10.24.2009

estar como peixe na água



Será que sou o único que acha que ter um peixe pendurado ao fio do tampão não deve ser assim muito confortável para uma mulher? É que pelo menos na Tampax eles não devem ter a mesma opinião, senão não tinham feito este anúncio com a frase "je suis comme un poisseau dans l'eau" (estou como peixe na água). E se a ideia era dar uma conotação sexual ao anúncio, em que o peixinho é que se sente como peixe na água por estar a olhar para debaixo da saia duma mulher qualquer... argh!

conversa 1345

(num hipermercado)

Ela - Vai-me comprar fiambre enquanto eu faço as compras que preciso, por favor.
Eu - Fiambre?
Ela - Sim... duzentos gramas de fatias bem fininhas.
Eu - Mas... isto está cheio. Se eu vou agora ao fiambre apanho uma seca enorme à espera de vez...
Ela - Por isso é que te estou a pedir.
Eu - E se comprares fiambre daquele que já vem embalado?
Ela - É mais caro e de pior qualidade.
Eu - Ok... vou buscar a senha...

(cinco minutos depois)
Eu - Olha, tirei a senha noventa e seis e ainda vai no número cinquenta e tal...
Ela - Vês que sorte? Enquanto eu faço as compras podes ir tomar café...

10.23.2009

conversa 1344

(no café, porque eu tinha o Caim, do Saramago, na mesa)

Ela - Ah! Andas a ler isso?
Eu - Ainda não comecei... comprei-o hoje... vou começar a lê-lo esta noite.
Ela - Está tudo bem contigo?
Eu - Sim, e contigo?
Ela - Comigo também. Contigo é que não parece...
Eu - Porque é que não parece?
Ela - Quando um homem comprometido compra um livro do Saramago para começar a ler numa sexta-feira à noite... fico com a sensação que alguma coisa está mal.
Eu - Não percebi...
Ela - Deixa lá... esquece.
Eu - Juro que não percebi...
Ela - Nem acredito que consigas perceber.

a mulher mais sexy do mundo...

Quando eu era pequenino não havia embalagens descartáveis para o leite. Aliás, nem sequer havia leite de longa duração. O leite vinha numas garrafas que tinham uma tampa que nunca caía por estar presa ao vidro através dum arame, e era com essas garrafas que todos os dias eu ia com a minha mãe à mercearia do senhor Samico comprar a dose diária de leite.
A loja do senhor Samico, já no fim da rua Dr. Mário Sacramento, ficava mesmo ao lado dum edifício com dez andares que, nesses felizes tempos, era o prédio mais alto da cidade de Aveiro. Aliás, era tão alto que lhe chamavam o arranha-céus. Uma vez ouvi uma conversa nessa mercearia em que uma mulher qualquer se gabava de ter visto in loco o maior prédio do mundo que, segundo ela, era mesmo muito maior do que aquele. Encolhido nos meus cinco ou seis anos de idade, fiquei um bocado lá fora a olhar espantado para aquele arranha-céus. Seria possível haver mais alto do que aquilo?
Hoje lembrei-me disto quando li no jornal que uma miúda brasileira de 27 anos, chamada Grazielli Massafera, foi considerada a mulher mais sexy do mundo. Senti-me de novo na redutora incapacidade dos meus cinco anos de idade: Será possível haver alguém mais sexy do que quem eu gosto? E pronto... depois fui tomar café.

10.22.2009

conversa 1343

(no cinema, no fim do filme)

Ela - Vamos embora...
Eu - Espera aí... quero ver uma coisa na ficha técnica.
Ela - Vamos embora, anda lá. Não acredito que és daquelas pessoas que ficam a ver as letrinhas todas no fim dos filmes...
Eu - Não sou dessas pessoas. Às vezes fico, outras vezes não...
Ela - Não acredito que me vais fazer esperar só por causa destas letrinhas...
Eu - É só um bocadinho. Espera aí...
Ela - Vou andando devagarinho... quando acabares vai atrás de mim a correr para ver se chegamos ao carro ao mesmo tempo.
Eu - Não me enerves. Tem calma...
Ela - Calma? Como é que eu vou ter calma se tu me fazes perder tempo com isto?
Eu - São dois minutos... espera aí...
Ela - Prometeste que íamos beber uma cerveja depois do filme.
Eu - E vamos. Espera só um bocado.
Ela - Mas afinal o que é que tu queres saber?
Eu - Queria ver a banda sonora... mas se calhar já passou. Distraíste-me...
Ela - Ainda bem. Vá, vamos embora.

conversa 1342

Ela - Achas possível apaixonares-te por uma pessoa que passou por ti na rua mas que não conheces de lado nenhum?
Eu - Isso aconteceu-te?
Ela - Não sei...
Eu - Eu acho possível isso acontecer...
Ela - Então aconteceu-me.

10.21.2009

coisas que fascinam (89)

Habituei-me à luz do Sol que todos os dias entrava pelas frinchas da persiana do meu quarto e me acordava com rara suavidade. Era o Sol a dizer-me: "bom dia, hora do pequeno-almoço!" todas as manhãs e eu a resmungar em silêncio porque queria dormir mais.
Um destes dias acordei sozinho, que o Outono chegou definitivamente ao país e apagou esses traços da luz do Sol que amanheciam na minha cama, e esse foi o meu primeiro pensamento outonal do ano: "a chuva apagou o Sol". O segundo, enquanto abria o frigorífico para fazer o pequeno-almoço um pouco mais tarde do que o habitual, foi que devia ter bebido a garrafa de vinho branco que lá está durante os dias de calor.
Tudo bem, são pensamento egoístas, eu sei. Os pensamentos têm a mania de ser egoístas. Aliás, há duas coisas que têm essa mania: os pensamentos e o amor. Também já me habituei uma vez a uma mulher que todos os dias me acordava com rara suavidade. Era ela a dizer-me: "bom dia, hora do pequeno-almoço!" todas as manhãs e eu a resmungar em silêncio porque queria dormir mais.
Um dia acordei sozinho, que também no amor o Outono chegara sem avisar, e por estes dias tenho pensado (mais um pensamento egoísta) em como as mulheres se assemelham às vezes à luz do Sol que de vez em quando entra pelas frinchas das nossas persianas e se desenha na colcha da cama ou na parede. Essa luz ora vem ora não vem... mas sabem? Não há problema, todos os anos as estações se repetem e todos os anos o Sol volta durante algum tempo.

10.16.2009

conversa 1341

(ao telefone)

Ela - Queres trocar de casa comigo um fim de semana?
Eu - Trocar de casa?
Ela - Sim. Eu vou para Aveiro um fim de semana e fico em tua casa. Tu vens para Lisboa no mesmo fim de semana e ficas na minha. É uma forma de passarmos o fim de semana fora sem gastar dinheiro em alojamento...
Eu - Mas assim nem nos vemos...
Ela - That's the point!

conversa 1340

Ela - Posso perguntar-te uma coisa íntima?
Eu - Podes. Depois vejo se respondo ou não...
Ela - O período incomoda-te?
Eu - O período das mulheres?
Ela - Sim...
Eu - Não. Porque é que me havia de incomodar?
Ela - Estou a perguntar se para ti é um facto de inibição sexual...
Eu - Ah! Não... não é.
Ela - Pois... para os homens nunca é. Para as mulheres é... pelo menos para mim é...
Eu - Desculpa contradizer-te mas acho que para as mulheres normalmente também não é...
Ela - Não é enquanto elas não perceberem que no dia seguinte são sempre elas a lavar os lençóis. Porra...
Eu - Pronto, tem calma... pensei que estavas a fazer uma pergunta noutro âmbito...
Ela - Claro, o âmbito de lavar roupa nunca é dos homens...
Eu - Tem calma, tem calma...
Ela - Não tenho calma nada...

couscous aveiro mix

Este domingo, a após um convite de última hora, os Couscous Prosjekt vão estar à noite no Mercado Negro, em Aveiro, para que a iniciativa A Língua Toda acabe com sons afro. Na terça-feira voltamos ao Clandestino Bar e à diáspora mundial do costume...

coisas que fascinam (88)

As mulheres que vivem sozinhas dividem-se em dois grupos: as mulheres que colam cenas nos frigoríficos e as mulheres que não colam cenas nos frigoríficos. Entenda-se por cenas coisas tipo fotografias, ímanes das viagens que fazem, contas por pagar, desenhos feitos em guardanapos de café e afins...
Acho que sempre me interessei mais pelas mulheres que colam cenas nos frigoríficos. Normalmente são mulheres com mais garra emocional. Riem e choram com mais facilidade porque tudo o que lhes aconteceu na vida teve importância, má ou boa. Aliás, colar cenas no frigorífico é precisamente isso: tentar agarrar pedacinhos da vida e fazer um pequeno mural com eles para que nunca desapareçam.
É verdade que viver com uma mulher que cola cenas no frigorífico é um desafio maior, mas também é verdade que a vida fica mais condimentada. Há uma espécie de caos nestas mulheres que eu adoro. É o caos dos cabelos sempre por pentear, é o caos das calças pisadas no calcanhar, é o caos do filho que foi para a escola sem a lancheira, é o caos da borbulha que apareceu exactamente na ponta do nariz e por fim é o caos das emoções, aquelas emoções que se manifestam numa lágrima que cai num copo de vinho depois dum jantar que quase queimava, dum sorriso trémulo levemente embriagado e, por fim, dum abraço forte incontrolável.
Acho que quando se tem uma namorada que cola cenas no frigorífico é bem possível que essa relação seja duradoura. Duradoura e caótica, é verdade... mas vivida com muitos altos e muitos baixos. Com uma namorada que não cola cenas no frigorífico até podemos nunca nos chatear mas é certo que a coisa vai acabar cedo. Provavelmente vai até acabar muito antes do seu fim oficial, porque não percebemos logo que a branquidão vazia daquele frigorífico é também o vazio da nossa vida...

