11.26.2009

gosto de vocês!

Amanhã, sexta-feira, vou para Londres passar o fim de semana e só volto na terça-feira. Não sei se vou ter acesso fácil à internet mas é provável que não. Se não conseguir actualizar este blogue até lá, aproveito para agradecer a todos os que vão passando por aqui. Gosto de vocês!

conversa 1373

Ela - É muito fácil saber se uma mulher solteira está apaixonada por alguém ou não...
Eu - Como é que se sabe?
Ela - Se ela se pentear regularmente está apaixonada, se não se pentear não está...
Eu - Tu estás penteada... e na verdade acho que tens andado muito bem penteada nos últimos tempos. Estás apaixonada?
Ela - Bruxo. Também estou à espera há três dias que ele me telefone e nada.
Eu - E tu já lhe telefonaste a ele?
Ela - Não. Primeiro queria saber se ele está apaixonado por mim. Por isso é que queria falar contigo.
Eu - Comigo?
Ela - Sim. Se uma mulher andar penteada é sinal de que está apaixonada, qual é o sinal mais evidente nos homens?
Eu - Epá, sei lá... acho que não há nenhum sinal comum aos homens apaixonados. No entanto eu, que ando sempre despenteado, quando me apaixono por uma mulher também tento nunca aparecer-lhe à frente despenteado...
Ela - Porra! O gajo é careca. Vamos mas é abrir o vinho que trouxeste.

conversa 1372

(na sequência da conversa 1371)

Eu - Acho que vou pôr no meu blogue a conversa contigo quando me mandaste ir ao café para veres televisão.
Ela - Põe... mas diz que era para ver a Anatomia de Grey. Todos me vão dar razão.
Eu - Eu nunca vi essa série. Acreditas?
Ela - Acredito. Por isso mesmo é que te considero um bom amigo mas nunca poderia ser tua namorada.

conversa 1371

(na casa dela, toco à campainha, ela abre e enquanto eu subo as escadas ela volta para a sala de estar)

Eu (depois de entrar na sala) - Desculpa o atraso... ainda passei no supermercado para comprar uma garrafa de vinho...
Ela - Está bem... está bem... tens é que me sair da frente para eu poder ver a Anatomia de Grey.
Eu - Mas... não me telefonaste para vir aqui por precisares de falar comigo?
Ela - Sim... mas esqueci-me que dava esta série. Vai ali ao café de baixo e volta daqui a vinte minutos. Pode ser?

pensamentos catatónicos (193)



Acho mais oportuno o bolo de divórcio do que o bolo de casamento. Quando casamos estamos apaixonados e não precisamos de nada para adoçar o momento. Quando nos divorciamos, mesmo que o divórcio seja de comum acordo e o mais pacífico do mundo, há sempre uma dor associada. Dizem que os doces são uma boa terapia para combater a tristeza...

vergonha

Sara Tavares, de 24 anos, foi assassinada à facada pelo marido este ano em Portimão por se ter recusado a passar o dia na casa da sogra. A Sara é apenas uma da lista que o Público publicou com as vítimas de violência doméstica mortais deste ano no nosso país.
Esta lista tem uma vantagem: não se limita a ser quantitativa e dá um rosto às vítimas. É que as vítimas têm sempre um rosto, têm uma vida toda até ao dia em que morrem antecipadamente.
Acho que é óbvio que as mulheres estão cada vez mais sensibilizadas para reagir à violência doméstica quando são vítimas. Ainda bem. O que falta é sentirem protecção do sistema quando o fazem. Quando há uma vítima mortal de violência doméstica temos que pensar que o Estado falhou, ou seja, nós todos falhámos e devíamos ter vergonha disso. Eu tenho... e muitas vezes tenho vergonha deste país.

conversa 1370

Ela - Estou um bocado triste. Eu e o Mário* estamos outra vez separados...
Eu - A sério? Tem calma... mas não se chatearam, pois não?
Ela - Foi só uma pequena discussão. Ele acha que eu sou muito exigente, não sei porquê.
Eu - Pois... as exigências, poucas ou muitas, costumam ser sempre um problema em qualquer relação.
Ela - Caramba! Será pedir muito a um homem que deixe de sair todos os fins de semana com os amigos, que não esteja todas as noites no computador a jogar joguinhos estúpidos, que faça um jantar diferente e não a mesma coisa todas as noites, e que deixe de ir ao Porto ver jogos de futebol?
Eu - Pois... hum... hum... não é assim muito... sei lá... ou talvez seja um bocadinho... não sei...


*nome fictício para protecção dos interlocutores. aliás o nome verdadeiro é Marcelino.

