11.18.2008

conversa 1069

Ela - Ontem telefonei-te e tinhas o telefone desligado.
Eu - Sim, eu vi. Estava num concerto no Porto.
Ela - Um concerto numa segunda-feira?
Eu - Sim... no Passos Manuel. Jane Hunter e Beach House. Eu nem conhecia...
Ela - Acho que estás a mentir. Ainda vou confirmar que houve mesmo um concerto no Porto numa segunda-feira à noite.
Eu - Estás a brincar comigo, de certeza.
Ela - Não estou não.

quando já estiver escuro

Logo à noite, noite mesmo (quando já estiver escuro), quem passar no melhor bar do mundo pode ouvir mais uma vez um set dos Couscous Prosjekt.

11.17.2008

dou e dou e dou

Ninguém se lembra do Teixeirinha, um músico gaúcho brasileiro, uma espécie de trovador dos tempos modernos que dominou a cena nos anos sessenta e setenta. Morreu em 1985. O Teixeirinha vivia naquele princípio brasileiro que admiro, de que a felicidade é o mais importante, e apesar de ter tido uma vida extremamente difícil (perdeu o pai aos sete anos e a mãe aos nove) emanava sempre boa disposição. Sempre achei que isso se devia à forma ingénua(?) como via as mulheres. Esta música "dou e dou", que vem na sequência duma outra chamada "não e não", é um exemplo disso. Eu ouço-a com alguma nostalgia dum tempo que não vivi...



Depois de dizer tanto não e não, a Mariazinha já acostumou. Agora quando eu peço um beijinho ela diz: dou e dou e dou.
Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou. Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou.
Agora sim sai o casamento, mandei fazer p'ra nós uma casinha mas antes de nós entrar p'ra dentro, me dá um beijinho Mariazinha!
Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou. Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou.
Você dá mesmo um beijinho? Dooooouu...
E você também dá? Dooooouu...
Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou. Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou.
Quando estou junto da Mariazinha, nós dois trocamos beijinhos sem fim. Agora em vez de eu pedir p'ra ela, então é ela que pede p'ra mim.
Teixeirinha, dá um beijinho p'ra mamãe aqui, dá? Dou meu amor, é claro que o papai dá.
Dá? Doooou
Dá mesmo?
Então...
Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou. Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou.
Você também dá um beijinho, hein?
Dou, nem precisa pedir...
Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou. Dou e dou e dou. E dou e dou e dou e dou.

conversa 1068

Ela - Quando é que vocês fazem anos?
Eu - Eu faço anos num dia e ela noutro.
Ela - Não é isso. Quando é que vocês fazem anos de casados?
Eu - Não fazemos. Já não estamos casados.
Ela - Sim, mas eu e o meu ex continuamos a fazer um jantar todos os anos no dia do nosso casamento.
Eu - Ah! Eu faço no dia do divórcio.
Ela - Mas isso é muito mau. Parece que estão a celebrar o fim.
Eu - Não... estamos a celebrar a mudança.
Ela - Prefiro fazer no dia do casamento.
Eu - Mas tu és divorciada...
Ela - Sim, mas pelo menos no dia em que faço esse jantar com ele, sei que a nova namorada dele fica roída de ciúmes. No dia em que começar a namorar nem sequer janto mais com ele...

aguentar

Propus-lhe tomarmos um café numa esplanada na praia. Não a via há anos e, por isso, tê-la encontrado e reconhecido no meio dum hipermercado apinhado de gente tinha sido o meu milagre do dia. A diferença é que eu ia comprar uma garrafa de vinho e algumas cebolas, ela ia fazer as compras para a semana. Tudo bem, disse-lhe que esperava por ela na praça da alimentação e ia lendo o jornal.
Estive a ler o jornal uma hora. Ela chegou com um carrinho de compras tão cheio que me pareceu mais serem compras para um ano do que para uma semana. Que tinha ali congelados, disse-me depois, e que por isso não dava para ir à praia. Estava com alguma pressa mas que podíamos tomar o café logo ali. Olhei para os quatro monitores à minha volta a passar um jogo de futebol qualquer da liga inglesa e não achei o sítio indicado para falar com uma ex-quase namorada depois de anos sem a ver, mas tudo bem. Antes isso do que nada.
Ela sentou-se e reconheci imediatamente o movimento. Levantou a cadeira para não fazer barulho e sentou-se com a mesma brandura dum pássaro que pousa num ramo de árvore. Só não lhe reconheci o olhar, ou melhor, reconheci-o mas não lhe encontrei o brilho de outrora, o que percebi imediatamente quando, na conversa obrigatória entre duas pessoas que não se vêem há muito tempo, lhe disse que estava divorciado e ela me respondeu que estava casada. Deitou o açúcar na espuma do café como se fosse ela mesma a precisar de adoçante e as palavras arrastaram-se do interior da sua boca morrendo-lhe praticamente nos lábios: "enquanto aguentar continuo casada".
Como é que se explica a uma mulher que nos é querida que em cinco minutos percebemos que a vida dela devia mudar? Pois é.... não se explica. Nem me senti nesse direito. Nunca gostei do verbo aguentar. Sem esforço, disse-lhe que estava ainda mais bonita do que na nossa altura, e as palavras "nossa altura" ficaram retidas entre nós. Houve uma altura nossa, ainda que efémera, mas já passou. Há demasiadas pessoas a aguentar...

conversa 1067

Eu - Então? Como é que vai isso?
Ele - Para te ser sincero estou na merda.
Eu - Então?
Ele - A ****** agora diz que já não sente por mim o que sentia.
Eu - Ah! Epá, não fiques na merda por causa disso. Na nossa idade já não podemos ficar na merda por causa disso.
Ele - Pois, eu sei, mas nós estávamos mesmo numa boa. Na quarta-feira ela mudou-se para minha casa e na quinta-feira começou com esta conversa de que já não gosta de mim.
Eu - Ah! Queres beber um copo?
Ele - Não... Já bebi demais anteontem e ontem...

sexo de velhinhas acima de 80 anos

Pronto, para começar bem esta semana de trabalho, estas são mais algumas buscas que vieram aqui dar...

mulheres que procuram homens para sexo sem pagar em coimbra para o dia de hoje

Bem... este para além de acreditar no Pai Natal é forreta. Forreta por forreta talvez tenha mais sorte na Rádio Popular do que em Coimbra...

não tenho sorte com mulheres
Deixa lá... eu também não. Isto se calhar nem é uma questão de sorte. É mesmo falta de jeito.

oque fazer para as mulheres ficar mais ecitadas
O quê?

porque este homem nao me deixa , mas tambem nao faz amor comigo?
Não sei porquê mas isso é normal. Talvez se lhe disseres directamente "epá, tu não fodes nem sais de cima" ele perceba...

saites de velhas a fuder
Para além dos erros ortográficos não se deve chamar velhas. É uma falta de respeito

senhoras de idade fodendo
Ah! Assim sim. Senhoras e não velhas.

sexo de velhinhas acima de 80 anos
Pronto, velhinhas também pode ser. É querido. Mas era desnecessário porque acima dos oitenta anos raramente se encontra pessoal jovem.

como responder a uma mulher que nao quer conversa?
Não é preciso saber. Se ela não quer conversa, à partida não vai perguntar nada.

dedo no cu do lutador
Epá. Atenção que eu não sou lutador.

dá para comparar o tamanho do penis com os dedos da mão?
Dá. Claro que dá. É só pôr o dedo ao lado do pénis e ver qual é maior e mais pequeno.

11.16.2008

conversa 1066

Ela - Queria pedir-te uma coisa.
Eu - Diz.
Ela - Arranja-me aquela música dos Perfume e do Rui Veloso que passa na rádio.
Eu - Ah! Ok... eu tenho o álbum... gravo-te já.
Ela - Tens?
Eu - Tenho. Baixei-o da net.
Ela - Nunca pensei que gostasses dessa música.
Eu - Gosto. Até gosto bastante.
Ela - Não gostas nada.
Eu - Gosto, gosto...
Ela - Não gostas nada.
Eu - Porque é que insistes que eu não gosto se eu estou a dizer que gosto?
Ela - Porque contigo nunca se sabe quando é que estás a falar a sério ou a brincar.
Eu - Mas eu gosto...
Ela - Mentira.

hoje apaixonei-me numa caixa multibanco

Hoje apaixonei-me numa caixa multibanco. Ela tentava levantar dinheiro e por qualquer motivo não conseguia. Insistentemente, como se a culpa fosse da vontade da máquina, tornava a colocar o cartão na ranhura. Normalmente esta atitude irrita-me. Aliás, irrita-me sempre que alguém não pense em quem está à espera atrás de si, seja numa caixa multibanco, na fila para a bilheteira do cinema ou noutro sítio qualquer. É um egoísmo inaceitável, só que é também o egoísmo da paixão (mesmo que seja uma paixão destas de cinco minutos) que me faz sentir-me o homem mais calmo do mundo.
Hoje apaixonei-me numa caixa multibanco. Comecei por aprovar a sua impaciência. Suspirava e resmungava sozinha mas duma forma tão delicada que seria impossível num homem. A espaços, aprendi de cor os seus movimentos: o bater com o calcanhar no chão, o chegar o cabelo para trás com a mão esquerda, o roer a unha vermelha do polegar direito e o olhar brusco para ambos os lados como se daí pudesse surgir ajuda.
Hoje apaixonei-me numa caixa multibanco. E a ajuda estava em mim. Aproximei-me com suavidade e perguntei o que se passava, mas ela era mesmo tão delicada que quando o meu braço lhe tocou senti-me um navio petroleiro a atracar a um cais de pequenas embarcações. E embarquei na ondulação da voz dela. Não me aparece nada onde possa levantar dinheiro, disse ela enquanto o cartão saía mais uma vez da ranhura cansada. Olhei para o ícone electrónico do monitor. Esta caixa não tem dinheiro, respondi.
Hoje apaixonei-me numa caixa multibanco. Ela foi-se... suspirando como um comboio a vapor, e eu fiquei a vê-la desaparecer numa das ruas do lusco-fusco da cidade. Ela não sabe, mas agradeço-lhe o facto de ter parado por momentos neste apeadeiro que eu sou...