10.13.2009

maitê proença



Portugal tem uma incapacidade enorme de se rir de si mesmo e uma enorme tendência para a pequenez. Só isso é que pode justificar o facto de metade do país andar indignado com o vídeo que a Maitê Proença fez em 2007 e que passou agora num canal de televisão brasileiro.
A mim o vídeo não me incomoda nada e não o acho importante. A Maitê é apenas uma brasileira entre muitos milhões de brasileiros e tem o direito de ter a opinião e os sentimentos que lhe apetecer em relação a Portugal, mesmo que o faça com algum mau gosto.
O que me incomoda no vídeo é esta imagem em que ela aparece a cuspir para uma fonte. Caramba... perdeu a sensualidade toda que eu lhe via desde a adolescência. Depois disto só lhe faltava arrotar, coçar a tomatada e dar um beijinho no Paulo Portas. Pois é...
[ler no JN]

saudades

agora, assim de repente, tenho saudades tuas...

conversa 1339

(na minha cozinha)

Eu - Tiras aí duas cervejas do frigorífico, por favor?
Ela (espreitando para o frigorífico) - Tens algumas coisas no teu frigorífico fora de prazo...
Eu - É possível... às vezes acontece...
Ela - Posso arrumar o teu frigorífico? Está tão desarrumado...
Eu - Não, não podes. Podes é tirar duas cervejas para bebermos...
Ela - Posso só pôr este queijo ralado no lixo? Está fora de prazo...
Eu - Podes, pronto. Depois tira as cervejas...
Ela - E estes iogurtes também.
Eu - Ok... mas tira as cervejas...
Ela - Já tiro, já tiro... há quanto tempo é que estas tupperwares com comida estão aqui?
Eu - Não sei... tira as cervejas...
Ela - E precisas limpar isto. Está tão sujo...
Eu - Tira as cervejas...
Ela - E este vinho branco cheira mal... só o usas para cozinhar, não é?
Eu - É... mas tira as cervejas...
Ela - Já tiro, já tiro... deixa-me só ver se estes molhos estão bons...
Eu - Não vejas nada disso. Tira as cervejas, caraças...
Ela - Tiro só uma, então. Não me apetece beber nada agora.

conversa 1338

(ao telefone com uma senhora do citibank)

Ela - Boa tarde!
Eu - Boa tarde!
Ela - Estou a falar do cartão citibank e queria saber se gostava que o citibank lhe depositasse 6000 euros na sua conta à ordem em menos de 48 horas...
Eu - Gostava sim, gostava muito até...
Ela - Nesse caso, e como o seu crédito está aprovado, vou só confirmar os seus dados para lhe enviar os papéis que deve assinar...
Eu - Mas para me depositar dinheiro na conta eu tenho que assinar papéis?
Ela - Sim... referente ao crédito...
Eu - Mas eu não quero fazer crédito nenhum. Só quero que me deposite 6000 euros na conta, como me perguntou se eu queria...
Ela - Mas quer saber a prestação que vai pagar?
Eu - Eu não vou pagar prestação nenhuma... se quiser depositar dinheiro na minha conta agradeço, que até estou a precisar... mas não vejo motivo para lhe pagar prestação nenhuma...
Ela - Temos condições vantajosas para si...
Eu - Nesse caso também tenho condições vantajosas para si. Empresto-lhe 100 euros hoje e para a semana dá-me 140. Pode ser? Até lhe emprestava mais mas neste momento não posso. No entanto, quando me pagar os 140 posso emprestar-lhos de novo e depois paga-me 180...
Ela - Já vi que não está interessado...

aumente os seus seios

Este senhor com ar de quem-espera-pelo-verde-para-peões-numa-passadeira-de-Serpa-às-três-da manhã, chama-se David Knight e diz que é hipnotizador. Mais ainda, diz que através da hipnose consegue aumentar o tamanho dos seios das mulheres. Mais ainda, diz que para isso acontecer basta às mulheres ouvir o seu conjunto de cd's. [ler no PD]
A explicação é simples: os seios de todas as mulheres são produzidos pela mente e por isso a mente também os pode melhorar.
Sinceramente, estou a pensar comprar este conjunto de cd's do David e pô-lo a tocar durante todo o dia na minha rua, com a minha aparelhagem na varanda. Tenho a certeza que o meu bairro vai ficar muito mais bonito e um melhor lugar para se viver...

sexo com velhinhas idosas

Há muito tempo que não fazia isto: ir ver buscas no google que vieram aqui dar. É uma mina para quem está a precisar de rebolar a rir, coisa que eu não estou. De qualquer maneira fica aqui uma mostra. O prémio, na minha modesta opinião, vai para a frase "sexo com velhinhas idosas". Pela originalidade, claro...

molheres noas
Vieste ao blogue certo. Aqui há montes de molheres noas. Ainda ontem esteve aqui uma toda noa. hoje é que por acaso não está nenhuma.

hi5 de gajas porcas a fuder com fruta portugal
Com fruta mesmo? Ena... quero ver isso, uma mulher e uma maçã, uma mulher e uma uva, uma mulher e um morango...

palavras com fra fre fri fro fru
França, frete, friigorífico, frontal, fruta. Pronto.

fazere sexo forsa
Dále de forsa, dále de forsa...

fotos mulhe em relasao com outras mulher
Em relasao a isso não sei de nada.... mas por mim tudo bem.

mulher de quatro para um porco
Hum... hum... e o porco faz o quê?

mulheres quando fazem sexo suam sera que faz bem a saude
Será que sim? Será que não? Só Deus sabe... são estes mistérios divinos que dão alguma graça à vida, pelo menos quando se sua...

os melhores videos de sexo com chinesas velhas
É um bocado específico...

pensamentos das mulheres tamanho penis
Acho que as mulheres não pensam muito nisso, para ser sincero. Os homens é que pensam que elas pensam...

sexo com velhinhas idosas
Com velhinhas idosas é difícil. Com velhinhas novas é muito mais fácil porque, lá está, as velhinhas ainda são novas.

suino e mulher faz sexo
De certeza? é que eu acho que não...

velhas malucas a despirem-se
Se forem malucas é mais giro, acho eu. Devem vestir cenas engraçadas. A despirem-se, malucas ou não, vai dar ao mesmo...

10.12.2009

quero ver esta mulher nua...

Marge Simpson, a mulher do famigerado Homer Simpson, vai ser a estrela principal da revista Playboy no mês de Novembro.

Não sei se também o vai ser na edição portuguesa mas creio que não, o que quer dizer que vou ter que reservar no quiosque um exemplar da edição americana. É que desde que comecei a beber copos com o meu amigo Homer que sinto uma sedução enorme da parte da Marge... e nesta fotografia ela está tão bonita... oh Marge, oh Marge... chuif...

Ei! só espero é que aquela luva que ela tem na fotografia não seja uma daquelas luvas de crina de cavalo... é que mulheres sensuais com luvas dessas dão-me medo. Acho que já sei porque é que o Homer bebe tanto...

10.10.2009

conversa 1337

(ao telefone)

Ela - Queres tomar um café? Preciso sair de casa que já não aguento mais isto...
Eu - Não aguentas o quê?
Ela - O meu marido trouxe os amigos todos para ver o Portugal - Hungria cá em casa. Não aguento tantos comentários estúpidos em minha casa. Tenho que sair...
Eu - Ok... eu até tomava um café.
Ela - Mas não pode ser num café. Tem que ser em tua casa. Os cafés também estão cheios de homens a ver o jogo...
Eu - Não estarás a exagerar?
Ela - Não. Os homens queixam-se que as mulheres vêem telenovelas mas ao menos nós vemos telenovelas sozinhas. Não nos juntamos em grupo a dizer barbaridades umas a seguir às outras...

conversa 1336

Ela - Preciso falar contigo... preciso desabafar...
Eu - Então?
Ela - Ando a ter tentações com o meu ex-marido e não queria nada...
Eu - Não querias nada porquê?
Ela - Acho que as pessoas são como lugares. Quando somos muito felizes num lugar nunca devemos lá voltar anos mais tarde. A única coisa que vamos encontrar lá é melancolia e saudade.
Eu - Isso quer dizer que tens saudades do teu ex-marido...
Ela - Tenho saudades do que ele já foi, não daquilo que ele é agora...
Eu - Então afasta-te...
Ela - Imagina, por exemplo, que tinha sido muito feliz em Paris há dez anos atrás. Agora, muito tempo depois, passavas lá perto e sabia que não ias encontrar ninguém das pessoas com quem tinhas sido feliz lá. Entravas ou não na cidade?
Eu - Talvez entrasse...
Ela - Pois é..

10.09.2009

conversa 1335

Ela - Sinto-me gorda e feia.
Eu - Engordaste um bocadinho mas eu acho que estás muito bem assim.
Ela - Vês? Engordei.
Eu - Engordaste mas não estás gorda. Estás bonita e com bom ar...
Ela - Mas engordei...
Eu - Mas estás muito bonita. A sério.
Ela - Mas engordei...
Eu - Mas estás... vale a pena eu continuar a dizer que estás bonita?
Ela - Não. Eu engordei...

mais politiquices...

Acho que este foi o primeiro discurso político oficial que fiz na vida... e agora que a campanha acabou preciso mesmo de descansar e voltar à minha vida normal.
Preciso também de agradecer a todos os incansáveis que contribuíram desinteressadamente para esta candidatura histórica do Bloco de Esquerda em Aveiro e de dizer que houve momentos em que o esforço de alguns me emocionou.
Obrigado.

10.08.2009

conversa 1334

(ao telefone)

Ela - Olha, preciso de azeite, cebolas e alho para o jantar. Podes ceder-me alguma coisa?
Eu - Posso... mas é meio-dia. As lojas ainda estão todas abertas...
Ela - Mas eu não posso comprar. Fui à aldeia no fim de semana e deixei lá os meus cartões todos. Já nem gasolina no carro tenho.
Eu - Se não tens gasolina como é que vens aqui buscar o azeite, as cebolas e o alho?
Ela - Não vou. Vens tu aqui trazer.
Eu - Estou cheio de pressa. Ando muito ocupado... mas vou ver se passo aí esta tarde. Não posso é jantar contigo porque hoje tenho jantar do Bloco.
Ela - Não faz mal, também não te ia convidar.

10.07.2009

politiquices



1] Hoje às 19:00, na rádio Terranova, representarei o Bloco de Esquerda num debate com os candidatos à Assembleia Municipal de Aveiro do PS, da CDU e da coligação CDS-PP/PSD.

