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3.11.2016

atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher

E ela disse que atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Falava do marido, na caixa de um supermercado, para explicar à empregada que ele era muito importante na terra onde vivem, mas ela também, por estar atrás dele.
O que eu sei é que nunca ouvi ninguém dizer o contrário, que atrás de uma grande mulher há sempre um grande homem, talvez porque quem diz estas coisas nunca espera ver uma mulher à frente de um homem.
Se atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher, quer dizer que atrás de um homem pequeno também pode haver uma grande mulher. Já as mulheres pequenas confinam-se aos traseiros dos homens também pequenos. Há, portanto, mais mulheres grandes do que homens. Ainda assim, sugere-se que uma mulher nunca aparece à frente.
Outro problema semântico deste provérbio é que assume que atrás de um homem pequeno nunca há uma grande mulher, ou seja, a grandeza de um homem é determinada pela mulher que lhe segue atrás. Se ela é pequena, ele também.
Ficamos a saber que os homens para serem grandes precisam duma grande mulher e que as mulheres estão destinadas a andar atrás. E eu, que me lembro de um anúncio rodoviário em que um homem dizia que com ele a criança ia sempre atrás, não consigo deixar de pensar na pequenez de quem diz estas coisas.
Pus na passadeira rolante um saco com pão e uma garrafa de vinho branco. Fiquei a olhar para eles. Tinham, de facto, o mesmo tamanho. Ela arrumou todas as compras em sacos e ele, um pouco à frente, impávido e sereno, não fez nada a não ser pagar a conta. Ele é o presidente da câmara duma terra de que não percebi o nome. Grande homem, portanto. Ela é a mulher dele. Grande mulher.
Esclareceram-me!

9.23.2015

tá de chuva

O mundo era mais fácil se as mulheres tivessem boletim meteorológico, porque é maravilhoso habitá-las quando o tempo está bom. O problema está todo nas tempestades e na forma imprevisível como surgem, principalmente porque os homens raramente andam de guarda-chuva.
Para hoje prevê-se céu limpo ou pouco nublado, temperatura amena e vento fraco. Quando lhe ligar a perguntar se ela está bem, no entanto, o telefonema pode começar com aguaceiros fracos e períodos de muito nublado, ventos fortes e possibilidades de chuva.
Ou ainda mais fácil: tá de chuva.

5.19.2015

as pessoas que falam demais e as pessoas que falam de menos

Existem pessoas que falam demais e contam tudo a toda gente sobre tudo e sobre todos. Existem outras que falam de menos e se refugiam constantemente no silêncio para se manterem, a si e aos seus, na privacidade absoluta.
As pessoas que falam demais sabem que falam demais, mas acreditam que as pessoas a quem contam tudo não lhes vão fazer a desfeita de as desmascarar. Acreditam, acima de tudo, que falam demais a pessoas que falam de menos.
As pessoas que falam de menos fazem-no porque põem sempre a hipótese de estarem a falar com quem fala demais. É melhor não contar nada a este tipo porque ele vai contar tudo a toda a gente, pensam.
As pessoas que falam demais são boas, porque acreditam no outro. As pessoas que falam de menos são umas desconfiadas, apesar de desconfiarem de pessoas boas que confiam nelas.

