que eu não faço isso… e continuando a falar de animais, espero não encontrar nunca nenhuma fêmea tipo Louva-A-Deus. Acho que comem os gajos depois do acto sexual…
Ela (silêncio) – Se não vivêssemos a mais de 500 quilómetros de distância talvez não houvesse nenhum macho na minha jaula.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

5.07.2007

que raio.

já percebi... queria mandar um sms a uma amiga a dizer: - "estou em Lisboa. Estás cá?" e, de facto mandei. Só que mandei a montes de contactos da minha lista telefónica menos ao que eu queria... se alguém que lê isto recebeu um... epá... peço desculpa. Prometo que vou passar a beber menos.

leio este blog e...

conversa 167

Ela – De onde é que és mesmo?
Eu – Aveiro...
Ela – Aveiro... já ouvi falar. Fica no norte ou no sul?
Eu – Depende. Por exemplo, relativamente a Carrazeda de Ansiães é mais a sul, relativamente a Melides é mais a norte. Mas para perceberes melhor, fica mais ou menos à mesma latitude de Macinhata do Vouga...
Ela – Ah!...
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

são os loucos de Lisboa...

1] Não matei os desejos de comer caracoletas.
2] Dei o primeiro mergulho no mar este ano, na praia de Carcavelos. Ali a zona de Oeiras é só mulheres bonitas, pá. Foda-se (só em pensamento).
3] O Príncipe Real tem um café altamente.
4] Um amigo levou-me a um bar gay, chamado Finalmente, mas não me avisou para onde ia. Disse-me apenas que queria encher os olhos. À entrada disse-lhe a brincar, mas se calhar um bocadinho alto: "Olha! Não há uma única mulher aqui. Queres encher os olhos com quê?". Depois vi o porteiro a olhar para mim com um ar esquisito, depois vi alguns clientes a rir, depois vi algumas fotografias de homens musculados na parede em frente à porta. Depois olha... vi um espectáculo com uns travestis a cantar e fui embora. Uf!
5] Estive no Bicaense, no café Estádio, no Latas (que é um salão de bilhar com cerveja barata) e em mais alguns sítios que não me lembro o nome. O Bairro Alto é fixe. Já não ia lá há um ano e estava com saudades. Sim, sim...
6] O restaurante caboverdiano Estrela Morena é barato e é muito bom. São todos muito simpáticos e fazem uma cachupa altamente. Quase me esquecia das caracoletas. Quatro pessoas beberam seis jarros de vinho branco.
7] As mulheres croatas são simpáticas. São, são...
8] A exposição que ia ver... hum... hum... sei lá. Não vi.

carros...

Cheguei há um bocadinho de Lisboa. Para lá tinha ido de comboio mas voltei para Aveiro de carro, à boleia de amigos. Deixaram-me em casa por volta das 20:00, tomei um banho rápido e jantei uma sopa de feijão. Depois saí para vir aqui ao cybercafé onde estou agora, e andei mais ou menos meia hora à procura do carro. Procurei, procurei, procurei... e nada. Fui tomar um café para descontrair. Foi aí que me lembrei que tinha ido de comboio e, por isso, o carro estava na estação. Depois, só em pensamento, lá veio um "foda-se" várias vezes seguidas.

5.05.2007

antes de apanhar o comboio...

Estou na estação de Aveiro e não posso responder aos comentários (o browser não deixa abrir pop up windows), por isso é só para dizer ao sem-se-ver que não há problema nenhum (até agradeço), ao japinho que Marrocos é cool (até tem os UHF) e mandar beijinhos às leitoras todas. Aos leitores mando um abraço...
Estou bem disposto porque o Beira-Mar inexplicavelmente tornou a vencer o Boavista, ontem consegui sair sem apanhar, a empregada do café da estação foi simpática para mim e ofereceram-me um queijo.