2] Amanhã às 20:00, quinta-feira 8 de Outubro, é o jantar de encerramento de campanha do Bloco de Esquerda em Aveiro no restaurante Ceboleiros, que contará com a intervenção dos candidatos aos órgãos autárquicos locais e de Pedro Filipe Soares, deputado eleito pelo distrito de Aveiro. O jantar está aberto a todos os aderentes e simpatizantes da esquerda política, que se podem inscrever pelo telefone 960 045 419 ou, em exclusivo para leitores deste blogue, através do meu email: bagacoamarelo@gmail.com. Por favor, deixem o vosso telefone que é para eu confirmar a vossa presença.

conversa 1333

Ela - Temos que falar...
Eu - Temos que falar porquê? Ainda estás chateada comigo?
Ela - Vim a tua casa para falar contigo, não foi para beber vinho.
Eu - Mas eu perguntei-te se podia abrir a garrafa e tu disseste que podia.
Ela - E podias... só que eu não quero beber enquanto não tiver falado a sério contigo.
Eu - Não podemos ao menos falar enquanto bebemos um copo?
Ela - Não.

respostas a perguntas inexistentes (66)

Sempre achei que um dos filtros necessários para conseguir separar um bom amigo de um amigo menos bom é ter uma chatice com ele. Depois de ter uma discussão com um amigo, se não me apetecer voltar a falar com ele, nem ele comigo, é porque na verdade nunca fomos realmente bons amigos. Os que considero meus melhores amigos são homens com quem já me chateei a sério pelo menos uma vez, amuei, protestei e uns tempos depois estava a beber um copo com eles como se não fosse nada.
Com as mulheres já não é assim. Não é que não seja possível chatear-me com uma mulher e depois esquecer tudo de repente. É possível sim, mas não é possível beber uma cerveja com ela sem pôr tudo verbalmente em pratos limpos primeiro.

conversa 1332

Ela - Como é que tu ainda acreditas no amor eterno é que não consigo perceber...
Eu - Eu não acredito nisso. Aliás, isso nem me interessa...
Ela - Interessa-te o quê, então?
Eu - A duração do amor não me interessa. Interessa-me é se esse amor me faz bem ou me faz mal, mesmo que seja só de cinco minutos.
Ela - Lá está. Cinco minutos de amor para mim é uma eternidade.

só defeitos e nada mais

Quero agradecer imenso à leitora que há uns dias me presenteou com esta música da Erika, "Só Defeitos e Nada Mais". Tenho a certeza que um dia, quando eu estiver no leito da morte, me vou lembrar desta música como um dos momentos de maior clarividência da minha vida. Toda a minha vida, sublinho, incluindo aqueles momentos em que vou ao talho comprar carne e fico a olhar para o calendário de 1989 com mulheres nuas que ainda está pendurado na parede.



Não sou uma boneque que podes usar / Nem tão pouco um trapo que podes rasgar /
Tenho sentimentos, defeitos e virtudes / Gostava de ficar mas preciso que mudes /
Pensas que só tenho defeitos e nada mais / Que só sirvo para teu gozo e nada mais / Mas quando queres amor, carinho, ternura, vens à minha procura

Eu, pessoalmente, tenho a certeza que a Erika não tem só de feitos e que está cheia de qualidades mas, com astúcia, a cantora esconde todas essas qualidades na sua própria música. É uma forma de mostrar ao ouvinte que é necessário procurar insistentemente no seu âmago o que de melhor ela tem. Mais ainda, que no amor nunca nos devemos ficar por uma análise superficial da pessoa amada. Bonito... e profundo...

a violência contra as mulheres é um desporto universal



Acho esta publicidade francesa contra a violência doméstica muito feliz, isto porque é mais dirigida à própria mulher enquanto vítima do que ao homem enquanto agressor, ou seja, compara a mulher a um saco de pancada mas não compara o agressor ao que efectivamente ele é: uma besta. É que antes de fazer com que um homem deixe de bater na mulher lá em casa, é preciso fazer com que a própria mulher perceba que não pode aceitar em circunstância nenhuma que isso lhe aconteça... até porque uma besta não costuma entender a mensagem à primeira.

10.06.2009

conversa 1331

Ela - Apetece-me chorar...
Eu - Apetece-te chorar?
Ela - Sim, apetece-me chorar. Sinto-me triste...
Eu - Então chora.
Ela - Não é assim tão fácil.
Eu - Se te apetece devia ser fácil...
Ela - Mas não é...
Eu - Se quiseres ajudo-te a chorar, então. Posso dar-te um beliscão ou assim...
Ela - Não me faças rir.

as mulheres não percebem que há ajudas que simplesmente não devem prestar a um homem...

As mulheres não percebem que há ajudas que simplesmente não devem prestar a um homem. Não devem e pronto. Este fim de semana entrei num café qualquer duma aldeia do interior do país e, sedento e suado, pedi uma água com gás ao homem que descansava do lado de lá do balcão. Era um homem com uma barriga tão generosa quanto o seu bigode farfalhudo e, como se alguém que pede uma água estivesse a mais naquele estabelecimento, colocou a garrafa à minha frente e pediu-me imediatamente o dinheiro. Oitenta, disse ele com agressividade enquanto batia os dedos numa prateleira de forma a imitar o som dum cavalo a galope.
Procurei as quatro moedas de vinte cêntimos que eu sabia que tinha nos bolsos e deixei-as a dançar em cima do balcão para ele as ter que apanhar uma a uma. Depois peguei na garrafa e tentei abri-la imediatamente para saciar a sede e o mal estar provocado pelos enchidos do almoço. Foi aí que comecei a suar ainda mais. As mãos escorregavam-me e a carica de rosca nem se mexia. Tentei uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes... e nada, nem um milímetro a tampa rodava. Foi aí que percebi porque é que um homem que só pede água não é bem vindo ali: quatro tipos, também com bigode e barriga, tinham na mesa pelo menos vinte garrafas de cerveja e alguns copos de bagaço. Olhavam todos para mim com um ar que misturava o álcool que tinham bebido com um ar de desafio...
Da casa de banho saiu uma mulher com pouco mais de metade da minha altura e um ar franzino e, ao passar por mim, esticou o braço soprando um suave: "deixe cá ver isso". Nunca pensei, claro, que ela conseguisse abrir a garrafa mas, apesar dos seus dedos tão finos como palitos, abriu à primeira e devolveu-ma com um sorriso sem esforço. Os bebedolas riram-se todos e eu fui lá para fora beber. Nunca uma água me caiu tão mal. As mulheres não percebem que há ajudas que simplesmente não devem prestar a um homem...

conversa 1330

(enquanto ela estacionava o carro e um arrumador dava indicações)

Ela - Não suporto arrumadores de carros. Vê se mandas esse gajo embora, por favor.
Eu (abrindo o vidro e virando-me para o arrumador) - Está tudo bem, não precisamos de ajuda...
Ela - Foi-se embora. Fixe... estes gajos enervam-me.
Eu - Hum.. hum...
Ela - Podes ir agora tu lá fora ver se eu não bato no carro de trás?

mamas grandes

Este tipo da fotografia é o reverendo William Brooks, tem 58 anos e é director da Escola Episcopal Fort Lauderdale na Flórida. Segundo a notícia do Daily Mail, é acusado de estar a despedir professoras com alguma idade para as substituir por professoras mais jovens com seios grandes.
A Comissão Para a Igualdade de Oportunidades no Emprego investigou a situação e concluiu que o William se vangloriou várias vezes de estar a "substituir todas as mulheres mais velhas com mulheres jovens com seios grandes".
Ok... eu até ia tentar defender o homem, dizendo que o tamanho das mamas das novas professoras deve ser coincidência ou assim mas, com aquele sorriso estampado na cara, não consigo. Cá para mim é mesmo verdade...

pensamentos catatónicos (191)

Quando ando de avião estabeleço muitas vezes o paralelismo entre o trem de aterragem da aeronave e o fim do meu primeiro casamento. O objectivo de qualquer trem de aterragem é absorver a energia cinética produzida pelo contacto entre o avião e a pista. Foi isso que me aconteceu. Se considerar que o meu casamento foi um voo, quando esse voo começou a perder altitude e atingiu o chão, alguém tinha que o parar...
Há duas vantagens em parar um voo que já perdeu toda a sua altitude: acaba a oscilação tremenda do impacto e os passageiros podem voltar a pôr os pés na Terra.

10.05.2009

procura-se raposa

Aproveitei este fim de semana prolongado para descansar um pouco da política e conhecer as seguintes localidades de Portugal: Linhares da Beira, Gouveia, Manteigas, Belmonte, Sortelha, Malcata, Penamacor e Monsanto.
No parque de merendas de Covão D'Ametade, algures entre Manteigas e Belmonte, fui roubado por uma raposa que, com uma grande lata, me levou uma pizza de 14 euros enquanto eu tentava fazer uma pequena fogueira. Depois, durante a noite, acordei porque senti algum movimento fora da tenda. Abri o fecho da porta e vi o mesmo bicho fugir com uma sapatilha da minha companheira na boca.
É tramado. Estou farto de andar durante a noite em locais de Lisboa, Porto, Aveiro ou Braga supostamente perigosos e nunca fui assaltado. Vou para o meio do nada e acontece-me isto. Agora nem sequer sei como apresentar queixa...

