4.01.2010

conversa 1474

(ao telefone)

Eu - Estás com voz de quem esteve a chorar...
Ela - Mais ou menos.
Eu - O que é que se passa?
Ela - Nada, nada...
Eu - Diz lá, não gosto nada de te ver a chorar.
Ela - É que às vezes fico com vontade de chorar. Só isso...
Eu - Mas assim, sem motivo?
Ela - Hoje, por acaso, estive a cortar cebola.

conversa 1473

Ela - Tens recebido as minhas mensagens?
Eu - Aquelas a mandar-me um beijo?
Ela - Sim.
Eu - Tenho. Nunca tinha recebido tantas mensagens destas em tão pouco tempo. Sabe-me bem...
Ela - É que eu tenho cem sms's grátis para mandar até ao fim do mês e se não as mandar fico sem elas.
Eu - Ah!

conversa 1472

(no café, antes de um jantar em minha casa)

Ela - Vais fazer salada para o jantar?
Eu - Só espinafres com azeite e vinagre.
Ela - Espinafres?
Eu - Sim, o jantar vai ser tortellini de espinafres com espinafres e cogumelos grelhados.
Ela - Ah! Parece-me bem... é que eu já não como legumes há muito tempo.
Eu - Tem cuidado com a alimentação. Nunca ouviste a frase: "diz-me o que comes, dir-te-ei quem és"?
Ela - Já.
Eu - Pois...
Ela - Mas sempre pensei que fosse: "diz-me quem que comes, dir-te-ei quem és".

3.30.2010

conversa 1471

Ela - Tens horas?
Eu - Não.
Ela - Não tens horas?
Eu - Não. Não uso relógio e esqueci-me do telemóvel no carro.
Ela - Só mesmo um homem é que pode andar sem horas.
Eu - Tu tens horas?
Ela - Se eu tivesse não te tinha perguntado.
Eu - Ah! Então também há mulheres que andam sem horas.
Ela - Eu estou sem horas mas não POOOOSSO estar sem horas. Tenho muito que fazer e fico nervosa. Tu andas sem horas e POOOODES estar sem horas que para ti é a mesma coisa. Foi o que que quis dizer.
Eu - Ah! Ok... portanto uma mulher sem horas fica nervosa e um homem sem horas continua calmo.
Ela - Vai-te lixar. Bem, vou embora que estou atrasada. Tchau!
Eu - Como é que sabes que estás atrasada se não tens horas?
Ela (afastando-se) - Tchau, tchau, tchau...

conversa 1470

(no café, com ela a ler o jornal)

Ela - Actualmente é só notícias de violadores. Foi um em Telheiras, agora é outro em Chaves...
Eu - Sim, já li isso.
Ela - São sempre homens, os violadores. Já reparaste?
Eu - Não são sempre, são quase sempre. Já houve casos de crimes sexuais cometidos por mulheres.
Ela - Sim... mas é raro.
Eu - É!
Ela - Imagina um mundo onde as mulheres andassem sempre a violar homens.
Eu (silêncio)
Ela - Escusas de fazer essa cara de satisfeito.
Eu - Desculpa, foi um lapsus facial.

pensamento catatónicos (200)

Hoje de manhã percebi, em conversa com um amigo, que a insegurança numa relação pode ter efeitos catastróficos. Quem é mais inseguro acha sempre que é o elo mais fraco da relação e vai ganhando cada vez mais desconfiança no que toca à reciprocidade do seu amor.
Por exemplo, ele disponibilizou-se para fazer quarenta quilómetros para ir tomar café com a namorada depois do almoço, num pequeno intervalo no horário de trabalho. Como ela lhe respondeu que não valia a pena percorrer essa distância só para tomarem café juntos, ele sentiu-me menos amado.
Acho que isto às vezes é mais uma questão de personalidade do que gostar mais ou menos do outro. Acho...

3.27.2010

conversa 1469

(no café)

Eu (para o empregado) - Duas cervejas, uma delas preta, por favor.
Ela - Para quem é a preta e para quem é a loira?
Eu - A preta é para mim, a loira é para ti.
Ela - E quem te deu o direito de decidir por mim o tipo de cerveja que eu quero beber?
Eu - Lá fora disseste que querias uma cerveja. Normalmente, quando não se especifica é porque se quer uma loira.
Ela - Ao menos perguntavas-me.
Eu - Mas pensei mesmo que querias uma loira...
Ele (o empregado) - Querem dez minutos para decidir?
Ela - Não é preciso. São duas cervejas, uma delas preta.
Eu - Mas... mas...
Ela - A preta é para ti, a loira para mim. Só não admito que escolhas por mim.

3.26.2010

conversa 1468

Ela - Prometes que não te ris do que te vou contar?
Eu - Prometo...
Ela - Rasguei várias embalagens num supermercado para ficar com as provas de compra e poder concorrer a um concurso.
Eu (risos)
Ela - Prometeste que não te rias.
Eu - Desculpa. Conseguiste surpreender-me.
Ela - Não sei se isso é bom.

