10.08.2009

conversa 1334

(ao telefone)

Ela - Olha, preciso de azeite, cebolas e alho para o jantar. Podes ceder-me alguma coisa?
Eu - Posso... mas é meio-dia. As lojas ainda estão todas abertas...
Ela - Mas eu não posso comprar. Fui à aldeia no fim de semana e deixei lá os meus cartões todos. Já nem gasolina no carro tenho.
Eu - Se não tens gasolina como é que vens aqui buscar o azeite, as cebolas e o alho?
Ela - Não vou. Vens tu aqui trazer.
Eu - Estou cheio de pressa. Ando muito ocupado... mas vou ver se passo aí esta tarde. Não posso é jantar contigo porque hoje tenho jantar do Bloco.
Ela - Não faz mal, também não te ia convidar.

10.07.2009

politiquices



1] Hoje às 19:00, na rádio Terranova, representarei o Bloco de Esquerda num debate com os candidatos à Assembleia Municipal de Aveiro do PS, da CDU e da coligação CDS-PP/PSD.

2] Amanhã às 20:00, quinta-feira 8 de Outubro, é o jantar de encerramento de campanha do Bloco de Esquerda em Aveiro no restaurante Ceboleiros, que contará com a intervenção dos candidatos aos órgãos autárquicos locais e de Pedro Filipe Soares, deputado eleito pelo distrito de Aveiro. O jantar está aberto a todos os aderentes e simpatizantes da esquerda política, que se podem inscrever pelo telefone 960 045 419 ou, em exclusivo para leitores deste blogue, através do meu email: bagacoamarelo@gmail.com. Por favor, deixem o vosso telefone que é para eu confirmar a vossa presença.

conversa 1333

Ela - Temos que falar...
Eu - Temos que falar porquê? Ainda estás chateada comigo?
Ela - Vim a tua casa para falar contigo, não foi para beber vinho.
Eu - Mas eu perguntei-te se podia abrir a garrafa e tu disseste que podia.
Ela - E podias... só que eu não quero beber enquanto não tiver falado a sério contigo.
Eu - Não podemos ao menos falar enquanto bebemos um copo?
Ela - Não.

respostas a perguntas inexistentes (66)

Sempre achei que um dos filtros necessários para conseguir separar um bom amigo de um amigo menos bom é ter uma chatice com ele. Depois de ter uma discussão com um amigo, se não me apetecer voltar a falar com ele, nem ele comigo, é porque na verdade nunca fomos realmente bons amigos. Os que considero meus melhores amigos são homens com quem já me chateei a sério pelo menos uma vez, amuei, protestei e uns tempos depois estava a beber um copo com eles como se não fosse nada.
Com as mulheres já não é assim. Não é que não seja possível chatear-me com uma mulher e depois esquecer tudo de repente. É possível sim, mas não é possível beber uma cerveja com ela sem pôr tudo verbalmente em pratos limpos primeiro.

conversa 1332

Ela - Como é que tu ainda acreditas no amor eterno é que não consigo perceber...
Eu - Eu não acredito nisso. Aliás, isso nem me interessa...
Ela - Interessa-te o quê, então?
Eu - A duração do amor não me interessa. Interessa-me é se esse amor me faz bem ou me faz mal, mesmo que seja só de cinco minutos.
Ela - Lá está. Cinco minutos de amor para mim é uma eternidade.

só defeitos e nada mais

Quero agradecer imenso à leitora que há uns dias me presenteou com esta música da Erika, "Só Defeitos e Nada Mais". Tenho a certeza que um dia, quando eu estiver no leito da morte, me vou lembrar desta música como um dos momentos de maior clarividência da minha vida. Toda a minha vida, sublinho, incluindo aqueles momentos em que vou ao talho comprar carne e fico a olhar para o calendário de 1989 com mulheres nuas que ainda está pendurado na parede.