mulheres que eu gostava de poder não compreender (75)



nome: Angel Locsin
origem: Filipinas
info: Nasceu em 1985. É actriz, produtora de cinema, estilista e modelo. Para além destas coisas todas também é linda que se farta. Nunca fui às Filipinas mas lembro-me de, na única viagem que fiz à Ásia até hoje, me cruzar com algumas mulheres de lá e de pensar que aquilo deve ser o paraíso. E é mesmo, basta viver lá uma mulher com estes olhos... [link]

pensamentos catatónicos (155)

É importante falar de amor. Numa relação o primeiro tabu a surgir na comunicação entre ele e ela, normalmente, é o estado em que o amor entre ambos se encontra. É normal fugir ao tema, que ninguém gosta de se enfrentar a si mesmo. O problema surge quando se descobre que não há fuga possível.

ganhe uma noiva russa



O Stil Vodka, marca neozelandesa, promete uma noiva russa a quem comprar uma garrafa. Mal vi este anúncio fui imediatamente à página oficial da marca para mandar vir umas dez garrafas mas a única coisa que estão a oferecer são.... uns chinelos, ainda por cima rascas. Parece que a promoção já passou. Gostava de saber quem é que ganhou esta...

11.15.2008

conversa 1065

Ela - Apetece-me sempre estar perto de ti.
Eu - A mim também. Mas por algum motivo as coisas não funcionam bem entre nós...
Ela - E é porquê? És capaz de me explicar?
Eu - Sou capaz de te explicar que duas pessoas gostarem uma da outra não chega. Talvez devêssemos sair de vez em quando assim na boa. Ir ao cinema, tomar um café ou beber uma cerveja mas sem pensar que a nossa vida vai mudar por causa disso.
Ela - Isso não sou capaz.
Eu - Pois. Eu gosto de pensar que, em vez de mudar a minha vida, gosto de mudar o meu presente. Hora a hora, minuto a minuto. Quando estou contigo estou bem, se não nos zangarmos por coisas imbecis.
Ela - Chamas imbecis às coisas que eu digo?
Eu - Tem calma. Já te estás a zangar.
Ela - Claro que estou. Acabas de me ofender.
Eu - Não acabo nada de te ofender.
Ela - Só falta chamares-me imbecil a mim.
Eu - Vês? Nós não podemos falar cinco minutos sobre nada. Chateamo-nos logo.
Ela - A culpa é tua.
Eu - Pronto, está bem. É minha. Não sou capaz de mais.
Ela - Vês?

parte do problema

Hoje é sábado. As pessoas andam atarefadas com coisas sem importância. Às vezes penso que o facto de se andar atarefado durante a semana de trabalho se transforma numa patologia. É por isso que ao sábado se fazem compras de forma atarefada, se toma café de forma atarefada, se almoça num shopping de forma atarefada, se conduz de forma atarefada.
Hoje é sábado. Quando olho para este formigueiro atarefado em que os centros comerciais se transformam ao fim de semana é que percebo que nós nunca nos vemos como parte de um problema, e esse é o nosso maior erro. Se a caixa multibanco nos engole o cartão a culpa é da caixa multibanco, se a menina da caixa se engana no troco a culpa é da menina da caixa, se torcemos um pé no degrau duma escada a culpa é da escada. Nunca pensamos que se calhar nos enganámos no código, que se calhar intimidámos a menina da caixa com a nossa má disposição, que se calhar tentámos subir dois degraus em vez de um.
Hoje é sábado. Nas relações também é assim. Nunca somos parte do problema. Se uma namorada nos deixa é porque não foi honesta connosco ou não percebeu o que nós temos de melhor. Nunca pensamos que as emoções são sempre honestas e que talvez lhe tenhamos mostrado o que temos de pior. Esta forma de fugir à nossa responsabilidade a cada minuto atarefa-nos. Andar atarefado é uma necessidade e um vício.
Hoje é sábado mas para mim é um dia de trabalho. Até à uma da manhã em princípio. Vou andar atarefado e depois vou procurar amigos num bar qualquer por aí, em Aveiro ou no Porto. A ver se converso um bocado e se percebo que eu sou parte integrante dos meu problemas.
Bom sábado para vocês.

11.14.2008

conversa 1064

(ao telefone)

Ela - Estou a telefonar porque queria que me dissesses outra vez como se faz arroz de polvo em tomate.
Eu - Mas... são três da manhã. Vais cozinhar polvo agora?
Ela - Não, claro que não. É para sábado.

deixa lá querida...



Não sei de que ano é esta publicidade que o pestana me enviou mas quase de certeza que foi feita entre os anos de 1945 e 1950. A mulher queimou o jantar mas o marido, tolerante e compreensivo, diz-lhe para não se preocupar porque pelo menos não queimou a cerveja. Em cima da mesa estão duas garrafas. Fiquei na dúvida se ela vai beber para esquecer que queimou o jantar ou se vai beber para esquecer a vida que tem...

conversa 1063

Ela - Estou tão farta. Um dia destes faço uma asneira.
Eu - Estás farta de quê?
Ela - Sei lá.
Eu - E que asneira é que fazes um dia destes?
Ela - Sei lá.
Eu - Assim... não te percebo e não te posso ajudar.
Ela - Olha, é disso que estou farta. Ninguém me percebe.

viagens

A viagem que aproxima emocionalmente um homem e uma mulher é sempre uma viagem distante, como se fosse da nossa parte uma viagem para uma cidade longínqua. Sabemos sempre que as cidades longínquas têm estradas, ruas, passeios, cafés, casas e fábricas. O que não conhecemos é a forma como nelas se vive. Não conhecemos à partida o seu temperamento.
Há duas maneiras de viajar para uma cidade longínqua: de comboio ou de avião. Quando vamos de avião esse temperamento é sempre um choque, independentemente de gostarmos ou não dele, porque saímos de um sítio e passado pouco tempo estamos noutro completamente diferente. Quando vamos de comboio demoramos mais, mas há um processo de adaptação ao destino final enquanto assistimos à lenta transformação da paisagem lá fora.
Uma viagem até ao mundo de outra pessoa é exactamente o mesmo. Podemos lá chegar como se fôssemos de avião e no princípio tudo nos parece novidade: cada noite de sexo, cada beijo, cada almoço ou jantar, cada conversa ou mesmo cada troca de olhares. Depois, como quando estamos a viver numa cidade há muito tempo, vamo-nos habituando ao ritmo dos dias.
Também podemos lá chegar de comboio. A primeira noite de sexo não é a melhor do mundo mas não faz mal. O sexo vai melhorando à medida que a confiança aumenta, assim como melhoram os beijos, os almoços e jantares, as conversas e as trocas de olhares.
Na minha vida já visitei cidades onde acho que gostava de viver, já visitei outras onde o deslumbramento inicial arrefeceu passado pouco tempo. Até já visitei cidades que não gostei e ponto final. Também aprendi que não somos só nós que às vezes nos fartamos duma cidade. Uma cidade também se pode cansar de nós.
Tenho viajado demasiado de avião... e sempre gostei mais de viajar de comboio.

11.13.2008

conversa 1062

Ela - Andas bem?
Eu - Ando. E tu?
Ela - Envolvi-me com um gajo. Estou a começar. Queria dizer-te isso...
Eu - E estás feliz?
Ela - Mais ou menos.
Eu - Mais ou menos?
Ela - Ele é querido e delicado... mas na cama acho que anda a precisar de ler uns manuais...

conversa 1061

Ela - A ***** é incrível. Adivinhou que eu tu já fomos prá cama...
Eu - Adivinhou como e porquê?
Ela - Adivinhou. As mulheres têm essa capacidade, sabes?
Eu - Mas porque é que ela te disse isso? Foi assim sem mais nem menos?
Ela - Pronto... fui eu que lhe disse.

bom rabo

Esta menina, brasileira de vinte anos, chama-se Melanie Fronckowiak e ganhou o concurso de rabo mais bonito do mundo, organizado pela Sloggi ontem em Paris. A ver pela fotografia, o prémio não merece contestação, mas mesmo assim um rabo não deixa de ser isso mesmo: um rabo.
Tenho alguma curiosidade sobre a importância que se dá a este concurso. Gostava, por exemplo, de saber se a Melanie vai escrever no seu curriculum vitae que tem o rabo mais bonito do mundo, entre as habilitações académicas e a experiência profissional. Também não sei, se eu fosse amigo dela, como é que lhe daria os parabéns pela vitória, já que não me imagino a dizer: "Olá Melanie, estou a telefonar para te dar os parabéns pelo teu rabo". Depois ainda há a recepção do pai: "parabéns filha! eu sempre soube que tinhas um rabo fantástico. Sais à tua mãe." Bem... independentemente destas coisas... acho justo mesmo sem ver os outros rabos concorrentes.

