3.30.2007

bom fim de semana

Na prateleira as garrafas parecem uma fila de supermercado. Por trás há uma tabuleta que diz que são apenas para consumo da casa, e depois um espelho cansado. É nele que me vejo a dar um último gole num copo de uísque novo. A garrafa de onde ele saiu chama-me discretamente, com algum desdém: “bebe outro, bebe outro”. A infelicidade é o princípio do desdém. Talvez a garrafa seja infeliz por apenas abastecer copos a pessoas sós.
O balcão é uma passerelle de pessoas sós. Um homem à minha direita denuncia-se enquanto marca no telemóvel o número dum anúncio da página relax. São homens divorciados, talvez duma mulher qualquer, talvez também da vida. Todos empurram para a frente os copos vazios, ou as chávenas de café vazias. Agora um lê os anúncios do jornal, outro é fumado pela lentidão dum cigarro, outro rói as unhas e vê um programa na televisão que ainda não percebeu muito bem qual é. E eu? Eu vejo-me reflectido no espelho, mesmo por trás da garrafa que me chama. Bom fim de semana, desejo-me. Talvez seja melhor sair daqui.
Hoje vou buscar a minha filha, amanhã almoço em família e janto com amigos. Domingo ainda não sei. No quero saber. Levanto-me, apoiando temporariamente as mãos no balcão sujo. Colam-se. Descolo-as. Bom fim de semana, desejo-vos. Talvez seja melhor saírem daí, da frente do computador. Talvez, não tenho a certeza. Só um bocadinho.

pensamentos catatónicos (65)

Estava aqui a pensar que há mulheres especialistas em dizer nim

Os dinamarqueses são muito à frente

O Conselho para Ética com Animais da Dinamarca disse nesta quinta-feira que não há necessidade de proibir sexo com animais, a menos que se trate de filmes ou programas pornográficos. mais aqui...

A única coisa que me ocorre dizer sobre isto, é que não me parece que os animais se preocupem muito com o facto de aparecerem no cinema ou na televisão. Estou mesmo a ver… uma ovelha a fugir do pastor e a gritar: - "Primeiro larga a câmara!". Não compreendo as mulheres, é certo, mas também não compreendo os dinamarqueses...

a cidade que sopra na segunda...

A publicação da crónica da cidade que sopra, "a quietude é um gesto consciente", será apenas na segunda-feira.

conversa 113

(hoje de manhã no google talk)

Ela – Almoças comigo?
Eu – Não posso… mas gostava… já devia ter ido trabalhar.
Ela – És sempre a mesma coisa. :)
Eu – Como é que sabes?
Ela – Como é que sei o quê?
Eu – Que chego sempre atrasado ao trabalho…
Ela – Lol! Estava a dizer que nunca almoças comigo. Sei lá a que horas chegas ao trabalho. Lol! Lol!

3.29.2007

trocas e baldrocas



Em 1982 a Cândida Branca Flor concorreu ao festival RTP da Canção com esta Trocas e Baldrocas. Em 1982 eu tinha onze anos, ou melhor, ainda ia fazê-los quando ouvi a mulher a cantar isto em directo na televisão. Admito que, tanto quanto me lembro, foi a primeira vez que pensei que não compreendia as mulheres.

se o teu namorado / é muito envergonhado / e não te abraça que é demais / toma lá cuidado / porque o teu amado / pode ser dos tais...
obs: nunca compreendi porque é que um gajo envergonhado é dos tais, nem sequer o que é ser “dos tais”… mas pronto.

se ele tem conversa / pródiga e diversa / mas trabalho é que não quer / manda-o já embora / que isto quem namora / está sempre a aprender
obs: a tradução disto é que se o gajo é inteligente, o suficiente para não querer passar a vida a trabalhar que nem um animal, não presta…

ai, ai são trocas baldrocas / altas engenhocas / que eles sabem inventar! / são palavras ocas / faz orelhas mocas / não te deixes enganar
obs: isto é o refrão. Basicamente o que diz é que os homens estão sempre na tanga… mesmo quando não estão…

mas se o teu querido / for muito atrevido / não te fies, põe-te a pau / vê se ele é fiel / se sabe o seu papel / ou se arma em carapau / mesmo que ele diga / que muito te liga / minha amiga vai por mim / é tudo cantiga! / sabes rapariga / os homens são assim
obs: bem… um gajo é preso por ter cão e preso por não ter. Primeiro, se não a abraça é porque é dos tais. Agora, se for atrevido, é porque está a mentir. Como é que um gajo há-de compreender as mulheres?