Não sou uma boneque que podes usar / Nem tão pouco um trapo que podes rasgar /
Tenho sentimentos, defeitos e virtudes / Gostava de ficar mas preciso que mudes /
Pensas que só tenho defeitos e nada mais / Que só sirvo para teu gozo e nada mais / Mas quando queres amor, carinho, ternura, vens à minha procura

Eu, pessoalmente, tenho a certeza que a Erika não tem só de feitos e que está cheia de qualidades mas, com astúcia, a cantora esconde todas essas qualidades na sua própria música. É uma forma de mostrar ao ouvinte que é necessário procurar insistentemente no seu âmago o que de melhor ela tem. Mais ainda, que no amor nunca nos devemos ficar por uma análise superficial da pessoa amada. Bonito... e profundo...

a violência contra as mulheres é um desporto universal



Acho esta publicidade francesa contra a violência doméstica muito feliz, isto porque é mais dirigida à própria mulher enquanto vítima do que ao homem enquanto agressor, ou seja, compara a mulher a um saco de pancada mas não compara o agressor ao que efectivamente ele é: uma besta. É que antes de fazer com que um homem deixe de bater na mulher lá em casa, é preciso fazer com que a própria mulher perceba que não pode aceitar em circunstância nenhuma que isso lhe aconteça... até porque uma besta não costuma entender a mensagem à primeira.

10.06.2009

conversa 1331

Ela - Apetece-me chorar...
Eu - Apetece-te chorar?
Ela - Sim, apetece-me chorar. Sinto-me triste...
Eu - Então chora.
Ela - Não é assim tão fácil.
Eu - Se te apetece devia ser fácil...
Ela - Mas não é...
Eu - Se quiseres ajudo-te a chorar, então. Posso dar-te um beliscão ou assim...
Ela - Não me faças rir.

as mulheres não percebem que há ajudas que simplesmente não devem prestar a um homem...

As mulheres não percebem que há ajudas que simplesmente não devem prestar a um homem. Não devem e pronto. Este fim de semana entrei num café qualquer duma aldeia do interior do país e, sedento e suado, pedi uma água com gás ao homem que descansava do lado de lá do balcão. Era um homem com uma barriga tão generosa quanto o seu bigode farfalhudo e, como se alguém que pede uma água estivesse a mais naquele estabelecimento, colocou a garrafa à minha frente e pediu-me imediatamente o dinheiro. Oitenta, disse ele com agressividade enquanto batia os dedos numa prateleira de forma a imitar o som dum cavalo a galope.
Procurei as quatro moedas de vinte cêntimos que eu sabia que tinha nos bolsos e deixei-as a dançar em cima do balcão para ele as ter que apanhar uma a uma. Depois peguei na garrafa e tentei abri-la imediatamente para saciar a sede e o mal estar provocado pelos enchidos do almoço. Foi aí que comecei a suar ainda mais. As mãos escorregavam-me e a carica de rosca nem se mexia. Tentei uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes... e nada, nem um milímetro a tampa rodava. Foi aí que percebi porque é que um homem que só pede água não é bem vindo ali: quatro tipos, também com bigode e barriga, tinham na mesa pelo menos vinte garrafas de cerveja e alguns copos de bagaço. Olhavam todos para mim com um ar que misturava o álcool que tinham bebido com um ar de desafio...
Da casa de banho saiu uma mulher com pouco mais de metade da minha altura e um ar franzino e, ao passar por mim, esticou o braço soprando um suave: "deixe cá ver isso". Nunca pensei, claro, que ela conseguisse abrir a garrafa mas, apesar dos seus dedos tão finos como palitos, abriu à primeira e devolveu-ma com um sorriso sem esforço. Os bebedolas riram-se todos e eu fui lá para fora beber. Nunca uma água me caiu tão mal. As mulheres não percebem que há ajudas que simplesmente não devem prestar a um homem...

conversa 1330

(enquanto ela estacionava o carro e um arrumador dava indicações)

