eu mudava este português
Seguiu o filho discretamente numa das suas saídas nocturnas e, quando o viu entrar num bar gay do Porto, chamou a polícia. Como a polícia se limitou a multar o bar por ter deixado entrar um menor, ele entregou mais tarde o filho noutra esquadra dizendo que não o queria.
Eu mudava este português. Anulava-o e punha cá outro melhor. Um qualquer mas que fosse melhor. E quando digo melhor não digo apenas mais inteligente, porque até sou daqueles que acha que a burrice e a estupidez têm remédio.
O que não tem remédio é o desAmor, e quanto mais desAmor houver num país, pior ele é. Um homem que faz isto ao filho nunca foi capaz de Amar ninguém. Nem o filho, nem uma mulher, nem sequer ele mesmo. Nunca percebeu o que é a singularidade de Amar alguém nem porque é que nos apaixonamos por outra pessoa. Simplesmente não o sabe. É uma incapacidade biológica.
Amar alguém não está sujeito a nenhuma moral nem regra. Amamos alguém quando essa pessoa se torna única para nós, e essa unicidade só nós a sabemos explicar. Se não por palavras, nos nossos comportamentos de todos os dias. Num abraço, num beijo, no sexo, numa prenda ou no que for. Essa unicidade não diz respeito a ninguém a não ser àquele ou àquela que Ama. Essa unicidade é isso mesmo, aquilo que nos é único, e que faz um homem poder Amar outro homem ou outra mulher. É igual, é uma escolha de cada um. Mais nada.
Quem não percebe isto é porque nunca foi capaz de Amar. Este homem nunca olhou para uma mulher como a sua unicidade, mas sim como uma pessoa que se incluía no lote de quem lhe estava permitido tocar, por causa duma moral de tanga que só o desAmor sabe dizer. O problema do desAmor é esse mesmo, por um lado é estúpido, o que até poderia ter remédio. Por outro é triste e violento, e isso não tem remédio. Eu mudava este português.



