1.30.2009

pensamentos catatónicos (163)

Podem chamar-lhe choque térmico. Eu chamo-lhe só choque porque não tenho a certeza que seja só térmico. Estou a falar de, num abraço, as mãos frias de um tocarem nas costas quentes do outro. A sensação poderia até ser boa, mas a mim lembra-me sempre uma vez em que me obrigaram a tomar banho de água fria em pleno Inverno...

a dama do silêncio

Não há muitas mulheres na História dos serial killers, mas a mexicana Juana Barraza Samperio, nascida em 1957, pode 'gabar-se' de ter assassinado mais de quarenta pessoas entre os finais dos anos 90 e 2006, altura em que foi presa. Por matar essencialmente mulheres de alguma idade, era conhecida como a "mata-velhinhas" (mataviejitas), mas a sua alcunha enquanto lutadora de luta livre era "a dama do silêncio".
Em março de 2008 foi condenada a mais de 759 anos de prisão. Quer-me parecer que não os vai cumprir na totalidade, mas fica para a História como uma das pessoas que mais trabalho deu à polícia mexicana nos últimos tempos.
Há bocadinho estava a olhar para esta fotografia dela, quando foi detida em 2006, e a pensar que se fosse eu o polícia fotógrafo a tirá-la, ou fugia ou, pelo menos, não dormia bem nessa noite.

conversa 1146

Ela - Não pára de chover. Começo a perceber porque é que os suecos, apesar do bom nível de vida que têm, estão sempre a dar tiros na cabeça. Não vêem o Sol.
Eu - Não estás a pensar dar um tiro na cabeça só por causa do mau tempo, pois não?
Ela - Na minha cabeça, pelo menos, não...

1.29.2009

duas coisinhas à parte

1] Eu já devia ter organizado todas as conversas do grande e espectacular concurso incompreensível. Só ainda não o fiz por preguiça. Prometo resolver isso brevemente e atribuir o prémio (um livro "não compreendo as mulheres" e uma pastilha elástica). A sério que prometo.

2] Dia 11 de Fevereiro entre as 10 e as 11 da manhã, se até lá eu não for atropelado por uma amiga minha que anda a tirar a carta, vou estar nos estúdios da BestRock FM para o programa do Miguel Peixoto. Até lá ainda torno a avisar...

crónicas de engate (1)

É a primeira vez...

É a primeira vez que passa as páginas do desporto sem sequer ler as gordas ou ver os resultados da primeira liga espanhola e, enquanto dá mais um gole numa cerveja excitada, estende a secção relax no balcão como se estendesse uma bela manta de retalhos para se deitar a seguir. Há qualquer coisa de agradável naquela invulgar disponibilidade feminina para o sexo: loira atrevida, quarentona boazona, chinesa boa de boca, morena com corpo escultural ou ruiva fofinha.

É a primeira vez que percorre livremente estes anúncios com os olhos, como se fosse ainda uma criança correndo numa praia deserta, à espera de mergulhar na onda mais apetecível. Com os olhos e com a imaginação, que nesse mundo onírico vai satisfazendo discretamente a sua libido enquanto titubeia o olhar nas duas empregadas do café. Decidiu classificá-las pelo que de melhor têm: uma é a empregada das mamas, outra é a empregada do rabo.

É a primeira vez que insiste no álcool àquela hora da tarde, e a seguir à primeira cerveja pede outra. Mantém o dedo indicador numa moreninha marota que atende em casa e promete sigilo, e como se o cartaz envelhecido que diz que as bebidas expostas são para consumo da casa fosse uma espécie de sinal, tira o telemóvel do bolso e guarda na memória aquele número. Moreninha marota, escreve ele rapidamente nas pequenas teclas dum nokia novinho em folha.