3.25.2010

respostas a perguntas inexistentes (77)

Há um beijo que não é como os outros beijos. É o beijo da despedida. Pode ser dado logo de manhã ao sair de casa, pode ser numa estação de comboios antes das portas da carruagem se fecharem. Pode ser num sítio qualquer, desde que se saiba que não se vai ver a pessoa de quem se gosta durante grande parte do dia. Esse é o beijo em que queremos ficar com um bocadinho do sabor de quem amamos, e talvez seja por isso que é o beijo que normalmente se prolonga durante mais algum tempo.
Com as devidas excepções, acho que podemos ver se uma relação entre duas pessoas está cansada ou não pela duração desse beijo de despedida. É que quando um beijo matinal não dura mais do que meio segundo, por exemplo, é porque já não se quer levar o sabor do outro para ajudar a enfrentar o dia-a-dia.

conversa 1467

Ela - Só há uma coisa que me faz pôr um potencial namorado logo de lado.
Eu - O que é?
Ela - Não quero nenhum homem que seja filho único.
Eu - Porquê?
Ela - Os homens que são filhos únicos são todos uns mimados insuportáveis. Eu vivi com um, sei muito bem o que estou a dizer.

conversa 1466

Ela - Ando com problemas sexuais.
Eu - Andas?
Ela - Sim.
Eu - Mas graves?
Ela - Gravíssimos.
Eu - Então?
Ela - Fingi tantas vezes que estava a gostar de ter sexo com o meu ex-marido, que agora às vezes já nem sei se estou a gostar ou se estou a fingir.

3.24.2010

conversa 1465

Ela - Detesto homens que me façam sentir insegura. Já acabei uma relação por causa disso...
Eu - A sério?
Ela - Sim, tive um namorado que estava sempre a fazer-me ciúmes com as amigas dele e acabei por não suportar isso.
Eu - Mas não era o último, pois não? Eu conheci-o e sinceramente gostei dele...
Ela - Não. Esse foi o contrário: fez-me sentir segurança a mais. No fundo ele é que era inseguro. Também não suportei isso.

três quê?

Esta publicidade não chegou ao público, já que a ideia foi rejeitada pela marca. Estou a falar da Bacardi no Canadá, a quem um publicitário qualquer fez a proposta de tentar convencer o público que os seus produtos destilados são melhores que cerveja (better than beer). Não consigo, e não consigo mesmo, perceber como é que uma mulher com três mamas pode convencer alguém que qualquer coisa é melhor que cerveja. Eu, pelo menos, se depois de beber Barcardi começasse a ver mulheres com três mamas, nunca mais bebia daquilo. Aliás, nunca mais bebia. Só água...

pensamentos catatónicos (199)

Hoje vi um acidente na auto-estrada. Nada de grave, ninguém morreu. Reparei que dois dos carros envolvidos iam um atrás do outro, e o que ia atrás fazia todos os possíveis para não aumentar muito a distância do da frente para que nenhum veículo se metesse entre eles. Provavelmente eram só amigos a fazer uma viagem qualquer e nesse esforço por se manterem próximos acabaram por bater.
Acho que já vi isto acontecer também entre pessoas. Às vezes duas que se amam, fazem um esforço tão grande por se manterem próximas, sem deixar ninguém passar no meio delas, que acabam por bater uma na outra. Nada de grave, ninguém morre.

3.23.2010

coisas que fascinam (99)

Acho que há uma relação directa entre os sabores e o nosso estado emocional. Por exemplo, só sinto a espuma do café quando estou apaixonado. O mesmo acontece com os orégãos na pizza, o caramelo no pudim ou o vinho do Porto na salada de frutas. Não é que não perceba a sua presença sempre mas, de facto, umas vezes sabem-me melhor do que outras.
Também acho que algumas mulheres são doces. São doces no sexo, nos aconchegos e no ar que nos envolve. É mais ou menos o mesmo: é como se a vida fosse um prato principal e precisasse desse mágico toque por cima. Assim como o café precisa da espuma...

conversa 1464

Ela - Será pedir muito que um marido não seja também um filho?
Eu - O quê?
Ela - Aturar o meu marido é o mesmo que aturar uma criança, às vezes.
Eu - Porquê?
Ela - Acreditas que no último sábado me telefonou às seis da manhã para ir buscá-lo à discoteca?
Eu - E tu foste?
Ela - fui... com má cara mas fui.
Eu - Bem... se ele é uma espécie de filho mimado, tu és uma espécie de mãe galinha.
Ela - Não te perguntei nada.

conversa 1463

Ela - Estou sem vontade de ir para casa. Podias convidar-me para jantar hoje em tua casa.
Eu - Porque é que estás sem vontade de ir para casa?
Ela - Em casa tenho um monte de roupa para passar, outro monte para pôr a secar, uma casa de banho para limpar, duas carpetes para aspirar e a louça quase toda por lavar.
Eu - Ei... isso está mau. Queres ajuda?
Ela - Não, obrigada.
Eu - Estou a falar a sério...
Ela - Eu sei... mas é que tenho que ser eu a fazer essas coisas em minha casa. Se tu passares a minha roupa a ferro vou achar que está mal passada, se a puseres a secar vou achar que está mal pendurada, se limpares a casa de banho vou achar que ainda está suja, se me lavares a louça vou achar que gastas muita água...
Eu - Pronto, o problema é teu.
Ela - Mas as carpetes podes aspirar, por acaso.