wfc 2015 

4.24.2015

o Síndrome do Frasco

As mulheres deviam ser proibidas de pedir a um homem que lhes abra um frasco de azeitonas. Ao contrário do que parece, nunca é um pedido inocente. Pelo contrário, é tortura psicológica e humilhação gratuita.
Há três coisas que elas sabem quando fazem tal pedido: que ele não vai recusar, que ele não vai conseguir e, finalmente, que ele se vai sentir envergonhado. É por isso que o fazem. Por isso, e porque assim o reduzem a um mero instrumento doméstico: "Olha, preciso de abrir este frasco e lembrei-me de ti". Acontece-lhes o mesmo com o secador de cabelo, do qual só se lembram depois do banho.
O grande problema de um homem que não consegue abrir um frasco de azeitonas passa, naquele exacto momento, a ser o mesmo de um secador de cabelo avariado. Não serve para nada. No desespero, a humilhação aumenta quando ele se se põe a secar as mãos num pano de cozinha enquanto vai dizendo que as tem húmidas. Ao mesmo tempo, entre risos fininhos, elas vão assumindo uma condescendência cruel, do género "deixa lá, eu vou pedir ao vizinho!"
Homens de todo o mundo, quero dizer com orgulho que ontem recusei o pedido duma mulher para abrir um frasco de azeitonas. Não foi fácil, mas alguém tinha que ser o primeiro. A partir de agora também o podem fazer sem terem que ouvir que os outros nunca se recusam a tal coisa. Libertei-vos para sempre do Síndrome do Frasco.

1.27.2015

sou um enorme sucesso entre as mulheres

A verdade é que eu sou um enorme sucesso entre as mulheres. Não é ser convencido nem nada, mas nem posso sair à rua. Elas não tiram os olhos de mim. É incrível. A coisa chegou a um ponto que eu próprio não aguento mais. A sério que preferia ser um tipo banal e passar discreto entre a multidão.
Ainda ontem, por exemplo, para ver se conseguia passear sossegado pela cidade, disfarcei-me de pinguim. Vesti um pijama comprado na Primark que tem luvas e rabo incluído. Pois bem, não resultou. Assim que saí de casa, a primeira mulher por quem passei seguiu-me com o olhar durante o tempo todo. Nem disfarçou. Claro que não liguei. Acendi um cigarro e continuei.
Não aguento muito tempo sem tomar o café da manhã, pelo que entrei numa pastelaria venezuelana e sentei-me num canto onde, pensava eu, ninguém ia reparar em mim. Enganei-me. A empregada foi a primeira a não resistir ao meu charme. Em vez de, muito simplesmente, me perguntar o que eu queria, perguntou-me se estava tudo bem comigo. A fingir-se preocupada, a gaja. Nem lhe respondi. Disse-lhe só para me trazer um café. Acreditem que esteve o tempo todo a olhar para mim, ela e todas as outras clientes, sempre com risinhos comprometedores.
Uma delas até se meteu mesmo comigo. Ganhou coragem e deu-me o contacto dela num cartão de visita. É psiquiatra, a gaja. Eu já reparei que as psiquiatras têm todas um fraquinho por mim, mas não lhes ligo nenhuma. Fico sempre na minha, a ver se não me chateiam. A esta, por exemplo, prometi telefonar, mas claro que não o vou fazer. Uma vez telefonei a uma e marcámos um encontro. A primeira coisa que ela me disse foi para me deitar numa marquesa. O que ela queria sei eu muito bem. Virei logo costas, que para mim o sexo só faz sentido depois de travar algum conhecimento.
Detesto este tipo de cenas, mas não consigo que as mulheres deixem de olhar fixamente para mim. Alguns de vocês até podem pensar que é por eu me disfarçar de pinguim, mas acreditem que não. Hoje disfarcei-me de hipopótamo e foi a mesma coisa. É assim a vida de um homem charmoso.

3.05.2014

13 erros que as mulheres devem evitar num encontro com um homem

Descobri esta maravilha na internet. Um artigo duma revista americana, de 1938, que explica tintim por tintim quais são os erros que uma mulher nunca deve cometer quando tem um encontro com um homem. Como concordo com todos eles, decidi traduzir e publicar, a ver se as mulheres que por aqui passam aprendem alguma coisa.
A única excepção que abro é para o ponto oito (8). É verdade que os homens não gostam de carícias em público, mas se a carícia for espetar um dedo dentro do ouvido a coisa muda totalmente, até porque se ela tiver a unha comprida sempre dá para tirar alguma cera.
Enfim, tentem levar isto a sério que é importante. Um homem quando se irrita fica como aquele senhor na última imagem, de braços levantados e ar ameaçador. Evitem cenas destas seguindo estes conselhos:

1. Não seja sentimental nem tente fazê-lo dizer algo que ele não quer, explorando as suas emoções. Os homens não gostam de lágrimas, especialmente em lugares públicos.

