6.02.2015
6.01.2015
coisas que fascinam (177)
Nunca tinha tido um Amor como este, capaz de se alimentar de pequenas fracções de tempo. De um segundo, por exemplo. Chamo-lhe o Amor Colibri, desde que soube que o colibri bate as asas setenta vezes por segundo quando se alimenta duma flor qualquer. É a dedicação inteira a apenas um momento.
Uma pequena fracção de tempo não significa uma pequena fracção de Amor. Muito pelo contrário. Num segundo apenas, por exemplo, um terramoto pode destruir uma cidade e levar tudo com ele. É o que me acontece no segundo em que ela me dá a mão. Vou todo com ela.
Já tinha experimentado o Amor do tempo inteiro, aquele em que a mão se dá mesmo quando está cansada de se dar. É o Amor do tempo todo que o tempo tem. Não sei se é melhor ou pior. Sei que um dia cheguei a casa e ele, o Amor, tinha partido e eu só dei por ela muito tempo depois.
O truque do Amor Colibri é que das pequenas fracções de tempo também se faz o tempo todo. Os colibris alimentam-se de quinze em quinze minutos e ingerem diariamente trinta vezes o seu peso. Impressionante, para quem já passou dias inteiros a comer sem comer nada.
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5.29.2015
Desde que esse alguém fosses tu.
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Etiquetas: mensagens por telemóvel que não envio por serem foleiras mas que queria enviar na mesma
5.28.2015
conversa 2125
Eu - Então?
Ela - Estou cansada de discutir. Preciso de paz e de sossego.
Eu - Compreendo... mas não acho muito bem.
Ela - Porquê?
Eu - Porque assim perdes a capacidade de intervir. É como se não existisses em muitos aspectos.
Ela - Não existo, o tanas é que não existo.
Eu - Se não discutes, não existes. É o princípio da dialéctica. Tornas-te inútil.
Ela - Sabes onde é que podes meter a dialéctica? No teu cuzinho.
Eu - Tem calma. Só estava a...
Ela - Estavas a dizer que eu sou uma inútil.
Eu - Pensei que estavas numa fase da vida em que não discutias...
Ela - Contigo abro uma excepção.
P.S.: Olha a Dialéctica no WFC...
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5.27.2015
pensamentos catatónicos (322)
O problema dos homens sós não é apenas a solidão. É o Amor estar em todo o lado menos neles. Os homens sós estão para o Amor assim como um ateu está para Deus. Sabem que ele existe mas não lhe conseguem tocar. Assim como os ateus dizem "Meu Deus!" sem acreditarem que podem chegar a Deus, os homens sós dizem "foda-se" sem acreditarem que podem chegar ao Amor. Vai dar ao mesmo. É um desabafo.
O problema das mulheres sós não é apenas a solidão. É o Amor não estar em lado nenhum a não ser nelas. As mulheres sós estão para o Amor assim como Deus está para os ateus. Sabe que eles existem mas não obtém nada deles. Assim como Deus não lhes diz nada, as mulheres sós também nada dizem. Vai dar ao mesmo. É o silêncio.
E eu, que ateu me confesso, homem só me sinto.
P.S.: Out Of Love. Podem ir sós
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5.26.2015
conversa 2124
Eu - Às vezes cansam-me as alterações de humor femininas.
Ela - Não são assim tantas...
Eu - Eu acho que são. É verdade que têm uma explicação hormonal, mas são...
Ela - São o tanas, pá! Explicação hormonal o tanas, pá! Pareces parvo!
Eu - Não te zangues.
Ela - Como é que não me hei-de zangar?! Não digas parvoíces...
Eu - Okay, eu calo-me. Não abro mais a boca a não ser para beber do meu vinho
Ela - Ah! ah!
Eu - Agora estás a rir...
Ela - Claro. Com essa conversa de bêbado...
Eu - É conversa dum gajo que bebe para esquecer que está a ter esta conversa.
Ela - Também não me ponhas assim triste. Agora não queres falar comigo?!
Eu - Estás a ver? Já estiveste zangada, a rir e agora estás triste. Tudo em dois minutos.
Ela - É melhor calares-te, antes que eu me chateie a sério.
P.S.: Preparem-se para as alterações de humor no WFC, em Lisboa...