11.12.2008

conversa 1060

Ela - Se tu pensas que vais encontrar a mulher da tua vida assim por aí, num golpe de sorte, tira o cavalinho da chuva.
Eu - Porquê?
Ela - Já viste quantas pessoas há no mundo? Não há uma mulher da tua vida. Há é várias mulheres em quem deves investir se achares que pode dar alguma coisa. E se tiveres vontade, claro.
Eu - Percebo... várias mulheres ao mesmo tempo.
Ela - Não, não percebeste nada do que eu disse. Desisto.
Eu - Mas foi o que tu disseste.
Ela - Não foi nada. Não me faças perder a paciência.
Eu - Foi, foi.
Ela - Cala-te.

conversa 1059

Ela - Preciso de conversar com alguém.
Eu - Se eu servir... estás à vontade.
Ela - Serves, claro. Posso ir a tua casa hoje à noite?
Eu - Podes... mas só chego pouco depois da uma manhã.
Ela - Eu vou lá.
Eu - Mas o que é que se passa? Estás a preocupar-me.
Ela - Envolvi-me aí com um gajo... e preciso duma opinião masculina sobre o que está acontecer.
Eu - Mas porquê? Estás bem?
Ela - Depois conto-te. Mais um que agora não me atende o telefone...
Eu - Ah! Tem calma... é importante ter calma. Não te ponhas a conjecturar demasiado.
Ela - Não é bem conjecturar, só que deixei a minha carteira na casa dele e tenho lá o meu diário pessoal. Achas que ele vai ler?
Eu - Não o conheço... mas não me parece sequer que abra a carteira.
Ela - É que se fosse eu lia de certeza. Estou preocupadíssima...

outra vez o tamanho do pénis...

Na República Dominicana um homem enforcou-se porque tinha um pénis muito pequeno. Segundo a mãe, ele queixava-se constantemente de que as mulheres o abandonavam por esse motivo.
O senso comum associa o tamanho do pénis à masculinidade do homem, e crê-se que só com uma penetração profunda a mulher obtém o prazer total. Esta ideia é errada. A resposta vaginal não é igual em todas as mulheres mas normalmente a zona exterior da vagina até é a mais sensível e erógena. Muitas vezes, chegar insistentemente ao fim da linha até provoca dor. E não é pouca.
Por trás da questão do tamanho do pénis há toda uma indústria de aumento peniano que é uma tanga. Antes de se meterem a gastar dinheiro em técnicas que pouco mais são do que masturbação ou uma terapia com comprimidos esquisitos, o melhor é tentar conhecer bem como é sexualmente a parceira. Pode demorar um bocado mas o processo de aprendizagem é agradável.
E pronto, foi só isto que me passou pela cabeça quando li a notícia...

11.11.2008

pensamentos catatónicos (154)

O espaço que existe entre a amizade e a paixão por uma mulher bonita é sempre pantanoso. Há poucas mulheres com quem se consegue que uma relação ocasional não interfira numa relação de amizade. Há poucas mulheres com quem é possível dormir uma noite e no dia seguinte cumprimentar com dois beijos na face.

o amor sobrevive aos cheiros



Gosto de histórias de amor que sobrevivem aos pequenos inconvenientes dos dias. Esta é sem dúvida uma história dessas...

conversa 1058

Ela - Estás com um ar abatido.
Eu - Não é nada. É só por ter dormido pouco.
Ela - Eu também contribuí para isso, não?
Eu - Tu? Porquê?
Ela - Agora estou a iniciar uma relação... ainda no princípio mas estou. Vou ter menos tempo para estar contigo.
Eu - Nem sabia... ainda não me tinhas dito.
Ela - E não ficas triste?
Eu - Não. Fico feliz por ti.
Ela - A sério?
Eu - A sério... claro.
Ela - Oh!

direito de resistência

Os media exageram deliberadamente na ideia da insegurança no país. É uma forma de legitimar o controle da população pela força policial e pelo medo que ela é capaz de provocar. Os polícias portugueses esquecem-se cada vez mais que servem para proteger os cidadãos e não para os agredir. Ontem, numa escola C+S de Alfragide, um corpo de polícias energúmenos reagiu à bastonada contra miúdos de cerca de 15 anos. Segundo a notícia do JN, até uma criança de 10 anos levou uma bastonada.
Este tipo de acção da policia é indicativa do governo estúpido que temos, e nem sequer é aceitável discutir se a carga é legítima ou não. Não é. Não o seria mesmo que os referidos alunos, com idades compreendidas entre os dez e os quinze anos, se recusassem a sair das suas posições ou agredissem os agentes.
Já agora, e para os frustrados dos polícias que participaram neste acto lúdico, deixo aqui o 21º artigo da Constituição Portuguesa.

Artigo 21.º
(Direito de resistência)

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

conversa 1057

(ela na cozinha e eu na sala)

Ela - Onde é que tens os garfos?
Eu - Na gaveta dos talheres. Tu sabes...
Ela - Sei mas já abri e não vi nenhum...
Eu - Então é porque estão todos usados. Tens que lavar um. Vê na louça suja.
Ela - Às vezes, quando venho a tua casa, é que me apercebo porque é que não quero mais viver com nenhum homem...

na roménia sê romeno...

Na Roménia um médico amputou por erro os órgãos genitais a um doente. Agora foi condenado a um ano de prisão e a pagar ao paciente uma indemnização de meio milhão de euros. Ficou também sem licença para continuar a exercer. [link]

Também na Roménia um tipo colocou a mulher à venda num site de carros em segunda mão. No início por 10 milhões euros, mas o valor já baixou para 7500 uma vez que tem urgência em vender porque está farto de a ouvir resmungar. [link]

11.10.2008

a mãe como motor de agitação social



A Madge - Mothers Against Genetic Engineering (Mães Contra a Engenharia Genética), uma associação neozelandesa, lançou em 2007 uma campanha contra a decisão do governo daquele país que permitia o início da produção agrícola geneticamente modificada. A campanha consistiu na produção de um outdoor exibindo uma mulher com quatro mamas, ligada a uma máquina de extracção de leite.
As opiniões dividiram-se. Houve quem achasse a campanha demasiado ofensiva para as mulheres, quem a achasse oportuna e quem a achasse contraproducente. Eu não acho nada, a não ser que não simpatizo com movimentos cujo nome começa pela palavra mães. Lembram-me sempre um moralismo de tanga, tipo "eu sou mãe por isso cala-te!"
Já em 2003, um grupo chamado Mães de Bragança perseguiu brasileiras que trabalhavam em casas de alterne naquela cidade porque os seus maridos, tadinhos, chegavam a casa demasiado cansados quando saíam à noite. Gostava de saber como teria sido um cartaz feito por esse movimento...

conversa 1056

Ela - Devias ter um animal cá em casa.
Eu - Um animal?
Ela - Sim... um cão ou um gato. Um gato ainda era melhor.
Eu - Detesto animais. Enchem tudo de pêlos e dão uma trabalheira do caraças...
Ela - Como vives sozinho... fazia-te companhia.
Eu - Para que é que eu quero a companhia duma coisa de quatro patas que só pensa em comer?
Ela - Olha, já percebi. Se conheceres alguém que queira um gato, diz-me. A minha mãe tem quatro para dar...

conversa 1055

Ela - Posso dormir contigo e se depois não me apetecer ter sexo tu respeitas-me?
Eu - Podes, claro que sim.
Ela - E és capaz de dormir comigo sem fazermos amor se eu não quiser fazer?
Eu - Claro, pá. Estou farto de fazer isso. Que mania que as gajas têm de achar que os homens só pensam em sexo.
Ela - Pronto, então durmo contigo hoje.
Eu - Na boa. Claro que se não me apetecer a mim fazer amor e a ti te apetecer, também tens que respeitar isso...
Ela - Ei! Isso é que já não...

conversa 1054

Ela - Estás apaixonado?
Eu - Mais ou menos.
Ela - Mais ou menos não. Ou estás ou não estás.
Eu - Estou mas a gaja não me liga nada. Portanto estou a tentar não estar...
Ela - Quem é?
Eu - Não te digo.
Ela - Mas ela sabe?
Eu - Sabe. Pelo menos disse-lhe uma vez...
Ela - E o que é que ela disse?
Eu - Primeiro disse para eu esperar que ela ia resolver a vida dela. Eu esperei, esperei, esperei... e depois mandou-me à merda.
Ela - Hi! hi! hi!
Eu - Porque é que estás a rir?
Ela - Gosto tanto quando os homens perdem...

conversa 1053

Ela - Posso ir fazer um chá?
Eu - Claro.
Ela - Queres chá de quê?
Eu - Eu não quero. Faz só para ti...
Ela - Anda lá. Bebe um chá comigo enquanto vemos um bocadinho de televisão.
Eu - Está bem. Pode ser esse chá verde com algas e limão.
Ela - Está bem... mas vou antes fazer este de guaraná e raíz de ginseng. Estou com falta de energia...
Eu - Pronto, ok...

Verão

Lembro-me de uma vez me zangar com o Verão. Tínhamos discutido de manhã sem motivo aparente. Mais uma vez. A meio da tarde, quando me isolei numa esplanada transmontana e pedi um uísque duplo com muito gelo para me acompanhar nas palavras cruzadas, é que percebi o que se passava. As tardes quentes do Verão traziam com elas a inerente sensação de que a felicidade era fácil. Para nós não estava a ser nada fácil, e é ainda mais triste não estarmos felizes quando a felicidade circula entre nós.
"Fechar as asas para descer mais rapidamente" com quatro letras: Siar. Acabei as palavras cruzadas e siei. Desci à Terra. Foi dessa vez que me zanguei com o Verão.