É a primeira vez que tem um dia livre depois do divórcio. E desse dia livre quer fazer o primeiro dia do resto da sua vida. Na verdade, pensa ele, já foi primeiro em muitas coisas. De manhã comprou pela primeira vez um after-shave caro, depois fez a barba enquanto tomava banho e, pela primeira vez em muitos anos, tomou esse banho sem se masturbar, à espera que um desses anúncios lhe proporcione uma noite inesquecível. Também a pensar nessa noite inesquecível, vestiu umas cuecas novas e um par de meias pouco usado. Agora pede uma terceira cerveja e a conta. É a empregada das mamas que sorri e lhe satisfaz o pedido e, enquanto lhe observa o peito baloiçante como um barco, ganha um tesão de que já não tinha memória.

É a primeira vez que responde com vontade a um sorriso. Quer voltar a tentar o amor, claro, mas tantos anos passados numa relação despovoada de calor e de sexo, fazem-no querer começar a satisfazer os seus desejos pelo corpo. É sempre o mais fácil, pensa. Além disso, a própria cerveja já se ocupou parcialmente da mente. Resta-lhe esperar que o tesão perca vigor para poder sair do café sem dar nas vistas, mas o facto do telemóvel começar a vibrar no bolso não o vai ajudar nada nesse aspecto. No visor aparece o nome moreninha marota. Não pode ser, conclui ele, mas atende na mesma. Estou? - Pergunta. E está mesmo. É a ex-mulher dele a telefonar doutro telemóvel por não ter saldo no dela, explica ela. Diz-lhe também que ele tem que passar lá em casa e ficar com os miúdos porque ela arranjou um emprego novo e tem que ir trabalhar à noite.

É a primeira vez que olha para as empregadas do café e repara que elas têm o nome próprio impresso num crachá que trazem ao peito. Deixam de ser a empregada das mamas e a empregada do rabo. Perdeu o tesão. A cerveja fica a meio, paga e vai-se embora.

conversa 1145

Eu - Queres ver um filme comigo lá em casa, hoje à noite?
Ela - Se não te importares que eu adormeça ao teu lado... é que os teus filmes, eu já sei que são uma seca.

conversa 1144

Ela - Estou tão cansada.
Eu - Muito trabalho?
Ela - Mais ou menos. Andei toda a manhã à procura dum rímel decente... o último que comprei deixou-me num estado que parecia que tinha levado um murro nos olhos...
Eu - E já encontraste um rímel melhor?
Ela - Não. Vou almoçar e continuar a procurar à tarde...

1.28.2009

adivinha quanto gosto de ti

Antes de continuar este post, devo dizer que não tenho nada pessoal contra o André Sardet. Aliás, nem o conheço pessoalmente. Na verdade, tirando o facto da música "adivinha o quanto gosto de ti" estar sempre a passar na rádio enquanto eu conduzo e a obrigar-me a mudar de estação, não tenho mesmo nada contra.
Oh André, pá! como é que raio te lembraste de escrever esta letra?



Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas não sei o que escrever,
Sinto as pernas a tremer quando sorris para mim, quando deixo de te ver...
Ora bem, ele pensou em dar-lhe uma flor com um bilhete mas não sabe o que escrever... hum... hum... ei! espera aí, eu pensava que primeiro surgia a necessidade de dizer alguma coisa e depois é que pensávamos na maneira como o fazer: por telefone, por email ou, em alguns casos raros, vá lá, por um bilhete com uma flor...

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Mas que raio de jogo é este? Um joga pelo outro e depois ela tem que adivinhar quanto é que o André gosta dela? Oh André, olha... há jogos muito mais interessantes: xadrez, monopólio, civilization IV... sei lá, qualquer coisa que não meta adivinhações...

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom viver assim...
Pronto André, como é que tu querias que a rapariga ganhasse o jogo? Tinha que fechar os olhos e adivinhar que gostas dela desde aqui até à lua e da lua até aqui. Não é nada fácil, deixa-me que te diga. Além disso, a distância daqui à lua e da lua aqui é a mesma. mais ou menos 380000 quilómetros. Para a próxima basta dizeres: "gosto de ti 380000 quilómetros".