11.25.2009

conversa 1369

(no café, eu a tomar café e ela um café com um copo de água)

Ela - Hoje no supermercado um homem deixou-me passar à frente dele na fila.
Eu - Mas porquê? Pensou que estavas grávida?
Ela (atira a água do copo para cima de mim)

(dois minutos depois)
Eu - Tens que ter mais calma. Era só uma piada...
Ela - Há piadas proibidas para mulheres... devias saber isso.
Eu - Bem... se levaste isso tão a sério é por que achas mesmo que estás...
Ela - Tornas a falar nisso e em vez de atirar água fria atiro-te um café a ferver.

conversa 1368

(na casa dela)

Eu - Epá! Tinhas razão quando dizias que se ouvia bem os teus vizinhos na cama. Isto é uma barulheira...
Ela - Sim, ouve-se tudo. Às vezes acho que eles até fazem de propósito.
Eu - Sim, ela grita mesmo muito.
Ela - Pois... e eu aqui a beber vinho contigo.

coisas que fascinam (91)


Serpa, Novembro 2009

Optei por ir a Serpa neste fim de semana sem pagar portagens porque fiz as contas e cheguei à conclusão que as mesmas iam duplicar o custo da viagem.
Devo dizer que sou um apaixonado pelo Alentejo profundo e penso muitas vezes que se deixasse de viver em Aveiro era para lá que queria ir. Há qualquer coisa nos alentejanos que me fascina e que tem a ver com honestidade. Talvez não haja a simpatia generalizada que existe no norte mas também não existe hipocrisia nem beatice. Com as devidas excepções à regra acho que o Alentejo é a zona mais honesta de Portugal.
No regresso, enquanto percorria aquelas longas rectas de alcatrão que ligam Beja a Évora, Évora a Arraiolos e Arraiolos a Ponte de Sôr, pensei que é assim que quero que a minha vida emocional seja: com rectas longas e sem muitas curvas e contracurvas. Talvez também pelas estradas eu goste tanto do Alentejo... e não só.

11.23.2009

a dormir...

Acabei de apagar, sem querer, vinte e dois comentários deste blogue. Passei a noite numa cansativa viagem de automóvel entre Serpa e Aveiro e agora, em vez de clicar no "publicar" cliquei no "rejeitar". Aos visados peço desculpa e prometo acordar definitivamente depois de tomar o próximo café.

11.20.2009

conversa 1367

(num hipermercado em Aveiro, com ela a guardar tudo o que é catálogo de produtos e promoções)

Eu - Para que é que queres essa papelada toda?
Ela - Oh! O meu marido pôs um autocolante daqueles amarelinhos na caixa de correio e agora ninguém lá põe publicidade.
Eu - Mas... para que é que queres tanta papelada?
Ela - Para ler quando vou à casa de banho.

conversa 1366

Ela - Acho que a mulher, na maior parte dos casos, é que decide se há sexo ou não...
Eu - Porque é que achas isso?
Ela - É que para sexo os homens estão sempre prontos. Basta a mulher dizer que sim...

quatro presépios em quatro cantos do mundo...

Presépio Espanhol
O menino Jesus é substituído pelo Cristiano Ronaldo, os três reis por adeptos desdentados do Real Madrid e o burro e a vaca também são adeptos do Real Madrid.
No meio do estádio Santiago Bernabéu (desculpem lá, isto é mesmo nome de estádio?), Cristiano Ronaldo descansa num fardo de palha com todos os adeptos do Real Madrid a olhar para ele com esperança que ele recupere rapidamente de mais uma lesão. Como se sabe, em Espanha há montes de Josés e de Marias, por isso esses vêem a cena pela tve. Lá em cima brilha a estrela polar.

Presépio Jamaicano
No presépio jamaicano são todos (José, Maria, o burro, a vaca e os três reis) substituídos por rastas. Para quem não sabe, um rasta é um gajo com cabelo seboso e comprido que não toma banho desde criança e que tem os olhos fora das órbitas.
Numa praia paradisíaca, em cujo mar dança o reflexo da Lua, sete rastas fumam marijuana desde manhã. Com uma voz lenta um deles conta uma história que não conhece muito bem mas tem a ver com uma estrela que... estás a ver? Guiou... conduziu uns bacanos... uns gajos fixes até uma gruta, ou então era uma manjedoura, bem... não interessa... epá... e... estás a ver? Lá estava uma criança que era muito especial... porque... porque... o pai não precisava de pinar para fazer filhos... a mãe até era virgem... mas era tudo pessoal muito bacano... estás a ver? Lá em cima brilha a estrela polar.

Presépio Japonês
No presépio japonês José é substituído por um Gormitti, os três reis são substituídos por três Transformers e o burro e a vaca são substituídos por dois cães robôs da Sony.
Todos eles, num pequeno apartamento num edifício com cento e vinte e quatro andares, vêem Maria a jogar Super Mário numa Nintendo Wii. Se ela atingir os mil pontos ganha uma vida. Lá em cima brilha a estrela polar.