Ela - Não suporto arrumadores de carros. Vê se mandas esse gajo embora, por favor.
Eu (abrindo o vidro e virando-me para o arrumador) - Está tudo bem, não precisamos de ajuda...
Ela - Foi-se embora. Fixe... estes gajos enervam-me.
Eu - Hum.. hum...
Ela - Podes ir agora tu lá fora ver se eu não bato no carro de trás?

mamas grandes

Este tipo da fotografia é o reverendo William Brooks, tem 58 anos e é director da Escola Episcopal Fort Lauderdale na Flórida. Segundo a notícia do Daily Mail, é acusado de estar a despedir professoras com alguma idade para as substituir por professoras mais jovens com seios grandes.
A Comissão Para a Igualdade de Oportunidades no Emprego investigou a situação e concluiu que o William se vangloriou várias vezes de estar a "substituir todas as mulheres mais velhas com mulheres jovens com seios grandes".
Ok... eu até ia tentar defender o homem, dizendo que o tamanho das mamas das novas professoras deve ser coincidência ou assim mas, com aquele sorriso estampado na cara, não consigo. Cá para mim é mesmo verdade...

pensamentos catatónicos (191)

Quando ando de avião estabeleço muitas vezes o paralelismo entre o trem de aterragem da aeronave e o fim do meu primeiro casamento. O objectivo de qualquer trem de aterragem é absorver a energia cinética produzida pelo contacto entre o avião e a pista. Foi isso que me aconteceu. Se considerar que o meu casamento foi um voo, quando esse voo começou a perder altitude e atingiu o chão, alguém tinha que o parar...
Há duas vantagens em parar um voo que já perdeu toda a sua altitude: acaba a oscilação tremenda do impacto e os passageiros podem voltar a pôr os pés na Terra.

10.05.2009

procura-se raposa

Aproveitei este fim de semana prolongado para descansar um pouco da política e conhecer as seguintes localidades de Portugal: Linhares da Beira, Gouveia, Manteigas, Belmonte, Sortelha, Malcata, Penamacor e Monsanto.
No parque de merendas de Covão D'Ametade, algures entre Manteigas e Belmonte, fui roubado por uma raposa que, com uma grande lata, me levou uma pizza de 14 euros enquanto eu tentava fazer uma pequena fogueira. Depois, durante a noite, acordei porque senti algum movimento fora da tenda. Abri o fecho da porta e vi o mesmo bicho fugir com uma sapatilha da minha companheira na boca.
É tramado. Estou farto de andar durante a noite em locais de Lisboa, Porto, Aveiro ou Braga supostamente perigosos e nunca fui assaltado. Vou para o meio do nada e acontece-me isto. Agora nem sequer sei como apresentar queixa...

10.02.2009

conversa 1329

Ela - Como é que se deve dizer a um homem que se gosta dele?
Eu - Gosto de ti.
Ela - Gostas de mim?
Eu - Não. Deves é dizer "gosto de ti".
Ela - Então não gostas de mim...
Eu - Gosto sim... não é isso...
Ela - Digo-lhe "gosto de ti", é isso?
Eu - Sim.
Ela - Só isso? Isso é o que os homens deviam dizer às mulheres e nunca dizem...
Eu - Às vezes é falta de coragem.
Ela - Então é como nas mulheres.
Eu - Bingo!
Ela - Que seca!

conversa 1328

(ao telefone)

Ela - Já vi o teu cartaz do Bloco de Esquerda por aí...
Eu - E então?
Ela - Estás de t-shirt...
Eu - Estou.
Ela - Não tens vergonha? Até num cartaz político apareces de t-shirt...
Eu - Eu ando quase sempre de t-shirt. Não há motivo nenhum para mudar...
Ela - Há, há... tu é que não percebes isso...

pensamentos catatónicos (190)