Ando a ver se me decido como te vou dizer, como te hei-de contar. até já fiz um avião com um papel azul, mas voou da minha mão... Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Olha André... começo a perder a paciência. Se andas a ver se te decides como lhe vais dizer seja lá o que for, porque é que não aproveitas o tal bilhete com a flor? É que isso dos aviões de papel, independentemente da cor, não resulta muito bem. Um tipo manda-os para um sítio mas eles vão parar a outro... acredita em mim. E deixa-te lá de jogos malucos duma vez por todas.

Quantas vezes parei à tua porta, quantas vezes nem olhaste para mim, quantas vezes eu pedi que adivinhasses, o quanto eu gosto de ti.
André, eu a avisar-te para te deixares de jogos malucos e tu vais logo com essa paranóia para a porta dela? Imagina que ela abre e te vê ali especado sem fazer nadinha. Se te perguntar o que é que tu estás ali a fazer, tu vais ter que responder: "estou a ver se adivinhas o quanto gostas de mim...". A sério que ela te vai fechar a porta na cara e chamar a polícia ou o INEM...

conversa 1143

Ela - Alguma vez tiveste um orgasmo antes da mulher?
Eu - Claro... acontece a todos...
Ela - E ela não ficou assim... insatisfeita? Ou consegues dar duas seguidas?
Eu - Isso das duas seguidas, sem comprimidos, é um mito urbano. Mas é para isso que temos língua e dedo.
Ela - Boa. Tenho que dizer isso ao meu marido.

conversa 1142

Ela - A verdade é que uma relação sem uma discussão de vez em quando é uma relação morta. Gosto que se discuta de vez em quando.
Eu - Tem calma contigo, mas é.
Ela - Há homens tão panhonhas... por mais que uma mulher os pique nunca se zangam...
Eu - Tem calma.
Ela - Apetece chegar e espetar-lhes uma agulha no rabo.
Eu - Tem calma, a sério...
Ela - E pára de me dizeres para ter calma.

coisas que fascinam (79)

Enquanto folheio as páginas do jornal bebo o terceiro café do dia. Quente e duma só vez, aquecendo primeiro a ponta dos dedos na pequena chávena. E é nesse instante, em que as minhas mãos frias abraçam sofregamente aquele calor, que cresce em mim uma espécie de saudades do abraço dela. Fecho o jornal sem me lembrar duma única notícia que tenha lido. É que hoje o mundo não me interessa nada.

diamonds are a girl's best friend

Segundo um estudo publicado por dois cientistas da Universidade de Newcastle, os homens considerados ricos pelas suas parceiras proporcionam mais prazer às mulheres durante as relações sexuais.
Num total de 1.534 mulheres com maridos ou namorados, 121 delas responderam ter sempre orgasmos durante as relações sexuais, 408 disseram ter orgasmos com frequência, 762 tinham orgasmos “às vezes” e 243 raramente tinham orgasmos.
Entre vários factores identificados como influenciadores na frequência de orgasmos pelas mulheres, a riqueza do parceiro foi a mais determinante. [ler no JN]

Ora bem... eu, para começar, estou feito ao bife. Acabei de chegar à conclusão que as mulheres fingem ter orgasmos comigo. A única esperança que me resta é que continuem a fingir, ou então tenho que acertar no totoloto. A partir de agora sei que cada vez que a minha parceira sexual gemer, está a pensar no Bill Gates ou no Warren Buffet...

1.27.2009

conversa 1141

Ela - Eu lembro-me de ti. Não andaste na escola comercial em Aveiro?
Eu - Andei.
Ela - Pois, eu lembro-me de ti. Tinhas um amigo mesmo muito giro...

papel, papel e mais papel...