2. Não use o espelho do carro para retocar a maquilhagem. Os homens precisam dele para conduzir e é muito irritante ter que se curvar para ver o que está atrás.

3. Não se sente em posições desconfortáveis e nunca dê ar de aborrecida, mesmo que esteja. Esteja atenta e se estiver a mascar chiclete (não é aconselhável), seja silenciosa e mantenha a boca fechada

4. Vista-se no seu quarto privado para manter o seu encanto. Esteja pronta a horas dos encontros e não o faça esperar. Cumprimente-o com um sorriso.

5. Os homens não gostam de mulheres que lhes pedem o lenço emprestado e o sujam com manchas de batom. Maquilhe-se em privacidade, não onde ele a possa ver.

6. As mulheres descuidadas nunca atraem cavalheiros. Nunca fale enquanto dança, pois quando um homem dança é porque quer dançar.

7. Se precisa de um sutiã, use um. Não force a sua cintura e tenha cuidado para que as suas formas não estejam engelhadas.

8. Não ganhe demasiada confiança de forma a acariciá-lo em público. Qualquer demonstração aberta de afecto é de mau gosto e normalmente humilhante para ele.

9. Não ganhe confiança com o empregado de mesa, conversando sobre como se divertiu com alguém noutra altura. O homem merece a sua total atenção.

10. Não fale de roupa nem descreva o seu vestido novo a nenhum homem. Promova e lisonjeie o seu encontro falando de coisas que ele quer falar.

11. Não beba demais, já que um homem espera que mantenha a sua dignidade toda a noite. Algumas mulheres podem parecer inteligente quando bebem, mas a maior parte fica maluca.

12. Não seja evidente quando fala com outros homens.

13. A gota de água é desmaiar com tanto licor. Provavelmente, ele nunca mais vai querer nada consigo.

11.14.2013

morte à "gaja boa"

Aviso: este texto é só para homens

Há uma relação directa entre a quantidade de vezes em que um homem chucha no dedo sozinho e aquelas em que diz que uma gaja qualquer é boa. Eu, sempre que ouço um tipo qualquer dizer que "aquela gaja é mesmo boa", tiro automaticamente a conclusão de que ele é apenas um pobre solitário, uma espécie de satélite longínquo do planeta em que queria tocar. A má notícia é que elas tiram a mesma conclusão. Com excepção, claro, da Scarlett Johansson, que é mesmo boa. Quando um gajo me diz que a Scarlett é mesmo boa, eu aceno afirmativamente com a cabeça e, lá está, passo a ser eu o satélite.
O problema da "gaja boa" não é apenas semântico. "Boa" podia querer dizer generosa (na maneira de ser e não nas formas) ou justa (na maneira de ser e não não nas formas), mas todos sabem o que é que aquilo quer dizer realmente. Não é que seja mau olhar para uma mulher por causa do seu impacto visual, mas é demasiado mau parecer um cachorro abandonado e a salivar, que é o que parece um gajo qualquer quando diz que "uma gaja é boa".
Por tudo isto declaro morte à expressão "gaja boa" e anuncio a boa nova, ou melhor, a mais ou menos nova. Devemos todos começar a dizer que as gajas são mais ou menos. É preciso ser inteligente e não parecer um cão que não come há duas semanas. Ao dizermos que uma gaja é mais ou menos, mantemo-nos no mesmo patamar dela. Impedimos que ela passe a olhar para nós como seres miseráveis e tristes que só pensam em sexo. Com excepção, lá está, da Scarlett Johansson. A essa podemos dizer que é boa, até porque é mesmo.
Se todos passarmos a dizer que as gajas são mais ou menos, não ofendemos ninguém e damos aos piropos um ar mais elegante e selecto. Com o tempo e com a habituação até podemos, eventualmente, começar a dizer coisas como "tu és mesmo toda mais ou menos" ou "mas que gaja tão mais ou menos". É melhor para todos, acreditem. As mulheres vão passar a olhar para os homens como seres que comem de faca e garfo, não fazem barulho a beber chá e nunca têm gases e, no final de contas, o desabafo pavloviano está lá na mesma.
Boa sorte, ou melhor, uma sorte assim assim.

