2.27.2009

conversa 1172

Ela - ouvi na rádio que este fim de semana vai chover...
Eu - A sério?
Ela - Sim. Detesto meteorologistas...

2.26.2009

sexo e música

O Centro de Investigação Médica da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, descobriu que os adolescentes que ouvem músicas com uma forte conotação sexual têm o dobro das probabilidades de fazer sexo ou, como diz um amigo meu, fazer o amor. [ler em espanhol no europapress]

zé cabra vs shu yong

O conceituado artista chinês Shu Yong fez uma escultura para protestar contra as cirurgias plásticas cada vez mais na moda na China. A escultura, que já esteve exposta em várias mostras internacionais, mostra uma boneca que orbita umas mamas exageradamente grandes.
Tal como o Shu, eu também não sou grande adepto das cirurgias plásticas, embora as perceba em certos casos. Aliás, esta obra de arte remete-me para uma outra grande criação artística mas dum português. Estou a falar do Zé Cabra e da música "A minha maria (tem tudo o que é bom)". Senão repare-se nestes versos:
a minha maria tem tudo o que é bom /não precisa de artifícios para ser sensual / nem precisa de certas poses / é natural / é bonita como Deus a fez... / naturalmente tem muitos "quês"...

Tal como Shu, também Zé Cabra se opõe aos critérios de convergência mediáticos da sexualidade e corporalidade humanas, e expressa essa revolta através duma estética sonora ruidosa da mesma forma agressiva que o seu colega chinês o faz na escultura. Se o fauvismo se manifestava pelo uso hiperbólico das cores, podemos agora dizer que Shou é o fauvista da escultura e o Zé Cabra o fauvista da música...

2.25.2009

conversa 1171

Ela - Hoje já me zanguei com o meu marido...
Eu - Então porquê?
Ela - Fui comprar uns sutiãs e ele entrou na loja comigo...
Eu - Entrou na loja contigo... só isso?
Ela - Sim. Ele já sabe que eu gosto de comprar sutiãs sozinha e sem pressões.
Eu - Ah, então ele pressionou-te...
Ela - Sim, a presença dele é suficiente para me sentir pressionada.

como ele e ela se penteiam depois do banho

ele:
1] seca o cabelo com a toalha em cerca de dez segundos.
2] com os dedos duma mão a fazer de pente, ajusta mais ou menos o cabelo a uma posição em que não fique à frente dos olhos.

ela:
1] coloca um creme amaciador.
2] seca o cabelo com o secador durante cerca de dez minutos enquanto o escova com a escova número 1.
3] estica o cabelo com o esticador de cabelo (sim, existem esticadores de cabelo)
4] escova apenas a ponta dos cabelos com a escova número dois, numa operação complexa que envolve enrolar apenas parte do cabelos e depois puxá-los.
5] fica cinco minutos a olhar-se para o espelho a ver se detecta alguma branca ou algum cabelo fora do sítio.
6] com uma tesoura pequena corta as pontas de um ou outro cabelo.
7] grita-lhe a ele para ir vestindo o casaco porque já estão atrasados.
8] escova o cabelo com a escova número 3.
9] ele responde-lhe que já vestiu o casaco há vinte minutos e está à espera.
10] penteia o cabelo com um pente e diz-lhe a ele que já podia ter dito que estava pronto.
11] já no carro, continua a mexer no cabelo com os dedos das mãos e diz-lhe que nunca tem tempo para se pentear em condições porque ele a pressiona.

conversa 1170

Ela - Trouxe-te uns frascos para pores o teu doce de maçã...
Eu - Fixe. Obrigado. Põe aí na cozinha, por favor...
Ela - Obrigado nada. Quando fizeres o doce tens que me devolver alguns com o doce lá dentro.

mulheres que eu gostava de poder não compreender (78)



nome: Sophie Marceau
origem: França
info: Lembro-me dela principalmente nos anos 80, em filmes que passavam na RTP, embora nos anos 90 tenha entrado em alguma grandes produções cinematográficas. É que o nome dela era fácil de decorar para uma criança. A face angelical dela, os olhos claros em forma de amêndoa e os cabelos loiros também. Nasceu cinco anos antes de mim e ficou, talvez por isso, guardada para sempre no baú das memórias da minha adolescência.

2.22.2009

pusilânime

Das mais de 20 000 ocorrências de violência doméstica registadas pela GNR e pela PSP, apenas 213 chegaram à fase da sentença. [ler no Público]
A violência doméstica nunca é só uma agressão. Mais do que uma agressão, é uma forma pusilânime de roubar a vida de outro(a). Elisabete Brasil, da União de Mulheres Alternativa e Resposta, defende a criação dum tribunal único para tratar casos deste âmbito. Com estes números não há como não lhe dar razão.

2.21.2009

pensamentos catatónicos (165)

Há bocado estava a jantar enquanto na televisão dava o Sporting-Benfica. Duas mulheres bonitas sentaram-se na minha mesa para ver o jogo. O Sporting marcou o primeiro golo e uma delas disse-me: "filho duma grandessíssima puta, este cabrão do Liedson". Alguns segundos depois tornou a dirigir-me a palavra para me perguntar delicadamente se eu era do Sporting. Abanei a cabeça negativamente. "ainda bem, foda-se", disse ela. Ainda dizem que não existem extraterrestres...

conversa 1169

(no café)

Ela - Há mulheres que procuram num homem uma protecção, apenas isso. Há outras que gostam de ser mais independentes e pensam mais na componente sexual do homem. Depois, acho que ainda há outras que querem um homem para exibi-lo, como se isso desse algum estatuto social...
Eu - E tu que tipo de mulher é que és?
Ela - Eu?! Eu... queria uma água com gás que estou com dor de barriga.

bonecas no trabalho...



Entre 2004 e 2006 o Instituto Nacional das Mulheres, no México, promoveu uma campanha publicitária com uma sexy doll de boca aberta, vestida de empregada doméstica, sentada a uma secretária ou a trabalhar com uma fotocopiadora, com as frases: "a mulher não é um objecto" e "o assédio sexual é crime". Perto dela há sempre um homem sombra...

O objectivo era denunciar a problemática do assédio sexual às mulheres no local de trabalho. A campanha foi composta por spots de rádio, cartazes e filmes que tiveram uma presença massiva nos media mexicanos.

Uma vez assisti a um caso de assédio sexual numa empresa, só que o assediado era homem. Lembro-me que na altura ele se queixou disso num jantar entre amigos e todos gozaram com ele, como se ser assediado por uma patroa fosse um golpe de sorte que ele não estava a aproveitar. Estava a ver esta campanha, que me é simpática, e a pensar em como os homens nunca se poderão defender duma coisa destas por uma questão cultural...

2.20.2009

euromilhões

Fui passar um fim de semana a Barcelos, a casa dum casal amigo que se desentendeu por causa dum prémio do euromilhões. Filmei tudo...

2.19.2009

conversa 1168

Ela - Comprei uma coisa para me ajudar a abrir tampas de frascos.
Eu - E funciona?
Ela - Sim, com aquilo consigo abrir todo o tipo de frascos.
Eu - Fixe.
Ela - Muito fixe, até porque assim nunca mais vais passar pela vergonha de não conseguires abrir um frasco à minha frente...

conversa 1167

Ela - Se eu encontrasse agora uma lâmpada com um génio lá dentro só queria um desejo...
Eu - Qual?
Ela - Ser bonita.
Eu - Tu já és bonita.
Ela - Então queria que todos os homens me achassem bonita.
Eu - Tu já tens pelo menos um homem que te acha muito bonita, não tens?
Ela - Tenho, tenho... mas um é pouco. Preciso de mais...

conversa 1166

Ela - Gosto do café com muita espuma.
Eu - Eu também.
Ela - Também gosto do mar com muita espuma nas ondas...
Eu - Mas estás a dizer isso porquê?
Ela - Não sei...

respostas a perguntas inexistentes (54)



Hoje de manhã, na cidade turca de Bozkir, um jovem de 18 anos chamado Mehmet Candar tirou esta fotografia ao céu com o seu telemóvel. Diz ele que estava a passar por uma mesquita quando viu esta estranha imagem no céu. O que Mehmet viu no céu foi uma imagem mais ou menos sinistra composta por dois olhos enormes. [ler no The Sun]
Estava a ver a imagem e a pensar que às vezes precisamos mais que alguém nos veja do que sermos nós a ver alguém. Reparar nos outros sem que ninguém repare em nós pode ser uma causa de solidão. Talvez seja essa solidão e não os ventos que cruzam o céu a desenhar um olhar nas nuvens...

2.18.2009

a criação de estereótipos...



No ano de 2007 a Dolce & Gabanna viu-se obrigada, após forte contestação geral, a tirar esta publicidade de todas as revistas do mundo. Na Espanha e na Itália chegou mesmo a ser censurada. A Amnistia Internacional e o Instituto da Mulher (Espanha) foram algumas das associações que se apressaram a criticar a mesma.
A marca defendeu-se dizendo que a fotografia é apenas um jogo de sedução mas a maior parte das pessoas viu nela uma mulher prestes a ser violada.
A publicidade é uma das formas mais eficazes de criar estereótipos de género e são esses estereótipos o principal motor da desigualdade entre homens e mulheres. Por isso mesmo também acho esta imagem ofensiva e um perigo, não apenas para elas mas para todos nós.

free pleasures...

A Cláudia pergunta-me quais são dez coisas completamente grátis que mais gosto.

