11.06.2009

conversa 1353

Eu - Parti os meus óculos...
Ela - Não parecem partidos.
Eu - Colei-os com super cola 3. Espero que se aguentem algum tempo mas já percebi que mais tarde ou mais cedo vou ter que comprar outros...
Ela - Quando comprares outros diz-me, que é para eu ir contigo ajudar-te a escolher.
Eu - Mas eu não preciso de ajuda a escolher. Eu compro sempre, dentro dos que são mais parecidos com estes que tenho, os mais baratos.
Ela - E nunca experimentas outro tipo de óculos?
Eu - Não.
Ela - Realmente, os homens não sabem dar nenhuma piada à vida.

etic

Na ETIC - Escola Técnica de Imagem e Comunicação, no âmbito de um trabalho do módulo Iniciação Prática, foi feito este vídeo com diálogos retirados deste blogue.

branco velho, tinto e jeropiga... com peixe frito

Pronto... a jeropiga produzida no Fundão é boa... mas dá um bocado de dor de cabeça quando bebida depois de vinho tinto...

11.05.2009

conversa 1352

(ao telefone)

Ela - Ainda nem te agradeci. Gostei muito de jantar contigo... e acho que cozinhas bem.
Eu - Obrigado.
Ela - Não agradeças. Cozinhas bem mas cozinhar como os homens fazem é fácil. Não era propriamente um elogio.
Eu - É fácil?
Ela - Sim... cozinhar para uns amigos de vez em quando é fácil. Difícil é pensar na merda do almoço e do jantar, para o marido e para os filhos, todos os santos dias...
Eu - Sim... mas eu...
Ela - Pronto, já estou irritada.

noite fria com música

Hoje é noite de Couscous Prosjekt no Clandestino Bar.

calcanhares assassinos



A Killerheels é uma marca de sapatos para mulheres que se define metaforicamente, mesmo através do próprio nome (calcanhares assassinos), uma marca capaz de matar homens. Eu percebo a ideia embora não seja grande adepto deste cartaz. É que os sapatos de salto alto que as mulheres usam matam mesmo um homem. Pelo menos, no mínimo dos mínimos, matam-lhe a paciência. Matam-lhe a paciência quando ficam presos durante dez minutos num buraco qualquer do passeio, exactamente na manhã em que ele está cheio de pressa para uma reunião de trabalho; matam-lhe a paciência quando no último dia de férias em Veneza eles decidem conhecer a cidade a pé e ela torce a tibio-társica a meio do caminho; matam-lhe a paciência quando, depois de uma noite de copos, ela decide que já não pode caminhar mais com aqueles sapatos de quatrocentos euros porque tem os pés cheios de bolhas. Enfim... a Killerheels é uma marca que sabe do que fala...

conversa 1351

(no café)

Ela - Nem reparaste que eu fui ao cabeleireiro...
Eu - Foste ao cabeleireiro?
Ela - Fui...
Eu - Já não te via há uns quinze dias... é por isso.
Ela - Fui ao cabeleireiro esta manhã. Acho que se repara na mesma... mas pronto.
Eu - És tão bonita que nem reparei no teu cabelo...
Ela - Quer dizer que se te aparecesse careca também não notavas.
Eu - Vem aí o empregado. Queres um café?
Ela - Isso, isso... muda de conversa agora.
Eu - Eu preciso mesmo dum café. Estou meio ensonado. Se calhar foi por isso que não reparei...
Ela - Quanto mais falas mais te enterras.

11.04.2009

não ao referendo

Sou contra o referendo sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Porquê? Porque enquanto cidadão não tenho o direito de opinar sobre as opções ou tendências sexuais dos outros. Se duas pessoas do mesmo sexo decidem casar, isso faz parte apenas da esfera individual de cada um.
Recuso-me é a viver num país onde há cidadãos de primeira e cidadãos de segunda e, no caso do casamento civil, os homossexuais são considerados pela lei cidadãos de segunda. É preciso por isso que tenham os mesmos direitos dos outros....

11.03.2009

apaixonei-me por ela numa viagem de comboio.