12.07.2012

pelo dedo mindinho do pé

Existem as pessoas que dizem frequentemente asneiras, as que só as dizem de vez em quando e as que quase nunca as dizem. As caralhadas estão longe de ser uma questão transversal à sociedade e, suspeito eu, são também uma questão de género.
Os homens são, em geral, mais asneirentos do que as mulheres. Nunca fiz essa conta, claro, mas estou convencido que sim. É que as mulheres, embora também as digam, fazem-no menos vezes e apenas quando estão chateadas. É preciso ser mulher para conseguir tratar bem um palavrão, de forma a dar-lhe delicadeza suficiente para a transformar num aromático voo de borboleta.
Nas mulheres, assim, as asneiras são para ser levadas a sério. Quando o vocabulário vernáculo mais pesadão ultrapassa os lábios femininos é porque alguma coisa está realmente mal. É por isso, e só por isso, que um homem não deve dizer muito asneiredo quando está acompanhado por uma mulher. Descredibiliza o palavrão. Retira-lhe substância e torna-o ordinário. É uma espécie de história do Pedro e do Lobo: se um gajo diz asneiredo a mais, chegará o dia em que quer dizê-lo porque está realmente fodido chateado com a vida e ela não o leva a sério.
Aliás, quando um homem chega a esse intenso nível obscurantista do vocabulário, é quando uma mulher começa a fazer contas e a pensar que escolheu como companheiro para a vida, não um homem, mas sim um martelo pneumático com pénis. É também quando ela, para se distanciar de tal alarvidade, passa ao nível zero de asneiredo.
É claro que uma mulher que afirma nunca ter dito nenhum palavrão na vida mente descaradamente, a não ser que nunca tenha batido com o dedo mindinho de um pé na esquina de um móvel, percalço que já aconteceu a todos os habitantes deste planeta que vivem em casas ou apartamentos. Portanto é essa a forma de fazer uma mulher entender o armazém interminável de palavrões que existe dentro de cada homem.  Pelo dedo mindinho do pé. Aí, garanto eu, somos todos iguais.

10.24.2012

o síndrome da mulher da garrafa de gás

A verdade é que também sou um machista do caraças. Hoje de manhã, por exemplo, passei por um carro com o pneu furado e uma mulher alta e loira a iniciar a troca do mesmo. Parei imediatamente para oferecer ajuda, coisa que nunca faria se fosse um homem (não por má vontade, mas porque o meu subconsciente me diz que qualquer homem sabe trocar o pneu a um automóvel) e, qual não foi o meu espanto quando ela me disse que não precisava de ajuda. Tornei a montar a bicicleta e fui-me embora com a cabeça entre as orelhas.
A mulher não me saiu da cabeça, nem o sotaque dela. Não lhe perguntei, mas supus que fosse polaca, não sei bem porquê. Tinha a cara muito arredondada, uns olhos verdes de cortar a respiração e era mais ou menos da minha altura, ou seja, tinha um metro e oitenta e tal.
Cerca de um quarto de hora depois, por uma enorme coincidência, tornei a passar pelo mesmo local. Ela ainda lá estava, mas desta vez com três homens a ajudarem-na a mudar o pneu do Fiat Punto. Passei mesmo perto e ouvia dizer insistentemente que não queria ajuda, mas os homens amontoava-se para ajudar e, na verdade, pareceu-me que competiam ferozmente entre si para ficar com o macaco.
Acho que os homens portugueses sofrem do síndrome da mulher da garrafa de gás, aquela polaca alta, loira, e gira que carregava uma garrafa de gás às costas numa publicidade à botija ultra leve da Galp. Não confundam, porque não estou a falar das figurinhas tristes que qualquer homem tuga faz quando conhece uma assombração dessas. Estou a falar do complexo de inferioridade que demonstra.
Como se já não bastasse um mulherão destes ser qualquer coisa de cortar a respiração, ainda por cima não precisa de ajuda para mudar o pneu do automóvel. Pior, diz-nos o mundo da publicidade que também não precisa de ajuda para carregar a garrafa de gás. Caraças, pá! Como é que um gajo estabelece contacto com uma mulher destas, se ela não precisa de nada?!
A única solução é ajudar na mesma, e entrar numa luta desenfreada por um macaco, uma chave inglesa em cruz e quatro porcas e parafusos. Se ela fica a olhar para nós com um ar de quem não nos compreende, problema dela.