5.04.2007

dimanche à Lisbonne

Amanhã de manhã vou para Marrocos… Quer dizer, para Lisboa, ver a exposição de cadáveres do Von Hagens. Hoje vou ter uma noite calminha, por isso mesmo: jantar com umas amigas lá em casa e depois, se tiver com pachorra, ainda vou ao melhor bar do mundo beber uma cerveja.
Como gosto de vocês, quanto mais não seja porque vão tendo paciência para me aturar, deixo aqui um link megaupload para baixarem um dos melhores cd’s sobre fins de semana do mundo: Dimanche à Bamako dos malinianos Amadou & Mariam.
Para este fim-de-semana, juro que não estou nada nervoso como o jogo do Beira-Mar com o Boavista hoje à noite e que pode atirar definitivamente o meu Beiramarzinho para a segunda liga. Bom fim de semana para todos, menos prós carneirinhos que fazem parte das juventudes políticas do PSD e do PS. Divirtam-se.

conversa 166

Ela – Não consigo ver-te como apenas mais um amigo. Para mim não és mais um, percebes? É só isso…
Eu – Isso já não é pouco, mas é recíproco e já sabemos isso os dois há algum tempo, não é?
Ela – É esquisito…
Eu - É esquisito o quê?
Ela – É esquisito. Eu não gosto de te ver com outras mulheres… sei que não tenho esse direito, mas não gosto. Andas sempre com as tuas amigas atrás… e eu afasto-me. Não gosto muito delas.
Eu – São mesmo minhas amigas, tens razão. E quanto a isso não há nada a fazer. É melhor não ires por aí…
Ela – Mas tu mudaste tanto… mudaste assim de amigos de repente. Nunca mais saímos juntos e eu não percebo porquê.
Eu – Não mudei de amigos… fiz amigas novas, isso sim. Se tu não gostas delas não posso fazer nada.

pensamentos catatónicos (72)

tenho medo de estar a ficar emocionalmente frígido.

murros

Fiz um seguro aos meus óculos novos. Se apanhar mais uma murraça e os partir, ou mesmo se os perder, só pago 50% na compra duns iguais. Por fazer o seguro recebi um kit de manutenção de óculos, com uma chavinha de parafusos, um paninho de limpeza e um líquido qualquer. A caixa do kit tem na tampa, em grande plano, um tipo a levar um murro. Oportuno, ahn?

coisas que fascinam (46) e pensamentos catatónicos (71)

Hoje vim ao lado duma mulher no comboio que… sei lá… apetecia-me adormecer e encostar-me ao ombro dela. Perguntou-me se eu sabia qual era o último comboio no sentido Porto-Aveiro. Eu respondi que sabia, que viajo nele bastantes vezes, e tirei o horário da carteira para lhe mostrar. Ela perguntou-me onde é que podia arranjar um horário daqueles e eu dei-lhe o meu. Ela agradeceu e depois… depois não disse mais nada. Pôs uns auscultadores nos ouvidos e fez assim toda a viagem. Fascinou-me... mas foi uma cena catatónica.

5.03.2007

conversa 165

Ela - Ficam-te bem, os óculos novos. São parecidos com os que tinhas.
Eu - Queria uns mesmo iguais mas não encontrei.
Ela - Esses ficam-te bem. Agora vê se não apanhas mais...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

boa sorte Ségolène (2)

Uma boa notícia vinda de Bayrou, que diz que não vai votar Sarkozy. Ainda bem que o disse a tempo. Os que, na primeira volta votaram nele, são os únicos que podem mudar o que parece inevitável: a vitória da direita na França. Boa sorte Ségolène!

cinco considerações

Menos mal, já tenho óculos. É normal, nestas ocasiões importantes, tecer um discurso. Eu não sou homem de discursos, por isso teço apenas cinco considerações que considero importantes, e que têm a ver com o meu dia de hoje:

1) As empregadas da multiopticas são bonitas.
2) A Sumol de laranja é muito boa. A Fanta é uma merda (se calhar já disse isto)
3) As lâminas de barbear Bic Laranja são baratas mas não valem nadinha. Corto-me todo a fazer a barba com aquilo.
4) Os gajos que a Câmara municipal de Aveiro contratou para fiscalizar o estacionamento pago na cidade, e que andam com uns coletes verdes comprados na loja dos 300, deviam era ir trabalhar.
5) As empregadas da multiopticas são bonitas.