Acordo de manhã e descubro que a minha vida se tornou num monte de papéis desordenados, todos com uma obrigação qualquer inerente: pagar a água, pagar a luz, pagar o gás, avaliar a casa, pagar o seguro automóvel, passar os recibos dos condóminos do meu prédio, comprar alhos e cebolas, ir ao médico, fazer mais isto e mais aquilo...
Fico com saudades de quando não havia papéis na minha vida. Mais, fico zangado com quem inventou o papel. Em vez de dedicar a minha vida a algo decente como uma mulher, tenho que andar a perder tempo com coisas que detesto. Depois faz-se luz... vou ver quem inventou o papel e foi um eunuco chinês chamado Ts'ai Lun... tinha que ser um gajo sem tomates...

como falhar completamente a vida

Nunca fui bom em nada. Quando era miúdo não jogava bem futebol nem era bom aluno na escola. Pior do que isso: também não era mau aluno. Para se ter algum sucesso quando se é miúdo tem que se ser bom ou mau aluno. Eu era daqueles em que ninguém reparava, mediano e silencioso quanto baste para ser sempre o último a integrar um grupo daqueles que às vezes se formam para fazer trabalhos estúpidos de grupo, que não são muito mais do que colar coisas estúpidas em cartolinas grandes e coloridas. E eu era sempre o último porque ninguém me escolhia. Era sempre a professora que, quando dava por mim num canto da sala, me integrava à força. De facto, a única coisa que me lembro de gostar na escola primária foi de ter uma namorada chamada Helena com quem brincava no baloiço do parque municipal de Aveiro. Os outros chamavam-nos 'namorados' como se isso fosse mau e atiravam-nos pedras.
A adolescência, a que eu ainda chamo a terrível fase Clearasil, não melhorou nada. Para além de continuar a jogar mal futebol e não ser bom nem mau na escola, a coisa agravou-se porque as exigências por cumprir passaram a ser mais. Com dezasseis anos veio o trauma das sapatilhas de marca que eu nunca tinha apesar de todos terem, as borbulhas e pontos negros, os penteados que eu não era capaz de fazer e, claro, a Samantha Fox. Nunca tive umas sapatilhas que não fossem Sanjo (e que saudades tenho eu agora delas) ou Chute, nunca tive coragem de comprar Clearasil (que era um creminho de sucesso entre a adolescência portuguesa) e nunca admiti o meu fetiche pelas mamas enormes da Samantha Fox. Claro que, se em miúdo a única vantagem era eu ser o único a ter namorada, essa vantagem desvaneceu-se na adolescência porque passei a ser o único que não tinha. É que entretanto, todos os gajos que me atiravam pedras na escola primária por eu ter namorada, descobriram para que é que servia a pila.
Tudo podia ter-se resolvido na minha passagem para jovem adulto, até porque aí já não interessava muito jogar bem futebol nem ser bom ou mau aluno. Além disso, eu já usava botas ou sapatos e as borbulhas tinham desaparecido. Mesmo a fixação pela Samatha Fox diluíra-se lentamente nos sonhos húmidos de toda a adolescência. Estava tudo pronto para, à primeira oportunidade, arranjar uma namorada e ter uma vida mais ou menos normal. E foi esse o problema, eu pensava que ao ter uma namorada se conseguia ter uma vida normal mas não, ao ter uma namorada quando se é jovem adulto, a vida é tudo menos normal. Da fase Clearasil passei à fase 'oh caraças, ela amuou outra vez'. Nunca mais tive umas férias sem amuos por causa do lugar onde a tenda ficou instalada; nunca mais consegui ir ao cinema sem discutir meia hora a escolha do filme e, mesmo assim, ela amuar porque afinal era outro que devíamos ter ido ver; nunca mais consegui ir ao restaurante sem aturar um amuo porque comi uma sobremesa e ela, porque achava sempre que estava com uns quilinhos a mais, não podia comer açúcar; nem nunca mais consegui superar o nervosismo por ter que adivinhar se ela tinha ido ou não ao cabeleireiro, senão era porque não reparava nela e era um egoísta de todo o tamanho.
Menos mal, em conversas com amigos percebi que a fase 'oh caraças, ela amuou outra vez' era mais ou menos comum a todos. Convenci-me que a vida era assim e tentei ser feliz com esses amuos. Bastou-me treinar o suficiente para rir para dentro e não para fora com alguns deles. Foi aí que se deu o terramoto. Um gajo passa anos a habituar-se a viver com uma mulher, abdicando dos filmes preferidos, sobremesas preferidas, restaurantes preferidos, e mais, a dizer todos os domingos de manhã: "bom dia, estás diferente... foste ao cabeleireiro?" para o caso de ela ter ido mesmo, e ela diz-nos de repente que a vida toda dela foi uma merda por nossa causa.
Tudo bem, se foi por nossa causa, então bazamos. Não faz mal...