11.09.2008

paixão, paixão... não vais fugir de mim

paixão à primeira vista
A paixão à primeira vista é essa mesmo. Olha-se para uma mulher pela primeira vez e imediatamente os pensamentos tornam-se descoordenados. Nesse dia é normal que à noite se arrume os sapatos no frigorífico e o pacote de leite aberto na despensa. É uma das paixões mais fortes mas, pelo menos pela minha experiência, é também uma das paixões com menor durabilidade.

paixão pela voz
A paixão pela voz... Quem é que nunca se apaixonou por uma locutora da rádio que nunca tinha visto na vida? Pois é... A voz tem uma capacidade enorme de seduzir. Claro que me refiro à voz no seu todo: intensidade, ressonância e articulação de cada timbre, mais a capacidade da inerente comunicação verbal. Creio que a esta capacidade que a voz da mulher tem de apaixonar, não é alheio o facto de nelas as cordas vocais vibrarem muito mais vezes do que nos homens, atingindo por isso frequências muito mais agudas. Aliás, são essas apaixonantes frequências agudas que depois se tornam insuportáveis quando ela se chateiam connosco...

paixão pelo tempo
A paixão pelo tempo é a minha preferida quando é correspondida (o que em mim é coisa rara). Basicamente acontece quando damos por nós a pensar, mais vezes do que é normal, numa mulher que já conhecemos há montes de tempo mas por quem nunca sentimos nada mais do que vontade de tomar um café juntos. Normalmente é a paixão mais difícil de assumir porque é também aquela de que temos mais medo que falhe...

paixão na fila do supermercado
A paixão na fila do supermercado é a paixão efémera por quem se cruza connosco neste enorme formigueiro agitado que é o mundo. Numa fila do supermercado, dos correios, das Finanças ou doutro sítio qualquer, a vida torna-se tão chata que é necessário uma paixão utópica e efémera por alguém. Normalmente, o nosso pensamento recai sobre uma mulher qualquer no local e ausenta-se assim de todo o resto. A grande vantagem desta paixão é que, apesar de não ser nunca correspondida, também não faz ninguém sofrer com isso.

paixão quem me dera
A paixão quem me dera é paixão mais irracional e estúpida que um homem pode ter, mas como de facto os homens têm-na muitas vezes não vou tornar a chamar-lhe estúpida. Estou a falar da paixão, não por uma mulher em si, mas por tudo o que uma mulher parece ser e de certeza que não é. Normalmente acontece por estrelas do cinema ou da música pop. É uma paixão merdosa esta, porque para além de ser estúpida (pronto, lá repeti o adjectivo) é uma paixão que cria muitas vezes problemas noutro tipo de paixão, porque o nosso subconsciente as compara facilmente.

paixão que não é de facto
A paixão que não é de facto surge às vezes por uma razão óbvia: um gajo não pode viver sem estar apaixonado, por isso quando não está verdadeiramente apaixonado por ninguém, inventa uma paixão à pressa, seja pela colega de trabalho, seja pela amiga que nos pede para ir lá pendurar um candeeiro na sala, seja pela vizinha. A paixão que não é de facto não é uma paixão que se deva menosprezar, até porque às vezes se transforma numa paixão pelo tempo. Outras vezes não.

50 requisitos mínimos...

Numa troca de emails, fiz uma lista dos cinquenta (coisa pouca, portanto) requisitos mínimos que anseio numa eventual namorada minha...

1]
Gostar de comer sardinha assada com pimentos verdes, com a mão, duas vezes por ano e não protestar por causa do cheiro com que se fica mesmo depois de tomar banho.
2] Gostar de Arroz de Polvo com tomate bem picante.
3] Gostar de polvo em geral.
4] Não gostar de telenovelas nem de televisão em geral a não ser de filmes tirados da internet, comprados em promoção na Fnac ou Media Markt ou alugados no clube de vídeo.
5] Não ir ao mac Donalds
6] Conseguir preencher um totoloto inteiro com as cruzinhas inteiramente dentro das quadrículas e não se gabar durante três dias por isso.
7] Comer marisco com a mão (também pode ser com o pé)
8] Gostar do quadro "o menino que chora".
9] Não escrever um verbo no pretérito perfeito do indicativo com hífen. Por exemplo, escrever sempre tiveste em vez de tives-te.
10] Conseguir ouvir a música do José Cid "Romântico Mas Não Trôpego", pelo menos três vezes por dia num mínimo de dezoito dias por mês em onze meses por ano (o mês de férias não é necessário)
11] Ter vontade de ir a Oslo mas nunca lá ir.
12] Não se importar de ter livros marcados numa página ao lado da sanita.
13] Saber quem é o Sandokan.
14] Na praia, não sacudir a toalha cheia de areia para cima dos outros.
15] Gostar de vinho tinto, uísque bushmills, cerveja de pressão, sumol de laranja e chá de algas.
16] Nunca ter votado no PS ou no PSD. No Cds-Pp pode ser porque gosto de pessoas loucas.
17] Conseguir tocar com a ponta do dedo indicador esquerdo na ponta do indicador direito atrás das costas.
18] Rir com o vídeo dos Gato Fedorento chamado "Da Cintura Para Cima": http://www.youtube.com/watch?v=BfF0QGYx0R4
19] Não acreditar que o Barak Obama vai salvar o mundo.
20] Ter um projecto de vida conjunto em que se poupa moedas num porquinho para um dia mais tarde fazer uma viagem a Palau, na Micronésia. Nessa viagem ter pelo menos uma discussão do tipo marido/mulher sobre o restaurante a escolher numa sexta-feira à noite.
21] Nao matar mosquitos directamente na parede, de forma a que o sangue fique lá durante meses.
22] Saber fazer caipirinhas (as minhas saem sempre mal)
23] Saber gravar cd's e dvd's (eu já não aguento mais gravar coisas para terceiros)
24] Não se chatear quando o parceiro não repara que foi ao cabeleireiro.
25] Se for loira não pintar as raízes dos cabelos de preto.
26] Se for preta não pintar o cabelo de loiro.
27] Se for morena não pintar o cabelo de vermelho.
28] Não gostar do Cristiano Ronaldo.
29] Não ser do Benfica.
30] Não roubar sacos de plástico nos supermercados.
31] Não usar meias brancas com raquetes.
32] Ao Domingo não ficar deprimida (nos outros dias pode mas ao Domingo não porque fico eu)
33] Nunca ter usado uma pulseira Tucson's nem ter tirado uma fotografia ao lado do António Sala.
34] Não ouvir Guns And Roses
35] Não limpar a parte interior dos dedos dos pés com os dedos das mãos enquanto está a jogar Civilzation IV
36] Gostar de jogar Civilization IV.
37] Não ter lido livros de auto-ajuda.
38] Não praticar Reiki nem acreditar que pode tirar as dores de cabeça a uma pessoa através da meditação.
39] Não se importar que o parceiro, num acto de desespero, vá a Sortelha comprar figos.
40] Não ter gatos nem cães.
41] Não contar piadas racistas.
42] Não andar sempre a fazer dietas nem achar que está horrivelmente gorda todos os dias.
43] Não ter uma tatuagem que seja uma letra chinesa que quer dizer uma palermice qualquer.
44] Não comprar telemóveis a não ser quando precisa mesmo.
45] Se for divorciada, não me obrigar a ver filmes dos seus casamentos anteriores.
46] Não comprar prendas no Natal
47] Não gritar "bate-me, bate-me, bate-me" durante o acto sexual.
48] Nunca meter o parceiro em programas de televisão tipo "O Momento da Verdade"
49] Gostar de dormir treze horas seguidas.
50] Ser ateia.

11.07.2008

conversa 1052

Eu (assoo-me)
Ela - Não tens lenços de papel?
Eu - Não. Tenho guardanapos de cozinha.
Ela - É mesmo coisa de homem.
Eu - Um guardanapo de cozinha é a mesma coisa que um lenço de papel.
Ela - Não é nada.
Eu - É, é.
Ela - Não é nada.
Eu - Qual é a diferença?
Ela - Um lenço de papel é para te assoares, um guardanapo é para limpares a boca durante as refeições.

uma luta

Chegou a cadeira para trás levantando-a milimetricamente do chão para não fazer barulho. Depois sentou-se com a mesma brandura com que as estrelas dos mar se agarram às rochas. Silenciosa mas decididamente. Aliás, nela tudo era silêncio, e de repente pareceu-me haver uma conspiração das coisas dela para que se criasse o silêncio absoluto. O isqueiro não fez barulho quando lhe acendeu o cigarro, nem as chaves que pousou em cima da mesa, nem o porta-moedas que abriu e fechou duas vezes. Nessa ausência de ruído todos os meus movimentos se tornaram tempestades. O copo de uísque ao pousar na mesa, a minha cadeira que chiava e até o meu nariz ainda levemente constipado.
Era a luta do silêncio contra o ruído, uma luta que surge sempre quando as pessoas se tornam incompatíveis mas ainda não se aperceberam disso. Era também sábado de tarde e tínhamos o dia pela frente. Disse-lhe que precisava de ir tratar dum assunto e que talvez lhe ligasse à noite. Ela abanou afirmativamente a cabeça novamente sem qualquer som. Eu deixei as moedas para os cafés em cima da mesa e afastei-me. Não tinha assunto nenhum para tratar e ela sabia disso. Acho que foi um alívio para ambos.