10.02.2009

conversa 1329

Ela - Como é que se deve dizer a um homem que se gosta dele?
Eu - Gosto de ti.
Ela - Gostas de mim?
Eu - Não. Deves é dizer "gosto de ti".
Ela - Então não gostas de mim...
Eu - Gosto sim... não é isso...
Ela - Digo-lhe "gosto de ti", é isso?
Eu - Sim.
Ela - Só isso? Isso é o que os homens deviam dizer às mulheres e nunca dizem...
Eu - Às vezes é falta de coragem.
Ela - Então é como nas mulheres.
Eu - Bingo!
Ela - Que seca!

conversa 1328

(ao telefone)

Ela - Já vi o teu cartaz do Bloco de Esquerda por aí...
Eu - E então?
Ela - Estás de t-shirt...
Eu - Estou.
Ela - Não tens vergonha? Até num cartaz político apareces de t-shirt...
Eu - Eu ando quase sempre de t-shirt. Não há motivo nenhum para mudar...
Ela - Há, há... tu é que não percebes isso...

pensamentos catatónicos (190)

Sempre admirei a capacidade que as mulheres têm de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Para as mulheres não é um problema ter que ir buscar os putos à escola ao fim da tarde, fazer compras e preparar o jantar. Em casa não é um problema fazer esse jantar enquanto se aspira a sala, se apanha a roupa da corda e se organiza os papéis da corrosiva burocracia doméstica. Lembro-me, por exemplo, das festas de aniversário da minha filha em que a mãe dela fazia as compras, cozinhava, pendurava os balões e as fitinhas no tecto, fazia os convites e distribuía-os, recebia os convidados. Eu... fugia. Não era má vontade, a sério que não. Era pânico. Um pânico controlado mas nem por isso deixava de ser pânico.
A questão é que acho que esta capacidade que as mulheres têm de fazer várias coisas ao mesmo tempo reflecte-se também na sua estrutura emocional, ou seja, as mulheres são capazes de sentir várias coisas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, são capazes de estar tristes e felizes, de sentir frio e calor, de se sentirem sós e a precisar de privacidade e silêncio. Tudo ao mesmo tempo...
Eu só consigo fazer uma coisa de cada vez. Para mim ir às compras é um sacrifício e por isso vou todos os dias, durante dez minutos, comprar por exemplo uma cebola, uma garrafa de vinho, um pacote de leite e um peixe para grelhar. Sou incapaz de fazer compras para o mês e de estar duas horas num supermercado a projectar o que vai ser esse mês. Acho incrível que uma mulher consiga perceber, enquanto está a olhar para umas embalagens de detergente, que vai precisar de 10 litros de lixívia, três caixas de fósforo, trinta refeições frugais, quarenta lanches, vinte e oito pequenos almoços, quarenta ceias, doze jantares de carne e dez de peixe, etc, etc. Ufa! Socorro. Também só consigo sentir uma coisa de cada vez. Ou estou triste ou estou feliz, ou estou apaixonado ou não estou, ou tenho frio ou tenho calor, ou me apetece estar com amigos ou me apetece estar sozinho. Sei o que estou a sentir e actuo conforme os meus sentimentos me pedem.
Acho que esta forma maniqueísta de ser sempre prejudicou os homens na sua relação com as mulheres. Quando sentimos que as companheiras estão alteradas esquecemo-nos da enorme complexidade (e também capacidade, admito) que vai ali dentro. Perguntamo-lhes se estão triste e elas abanam os ombros, perguntamo-lhes se precisam duma bebida e elas abanam os ombros, perguntamo-lhes se elas querem que liguemos o aquecedor e elas abanam os ombros. Depois de tanto abanar de ombros zangamo-nos e vamos beber um uísque a um bar. Esquecemo-nos sempre que as mulheres nunca precisam nem querem uma só coisa e nós sim. Nesse momento é precisamente um uísque.

respostas a perguntas inexistentes (65)

Imaginem-se a olhar durante um dia inteiro para uma parede amarela sem pestanejar e após esse dia a parede torna-se vermelha. Às vezes há mulheres que quando se aproximam de nós têm esse efeito: o mundo muda de cor. Ela passou por ele na fila para a casa banho do bar, sorriu-lhe e disse-lhe olá. Olá. Olá pode ser uma marca de gelados ou um cumprimento. Nessa noite foi uma cor... e ele adormeceu com essa cor: vermelho.

conversa 1327

Ela - És bom como o milho, tu.
Eu - Eu?
Ela - Sim.
Eu - Fico contente em saber...
Ela - O único senão é eu detestar milho...

10.01.2009

conversa 1326

Ela - Os homens têm uma dificuldade enorme em dizer a palavra "amo-te". Irra...
Eu - Achas?
Ela - Acho. Dizem "gosto de ti", "és bonita" ou "és especial" mas nunca dizem "amo-te".
Eu - E isso é importante?
Ela - Claro que é.
Eu - Porquê?
Ela - Porque só quando uma mulher ouve a palavra "amo-te" é que pode considerar o homem sua propriedade...

dia mundial da música

Hoje é noite de Couscous Prosjekt no Clandestino Bar, em Aveiro, e não imaginam como eu estou a precisar de fazer um intervalo na política e descontrair um pouco. Política é preciso mas navegar também é preciso...
Hoje é também o dia mundial da música. Um bom dia, por isso, para ouvir música do mundo...

9.29.2009

política cultural em debate

Hoje, 29 de Setembro às 21:30, no âmbito da campanha autárquica em Aveiro decorre um debate sobre política cultural organizado pelo Performas e que contará com:

- Maria do Rosário Fardilha (BE)
- Maria da Luz Nolasco (PSD/CDS)
- Gonçalo Fonseca (PS)
- António Moreira (CDU)

conversa 1325

Ela - Preciso andar um bocadinho a pé. Vamos dar uma volta?
Eu - Ok, vamos... podemos ir ali ao jardim. Levamos duas cervejas para lá...
Ela - Não.
Eu - não te apetece cerveja? Levo só uma...
Ela - Não é isso. Não quero ir ao jardim. Aquilo não tem montras nenhumas...
Eu - Disseste que o que te apetecia era andar a pé...
Ela - Sim... e ver umas montras.

conversa 1324

Ela - Cheguei a um ponto em que penso mais vezes no divórcio do que em manter o meu casamento...
Eu - Tem calma...
Ela - Calma porquê?
Eu - Acho que deves fazer o que for melhor para ti mas sem precipitações.
Ela - Discordo.
Eu - Discordas porquê?
Ela - Acho que o meu marido também anda a pensar no divórcio...
Eu - E depois?
Ela - Se eu me divorciar quero ser eu a ter a iniciativa, senão ele vai dizer a toda a gente que foi ele que se fartou de mim...

mafaldinha



Acreditem ou não, a Mafalda foi uma das minhas amigas de infância. Muito por culpa dos meus irmãos mais velhos de quem herdei os livros. Hoje, dia em que ela faz 45 anos, estive a pensar em como na infância eu desejava que os meus comportamentos se parecessem com os seus e como, hoje em dia, os meus comportamentos se parecem de facto com os do seu pai. É que se a Mafalda era uma criança sempre preocupada com a organização política do mundo (que revê na sua própria família), o pai é um tipo que fica de vez em quando deprimido com a sua idade.
Para mim a Mafalda é uma mulher com lugar na História...

9.27.2009

conversa 1323

Ela - O meu marido já não vem a casa há um mês. Agora vem só para votar nestas eleições. Diz que acha que nunca houve umas eleições tão imprevisíveis e por isso faz trezentos quilómetros só para votar...
Eu - Isso é bom. Mostra alguma consciência política.
Ela - Pois... ainda bem que só há eleições de quatro em quatro anos...

9.24.2009

conversa 1322

(ao telefone)

Ela - Aprendi mais uma lição nesta vida...
Eu - Qual?
Ela - Os homens divorciados são uns mentirosos...
Eu - Porque é que dizes isso?
Ela - Porque já percebi isso.
Eu - Mas porquê?
Ela - Vêm sempre com a história de que são uns santos e a ex-mulher era uma sacana....
Eu - Não vêm nada...
Ela - Vêm sim. Aposto que o meu ex-marido faz o mesmo com as gajas que conhece por aí. Diz-lhes que eu era uma sacana e ele é que era um santo...
Eu - Não sabes se ele faz isso ou não.
Ela - Faz de certeza.
Eu - Como é que sabes?
Ela - Porque ele é que era um sacana.
Eu - Deixa-me adivinhar: tu eras uma santa.
Ela - Exacto.

mulheres histéricas



As mulheres são umas histéricas nervosas, principalmente depois de realizarem os trabalhos domésticos nos dias de calor. É por isso que chegam ao fim da tarde e estragam o dia ao resto da família. Felizmente, em 1942, os sabonetes Ivory descobriram uma maneira de resolver isto: basta no fim do dia elas tomarem um banho calmante e ensaboarem-se com o seu produto...
Claro que os sabonetes Ivory nunca puseram outra hipótese para resolver este problema terrível, tipo a divisão do trabalho doméstico ou assim... isso não passaria pela cabeça de ninguém. Eu cá acho bem, uma mulher que faz tudo em casa e chega ao fim do dia bem cheiros, é a mulher perfeita.
Por outro lado, para um homem ser perfeito, basta enquanto pai saber dizer ao filho para se afastar da mãe quando esta terminar as lides domésticas. É que a gaja é uma chata...

conversa 1321

(na casa dela, enquanto ela muda o canal de televisão de três em três segundos)

Eu - Ainda bem que não tenho tv por cabo.
Ela - Porquê?
Eu - As poucas vezes que me sento a ver televisão em casa consigo ver um programa inteiro, em vez de estar sempre a mudar de canal...
Ela - Incomodo-te a fazer isto?
Eu - Por acaso já passaste por cinco ou seis canais que me apeteceu ficar a ver mas tu nem deixas...
Ela - Desculpa mas eu preciso mesmo de fazer isto todas as noites.
Eu - O quê? Zapping?
Ela - Sim...

respostas a perguntas inexistentes (64)

Ele pergunta-lhe o que é que ela quer e ela responde que qualquer coisa. Ele pergunta-lhe se pode ser um café e ela abana a cabeça afirmativamente num silêncio que o incomoda. Tem vivido tanto tempo em silêncio que preferia que ela falasse mais, que se decidisse mais. Ela, no entanto, desabituou-se de poder escolher o que quer que fosse na vida. Ele levanta a voz para pedir dois cafés ao empregado adormecido do outro lado do balcão.
É assim o primeiro encontro entre um homem e uma mulher, ambos divorciados, que se conheceram na internet. Ainda não têm a certeza que desejam o outro para a vida, no entanto ambos têm a certeza que desejam o outro para uma noite. O empregado pousa os cafés na mesa e afasta-se.
Enquanto mexe o café, ela mergulha o olhar na espiral de espuma que se desenha na superfície. Ele, que não pôs açúcar e já bebeu tudo num só gole, observa-a atentamente no seu prolongado e minucioso gesto. É que também já lhe observou o corpo e a ânsia para a tirar dali e levá-la para casa, talvez para a cama, cresce a cada segundo que passa.
Agora a espiral de espuma desfaz-se numa espécie de mar morto para onde ela continua a olhar. Depois pousa a colher mas, como não dá sequer o primeiro gole, ele impacienta-se de novo. Tenta apressá-la com uma pergunta estratégica: "Depois do café onde é que queres ir?". Ela levanta os olhos e encolhe-se antes de responder: "Eu, na verdade, não gosto de café".