1] Ficar em estado vegetativo toda a manhã na cama.
2] Ouvir repetidamente o disco da Mayra Andrade: Navega.
3] Actualizar este blogue.
4] Desenhar no computador.
5] Beber vinho com uma mulher de quem gosto muito.
6] Jogar civilization IV
7] Ir para parques de estacionamento com o meu carrinho novo telecomandado.
8] Ler na varanda durante o Verão.
9] Passar música em bares nocturnos.
10] Pegar no carro e conduzir sem destino até uma terrinha qualquer beirã ou transmontana. Passar lá o dia todo e voltar à noite.

conversa 1165

Ela - A minha vida sexual antes de casar era muito melhor do que agora.
Eu - Melhor?! Mas tu já namoravas com o ****** há anos...
Ela - Pois já, mas ele pinocava muito mais antes do casamento do que agora. Passam-se meses sem...
Eu - Hum... e já falaram sobre isso um com o outro?
Ela - Já discutimos por causa disso, já. Ele acha que a culpa é minha e eu acho que a culpa é dele.

conversa 1164

Ela - Gostava que me aconselhasses a comprar uma máquina fotográfica.
Eu - Eu acho que devias comprar uma máquina fotográfica.
Ela - Ahn?
Eu - Estou a aconselhar-te a comprar uma máquina fotográfica.
Ela - Às vezes irritas-me tanto...
Eu - Estás sempre a pedir-me para te aconselhar uma máquina fotográfica. Já fiz não sei quantas pesquisas e já te mandei não sei quantos emails com as melhores relações qualidade/preço do mercado.. Nunca compraste nenhuma. Queres que eu torne a fazer o mesmo, é?
Ela - Sim.

a homossexualidade não é normal

Este padreca acha que a homossexualidade não é normal. Pois não... normal é ser padreca e abstinente a vida inteira que é para as heranças de cada um irem para a igreja católica e não para os filhos.

2.17.2009

uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi...

O sagher e a Hipatia lançaram-me um desafio: dizer nove coisas sobre mim e três serem mentira.

1] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi jogar Civilization IV durante um dia inteiro.
2] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi telefonar a uma ex-namorada e perguntar-lhe se está emocionalmente disponível para me aturar a chorar nessa noite.
3] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi beber uma garrafa inteira de Bushmills num bar qualquer do Porto.
4] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi ir a uma casa de alterne.
5] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi desenhar e/ou escrever compulsivamente.
6] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi pegar no carro e conduzir pelo menos 300 quilómetros sem direcção e adormecer sozinho numa praia da costa vicentina.
7] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi ter visto filmes durante vinte e quatro horas seguidas.
8] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi ter pedido à vizinha do andar de baixo para jantar comigo, apesar de nem a conhecer muito bem.
9] Uma das coisas que já fiz, por estar deprimido por causa duma mulher me ter deixado, foi ter comprado um pedómetro e caminhar doze quilómetros seguidos a pé.

2.16.2009

conversa 1163

Ela - Afinal posso jantar contigo hoje...
Eu - Então espera... como há cinco minutos atrás me disseste que não podias, marquei outra coisa. Deixa ver se desmarco.
Ela - És lixado. Marcas logo outra coisa.
Eu - Disseste que não podias...
Ela - Mas esperavas um bocado, a ver se eu não podia mesmo.

pensamentos catatónicos (164)

Ainda são quatro da tarde e hoje já fugi de quatro mulheres. Da mulher que está a impingir cartões citybank no Gaia Shopping, das duas testemunhas de Jeová que vinham falar comigo na rua 19 em Espinho e da mulher que está a impingir iogurtes yoplait no Continente de Aveiro. Não gosto de cartões de crédito, não acredito em Deus e gosto de escolher os meus próprios iogurtes. Ufa...

conversa 1162

Ela - Vá... até quinta.
Eu - Até quinta não. Amanhã é terça.
Ela - Mas só nos vemos na quinta.
Eu - Amanhã podemos tomar um café.
Ela - Pois podemos mas é melhor só na quinta, senão passo a vida a tomar café contigo.
Eu - E não gostas de tomar café comigo?
Ela - Gosto... às quintas.

2.14.2009

não podemos apoiar quem não quer ser apoiado, diz ela

É grave. O Partido Socialista prepara-se para alterar a lei da violência doméstica de forma ingénua. Embora continue a ser crime público a investigação criminal passa a exigir que a alegada vítima preencha um requerimento. Paula Deus, deputada do PS, justifica a alteração porque "não podemos apoiar quem não quer ser apoiado". O problema da Paula é que não percebe que todas as vítimas de violência doméstica querem e precisam de apoio, só que algumas têm medo ou não estão em condições de pedi-lo. [ler no Arrastão]

conversa 1161

Eu - Acho que já bebi demais.
Ela - Eu também já bebi demais.
Eu - E agora?
Ela - Agora é melhor paramos de beber.
Eu - Só isso?
Ela - Só...

respostas a perguntas inexistentes (53)

Os comboios não são um local de engate por excelência mas, pelo menos nas viagens de longo curso, desejamos sempre que ao nosso lado se sente uma mulher bonita e bem cheirosa em vez dum gajo com bigode e ar de gnr reformado. É uma mera formalidade do espírito, este desejo, e por isso é também automático.

Foi por isso que ele se congratulou quando percebeu que ao lado dele se ia sentar a mulher que, à entrada da carruagem, lhe provocara uma erecção espontânea ao tocar-lhe com o rabo enquanto se curvava para arrumar as malas nas prateleiras da entrada. A erecção esticou-lhe alguns pêlos púbicos que provocaram dor mas, ainda assim, considerou que com aquele acontecimento ganhara o dia que, por ser o dia dos namorados, o fazia sentir uma esquisita solidão sexual.

Para além de um rabo cheio e redondo, tal como ele gostava, o resto do corpo dela também lhe parecia bem: os lábios carnudos, os cabelos negros e frisados a roçar uns ombros finos, os seios pequenos mas orgulhosos, uns óculos redondos a escorregar num nariz pequenino, as pernas altas e uma barriguinha lisa a querer espreitar por entre o cinto e a camisola propositadamente curta.

Ela sentou-se. Ele, ainda com o pénis a meia-haste, olhou-a pelo canto do olho e, embora estivesse mortinho por ler a reportagem do último Porto-Benfica, abriu o jornal numa longa notícia sobre crise económica mundial. Não sabia muito bem porquê mas tinha a percepção que um homem que lê notícias sobre a crise deve parecer muito mais interessante do que um homem que lê notícias sobre jogos de futebol.

No seu cérebro, a reportagem sobre a crise e o apetite sexual pela passageira misturavam-se num cocktail explosivo: milhares de desempregados e o rabo dela, crédito mal parado e as mamas dela, injecção de dinheiro na banca e os lábios dela. Depois, já sem qualquer mistura com ingredientes libidinosos, viu o nome da empresa onde trabalhava numa lista de empresas próximas da falência. Perdeu a excitação e tentou adormecer.

14 de fevereiro, dia do consumismo

Hoje, dia 14 de Fevereiro, comemora-se o Dia Internacional do Consumismo.

2.13.2009

conversa 1160

Ela - Os homens preferem as mulheres com as mamas grandes?
Eu - Sei lá... assim às dez da manhã e durante o pequeno-almoço não estava a contar com essa pergunta.
Ela - Mas preferem ou não?
Eu - Alguns sim, outros não. É verdade que há homens com esse fetiche.
Ela - E tu?
Eu - Eu não tenho esse fetiche. Acho que se uma mama couber numa mão, está bem...
Ela - Ok... come a tua torrada.

(cinco minutos depois)
Ela - Ora abre a tua mão e mostra-ma...

conversa 1159

Ela - Dás-me a tua morada?
Eu - Tu sabes onde eu moro...
Ela - Mas preciso mesmo da morada. Vou enviar-te um postal.
Eu - Ena, que giro.
Ela - É que tenho lá montes de postais numa gaveta e não tenho coragem de os pôr no lixo.

2.12.2009

só e acompanhado


Lisboa Clube Rio de Janeiro, Lisboa, Fevereiro de 2009

Gosto de estar em sítios em que posso estar só e acompanhado ao mesmo tempo. Só, porque não conheço ninguém e os olhares se trocam entre todos duma forma efémera. Acompanhado pelo mesmo motivo. Aliás, os olhares trocados por desconhecidos não são todos iguais...

mais uma linda história de amor...

Já ouvi muitas coisas de quem se imagina a tirar o primeiro prémio do euromilhões: eu cá comprava um Ferrari, eu cá dava a volta ao mundo, eu cá nunca mais trabalhava, eu cá comprava uma casa no Everest... enfim, cada um com a sua. Admito, no entanto, que o sonho mais original que já vi foi: "eu cá chateava-me com a(o) minha(meu) namorada(o) e punha-a(o) em tribunal". Às vezes não sei mesmo se devo acreditar no amor... [ler no JN]

conversa 1158

Ela - A minha televisão está outra vez mal.
Eu - Mal como?
Ela - Mal. Os canais estão fora do sítio, outros nem sequer estão e em muitos a imagem é má...
Eu - Isso é porque tu te pões a sintonizar automaticamente aquilo...
Ela - Não sou eu, é o meu filho que carrega nos botões todos do comando...
Eu - Então sintoniza aquilo manualmente e depois põe o comando num sítio onde ele não chegue.
Ela - Ok... queres ir tomar café hoje lá a casa?
Eu - Jà percebi. Queres que eu vá lá fazer isso...
Ela - Sim... eu não percebo nada daquilo.