mulheres que eu gostava de poder não compreender (48)



nome: Noriko Tujiko
origem: Osaka (Japão)
Info: nasceu em 1976 e começou a cantar logo aos três anos. Para gostarmos dela basta ouvi-la. A sério que sim. Vê-la, pronto, também ajuda… lol!

link rapidshare

nervous women II

relativamente ao post nervous women, a tangerina responde:

Estás enganado, sim! rs
Eu lá sou de bater o pé e fazer fita, ora.
Ganhaste por valentia e elegância, ao publicares, afinal, os meus dois comentários.
Desarmaste-me:)
(vénia tangerínica)


Pazes feitas depois do divórcio... já lhe posso explicar que só modero comentários neste blog porque não gosto de gente malcriada. A não ser, claro, que essa gente seja eu...
Tangerina, uma flor para ti.

3.28.2007

crónica na sexta

Esta semana a crónica da cidade que sopra é publicada apenas na sexta-feira.

equívoco afectivo

A Associação Lavoisier organiza, na próxima sexta-feira em Lisboa, no teatro A Barraca, uma conferência com o tema "Porque é que nos apaixonamos pelas pessoas erradas".
A psicóloga Ana Cardoso de Oliveira diz hoje no diário gratuito Destak que para evitar uma situação, em tantos casos doentia, há que ter em atenção alguns aspectos. Um deles é a baixa auto-estima. A mesma psicóloga chama ainda equívoco afectivo quando um dá, aparentemente, de forma incondicional, e o outro recebe amor não dando nada em trocamuita gente acredita que só vai ser amada se se portar bem, que é aquilo que as nossas mães dizem, que só gostam de nós se formos bem comportados.
Gostava de ir. Só é pena ser em Lisboa…

nervous women

No post anterior, montanhas, a tangerina fez dois comentários seguidos. O segundo é uma reacção ao facto de eu moderar todos os comentários:

12:36 AM: Cê fala bonito :)
12:38 AM: Eh lá! Não sabia que isto ia passar pela censura! Olhe, faça-me um favor, não publique os meus comentários, ok?

Aqui está um exemplo do que é seguir rapidamente dum casamento para um divórcio, lol! Imagino assim uma mulher nervosa, a bater com o pé direito no chão, de braços cruzados e a bufar… mas posso estar enganado…

crónicas da cidade que sopra | A quietude é um gesto consciente

Sexta-feira, no Diário de Aveiro, mais uma crónica da cidade que sopra.

A quietude da manhã é um gesto consciente. Helena tem vinte minutos para se vestir, tomar o pequeno almoço e apanhar um autocarro para o emprego. Repara que o vento terá adoecido, deitando-se fraco num escaninho da ruela onde vive, ali junto às folhas amontoadas por uma vassoura já ausente, e que agora se vão apartando com latente dificuldade. Aos edifícios decrépitos, as sombras agarram-se em esforço, como se tivessem já atingido a fase outonal da vida. Mas é Primavera e, apesar de Helena não achar esta manhã bonita, acha-a certamente atraente. Tão atraente que acredita que toda a quietude é um gesto consciente, talvez para que a ainda fria luz do sol beije os vidros da sua janela com alguma intimidade. É assim, talvez acredite que o amanhecer todos os dias seja um acto qualquer de amor.

3.27.2007

montanhas

O divórcio é, em alguns aspectos, uma universidade. Já tive conversas com amigos meus que nunca teria tido se não me tivesse divorciado, mas a principal vantagem do divórcio é, depois de a tempestade inicial amainar, conseguir olhar para a vida conjugal que se teve como se se fosse um estranho a ela. Um casamento é uma montanha, e para a vermos na totalidade é necessário afastarmo-nos muito. A única maneira é através do divórcio.
Não estou a dizer que os casamentos são todos maus (o meu não foi) e que os divórcios são todos bons. Estou a dizer que, independentemente de como a vida nos tenha corrido, o divórcio pode e deve ser visto como uma oportunidade e não como um problema. Para tal é fundamental que os divorciados continuem a ter um mínimo de respeito um pelo outro, e é verdade que isso às vezes não acontece. Mas vale a pena tentar.