9.15.2009

conversa 1320

Ela - Que idade é que me dás?
EU - Hum... prefiro não dizer. Cada vez que uma mulher me pergunta isso fico logo com medo...
Ela - Diz lá. Não há problema nenhum se falhares.
Eu - Trinta e dois, acho eu.
Ela - Em cheio. Acertaste...
Eu - Safei-me.
Ela - Eu disse que não havia problema nenhum se falhasses, principalmente para menos. Como acertaste quer dizer que eu pareço mesmo ter trinta e dois, o que me chateia bastante...

9.14.2009

bebedeiras

Aprendi desde cedo que um homem bêbado e um homem apaixonado são mais ou menos a mesma coisa. Ganha-se uma cor rosada nas bochechas tão facilmente com uma garrafa de vinho como com a presença duma mulher de quem gostamos. Além disso, tal como quando está ébrio, também um homem apaixonado tem dificuldades em articular palavras e, quando finalmente as articula, é só para dizer asneiras.
Uma paixão prolongada é, por isso, uma espécie de bebedeira descomunal, em que um simples convite para jantar se pode transformar numa tarefa tão difícil quanto uma escalada ao Everest, ou mais ainda. É que se chegando ao cume do Everest a única coisa que nos pode acontecer é ter que descer outra vez, ao convidar uma mulher para jantar arriscamo-nos a que ela nos responda com um redondo 'não', e aí já não há nada para descer ou subir. Apenas uma bebedeira para tentar curar.
Aconteceu-me uma vez, na fase outonal da minha adolescência, andar uma semana a preparar um convite para um jantar. Primeiro juntei algum dinheiro do trabalho que fazia normalmente nas férias ao dinheiro de uma ou duas semanadas, depois procurei-a no café onde normalmente a via a beber martini bianco. E não imaginam como eu gostava de a ver a beber martini bianco. Cumprimentei-a com dois beijos na face daqueles que ficam a esvoaçar à nossa volta durante uma hora ou duas, depois sentei-me e pedi uma cerveja e finalmente ganhei alguma coragem: "Queres... hum... eu estava a pensar... hum... um dia destes acho que vou jantar, percebes?". Ela olhou para mim com aquele ar de rapariguinha do shopping e respondeu-me: "Um dia destes? Eu janto todos os dias". Acabei a minha cerveja em silêncio e nunca cheguei a jantar com ela. Fui ansiosamente curando a bebedeira como pude, com amigos e o passar do tempo.
Ainda hoje acho que cada paixão não recíproca que temos é uma bebedeira que precisamos de curar... só que tal como nas bebedeiras de álcool, curamos uma para nos metermos noutra algum tempo depois...

9.11.2009

desabafos...

desabafos políticos...

conversa 1319

Ela - A rotina e a paixão não podem andar juntas. Se isso acontece a rotina acaba por destruir a paixão...
Eu - Eu até posso concordar com isso. Só me pergunto às vezes porque é que a paixão nunca destrói a rotina...
Ela - Porque nós precisamos da rotina. Dependemos dela para viver. Só não podemos é deixar que a paixão se imiscua nessa rotina...
Eu - Também precisamos da paixão para viver, não precisamos?
Ela - Aprendemos mais facilmente a viver sem paixão do que sem rotina, acho eu.
Eu - Hum... isso parece ser uma fatalidade.
Ela - Também se pode fazer o que eu faço actualmente...
Eu - E o que é?
Ela - Mantenho a minha rotina diária e misturo facilmente nela a paixão. O que é, já sei que a paixão se acaba mais tarde ou mais cedo e preparo-me psicologicamente para isso. No fundo habituei-me a mudar de namorado e já não me importo de o fazer.
Eu - Aprendo muito a falar contigo, por acaso...
Ela - Mas não devias. Só ensino coisas más...
Eu - Vamos beber uma cerveja?
Ela - Sim... beber cerveja é uma rotina apaixonante.

conversa 1318

(numa feira, em campanha eleitoral)

Ele - Só há duas coisas que eu gostava de dizer aos senhores lá do governo...
Eu - Quais são?
Ele - As mulheres não deviam poder tirar a carta e não deviam poder trabalhar...
Eu - Mas porquê?
Ele - Então, se a minha mulher, por exemplo, estiver fora de casa para trabalhar, eu não sei se ela vai ou não roçar outro pau...
Eu - Ah!
Ele - É a minha inteligência, percebe?
Eu - Não percebi bem o que disse mas percebi bem que é a sua inteligência...
Ele - Então diga lá isso em Lisboa.
Eu - Eu não sou de Lisboa. Sou de Aveiro...
Ele - Então diga lá isso em Aveiro...
Eu - Eu digo, eu digo...

9.10.2009

conversa 1317

(numa feira)

Eu - Quanto custa esta camisola?
Ela - Doze euros por ser para si. É tudo algodão.
Eu - E se não for para mim quanto custa?
Ela - Doze euros na mesma.
Eu - Então qual é a diferença entre ser para mim e não ser para mim?
Ela - Nenhuma... ou pensa que é especial?

conversa 1316

Ela - Estou apaixonada...
Eu - Ena... isso é bom.
Ela - Não é nada. Não tenho dinheiro...
Eu - Ahn?
Ela - Estou apaixonada por um vestido que vi e que custa quase duzentos euros...
Eu - Ah!

9.09.2009

conversa 1315

Eu - Posso ir à tua casa de banho?
Ela - Claro. No fim baixa a tampa da sanita. Detesto homens que não baixam a tampa da sanita...
Eu - A sério? Detestas mesmo?
Ela - Não... estava a brincar.
Eu - Ah! Ufa...
Ela - Detesto, detesto....

conversa 1314

Ela - Ontem o meu marido acusou-me de ser muito ciumenta...
Eu - E és?
Ela - Sei lá. Ele disse-me que sempre que sai com os amigos para beber uma cerveja, eu espero que ele chegue e tento sempre saber com quem esteve. Diz que isso o perturba e que se sente prisioneiro. Se calhar está a preparar-se para me pedir o divórcio...
Eu - Mas tu fazes mesmo isso?
Ela - Não. Por acaso até não faço.
Eu - Então é uma mania dele...
Ela - Quer dizer, faço algumas vezes. Não é sempre... ele às vezes nem sai....

passa por mim no clandestino, no mercado negro e na rádio terranova

Actualizei ali o separador das datas, isto porque a rentrée dos Couscous Prosjekt será já no próximo dia 17, no Clandestino Bar em Aveiro. Como os Couscous fazem este mês dois anos de vida, no dia 26 estarão ainda no Mercado Negro, também em Aveiro, numa noite especial com direito a comer couscous feito por mim e pela dj Moa Bird. No dia 7 (acho eu que é neste dia), estarei ainda num debate político na Rádio Terranova. E pronto, por agora é tudo...

já troquei você por outra...

Existiram duas fases na minha vida de divorciado. Uma, em que eu era uma alma perdida na imensidão do Universo e outra em que surgiu uma luz divina que me guiou. Essa luz divina chama-se Arnaldo Silva e é um músico que canta para homens sós.
Nesta música que vos mostro coloca-nos perante uma pergunta capaz de se eternizar na dialéctica da Natureza e das Consciências como um barquinho de papel num mar revolto. É, muito simplesmente, se devemos ou não andar a papar uma gaja casada.
Arnaldo Silva expressa neste seu trabalho a angústia da tendência do não, como se ela estivesse sempre presente na linha do horizonte...



Já troquei você por outra
Não estou arrependido
[depois de começar a ouvir a música acho que ela também não se deve importar muito. Digo eu, sei lá...]
Porque a outra é livre
E você tem marido
[lá está aqui a dialéctica da Natureza e das Consciências. A Natureza diz-nos que uma mulher casada é melhor em muitos aspectos mas a consciência é tramada]

Mulher vê se entende
Vê se compreende minha situação
Você bagunçou demais
As estruturas do meu coração
[nestes versos, o poeta Arnaldo faz uma referência óbvia às mulheres balzakianas e à sua presença na estrutura emocional de um homem experimentado. Ou então não. Mesmo assim, continuo a achar que ela compreende a situação na boa desde que ele pare de cantar.]

Depois que me apaixonei
Foi que disseste que eras casada
[Aqui há uma referência a Camões, à armadilha e à recusa do amor presente na sua obra em endechas a Bárbara Escrava: Aquela cativa / Que me tem cativo / Porque nela vivo / Já não quer que viva. Ou então não]

Agora vê se me esquece
Você não merece cruzar minha estrada
[Finalmente o artista desiste perante o gigante demolidor do Amor, mas decide fazê-lo ostentando a coragem de o enfrentar e diz-lhe que nem sequer o merece. Lá está, continuo a achar que se ela ouviu esta música também não se importa muito, mesmo que o marido dela seja adepto da selecção nacional e chore cada vez que Portugal perde...]

conversa 1313

(num restaurante, com a empregada de mesa)

Eu - Tem melão para sobremesa?
Ela - Tenho. Muito bom, por acaso.
Eu - Queria uma fatia, por favor.
Ela (trazendo a fatia) - Afinal não é assim tão bom. Sabe que os melões são como os homens, só depois de abertos é que sabemos se são bons ou não...
Eu - E não tem um bom?
Ela - Não... olhe, mal abri o primeiro casei logo com ele. Agora é aturá-lo.
Eu - Eu estava a perguntar por melão...
Ela - Ah!

conversa 1312

(depois de passarmos por um carro roxo com umas luzes parecidas com mata-moscas por baixo)

Ela - Os homens são tão parolos...
Eu - Porquê?
Ela - Com esta mania do tuning nos carros. Devem pensar que são alguém...
Eu - Ah! Na verdade foram as mulheres que inventaram o tuning. Não foram os homens...
Ela - Não acredito. Alguma vez viste uma mulher com um carro assim?
Eu - Com um carro não. As mulheres inventaram o tuning mas fazem-no nelas mesmas. Ele é mamas artificiais, ele é narizes cortados, ele é palhinhas enfiadas pelo rabo para tirar gordura. Os homens fazem o mesmo mas nos carros...
Ela - Estás a enervar-me. Tu és um caixa-de-óculos. Também fizeste tuning em ti mesmo, então...
Eu - Andas um bocado nervosa desde que deixaste de fumar, não andas?
Ela - Está calado caixa-de-óculos.

até que lhes caiam as calças...