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respostas a perguntas inexistentes (308)
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5.24.2015
pensamentos catatónicos (321)
Saímos dessa história e caímos na realidade quando temos uma chatice no Amor. Quando somos maltratados, por exemplo. É por isso que usamos o verbo cair. A realidade é sempre uma queda e só nos tornamos a pôr de pé quando nos apaixonamos de novo.
As pessoas que sofreram muito numa história de Amor, às vezes desistem dele. Passam a considerar a solidão o maior dos bens, mesmo que seja triste, e optam por viver sempre sós. Podem escrever um pequeno conto de vez em quando, mas desistem de escrever grandes romances.
É uma pena que isso aconteça, perdermos a noção de que somos nós que escrevemos a nossa história de Amor. Até porque perdemos também a noção de que é melhor uma intensa verosimilhança do que uma frágil verdade.
Viva o Amor verosímil! Abaixo a realista solidão!
P.S.: Já foram ao site Out Of Love - WORLD FAILURISTS CONGRESS?
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5.21.2015
pensamentos catatónicos (320)
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5.20.2015
conversa 2123
Ela - Detesto que me digam isso.
Eu - Porquê?!
Ela - Porque a beleza é supérflua, é por isso. Prefiro que gostem de mim pelo que eu sou.
Eu - Pronto... não és bonita mas és adorável, então.
Ela - Vê lá se levas duas chapadas.
P.S. O congresso do ano está aí à porta! WFC
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5.19.2015
A Guerra dos Tronos
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as pessoas que falam demais e as pessoas que falam de menos
As pessoas que falam demais sabem que falam demais, mas acreditam que as pessoas a quem contam tudo não lhes vão fazer a desfeita de as desmascarar. Acreditam, acima de tudo, que falam demais a pessoas que falam de menos.
As pessoas que falam de menos fazem-no porque põem sempre a hipótese de estarem a falar com quem fala demais. É melhor não contar nada a este tipo porque ele vai contar tudo a toda a gente, pensam.
As pessoas que falam demais são boas, porque acreditam no outro. As pessoas que falam de menos são umas desconfiadas, apesar de desconfiarem de pessoas boas que confiam nelas.
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5.16.2015
conversa 2122
Eu - Sim... tirando não ter dinheiro para mandar cantar um cego, está tudo bem.
Ela - O Stevie Wonder, por exemplo.
Eu - O quê?!
Ela -O Stevie Wonder é cego e não tens dinheiro para o mandar cantar. Deve ser caríssimo...
Eu - Onde é que queres chegar com isso?
Ela - A lado nenhum...
Eu - Pareces chateada...
Ela - E estou... mas não é contigo.
Eu - Então?!
Ela - O meu marido entrou hoje na casa de banho quando eu lá estava...
Eu - E qual é o problema?
Ela - O problema é que eu sou casada com ele e a retrete é o único lugar onde uma pessoa casada consegue ter alguma privacidade. Até à retrete ele já chegou. Percebes o que eu estou a dizer?
Eu - Mais ou menos... qual é a relação com o Stevie Wonder?
Ela - Mandei-o sair da casa de banho e ele veio com a mesma conversa de que não temos dinheiro para mandar cantar um cego, por isso temos que partilhar a casa de banho quando for preciso. Não temos dinheiro para uma casa maior. O Stevie Wonder foi a resposta que eu lhe dei...
Eu - E ele?
Ela - Começou a cantar o "I Just Called To Say I Love You".
Eu - E tu?
Ela - Saí de casa um bocado enraivecida e depois de discutir com ele...
Eu - Ele está bem?
Ela - Está. Não te preocupes, não o matei.
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Etiquetas: conversas
5.14.2015
bullying
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5.13.2015
diz que disse (1)
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5.12.2015
coisas que fascinam (176)
Na pessoa que Amamos, há sempre aquilo de que gostamos mais e aquilo de que gostamos menos, ou melhor, de que até não gostamos nadinha. É inevitável. Nós também temos sempre algumas características de que os outros não gostam, mesmo quando gostam de nós. O Amor dá-se quando passamos a gostar de não gostar. É simples, não é?