9.05.2012

o cão é o melhor amigo do homem

Passear o cão pode ser uma bela forma de engate. Há mais mulheres que se metem com o nosso cão, quando o passeamos na rua, do que connosco. No meu caso particular, a relação é de muitas a meterem-se com o meu cão para zero a meterem-se comigo.
A vantagem do cão é que permite desbloquear aquela falta de assunto para iniciar conversa. Ela passa e pergunta se o cão morde, por exemplo, e o homem já só tem que responder. Quebrou o gelo, como dizem os brasileiros.
É claro que esta vantagem é muito maior do que se possa pensar, no caso dos homens, porque são eles que metem os pés pelas mãos quando tentam iniciar conversa. A falta de jeito masculina para a aproximação sexual é notória e transversal na sociedade. É por isso que, na maior parte das vezes, eles não passam de um motivo de riso delas.
O tuning automóvel, por exemplo, não passa de um processo animalesco para substituir a oratória num engate. Um gajo não tem nada de jeito para dizer, por isso atrai a atenção transformando o seu próprio veículo numa espécie de mata-moscas ambulante. Se a coisa não estiver a funcionar, fazem-se umas derrapagens e umas acelerações malucas em frente a uma esplanada cheia de mulherio. Nunca resulta, mas acredita-se sempre que sim.
A Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, explica mais ou menos isto. O género que tem que atrair o outro é o que dá mais nas vistas. Há muitas aves, por exemplo, em que o macho é colorido e espampanante e a fêmea é discreta. Na nossa espécie é mais ou menos igual. Os machos tornam-se uns parolos de todo o tamanho, as fêmeas estão sempre na mesma, à espera daquilo que não vem.
É claro que o tuning não é o único método para atrair indivíduos do género oposto através da cor, da distinção visual e comportamental.  Há homens que vão comprar roupa ao Fabio Lucci, há outros que praticam musculação até parecerem o Popeye com gases e há outros que coçam os órgãos genitais em público.
Podemos encontrar muitos exemplos, mas a verdade é que na nossa espécie quase nenhum funciona. A sério, eu próprio já os tentei quase todos. No caso do tuning falhei um pouco porque, por motivos económicos, em vez dum Opel Tigra usei uma bicicleta pasteleira.
Resta-nos, aos homens, passear um cão. É a única forma de ser a mulher a meter-se connosco e ser a ela a iniciar conversa. A partir daí só temos que ir atrás e inventar o menos possível para não estragar a coisa. É por isso que se diz que o cão é o melhor amigo do homem, mas nunca se diz que é o melhor amigo da mulher. É mesmo assim.

1.31.2012

oi! tudo bem?