Nadil Adib, uma jornalista sudanesa que escreve para o jornal de esquerda Al-Sahafa, foi condenada a pagar uma multa de 140 euros (ou pena de prisão) por usar calças. No Sudão, por decreto de lei do actual presidente Omar el-Béchir, as mulheres não podem usar calças desde 1991.
Outras mulheres, presas pelo mesmo motivo, foram já chicoteadas.
Omar el-Béchir apoia desde 2003 as Janjawid, milícias responsáveis pelo genocídio de um número incalculável de pessoas na região do Darfur, onde por pressão política da China, a ONU ainda não fez uma intervenção a sério. Já agora, a China, de que o Partido Socialista e o Partido Comunista Português tanto gostam, tem aumentado o seu volume de negócios com o Sudão.
É claro que o problema de Nadil Adib não é poder usar ou não calças. É também claro que ela não enfrenta apenas uma lei ridícula e um punhado de polícias, enfrenta uma enormidade de interesses instalados. Até que lhes caiam as calças...

9.08.2009

três

Ando com tanto trabalho político que nem tempo tive de vir cá no dia em que este blogue fez três anos. Hoje, a partir do fim da tarde, acho que já poderei voltar às incompreensões de género...

9.02.2009

conversa 1311

Ela - Estou a pensar trocar de carro...
Eu - Estás?
Ela - Estou... que carro é que devo comprar?
Eu - Sei lá... não percebo nada de carros...
Ela - Não?
Eu - Não.
Ela - Não serves para nada, tu.

contas...

Uma beterraba: €0,41
Uma manga: €0,74
Quatro tomates: €0,64
Quatro pêssegos: €0,76
Almoço num restaurante de que não me lembro o nome, em Estarreja: €5,60
Dois finos no Despertar Sensações, em Aveiro: €2,40
Uma mini preta no Muralhas, em Aveiro: €1

total: €11,55

8.31.2009

conversa 1310

Ela - Onde é que vais jantar hoje?
Eu - Em minha casa.
Ela - Não queres jantar comigo?
Eu - Está bem. Onde?
Ela - Na tua casa. Já tinhas dito que era na tua casa...

pensamentos catatónicos (189)

Passei este fim de semana junto ao Observatório Astronómico e da Natureza António dos Reis, em Miranda do Corvo, a fazer uma visita à floresta circundante e depois, durante a noite, a olhar para o céu através de telescópios. Primeiro acompanhado por um botânico e depois por astrónomos. É tão grande a sensação de pequenez quando percebemos o nosso real lugar no universo que acho que só é comparável à pequenez que sentimos quando o amor nos desilude. Ao pensar nisto cheguei à conclusão que uma mulher pode ser o nosso universo.

8.27.2009

conversa 1309

(no café)

Ela - Eu quero uma cerveja...
Eu - Eu quero uma cerveja e um pires de caracóis...
Ela - Não vais comer desses bichos nojentos ao pé de mim, pois não?
Eu - Eu vou comê-los aqui. Se quiseres podes afastar-te.
Ela - Nunca pus na boca coisa tão nojenta.
Eu - Acho que sim, que já puseste...
Ela (silêncio)
Eu - Só aquele Bollycao que comeste há bocadinho...
Ela - Bem... pensei que ias ser brejeiro.
Eu - Brejeiro porquê?
Ela - Porque os homens têm sempre pensamentos perversos.
Eu - Neste caso foste tu que tiveste.
Ela - Foste tu.
Eu - Foste tu.
Ela - Foste tu.
Eu - Vêm aí os caracóis... deixa-me em paz.
Ela - Quem come esses bichos nojentos só pode ser perverso.

conversa 1308

Ela - Não contes o que eu te disse a ninguém, está bem?
Eu - Está bem.
Ela - Ou então conta mas diz que é para não contar a mais ninguém...
Eu - Ahn?
Ela - É óptimo quando todas as pessoas sabem coscuvilhices e fingem que não sabem...
Eu - Pois... é sempre assim, não é?
Ela - É. Hi!, hi!, hi!

8.26.2009

conversa 1307

Ela - Não sei lá muito bem o que é que queres dizer com isso de seres socialista...
Eu - Isso é por causa da História.
Ela - Que História?
Eu - Da História. O século passado alterou o significado de Socialismo por causa dos erros cometidos na União Soviética, na China, em Cuba e assim... acho que o desafio hoje é precisamente esse: devolver o significado verdadeiro à palavra Socialismo que, aliás, é extremamente simples...
Ela - Pronto, está bem, está bem... agora cala-te. És tão chato quando começas com essas coisas...
Eu - Tu é que perguntaste.
Ela - Às vezes pergunto só para te fazer a vontade... mas hoje não consigo mais, está bem?

como ele e ela se deitam...

ele:
1] Senta-se na cama, desaperta os sapatos e atira-os para um canto do quarto. Depois faz o mesmo com as meias, com as cuecas, com as calças e tenta acertar com a camisola na cadeira.
2] Adormece.

ela:
1] Descalça-se e alinha os sapatos no armário ao lado dos outros pares.
2] Tira as calças, tenta definir melhor os vincos da mesmas e pendura-as num cabide.
3] Pergunta-lhe a ele se já está a dormir e se não toma banho. Ele não responde.
4] Tira as meias e as cuecas e leva-as, juntamente com as cuecas e as meias dele, para a máquina de lavar roupa.
5] Tira a camisola e pendura-a noutro cabide.
6] Pergunta-lhe a ele se já está a dormir e se não toma banho. Ele não responde.
7] Vai lavar os dentes e lavar-se.
8] Põe cremes hidratantes no corpo todo.
9] Pergunta-lhe a ele se já está a dormir e se não toma banho. Ele não responde.
10] Deita-se e pega no livro que anda a ler.

ele:
3] Acorda e tenta fazer amor com ela.

ela:
11] Diz-lhe que ele tem que ir tomar banho.

ele:
4] Vai tomar banho com o pénis erecto.

ela:
12] Aproveita para ler o mais possível do seu livro enquanto pode...

respostas a perguntas inexistentes (63)

Ela diz-lhe que está cansada e ele responde-lhe que então é melhor descansar. Aquela resposta cansa-a ainda mais. Ele não percebe que há vários tipos de cansaço e que ela está a falar de uma variante de cansaço que a está a afastar dele. Lentamente. É aquele cansaço que faz com que os dias pareçam sempre iguais e que torna os beijos insossos. Ele pergunta-lhe se ela não vai dormir e dá-lhe um beijo de boa noite. Ela abana os ombros e comprova que o beijo dele já não tem sabor.

conversa 1306

(ao telefone)

Ela - Queres vir cá a casa tomar um café? Já não falamos há tanto tempo...
Eu - Boa ideia. Passo aí por volta das onze...
Ela - Não... passa mais cedo. Se puderes às dez é melhor.
Eu - Às dez vai ser difícil. São nove e meia e ainda nem jantei.
Ela - É que às onze, mais coisa menos coisa, começa o Caminho das Índias.
Eu - O caminho de quê?
Ela - É uma telenovela...
Eu - Não vou fazer vinte quilómetros de carro para chegar aí e tu ficares a ver televisão.
Ela - Por isso é que devias vir às dez.
Eu - Mesmo que pudesse estar aí às dez, que dizer... às onze mandavas-me embora porque querias ver a telenovela.
Ela - Não te mandava nada embora. Podias ficar a na internet enquanto eu via a novela e depois continuávamos a conversa...

8.25.2009

conversa 1305

(no supermercado, com uma senhora que queria passar à minha frente na fila de pagamento)

Ela - Não me deixa passar? É que eu só tenho estes tomates para pagar...
Eu - Eu também só tenho estas cervejas...
Ela - Mas eu só tenho estes tomates...
Eu - E eu só tenho estas cervejas...
Ela - Mas à sua frente, essa menina tem mais coisas...
Eu - Pois tem... e como está à minha frente tem o direito de as pagar antes de mim. Depois dela pago eu e depois de mim paga a senhora.
Ela - Pronto....
Eu - Pronto...

a lei afegã vs a lei portuguesa

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, aprovou uma nova lei para os muçulmanos xiitas que permite que os homens castiguem com a privação de alimentos as suas mulheres, caso estas lhes neguem o direito à satisfação das suas necessidades sexuais.
Acho que o presidente de Portugal devia fazer o mesmo, sinceramente, mas trocando os géneros. Se um homem não satisfizesse as necessidades sexuais da mulher ela deixava de cozinhar para ele.
É que se no Afeganistão é suposto que as mulheres dependam totalmente dos homens, em Portugal a maior parte dos homens depende das mulheres no que diz respeito à cozinha. Eu, por exemplo, para não deixar de comer de vez os carapaus grelhados e o caldo verde que a minha companheira faz de vez em quando, até Viagra tomava se fosse preciso.

8.22.2009

conversa 1304

Ela - Estou sem fome. Tenho que jantar que é para depois podermos ir beber um cerveja mas estou sem fome...
Eu - Vou ali comprar um peixinho para cozer, pode ser?
Ela - Já te disse que estou sem fome. Não me chateies.
Eu - Também disseste que tens que comer qualquer coisa.
Ela - Qualquer coisa não tem de ser peixe.
Eu - Mas então diz-me o que queres que eu não consigo adivinhar.
Ela - Ok, pode ser peixe...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

8.21.2009

conversa 1303

Ela - Olha... o que é que tens?
Eu - O que tenho, como?
Ela - Pareces um bocado triste...
Eu - Não... não me sinto triste.
Ela - Mas pareces.
Eu - Mas não estou.
Ela - Pronto. É estranho porque pareces...
Eu - Se estou a dizer que não estou é porque não estou.
Ela - Se estou a dizer que pareces é porque pareces.
Eu - Então pareço mas não estou.
Ela - Não sei... normalmente quando se parece é porque se está.
Eu - Mas eu não estou.
Ela - Podes estar e não sabes.
Eu - Quando se está triste sabe-se que se está triste.
Ela - Nem sempre...
Eu - Quando é que não se sabe?
Ela - Sei lá... às vezes... mas não te enerves.
Eu - Eu não estou nervoso.
Ela- Mas pareces...
Eu - Mas não estou. Se estiver é porque me enervaste agora.
Ela - Vês? Estás nervoso e estavas a dizer que não. Se calhar também estavas triste e a dizer que não.
Eu - Deixa-me um bocado...
Ela - Eu deixo... mas tenho razão.
Eu - Foda-se! (só em pensamento)

acho que é sempre assim ou quase assim...

