11.03.2008

PSD

1] O PNR já abordou o PSD para uma eventual transferência da sua ponta de lança, Manuela Ferreira Leite, depois das suas declarações sobre o investimento público em Portugal que, segundo a mesma, só combatem o desemprego na Ucrânia e em Cabo Verde. Segundo o que este blogue apurou, o valor do passe está baixíssimo... provavelmente devido à falta de pontaria que a jogadora tem revelado nos últimos tempos, falhando por exemplo um golo de baliza aberta quando defendeu o sexo para procriar...

2] Com uma ajuda do governo, finalmente descobri a razão de ser deste cartaz do PSD nos anos 70. Durante anos e anos nunca percebi de que homem é que o partido falava. Agora já sei: O homem é o Cadilhe, que foi ganhar um salário milionário para o BPN que agora vai ser.... nacionalizado devido a perdas acumuladas que rondam os 700 milhões de euros. Claro que se continua a privatizar tudo o que dá lucro e a nacionalizar tudo o que dá prejuízo.

11.02.2008

conversa 1041

Ela - Olá!
Eu - Olá!
Ela - Eu sei quem és...
Eu - Ainda bem, porque eu não sei muito bem quem sou.
Ela - Conheci-te uma vez no liceu de Esgueira.
Eu - Eu andei sempre na Escola Comercial...
Ela - Mas foste uma vez com o ******* ao liceu de Esgueira...
Eu - Ei... Tinha aí uns dezassete anos, ou seja, isso foi há vinte anos.
Ela - Pois foi. Estás farto de passar por mim e nem me cumprimentas...
Eu - E tu por mim...

o homem como vítima da publicidade



O teu uísque tem um grande corpo e um bom carácter, gostava de poder dizer o mesmo da minha namorada. Foi com esta frase que a Maker's Mark tentou vender o seu produto o ano passado. À primeira vista pode parecer que a mulher é a única vítima desta publicidade imbecil, mas não é. O que se passa aqui é que a mulher é atirada para um canto do esgoto e o homem... para outro. No canto dela, ela está totalmente sujeita à vontade e arbítrio do homem. No canto dele, a afirmação da sua masculinidade passa apenas pelo consumo de álcool. Apetece-me apenas propor que ninguém beba Maker's Mark. Nem homens nem mulheres...

há vinte anos

Uma mulher bonita veio falar comigo esta noite, na discoteca Axé Moi, e disse-me que me conhecia. Puxei pela memória e.... sim, conheci-a há vinte anos. Agora, como estou com uma crise existencial, vou dormir.

telemóvel

Esta noite entraram no meu carro e roubaram-me, entre outras coisas, o telemóvel. Isto quer dizer que neste momento não tenho o número de ninguém. Peço por favor, a quem fazia parte da minha lista de contactos, que me mande o número para o email bagacoamarelo@gmail.com . Esta semana compro um telemóvel novo e logo digo qual o meu número...

11.01.2008

conversa 1040

Ela - Ontem estavas com um miúda muito gira...
Eu - Quem?
Ela - Aquela, na loja onde te encontrei...
Eu - Ah! Pois estava. Não a conheço. Era a empregada. Estava a ajudar-me a encontrar uma camisola para o meu tamanho...

amanhecer

Dormi profundamente em metade da cama. Acordo e estico o braço direito naquilo que posso considerar o primeiro gesto do dia. O lençol da outra metade está frio. Podia pensar em qualquer coisa a partir daí mas não... os pensamentos chegam sempre depois dos gestos.

Ela dormiu no sofá, apesar da minha morna insistência em não o fazer. Acordou antes de mim e arrumou dois dias de cozinha. Copos de dois dias, pratos de dois dias, talheres de dois dias. Depois fez um chá que agora me traz ao quarto. Pousa-o na mesa de cabeceira e toca-me silenciosamente no corpo para que eu acorde. Gosto do toque. Também ela sabe que os gestos nascem antes dos pensamentos.

Não costumo dormir em metade da cama. Costumo adormecer na diagonal ocupando-a toda. Se hoje o fiz foi porque o meu subconsciente pensou que ela vinha deitar-se ao meu lado quando interrompesse a leitura do livro que tirou da minha estante. Por isso é que lhe disse "até já" quando a deixei no sofá ontem à noite. Até já, respondeu ela. Depois não veio.

Ela entra na casa de banho quando eu já estou no chuveiro. Pelo cortinado de plástico vejo-a sem ela me ver a mim. Sou um voyeur sem vergonha nesta altura. Ela lava os dentes e penteia-se em silêncio. Depois despede-se tocando com a mão no cortinado que, tal como eu, treme. Que logo à noite me telefona, diz. E sai.