conversa 164

(hoje, quando fui buscar os óculos à multiopticas)

Ela - Preciso do seu número de contribuinte...
Eu - Não, não... não sou eu que pago os óculos. Eu tenho aqui o número do tipo que vai pagar. Preciso dum recibo em nome dele.
Ela - Sim, não há problema, mas para o seguro tem mesmo que ser o seu número de contribuinte.
Eu - Ah! mas não o trouxe...
Ela - Eu vou deixá-lo levar os óculos, mas tem que me prometer que depois telefona para cá a dizer o seu número.
Eu - Ok, tudo bem. Passo cá amanhã.
Ela - Não precisa vir cá. Basta telefonar.
Eu - Mas eu passo cá. Dá-me mais jeito.
Ela - Dá mais jeito do que telefonar?
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

5.02.2007

há coisas que as mulheres não compreendem

conversa 163

Ela - Nunca ninguém te disse que pareces um animal a comer pizza?
Eu - Não... Porquê?
Ela - Não estás a cortar um bife. Tens que cortar às fatias, a partir do centro da pizza, senão desfazes isso tudo.
Eu - Ah!
Ela - E não se bebe a cerveja pela garrafa. Não tens aí um copo?
Eu - Apetece-me beber pela garrafa... estou habituado assim... e não estamos propriamente num restaurante para cagões. Aliás, não gosto de restaurantes para cagões. Se gostasse tinha ido para a juventude centrista quando era puto.
Ela - Isso não interessa. Há uma coisa que se chama etiqueta.
Eu - Já te disseram que és mais chata que a Paula Bobone?
Ela - Não... Porquê?
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

conversa 162

Eu - Tens que ter mais calma, pá. Também não é assim...
Ela - Vai-te foder!
Eu (silêncio)
Ela - Vocês são todos a mesma merda.
Eu - Mas... conheço-te há pouco mais duma semana...
Ela - Vai-te foder com essa conversa! Já a conheço... (levanta-se e vai embora)
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

para hoje à noite...

boa sorte Ségolène!

crónicas da cidade que sopra | é como se o silêncio respirasse

Amanhã é como se o silêncio respirasse. Mais uma crónica no Diário de Aveiro:

É como se o silêncio se alimentasse dos gritos da cidade, durante o dia, e por isso à noite crescesse. Dentro e fora de nós. Os manequins da montra dum pronto-a-vestir, dissimulados na escuridão, tecem considerações em segredo sobre um homem que varre lentamente a rua. Talvez estejam cansados de o ver ali todas as noites, ausente da vida, ajudando a cidade a manter uma falsa aparência. E se numa refeição qualquer sobram sempre migalhas, também neste sonoro processo alimentar rareiam alguns restos: o latido dum cão no quintal traseiro duma casa adormecida, a passageira sirene duma ambulância nervosa, o canto dum homem embriagado de solidão, os passos dum homem que caminha sem direcção. Ninguém liga. Nem o varredor nem os manequins.

5.01.2007

jantar a um



Hoje convidei-me para jantar a sós. Precisamos pôr a conversa em dia, disse-me. Depois aceitei o convite e apareci à hora prevista. Nem mais um minuto nem menos um minuto. Duas tranches de pescada guisada, arroz branco cozido com bastante alho e espinafres. Eu sabia que eu adorava espinafres, disse-me quando cheguei. E acertei, respondi-me. Depois abri uma cerveja preta. Conheço-me bem e achei melhor não abrir uma garrafa de vinho, por isso fiquei-me pela cerveja. Depois reguei uma taça de gelado com um fio de vinho do Porto e comi três kiwis.
Chegou a altura de escolher a banda sonora, mas até aí a discussão foi rápida. Estava de acordo comigo. Aliás, quando me convido para jantar é quase sempre assim, por isso já sei: o cd duplo “Nouvelle Vague”, de Jean-Luc Godard. Sons de filmes, pessoas que falam, carros que passam, etc, etc. É melhor do que música porque não me molda tanto o pensamento. Deixo a embalagem em cima da mini hi-fi.
Acabei por não decidir nada do que tinha para decidir comigo, mas no fim acabei por marcar outro jantar, ainda sem data. Qualquer dia telefono-me ou assim, disse-me. Por enquanto é melhor aproveitar o que isto tem de bom, viver assim. É verdade e eu sei disso, tentei-me convencer. Sim, é verdade. Vá lá. Dei-me um abraço e saí.