2.10.2009

o valor das coisas

A actriz Angelina Jolie deixou uns brincos no valor de dois milhões de dólares num hotel em Londres. [ler no JN] Eu não consigo perceber como é que uns brincos podem valer isso, sinceramente. Eu dou muito mais valor a uma garrafa de aguardente. No entanto fico contente que ela tenha perdido uns brincos e não um broche. É que uma notícia no jornal com o título "Broche de Angelina Jolie vale dois milhões de dólares" podia ficar um bocado mal...

conversa 1157

Ela - Não me considero feia, não me considero burra. Estou sozinha há mais de quatro anos... começo a precisar que me digam que o defeito não é meu.
Eu - Tu não és feia. Aliás, és das mulheres mais bonitas que eu conheço e sim, és inteligente.
Ela - Agora diz-me que o defeito não é meu.
Eu - Isso já não sei... nem gosto muito da palavra 'defeito' mas comigo, por exemplo, andaste dois ou três dias e disseste logo que não conseguias continuar.
Ela - Mas aí o defeito foi teu.
Eu - E qual foi o meu defeito, posso saber?
Ela - Podes... foi não me interessares o suficiente.

conversa 1156

Ela - Às vezes acho que há homens tão primários que nem sequer vale a pena tentar explicar-lhes que são primários. Não chegam lá.
Eu - Mas estás a dizer-me isso porquê?
Ela - Não vale a pena explicar.

love trainer



Os japoneses são pródigos em inventar coisas que não servem para nada mas acendem sempre muitas luzinhas e fazem uns ruídos parvos. A Sega Toys pegou nesse conceito e criou o love trainer, uns auscultadores que medem o batimento cardíaco do utilizador durante o acto sexual e vão dando música e conselhos estimulantes.
Tendo em conta que a brincadeira custa cerca de 80 dólares, eu já não estou interessado. É que por muita música e conselhos estimulantes que me dêem, só de saber que gastei tanto dinheiro numa porcaria destas perco logo o entusiasmo todo. No entanto, se um dia destes vir um sucedâneo por dois ou três euros numa loja chinesa, talvez experimente...

respostas a perguntas inexistentes (52)

Dá-se demais. Tem a sensação que se dá constantemente demais. Trabalha demais, preocupa-se demais, pensa demais, corre demais. Apenas vive de menos. Separou-se há alguns anos e, desde então, a vida tem sido apenas um adiar constante, qual cenoura fugitiva dum asno ansioso.
Dá-se demais. Hoje acordou da mesma forma que amanhece todos os dias: apenas porque a Terra gira em torno de si mesma e não há forma de o impedir. Logo à noite vai anoitecer mais uma vez, na cidade e nele, e não há forma de alterar esta rotina do cosmos.
Dá-se demais. É a terceira vez que lambe a colher ainda com restos do pastel de nata que devorou durante o café da tarde. Há muito tempo que não sentia o sabor de nada e ainda nem se tinha apercebido disso. Apercebeu-se agora, quando uma mulher se levantou da mesa ao lado e lhe sorriu antes de sair.

2.06.2009

datas

1] Vou sair agora para estar, este fim de semana, na VI Convenção do Bloco de Esquerda em Lisboa. Não sei se terei muito tempo para aqui vir mas vou tentar...

2] Terça-feira, dia 10, é noite de CousCous Prosjekt no Clandestino bar, em Aveiro.

3] Quarta-feira, dia 11 às dez da manhã, volto a Lisboa para estar nos estúdios da Best Rock FM a falar deste blogue e do livro.

4] Sejam felizes

crónicas de engate (2)

o barbeiro

É quando vou ao barbeiro que costumo falar mais de mulheres. Não porque tenha muita vontade de dizer a um barrigudo que a gaja que acaba de passar lá fora é boa como o milho, mas porque a alternativa é falar de política. Eu até gosto de falar de política, só não o gosto de fazer com alguém que, para além de achar que devíamos expulsar todos os estrangeiros do país porque nos estão a roubar os empregos, me tem amarrado por uma bata numa cadeira e uma navalha aberta em cima do balcão.

É por isso que tento sempre sentar-me na cadeira mesmo à frente de um calendário de 1988 com uma mulher nua, cuja vagina já está queimada pela ponta de um cigarro e, em cuja parede, a humidade negra orna com ironia a escassez de tinta branca. Assim, sei que depois do barbeiro me dizer que aquela humidade parece a pelugem da prostituta que vive mesmo no andar de cima e que, segundo ele, é capaz de acordar um morto, a conversa fica quase só pelas suas mais profundas experiências e devaneios sexuais.

Uma vez garantiu-me que em jovem namorou uma mulher que lhe colocava o preservativo no pénis só com a boca, mas como se a resposta do meu bocejo ruidoso fosse um insulto, passou imediatamente aos seus conselhos sábios que, alguém como eu, devia saber enquanto era jovem e ainda tinha alguma força na verga: que se as mulheres têm as mamas grandes e caídas deve-se virá-las ao contrário, que se as mulheres têm o cabelo curto não se deve pôr a pila na boca delas pois podem morder, que se as mulheres têm as unhas compridas devem ficar sempre por baixo, etc, etc.

Foi precisamente a meio duma aula dessas que senti entrar uma mulher. Coisa estranha e nunca vista, numa loja que mais parecia a caverna dum urso acabado de sair da hibernação, e uma presa (eu) que não queria gastar mais do que cinco euros num corte de cabelo e, por isso, sujeitava-se àquela tortura psicológica da idade média. Não a consegui ver de imediato mas, pelo pingo de baba que me caiu na cabeça já com o cabelo curto, deduzi que devia ser atraente. A voz dela era calma, pelo menos pareceu-o ser quando avisou que queria cortar o cabelo à criança. A criança era um rapaz envergonhado que se sentara mesmo atrás de mim, por baixo do calendário de 1988, e que ouvia música num leitor portátil de mp3.

Foi a primeira vez que vi o reflexo da face do meu barbeiro, no espelho enferrujado, corar. Foi também a primeira vez que senti algum silêncio naquela sala suja. Ela sentara-se no sofá vermelho e coçado e, de vez em quando, virava as folhas duma revista qualquer. Ele preparava-se para iniciar uma conversa qualquer que me parecia ir ser de engate mas que custava a nascer-lhe dos lábios. Depois aproveitou o facto de eu dar um segundo bocejo para mostrar alguma força à desejada. Que eu era jovem e aparecia ali sempre com sono, disse ele. Que ele tinha mais de cinquenta anos mas continuava com energia, continuou enquanto a olhava pelo canto do olho.

Mais um pingo de baba na minha cabeça e a voz da mulher interrompeu aquele processo de humilhação: "energia, energia... oh! homem, cale-se mas é e despache-se. Esse jovem está cansado porque ainda tem que fazer à noite. E olhe que lá porque ontem à noite foi lá acima e não fez o serviço tem que me pagar na mesma". A mulher era a prostituta lá de cima, aquela que eu me habituara a imaginar com uma pelugem enorme.

As últimas três tesouradas foram mais nervosas e aleijaram-me. Depois levantei-me, paguei sem dar gorjeta e saí agradecendo com um sorriso aqueles minutos de paz à mulher. Era bonita.

conversa 1155

Ela - Para além do teu divórcio, qual foi a maior desilusão que tiveste na vida?
Eu - Não sei... acho que o casamento.
Ela - Porquê?
Eu - Os casamentos, com toda a pressão social e familiar que envolvem, são a melhor maneira de lixar a vida de duas pessoas que gostam uma da outra.
Ela - Achas que foi isso que te aconteceu?
Eu - Acho que é isso que acontece a milhares e milhares de pessoas...
Ela - Não generalizes...
Eu - A ti não te aconteceu mais ou menos o mesmo?
Ela - Sim... mas não generalizo.

respostas a perguntas inexistentes (51)

Desligou o auto-rádio para poder ouvir algum silêncio. Abrandou. No espelho retrovisor, a mistura das luzes dos outros automóveis com os pingos da chuva, diluía-se numa aguarela viva e excitada. Apercebeu-se que a conduzir à noite olhava tanto ou mais tempo pelo retrovisor do que em frente. Numa relação também é assim, pensou depois, se quisermos percorrer um caminho qualquer precisamos sempre de olhar para trás.