11.06.2008

a mamani passará



Hoje é noite de Couscous Prosjekt no melhor bar do mundo. A propósito, a Mamani keita também vai passar por lá...

conversa 1051

Ela - Temos que nos decidir a deixar de só falar, só falar, só falar...
Eu - Quem? Eu e tu?
Ela - Não sejas simplório. A humanidade, estou a falar da humanidade...
Eu - Ok, até pensei nisso, mas como não acho que a humanidade se limite a falar...
Ela - Mas aquilo que fizermos hoje ecoa para toda a eternidade... é onde quero chegar.
Eu - Isso quer dizer que vamos dormir juntos ou não?
Ela - Não... sei lá. Não, não vamos.
Eu - Só falas, só falas, só falas...

o poder político na ponta da espingarda

Este cartaz chinês de 1973 mostra duas mulheres soldado empunhando as armas duma forma ofensiva. A mulher é uma presença constante nas campanhas de estado do período maoísta, mas é interessante ver como até à Revolução Cultural Chinesa do fim dos anos sessenta aparece quase sempre como trabalhadora e só depois começa a aparecer como militar. Iniciada pela Guarda Vermelha, a Revolução Cultural Chinesa fortaleceu Mao Tse Tung e afastou os revisionistas do poder. Mao investiu então ainda mais neste tipo de divulgação gráfica do que para si devia ser o socialismo. Este cartaz é assim próprio de quem achava que o poder político está na ponta da espingarda.
Quem gostar destas coisas (eu gosto) pode ver montes de cartazes maoístas aqui...

conversa 1050

Ela - Antes de ti, só uma vez é que fui conhecer pessoalmente um gajo que já conhecia da net...
Eu - E então?
Ela - Foi horrível. Foi uma decepção. O gajo era giro mas era burro... mesmo burro.
Eu - Mas... espera aí. Eu também te conheci primeiro na internet. Não fui uma decepção?
Ela - Não foste uma decepção, não, mas de ti também não esperava grande coisa...

conversa 1049

Ela - Estás cheio de ramela nos olhos.
Eu - Eu sei. Estou gripado e dormi mal. É por isso.
Ela - Não é nada por isso. É porque não lavaste a cara. Por causa da gripe estás é todo fanhoso também...

e para acabar de vez com a cultura...

E também porque está quase, quase... aproveito para dizer que este blogue vai dar um livro. Aliás, o livro mais importante de sempre em Portugal desde a publicação do livro de leitura da terceira classe em 1958.
Depois disto, para arranjar uma namorada, terei provavelmente que emigrar para Aruba (onde por acaso até há montes de mulheres bonitas) ou para uma ilha qualquer da Micronésia.
O livro, embora desenhadas, tem gajas boas e incompreensíveis na capa, e fará parte da colecção Alta Tensão da Ulisseia.
É um livro a brincar e a sério ao mesmo tempo, como todas as deliciosas incompreensões que vamos tendo na vida. E como isto se deve a vocês, que passam por aqui todos os dias e me vão dando ânimo para escrever, o meu obrigado. Mas não é um obrigado daqueles moles tipo quando nos deixam passar à frente na fila do supermercado. É mesmo um obrigado daqueles grandes. Oportunamente darei mais informações...

11.05.2008

Omer Goldman Granot

O jornal Público publica hoje uma reportagem sobre Omer Goldman, uma mulher israelita de 19 anos que se recusa a integrar as Forças de Defesa de Israel apesar do seu pai ter sido o número dois da Mossad. Por causa disso está presa. Diz que ficará muito feliz se lhe escreverem. Eu vou fazê-lo... não para a elogiar mas para lhe agradecer. A morada está no fim. Não imaginam a admiração que eu tenho por ela...

O meu pai é Natalin Granot, um especialista em Irão que se demitiu de “número dois” da Mossad, em 2007, quando não o promoveram a chefe da principal agência de espionagem de Israel. Eu, Omer Goldman, 19 anos, sou uma pacifista e, hoje, regresso à prisão nº 400, numa base militar próxima de Telavive. Recuso-me a servir num exército que comete, todos os dias, crimes de guerra nos territórios palestinianos ocupados. Fui recrutada para o serviço militar obrigatório aos 18 anos, mas já no liceu eu decidira que não queria ir para a tropa. Assim que deixei a escola, e antes de me inscrever na faculdade, dei aulas a crianças pobres num bairro de judeus etíopes. Quando me chamaram, entreguei uma declaração aos oficiais onde afirmava: “Recuso alistar-me nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Não farei parte deste exército que, desnecessariamente, pratica actos de violência e viola os mais básicos direitos humanos.” No dia 23 de Setembro, sem ter sido julgada, fui cumprir 21 dias de detenção. Fui libertada a 10 de Outubro, mas voltei para um segundo período, desta vez apenas de 14 dias, porque fiquei doente. Saí novamente em liberdade, na sexta-feira, dia 30 de Outubro. Estes ciclos irão repetir-se até que o exército se canse, porque eu não vou desistir.

Omer Granot
Military ID 5398532
Military Prison nº 400
Military Postal Code 02447, IDF
Israel

pensamentos catatónicos (153)

Há duas formas de dar a mão a uma mulher. Uma em que nos aproximamos dela, outra em que a tentamos aprisionar. Às vezes é possível perceber de que forma um casal que não conhecemos de lado nenhum está a dar as mãos...

lembro-me dela no Inverno

Lembro-me dela no Inverno. Logo pela manhã, aquecíamos os dedos nas chávenas escaldadas do café e raramente nos cumprimentávamos. Uma vez perguntámo-nos porquê. Eu disse-lhe que gostava dela, e que por isso precisava que fosse ela a primeira a dizer-me bom dia ou outra coisa qualquer. Ela sorriu. Foi assim que descobrimos que gostávamos um do outro.
Lembro-me dela no Inverno. Nessa manhã virámos à esquerda em vez de virarmos à direita. Não fomos às aulas. Esquadrinhámos uma avenida onde acabara de chover, desviando-nos dos pingos que caíam da ponta das varetas dos guarda-chuvas ainda abertos e molhados. Aproveitei esse jogo para lhe dar a mão. Talvez o fim da chuva fosse também o fim do choro ansioso de dois adolescentes. E foi.
Lembro-me dela no Inverno. Espremíamos dos dias a descomunal sensatez de sorrir a todas as horas e todos os minutos. E foi assim, a sorrir, que a vi passar do lado de fora dum café onde só eu aquecia os dedos de manhã. Acho que não a via há vinte anos. Corri para a porta e chamei-a. Ela ia acompanhada, de braço dado a um homem que olhou para mim e depois para o chão. Disse-me adeus e os dois afastaram-se. Ela ainda olhou para trás, uma e outra vez antes de dobrar a esquina.

conversa 1048

(no meu carro, em frente a casa dela, às quatro da manhã)

Ela - Ei... não acredito. Esqueci-me das chaves de casa.
Eu - Dormes em minha casa. Não há problema.
Ela - Não. Para isso durmo na dos meu pais.
Eu - Pronto, ok. Eu levo-te lá, então.
Ela - Espera... mas eu não posso acordar os meu pais a esta hora.
Eu - Então... não percebo.
Ela - O meu pai levanta-se às sete. Podemos fazer tempo.
Eu - Eu não vou fazer tempo nenhum... vou para casa. Se quiseres vir podes vir.
Ela - Não sei.
Eu - Tens medo de mim?
Ela - Não, medo não tenho.
Eu - E se eu te disser assim? Podes dormir em minha casa que eu tenho uma cama a mais.
Ela - Pronto, está bem...

conversa 1047

Ela - Gastei demasiado tempo com ele. Foi muita energia gasta num amor que não deu nada...
Eu - Pois... percebo.
Ela - Foi pena não ter investido em ti, por exemplo.
Eu - Não foi pena. Gostavas dele por isso é natural que te tenhas dedicado a ele e não a mim ou a outra pessoa.
Ela - Sim... mas tu sempre tens um arzinho mais fácil.

11.04.2008

poliamor, the final cut

A propósito deste pequeno post sobre o poliamor, a Ana, responsável pela divulgação do movimento no nosso país, passou por aqui e deixou este e este link com mais informação. Obrigado Ana

conversa 1046

Ela - Um dias destes vou à casa da mulher do meu marido e ponho os pontos nos is...
Eu - A casa da mulher do teu marido?
Ela - Sim.
Eu - Ah!
Ela - Porquê? Não percebeste?
Eu - Percebi tudo, percebi tudo...

alguma raiva em silêncio

Hoje vi um homem a dizer à mulher, cheio de orgulho e com um ar triunfante: o senhor está à espera, se fosse lá em casa levavas já duas lambadas. O senhor era eu, que estava mesmo atrás deles à espera que ela escolhesse um pastel na pastelaria Bom Gosto, em Aveiro. Ela estava indecisa e por isso demorou um pouco mais do que o normal. Do lado de lá do balcão, a empregada olhou para ele zangada. Reparei que engoliu alguma raiva em silêncio. Eu disse-lhe para não se preocupar, que eu costumo demorar muito mais tempo a escolher um pastel. Mesmo muito mais tempo... insisti. Depois também engoli alguma raiva em silêncio.
Sentei-me a tomar o pequeno-almoço enquanto lia o jornal. Durante cerca de vinte minutos ela não disse uma única palavra. Só ele é que falou e sempre para a humilhar em público. Estão fartos um do outro e o gajo é um parvalhão. Gostava que ele lesse isto mas não o vai fazer quase de certeza, mas gostava que ele lesse que é um parvalhão. Eu também sou... que não me devia limitar a engolir alguma raiva em silêncio.

às vezes tenho saudades de alguns pequenos momentos da minha vida...

Há pequenas coisas que nos acontecem no dia-a-dia que desenterram memórias escavadas no fundo da memória. Às vezes tenho saudades de alguns pequenos momentos da minha vida...

1] Estava a fazer a barba e cortei-me. Foi um golpe grande e o sangue pintalgou imediatamente o lavatório. Embebi um bocado de papel higiénico em água oxigenada e colei-o à face para estancar o sangue. Foi o meu avô paterno que me ensinou a fazer isto, há cerca de 25 anos atrás.

2] Estrelei um ovo para o almoço. Deixei alguns pedaços de casca caírem na frigideira. Uma das primeiras vezes que cozinhei com a minha ex-companheira aconteceu-me exactamente o mesmo. Nesse dia, há dezanove anos, ela pegou num garfo e retirou delicadamente pedaço a pedaço enquanto o ovo estrelava. Hoje fui eu que fiz isso.