Estação de Campanhã na cidade do Porto. Entro no metro em direcção à estação das Sete Bicas. Escolho uma das cadeiras junto à janela porque, como estou estou cansado, assim posso encostar a cabeça ao vidro e dormitar durante os dezassete minutos que dura a viagem.
No Bolhão senta-se à minha frente uma mulher, aparentemente com a minha idade (mais coisa, menos coisa), cabelos loiros e calças justas ao corpo. Vejo-a pelo canto dum olho que abro preguiçosamente. É bonita. "Oi! Tudo bem?", pergunta ela num doce sotaque brasileiro. Olho apressadamente para o lado, a tentar perceber se ela está a cumprimentar alguém para além de mim. Não, não está. Só me pode estar a cumprimentar a mim. "Sim, está tudo. E contigo?", respondo tentando disfarçar a surpresa.
Três ou quatro segundos de silêncio e ela torna a falar. "Você me espera na estação, viu? Se ficar no carro não tem jeito de o encontrar não. Uns vinte minutos e estou aí!". Ela estava a falar ao telemóvel, com um auricular qualquer que os seus longos cabelos não me permitiam ver. Juro que se tivesse um buraco para me enfiar, enfiava.

8.17.2011

preservativos

Precisei de chegar aos quarenta anos para corar durante uma compra de preservativos. Num supermercado estava uma senhora a promover uma marca, tal como acontece muito com iogurtes ou sumos, mas que eu nunca tinha visto na secção de preservativos e afins. Aproximou-se de mim e perguntou-me se eu queria experimentar a marca dela, até porque tinha também vários tipos de lubrificantes. Abriu um deles e deu-mo a cheirar. A mim aquilo cheirou-me àquelas árvores de Natal aromáticas que se penduravam nos espelhos retrovisores dos automóveis nos anos 80, e disse-lhe que não era cheiro que me levantasse a libido. Ela respondeu-me que para levantar fosse o que fosse não era com cheiros. Corei, sorri, e comprei outra marca.

7.31.2011

a estupidez de género

Não sei explicar bem... mas há qualquer coisa que me emociona na estupidez dos homens. É uma estupidez sincera, honesta, própria de quem está abandonado por todos e até por si mesmo. É uma estupidez que resulta da soma dum cérebro e dum coração estéreis. Zero mais zero é igual a zero. É simples. É bonito.
Há homens que são estúpidos e homens que não são estúpidos, claro. Tão claro como haver também mulheres estúpidas e mulheres não estúpidas. A diferença é que a estupidez das mulheres refere-se sempre à sua condição humana, enquanto a estupidez dos homens se refere muitas vezes à sua condição de género, ou seja... de homem. Estou a dizer que há muitos homens cuja estupidez ultrapassa largamente a estupidez da mulher mais estúpida do mundo. Só isso. E já não é pouco.
A semana passada, por exemplo, um grupo de homens no túnel da Estação de Campanhã seguia de perto uma mulher com um vestido de Verão. O mais baixo, líder incondicional da estupidez colectiva, cujo rosto avermelhado de tinto por digerir o distinguia como macho alfa, coçava a barriga enquanto lhe gritava qualquer coisa como "Ai se eu te apanho na Cordoaria!". Atrás dele, submisso à baba do chefe, um outro homem concordava em voz alta com um "É mesmo boa! Olha-me aquelas mamas!".
Passei por eles e reparei que um terceiro elemento não dizia nada. Queixo caído e dentes do maxilar inferior sobressaídos, nadava certamente na própria baba que lhe caía pelo canto dos lábios enquanto coçava lentamente os testículos presos nas calças de fato de treino azuis. Num ápice percebi a inteligência daquele monumento à estupidez. É a responsabilização da mulher pelo estado vegetativo do homem. É isso a estupidez de género. Uma mulher consegue pôr um homem estúpido como nunca nenhum homem conseguiu pôr uma mulher estúpida. A culpa é delas, portanto. São elas a semente da estupidez. Os homens são o fruto. A consequência.
A ausência de Amor é como a ausência de alimento. Altera-nos, estupidifica-nos. Estamos esfomeados e, portanto, impulsivos. Queremos sempre tornar as emoções inteligentes mas não é possível. Não é certo. A inteligência não é a essência do Amor, não é o seu substrato. Shakespeare tentou demonstrar essa inteligência em "Romeu e Julieta" através duma paixão sem face, dum Amor nascido num baile de máscaras, e ele próprio acabou por o conduzir à morte. Faltou-lhe o mais importante: a estupidez de género. Só está ao alcance de alguns demonstrá-lo. Destes homens que vi em Campanhã, por exemplo.