2.05.2009

mulheres que eu gostava de poder não compreender (77)



nome: Abigail Zsiga
origem: Inglaterra
info: Para além de ser uma mulher bastante bonita, tem uma voz fantástica. Para além dos discos que já editou, trabalha ainda com a organização humanitária love 146 que combate o tráfico e exploração de crianças. Pronto, é só isto mas para mim chega... chega e sobra.
site oficial, myspace

conversa 1154

Eu - Tens uma esferográfica que me emprestes?
Ela - Para quê?
Eu - Para apontar um número de telefone.
Ela - De quem?
Eu - Duma amiga minha.
Ela - Onde é que está essa tua amiga?
Eu - Acabei de passar por ela, antes de tocar à tua campainha, e memorizei o número dela. Tenho é medo de me esquecer.
Ela - E porque é não sabias o número dela?
Eu - Já não a via há anos...
Ela - De qualquer maneira não tenho esferográfica nenhuma....

conversa 1153

(no carro dela com ela a conduzir)

Ela - Não percebo estes peões. Ficam à espera que uma pessoa pare o carro para atravessarem a estrada. Se se metessem logo na estrada, em vez de parar o carro, chegava abrandar.
Eu - Se calhar é porque, se por acaso não parares nem abrandares, os peões é que se aleijam.
Ela - Tens a mania que és engraçadinho, não tens?

conversa 1152

Ela - A mim excita-me que um homem me enfie os dedos das mãos entre os dedos dos meus pés. E a ti?
Eu - Eu?! Eu perdi a excitação toda.

música de amor

Encontrei esta música de amor e, não sei porquê, identifiquei-me com ela. Por isso traduzi-a fielmente. Mesmo muito fielmente. Juro pelo nosso primeiro-ministro. :)

2.04.2009

respostas a perguntas inexistentes (50)



Despovoado de palavras, tentei encontrar no cenário que nos cercava alguma coisa para lhe dizer. Nos automóveis estacionados e estranhamente silenciosos perante o estrépito matinal, no calor de um copo de leite quente servido pelas mãos macias da empregada do café, depois nas gordas de um jornal diário abandonado na mesa ao lado. Às vezes as palavras são filhas do quotidiano mas naquela manhã nem isso. Nada. Os meus lábios continuavam estéreis. Só nesse momento é que se lembraram que podiam tentar beijá-la.

a morte por amor


Suicide (Fallen Body), Andy Warhol

O trabalho realizado em 1962 por Andy Warhol, Suicide (Fallen Body), é na verdade a manipulação de uma fotografia tirada por Robert Wiles no dia 1 de maio de 1947. Pelo seu sentido de oportunidade, a fotografia foi publicada algumas semanas depois na revista LIFE com a sua história por trás:

No dia um de Maio, logo depois de deixar o seu noivo, Evelyn McHale de 23 anos de idade escreveu uma nota. "Ele está muito melhor sem mim... ... nunca serei uma boa esposa para ninguém…" Depois dirigiu-se à plataforma de observação do Empire State Building. Através da neblina olhou para a rua, 86 pisos mais abaixo. Então saltou. Na sua desesperada determinação conseguiu o que pretendia e ao chegar ao solo o seu corpo embateu numa limusina das Nações Unidas estacionada. Do outro lado da rua, um jovem estudante de fotografia, chamado Robert Wiles, ouviu um som como que duma explosão. Apenas quatro minutos depois da morte de Evelyn McHale, Wiles obteve esta imagem de violência e serenidade na morte.


Robert Wiles

conversa 1151

(ao telefone)

Eu - Estou a conduzir. Tens que ser breve.
Ela - E atendeste o telefone?
Eu - Se eu não atender, tu depois dizes-me que fiz de propósito e ficas chateada comigo. É o costume...
Ela - Lá porque eu fico chateada contigo não quer dizer que devas atender. É melhor eu chatear-me contigo do que teres um acidente.
Eu - Estou parado numa fila. Não vou ter nenhum acidente.
Ela - Então devias era ser multado. É melhor eu chatear-me contigo do que seres multado. Ou não?
Eu - Diz lá o que é que queres...
Ela - Já me esqueci. Depois telefono-te outra vez.

2.03.2009

violência...

Não sei o nome desta mulher. Na verdade nem me interessa. Sei que para mim faz parte da História e não é (só) pela coragem demonstrada. É por ser capaz de responder à violência sem violência...

conversa 1150

Ela - Acho que gostava de ter uma experiência sexual a três... mas o meu namorado não parece aberto a novas experiências...
Eu - Não olhes para mim...
Ela - Porquê?
Eu (risos) - A três, com uma delas a ser o teu namorado, também não me apetece muito...
Ela - Eu já disse que ele não está aberto a novas experiências. Pode ser outro gajo qualquer.

conversa 1149

Ela - Já não vamos ao cinema há tanto tempo...
Eu - Disseste-me que tinhas ido ver o Ensaio Sobre A Cegueira...
Ela - Estou a dizer juntos...
Eu - Ah!
Ela - És tão primário.

2.02.2009

respostas a perguntas inexistentes (49)

Garrafa. Numa das prateleiras mais altas da casa do meu avô, havia um barco dentro duma garrafa. Passei anos sem perceber como ele tinha ido ali parar e, no entanto, nunca perguntei a ninguém. Acho que tinha medo que a resposta fosse demasiado óbvia e me achassem pouco inteligente por não saber. A vontade de saciar a minha dúvida esbarrava no facto de nunca ter visto ninguém a discutir o assunto e, quando ninguém discute um assunto, é porque ele é óbvio.
Garrafa. Lembrei-me disto muito mais tarde, quando numa noite de solidão me sentei ao balcão dum café dos subúrbios da cidade, tão intermitente quanto as luzes dos candeeiros públicos da rua, e pedi um uísque. Depois pedi outro e por fim pedi a garrafa. Quando acabei de a beber percebi que dentro dela cabia muito mais do que um barco.

conversa 1148

Ela - Posso ler-te o teu horóscopo?
Eu - Poder até podes, mas eu não vou ligar nada ao que estás a dizer.
Ela - És tão agressivo. Não podias fazer o jeito, ao menos?
Eu - Não estou a ser agressivo. Estou a tentar evitar que fiques a falar para o boneco. Se queres que eu te faça o jeito de te deixar a falar para o boneco, eu faço...
Ela - Por acaso, não és muito mais do que um boneco, às vezes...

2.01.2009

conversa 1147

(na cozinha)

Ela - Como é que se chama este molho?
Eu - Não tem nome. Fui eu que inventei, embora deva haver milhões de pessoas a fazer molhos parecidos...
Ela - Ensinas-me a fazer?
Eu - Ensino, embora eu não o faça sempre da mesma maneira. Vou mudando consoante a vontade.
Ela - Cá para mim não me queres é ensinar.

esqueça, o gosto dos homens nunca vai mudar



A imagem de cima, com Mena Suvari no filme "Beleza Americana", tornou-se um ícone da sensualidade feminina após a exibição do filme. Os iogurtes brasileiros FitLight inspiraram-se nela, substituindo a Mena por uma mulher bem mais forte, e juntaram-lhe a frase "Esqueça, o gosto dos homens nunca vai mudar". Fizeram o mesmo com mais duas imagens...
O primeiro erro desta campanha é partir do princípio que, só por ser gorda, uma mulher já não é sensual. Na verdade até acho a imagem da publicidade atraente. O segundo erro é partir do princípio que as mulheres devem emagrecer por causa dos homens e não por causa delas mesmas.
Quando vejo este tipo de publicidade penso sempre na quantidade enorme de mulheres que, por se sentir gorda, deve desviar os olhos e olhar para o chão com alguma tristeza; penso ainda nas vítimas da anorexia e na estupidez em que o mundo às vezes se consegue tornar. Pelos vistos, há publicitários que não pensam...

1.30.2009

pensamentos catatónicos (163)

Podem chamar-lhe choque térmico. Eu chamo-lhe só choque porque não tenho a certeza que seja só térmico. Estou a falar de, num abraço, as mãos frias de um tocarem nas costas quentes do outro. A sensação poderia até ser boa, mas a mim lembra-me sempre uma vez em que me obrigaram a tomar banho de água fria em pleno Inverno...

a dama do silêncio

Não há muitas mulheres na História dos serial killers, mas a mexicana Juana Barraza Samperio, nascida em 1957, pode 'gabar-se' de ter assassinado mais de quarenta pessoas entre os finais dos anos 90 e 2006, altura em que foi presa. Por matar essencialmente mulheres de alguma idade, era conhecida como a "mata-velhinhas" (mataviejitas), mas a sua alcunha enquanto lutadora de luta livre era "a dama do silêncio".
Em março de 2008 foi condenada a mais de 759 anos de prisão. Quer-me parecer que não os vai cumprir na totalidade, mas fica para a História como uma das pessoas que mais trabalho deu à polícia mexicana nos últimos tempos.
Há bocadinho estava a olhar para esta fotografia dela, quando foi detida em 2006, e a pensar que se fosse eu o polícia fotógrafo a tirá-la, ou fugia ou, pelo menos, não dormia bem nessa noite.

conversa 1146

Ela - Não pára de chover. Começo a perceber porque é que os suecos, apesar do bom nível de vida que têm, estão sempre a dar tiros na cabeça. Não vêem o Sol.
Eu - Não estás a pensar dar um tiro na cabeça só por causa do mau tempo, pois não?
Ela - Na minha cabeça, pelo menos, não...

1.29.2009

duas coisinhas à parte

1] Eu já devia ter organizado todas as conversas do grande e espectacular concurso incompreensível. Só ainda não o fiz por preguiça. Prometo resolver isso brevemente e atribuir o prémio (um livro "não compreendo as mulheres" e uma pastilha elástica). A sério que prometo.

2] Dia 11 de Fevereiro entre as 10 e as 11 da manhã, se até lá eu não for atropelado por uma amiga minha que anda a tirar a carta, vou estar nos estúdios da BestRock FM para o programa do Miguel Peixoto. Até lá ainda torno a avisar...

crónicas de engate (1)

É a primeira vez...

É a primeira vez que passa as páginas do desporto sem sequer ler as gordas ou ver os resultados da primeira liga espanhola e, enquanto dá mais um gole numa cerveja excitada, estende a secção relax no balcão como se estendesse uma bela manta de retalhos para se deitar a seguir. Há qualquer coisa de agradável naquela invulgar disponibilidade feminina para o sexo: loira atrevida, quarentona boazona, chinesa boa de boca, morena com corpo escultural ou ruiva fofinha.