Onde é que está o livro que ando a ler? A pergunta surge-me enquanto dou passos lentos no corredor duma casa que não é minha, a ver se ganho tempo para decidir para que divisão devo ir. É que não me é óbvia a decisão.
Acho que é sempre assim ou quase assim. Conhece-se uma mulher bonita que se convida para uma cerveja. Depois descobre-se que ela sorri bastante e que para falar com ela não é preciso respigar assuntos nem palavras. Vem mais uma cerveja e os olhares, que até então se evitavam, arrostam-se cada vez mais. Depois, já na rua, dão-se as mãos como um princípio do corpo.
Acho que é sempre assim ou quase assim. O corpo e a noite. Estamos numa cama que não conhecemos bem e por isso reparamos com mais intensidade no enquadramento nocturno da janela do quarto. É estranho, o nosso mundo mudou totalmente numa noite mas lá fora continua tudo igual: a Lua, as nuvens, os telhados e o ruído dos automóveis que pontilham a noite com faróis perdidos. Para o mundo ainda é segredo que nos estamos a apaixonar.
Acho que é sempre assim ou quase assim. De manhã ao acordar não sabemos se foi apenas mais um queca fortuita, por isso fechamos os olhos de novo para poder sonhar nessa incerteza. O toque do despertador não foi igual ao que estamos habituados. A estação de rádio sintonizada também não nos é familiar, assim como não é o candeeiro de mesa ou o chão onde as nossas roupas estão espalhadas.
Acho que é sempre assim ou quase assim. Apaixonarmo-nos é também emigrar e perdermo-nos num mundo novo onde temos que perguntar os nomes das ruas. A paixão não é só fácil. Às vezes também é difícil. Só é sempre boa. Pensei nisso agora que me perguntei onde é que está o livro que ando a ler e não soube responder. Acho que está na minha casa e no meu mundo de onde emigrei...

8.20.2009

um rabanete estrangulou uma mulher...



O ano passado, a empresa de fatos para homem, Duncan Quinn, promoveu o seu produto com este cartaz onde um tipo bem vestido parece ter acabado de estrangular uma mulher em roupa interior, deitada sobre o capô de um automóvel. O site feminist considerou-o, e muito bem na minha opinião, o Most Disturbing Ad of the Year.
É verdade que eu normalmente não uso fatos e que a minha roupa preferida passa por calças de ganga escuras, sapatos de pele confortáveis e camisolas mais quentes ou mais frescas consoante a temperatura ambiente, mas ainda assim não consigo perceber como é que este anúncio pode levar alguém a comprar um Duncan Quinn. É que uma mulher morta em cima de um carro com um gajo com ar de rabanete a puxá-la por uma gravata não é nada apelativo. Realmente, só se alguém se quiser disfarçar de rabanete no Carnaval. Por mim, vou continuar a vestir as minhas t-shirts preferidas: uma com o Gasganete e outra SuperFro.

conversa 1302

Ela - Ajudas-me a fazer a minha cama antes de saíres?
Eu - A esta hora? É quase meia-noite... não te vais deitar?
Ela - Vou... quero deitar-me com a cama feita...
Eu - Para quê? Vais fazer a cama para a desfazer logo a seguir...
Ela - Não me peças para te explicar. Acho que é uma coisa que os homens não conseguem entender...

8.18.2009

conversa 1301

[num café com uma empregada de balcão (1) e uma de mesa (2)]

Ela 1 - Vai ali atender o teu cliente.
Ela 2 - Meu? Alguma vez ele é meu? Se fosse saltava-lhe já para cima.
Ela 1 (virando-se para mim) - Olhe que ela é casada.
Ela 2 - Sou casada mas o meu marido já não dá nada...
Ela 1 - Dá sim senhora. Olha não dá...
Ela 2 - Se dá é contigo. Comigo chega a casa a cheirar a vinho e adormece.
Ela 1 - Credo, comigo não que me estou a guardar para o casamento.
Ela 2 - Então também não interessas a ninguém que isso é só teias de aranha.
Ela 1 - Pergunta lá ao teu cliente se quer alguma coisa.
Eu - Eu queria uma água, por favor.
Ela 2 (virando-se para a Ela 1) - Olha, este bebe água. Também não deve ser grande coisa...

conversa 1300

Ela - O que eu não percebo é porque é que pessoas que já tiveram casamentos falhados e sofreram com esses casamentos tornam a casar...
Eu - Bem... o casamento não sei. Isso é um pormenor... mas acho normal que as pessoas se juntem outra vez após uma relação falhada.
Ela - Achas? Porquê?
Eu - Duas pessoas juntam-se essencialmente por dois motivos, acho eu: um é combater a solidão, outro é ter uma vida sexual activa.
Ela - O quê? Para combater a solidão também?

mulheres artistas que não compreendo (22) e pensamentos catatónicos (188)

mulheres artistas que não compreendo (22)

Maria Teresa Fernández, uma fotógrafa mexicana radicada nos Estados Unidos, anda há quase vinte anos a fotografar a vida na fronteira entre o México e os Estados Unidos onde, em cerca de um terço da sua extensão total, existe uma barreira física a impedir a passagem.
Do seu trabalho constam imagens de abraços entre familiares, amantes e amigos que vivem do lado oposto da fronteira. Segundo a fotógrafa, durante anos muitas pessoas viajaram centenas de quilómetros para poder abraçar um filho, um pai ou um marido.
Há uma coisa que eu tenho a certeza que é necessária para conseguir fazer um trabalho destes: ser forte. É que esta barreira física demonstra o quão contraproducentes os indivíduos da nossa espécie consegue ser: por um lado viajam quilómetros para sentir o calor e o palpitar da vida de um ente querido, por outro aceitam uma organização política que os divide construindo muros e afins.

pensamentos catatónicos (188)

Estava a reportagem sobre ela no site da BBC brasil e, ao ver o abraço da fotografia, lembrei-me de alguns abraços a mulheres que também já dei assim, através de um muro que me separador. É que entre duas pessoas que se amam surgem constantemente muros invisíveis que, embora não acabem com a vontade de abraçar, impedem que esses abraços aconteçam. É o que acontece, por exemplo, com uma simples discussão por um motivo absurdo qualquer. O muro cresce... até que um dos dois tenha a coragem de o demolir.

o gato, a saga continua...

Ontem deixei o gato siamês que encontrei no núcleo de Aveiro da PRAVI (também existe nas cidades de Lisboa, Porto, Setúbal, Coimbra e Santarém) e, porque percebi que é uma associação que trabalha a sério, o mínimo que posso fazer é ajudar na sua divulgação.
Para além de recolher e tratar animais em risco, tenta arranjar-lhes um dono. Para o siamês que lá deixei já encontrei, muito provavelmente, acolhimento (leitor deste blogue), mas há lá muitos outros gatos e cães à espera de encontrar um dono melhor do que eu.
Para adoptarem um animal ou simplesmente ajudarem a associação, podem contactar a senhora Olga através do número 966 089 957.

8.17.2009

conversa 1299

(ao telefone)

Ela - Já conseguiste dar o gato que apanhaste na rua?
Eu - Não. Conheces alguém que o queira?
Ela - Não... mas gostava de ir aí vê-lo...
Eu - Ao gato ou a mim?
Ela - Ao gato, claro. A ti já te vi demasiadas vezes...

8.16.2009

detesto gatos...

Ontem à noite, a chegar a casa de férias, um gato veio enrolar-se nos meus pés enquanto eu abria a porta da frente. Estava com um ar esfomeado e fartava-se de miar. É nitidamente um gato habituado a uma casa e não um animal vadio, de tal forma que não consegui deixá-lo ali. Só há duas hipóteses: ou foi abandonado ou anda perdido.
Nisto tudo só há um problema pequenino: EU DETESTO GATOS e não tenho vida para ter um. Por isso tenho que lhe arranjar um dono rapidamente. É um siamês ainda cria que, segundo a minha companheira, tem entre quatro e seis meses de vida. Se alguém o quiser contacte-me por favor, por email ou mesmo através desta caixa de comentários. Estou desesperado!



8.12.2009

enquanto ainda tenho uma réstia de bateria no portátil...

Enquanto ainda tenho uma réstia de bateria no portátil aproveito para dizer qualquer coisa...
Depois de uma semana no Algarve, subi o calor do país e instalei-me hoje num parque de campismo em São Pedro do Sul. Este blogue tem estado um bocado parado por causa das férias mas, na verdade, acho que só me faz bem. Às vezes é mesmo bom parar um bocado com a rotina.
Por falar em rotina, acho que nesta semana no Sul me apercebi de como os filhos, ao contrário do que diz o senso comum, nem sempre servem para fortalecer relações. Às vezes enfraquecem-nas. É que as crianças têm o dom de conseguir que os pais, padrastos ou madrastas, tenham muito menos tempo e disponibilidade um para o outro. Para além da constante gritaria entre os putos, há a permanente atenção ao que comem, como dormem, como se portam nas ondas do mar, etc, etc. De repente percebemos que não estamos a dar atenção nenhuma à nossa namorada e que, mesmo sem o percebermos, há uma imperceptível carência de parte a parte que se pode transformar em má disposição.
É verdade que a relação entre um pai e um filho é fortíssima, mas também é verdade que às vezes é bom ter algum tempo só para a pessoa que amamos. A bem da nossa saúde mental. E por falar em saúde mental, a minha filha anda ali com uma lanterna entre as árvores do parque de campismo à procura de girafas e de leões. É melhor eu ir ajudá-la até porque segunda-feira volto ao trabalho...

8.06.2009

conversa 1298

Ela - Dás-me o teu pacote de batatas fritas?
Eu - Não... mas podes tirar algumas...
Ela - Eu não quero batatas. Quero mesmo só o pacote para poder concorrer a um concurso com um código que está na embalagem e que se envia por sms...
Eu - Ah! Então deixa-me acabar de comer...
Ela - Sim, deixo... mas despacha-te...
Eu - Tem calma.
Ela - Estou em pulgas.
Eu - Então vê lá o código, manda o sms e deixa-me comer em paz...
Ela - Isso não... se ganho um prémio depois já não mo dás...