pensamentos catatónicos (64)

É como se aquilo que fazemos fosse consequência dum combate feroz entre o nosso objecto cardíaco e o nosso cérebro. O objecto cardíaco ganha sempre ao cérebro, às vezes após prolongada luta, outras vezes num knock out imediato.

conversa 112

(no Jolima em Espinho)

Eu - Queria três queques de chocolate, por favor…
Ela – É para levar ou comer agora?
Eu – Comer agora…
(ela serve-me os queques num pratinho)
Eu – Estava a brincar… é para levar.
Ela (suspirando) – Estava a ver…
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

3.26.2007

conversa 111

Ela – Este comboio vai pró Porto?
Eu – Vai…
(ela senta-se à minha frente)
Ela – De que lado?
Eu – Ahn?
Ela – De que lado é que vai pró Porto?
Eu – De que lado?
Ela – Sim…
Eu (apontando para trás dela) – O Porto é naquela direcção…
Ela (levantando-se e sentando-se ao meu lado)
– Então vou aqui. Detesto viajar de costas.

(passado algum tempo, já com o comboio em andamento)
Ela – Vai pró Porto?
Eu – Não…
Ela – Sai antes?
Eu – Sim… em Espinho.
Ela – Que pena. Não conheço o Porto. Precisava de alguém que me ajudasse quando lá chegar.
Eu – Ah! Eu saio em Espinho…
Ela – Tem mesmo que sair, não é? Trabalho…
Eu – Hum, hum…

(passado mais algum tempo)
Ela – Espinho deve ser uma boa cidade para passear…
Eu – Nem por isso…
Ela – Tem a praia e tudo.
Eu – Pois… mas não tem mais nada para além da praia.
Ela – Estou a ver que não está nos seus dias…
Eu – Mais ou menos…

pensamentos catatónicos (63)

As palavras não alimentam sempre uma relação. Às vezes parasitam-na e, vivendo à sua custa, esgotam-na. A ela e a elas próprias.

boa altura

1] A minha filha é fã do Sam the Kid e dos Buraka Som Sistema. É uma boa altura para pôr no lixo o disco dos Dzert

2] Tenho uma vizinha nova e giraça que me pede ajuda para levar as compras para cima quando o elevador está avariado. É uma boa altura para desligar o elevador às escondidas de vez em quando.

3] O meu carro está tão sujo que uma amiga minha encontrou lá dentro, este fim de semana, uma bola. A minha filha ia atrás e disse: - “Olha a minha bola. Estou farta de a procurar por todo o lado…”. É uma boa altura para comprar tapetes novos e pôr a funcionar um aspirador que comprei com os pontos ganhos numa gasolineira.

4] Tive uma paragem de digestão este fim de semana. É uma boa altura para diminuir o consumo de álcool e beber mais chá.

5] Hoje vou pôr música no Clandestino Bar. É uma boa altura para darem lá um salto.

3.25.2007

conversa 110

Ela – Estás zangado comigo....
Eu – Zangado? Porquê? Não estou não...
Ela – Porque estás. Eu sei. Sinto-o na tua voz.
Eu – Eu não estou zangado contigo. A sério que não Para ser sincero até tenho tido mais em que pensar...
Ela – Não estás mesmo.
Eu – Não estou, mas vou ficar se me continuas a chatear com isso...
Ela – É que na tua voz pareces distante...
Eu – Ah! Distante é uma coisa, zangado é outra...
Ela – Então estás distante de mim, é isso?
Eu – Sim, isso talvez seja um bocadinho verdade, mas não é grave... aliás, neste momento estou tão distante de ti como tu de mim...
Ela – Não sei...

(cinco minutos depois)

Eu – Ontem parou-me a digestão. Ainda não estou totalmente recuperado, pá. Parece que levei uma sova.
Ela – Estás a ver? Estás zangado comigo.
Eu – Ahn?!
Ela – A digestão não te parou. Estás a arranjar uma desculpa para estares mal disposto.
Eu – Ontem a digestão parou-me. Estou um bocado mal disposto mas não estou zangado contigo. Porque é que raio havia de estar zangado contigo? Eu nem sei...
Ela – Estás a ouvir a tua voz? Estás zangado...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

conversa 109

(num jantar com amigos)

Eu - A **** só bebe cerveja
Ela - A mim, na minha vida, o vinho acompanha-me sempre...
Eu - Uau!