É a primeira vez que percorre livremente estes anúncios com os olhos, como se fosse ainda uma criança correndo numa praia deserta, à espera de mergulhar na onda mais apetecível. Com os olhos e com a imaginação, que nesse mundo onírico vai satisfazendo discretamente a sua libido enquanto titubeia o olhar nas duas empregadas do café. Decidiu classificá-las pelo que de melhor têm: uma é a empregada das mamas, outra é a empregada do rabo.

É a primeira vez que insiste no álcool àquela hora da tarde, e a seguir à primeira cerveja pede outra. Mantém o dedo indicador numa moreninha marota que atende em casa e promete sigilo, e como se o cartaz envelhecido que diz que as bebidas expostas são para consumo da casa fosse uma espécie de sinal, tira o telemóvel do bolso e guarda na memória aquele número. Moreninha marota, escreve ele rapidamente nas pequenas teclas dum nokia novinho em folha.

É a primeira vez que tem um dia livre depois do divórcio. E desse dia livre quer fazer o primeiro dia do resto da sua vida. Na verdade, pensa ele, já foi primeiro em muitas coisas. De manhã comprou pela primeira vez um after-shave caro, depois fez a barba enquanto tomava banho e, pela primeira vez em muitos anos, tomou esse banho sem se masturbar, à espera que um desses anúncios lhe proporcione uma noite inesquecível. Também a pensar nessa noite inesquecível, vestiu umas cuecas novas e um par de meias pouco usado. Agora pede uma terceira cerveja e a conta. É a empregada das mamas que sorri e lhe satisfaz o pedido e, enquanto lhe observa o peito baloiçante como um barco, ganha um tesão de que já não tinha memória.

É a primeira vez que responde com vontade a um sorriso. Quer voltar a tentar o amor, claro, mas tantos anos passados numa relação despovoada de calor e de sexo, fazem-no querer começar a satisfazer os seus desejos pelo corpo. É sempre o mais fácil, pensa. Além disso, a própria cerveja já se ocupou parcialmente da mente. Resta-lhe esperar que o tesão perca vigor para poder sair do café sem dar nas vistas, mas o facto do telemóvel começar a vibrar no bolso não o vai ajudar nada nesse aspecto. No visor aparece o nome moreninha marota. Não pode ser, conclui ele, mas atende na mesma. Estou? - Pergunta. E está mesmo. É a ex-mulher dele a telefonar doutro telemóvel por não ter saldo no dela, explica ela. Diz-lhe também que ele tem que passar lá em casa e ficar com os miúdos porque ela arranjou um emprego novo e tem que ir trabalhar à noite.

É a primeira vez que olha para as empregadas do café e repara que elas têm o nome próprio impresso num crachá que trazem ao peito. Deixam de ser a empregada das mamas e a empregada do rabo. Perdeu o tesão. A cerveja fica a meio, paga e vai-se embora.

conversa 1145

Eu - Queres ver um filme comigo lá em casa, hoje à noite?
Ela - Se não te importares que eu adormeça ao teu lado... é que os teus filmes, eu já sei que são uma seca.

conversa 1144

Ela - Estou tão cansada.
Eu - Muito trabalho?
Ela - Mais ou menos. Andei toda a manhã à procura dum rímel decente... o último que comprei deixou-me num estado que parecia que tinha levado um murro nos olhos...
Eu - E já encontraste um rímel melhor?
Ela - Não. Vou almoçar e continuar a procurar à tarde...

1.28.2009

adivinha quanto gosto de ti

Antes de continuar este post, devo dizer que não tenho nada pessoal contra o André Sardet. Aliás, nem o conheço pessoalmente. Na verdade, tirando o facto da música "adivinha o quanto gosto de ti" estar sempre a passar na rádio enquanto eu conduzo e a obrigar-me a mudar de estação, não tenho mesmo nada contra.
Oh André, pá! como é que raio te lembraste de escrever esta letra?



Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas não sei o que escrever,
Sinto as pernas a tremer quando sorris para mim, quando deixo de te ver...
Ora bem, ele pensou em dar-lhe uma flor com um bilhete mas não sabe o que escrever... hum... hum... ei! espera aí, eu pensava que primeiro surgia a necessidade de dizer alguma coisa e depois é que pensávamos na maneira como o fazer: por telefone, por email ou, em alguns casos raros, vá lá, por um bilhete com uma flor...

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Mas que raio de jogo é este? Um joga pelo outro e depois ela tem que adivinhar quanto é que o André gosta dela? Oh André, olha... há jogos muito mais interessantes: xadrez, monopólio, civilization IV... sei lá, qualquer coisa que não meta adivinhações...

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom viver assim...
Pronto André, como é que tu querias que a rapariga ganhasse o jogo? Tinha que fechar os olhos e adivinhar que gostas dela desde aqui até à lua e da lua até aqui. Não é nada fácil, deixa-me que te diga. Além disso, a distância daqui à lua e da lua aqui é a mesma. mais ou menos 380000 quilómetros. Para a próxima basta dizeres: "gosto de ti 380000 quilómetros".

Ando a ver se me decido como te vou dizer, como te hei-de contar. até já fiz um avião com um papel azul, mas voou da minha mão... Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Olha André... começo a perder a paciência. Se andas a ver se te decides como lhe vais dizer seja lá o que for, porque é que não aproveitas o tal bilhete com a flor? É que isso dos aviões de papel, independentemente da cor, não resulta muito bem. Um tipo manda-os para um sítio mas eles vão parar a outro... acredita em mim. E deixa-te lá de jogos malucos duma vez por todas.

Quantas vezes parei à tua porta, quantas vezes nem olhaste para mim, quantas vezes eu pedi que adivinhasses, o quanto eu gosto de ti.
André, eu a avisar-te para te deixares de jogos malucos e tu vais logo com essa paranóia para a porta dela? Imagina que ela abre e te vê ali especado sem fazer nadinha. Se te perguntar o que é que tu estás ali a fazer, tu vais ter que responder: "estou a ver se adivinhas o quanto gostas de mim...". A sério que ela te vai fechar a porta na cara e chamar a polícia ou o INEM...

conversa 1143

Ela - Alguma vez tiveste um orgasmo antes da mulher?
Eu - Claro... acontece a todos...
Ela - E ela não ficou assim... insatisfeita? Ou consegues dar duas seguidas?
Eu - Isso das duas seguidas, sem comprimidos, é um mito urbano. Mas é para isso que temos língua e dedo.
Ela - Boa. Tenho que dizer isso ao meu marido.

conversa 1142

Ela - A verdade é que uma relação sem uma discussão de vez em quando é uma relação morta. Gosto que se discuta de vez em quando.
Eu - Tem calma contigo, mas é.
Ela - Há homens tão panhonhas... por mais que uma mulher os pique nunca se zangam...
Eu - Tem calma.
Ela - Apetece chegar e espetar-lhes uma agulha no rabo.
Eu - Tem calma, a sério...
Ela - E pára de me dizeres para ter calma.

coisas que fascinam (79)

Enquanto folheio as páginas do jornal bebo o terceiro café do dia. Quente e duma só vez, aquecendo primeiro a ponta dos dedos na pequena chávena. E é nesse instante, em que as minhas mãos frias abraçam sofregamente aquele calor, que cresce em mim uma espécie de saudades do abraço dela. Fecho o jornal sem me lembrar duma única notícia que tenha lido. É que hoje o mundo não me interessa nada.

diamonds are a girl's best friend

Segundo um estudo publicado por dois cientistas da Universidade de Newcastle, os homens considerados ricos pelas suas parceiras proporcionam mais prazer às mulheres durante as relações sexuais.
Num total de 1.534 mulheres com maridos ou namorados, 121 delas responderam ter sempre orgasmos durante as relações sexuais, 408 disseram ter orgasmos com frequência, 762 tinham orgasmos “às vezes” e 243 raramente tinham orgasmos.
Entre vários factores identificados como influenciadores na frequência de orgasmos pelas mulheres, a riqueza do parceiro foi a mais determinante. [ler no JN]

Ora bem... eu, para começar, estou feito ao bife. Acabei de chegar à conclusão que as mulheres fingem ter orgasmos comigo. A única esperança que me resta é que continuem a fingir, ou então tenho que acertar no totoloto. A partir de agora sei que cada vez que a minha parceira sexual gemer, está a pensar no Bill Gates ou no Warren Buffet...

1.27.2009

conversa 1141

Ela - Eu lembro-me de ti. Não andaste na escola comercial em Aveiro?
Eu - Andei.
Ela - Pois, eu lembro-me de ti. Tinhas um amigo mesmo muito giro...

papel, papel e mais papel...

