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7.26.2013

Virginia Johnson

Na década de 50 o mundo recuperava lentamente de duas guerras mundiais. A memória da segunda, que atingira directa ou indirectamente todos os continentes e vitimara milhões de cidadãos, estava bem viva. Entre a frágil sensação de paz mundial, nascia a Guerra Fria e o mundo dividia-se em dois. O pacto assinado em 1950 pelas duas maiores nações comunistas ameaçava o mundo ocidental e abria uma nova frente de guerra nas Coreias. Nos EUA iniciava-se a Caça às Bruxas moderna, que é como quem diz, a Caça aos Comunistas.
Foi neste ambiente que Virginia Johnson deu andamento à expressão "Make Love, Not War" e revolucionou os estudos sobre a sexualidade. Com o seu marido, e com base na observação directa e métodos de medição por ela criados, explicou a esse mundo frio o que é o orgasmo. A mim parece-me bem.
Morreu ontem. Que o mundo agora a homenageie na cama.

9.18.2012

Obrigado!

Obrigado Maria Teresa Horta, por me fazeres acreditar neste país!
Vou dizer isto assim, esperando que a Maria Teresa Horta não se zangue comigo se passar por aqui um destes dias: É que hoje apeteceu-me dar-lhe um abraço daqueles que se prolongam no tempo. Admiro as pessoas que, antes de serem outra coisa qualquer oportunista, preferem ser elas mesmas. 

12.17.2011

um homem na meio di homem



Lembro-me de ver uma entrevista com a Cesária Évora na televisão em que, à pergunta sobre o que lhe fazia mais falta na vida, ela respondeu que era um marido. Respondeu assim, sem hesitações. Um marido. Depois encolheu os ombros e olhou para o lado. A Cesária Évora cantava para o mundo ou, se preferirem, para todos. No entanto, o que lhe fazia falta era um entre esses todos.
Há um Amor que não pode ser dado por todos, mas apenas por um, mesmo que todos o queiram dar. É o Amor que a nossa carne quer como se fosse música. Para além dessa música que ela ofereceu ao mundo, também me ofereceu esse pensamento nesse dia. Só a mim. Obrigado.

Um homem na meio di homem
Bô ta ser nha fidjo, um dia
Oiá sô pa bem dess mundo
Luminosamente bô caminhá
Pa entrá na vida d'home
Sem medo e sem angustia
Ah sofrimento é bem certo
Ma alegria t'existi

7.14.2011

banho Maria

Não costumamos dar muita importância ao seu nome, até porque Maria nos é demasiado familiar ou comum, mas o banho Maria que todos nós usamos de vez em quando na cozinha para aquecer uniformemente comida, não veio duma Maria qualquer. Veio da Maria que deu origem ao mito alquimista que diz ser possível transformar qualquer metal em ouro, ou seja, a Judia, uma filósofa da Grécia antiga
Aprendi isto com uma francesa quando percebi que ela também chamava bain Marie ao processo de aquecer uma panela com água quente noutra panela maior. Achei piada porque, até então, estava convencido que o banho Maria tinha origem portuguesa. Foi também ela que me explicou que a vantagem do banho Maria é a comida nunca ser sujeita a mais de cem graus Celsius, porque a partir dessa temperatura a água evapora.
Já estávamos a jantar no seu pequeno apartamento em Paris quando a Berenice me disse que tinha chegado à conclusão que o Amor é uma espécie de banho Maria da vida. Vamos aquecendo e apreciando esse calor crescente até um dia em que, sem o termos percebido, começamos a evaporar lentamente do cozinhado. A Berenice estava a atravessar uma desilusão amorosa. Eu também... e concordei com ela como se tivesse acabado de transformar ouro num metal qualquer.

9.29.2009

mafaldinha



Acreditem ou não, a Mafalda foi uma das minhas amigas de infância. Muito por culpa dos meus irmãos mais velhos de quem herdei os livros. Hoje, dia em que ela faz 45 anos, estive a pensar em como na infância eu desejava que os meus comportamentos se parecessem com os seus e como, hoje em dia, os meus comportamentos se parecem de facto com os do seu pai. É que se a Mafalda era uma criança sempre preocupada com a organização política do mundo (que revê na sua própria família), o pai é um tipo que fica de vez em quando deprimido com a sua idade.
Para mim a Mafalda é uma mulher com lugar na História...

9.09.2009

até que lhes caiam as calças...