às 21:30, está combinado?

Neste blogue desafiaram-me a escrever uma carta que termine um relacionamento. Um desafio interessante, que agradeço. Agora passo-o à Pâmela Rodrigues, à Gigi e a quem mais quiser...

Aquilo que aprendi na vida é nada. Ou quase nada, para ser mais exacto.
Por exemplo, aprendi que o peixe sabe a peixe e que a carne sabe a carne mas que no restaurante da senhora Maria o peixe pode saber a carne e a carne pode saber a peixe. Usam o mesmo óleo para fritar ambos, disseste-me tu uma vez entre os teus sorrisos doces.
Outro exemplo: aprendi que se se puser um colher no gargalo duma garrafa de espumante por terminar, o gás não sai. Disseste-me tu uma vez durante uma festa e, apesar de ainda necessitar de alguma base científica para o comprovar, parece-me ser verdade.
Outro exemplo duma coisa simples que aprendi contigo e que nunca mais esqueço: quando dois namorados passam um dia inteiro juntos e não dão as mãos nem se beijam, então já não são namorados a sério. Apesar de também carecer de comprovação científica, acredito que seja mais uma verdade das tuas. Disseste-mo na altura em que os nossos lábios e as nossas mãos se uniam com a brandura de um petroleiro amarrado ao porto. Lembras-te?

É por isso que acho que não vais estranhar ler este email em que te digo que acho que não faz sentido continuarmos a telefonar todos os dias um ao outro, sairmos todos os dias um com o outro, fazermos amor todos os dias um com o outro. O que faz sentido é bifurcarmos aqui as linhas da nossa vida e não deixarmos que elas se separem cada vez mais. Podemos cruzá-las outra vez, por exemplo, daqui a uns três meses, no restaurante da senhora Maria. Podemos comer carne que sabe a peixe e peixe que sabe a carne, podemos beber espumante e, sabe-se lá, talvez possamos dar de novo as mãos e os lábios. No dia 5 de Novembro às 21:30, está combinado?

fotografias da adolescência...

Já vos aconteceu encontrarem lembranças na vossa memória que não conseguem situar muito bem? É como ver fotografias num álbum em que faltam algumas folhas e onde o tempo já apagou a maior parte das anotações. Pois bem, hoje passei o dia a ver fotografias dessas, quase todas delas relacionadas com mulheres...

1] pernas de frango
Foi provavelmente o primeiro método de engate na minha vida e, acreditem, o primeiro falhanço também. Num piquenique qualquer durante uma visita de estudo da minha sala (dizia-se sala e não turma) da escola primária, troquei as duas pernas de frango de churrasco que a minha mãe me mandou numa tupperware por outra parte muito menos saborosa, creio que umas asas. A miúda que comeu as pernas e que, admito, fez de mim parvo, acabou por me dar um beijo mas inconsequente. No dia seguinte voltou às brincadeiras com as suas amigas e eu aos meus jogos de futebol em que a bola era um pacote vazio de um litro de leite. Acho que ainda estava a digerir as asas...

2] à boleia pela rua...
Nunca percebi o que é que falhou com a Márcia (nome fictício, claro). Foi ela que teve a ideia de passarmos uma noite juntos no quarto dela e eu, tanto pela aventura como por estar apaixonado, aceitei imediatamente esperar pacientemente que os pais dela adormecessem para depois, conforme combinado, ela me abrir a porta. Como supostamente a família acordava cedo para ir trabalhar, teríamos a manhã toda por nossa conta. E teríamos mesmo, não fosse eu ter esperado até às três da manhã sem ela aparecer. O problema é que eu vivia em Aveiro e ela a dezasseis quilómetros de distância. Acabei por voltar à boleia de um desconhecido por volta das cinco da manhã... e juro que nessa noite imaginei como seria bom existirem telemóveis.
No dia seguinte ela disse-me simplesmente que tinha adormecido...

3] uísque
Se é verdade que fui precoce a imaginar o telemóvel, também é verdade que fui precoce a desejar não ter nenhum. Era tão bom ir acampar no Verão e estar realmente incontactável. Até os nossos pais tinham que esperar pela nossa boa vontade em ir a uma cabina telefónica dizer-lhes que estava tudo bem. Acho que era essa distância da família que dava ao campismo a conotação de espaço privilegiado para o engate adolescente.
Num Verão qualquer, num parque de campismo transmontano, lá consegui depois de muito esforço que uma miúda gira interrompesse uma dança numa discoteca para se sentar comigo numa mesa e ter uma conversa séria. É que apesar de eu não a conhecer de lado nenhum, sentia que tinha muitas coisas importantes para lhe dizer. E tinha mesmo, só não sabia quais. Claro que primeiro, para me armar em homem adulto (que de facto ainda não era), forte (que de facto ainda não era) e experimentado (que de facto ainda não era nem nunca cheguei a ser), comecei por beber um uísque enquanto lhe oferecia uma coca-cola. Pois o uísque deu-me tal volta à cabeça que acabei por perder a noção do que estava a fazer e a dizer. Caso encerrado... no dia seguinte ela passou por mim, riu-se com a superioridade inerente a uma adolescente que bebeu uma coca-cola à minha custa, e foi à vida dela...

conversa 1297

A minha conta no twitter foi suspensa porque, não sei como, alguém fez um spam na minha conta com um link para uma dessas coisas a prometer dinheiro sem trabalho.
Quando me levantarem a suspensão vou perder todos os seguidores e seguidos, ou seja, se calhar até acabo com aquilo... mas estou chateado, lá isso estou...

Eu - A minha conta no twitter foi suspensa...
Ela - Já fizeste asneira.
Eu - Não fiz nada. Alguém utilizou a minha conta para fazer spam...
Ela - Lá está. Fizeste asneira ou alguém fez por ti. Vai dar ao mesmo.
Eu - Não brinques. Estou chateado com isto...
Ela - Vá lá... amua um bocadinho...
Eu - Amuar não amuo... mas talvez te lembre que ainda me deves doze euros do jantar de ontem.
Ela - Vai à merda. Não tens sentido de humor nenhum.
Eu - Tu também não.
Ela - Tu é que não.

conversa 1296

Eu - Vou comer aqui um gelado...
Ela - Uma bola é dois euros, duas bolas são dois euros e meio. São caros...
Eu - Pois são... mas têm bom aspecto.
Ela - Podemos pedir um gelado de três bolas, que é três euros, e dividir...
Eu - Está bem...
Ela - Eu quero uma bola de banana e uma de chocolate...
Eu - Eu quero uma de figos com amêndoa e uma de rum com passas...
Ela - Mas isso dá quatro sabores...
Eu - Pois dá... mas eu já estava a pensar nestes dois sabores.
Ela - E a mim apetece-me mesmo banana e chocolate.
Eu - Então pedimos um gelado de quatro bolas...
Ela - Isso não porque é muita mistura. Depois começam a derreter e os sabores vão-se perdendo.
Eu - Então abdica de um sabor...
Ela - Abdica tu.
Eu - É melhor pedirmos dois gelados, cada um com dois sabores...
Ela - Sim... contigo parece não ser possível fazer quase nada a dois.

8.04.2009

pensamentos catatónicos (187)

Hoje vi uns miúdos a fazer uma escultura na areia da praia. Era uma espécie de cidade com edifícios, torres e estradas. Depois, antes de irem tomar banho, destruíram-na completamente. No princípio fiquei um bocado chocado mas depois cheguei à conclusão que todos fazemos mais ou menos o mesmo de vez em quando. Construímos uma forte relação com alguém e aí circulamos à vontade como numa cidade qualquer. É certo que às vezes viramos à direita quando devíamos virar à esquerda, outras vezes estacionamos quando devíamos acelerar mas, a conduzir melhor ou pior, gostamos sempre de viver nessa cidade, pelo menos até a destruirmos também. Talvez o amor seja uma espécie de escultura na areia...

espermatozóides na piscina

Não sei se conhecem esta história duma mulher polaca que processou um hotel num Egipto porque, durante a sua estadia ali, a sua filha de treze anos engravidou. Agora, e porque está convencida que a filha não teve relações sexuais com ninguém, acha que a água da piscina do hotel estava cheia de espermatozóides...
Eu tiro facilmente duas conclusões deste acontecimento. Primeira: a mãe é tola. Segunda: a filha engravidou porque está farta de aturar a mãe e quer fugir de casa.

8.03.2009

conversa 1295

(enquanto eu desfazia as malas no primeiro dia de férias...)

Ela - Ena... tantas cuecas novas...
Eu - Algumas... ofereceram-me agora quando fiz anos.
Ela - É uma prenda muito íntima.
Eu - É uma prenda como outra qualquer.
Ela - E acertam no teu tamanho e tudo...
Eu - Pois... basta olhar para mim para poder calcular o tamanho do que visto...
Ela - E acertaram no tipo de cuecas que vestes...
Eu - Pois acertaram... foi sorte.
Ela - Tens muita sorte, tu.
Eu - Muita não... mas quem mas deu adivinhou mesmo, ou pensas o quê?
Ela - Eu não penso nada. Tu é que pensas que eu penso...
Eu - Ok...
Ela - E já agora, o que é pensas que eu estava a pensar?
Eu - Nada...

desculpas zen

Estou de férias no Algarve e, consequentemente, numa onda zen. Sem querer apaguei todos os comentários deste dia e parte do dia de ontem. Ainda recuperei alguns à mão mas, aos visados peço desculpa pelo facto... e, se não se importarem muito, podem comentar de novo... :(

8.02.2009

conversa 1294

Ela - Os Xutos e Pontapés são uns maricas... há bandas de homens armados em bons que depois se revelam uns maricas...
Eu - Porque é que dizes isso?
Ela - Têm uma música sobre o Sócrates que começou a dar alguma celeuma e, com medo, fizeram um comunicado a dizer que não a música afinal não se referia a ele...
Eu - Ah! sim... ouvi qualquer coisa sobre isso. Tens razão, sim.
Ela - E dás-me razão?
Eu - Dou. Já sei do que estás a falar por isso dou...
Ela - És tão fácil de convencer...
Eu - Não me convenceste de nada. Concordo contigo e pronto.
Ela - E convenci.
Eu - E não.
Ela - E convenci.
Eu - E não.