3.22.2010

conversa 1462

Ela - Se o meu marido te perguntar se eu te convidei para ir ao Brasil, diz que sim. Está bem?
Eu - Mas... porquê?
Ela - Porque nós tínhamos combinado ir ao Brasil no próximo Verão e ele desistiu. De repente ficou sem vontade, não sei porquê...
Eu - E o que é que eu tenho a ver com isso?
Ela - É que eu disse-lhe que não fazia mal porque já tinha falado contigo e tu estavas disponível para ir comigo. Ele voltou logo atrás e agora já quer ir outra vez....
Eu - Mas eu nunca te disse que queria ir ao Brasil contigo...
Ela - Por isso é que te estou a avisar.

conversa 1461

Ela - Hoje de manhã passei três vezes no mesmo semáforo e um gajo deu-me também três vezes um jornal daqueles gratuitos...
Eu - Foi ali na Avenida Lourenço Peixinho?
Ela - Foi.
Eu - É normal. Também já me aconteceu...
Ela - É normal uma ova. Que ele não tenha reparado em ti é uma coisa, agora que não repare em mim... chateia-me.
Eu (risos) - Não te preocupes. Passam por ele centenas de condutores, se é que não são milhares.
Ela - Mas à segunda ainda é como o outro. Aceito... mas a terceira vez foi logo a seguir à segunda e mesmo assim ele deu-me o jornal.
Eu - Não me digas que passaste lá à terceira vez de propósito só para ver se ele tinha reparado ou não em ti.
Ela - Pois... mais ou menos.

3.21.2010

conversa 1460

(no café)

Ela - Às vezes acho que a falta de sexo é uma das causas de violência urbana.
Eu - Achas?
Ela - Sim. Tenho quase a certeza.
Eu - Porque é que dizes isso?
Ela - Estou com vontade de bater em alguém.

respostas a perguntas inexistentes (76)

Um destes dias Lisboa atirou-me para dentro dum táxi qualquer. Fiz-lhe sinal enquanto dizia adeus a um amor antigo e ele abrandou para eu entrar. Gare do Oriente, pedi-lhe eu na esperança que o percurso fosse feito em silêncio para eu poder estruturar o dia que tinha tido. É que há dias assim, que se enrodilham como um novelo de lã e nos obrigam a desfiá-los num processo mais ou menos doloroso. Mas um taxista raramente conduz em silêncio e, depois de me emoldurar atentamente no espelho retrovisor, perguntou-me se eu sabia onde estava sentado. Que sim, respondi suspirando enquanto o novelo de lã se embrulhava de novo. Que estava num táxi, insisti.
Já dei a mão a Lisboa. Aliás, já a apalpei e já a beijei. Amei-a e ela amou-me, fodi-a e ela fodeu-me, segredei-lhe e ela segredou-me. Depois fui embora, deixando-a à espera numa janela qualquer, e nunca mais voltei. Descobri então que os amores não podem acabar sem palavras, senão são como um livro que acabámos de ler mas não conseguimos arrumar na prateleira. Era isso que eu tinha ido lá fazer: conversar com Lisboa.
Amália, disse o taxista. Depois, como que insultado pelo meu silêncio, repetiu: "A Amália já esteve sentada precisamente nesse sítio" e perguntou-me se a conhecia. A Amália Rodrigues? Que sim. Tentei fotografar o espaço com a memória: as cores dos tecidos, as costuras dos bancos e o auto-rádio antigo. Para aquele homem o seu Mercedes Benz era, antes de qualquer outra coisa, uma lembrança de Amália. Pois para mim Lisboa seria o mesmo, uma lembrança dela. Depois saí na Gare oriente, deixando o novelo num caixote de lixo qualquer.

3.20.2010

conversa 1459

Ela - Estás com o cabelo todo no ar.
Eu - Adormeci no sofá. Quando acordei faltavam dez minutos para para a hora que tinha marcado contigo. Saí de casa a correr...
Ela - E não tiveste tempo de te ver ao espelho?
Eu - Não. Para ser mais rápido desci pelas escadas. Nem no espelho do elevador me vi.
Ela - Pronto... vir ter comigo sem sequer te teres visto ao espelho é um bocado desprezo.
Eu - Não é nada desprezo. Convidaste-me para almoçar e eu não queria chegar atrasado.
Ela - Mais valia chegares atrasado um bocadinho mas penteado.

3.18.2010

conversa 1458

Eu - Precisava da tua ajuda lá em casa.
Ela - O que é que se passa?
Eu - As minhas plantas morrem todas... e tu percebes de plantas que eu sei.
Ela - Sim, percebo, mas no teu caso acho que o melhor que tens a fazer é simplesmente não ter plantas.
Eu - Porquê?
Ela - As plantas tratam-se de forma diferente. Algumas regam-se menos vezes, outras mais vezes. Depende, percebes? No fundo são como nós, as mulheres...
Eu - E o que é que isso tem?
Ela - O que isso tem é que os homem tratam as mulheres sempre da mesma maneira.
Eu - Pronto, lá vem essa conversa. Só te estava a pedir para ires lá a casa aconselhar-me...
Ela - E eu até vou, mas lembra-te que a uma planta tens que fazer as vontadinhas todas, senão não vale a pena ter uma...
Eu - Nisso também são como as mulheres.
Ela - Pois, um bocado.