5.27.2011

odeio a gaja

Hoje adormeci no comboio e sonhei que tinha casado com a Branca de Neve. Felizmente acordei na estação em que era suposto sair e o pesadelo acabou. Odeio a Branca de Neve, mesmo que a nossa relação não tenha passado de um sonho de alguns minutos.
Aliás, mesmo antes de acordar ela saiu batendo a porta com força. Tínhamos discutido sem motivo, e as discussões sem motivo significam sempre que já não há Amor. Tanto quanto me lembro, já não tínhamos sexo há algumas semanas, e ela protestou comigo porque eu não tinha posto sal no jantar. Esqueci-me, disse-lhe eu enquanto lhe passava o frasco de sal fino para as mãos. Ela atirou-o para o chão e respondeu que estava farta de me aturar. Saiu, deixando na sala um silêncio bruto que me entorpecia os ouvidos e o coração.
Deixei-lhe um bilhete de despedida na porta do castelo, uma nota em que lhe pedia desculpa por a ter acordado do prazer de um sono longo:

Apaixonei-me por ti enquanto dormias porque não fui capaz de te imaginar acordada. Ninguém se deve apaixonar por alguém que dorme. Esse é o erro dos erros porque também é o erro do Amor. A paixão não deve nascer no sono, deve nascer numa bebedeira de vinho e numa noite de sexo. Desculpa pela minha parte. Podes ficar com o castelo, eu fico com o cavalo.
Actualmente odeio-te como tu me odeias a mim. É normal, o Amor só se pode transformar em duas coisas quando deixa de ser Amor: amizade nostálgica ou ódio visceral. Beijinhos


P.S. No frigorífico está uma mousse de chocolate e não me esqueci de lhe pôr açúcar (não é ironia).

pedido de desculpa

Se por acaso a senhora que trabalha no Pingo Doce (passe a publicidade, claro) onde ontem fiz compras ao fim da tarde, este post serve para lhe pedir desculpa pelo sucedido, já que pela cara dela percebi que ficou zangada comigo. Foi um mal entendido. Quando eu lhe disse: "tenha cuidado com os meu tomates", referia-me apenas ao facto dela ter quase esmagado um dos tomates de rama que eu tinha na passadeira rolante, com aquela placa que divide as compras dos vários clientes.

4.12.2011

um minete envenenado

Uma mulher terá, alegadamente, tentado matar o marido envenenando-o pela vagina. Segundo a notícia do JN, após um desentendimento do casal ela convidou-o para ter sexo oral. Ele desconfiou das intenções dela por causa dum cheiro estranho que emanava e, logo depois, foi a um posto médico onde foi submetido a uma lavagem ao estômago que não revelou indícios de envenenamento.
Ora, pelo que eu percebi, ele desconfiou que ela o queria matar, mas como eventualmente até podia não querer, ele fez-lhe na mesma o minete e depois foi ao posto médico. Just in case...
Bem, eu não me posso esquecer disto. Se algum dia for condenado à morte num Estado qualquer e puder escolher a forma de morrer, já sei qual é que escolho. Pelo menos morro feliz...