Apaixonei-me por ela numa viagem de comboio. Primeiro vi-a sentada num dos bancos da estação, folheando um livro enquanto arrumava o seu próprio corpo na quantidade exagerada de objectos que a acompanhavam. Uma pequena e coçada mala vermelha cheia como um ovo; uma carteira de tiracolo de onde tinha tirado o livro e que agora esperava como um cão obediente, de boca aberta, que ela o tornasse a arrumar; um casaco comprido adormecido serenamente no seu colo apetecível e, ao seus pés, um saco de plástico de um supermercado qualquer com algumas compras.
Apaixonei-me por ela numa viagem de comboio. Depois vi-a a guardar calmamente o livro na carteira, acordar com doçura o casaco antes de o vestir, pôr a carteira a tiracolo ajustando-a milimetricamente ao seu corpo e, por fim, caminhar para o comboio com o saco de plástico numa mão e a mala vermelha noutra.
Eu já lá estava, observando-a privilegiadamente a partir duma janela, porque tinha corrido para a carruagem com a pressa de todos os outros passageiros. Foi só aí que me expliquei aquela paixão súbita, enquanto ela se instalava num banco à minha frente exactamente como se instalara no cais: com o casaco a adormecer de novo ao seu colo e a carteira de boca aberta ao seu lado. Ela tinha uma velocidade diferente. Era como se todos caminhassem rapidamente para a morte e ela, apesar de ir na mesma direcção, parasse de vez em quando para contemplar a vida.
Apaixonei-me por ela numa viagem de comboio. E se ela contemplava a vida eu contemplava-a a ela, e se ela se perdia num mar de letras eu perdia-me num mar de mulher. Um mar de ondas calmas e espaçadas, às vezes provocadas pelo virar de mais uma página, outras vezes por uma efémera troca de olhares e outras vezes pelo simples acto de respirar.
Apaixonei-me por ela numa viagem de comboio. Depois adormeci... e talvez por o meu sono ser ciumento do sono do seu casaco, fui mergulhando nessas ondas como num sono cada vez mais profundo. Quando acordei ela já não estava. Tinha saído numa estação qualquer. Não faz mal, às vezes apaixonamo-nos por quem não pode viajar connosco.

10.31.2009

conversa 1350

(no meu carro, a chegarmos a minha casa para jantarmos juntos)

Ela - Que estás a fazer?
Eu - À procura dum lugar para estacionar...
Ela - Havia ali atrás...
Eu - Estou a ver se há um lugar mais perto.
Ela (impaciente) - És daqueles que precisam mesmo de estacionar em cima da porta de casa? Já agora leva o carro para o segundo andar...
Eu - Pronto, tem calma... eu dou a volta e estaciono lá atrás.
Ela - Sim, mas já agora deixa-me à porta e dá-me a chave de casa para eu ir subindo... não queres que eu faça este caminho todo a pé, pois não?

10.30.2009

conversa 1349

Ela - Normalmente lês mais à noite ou de dia?
Eu - De dia é mais quando ando de comboio. De resto é mais à noite quando já estou na cama...
Ela - E tens sexo depois ou antes de ler?
Eu - Não sei... acho que leio mais vezes quando estou sozinho...
Ela - Caramba, é que eu desde que comecei a namorar com o XXXXXX ainda não avancei uma página no livro que andava a ler...

conversa 1348

(ao telefone)

Ela - O meu filho está a dizer que tu lhe prometeste que lhe arranjavas um jogo de futebol para o computador...
Eu - É o Pro Evolution Soccer 2010. Já o tenho e já lhe gravei... este fim de semana dou-to.
Ela - Não é isso. Eu estou farta de ver o puto agarrado ao computador. Para a próxima, antes de lhe prometeres um jogo perguntas-me a mim se eu deixo...
Eu - Eu acabei de te dizer que to dou a ti este fim de semana...
Ela - Mas já o deixaste a ele com água na boca. Não se pode prometer nada a um miúdo de doze anos... depois eu não o consigo controlar.
Eu - Eu vi o computador dele e tinha vários jogos. Parti do princípio que tu até o deixas jogar...
Ela - São outros amigos meus que lhe arranjam tudo o que ele quer... e como ele já sabe que é assim, pede-os.
Eu - Pronto, tem calma. Depois deste não lhe arranjo mais nenhum...
Ela - E já agora, arranjas-me a mim o último Sims? Aquele que é para gerir famílias...

10.29.2009

o beijo


túmulo, Praga-República Checa, junho 2009

dedos nas meias

Há uma altura em que se deixa de ter noção dos limites do corpo. Já não sente os dedos dos pés embora saiba que eles se debatem nas meias como um cardume de sardinhas prestes a ser apanhado nas redes da pesca. É por isso que não tem a certeza se está a beber o último uísque da noite ou se se está a afogar nele.
Há uma altura em que se deixa de ter a noção dos limites da própria alma. Tal como os dedos nas meias ou as sardinhas nas redes, também os seus pensamentos se debatem liquefeitos no cérebro antes de se evaporarem em nuvens que orbitam a única mulher no café. Uma mulher num café é sempre o centro do mundo, pensa, e também esse pensamento dorido se desfaz em vapores que talvez não sejam nada. É por isso, por talvez não serem nada, que ele não tem a certeza se realmente a orbita ou se anda à deriva pelo desconhecido. Ela queixa-se ao empregado que ficou até àquela hora a fazer uma montra qualquer duma loja qualquer. Até a queixar-se sabe sorrir.
Nos homens há uma solidão que não tem a ver com estar sozinho, tem a ver com a falta de um gesto qualquer. Trezentos amigos não a resolvem mas um abraço duma mulher sim, resolve. É uma solidão estranha, como se se ouvisse continuamente a música que mais se gosta mas num rádio roufenho. Está lá tudo o que se quer ouvir mas distorcido... uma distorção que depois é física e emocional.
Pediu outro uísque mas viu o seu pedido recusado. Que são horas de ir dormir, respondeu o empregado numa mistura de impaciência e falso paternalismo. A mulher também já saiu... sem olhar para trás. Sem olhar para trás. O que ele queria mesmo era que o tempo congelasse num momento em que os seus olhares se cruzassem para poder contemplá-la. Contemplar mesmo, da mesma forma que se contempla o primeiro dia da Primavera.
Há uma altura em que se deixa de ter a noção do tempo e do espaço. Quando fecha o último café da noite é como se o mundo adormecesse. E a solidão de um homem também é isso: estar acordado quando o mundo dorme. Senta-se numa dessas esquinas dormentes do mundo saboreando um pingo de uísque sobrevivente num dos lábios. Do outro lado da rua, na montra dum pronto-a-vestir qualquer, há o manequim duma mulher que sorri. Talvez hoje possa congelar o tempo por aí, enquanto agita os dedos dos pés numas meias apertadas...