Nadil Adib, uma jornalista sudanesa que escreve para o jornal de esquerda Al-Sahafa, foi condenada a pagar uma multa de 140 euros (ou pena de prisão) por usar calças. No Sudão, por decreto de lei do actual presidente Omar el-Béchir, as mulheres não podem usar calças desde 1991.
Outras mulheres, presas pelo mesmo motivo, foram já chicoteadas.
Omar el-Béchir apoia desde 2003 as Janjawid, milícias responsáveis pelo genocídio de um número incalculável de pessoas na região do Darfur, onde por pressão política da China, a ONU ainda não fez uma intervenção a sério. Já agora, a China, de que o Partido Socialista e o Partido Comunista Português tanto gostam, tem aumentado o seu volume de negócios com o Sudão.
É claro que o problema de Nadil Adib não é poder usar ou não calças. É também claro que ela não enfrenta apenas uma lei ridícula e um punhado de polícias, enfrenta uma enormidade de interesses instalados. Até que lhes caiam as calças...

5.11.2009

general tito

A madeirense Maria Teresinha Gomes entrou para a História por ter simulado ser homem durante 18 anos, período em que se fez passar por general do exército, advogado, funcionário da embaixada dos EUA e agente da CIA. Para ganhar a vida, utilizava essa falsa identidade para pedir dinheiro emprestado que dizia ser para investir no estrangeiro.
Teresinha, que morreu em 2007, era também conhecida como general Tito e dividiu durante quinze anos a casa com uma enfermeira que, apesar de ser sua companheira, admite ter passado anos sem perceber que estava a viver com uma mulher.

3.31.2009

cabelo

A chinesa Xie Qiuping está na História por ter o cabelo mais comprido do mundo. Entrou para o Guiness Book em 2004, ano em que lhe mediram 562,7 centímetros. A Xie começou a deixar crescer o cabelo aos treze anos e nunca mais parou.

Estava a ler isto e lembrei-me da Rapunzel, aquela menina do conto homónimo dos irmãos Grimm que estava presa numa torre sem porta e que, às escondidas da bruxa que a prendera, estendia os seus longos cabelos para que um princípe pudesse trepar e visitá-la.
Estava aqui a pensar fazer uma pergunta à Xie mas, como nessa história a Rapunzel engravida do princípe, já não pergunto nada. Quer dizer que é possível...

2.04.2009

a morte por amor


Suicide (Fallen Body), Andy Warhol

O trabalho realizado em 1962 por Andy Warhol, Suicide (Fallen Body), é na verdade a manipulação de uma fotografia tirada por Robert Wiles no dia 1 de maio de 1947. Pelo seu sentido de oportunidade, a fotografia foi publicada algumas semanas depois na revista LIFE com a sua história por trás:

No dia um de Maio, logo depois de deixar o seu noivo, Evelyn McHale de 23 anos de idade escreveu uma nota. "Ele está muito melhor sem mim... ... nunca serei uma boa esposa para ninguém…" Depois dirigiu-se à plataforma de observação do Empire State Building. Através da neblina olhou para a rua, 86 pisos mais abaixo. Então saltou. Na sua desesperada determinação conseguiu o que pretendia e ao chegar ao solo o seu corpo embateu numa limusina das Nações Unidas estacionada. Do outro lado da rua, um jovem estudante de fotografia, chamado Robert Wiles, ouviu um som como que duma explosão. Apenas quatro minutos depois da morte de Evelyn McHale, Wiles obteve esta imagem de violência e serenidade na morte.


Robert Wiles

2.03.2009

violência...

Não sei o nome desta mulher. Na verdade nem me interessa. Sei que para mim faz parte da História e não é (só) pela coragem demonstrada. É por ser capaz de responder à violência sem violência...

1.30.2009

a dama do silêncio

Não há muitas mulheres na História dos serial killers, mas a mexicana Juana Barraza Samperio, nascida em 1957, pode 'gabar-se' de ter assassinado mais de quarenta pessoas entre os finais dos anos 90 e 2006, altura em que foi presa. Por matar essencialmente mulheres de alguma idade, era conhecida como a "mata-velhinhas" (mataviejitas), mas a sua alcunha enquanto lutadora de luta livre era "a dama do silêncio".
Em março de 2008 foi condenada a mais de 759 anos de prisão. Quer-me parecer que não os vai cumprir na totalidade, mas fica para a História como uma das pessoas que mais trabalho deu à polícia mexicana nos últimos tempos.
Há bocadinho estava a olhar para esta fotografia dela, quando foi detida em 2006, e a pensar que se fosse eu o polícia fotógrafo a tirá-la, ou fugia ou, pelo menos, não dormia bem nessa noite.