4.11.2011

ti no ni, ti no ni

Uma das maiores dificuldades da minha vida sempre foi ir às compras com uma mulher a um hipermercado. Não por detestar ir às compras nem por causa do tempo exagerado que se passa a tentar pensar que se podia estar na praia, ou pelo menos numa esplanada a beber uma cerveja, em vez de estar enfiado num sítio com luz artificial que mais parece um armazém de loucos à procura duma promoção. Não, o meu problema é que elas têm a mania de dar o carrinho ao homem enquanto percorrem as prateleiras e vão escolhendo o que querem comprar.
É uma maldade, principalmente quando ela se mete pelos corredores apertados de roupa feminina, cheios de mais não sei quantas mulheres paradas a pensar se cabem na peça de vestuário que têm entre as mãos. Ali sim, é preciso ser o melhor condutor do mundo, de preferência bêbado para ver se se esquece mais facilmente a tortura. E depois quando, no fim dum corredor desses e já suado, ela decide voltar exactamente pelo mesmo sítio e não comprou nada.
É nesse momento que um homem pensa que não tem que andar assim tão perto dela e, por isso, fica à entrada do corredor seguinte, o dos enlatados por exemplo, e se distrai a olhar para as cuecas duma outra mulher que se baixou para apanhar uma lata de atum das mais baratas, daquelas que estão no fundo dos fundos da prateleira mais baixa, e se ouve um grito capaz de fazer estremecer as fundações do Cristo Rei (o do Rio de Janeiro, não o de Almada): "Mas onde é que tu te meteste?". "Estava ali à espera...", responde um gajo a tentar esquecer as cuecas, e depois tem que enfrentar aquele olhar que lhe chama "completamente inútil porque nem um carrinho de compras consegue conduzir".
Aí sim, se vê a solidariedade entre homens. Eu, pelo menos, sempre que vou às compras sozinho, afasto-me mal vejo mais um cachorrinho atarefado a empurrar um carro atrás duma mulher qualquer. É a minha contribuição para um mundo melhor, ou pelo menos para um homem mais feliz. E ele devolve-me sempre aquele olhar que agradece a compreensão.
Hoje, no entanto, o terror apoderou-se de mim por alguns momentos. Ao entrar no corredor dos iogurtes, a Raquel serpenteou nada mais nada menos que quatro carrinhos, todos eles conduzidos por homens que tentavam manter-se perto das respectivas. Era o tudo ou nada. Percebi que não podia passar e fui dar a volta a uma velocidade impressionante, enquanto pensava no som duma ambulância em serviço. Não sei se cheguei a gritar "ti no ni, ti no ni", mas sei que todos me deixaram passar e, quando a Raquel se virou para colocar os iogurtes no carro, eu estava lá. Eu estava lá.

3.04.2011

o síndrome do dentista

Hoje fui ao dentista. A consulta foi mais dura que o costume e, assim de repente, tinha duas mulheres a segurar-me a boca enquanto o dentista me queimava a gengiva para poder colocar um dente novo. A minha boca estava cheia de tubos, brocas e o que mais houver numa clínica dentária razoável. Mesmo assim todos me faziam perguntas, às quais eu não conseguia responder porque nem a boca conseguia mexer.
A partir de hoje, chamo a todas as perguntas que as mulheres me fazem e para as quais não tenho resposta, tipo "achas que eu sou tua companheira ou um objecto sexual?", "para ti o Amor e o sexo são a mesma coisa ou são coisas diferentes?" ou, a mais difícil de todas quando uma mulher vem a minha casa, "sabes onde é que guardas o papel higiénico?", o síndrome do dentista.

2.02.2011

o desespero é tal...

A ver se se livrava dela, um funcionário dos serviços de imigração britânicos colocou a mulher na lista de potenciais terroristas, isto durante um período em que a mesma se ausentou do país. Quando regressou ficou confusa. (ler no Sol).
Ainda bem que o homem não trabalhava num talho, digo eu.

1.05.2011

pato Donald apalpa mulher

O Pato Donald anda para aí a apalpar mulheres a torto e a direito e agora vai ser presente a tribunal. Em 2004 já o tinha feito mas agora tornou a repetir a gracinha e apalpou as mamas duma cliente do Disney World Epcot, diz o Correio da Manhã. Eu, se fosse vítima de assédio sexual por um cartoon, preferia a Jessica Rabbit.