Sempre admirei a capacidade que as mulheres têm de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Para as mulheres não é um problema ter que ir buscar os putos à escola ao fim da tarde, fazer compras e preparar o jantar. Em casa não é um problema fazer esse jantar enquanto se aspira a sala, se apanha a roupa da corda e se organiza os papéis da corrosiva burocracia doméstica. Lembro-me, por exemplo, das festas de aniversário da minha filha em que a mãe dela fazia as compras, cozinhava, pendurava os balões e as fitinhas no tecto, fazia os convites e distribuía-os, recebia os convidados. Eu... fugia. Não era má vontade, a sério que não. Era pânico. Um pânico controlado mas nem por isso deixava de ser pânico.
A questão é que acho que esta capacidade que as mulheres têm de fazer várias coisas ao mesmo tempo reflecte-se também na sua estrutura emocional, ou seja, as mulheres são capazes de sentir várias coisas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, são capazes de estar tristes e felizes, de sentir frio e calor, de se sentirem sós e a precisar de privacidade e silêncio. Tudo ao mesmo tempo...
Eu só consigo fazer uma coisa de cada vez. Para mim ir às compras é um sacrifício e por isso vou todos os dias, durante dez minutos, comprar por exemplo uma cebola, uma garrafa de vinho, um pacote de leite e um peixe para grelhar. Sou incapaz de fazer compras para o mês e de estar duas horas num supermercado a projectar o que vai ser esse mês. Acho incrível que uma mulher consiga perceber, enquanto está a olhar para umas embalagens de detergente, que vai precisar de 10 litros de lixívia, três caixas de fósforo, trinta refeições frugais, quarenta lanches, vinte e oito pequenos almoços, quarenta ceias, doze jantares de carne e dez de peixe, etc, etc. Ufa! Socorro. Também só consigo sentir uma coisa de cada vez. Ou estou triste ou estou feliz, ou estou apaixonado ou não estou, ou tenho frio ou tenho calor, ou me apetece estar com amigos ou me apetece estar sozinho. Sei o que estou a sentir e actuo conforme os meus sentimentos me pedem.
Acho que esta forma maniqueísta de ser sempre prejudicou os homens na sua relação com as mulheres. Quando sentimos que as companheiras estão alteradas esquecemo-nos da enorme complexidade (e também capacidade, admito) que vai ali dentro. Perguntamo-lhes se estão triste e elas abanam os ombros, perguntamo-lhes se precisam duma bebida e elas abanam os ombros, perguntamo-lhes se elas querem que liguemos o aquecedor e elas abanam os ombros. Depois de tanto abanar de ombros zangamo-nos e vamos beber um uísque a um bar. Esquecemo-nos sempre que as mulheres nunca precisam nem querem uma só coisa e nós sim. Nesse momento é precisamente um uísque.

respostas a perguntas inexistentes (65)

Imaginem-se a olhar durante um dia inteiro para uma parede amarela sem pestanejar e após esse dia a parede torna-se vermelha. Às vezes há mulheres que quando se aproximam de nós têm esse efeito: o mundo muda de cor. Ela passou por ele na fila para a casa banho do bar, sorriu-lhe e disse-lhe olá. Olá. Olá pode ser uma marca de gelados ou um cumprimento. Nessa noite foi uma cor... e ele adormeceu com essa cor: vermelho.

conversa 1327

Ela - És bom como o milho, tu.
Eu - Eu?
Ela - Sim.
Eu - Fico contente em saber...
Ela - O único senão é eu detestar milho...

10.01.2009

conversa 1326

Ela - Os homens têm uma dificuldade enorme em dizer a palavra "amo-te". Irra...
Eu - Achas?
Ela - Acho. Dizem "gosto de ti", "és bonita" ou "és especial" mas nunca dizem "amo-te".
Eu - E isso é importante?
Ela - Claro que é.
Eu - Porquê?
Ela - Porque só quando uma mulher ouve a palavra "amo-te" é que pode considerar o homem sua propriedade...

dia mundial da música

Hoje é noite de Couscous Prosjekt no Clandestino Bar, em Aveiro, e não imaginam como eu estou a precisar de fazer um intervalo na política e descontrair um pouco. Política é preciso mas navegar também é preciso...
Hoje é também o dia mundial da música. Um bom dia, por isso, para ouvir música do mundo...