1.16.2009

Milai Bensabat



Não é possível falar dos anos sessenta em Portugal sem falar da Crónica Feminina, uma publicação dedicada às mulheres cuja popularidade a fez atingir os 140 000 exemplares de tiragem. Milai Bensabat, directora e editora da revista, foi desde o primeiro número (em Novembro de 1956) a cara deste projecto de sucesso.
A Crónica Feminina abordava temas variados e triviais, mas ainda assim captou a atenção e a fidelidade de milhares de mulheres portuguesas, de tal forma que chegou a ser vendida em Portugal continental e simultaneamente nas então colónias portuguesas. Foi a primeira revista portuguesa a produzir um fotonovela, facto que ajudou definitivamente o seu crescimento.
O projecto só acabou nos anos setenta a após a proibição da distribuição de um número já impresso. Bensabar, no entanto, já abandonara a revista em 1966 para abraçar outro projecto similar: a revista feminina Magazine.

11.28.2008

perdeu a carteira....

As mulheres são especialistas em ter carteiras cheias de coisas que nem elas sabem o que são. Mais ainda, são especialistas em perder essas carteiras nos momentos mais impróprios. A astronauta norte-americana Heidemarie Stefanyshyn entra para a História por ter sido a primeira pessoa a perder a carteira... no espaço.
No passado dia 18 de Novembro, Heidemarie perdeu a bolsa na qual transportava as suas ferramentas de trabalho durante uma operação de manutenção ao exterior da Estação Espacial Internacional (ISS). Agora a bolsa pode ser vista com qualquer telescópio médio a partir da Terra (o site spaceweather explica como).

11.05.2008

Omer Goldman Granot

O jornal Público publica hoje uma reportagem sobre Omer Goldman, uma mulher israelita de 19 anos que se recusa a integrar as Forças de Defesa de Israel apesar do seu pai ter sido o número dois da Mossad. Por causa disso está presa. Diz que ficará muito feliz se lhe escreverem. Eu vou fazê-lo... não para a elogiar mas para lhe agradecer. A morada está no fim. Não imaginam a admiração que eu tenho por ela...

O meu pai é Natalin Granot, um especialista em Irão que se demitiu de “número dois” da Mossad, em 2007, quando não o promoveram a chefe da principal agência de espionagem de Israel. Eu, Omer Goldman, 19 anos, sou uma pacifista e, hoje, regresso à prisão nº 400, numa base militar próxima de Telavive. Recuso-me a servir num exército que comete, todos os dias, crimes de guerra nos territórios palestinianos ocupados. Fui recrutada para o serviço militar obrigatório aos 18 anos, mas já no liceu eu decidira que não queria ir para a tropa. Assim que deixei a escola, e antes de me inscrever na faculdade, dei aulas a crianças pobres num bairro de judeus etíopes. Quando me chamaram, entreguei uma declaração aos oficiais onde afirmava: “Recuso alistar-me nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Não farei parte deste exército que, desnecessariamente, pratica actos de violência e viola os mais básicos direitos humanos.” No dia 23 de Setembro, sem ter sido julgada, fui cumprir 21 dias de detenção. Fui libertada a 10 de Outubro, mas voltei para um segundo período, desta vez apenas de 14 dias, porque fiquei doente. Saí novamente em liberdade, na sexta-feira, dia 30 de Outubro. Estes ciclos irão repetir-se até que o exército se canse, porque eu não vou desistir.

Omer Granot
Military ID 5398532
Military Prison nº 400
Military Postal Code 02447, IDF
Israel

10.17.2008

a virgem mais velha de Inglaterra

Esta senhora tem 105 anos de idade e é considerada a virgem mais velha de Inglaterra. Chama-se Clara Meadmore e diz que teve várias amizades platónicas, mas nunca sentiu a vontade de ir mais longe ou mesmo de casar. Como quando era jovem o normal era ter sexo apenas com o marido, ainda é virgem. Como segredo da sua longevidade apresenta precisamente o facto de ser virgem, dizendo que o sexo envelhece.
Na verdade não acredito que o sexo envelheça. Antes pelo contrário até acredito que é um dos melhores e mais saudáveis exercícios que podemos praticar. Aquilo que envelhece é... casar. E ela nunca casou. Nunca teve discussões conjugais, nunca se cansou de partilhar o mesmo espaço com a mesma pessoa durante anos, nunca olhou para um homem como se ele fosse o dono da sua vida. Por isso é que chegou aos 105 anos...

9.09.2008

mulheres vingativas

Jean Harris, nascida no Ohio em 1923, foi uma das muitas amantes de Herman Tarnower, um cardiologista famoso que criou a dieta Scarsdale. Em 1980, e depois duma relação de 14 anos que estava em rápida degradação por causa da secretária de Tarnower, foi a casa dele com uma arma e deu-lhe quatro tiros. Jean tinha então 57 anos e foi condenada a 15 anos de prisão.

Gennifer Flowers
, nascida em 1950, manteve uma relação com Bill Clinton que começou muito antes dele ser presidente dos EUA, ou seja, muito antes da Mónica também. Quando ele se candidatou à Casa Branca, ela aproveitou e decidiu expor o caso durante a campanha eleitoral, vendendo a história a uma revista. Mesmo assim o Bil e ganhou e, por isso, uns anos mais tarde, vendeu algumas cassetes de alegadas conversas privadas que teve com ele.