É simples e difícil. Simples porque é aquilo que todos nós somos, difícil porque passa por não desejarmos que o outro mude. Eu gosto assim do meu Amor, tal como está, e não lhe mudava nadinha. Nem sequer mudava as coisas de que não gosto.
Não gostar de alguma coisa na pessoa que Amamos dá ao Amor um gosto muito maior. Mais intenso, digamos, até porque o Amor sem um ou outro desgosto é a coisa mais deslavada que pode haver. É arroz sem sal. Discorde quem quiser, mas quem nunca fez Amor depois de um quid pro quo ainda não sabe o que é fazer Amor.
Aquilo de que não gostamos no nosso Amor nunca pode ser um factor de acusação. Pode apenas ser um pequeno ponto de discórdia, partida para uma concordância maior. Pelo menos enquanto gostamos dele. É esse um dos aspectos mágicos do Amor: ficarmos bêbados de alegria por não gostarmos do outro.
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5.11.2015
pensamentos catatónicos (319)
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5.07.2015
respostas a perguntas inexistentes (307)
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5.06.2015
conversa 2121
Para se ser amigo de um homem são precisas duas coisas: gostar de cerveja e conseguir ver um jogo de futebol no café. Para se ser amigo de uma mulher são precisas mil e quinhentas coisas, entre elas muito tempo e uma confiança nunca quebrada. A cerveja e o jogo de futebol também podem existir, mas mais lá para o fim da lista.
Foi com as mulheres que eu aprendi o que é a Amizade, aquela que vai para lá da divisão de um prato de tremoços enquanto se comemora um golo do Sporting. Tudo porque as mulheres sabem fazer a distinção entre esses tremoços e ir para as cambalhotas na cama. Os homens não sabem. Eu, pelo menos, sempre tive dificuldade.
- Queres dormir comigo? - perguntei.
- Porquê?!
- Talvez eu queira ser mais do que teu amigo! - atirei como se fosse a última carta num jogo de póquer.
- Nunca vais conseguir ser mais do que meu amigo.
- Porquê?
- Porque isso não existe. Se fores para a cama comigo, passas a ser menos do que meu amigo.
Continuei a comer tremoços.
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5.04.2015
respostas a perguntas inexistentes (306)
As mulheres têm um segredo. Sabem que a vida é uma coisa estúpida, só não o dizem a ninguém. Se as mulheres dissessem aos homens que a vida é estúpida, os homens iam tomar isso como uma ofensa, porque no seu brilhante egoísmo pensariam, não na vida, mas sim na vidinha. A deles.
O segredo delas é maior. Sabem que a vida tem o lado biológico da reprodução da espécie e que ninguém consegue perceber muito bem porquê. Sabem que só existimos quando calha termos um corpo e que, quando o temos, não sabemos muito bem o que fazer com ele. O Amor é uma excepção à estupidez. É esse o segredo delas, Todas o têm, mesmo quando não sabem que sabem isto.
Uma mulher fica desiludida quando é enganada no Amor, um homem fica fodido. São coisas totalmente diferentes. A mulher passa a depositar esperança num hipotético Amor futuro, um homem faz o balanço dos despojos.
- Pelo menos dei umas quecas! - pensa.
Ser enganado no Amor, para quem tiver dúvidas, não é o mesmo que aquilo que se costuma chamar traição ou, para os mais terra à terra, ser encornado. Ser enganado no Amor é pensar que se é Amado quando, de facto, não se é. Em todos nós há enganos de Amor de uma vidinha inteira e enganos de cinco minutos.
Os enganos de cinco minutos são mais femininos, os enganos de uma vidinha são mais masculinos. Isto quer dizer que a mulher pode deixar de Amar um homem durante cinco minutos e aguentar a coisa, um homem pode não Amar uma vida inteira e aguentar na mesma essa coisa. Lá está, pelo menos deu umas quecas. A coisa é o casamento.
Quando um homem descobre que não é Amado durante cinco minutos, explode. Lá está, fica fodido. Quando uma mulher descobre que não é Amada uma vida inteira, vai-se embora. Lá está, sabe que o Amor é o segredo duma vida estúpida. Não faz fretes.
O próximo WFC é sobre desmistificar o Amor e a forma como o pensamos e vivemos. Vão estando atentos...
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