1.26.2009

em recuperação...

Tive uma intoxicação alimentar e ainda estou em recuperação. Amanhã acho que já consigo escrever coisas mais ou menos decentes outra vez...

conversa 1140

(ao telefone)

Eu - Estás bem? É que eu estou mal disposto. Acho que tive uma intoxicação alimentar com o jantar de ontem.
Ela - Pois... tivemos todos. Havia qualquer coisa estragada, provavelmente o camarão.
Eu - Nem me consigo mexer...
Ela - Mas conseguiste telefonar... para me chateares quando estou doente fazes sempre um esforço.

demasiado loiras

Diz o UKDailyMail que duas adolescentes foram ameaçadas de expulsão da Rednock School, pelo director David Alexander, por serem demasiado loiras. Para a expulsão não se confirmar, as miúdas terão que pintar o cabelo de castanho.

Eu acho bem. Vocês podem pensar que isto é prejudicar uma pessoa só porque ela nasceu loira mas, na minha opinião, é apenas equilibrar os pratos da balança. É que as loiras têm sempre vantagem no acesso às vagas dos melhores empregos, tipo aqueles empregos em que a única coisa que é preciso fazer é estar quieta. São os chamados trabalhos de corpo presente, como por exemplo estar quietinha em cima do capô dum carro caro numa feira de automóveis, estar quietinha ao lado do presidente dum clube de futebol num jantar de angariação de fundos para a casa do adepto duma terriola qualquer, estar quietinha atrás do apresentador dum concurso de televisão com um prémio na mão, estar quietinha para ser fotografada e sair numa revista de moda ou estar quietinha ao lado do Santana Lopes. Enfim, tudo empregos em que o mais importante é... estar quietinha.

1.22.2009

conversa 1139

(na casa dela, enquanto eu cozinhava)

Ela - Que é isso?
Eu - É comida...
Ela - Mas esse grelhador, onde é que o foste buscar?
Eu - Ao teu armário.
Ela - Nem sabia que tinha um grelhador.

mulheres e planetas

Um exoplaneta é um planeta que orbita uma estrela que não o Sol. A comunidade científica está à procura de um exoplaneta que tenha vida ou seja habitável, mas até agora só encontrou planetas demasiado grandes, muito quentes, muito frios, muito densos ou demasiado próximos da sua estrela. Há dois métodos para encontrar exoplanetas: o da detecção indirecta e o da visualização directa. A detecção indirecta passa por identificar a agitação de uma estrela (devido à força gravitacional da órbita do planeta) ou pela ligeira ofuscação da estrela quando esse planeta passa à sua frente. Nalguns casos é possível a observação directa, com telescópios potentes que são capazes de separar a luz ténue do planeta da luz da sua estrela. [ler na wired]
Estava a ler isto e a pensar como a busca por um planeta e por uma pessoa são tão parecidas. Em primeiro lugar, porque se procura algo onde haja vida ou onde se possa viver. Em segundo lugar porque também quando procuramos um parceiro, utilizamos os métodos de observação indirecta e directa. Por exemplo, no primeiro passeio que se faz com uma mulher, e para não parecermos demasiado invasivos, podemos aproveitar o seu reflexo na montra duma loja pronto-a-vestir enquanto ela olha para o preço duma peça qualquer. Mais à noite, e se conseguimos passar a fase da observação indirecta, temos que procurar aproveitar o método da observação directa, isto é, ser capaz de manter o nosso olhar no olhar dela sem fugir. Se os olhares não fugirem um do outro durante alguns segundos, enfim, talvez aquele planeta seja habitável.