Acordo de manhã e descubro que a minha vida se tornou num monte de papéis desordenados, todos com uma obrigação qualquer inerente: pagar a água, pagar a luz, pagar o gás, avaliar a casa, pagar o seguro automóvel, passar os recibos dos condóminos do meu prédio, comprar alhos e cebolas, ir ao médico, fazer mais isto e mais aquilo...
Fico com saudades de quando não havia papéis na minha vida. Mais, fico zangado com quem inventou o papel. Em vez de dedicar a minha vida a algo decente como uma mulher, tenho que andar a perder tempo com coisas que detesto. Depois faz-se luz... vou ver quem inventou o papel e foi um eunuco chinês chamado Ts'ai Lun... tinha que ser um gajo sem tomates...

como falhar completamente a vida

Nunca fui bom em nada. Quando era miúdo não jogava bem futebol nem era bom aluno na escola. Pior do que isso: também não era mau aluno. Para se ter algum sucesso quando se é miúdo tem que se ser bom ou mau aluno. Eu era daqueles em que ninguém reparava, mediano e silencioso quanto baste para ser sempre o último a integrar um grupo daqueles que às vezes se formam para fazer trabalhos estúpidos de grupo, que não são muito mais do que colar coisas estúpidas em cartolinas grandes e coloridas. E eu era sempre o último porque ninguém me escolhia. Era sempre a professora que, quando dava por mim num canto da sala, me integrava à força. De facto, a única coisa que me lembro de gostar na escola primária foi de ter uma namorada chamada Helena com quem brincava no baloiço do parque municipal de Aveiro. Os outros chamavam-nos 'namorados' como se isso fosse mau e atiravam-nos pedras.
A adolescência, a que eu ainda chamo a terrível fase Clearasil, não melhorou nada. Para além de continuar a jogar mal futebol e não ser bom nem mau na escola, a coisa agravou-se porque as exigências por cumprir passaram a ser mais. Com dezasseis anos veio o trauma das sapatilhas de marca que eu nunca tinha apesar de todos terem, as borbulhas e pontos negros, os penteados que eu não era capaz de fazer e, claro, a Samantha Fox. Nunca tive umas sapatilhas que não fossem Sanjo (e que saudades tenho eu agora delas) ou Chute, nunca tive coragem de comprar Clearasil (que era um creminho de sucesso entre a adolescência portuguesa) e nunca admiti o meu fetiche pelas mamas enormes da Samantha Fox. Claro que, se em miúdo a única vantagem era eu ser o único a ter namorada, essa vantagem desvaneceu-se na adolescência porque passei a ser o único que não tinha. É que entretanto, todos os gajos que me atiravam pedras na escola primária por eu ter namorada, descobriram para que é que servia a pila.
Tudo podia ter-se resolvido na minha passagem para jovem adulto, até porque aí já não interessava muito jogar bem futebol nem ser bom ou mau aluno. Além disso, eu já usava botas ou sapatos e as borbulhas tinham desaparecido. Mesmo a fixação pela Samatha Fox diluíra-se lentamente nos sonhos húmidos de toda a adolescência. Estava tudo pronto para, à primeira oportunidade, arranjar uma namorada e ter uma vida mais ou menos normal. E foi esse o problema, eu pensava que ao ter uma namorada se conseguia ter uma vida normal mas não, ao ter uma namorada quando se é jovem adulto, a vida é tudo menos normal. Da fase Clearasil passei à fase 'oh caraças, ela amuou outra vez'. Nunca mais tive umas férias sem amuos por causa do lugar onde a tenda ficou instalada; nunca mais consegui ir ao cinema sem discutir meia hora a escolha do filme e, mesmo assim, ela amuar porque afinal era outro que devíamos ter ido ver; nunca mais consegui ir ao restaurante sem aturar um amuo porque comi uma sobremesa e ela, porque achava sempre que estava com uns quilinhos a mais, não podia comer açúcar; nem nunca mais consegui superar o nervosismo por ter que adivinhar se ela tinha ido ou não ao cabeleireiro, senão era porque não reparava nela e era um egoísta de todo o tamanho.
Menos mal, em conversas com amigos percebi que a fase 'oh caraças, ela amuou outra vez' era mais ou menos comum a todos. Convenci-me que a vida era assim e tentei ser feliz com esses amuos. Bastou-me treinar o suficiente para rir para dentro e não para fora com alguns deles. Foi aí que se deu o terramoto. Um gajo passa anos a habituar-se a viver com uma mulher, abdicando dos filmes preferidos, sobremesas preferidas, restaurantes preferidos, e mais, a dizer todos os domingos de manhã: "bom dia, estás diferente... foste ao cabeleireiro?" para o caso de ela ter ido mesmo, e ela diz-nos de repente que a vida toda dela foi uma merda por nossa causa.
Tudo bem, se foi por nossa causa, então bazamos. Não faz mal...

1.26.2009

em recuperação...

Tive uma intoxicação alimentar e ainda estou em recuperação. Amanhã acho que já consigo escrever coisas mais ou menos decentes outra vez...

conversa 1140

(ao telefone)

Eu - Estás bem? É que eu estou mal disposto. Acho que tive uma intoxicação alimentar com o jantar de ontem.
Ela - Pois... tivemos todos. Havia qualquer coisa estragada, provavelmente o camarão.
Eu - Nem me consigo mexer...
Ela - Mas conseguiste telefonar... para me chateares quando estou doente fazes sempre um esforço.

demasiado loiras

Diz o UKDailyMail que duas adolescentes foram ameaçadas de expulsão da Rednock School, pelo director David Alexander, por serem demasiado loiras. Para a expulsão não se confirmar, as miúdas terão que pintar o cabelo de castanho.

Eu acho bem. Vocês podem pensar que isto é prejudicar uma pessoa só porque ela nasceu loira mas, na minha opinião, é apenas equilibrar os pratos da balança. É que as loiras têm sempre vantagem no acesso às vagas dos melhores empregos, tipo aqueles empregos em que a única coisa que é preciso fazer é estar quieta. São os chamados trabalhos de corpo presente, como por exemplo estar quietinha em cima do capô dum carro caro numa feira de automóveis, estar quietinha ao lado do presidente dum clube de futebol num jantar de angariação de fundos para a casa do adepto duma terriola qualquer, estar quietinha atrás do apresentador dum concurso de televisão com um prémio na mão, estar quietinha para ser fotografada e sair numa revista de moda ou estar quietinha ao lado do Santana Lopes. Enfim, tudo empregos em que o mais importante é... estar quietinha.

1.22.2009

conversa 1139

(na casa dela, enquanto eu cozinhava)

Ela - Que é isso?
Eu - É comida...
Ela - Mas esse grelhador, onde é que o foste buscar?
Eu - Ao teu armário.
Ela - Nem sabia que tinha um grelhador.

mulheres e planetas

Um exoplaneta é um planeta que orbita uma estrela que não o Sol. A comunidade científica está à procura de um exoplaneta que tenha vida ou seja habitável, mas até agora só encontrou planetas demasiado grandes, muito quentes, muito frios, muito densos ou demasiado próximos da sua estrela. Há dois métodos para encontrar exoplanetas: o da detecção indirecta e o da visualização directa. A detecção indirecta passa por identificar a agitação de uma estrela (devido à força gravitacional da órbita do planeta) ou pela ligeira ofuscação da estrela quando esse planeta passa à sua frente. Nalguns casos é possível a observação directa, com telescópios potentes que são capazes de separar a luz ténue do planeta da luz da sua estrela. [ler na wired]
Estava a ler isto e a pensar como a busca por um planeta e por uma pessoa são tão parecidas. Em primeiro lugar, porque se procura algo onde haja vida ou onde se possa viver. Em segundo lugar porque também quando procuramos um parceiro, utilizamos os métodos de observação indirecta e directa. Por exemplo, no primeiro passeio que se faz com uma mulher, e para não parecermos demasiado invasivos, podemos aproveitar o seu reflexo na montra duma loja pronto-a-vestir enquanto ela olha para o preço duma peça qualquer. Mais à noite, e se conseguimos passar a fase da observação indirecta, temos que procurar aproveitar o método da observação directa, isto é, ser capaz de manter o nosso olhar no olhar dela sem fugir. Se os olhares não fugirem um do outro durante alguns segundos, enfim, talvez aquele planeta seja habitável.

1.21.2009

conversa 1138

Ela - O gajo convidou-me para jantar fora e levou-me à praça de alimentação dum shopping. Acreditas nisto?
Eu - E depois?
Ela - E depois?!!!! Que mau gosto...
Eu - Pelo menos convidou-te para alguma coisa. Quer dizer que pensou em ti e gosta de estar contigo. Eu já ficava todo contente se algumas mulheres me convidassem para jantar num shopping.
Ela - Se te estás a fazer a convite meu, tira o cavalinho da chuva...

o síndrome da Branca de Neve

Acho que o pessoal da minha idade sofre do síndrome da Branca de Neve, isto é, supõe-se que é ao homem que cabe toda a iniciativa do engate. Basicamente, a miúda não tem que fazer nada e o homem que se amanhe. Se ele não toma a iniciativa é porque é maricas ou introvertido, se ele toma a iniciativa é porque é abrupto e só pensa em sexo. Basicamente, meus amigos (e isto é só para os homens), estamos lixados. Com a agravante de que o contexto do conto dos irmãos Grimm, e da sua adaptação para o cinema pela Disney, mudou totalmente.

O princípio de deixar a iniciativa ao homem é mais ou menos este: ela está deitadinha sem fazer nada numa campa de vidro, a fingir que está morta, e um gajo tem que chegar lá e dar-lhe um beijo. Se ela quiser acordar até acorda. Se ela não quiser acordar, metemos o rabinho entre as pernas e vamos embora discretamente. Claro que hoje a campa de vidro é mais um bar com consumo mínimo obrigatório, o beijo é mais uma pergunta do tipo: "olá, posso pagar-te uma cerveja?", e o eventual acordar dela é mais uma resposta como esta: "uma cerveja não, mas podes pagar-me um vinho do Porto e tudo o que já consumi".