conversa 161

Ela – Então? Falamos tão pouco... diz-me como andas...
Eu – Ando porreiro.
Ela – Mesmo?
Eu – Sim, Tirando levar uns murros aqui, umas chapadas ali e uns pontapés acolá, está-se bem. Quer dizer, a merda do Beira-Mar vai mesmo conseguir descer de divisão...
Ela – E a tu vida emocional?
Eu – A minha vida emocional? Tens seis ou sete horas para me ouvir falar sem parar?
Ela – Não...
Eu – Então é melhor nem começar...

conversa 160

(com a minha filha)

Ela – Oh pai. Hoje posso dormir na tua cama?
Eu – Eu acho que já estás na idade de dormir na tua...
Ela – A mãe é mais velha que eu e, quando vivia aqui, dormia contigo.
Eu – Pois... podes. Só desta vez, está bem?

pai e filha numa tábua de cozinha



Esta noite não saí. Fiz gelatina de chocolate enquanto a minha filha nos desenhava em plasticina numa tábua de cozinha. Depois fomos ler livros.

4.30.2007

música para trintões

O meu amigo Alex deixou, num comentário, esta música que diz ser para trintões... e por aqui me fico. Até amanhã.

conversa 159

Ela - O meu marido tem ciúmes de ti.
Eu - Ciúmes de mim? Não tem motivos pra isso.
Ela - Quando eu lhe falo de ti ele sente uma ciumeira enorme. Diz que eu vou acabar por ficar contigo e assim...
Eu - Então é melhor não lhe falares mais de mim.
Ela - Às vezes vem à conversa...
Eu - Já panhei três murros há pouco tempo. Queria ver se aguentava algum tempo sem apanhar mais...
Ela - Ele não te bate... não é estúpido.
Eu - Sei lá... eu nunca o vi. Qualquer dia vou na rua e um gajo que eu não conheço de lado nenhum cai-me em cima.
Ela - Tu também... é só isso que tens para me dizer?
Eu - Posso te dizer mais coisas, mas acho que não têm interesse nenhum: batatas fritas, morangos com açúcar, queques de chocolate...
Ela - Não tens piada nenhuma.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

mulheres do Irão

O debate entre a igualdade de oportunidades entre sexos é actual e, na minha opinião, importante. Sou da opinião que não se deve favorecer, nem mulheres nem homens, com numerus clausus em nada. Isso é, para além de inconstitucional, chamar incompetentes aos visados. É nas oportunidades que se deve procurar o equilíbrio, seja entre sexos, estratos sociais ou o raio que o parta. Hoje encontrei estas imagens num fórum argentino, e achei-as curiosas. O Irão é uma país onde Direito e Religião ainda se confundem totalmente, e a lei islâmica (Charia) baseia-se quase exclusivamente no Corão. É um dos casos em que a mulher sai claramente a perder ou, na minha opinião, por causa disso saem todos a perder (o que é alguns homens não percebem isso). Mas até no Irão as coisas estão a mudar... (imagens aqui, no taringa)

PSP - PlayStation Portátil

A propósito do 25 de Abril, queria só dizer uma coisa, assim sem importância, agora que as coisas acalmaram: o corpo de intervenção da PSP é uma cambada de filhos da puta sem cérebro.

edifícios

Subi as escadas dum edifício enorme, sem elevador. Cheguei lá acima, gostei da paisagem e sentei-me no sofá a ouvir música. Soube bem, mas agora percebi que vou descer as escadas sozinho. Não é completamente mau, também não é completamente bom. Nem sequer sei muito bem o que é. Vou passear, talvez me apeteça entra noutro edifício um dia destes. Se o fizer vou ver se escolho um com menos andares. O índice ivariano desce dois valores, situando-se agora no 12.