conversa 1347

Ela - Apetecia-me um pão com manteiga. Tens manteiga em casa?
Eu - Tenho... o pão está congelado. Tens que pô-lo no microondas...
Ela (já na cozinha) - Onde é que está a manteiga?
Eu - Está aí... mesmo à tua frente.
Ela - Não vejo...
Eu - Mesmo à tua frente. Um pacote de Planta...
Ela - Eu disse manteiga. Planta não é manteiga.
Eu - É, é.
Ela - Não é nada.
Eu - É, é.
Ela - Então anda cá ver o que diz a embalagem.
Eu (já com ela na cozinha) - Mostra lá...
Ela - Vês?! Diz "creme vegetal de barrar". Quando um pacote tem manteiga lá dentro diz manteiga do lado de fora...
Eu - Sei lá... para mim isso sempre foi manteiga.
Ela - Vou sair num instante comprar manteiga...
Eu - Não me digas que vais sair às dez da noite só para comprar manteiga.
Ela - Vou...

10.27.2009

coisas que fascinam (90)

Ando a pé por aí, fazendo cócegas ao mundo com os meus pés de chumbo, calcorreando os jardins, as ruas e os centros comerciais duma cidade que vi crescer. Esta cidade faz parte da minha vida e nela, a espaços, passam mulheres que fazem parte do meu dia. As mulheres têm essa capacidade, penso, a de fazerem parte do nosso dia apenas por terem passado por nós... e talvez sorrido. Talvez uma tenha também mordido a ponta do cabelo enquanto desviava o olhar do meu, talvez outra tenha cruzado os braços como se se abraçasse a si mesma e talvez outra tapado a boca com dois dedos, o do meio e o indicador, enquanto mordia um pequeno pedaço de um bolo de arroz.
Talvez no gesto das mulheres haja sempre qualquer coisa a mais para além do próprio gesto, penso. E há mesmo. Há esse momento do meu dia.

10.26.2009

conversa 1346

Ela - Preciso de levar uns móveis e uns caixotes para a minha casa nova. Estava a pensar pedir-te o teu carro...
Eu - Está bem. Tem piada, eu pensava que tinhas comprado um carro qualquer há pouco tempo...
Ela - Comprei, comprei... mas como ainda está novo não o queria começar a estragar já...

loiras na pré-história

Um estudo científico demonstra agora que os homens pré-históricos preferiam as mulheres loiras de olhos azuis. Mais ainda, esse mesmo estudo diz que as loiras de olhos azuis apareceram durante o fim da idade do gelo como uma reacção à escassa presença do género masculino. Basicamente, como havia poucos homens, e por isso uma maior pressão sexual, começaram a aparecer mulheres loiras para captar maior atenção do género masculino. [link]
Para além da inveja que tenho de todos os homens que viveram na idade do gelo, acho que consigo delinear uma estratégia para seduzir mais facilmente uma mulher loira: grunhir enquanto se bate fortemente com as mãos nos pêlos do peito. Está-lhes no código genético...
E pronto, agora vou só ali ensaiar uns grunhidos e ver se os dezasseis pêlos que eu ontem tinha no peito ainda lá estão.

10.24.2009

estar como peixe na água



Será que sou o único que acha que ter um peixe pendurado ao fio do tampão não deve ser assim muito confortável para uma mulher? É que pelo menos na Tampax eles não devem ter a mesma opinião, senão não tinham feito este anúncio com a frase "je suis comme un poisseau dans l'eau" (estou como peixe na água). E se a ideia era dar uma conotação sexual ao anúncio, em que o peixinho é que se sente como peixe na água por estar a olhar para debaixo da saia duma mulher qualquer... argh!

conversa 1345

(num hipermercado)

Ela - Vai-me comprar fiambre enquanto eu faço as compras que preciso, por favor.
Eu - Fiambre?
Ela - Sim... duzentos gramas de fatias bem fininhas.
Eu - Mas... isto está cheio. Se eu vou agora ao fiambre apanho uma seca enorme à espera de vez...
Ela - Por isso é que te estou a pedir.
Eu - E se comprares fiambre daquele que já vem embalado?
Ela - É mais caro e de pior qualidade.
Eu - Ok... vou buscar a senha...

(cinco minutos depois)
Eu - Olha, tirei a senha noventa e seis e ainda vai no número cinquenta e tal...
Ela - Vês que sorte? Enquanto eu faço as compras podes ir tomar café...