3] De manhã estava com pressa a atar os atacadores dos sapatos e um deles partiu-se. Para não perder muito tempo, dei um nó entre ambas as partes e acabei de me calçar. A primeira vez que dormi na casa da minha primeira namorada, há vinte e um anos, num fim de semana em que os pais dela estavam fora, aconteceu-me exactamente o mesmo.

conversa 1045

(ao telefone)

Ela - Passa-se alguma coisa?
Eu - Alguma coisa como?
Ela - Achei estranho não me telefonares durante tanto tempo...
Eu - É verdade que tenho andado ocupado, sim. meto-me em tudo e depois não tenho tempo para nada... mas tu sabes muito bem que me podes telefonar sempre que quiseres...
Ela - Ah! Habituei-me a que fosses tu a telefonar.

pela boca morre o peixe

Um desses palermas de extrema-direita, fundador do PNR em Sintra, explorava 30 mulheres em quatro bordéis em Lisboa, com a ajuda de duas imigrantes ilegais que vigiavam os horários das prostitutas. [link]

5 dias, 5 canções

Esta semana, no blogue som com fartura, as cinco canções dos cinco dias da semana são escolhidas por mim. Agradeço ao sobrevivente a lembrança.

11.03.2008

aprendizagem a espaços

Quando estamos sem uma relação assumida durante anos vamos aprendendo a viver sozinhos. Com o tempo já sabemos como controlar os dias. Sabemos, por exemplo, quando devemos sair e estar com pessoas e sabemos quando devemos ficar em casa a ouvir música ou ler um livro. É como se houvesse alguns espaços por preencher e nós nos habituássemos a preencher sempre os espaços certos, estando com este amigo ou com o outro, indo a este bar ou ao cinema...
Quando iniciamos uma relação o processo de aprendizagem é sempre mais difícil, principalmente porque os espaços que temos para ocupar já não estão sempre disponíveis. Além disso há alguém que nos diz para ocupar este espaço em vez daquele. Nós acabamos por fazer o mesmo.
Gostava de encontrar alguém com quem não tivesse que passar por esta fase de aprendizagem a espaços... mas não acho possível.

conversa 1044

Ela - Tu não és bonito nem feio...
Eu - Tu és bonita. A sério que sim... só andas um bocadinho... alterada.
Ela - O que mais me atrai em ti são os teu braços...
Eu - Os braços?
Ela - Sim, são grandes. Tens um abraço grande... e...
Eu - E o quê?
Ela - E mais não sei... mas se continuamos a beber esta garrafa de Bushmills até ao fim já não é hoje que vou saber.
Eu - Tarde demais. A garrafa já chegou mesmo ao fim.
Ela - O quê? Bebemos uma garrafa de uísque inteira?
Eu - Sim... quer dizer, para ser sincero acho que tu bebeste dois terços...
Ela - E agora?
Eu - Agora não há mais...

conversa 1043

Ela - As últimas vezes que fui para a cama com o meu ex-marido já não era com ele que eu ia...
Eu - Era com quem?
Ela - Era contigo...
Eu - Tem piada. Nunca senti nada...
Ela - Pois não. Não sentiste porque já te disse que és uma espécie de invisual no amor...
Eu - Até posso ser invisual no amor, mas quando vou para a cama com uma mulher costumo saber com quem vou...
Ela - Oh! Fode-te!

conversa 1042

Ela - Acho que o nosso coração é uma espécie de olho invisível...
Eu - Olho invisível?
Ela - Sim... é ele que vê por quem nos devemos ou não apaixonar.
Eu - Ah! é gira, essa ideia.
Ela - Claro que também nesse olho invisível há gajos que são invisuais. Tu por exemplo... só te apaixonas por quem não deves.

coisas que fascinam (74)

Rapid Eye Movement é uma fase do sono em que os olhos se movem bastante. É nesta fase, também conhecida por REM (que deu origem ao nome da banda de Michael Stipe) que sonhamos mais.
Quando somos meros transeuntes numa cidade, os nossos olhos também se movem bastante, só que para se desviarem dos olhares dos outros. Não nos apercebemos disso mas, durante um dia, somos capazes de tocar com os nossos olhos o olhar dos outros talvez centenas de vezes. Estava a perguntar a mim mesmo se não será durante esse REM que mais sonhamos também, só que acordados. Até que um dia o olhar não se desvie.

PSD

1] O PNR já abordou o PSD para uma eventual transferência da sua ponta de lança, Manuela Ferreira Leite, depois das suas declarações sobre o investimento público em Portugal que, segundo a mesma, só combatem o desemprego na Ucrânia e em Cabo Verde. Segundo o que este blogue apurou, o valor do passe está baixíssimo... provavelmente devido à falta de pontaria que a jogadora tem revelado nos últimos tempos, falhando por exemplo um golo de baliza aberta quando defendeu o sexo para procriar...

2] Com uma ajuda do governo, finalmente descobri a razão de ser deste cartaz do PSD nos anos 70. Durante anos e anos nunca percebi de que homem é que o partido falava. Agora já sei: O homem é o Cadilhe, que foi ganhar um salário milionário para o BPN que agora vai ser.... nacionalizado devido a perdas acumuladas que rondam os 700 milhões de euros. Claro que se continua a privatizar tudo o que dá lucro e a nacionalizar tudo o que dá prejuízo.

11.02.2008

conversa 1041

Ela - Olá!
Eu - Olá!
Ela - Eu sei quem és...
Eu - Ainda bem, porque eu não sei muito bem quem sou.
Ela - Conheci-te uma vez no liceu de Esgueira.
Eu - Eu andei sempre na Escola Comercial...
Ela - Mas foste uma vez com o ******* ao liceu de Esgueira...
Eu - Ei... Tinha aí uns dezassete anos, ou seja, isso foi há vinte anos.
Ela - Pois foi. Estás farto de passar por mim e nem me cumprimentas...
Eu - E tu por mim...

o homem como vítima da publicidade



O teu uísque tem um grande corpo e um bom carácter, gostava de poder dizer o mesmo da minha namorada. Foi com esta frase que a Maker's Mark tentou vender o seu produto o ano passado. À primeira vista pode parecer que a mulher é a única vítima desta publicidade imbecil, mas não é. O que se passa aqui é que a mulher é atirada para um canto do esgoto e o homem... para outro. No canto dela, ela está totalmente sujeita à vontade e arbítrio do homem. No canto dele, a afirmação da sua masculinidade passa apenas pelo consumo de álcool. Apetece-me apenas propor que ninguém beba Maker's Mark. Nem homens nem mulheres...

há vinte anos

Uma mulher bonita veio falar comigo esta noite, na discoteca Axé Moi, e disse-me que me conhecia. Puxei pela memória e.... sim, conheci-a há vinte anos. Agora, como estou com uma crise existencial, vou dormir.

telemóvel

Esta noite entraram no meu carro e roubaram-me, entre outras coisas, o telemóvel. Isto quer dizer que neste momento não tenho o número de ninguém. Peço por favor, a quem fazia parte da minha lista de contactos, que me mande o número para o email bagacoamarelo@gmail.com . Esta semana compro um telemóvel novo e logo digo qual o meu número...

11.01.2008

conversa 1040

Ela - Ontem estavas com um miúda muito gira...
Eu - Quem?
Ela - Aquela, na loja onde te encontrei...
Eu - Ah! Pois estava. Não a conheço. Era a empregada. Estava a ajudar-me a encontrar uma camisola para o meu tamanho...

amanhecer

Dormi profundamente em metade da cama. Acordo e estico o braço direito naquilo que posso considerar o primeiro gesto do dia. O lençol da outra metade está frio. Podia pensar em qualquer coisa a partir daí mas não... os pensamentos chegam sempre depois dos gestos.

Ela dormiu no sofá, apesar da minha morna insistência em não o fazer. Acordou antes de mim e arrumou dois dias de cozinha. Copos de dois dias, pratos de dois dias, talheres de dois dias. Depois fez um chá que agora me traz ao quarto. Pousa-o na mesa de cabeceira e toca-me silenciosamente no corpo para que eu acorde. Gosto do toque. Também ela sabe que os gestos nascem antes dos pensamentos.

Não costumo dormir em metade da cama. Costumo adormecer na diagonal ocupando-a toda. Se hoje o fiz foi porque o meu subconsciente pensou que ela vinha deitar-se ao meu lado quando interrompesse a leitura do livro que tirou da minha estante. Por isso é que lhe disse "até já" quando a deixei no sofá ontem à noite. Até já, respondeu ela. Depois não veio.

Ela entra na casa de banho quando eu já estou no chuveiro. Pelo cortinado de plástico vejo-a sem ela me ver a mim. Sou um voyeur sem vergonha nesta altura. Ela lava os dentes e penteia-se em silêncio. Depois despede-se tocando com a mão no cortinado que, tal como eu, treme. Que logo à noite me telefona, diz. E sai.