Ok, até pagamos. Estamos tesos e a fazer contas até ao fim do mês, mas isto anda tão mau que temos que apostar em tudo. O pior é que a porcaria do cavalo, hoje em dia, é um carro que anda com o depósito quase sempre na reserva; e a merda do castelo é um T1 nos subúrbios da cidade cujas mensalidades já não pagamos há alguns meses. Mas tudo bem, enterramo-nos mais um bocadinho no cartão Visa para pôr gasolina, escondemos a carta do banco a ameaçar levantar a hipoteca, e lá a levamos para casa.

Ok, até levamos. Dá-se uma queca e a Branca de Neve engravida porque, segundo ela, se esqueceu de tomar a pílula. A família dela aparece lá no castelo e obriga-nos a casar. Perante o convite simpático dum pai armado com um cutelo e uma mãe com um rolo da massa, aceitamos de bom grado.

Ok, até casamos. Finalmente, fora do ambiente dos bares de engate e longe da família, conseguimos dar uns passeios calmos no campo. É nessa altura que a Branca de Neve desaparece. O campo deu-lhe saudades dos anões e ela pede o divórcio. Os anões, pelos vistos, faziam-na mais feliz. Tudo por nossa culpa, que andamos sempre nervosos e só pensamos em dinheiro.

Ok, até nos divorciamos. Enterramo-nos mais no empréstimo do T0 porque temos que lhe dar metade da parte já amortizada, levamos a merda do cavalo à oficina para ver se ele vive mais uns anitos... e voltamos a beijar uma mulher numa campa de vidro, ou seja, num bar qualquer com consumo mínimo obrigatório.

ia ao cabeleireiro, diz ela

Uma mulher norte-americana atropelou um motociclista, mas não parou para ajudar porque tinha hora marcada no cabeleireiro. [ler notícia no Portugal Diário]. Eu até a compreendo, isto de ajudar os outros quando se está despenteado é difícil de certeza.

conversa 1137

Ela - Esta é a pior fase do ano para estar sem dinheiro.
Eu - Eu acho que para estar sem dinheiro qualquer fase é má.
Ela - Sim, mas agora estamos em plena época de saldos.

sete pecados mortais

A Pépé lançou-me um desafio: A confissão dos meus 7 pecados mortais, ou seja, a Gula (comer a toda a hora e/ou além do necessário), a Avareza, (cobiça de bens materiais e/ou dinheiro) a Inveja (desejar atributos, status, posses e/ou habilidades de outra pessoa), a Ira (é a função dos sentimentos de raiva, rancor e ódio. Por vezes é incontrolável), a Soberba (falta de humildade, alguém que se acha auto-suficiente), a Luxúria (apego aos prazeres carnais) e a Preguiça (aversão a qualquer trabalho ou esforço físico).

a Gula: nunca cometi o pecado da Gula, excepto com arroz de polvo, bacalhau assado, arroz de marisco e mousse de manga.
a Avareza: nunca cometi o pecado da Avareza, excepto jogar no Euromilhões todas as semanas.
a Inveja: nunca cometi o pecado da Inveja, excepto querer ter pelo menos 10% do sucesso que o Brad Pitt tem junto das mulheres.
a Ira: nunca cometi o pecado da Ira, excepto quando procuro lugar para estacionar no Norte Shopping e me apetece matar o gajo que acabou de ocupar um lugar que eu é que tinha visto.
a Soberba: nunca cometi o pecado da Soberba, isto porque sou tão bom que nunca na vida poderia pensar que sou melhor do que realmente sou.
a Luxúria: nunca cometi o pecado da Luxúria, excepto quando tenho sonhos húmidos com a Mayra Andrade, o que só acontece uma vez por dia. Ou melhor, por noite.
a Preguiça: nunca cometi o pecado da Preguiça, e juro que não é culpa minha a minha cozinha ter mais louça para lavar do que lavada.

E agora, como não sou nadinha preguiço, passo isto a quem quiser... :)

1.20.2009

mamilos firmes e hirtos



Isto vende-se no Japão. Chama-se Beauty Nipple e é um bocal de plástico que as mulheres colocam debaixo da camisola, no bico da mama, para ficarem com os mamilos mais sexys. Eu cá acho bem. Não sei se os mamilos ficam mais sexys ou não, mas tenho a certeza que pelo menos ficam mais duros. Firmes e hirtos como diria o Alexandrino.
Andar no engate no Japão deve ser perigoso. Num bar qualquer conhecemos uma miúda bonita e, quando chegamos à caminha, afinal nem sequer era uma miúda. Era uma cobra cheia de aplicações em plástico à volta. Não compreendo as mulheres, é certo, mas as japonesas é que não compreendo mesmo.

conversa 1136

Ela - Preciso fazer-te uma pergunta.
Eu - Diz.
Ela - Fui para a cama com um gajo e não percebo bem o que se passou...
Eu - Porquê?
Ela - Ele não disse nada, a não ser ter gritado algumas vezes durante o acto. Depois veio-se em menos de três minutos como se estivesse a ter um ataque cardíaco e, no fim disse que tinha sido espectacular e adormeceu. Eu nem aqueci, pá.
Eu - E que pergunta me queres fazer?
Ela - Ele tem quase a tua idade... mas fiquei com a sensação que fui a primeira mulher dele. Achas possível?
Eu - Sei lá... ou isso ou sofre de ejaculação precoce.
Ela - Caraças. Não acerto uma.

quer casar, diz ela

Esta senhora chinesa chama-se Wang Guiying e tem 107 anos. Está à procura dum marido. Diz que finalmente perdeu o medo do casamento que teve durante a sua juventude.
Wang diz ainda que tem medo de se tornar num fardo para os seus sobrinhos, que actualmente tomam conta dela, e que estão neste momento a começar a constituir família.
Eu acho que se deve respeitar profundamente a decisão da senhora, que desde os 102 anos deixou de realizar tarefas domésticas por ter partido uma perna, mas porque a admiro devo dar-lhe também um conselho sério nesta sua busca pela felicidade: oh mulher, apanha juízo e não estragues a tua vida!

conversa 1135

Ela - Às vezes acho que o amor está sempre ao contrário.
Eu - Ao contrário?
Ela - Sim. Quando nos queremos aproximar de alguém, afastamo-nos. Depois acabamos por nos envolver com alguém que até nem queríamos.
Eu - E estás triste porquê? Porque te afastaste de alguém ou porque te aproximaste?
Ela - Estou triste porque me aproximei dum gajo de quem eu pensava que gostava e, neste momento, já nem o posso ver à frente.
Eu - Menos mal. Isso resolve-se. E não o podes ver à frente porquê?
Ela - Porque ele é irmão do gajo de quem eu me queria aproximar.

couscous prosjekt, o regresso...



Hoje, terça-feira dia 20, os Couscous Prosjekt regressam à sua actividade normal no Clandestino Bar, em Aveiro, mais ou menos a partir das 22:12. O Chico Buarque vai lá estar, é claro, mas se alguma morena de Angola ou da Senhora da Hora quiser aparecer, também é bem vinda.

seios dim



No final dos anos sessenta, a Dim vendia assim o seu produto às mulheres francesas. No primeiro exemplo, convencendo as mães que se usassem sutiãs da sua marca, o aspecto dos seus seios se assemelhariam aos seios das suas filhas jovens (as mães das raparigas Dim usam Dim também); no segundo exemplo, exemplificando como os outros veriam os seus seios Dim (para ver os seus seios assim).
Nos anos sessenta a indústria da beleza feminina cresceu imenso e, fruto também ainda da efémera cultura hippie, exigiam-se seios pequenos e firmes. Nesta altura começara, para muitas francesas, a febre das dietas para emagrecer e a greve ao pão.
No ano anterior ao lançamento deste anúncio, aquele país passara pela revolução do Maio de 68. Mas não só, também na então Checoslováquia se dera a Primavera de Praga e no México se o massacre dos estudantes e esquerdistas que protestavam nas ruas contra o regime autoritário de Gustavo Diaz. Nos Estados Unidos, a sufocarem na guerra do Vietname, tinham sido assassinados Martin Luther King e Robert F. Kennedy. Era muita agitação no mundo para uma Europa ainda com fortes memórias da segunda Guerra Mundial. O melhor era que as mulheres andassem bonitas. Pelo menos com umas mamas bonitas...

respostas a perguntas inexistentes (48)

ou o amor em quatro actos

1] Talvez uma cerveja e um abraço. Talvez um abraço e uma cerveja. Nem sequer sabem bem. Sabem que a ordem das coisas não interessa. O dia até pode seguir-se à noite e não a noite ao dia. Não interessa.
Do abraço passa-se a um beijo. O amor passa a ser aproveitar o facto de estarem vivos. Aliás, o amor é só isso, mas esse é um só tão grande que não lhe percebem a ordem. Sempre a merda da ordem, e passam a detestar essa palavra.

2] Talvez um filme qualquer. Um filme qualquer porque sabem que não o vão ver. Os filmes sempre foram uma boa desculpa para duas pessoas se sentarem uma ao lado da outra, apagarem a luz, e depois foderem. Devagar, até à ficha técnica.
Talvez pousem a cerveja no chão e se fiquem pelo abraço. Depois, talvez a cabeça dela pouse no ombro dele. Talvez a mão dele lhe percorra desordenadamente o queixo, os cabelos, as pernas, a barriga, a face e por fim a vagina. Talvez ela gema, talvez não. Talvez ela sorria e ele goste. Talvez sim.