conversa 1457

Ela - Gostas mais do campo ou do mar?
Eu - Gosto das duas coisas.
Ela - Mas gostas mais de qual?
Eu - De nenhuma. Gosto das duas por igual.
Ela - Tens que gostar mais duma. Ninguém gosta igualmente do mar e do campo.
Eu - Eu gosto.
Ela - Não acredito.
Eu - Porque é que raio não posso gostar tanto do campo como do mar, ou do mar como do campo?
Ela - Porque isso é uma indefinição.
Eu - Não é nada. É uma definição. Está definido que gosto tanto duma coisa como da outra.
Ela - Muito bem, senhor equilbradinho.
Eu - Equilibradinho? Mas que raio...
Ela - Era só para saber onde é que te levo a almoçar este fim de semana. Se à praia ou se ao campo...
Eu - Ah! Nesse caso gosto mais da praia.
Ela - Pronto, era só isso. Vês como é fácil?

respostas a perguntas inexistentes (75)

os homens mordem, as mulheres mordiscam

Os homens mordem, as mulheres mordiscam. Tenho este pensamento enquanto a vejo retirar com os dentes pequenas porções dum pastel carne. Eu já acabei o meu há muito tempo, apenas com três ou quatro dentadas. Acho que no sexo também é assim. Não sempre, claro. Às vezes é. Os galões, o meu e o dela, ainda estão à espera do primeiro gole.
Os homens mordem, as mulheres mordiscam. Tenho este pensamento enquanto percorro o passado recente. Acho que já a mordi e que ela já me mordiscou. Os beijos, o meu e o dela, ainda estão à espera do primeiro toque.
Alteram-se as regras da Física. Acho que ela me mordiscou com mais intensidade do que eu a mordi. Além disso apetece-me dançar ao som do seu silêncio enquanto lancha. Já o faço, apesar de estar quieto numa cadeira desconfortável a olhar para ela. É que ela também está quieta, e a sua quietude expõe tudo o que eu gosto nela. E eu gosto de tudo nela. É tão bonita.
Alteram-se as regras da Química. O amor é uma palermice de que se gosta. De que se ama. Não, de que se precisa. Por exemplo, ela é uma nuvem onde preciso de me deitar, ela é um ninho onde preciso de me aninhar, ela é uma ilha onde preciso de me perder. Tudo palermices, penso. Mas amo-a. Não, preciso dela.
E agora deixa no prato o resto da torrada. Não comeu aquela parte que tinha entre os dedos, talvez por uma estranha delicadeza para com as torradas. Limpa a manteiga que lhe povoa os lábios e olha-me. Na verdade não me olha. Acerta-me com os olhos dela, que é diferente. Diz-me que temos que beber os galões. Pois temos, penso enquanto dá o primeiro gole. É tão delicada. Também temos que nos beijar, penso outra vez. Os lábios dela atingem o leite provocando pequenas ondas rítmicas no copo. No copo e em mim. Altera-se a Física, altera-se a Química. Menos uma coisa: os homens mordem, as mulheres mordiscam.

3.17.2010

conversa 1456

Ela - Diz-me que sou boa.
Eu - Digo-te o quê?
Ela - Que eu sou boa.
Eu - És boa.
Ela - Obrigada. Era só para ver o que sentia...

o mês do sexo anal

cartaz de 1951

O "Mês do Sexo Anal"" foi criado em 1927 no Estados Unidos da América pela associação sem fins lucrativos Colon Brotherhood (fraternidade do cólon). Durante décadas, com cartazes e slogans variados, este mês celebrou-se um pouco por todo o país sempre com o patrocínio do Bung Balm, bálsamo lubrificante que o presidente Kennedy (1961-63) decidiu incluir no kit dos soldados americanos que partiam para a guerra do Vietname. A celeuma veio depois, quando Richard Nixon (1969-74) decidiu retirá-lo.
Pese as várias opiniões, incluindo a de movimentos feministas nos anos sessenta, que sempre existiram sobre o "Mês do Sexo Anal", acho que os cartazes são imperdíveis. Ah! e não se esqueçam que Fevereiro é o mês do Sexo Anal. Felizmente que já passou e eu não dei por nada...

cartaz de 1937

conversa 1455

Ela - De manhã apetece-me comer um pão mas não gosto nada de ir à pastelaria da frente comprar só um pão.
Eu - Porquê?
Ela - Não sei bem. Sempre que compro pão, compro pelo menos cinco. Não acho bem comprar só um.
Eu - Que esquisito... se só queres um, compras só um.
Ela - O que eu faço é comprar um pastel. Um pastel já acho bem comprar só um.
Eu - Não estarás tu a arranjar uma desculpa para comer um pastel todas as manhãs?
Ela - Pois... é isso que estou a tentar descobrir.
Eu - Também podes comprar cinco pães e congelá-los. Depois descongelas um por dia...
Ela - Que trabalheira.

conversa 1454

Ela - Nunca tenho a certeza se estou apaixonada ou não.
Eu - Como assim?
Ela - Às vezes sinto que gosto dum homem mas nunca sinto que estou completamente apaixonada por ele, percebes?
Eu - Ah!
Ela - Ah?
Eu - Sim... acho que isso é normal. Já não és miúda nenhuma. Só na adolescência é que nós sentimos essa paixão descontrolada. Em adultos começa-se normalmente por um aconchego e depois, com o tempo, é que se vê se a coisa funciona. Pelo menos é o que eu acho.
Ela - Achas mesmo?
Eu - Sim, acho. Na adolescência arranja-se um namorado ou namorada por impulso. Quando somos adultos a coisa é mais uma construção, percebes?
Ela - Sim, estou a ver. Caraças...
Eu - Caraças porquê?
Ela - Que trabalheira.