10.31.2008

conversa 1039

Ela - Posso dormir no teu sofá este fim de semana?
Eu - Podes.
Ela - Foi onde dormi melhor nos últimos tempos. Foi no teu sofá enquanto tu trabalhavas no computador a noite toda...
Eu - Eu lembro-me. Então se eu não estiver a trabalhar no computador ainda dormes melhor.
Ela - Não... durmo melhor se estiveres no computador...
Eu - Não me vais pedir para ficar no computador a noite toda, pois não?
Ela - Vou... Quer dizer, ia.

conversa 1038

Ela - Tenho que te dizer uma coisa.
Ela - Eu não estou apaixonada por ti mas também não quero que ninguém se apaixone. Nem que tu te apaixones por ninguém. Pronto, já disse. Estava aqui atravessado.
Eu - Mas porquê?
Ela - Não quero e pronto. Vê lá o que fazes... quero que isto continue sempre assim entre nós os dois.
Eu - Em part-time?
Ela - Chama-lhe o que quiseres.
Eu - Mas vai acontecer com um de nós, mais cedo ou mais tarde.
Ela - Então tem que ser comigo primeiro. Deixa-me arranjar um gajo qualquer e depois já podes.

conversa 1037

Ela - É verdade que és anósmico?
Eu - Sim... não na totalidade mas sou um bocado, sim...
Ela - Eu tenho uma amiga que não consegue arranjar namorado porque tem um problema hormonal e cheira muito mal...
Eu - Esquece.
Ela - Esquece porquê? Se tu não cheiras...
Eu - Mas não vou andar com uma mulher que cheira mal só por isso, não é?
Ela - Não é só por isso...
Eu - É porquê?
Ela - Tu às vezes também precisas dum banho...
Eu - Eu tomo banho todos os dias já por causa disso...
Ela - Então passa a tomar dois.

trois

1] Aveiro na cultura popular... mais propriamente numa música dos trabalhadores do comércio. [link ]
2] De vez em quando lá se compreende mais ou menos uma mulher por um dia ou dois. [link]
3] A ssrighid é minha amiga e, sem medos, criou uma etiqueta chamada conversas à moda do blog do Ivar. [link]

conversa 1036

(no carro, com o rádio ligado)

Ela - Podes pôr outra vez aquela música?
Eu - Que música?
Ela - Esta que acabou de tocar.
Eu - Não posso. É rádio...
Ela - E sabes que música é? Assim podias tirá-la da net...
Eu - Ia distraído. Nem ouvi.
Ela - É o costume. Quando é importante prestares atenção nunca prestas.

10.30.2008

conversa 1035

Ela - As mulheres e os homens nunca serão iguais.
Eu - Nunca serão iguais como?
Ela - Às mulheres que pretendem igualdade com os homens, falta-lhes ambição.

um bushmills a meio da tarde

1] Está frio. Entro num café porque preciso beber um bushmills com gelo. É um café qualquer, resignado a uma posição secundária numa estrada nacional.

2] Gosto da maneira como a empregada sorri, juntando os lábios tímidos um no outro. Parece tão afectiva assim. Tento ser simpático mas a voz sai-me monocórdica e forte. Um bushmills com gelo, por favor.

3] Na mesa ao lado da minha, uma mulher já bebeu um chá e já comeu uma torrada. Agora pousou o queixo numa das mãos em forma de concha e olha lá para fora como se esperasse alguém.

4] Numa mesa do canto quatro homens jogam às cartas como se essa fosse a melhor forma de esperar pela Morte, desafiando-a com um jogo insípido qualquer. Olho lá para fora pela janela pontilhada pelos pingos da chuva. A Morte não está a chegar. Nem alguém.

5] A empregada põe o bushmills na mesa. Não tem gelo mas eu não protesto. Bebo-o mesmo assim. É um forma de compensar a minha voz grossa de há pouco. Tenho dois telefonemas não atendidos no telemóvel. Um de um número desconhecido, outro duma amiga de quem me apetece ouvir a voz. Só me apetece ouvir a voz dela porque está frio. Há mulheres frias e mulheres quentes. Esta é quente. Os homens são sempre mornos.

6] Não é a morte mas é quase. Uma família romena com duas crianças entra no café e estende a mão a todos. O homem estende-a aos jogadores de cartas, a mulher estende-a a mim, uma criança estende-a à mulher ao meu lado e outra criança, empoleirada no balcão, estende-a à empregada dos lábios juntos. São mãos que pedem mais uns minutos de vida. É curioso como a Quase Morte pode pedir vida, penso.

7] Tenho dúvidas se estou a beber um uísque ou se é o uísque que me está a beber a mim.

8] Os jogadores de cartas nem olham para o homem que lhes estende a mão. É natural. Esperam a morte e aquele homem é só a Quase Morte. Ainda respira e tudo. Que decepção.

9] Não gosto que me estendam a mão. Não é que me zangue, mas fico sempre decepcionado com o mundo quando alguém me estende a mão. De resto até percebo. Somos todos iguais e todos nos ajoelhamos perante a Fome. Perante a Morte não, perante a Fome sim.

10] A mulher ao meu lado oferece-se para pagar o lanche "aos meninos". Aproveito e ofereço-me para pagar a meias mas a todos. Depois duma conversa com a empregada, que entretanto já não parece tão afectiva, fica combinado. Eles sentam-se numa mesa perto dos homens que jogam às cartas.

11] É giro ver quatro homens à espera da Morte ao lado duma família que mendiga Vida. Melhor ainda, não é giro. É só esclarecedor. Neste momento estou zangado. Só não sei com quem. Com todos, acho eu.

12] Vou pagar e sair. Pergunto quanto é o bushmills e metade do lanche. Olho bem para os lábios dela. Desta vez não se juntaram da mesma forma. É bonita. Saio.

conversa 1034

(ao telefone)

Ela - Liga-te ao messenger que eu preciso falar contigo.
Eu - Estou sem computador. Só lá para o fim da tarde é que devo conseguir ligar-me.
Ela - Ok, então eu espero.
Eu - Mas se tens alguma coisa para me dizer, diz-me agora.
Ela - Não. Tem que ser pelo messenger.

pensamentos catatónicos (152)

O carregador do meu portátil deixou de funcionar. É um computador velhinho mas eu tenho a mania de usar as coisas até ao fim, por isso esperei até ter tempo para cortar o cabo de alimentação na zona visivelmente estragada e comprei um "ligador". Resolvi a coisa com menos de um euro mas fiquei sem internet até agora.
Há bocado sentei-me na mesa dum café e também eu me senti sem energia. Pensei na palavra "ligador" várias vezes. Acho que estou ligado a muitas pessoas e ao mesmo tempo a ninguém. Talvez me deva ligar também, a ver se me uso até ao fim. Talvez, sei lá...

10.29.2008

conversa 1033

Ela - Quero deixar de fumar mas quanto mais insegura estou mais fumo...
Eu - Devias pelo menos fumar tabaco de enrolar... fumavas menos e não faz tão mal.
Ela - Achas que eu tenho vida para andar a enrolar cigarros?
Eu - Acho.
Ela - Estás a ver? Vou fumar mais um. Achas que a minha vida é fácil, não é?
Eu - Eu não disse isso. Disse que achava que podias enrolar um cigarro de vez em quando.
Ela - Disseste, disseste...

o fim começou

Em conversas de homens diz-se de vez em quando que o melhor é um tipo envolver-se com uma mulher casada. Que uma mulher casada, dum amante, só quer a parte boa porque chatices já as tem em casa. Bem... esta teoria é uma tanga. Provavelmente nos homens também.
Em casa parece que está tudo bem. O filho já se habitou a discussões por tudo e por nada, já se habituou a que o pai saia de casa batendo a porta com mais força do que o habitual, já se habituou a que a mãe se feche alguns minutos na casa de banho enquanto ele vê televisão ou joga Playstation.
Na casa de banho ela limpa as lágrimas, mas as lágrimas não caem por causa de mais esta zanga. Caem porque ela tem raiva de não ter coragem de acabar com o inferno onde vive. Perdeu o controle de tudo, incluindo da própria vida, e por isso o amante é a única coisa que ela acha que ainda pode controlar. As mensagens de telemóvel que lhe vai mandar a seguir não são a dizer que gosta dele. São picantes, como se assim pudessem funcionar como um anzol, e chegam sempre com uma ordem qualquer, tipo "não te quero com mais gajas" ou "vê lá o que andas a fazer na minha ausência".
O marido dela pode estar a embebedar-se enquanto vê um jogo de futebol no café, pode estar no cinema ou até numa casa de putas. Já não interessa. O fim começou.

a proximidade

Às vezes, por um momento, é possível amar a mulher que não conhecemos e com quem nunca falámos. Aquela com quem nos cruzamos timidamente no elevador do centro comercial, aquela que depois passa as nossas compras pelo leitor de códigos de barras, aquela que está à nossa frente na fila para a caixa multibanco. É possível amar a mulher que atravessa a passadeira na direcção oposta à nossa ou a mulher que se senta ao nosso lado no comboio. São amores que não o chegam a ser, mas que cumprem aquilo que amores que já o foram não cumprem mais: a proximidade.

conversa 1032

Ela - O meu filho acha que eu e tu devíamos ser namorados.
Eu - E explicou-te porquê?
Ela - Assim, assim. Não explicou tudo mas disse-me que lhe prometeste que um dia destes iam para a lixeira da Taboeira com uma caçadeira matar ratazanas...
Eu - Não...
Ela - Foi ele que inventou essa história?
Eu - Não, pronto. Prometi-lhe porque estávamos a jogar computador...
Ela - Olha que eu não preciso de mais nenhum filho, pá. Principalmente dum quase com quarenta anos. Vê lá se atinas...

mulheres que eu gostava de poder não compreender (74)



nome: Somi
origem: EUA/Ruanda
info: Nasceu no estado de Illinois mas é de origem ruandesa. Podem conhecê-la melhor na página pessoal. Não me apetece dizer mais nada sobre ela a não ser que... aqueles olhos dão cabo de mim, pá.

conversa 1031

Ela - Estive a pensar no que se passou entre nós.
Eu - Pensaste mais no que se passou ou mais no que não se passou?
Ela - Pensei que ainda não estamos preparados para nada. É a verdade.
Eu - Nem estamos nem vamos estar. Já percebi que se um de nós começar uma relação entretanto vai sempre ser um processo doloroso. Gostamos demasiado de estar sozinhos.
Ela - E agora?
Eu - Agora vamos combinar um jantar esta semana... com bacalhau assado, se possível.
Ela - Boa ideia.

a cerveja é uma bebida de homens?