9.02.2008

Linda Lovelace



"Todos os que vêem o Garganta Funda, vêem-me a ser violada"

A Linda Lovelace ficou na História principalmente por dois motivos: 1) ter sido a actriz principal do filme porno Garganta Funda, onde interpreta o papel duma mulher que tem a vagina na garganta e, por isso, procura um homem que tenha um falo de pelo menos vinte centímetros. 2) ter-se tornado numa das maiores activistas contra a indústria pornográfica.
Nasceu no Bronx em 1949 e morreu em 2002, vítima dum acidente de carro. Em 1972 foi a actriz principal do provavelmente mais famoso filme pornográfico da História do cinema, o único, aliás, que foi um êxito de bilheteira na sua curta carreira. O então seu marido, de quem se divorciou no ano seguinte, e segundo a sua autobiografia, obrigou-a a entrar no filme sob ameaças de violência e de morte (no filme são visíveis alguns hematomas no seu corpo). Ela entrou, mas apesar do lucro de 600 milhões de dólares que o filme deu, nunca viu um tostão. Na sua autobiografia queixa-se ainda de ter sido vítima de violação e prostituição.
Linda foi ainda uma das precursoras na injecção de silicone nos seios e chegou a posar nua para a Playboy mas, por causa da operação, desenvolveu um cancro da mama e contraiu hepatite. Dum segundo casamento teve dois filhos e passou os últimos anos da sua vida como activista feminina e contra a indústria pornográfica. A sua vida deu origem à expressão síndroma de Linda (Linda Syndrome), utilizado em actrizes porno que rejeitam os filmes em que entram.

8.18.2008

vanessa de prata

Foi a primeira vez que me dei ao trabalho de ligar a televisão para ver uma prova dos Jogos Olímpicos. Nunca tinha visto uma prova de triatlo inteira em toda a minha vida. Acho interessante que a única atleta que teve um discurso comedido antes de entrar em prova, foi a única que ganhou uma medalha até agora. E que medalha... eu só de ver fiquei cansado.

7.15.2008

Helen Slater

A Helen Slater ficou na História precisamente porque... não ficou na História. Depois de Christopher Reeve ter ficado famoso por interpretar o clássico Super-Homem - o Filme (1978) e Super-Homem II - A Aventura Continua (1980), Helen tentou fazer o mesmo em 1984 no filme SuperGirl.
Tal como o Super-Homem, também esta Super-Mulher começou nos livros de banda desenhada da DC Comics, só que o filme foi um tremendo fracasso e a Helen nunca se impôs como actriz em Hollywwod, embora tenha continuado a representar papéis até aos dias de hoje.
Admito que já conheci várias Super-Mulheres a sério. Falo daquelas que, sendo da classe média portuguesa, conseguem ter os filhos a estudar, dar-lhes de comer e, uma vez por outra, ainda dar-lhes uns trocos para umas cervejas ao fim de semana.
De qualquer maneira, mesmo não sendo a Helen uma dessas mulheres, garanto que se me dessem a escolher entre passar o resto da minha vida com ela ou com o Christopher Reeve (que, por acaso, até já morreu), escolhia-a a ela sem pensar duas vezes. É por isso que me custa engolir o fracasso.

3.18.2008

Ashley Alexandra Dupré

Juro que não queria ser mais um a falar do escândalo que envolveu a demissão do governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, de quem se descobriu que gastou mais de cinquenta mil euros numa empresa de prostituição de luxo, a Empererors Club Vip, mas juro que a maneira como a coisa tem sido tratada pelos media americanos me põe nervoso. Principalmente esta capa do pasquim "New York Post" que publica a fotografia da prostituta envolvida no escândalo, com a manchete Bad Girl (Má Rapariga).

Primeiro, olhando assim de repente para a Ashley Alexandra Dupré (é esse o actual nome dela), ela de má não tem nada, mas o que me lixa não é isso. Quer dizer, um gajo gasta mais de cinquenta mil euros do erário público em prostitutas para ele e para os amigos, a uma empresa com nome e tudo (nos Estados Unidos, com excepção das zonas rurais do Estado de Nevada, a prostituição é proibida) e ela é que má.

Segundo... epá... para além dum político ter desrespeitado a lei, isto é uma notícia? Se se fizesse uma notícia por cada gajo que vai às meninas sexta-feira à noite, não havia papel neste mundo para as imprimir a todas. Vá... mudem lá de assunto. Pelo menos a Ashley entrou para a história como a primeira mulher que lixou a vida a um governador de Nova Iorque. Já chega!