3.16.2010

pensamentos catatónicos (198)

Para ela a varanda era uma saliência da casa de onde conseguia ver o mundo. Para mim essa varanda era um palco onde ela às vezes aparecia. Acho que todos os homens, pelo menos uma vez na vida, já esperaram que uma mulher aparecesse numa varanda. Eu pelo menos esperei.
Quando ela apareceu zanguei-me com o mundo. As pessoas na rua continuavam a passar por mim, transformando lentamente oxigénio em dióxido de carbono. Os automóveis continuavam a apitar e acender as luzes dos travões quando o trânsito congestionava, e até as folhas das árvores continuavam a dançar no segredo do vento. Para o mundo o meu amor por ela era indiferente.

conversa 1453

Ela - O meu colega de escritório ganha menos do que eu mas tem na conta à ordem dele quase oito mil euros...
Eu - Como é que sabes?
Ela - Ele hoje pôs um talão do multibanco no caixote do lixo e eu por acaso fui lá ver.
Eu - Por acaso?
Ela - Sim... por acaso, quando ia pôr lá a embalagem do meu iogurte abri o talão e vi.
Eu - Ah!
Ela - Que cara de reprovação é essa?
Eu - Cara de reprovação, eu?
Ela - Sim.
Eu - Não é cara de reprovação... mas a sério que a mim nunca me daria para ir ver quanto é que ganhava um colega meu qualquer.
Ela - Isso é porque não tens um colega que te está sempre a atirar à cara tudo o que compra de novo, onde vai de férias, etc, etc, etc...

esta quer ser gorda...

Donna Simpson, uma mulher norte americana com 42 anos, quer ser gorda. Na verdade não quer apenas ser gorda, quer ser a mais gorda do mundo. Para isso consome cerca de 12000 calorias por dia, principalmente em alimentos ricos em gorduras, tipo hambúrgueres e batatas fritas. Pesa 273 quilos mas quer atingir os 450.
A sério que acho que a Donna é livre de fazer o que lhe apetecer, mas estava a ler isto há bocadinho e a lembrar-me que ontem fui ao cinema do Arrábida Shopping com uma amiga minha, magra, que esteve dez minutos a decidir se podia ou não comer um pastel de nata antes de ver o filme.
A relação entre as mulheres e a comida é (quase) sempre uma coisa calculada e sofrível, não é?

3.15.2010

conversa 1452

(no meu carro)

Ela - Tens um guarda-chuva tão giro.
Eu - Não é meu. Na verdade nem sequer sei de quem é. Alguém se esqueceu dele aí.
Ela - Mas é de senhora.
Eu - Sim, deve ter sido uma amiga qualquer.
Ela - Dás assim boleia a tantas mulheres que nem sequer sabes quem é que se esqueceu do guarda-chuva no teu próprio carro?
Eu - Simplesmente nunca vi o guarda-chuva. Não me lembro de ninguém ter entrado com ele no carro.
Ela - Mas se tivesses dado boleia só a uma mulher nos últimos tempos, sabias que tinha sido ela.
Eu - Onde é que queres chegar com essa conversa?
Ela - Estava só a conversar...

coisas que fascinam (98)

Ainda há uns dias falava com uma amiga minha sobre a capacidade que os brasileiros têm de ser felizes. Os indicadores sociais e económicos daquele país estão sempre abaixo da média mas a emanação de felicidade parece estar sempre acima.
É uma felicidade que eu comparo quase imediatamente àquela que vejo quando há passagens de ano, um golo num jogo de futebol ou uma festa de bairro qualquer. As pessoas ficam felizes por nada de especial e fazem questão de o demonstrar cenicamente. Chega a ser estranho, se pensarmos bem. Na verdade a nossa vida pode continuar cheia de problemas, mas como nessa noite não mudamos apenas de domingo para segunda-feira mas sim de um ano para o outro já parecemos felizes.
Acho justo que as pessoas manifestem este tipo de alegria. Tão justo que eu também o faço, tão justo que acredito que ele até só existe para colmatar a falta doutro tipo de felicidade, e esse outro tipo de felicidade é aquele em que não nos manifestamos exteriormente. Estou a falar duma felicidade que entra em nós, se deita e adormece, mas que na verdade sabemos que está lá e até lhe aconchegamos os lençóis sempre que podemos.
E aqui estamos nós com duas formas totalmente diferentes de ser ou estar feliz. Tão diferentes que acho que às vezes temos que ter cuidado na forma como tentamos atingir cada uma delas. É que às vezes, se procurarmos numa relação a primeira das felicidades, podemos não encontrar. Essa é efémera, e devemos sempre procurá-la de vez em quando nos sítios certos: o fim de ano, o jogo de futebol ou outra festa qualquer. Entretanto... é bom ir aconchegando os lençóis à outra.