10.31.2008

conversa 1039

Ela - Posso dormir no teu sofá este fim de semana?
Eu - Podes.
Ela - Foi onde dormi melhor nos últimos tempos. Foi no teu sofá enquanto tu trabalhavas no computador a noite toda...
Eu - Eu lembro-me. Então se eu não estiver a trabalhar no computador ainda dormes melhor.
Ela - Não... durmo melhor se estiveres no computador...
Eu - Não me vais pedir para ficar no computador a noite toda, pois não?
Ela - Vou... Quer dizer, ia.

conversa 1038

Ela - Tenho que te dizer uma coisa.
Ela - Eu não estou apaixonada por ti mas também não quero que ninguém se apaixone. Nem que tu te apaixones por ninguém. Pronto, já disse. Estava aqui atravessado.
Eu - Mas porquê?
Ela - Não quero e pronto. Vê lá o que fazes... quero que isto continue sempre assim entre nós os dois.
Eu - Em part-time?
Ela - Chama-lhe o que quiseres.
Eu - Mas vai acontecer com um de nós, mais cedo ou mais tarde.
Ela - Então tem que ser comigo primeiro. Deixa-me arranjar um gajo qualquer e depois já podes.

conversa 1037

Ela - É verdade que és anósmico?
Eu - Sim... não na totalidade mas sou um bocado, sim...
Ela - Eu tenho uma amiga que não consegue arranjar namorado porque tem um problema hormonal e cheira muito mal...
Eu - Esquece.
Ela - Esquece porquê? Se tu não cheiras...
Eu - Mas não vou andar com uma mulher que cheira mal só por isso, não é?
Ela - Não é só por isso...
Eu - É porquê?
Ela - Tu às vezes também precisas dum banho...
Eu - Eu tomo banho todos os dias já por causa disso...
Ela - Então passa a tomar dois.

trois

1] Aveiro na cultura popular... mais propriamente numa música dos trabalhadores do comércio. [link ]
2] De vez em quando lá se compreende mais ou menos uma mulher por um dia ou dois. [link]
3] A ssrighid é minha amiga e, sem medos, criou uma etiqueta chamada conversas à moda do blog do Ivar. [link]

conversa 1036

(no carro, com o rádio ligado)

Ela - Podes pôr outra vez aquela música?
Eu - Que música?
Ela - Esta que acabou de tocar.
Eu - Não posso. É rádio...
Ela - E sabes que música é? Assim podias tirá-la da net...
Eu - Ia distraído. Nem ouvi.
Ela - É o costume. Quando é importante prestares atenção nunca prestas.

10.30.2008

conversa 1035

Ela - As mulheres e os homens nunca serão iguais.
Eu - Nunca serão iguais como?
Ela - Às mulheres que pretendem igualdade com os homens, falta-lhes ambição.

um bushmills a meio da tarde

1] Está frio. Entro num café porque preciso beber um bushmills com gelo. É um café qualquer, resignado a uma posição secundária numa estrada nacional.

2] Gosto da maneira como a empregada sorri, juntando os lábios tímidos um no outro. Parece tão afectiva assim. Tento ser simpático mas a voz sai-me monocórdica e forte. Um bushmills com gelo, por favor.

3] Na mesa ao lado da minha, uma mulher já bebeu um chá e já comeu uma torrada. Agora pousou o queixo numa das mãos em forma de concha e olha lá para fora como se esperasse alguém.

4] Numa mesa do canto quatro homens jogam às cartas como se essa fosse a melhor forma de esperar pela Morte, desafiando-a com um jogo insípido qualquer. Olho lá para fora pela janela pontilhada pelos pingos da chuva. A Morte não está a chegar. Nem alguém.

5] A empregada põe o bushmills na mesa. Não tem gelo mas eu não protesto. Bebo-o mesmo assim. É um forma de compensar a minha voz grossa de há pouco. Tenho dois telefonemas não atendidos no telemóvel. Um de um número desconhecido, outro duma amiga de quem me apetece ouvir a voz. Só me apetece ouvir a voz dela porque está frio. Há mulheres frias e mulheres quentes. Esta é quente. Os homens são sempre mornos.

6] Não é a morte mas é quase. Uma família romena com duas crianças entra no café e estende a mão a todos. O homem estende-a aos jogadores de cartas, a mulher estende-a a mim, uma criança estende-a à mulher ao meu lado e outra criança, empoleirada no balcão, estende-a à empregada dos lábios juntos. São mãos que pedem mais uns minutos de vida. É curioso como a Quase Morte pode pedir vida, penso.

7] Tenho dúvidas se estou a beber um uísque ou se é o uísque que me está a beber a mim.

8] Os jogadores de cartas nem olham para o homem que lhes estende a mão. É natural. Esperam a morte e aquele homem é só a Quase Morte. Ainda respira e tudo. Que decepção.

9] Não gosto que me estendam a mão. Não é que me zangue, mas fico sempre decepcionado com o mundo quando alguém me estende a mão. De resto até percebo. Somos todos iguais e todos nos ajoelhamos perante a Fome. Perante a Morte não, perante a Fome sim.