Presépio Português
No presépio português José não aparece, já que apesar de Maria estar a dar à luz um filho seu, ele não tem direito ao dia por estar a trabalhar a recibos verdes num restaurante de fastfood num shopping dos subúrbios duma cidade qualquer. Os três reis são substituídos por dois bombeiros (o condutor e o auxiliar)
Uma ambulância parada com as portas de trás abertas, de onde se ouvem os gritos desesperados de Maria, ainda tem o motor a trabalhar enquanto um bombeiro improvisa pela terceira vez na sua vida um parto numa estrada nacional. Uma vaca e um burro que pastavam ali perto olham para a cena sem surpresa, acompanhados pelo bombeiro condutor que aproveita para fumar um cigarrinho. Lá em cima brilha a estrela polar.

11.19.2009

conversa 1365

(no café)

Ela - Desculpa o atraso.
Eu - Não há problema. Na verdade também só cheguei há cinco minutos. Tive que ir tratar duns assuntos...
Ela - Eu admito que hoje me perdi e fiquei quase uma hora a ver-me ao espelho.
Eu (risos) - Fizeste bem. És bonita, por isso ficares ao espelho a olhar para ti não é tempo perdido...
Ela - Não é bem isso. Quando fico muito tempo ao espelho é por estar insegura com o meu corpo. Apetece-me beber uma cerveja já de manhã para esquecer o que acabei de ver...

11.18.2009

se uma mulher for uma cidade

Ainda não percebi se uma data pode ou deve ser importante. O que eu percebi é que, se puder ou dever, o dia de hoje é importante para mim. Faz um ano...

Se uma mulher for uma cidade tenho uma estratégia para ti. Percorrer-te as avenidas, as ruas e os escaninhos numa noite fria até encontrar um bar onde me abrigue do meu amor por ti. Talvez peça um copo de vinho quente com ervas aromáticas, pegue num lápis e no meu bloco e escreva que às vezes me perco na desordem dessa cidade grande e que, aí perdido, me pretendo ficar durante anos até talvez te encontrar. Até talvez me encontrares.

pensamentos catatónicos (192)

Acho que a generalidade das mulheres gosta de, uma vez por outra, provocar alguns ciúmes ao companheiro/namorado/marido através dum esquema que é sempre o mesmo: colocar o nome de outro homem de uma forma abrupta no meio de uma conversa qualquer. Acho também que a generalidade das mulheres não sabe que isso geralmente tem um efeito contraproducente. Mas isso, de facto, sou eu que acho. Posso estar errado.

usadas com garantia



"Paula Hernandez, 40 anos, duas vezes divorciada", é o que diz este cartaz espanhol que promove uma exposição de carros usados da Renault em 2006, que é como quem diz: a Paula está usada mas ainda marcha. Se há publicidade a que se aplica bem a expressão mulher-objecto, é esta. O objecto é um carro que, como se sabe, pode de facto estar em boas condições mas só o compra quem não pode comprar um novo. Não sei se era isso que a Paula estava a pensar quando lhe tiraram esta fotografia. Acho é que não deve ter gostado nada de se ver neste publicidade. Eu, pelo menos, não gosto.

conversa 1364

Ela - Estou numa fase difícil...
Eu - Mas porquê?
Ela - Estou sozinha mas não estou disponível e isto é o pior que pode acontecer a uma mulher.
Eu - Mas se estás sozinha não estás disponível porquê?
Ela - Estou apaixonada por um gajo que não me liga nenhuma, mas como não consigo deixar de pensar nele também não consigo envolver-me com mais ninguém.
Eu - Hum... percebo... mas talvez te fizesse bem envolveres-te com alguém. Às vezes sabe passar uma noite com outra pessoa mesmo que não seja com o amor da nossa vida.
Ela - Vês?! Dizes que percebeste mas não percebeste nada, senão nem dizias isso...
Eu - Percebi, percebi... pensas que isso nunca me aconteceu? Já aconteceu a todos, pá.
Ela - Pois, mas não te deve ter acontecido da mesma maneira, senão não dizias isso...
Eu - Dizia, dizia. Às vezes há pessoas com quem a nossa maior compatibilidade é só sexual, há outras que é mais do que isso mas, caramba, se pudermos passar uma noite entre lençóis com alguém de quem até gostamos, porque não?
Ela - Por que não estamos disponíveis, mas já vi que tu não percebes isso.
Eu - Às vezes falar contigo ou com uma pedra é quase a mesma coisa.
Ela - Contigo também.

11.17.2009

conversa 1363

Ela - Compraste uma camisola nova?
Eu - Comprei... estava em promoção.
Ela - Quanto é que custou?
Eu - Seis euros. Custava quinze...
Ela - É uma porcaria. É toda em acrílico...
Eu - Mas achei-a bonita...
Ela - Mas é uma porcaria. Se andares muito com ela vais começar a cheirar mal e nenhuma mulher se aproxima de ti.
Eu - Não deve ser bem assim...
Ela - Eu, pelo menos, não me aproximo.