3.12.2010

conversa 1451

Ela - Só vejo a minha vida a andar para trás.
Eu - Para trás?
Ela - Sim. Em pouco tempo abandonei os estudos, perdi o namorado e agora vou perder o emprego.
Eu - Ah! mas isso não é bem a vida a andar para trás. A vida anda sempre para a frente, pelo menos numa lógica temporal. O problema é que às vezes anda para a frente duma forma que não queremos.
Ela - Obrigadinha por me lembrares que também não paro de envelhecer.
Eu - Não é isso. O que eu queria dizer é que como a vida anda sempre para a frente, os teu problemas têm uma solução possível. Farão parte do passado...
Ela - Sim, quando eu estiver velha.
Eu - Estás a exagerar. Tem calma.
Ela - Não me digas para ter calma.
Eu - olha, tu é que me disseste para eu vir aqui porque precisavas de falar comigo. O que é que queres que eu te diga?
Ela - Eu disse que precisava falar contigo, não disse que precisava que falasses comigo. Não preciso de te ouvir, percebes?
Eu - Caraças, então podias ter dito tudo ao telefone.
Ela - Ao telefone não. Ao telefone não podemos estar a falar sem ouvir o outro, senão parece que ele não nos está a ligar nada.
Eu - Caramba... és complicada.
Ela - Não me chames complicada.
Eu - Pronto, vou-me calar. Diz lá tudo o que tens para dizer.
Ela - Agora perdi a vontade.

conversa 1450

Ela - Desde que me divorciei já tive não sei quantos casos... mas nenhum se transforma numa relação.
Eu - Percebo isso perfeitamente. No fundo foi o que me aconteceu também.
Ela - Há sempre qualquer coisa que falha ou que compromete a coisa, mesmo quando parece que está tudo a ir bem.
Eu - Sim, é verdade. Se bem que eu acho que normalmente o principal problema é nós não nos apaixonarmos verdadeiramente pela outra pessoa ou a outra pessoa por nós.
Ela - Pois... se calhar é isso, mas no fundo há uma coisa que já aprendi com isto tudo.
Eu - O quê?
Ela - Cada vez que se tem um affair, o melhor é aproveitar e ter o máximo de sexo possível enquanto dura.

3.10.2010

kit para repor a virgindade

Tal como o hímen, é uma membrana capaz de tapar parcialmente o orifício da vagina. A diferença é que artificial e made in China (embora criada no Japão). Vende-se em grande quantidade no mundo inteiro, principalmente nos países muçulmanos, onde as mulheres estão proibidas por lei de ter relações sexuais antes do casamento.
A Gigimo, marca que comercializa o produto, aconselha as mulheres a colocar esta membrana cerca de vinte minutos antes da penetração para que a mesma se dilate. Na hora certa um líquido similar ao sangue será derramado.

conversa 1449

Ela - Detesto que me perguntem a mesma coisa duas vezes.
Eu - Detestas o quê?
Ela - Que me perguntem a mesma coisa duas vezes.
Eu - Ahn? Detestas o quê?
Ela - Que me perguntem a mesma coisa duas vezes. Fico fula.
Eu - Ficas fula porquê?
Ela - Porque parece que não me estão a ouvir, que não me estão a dar atenção.
Eu - Parece o quê?
Ela - Que não me estão a ouvir... ouve lá, estás a gozar comigo?
Eu - Não, não. Estás fula comigo?
Ela - Não, não...

coisas que fascinam (97)

Nunca fui um miúdo que jogasse muito bem à bola. Normalmente preocupavam-me bastante as questões técnicas, como por exemplo as balizas feitas com casacos ou malas da escola terem que ter exactamente a mesma distância, mas depois nunca metia golos nem conseguia fintar os adversários. Acho que era por isso que acabava sempre na baliza, exactamente onde ninguém queria estar.
Foi numa dessas balizas que me apaixonei pela Sónia, irmã dum rapaz que costumava jogar connosco, que se costumava sentar numa pequena elevação do terreno baldio onde fazíamos o nosso campo. Com ela ali a ver o jogo, eu sentia a mesma pressão que um qualquer jogador num estádio enorme esgotado num jogo transmitido pela televisão: tinha os olhos do mundo postos em mim porque ela era o meu mundo.
Foi num domingo de manhã. Primeiro atirámos pedras aos cavalos para eles desimpedirem o terreno, depois fizemos as balizas com pedras soltas que por ali estavam entre a bosta dos animais e eu jurei a mim mesmo que ia fazer uma fazer uma grande exibição para ela ver. Logo no primeiro remate do adversário bati com a cabeça numa das pedras. Acho que estive algum tempo inconsciente e depois acordei com a cabeça a sangrar. O jogo parou e levaram-me pendurado pelas pernas e pelos braços para junto da Sónia, para ela tratar de mim.
Acho que foi esse o meu primeiro abraço, não sei. Sei que nunca mais o esqueci. Hoje de manhã andava a passear por Aveiro exactamente nesse local, agora uma zona urbanizada onde já não há animais nem espaço para jogar futebol, e tentei situar-me exactamente nesse sítio. É agora um prédio com uns dez andares, chamado Torre Simon Bolívar, situado no Bairro do Liceu. O mundo transforma-se, o encantamento das mulheres não.

3.09.2010

conversa 1448

Ela encosta para me dar boleia, eu entro e ela põe o carro em andamento. Uns metros depois...