A cerveja alemã St. Pauli Girl, como o próprio nome indica, sustenta a sua imagem de marca numa mulher. Quem dá corpo a essa personagem é uma mulher real, conforme podem ver na página oficial. Chama-se Irina Voronina e nasceu na Rússia.
Neste cartaz a Irina é apresentada não como uma mulher mas sim como uma garrafa de cerveja. Para além de transmitir a ideia errada de que a cerveja é uma bebida de homens, o que é que se faz a uma garrafa de cerveja depois de consumida? Põe-se fora... Pois é.

10.28.2008

respostas a perguntas inexistentes (46)

O tempo é estúpido. Engoliu-a e não disse nada. Só quando ele reparou que ela não ia telefonar como das outras vezes em que eles se tinham zangado é que percebeu isso: o tempo tinha-a engolido. Sentiu-se triste e aliviado ao mesmo tempo, o que não deixou de lhe fazer confusão. Tinha saudades da boca dela.

conversa 1030

Ela - Conheces alguma mulher tão bonita que não és capaz de pensar em mais nenhuma?
Eu - Conheço... umas dez.
Ela - Umas dez não pode ser. Tem que ser uma que te faça não pensar em mais nenhuma.
Eu - Sim, umas dez, já te disse. Quando estou a olhar para uma delas não penso em mais nenhuma
Ela - Não és nada romântico.
Eu - Tu é que achas que uma gaja ser bonita é condição sine qua non para não pensar em mais nenhuma. Não é.
Ela - Então o que é que te faz não pensar em mais ninguém?
Eu - Sei lá. A ti basta-te conheceres um gajo muito giro que já não pensas em mais ninguém?
Ela - Sim, pelo menos no momento em que estou a olhar para ele.
Eu - Isso foi o que eu disse.

conversa 1029

(ao telefone)

Eu - Olá! Então?
Ela - Então, está tudo bem?
Eu - Está, e contigo?
Ela - Também. Estou a telefonar porque vou sozinha na rua e, a esta hora da noite, preciso ir a falar com alguém...

conversa 1028

(ao telefone)

Ela - Epá... sempre achei que o amor era o único remédio para as minhas depressões.
Eu - E agora, já não achas?
Ela - Acho... mas agora não tenho conseguido o remédio.
Eu - Deixa lá, eu começo a achar que o amor, mais tarde ou mais cedo, é a melhor forma de ficar com uma depressão.
Ela - Pois, como todos os remédios deve-se tomar nas quantidades certas. Nem mais nem menos.
Eu - E como é que sabes qual é a quantidade certa?
Ela - Olha... o melhor é ficarmos pelo sexo.

miss América

Toda a gente goza com o concurso Miss América por causa das barbaridades que as concorrentes dizem mas, em abono da verdade, a única coisa que distingue o concurso Miss América das eleições presidenciais americanas é que os concorrentes às presidenciais são... homens.
Eu cá prefiro ver a Miss América.

enquanto não encontra um real man



Esta rapariga acha que deve fumar um cigarro Winston enquanto não encontra um homem a sério. Se eu fosse a ela tinha cuidado, não vá morrer com cancro da boca ou do pulmão antes de encontrar o que procura. Eu não fumo nem nunca fumei, mas se fumasse tenho a certeza que depois de ver esta publicidade nunca mais comprava Winston...
Entretanto... fico a pensar o que é que raio a miúda vai fumar quando encontrar o tal homem...

10.27.2008

conversa 1027

Ela - Se fosses mais adulto em algumas coisas, eras de certeza um bom companheiro para qualquer mulher. Mas assim...
Eu - Mais adulto como?
Ela - Mais adulto. Se não te transformasses de vez em quando numa criancinha. Estou em tua casa e tu interrompes uma conversa para ir jogar não sei o quê...
Eu - Ah! Isso é o Travian. Foi só um minuto. Tinha que fazer um ataque a outra aldeia porque faço parte duma aliança...
Ela - É isso que eu quero dizer.
Eu - Mas nem um minuto foi...
Ela - Não interessa. Chateaste-me.

pensamentos catatónicos (151)

Às vezes, quando ligo o motor do automóvel segunda-feira de manhã e ele não começa a trabalhar à primeira nem à segunda tentativa, fico com a sensação que ele também sabe que é segunda-feira de manhã. É como se ele soubesse que andar a levar-me de casa para o trabalho e do trabalho para casa, não é a mesma coisa que me levar a dar uma volta ao fim de semana. Hoje entrei no carro de manhã e tornei a sair. Fui a pé tomar o pequeno-almoço a uma pastelaria de que gosto muito.

conversa 1026

Eu - Um café, por favor.
Ela - Está com um ar abatido.
Eu - Não é abatido. É cansado.
Ela - O que é que andou a fazer?
Eu - Nada. Foi só um jantar este fim de semana.
Ela - Não deve ter sido só isso. Eu janto todos os dias e não ando cansada.

conversa 1025

Eu - Sim, chateei-me com ele mas nem ligo muito a isso.
Ela - Porquê?
Eu - Porque não. Mais tarde ou mais cedo acabamos por beber um copo e pronto, fazemos as pazes.
Ela - Pois. Quando dois homens se chateiam nunca é como quando duas mulheres se chateiam.

10.24.2008

bom fim de semana e um abraço com mais de dois segundos

Uma escola do Arizona, nos Estados Unidos, proíbe os abraços com mais de dois segundos. Proibir uma manifestação de afecto é próprio de quem nunca se resolveu a si mesmo na vida. Acho que é o que se passa com a moralidade americana: tem que se resolver primeiro antes de decidir o que é legal e ilegal.
Enfim... este fim de semana vou dedicá-lo a pessoas de quem gosto muito. Não sei se vou passar por aqui mas vou tentar. Para vocês, bom fim de semana e um abraço com mais de dois segundos...

todos os dias e todos os presentes

O modelo político vigente não vê pessoas. Vê números. Considera que são as pessoas que devem servir a Economia e não a Economia que deve servir as pessoas. É ingénuo acreditar que isso não gera vítimas. Em nome da Economia que não serve quase ninguém, vai-se perdendo a vida todos os dias, adiando todos os dias a esperança de ser feliz. O trajecto casa-emprego-casa é cada vez mais uma simples transformação de oxigénio em dióxido de carbono. Respira-se sofregamente com o olhar inerte sempre no dia de amanhã, que talvez seja melhor. É a Economia que nos diz que, em nome de um futuro qualquer que nunca chega, devemos abdicar do presente. Todos os dias, todos os presentes.

Na rua procuram-se sorrisos entre as faces desbotadas, enquanto se esquadrinham as ruas contornando ombros ora caídos, ora endurecidos. E não se encontra nem um que não seja esculpido à força pela obrigação. A obrigação de atender um cliente ao balcão duma loja, a obrigação de se mostrar que não se está triste. Mas em nome da Economia tudo vale: um código de trabalho feito com a contribuição do provedor de empresas de trabalho temporário, que despe a dignidade a quem trabalha e quem, todos os dias e todos os presentes só queria conseguir olhar de frente os filhos que tem em casa; e todos os dias e todos os presentes se subsidia uma crise económica gerada por quem nos rouba esses dias e esses presentes. Todos os dias em nome de nada.

O crescimento económico não é desenvolvimento económico, e por isso também não é o desenvolvimento de nada, a não ser desta contínua morte lenta que nos cinge silenciosamente. Não é desenvolvimento social, não é desenvolvimento intelectual, não é desenvolvimento emocional, e a merda da compra a crédito dum automóvel com gps não substitui a falta de sabor que não conseguimos ter quando abraçamos quem amamos, ou era suposto amarmos. Já nem sabemos bem. Sabemos só que todos os dias e todos os presentes vamos sobrevivendo amparados ao que está prestes a cair.

Nos jornais discute-se pseudo-política por quem nem sequer sabe o que isso é. A questão verdadeira não é onde se constrói a merda dum aeroporto ou se o computador Magalhães já chegou às escolas. A questão de fundo é o modelo político em que vivemos... e esse está errado. Todos os dias e todos os presentes.

Bom fim de semana a todos os leitores e leitoras deste blogue, e obrigado por existirem.

mulheres que eu gostava de poder não compreender (73)



nome: Veeda
origem: Ghana
info: é uma das novas divas da nova música produzida no Ghana, uma fusão entre música tradicional e r'n'b, com a devida margem de erro que há sempre quando se cataloga assim o trabalho de alguém. Nasceu no Ghana mas passou parte da sua adolescência nos Estados Unidos, onde terminou os seus estudos. Como música, começou nos coros de alguns dos mais influentes músicos daquele país africano. É bonita na forma como canta e como dança e, na minha modesta opinião, é também uma mulher tão atraente que eu era capaz de quase tudo para ter um jantar com ela. Enfim... talvez um dia destes vá ao Ghana...
Este vídeo não é o mais recente mas, sinceramente, é o que eu gosto mais...

conversa 1024

Ela - Dois anos de divórcio e nada de relações. É uma miséria isto...
Eu - Quatro.
Ela - Ahn?
Eu - Já te divorciaste há quatro anos, certo? Ou mais, até.
Ela - Mas eu estava a falar de ti. A tua vida é que é uma miséria. A minha já nem isso é.
Eu - A minha vida não é uma miséria.
Ela - É, é. Se a minha é a tua também tem de ser.
Eu - Pronto...