3] Talvez as cervejas tenham caído com um pontapé excitado e agora rolem no chão flutuante. Talvez eles rolem também, um no outro, ou talvez flutuem. E se a cerveja vertida se infiltra nas fendas do chão, ele infiltra-se nela. Ela nele. Talvez se venham. Talvez as cataratas do Niágara não vertam tanto e talvez não morram tanto. Não há vida e morte nas cataratas. Naquela sala dum apartamento emprestado, sim, há. Ou houve, porque talvez tenham morrido.

4] Talvez não, não estejam mortos. Os corpos reagem a um lençol de brandura que os tapa de frio. De calor e de frio, aliás. A ordem não interessa. Talvez a mão dela ainda abrace um pénis cansado e a mão dele um seio usado. Talvez respirem e abram os olhos devagar. Talvez a ficha técnica passe na televisão e ninguém saiba o fim do filme. Talvez não faça mal. O amor é só isso: aproveitar o facto de estar vivo. Talvez os dois o saibam. E isso é saber tanto.

1.19.2009

conversa 1134

(no café)

Eu - Raspei a mão ali num muro... fiz esta ferida.
Ela - Toma lá água oxigenada.
Eu - Andas com água oxigenada na carteira?
Ela - Não imaginas as coisas que uma mãe pode ter na carteira.
Eu (risos)
Ela - Não imaginas porque nunca foste mãe. És pai e os pais não ligam nada a nada. Andam com a sua carteirinha com documentos e dinheiro e não querem saber de mais nada.
Eu - Tem calma, não te zangues.
Ela (levantando a voz) - As mães é que têm que andar com fraldas, leite, medicamentos... enfim, tudo. Depois eles gozam quando vêem as mulheres com carteiras cheias.
Eu - Tem calma, eu não estava a gozar.
Ela - Desinfecta lá isso depressa senão ainda me arrependo.

mulheres que eu gostava de poder não compreender (76)



nome: Simone Simons
origem: Holanda
info: Simone Simons é a vocalista do projecto de metal sinfónico Épica. Nasceu na Holanda em 1985 e tem uma voz encantadora. A mim aconteceu-me ouvi-la primeiro, imaginá-la e vê-la apenas depois. Imaginei-a muito bonita, mas não tanto como ela realmente é.

conversa 1133

Ela - Ainda achas que eu sou estúpida?
Eu - O quê?
Ela - Ainda me achas estúpida?
Eu - Porque é que estás a perguntar isso?
Ela - Porque quero saber.
Eu - Eu nunca te chamei estúpida.
Ela - Chamaste na sexta à noite, ainda por cima à frente de todos.
Eu - Chamei?! Não chamei nada.
Ela - Chamaste com a cara. Não disseste nada mas pela cara que fizeste não podias estar a pensar outra coisa.
Eu - O quê?
Ela - Vês?! Estás a fazer essa cara outra vez. Pelo menos agora estamos sozinhos.

fica comigo agora

A culpa não é do Hélio dos Passos. A culpa é das mulheres, elas é que nos põem assim...



Fica comigo agora / Viajar no mundo dos sonhos / Por que já está na hora / Nas ondas tomar o banho / Você vai ficar tão feliz / Dançar e passear na areia / Sempre pode até dormir / Na praia como uma sereia...

unhas

Era mais um blind date. Só isso...
Espero que sejas daqueles homens que cortam as unhas dos pés, disse-me ela no primeiro café que tomámos. Pousei a chávena quente e olhei para ela, analisando-lhe minuciosamente o rosto para tentar perceber se falava a sério ou a brincar. Não descortinei a mínima vontade de sorrir, ou seja, falava a sério.
Que fiquei a saber que havia dois grandes grupos de homens: os que cortam as unhas dos pés e o que não cortam as unhas dos pés. Agradeci-lhe por me ter ensinado isto e não respondi, na esperança que a dialéctica sobre unhas dos pés ficasse por ali, com aquele pequeno e desenxabido travo de humor.
Não ficou. Ela limpou as paredes internas da chávena dela com o dedo indicador da mão direita e lambeu-o lentamente. Depois disse-me que adorava lamber também os dedos dos pés mas que, nos escuro, às vezes se feria nos lábios por causa de unhas demasiado compridas, e fiquei ainda a saber que tinha deixado o marido por causa disso.
Aproveitei o inócuo telefonema de um amigo para a informar que tinha que sair urgentemente, prometendo ligar-lhe mais tarde mas sem a mínima intenção de o fazer. Já no carro, enquanto conduzia, não percebia porque é uma mulher tão bonita começara uma conversa comigo a falar sobre unhas dos pés, e nunca percebi se fugir daquela maneira foi a melhor opção.

1.16.2009

pensamentos catatónicos (162)

Hoje fui à casa de banho dos homens de um café em Espinho. Quando ia a entrar, uma mulher saiu. Eu dei um passo atrás para confirmar se o bonequinho da porta era o do meu género. Era e entrei. No fundo da sanita estava um penso higiénico usado. Que raio de pessoa é que se acha no direito de deitar um penso higiénico na sanita duma casa de banho?

conversa 1132

Ela - Porque é que me disseste que eu era bonita?
Eu - Porque és. Decidi que, cada vez que tiver alguma coisa boa para dizer a alguém, devo dizê-lo mesmo. Se tiver uma coisa má para dizer é que devo pensar duas vezes antes de o dizer.
Ela - Só isso?
Eu - Só. Não chega?
Ela - Chega... estava a perguntar se só achas que eu sou bonita. Não achas mais nada de mim?
Eu - Acho... mas na altura só me apeteceu dizer isso.
Ela - Então é porque no resto pensaste duas vezes e decidiste não dizer.

Milai Bensabat



Não é possível falar dos anos sessenta em Portugal sem falar da Crónica Feminina, uma publicação dedicada às mulheres cuja popularidade a fez atingir os 140 000 exemplares de tiragem. Milai Bensabat, directora e editora da revista, foi desde o primeiro número (em Novembro de 1956) a cara deste projecto de sucesso.
A Crónica Feminina abordava temas variados e triviais, mas ainda assim captou a atenção e a fidelidade de milhares de mulheres portuguesas, de tal forma que chegou a ser vendida em Portugal continental e simultaneamente nas então colónias portuguesas. Foi a primeira revista portuguesa a produzir um fotonovela, facto que ajudou definitivamente o seu crescimento.
O projecto só acabou nos anos setenta a após a proibição da distribuição de um número já impresso. Bensabar, no entanto, já abandonara a revista em 1966 para abraçar outro projecto similar: a revista feminina Magazine.

conversa 1131

Eu - Estás a rir de quê?
Ela - Nada. Coisas de mulheres...
Eu - Diz lá...
Ela - Coisas de mulheres, já te disse.
Eu - Ok... pensei que te estavas a rir de mim, era só isso.
Ela - E estava. Rir de ti é uma coisa mulheres.

1.15.2009

o desemprego e o sexo para totós

1] O Partido Socialista vai "chumbar" os três projectos de lei para alargar o subsídio de desemprego, do PCP, Bloco de Esquerda e CDS-PP, que hoje são debatidos na Assembleia da República. [ler notícia no Expresso]
Ao contrário do que o Partido Socialista quer fazer crer, os desempregados não são pessoas falhadas nem pessoas que não querem trabalhar. No modelo de produção capitalista em que vivemos, e que é manifestamente apoiado pelo partido do Governo, os desempregados são um factor fundamental à concentração de riqueza, pois servem como exército de reserva para as unidades de produção. Por este motivo o subsídio de desemprego devia ser garantido e vitalício, já que os desempregados são vítimas da organização política que lhes é imposta.
Nunca gostei que me impusessem a normalidade. A maior parte das pessoas convenceu-se que esta dicotomia da mão-de-obra em empregados e desempregados é normal, que o mundo é assim e não pode ser de outra forma. Isso tem a ver com o facto da nossa memória colectiva não ter arquivado um modelo de produção sem desempregados. Mas ele existe e é possível. É por isso que a luta por um subsídio de desemprego a sério deve ser apenas um passo. O objectivo é mudança total do modelo de produção.
Gostava de encontrar mais pessoas que percebam que não têm que levar com esta merdice de normalidade que nos é imposta, e que somos nós todos que devemos decidir o que é normal ou não. Gostava que essas pessoas se organizassem e fizessem qualquer coisa para alterar isto. Sem medos.

2] Também as crises económicas, ao contrário do que nos querem fazer crer, não fazem parte dum ciclo natural da Economia. São provocadas propositadamente para que o capitalismo se possa reorganizar, leia-se, para que os grupos económicos possam engolir os mais fracos mais facilmente. Foi assim em 1929 e está a ser assim agora. Depois inventam desculpas para criancinhas do género: os bancos emprestaram dinheiro a quem não podia pagar empréstimos. Não me fodam: nem eu empresto dinheiro a quem não me pode pagar. Vocês acham que o gerente dum banco o ia fazer? Porquê? Por misericórdia... deve ser isso.
As crises económicas não são só falta de dinheiro num lado e dinheiro a mais noutro. As crises económicas têm um impacto enorme na nossa vida emocional, e essa também uma forma de manter as pessoas quietinhas no seu lugar, à espera que alguém lhes faça o favor de as meter num emprego precário e mal pago onde vão ser exploradas a vida toda. Até o sexo fica mais conservador em períodos de crise económica, segundo um sociólogo britânico. [ler notícia no yahoo]. A minha proposta é simples: decidam vocês o que deve ser a vossa normalidade, e se não quiserem começar já por algum activismo político, ao menos fodam sem conservadorismos.