Eu - Olha que tens o travão de mão puxado.
Ela - Ena... por isso é que o carro não estava a desenvolver.
Eu - Tens que ter cuidado. Isso dá cabo do carro.
Ela - Não digas ao meu marido, está bem?
Eu - Eu não digo nada...
Ela - É que ele está mortinho por encontrar um motivo para não me deixar conduzir.
Eu - Ok...
Ela - E na verdade eu estou mortinha que ele tenha um acidente qualquer para eu me rir na cara dele.
Eu - Isso não será um exagero?
Ela - Um acidente mas em que ele não se aleije, claro.
Eu (risos) - Ah! Então já não é um exagero.

3.08.2010

o tamanho da roupa

Desde pequenino que acho que há um complot feminino na forma como se quantifica o tamanho da roupa. Eu, pelo menos, nunca sei que número visto quando compro umas calças ou uma camisola e, por isso, tenho sempre que experimentar. Já as mulheres, só olhando para mim fazem sempre uma ideia muito aproximada que as minhas calças são o número não sei quantos. Acho isso fantástico. Por mim, a numeração dos tamanhos devia começar no um e seguir a lógica crescente dos números inteiros: um, dois, três. Mas não... começa sempre num número incompreensível qualquer, tipo vinte e quatro  ou trinta e oito e ainda por cima depois só há números pares nuns casos, números ímpares noutros, algumas situações têm meios números e mais não sei o quê. É um mundo incompreensível..e.
Este fim de semana acompanhei uma amiga nessa longa aventura que pode ser comprar um vestido e percebi que, por exemplo, os números da Lanidor não correspondem aos números da Zara. Ora, se isto para mim já era difícil, agora tornou-se impossível e, não sendo adepto das teorias da conspiração, não posso deixar de pensar que há uma por trás disto tudo. O que as mulheres querem é que um tipo se sinta diminuído quando vai comprar roupa. Tanto, que eu já só compro calças em hipermercados, onde consigo escolher uma peça entre muitas e ir experimentar sem ninguém me perguntar nada. Nunca mais me esqueci do olhar insultuoso da última mulher a quem comprei umas calças numa pequena loja do Fórum Aveiro quando ela me perguntou qual era o meu tamanho. Assustado com a pergunta, respondi à sorte como quem dá um tiro no escuro: "vinte e tal... pode ser?". Ela limitou-se a abanar negativamente a cabeça e depois comentou baixo à colega que há homens a quem as mães compram a roupa até muito tarde. Tão baixinho que eu ouvi perfeitamente...

conversa 1447

Ela - Vou ter um jantar com os antigos colegas do liceu.
Eu - Isso é cool. Vais ver pessoal que já não vês há anos, não é?
Ela (risos) - Sim... e ver quais foram as gajas que engordaram demais.

dia internacional da mulher?

O Dia Internacional da Mulher perdeu toda a conotação política que tinha, e que me era simpática, para passar a ser o dia do "vamos lá lembrarmo-nos destas coitadinhas que ficam em casa o ano todo e levá-las à rua". Não sou, por isso, um grande simpatizante deste dia e tenho a certeza que as mulheres não precisam dele para nada.
O que as mulheres precisam, ou melhor, precisamos todos, é que se cumpra o princípio constitucional da igualdade entre géneros nas empresas e na Administração Pública. O que as mulheres precisam, ou melhor, precisamos todos, é que se perceba que são a grande maioria das vítimas de violência doméstica. O que as mulheres precisam, ou melhor, precisamos todos, é que se não seja necessário haver um Dia Internacional da Mulher. Mas isso não é só hoje, é todos os dias.

3.06.2010

conversa 1446

Ela - O que é que raio é mesmo o amor platónico?
Eu - É uma paixão mas sem sexo. Sem uma ligação física, portanto.
Ela - Já tenho uma alcunha para o meu marido, então.
Eu - Qual?
Ela - Platão.

conversa 1445

(na minha casa, depois de eu ter ido pôr o lixo no ecoponto)

Ela - Trouxeste os sacos de plástico outra vez para casa...
Eu - Trago quase sempre. Chego lá, despejo o lixo e reutilizo os sacos de plástico sempre. Até se estragarem, claro.
Ela - Ah! Já percebi. É tipo o que os homens fazem com as mulheres...
Eu - Como assim?
Ela - Reutilizam-nas sempre. Até se estragarem, claro.
Eu - Estás um bocado amarga, hoje.
Ela - Se calhar estou. Sinto que o meu marido está quase a mandar-me para a reciclagem.
Eu - Tem calma. As relações têm todas fases melhores e fases piores.
Ela - Eu estou calma. Estou é a pensar se o mando a ele para o lixo orgânico primeiro.

3.05.2010

conversa 1444

(na net, com uma suposta leitora deste blogue)

Eu - Quando o tempo melhorar vou começar a dar umas voltas de bicicleta, a ver se me ponho em forma...
Ela - Precisas de companhia?
Eu - Se quiseres vir...
Ela - Eu até ia, é pena não ter bicicleta.
Eu - Eu tenho duas, isso não é um problema.
Ela - Hum... por acaso ia, se o meu marido me deixasse. Se eu lhe disser que vou andar de bicicleta com um amigo ele passa-se.
Eu - Estás a brincar comigo, não estás?
Ela - Desculpa, não te tinha dito que era casada.
Eu - Não é isso. Não percebo é porque é que sendo casada já não podes ir andar de bicicleta com um amigo.
Ela - Tu eras capaz de dizer à tua namorada que ias passear de bicicleta com uma amiga?
Eu - Ela também vai...
Ela - Ah! Então já nem quero ir.