10] A mulher ao meu lado oferece-se para pagar o lanche "aos meninos". Aproveito e ofereço-me para pagar a meias mas a todos. Depois duma conversa com a empregada, que entretanto já não parece tão afectiva, fica combinado. Eles sentam-se numa mesa perto dos homens que jogam às cartas.

11] É giro ver quatro homens à espera da Morte ao lado duma família que mendiga Vida. Melhor ainda, não é giro. É só esclarecedor. Neste momento estou zangado. Só não sei com quem. Com todos, acho eu.

12] Vou pagar e sair. Pergunto quanto é o bushmills e metade do lanche. Olho bem para os lábios dela. Desta vez não se juntaram da mesma forma. É bonita. Saio.

conversa 1034

(ao telefone)

Ela - Liga-te ao messenger que eu preciso falar contigo.
Eu - Estou sem computador. Só lá para o fim da tarde é que devo conseguir ligar-me.
Ela - Ok, então eu espero.
Eu - Mas se tens alguma coisa para me dizer, diz-me agora.
Ela - Não. Tem que ser pelo messenger.

pensamentos catatónicos (152)

O carregador do meu portátil deixou de funcionar. É um computador velhinho mas eu tenho a mania de usar as coisas até ao fim, por isso esperei até ter tempo para cortar o cabo de alimentação na zona visivelmente estragada e comprei um "ligador". Resolvi a coisa com menos de um euro mas fiquei sem internet até agora.
Há bocado sentei-me na mesa dum café e também eu me senti sem energia. Pensei na palavra "ligador" várias vezes. Acho que estou ligado a muitas pessoas e ao mesmo tempo a ninguém. Talvez me deva ligar também, a ver se me uso até ao fim. Talvez, sei lá...

10.29.2008

conversa 1033

Ela - Quero deixar de fumar mas quanto mais insegura estou mais fumo...
Eu - Devias pelo menos fumar tabaco de enrolar... fumavas menos e não faz tão mal.
Ela - Achas que eu tenho vida para andar a enrolar cigarros?
Eu - Acho.
Ela - Estás a ver? Vou fumar mais um. Achas que a minha vida é fácil, não é?
Eu - Eu não disse isso. Disse que achava que podias enrolar um cigarro de vez em quando.
Ela - Disseste, disseste...

o fim começou

Em conversas de homens diz-se de vez em quando que o melhor é um tipo envolver-se com uma mulher casada. Que uma mulher casada, dum amante, só quer a parte boa porque chatices já as tem em casa. Bem... esta teoria é uma tanga. Provavelmente nos homens também.
Em casa parece que está tudo bem. O filho já se habitou a discussões por tudo e por nada, já se habituou a que o pai saia de casa batendo a porta com mais força do que o habitual, já se habituou a que a mãe se feche alguns minutos na casa de banho enquanto ele vê televisão ou joga Playstation.
Na casa de banho ela limpa as lágrimas, mas as lágrimas não caem por causa de mais esta zanga. Caem porque ela tem raiva de não ter coragem de acabar com o inferno onde vive. Perdeu o controle de tudo, incluindo da própria vida, e por isso o amante é a única coisa que ela acha que ainda pode controlar. As mensagens de telemóvel que lhe vai mandar a seguir não são a dizer que gosta dele. São picantes, como se assim pudessem funcionar como um anzol, e chegam sempre com uma ordem qualquer, tipo "não te quero com mais gajas" ou "vê lá o que andas a fazer na minha ausência".
O marido dela pode estar a embebedar-se enquanto vê um jogo de futebol no café, pode estar no cinema ou até numa casa de putas. Já não interessa. O fim começou.

a proximidade

Às vezes, por um momento, é possível amar a mulher que não conhecemos e com quem nunca falámos. Aquela com quem nos cruzamos timidamente no elevador do centro comercial, aquela que depois passa as nossas compras pelo leitor de códigos de barras, aquela que está à nossa frente na fila para a caixa multibanco. É possível amar a mulher que atravessa a passadeira na direcção oposta à nossa ou a mulher que se senta ao nosso lado no comboio. São amores que não o chegam a ser, mas que cumprem aquilo que amores que já o foram não cumprem mais: a proximidade.

conversa 1032

Ela - O meu filho acha que eu e tu devíamos ser namorados.
Eu - E explicou-te porquê?
Ela - Assim, assim. Não explicou tudo mas disse-me que lhe prometeste que um dia destes iam para a lixeira da Taboeira com uma caçadeira matar ratazanas...
Eu - Não...
Ela - Foi ele que inventou essa história?
Eu - Não, pronto. Prometi-lhe porque estávamos a jogar computador...
Ela - Olha que eu não preciso de mais nenhum filho, pá. Principalmente dum quase com quarenta anos. Vê lá se atinas...