leite da mulher amada


Lembro-me dum amigo meu que bebia muito quando saía à noite, dizia ele que era porque as mulheres ficavam mais bonitas quando ele estava bêbado. Nunca concordei muito com ele e, tanto quanto deu para perceber, as mulheres em geral também nunca gostaram muito dele, sóbrio ou embriagado. De qualquer maneira hoje lembrei-me dele quando vi este rótulo duma aguardente brasileira, vulgar cachaça, com o nome de "Leite da Mulher Amada". Hum... hum... será que ele emigrou para o Brasil e abriu uma empresa de bebidas alcoólicas?

conversa 1443

(no meu carro, na fila duma bomba de gasolina)

Ela - Porque é que os homens tentam sempre aproveitar as últimas gotas de gasolina? Parecem tolos, ali a abanar a mangueira a ver se sai mais uma gota...
Eu (risos) - Sei lá...
Ela - É que mesmo que consigam mais uma gota ou duas não vão a lado nenhum com isso...
Eu - É verdade, sim. Deve ser psicológico...
Ela - Por acaso é uma coisa que os homens fazem muito.
Eu - O quê?
Ela - Insistirem mesmo quando já sabem que não vão a lado nenhum com isso...

3.04.2010

respostas a perguntas inexistentes (74)

Ela já está em casa quando ele chega, de toalha na cabeça, avental ao peito e salazar na mão. Raspa a louça do almoço e cospe qualquer coisa pelos lábios. Uma "boa noite", acha ele. O que ele não acha apenas, tem a certeza, é que ela já está sempre em casa quando ele chega. Uma vez não estava e ele reparou na sua ausência, talvez porque a casa estava escura, talvez porque ninguém cuspiu uma "boa noite" para o chão quando ele chegou. Lembra-se que nesse princípio de noite se sentiu só, tão só que voltou a sair e foi tomar café. Só regressou quando ela já estava em casa de toalha na cabeça, avental ao peito e salazar na mão.
Ela já está em casa quando ele chega. Talvez por ele ser homem e os homens chegarem a casa sempre depois das mulheres. Agora que pensa nisso, uma vez reparou na sua ausência mas nunca repara de facto na sua presença. É por isso que apanha a "boa noite" do chão e volta a meter-lha nos lábios com os lábios dele. O mais docemente que pode.
A vida não é sempre como nós queremos. Mas às vezes pode ser...

olha, tu que estás aí...

Já tinha falado desta música uma vez aqui. Agora um velho amigo (e não um amigo velho) enviou-ma por mp3. Obrigado Paulo!


canção do rádio | Upload Music

conversa 1442

Ela - Ser pai é muito mais fácil do que ser mãe.
Eu - Porquê?
Ela - Os pais fazem tudo o que os filhos querem, depois as mães têm que ficar com o papel de más...
Eu - Achas?
Ela - Acho. Eu é que estou sempre a dizer que não à minha filha. O pai dela faz-lhe as vontadinhas todas.
Eu - Faz-lhe também tu as vontadinhas todas, assim obrigas o pai a dizer que não de vez em quando.
Ela - O problema é que quando um homem deixa o filho fazer qualquer coisa com que a mãe não concorda, ela mostra que não concorda. O contrário já não se passa...
Eu - Como é que o teu marido reage se tu estiveres a deixar a miúda fazer uma coisa com que ele não concorda?
Ela - Hum... vai ao café beber uma cerveja e desabafar com os amigos.

3.03.2010

conversa 1441

Ela - Sabias que o homem começou a andar de pé há mais de seis milhões de anos?
Eu - Sabia, sabia...
Ela - Sabias mal.
Eu - Porquê?
Ela - Eu tenho um marido lá em casa que passa a vida sentado no sofá e não se levanta para nada.
Eu (risos) - Se calhar foram as mulheres e não os homens que começaram a andar a pé há seis milhões de anos.
Ela - Ri-te, ri-te.
Eu - É a chamada mulher erectus e o homem sentactus.
Ela - Ele não se levanta para nada mas erectus é bastante. Até demais...

respostas a perguntas inexistentes (73)

Porque é que os homens não falam de amor?

Porque é que os homens não falam de amor? Ela pergunta-me isto já com um pé fora do automóvel, mas assim que eu desligo o motor volta a entrar no carro fechando a porta. Sinto-me um réu perante uma pergunta criminadora a todos os homens do mundo. Depois vem o silêncio, como se ela esperasse a revelação dum segredo qualquer.
Conheço-a há muitos anos e há muitos anos que gosto dela. Na verdade acho que é uma das mulheres a quem devo a minha vida. Foi ela que me ensinou a gostar dos pequenos prazeres ou pelo menos a perceber que gosto deles, não por ser uma espécie de minha professora mas sim porque com ela todas as pequenas coisas me davam gozo. Jogar "verdade ou consequência" quando tínhamos treze anos dava-me gozo, fazer gelatina de frutos silvestres quando tínhamos catorze anos dava-me gozo, percorrer Aveiro a pé quando tínhamos quinze anos dava-me gozo, amanhecermos na praia quando tínhamos dezasseis anos dava-me gozo, trocarmos a espuma das nossas chávenas de café quando tínhamos dezassete anos dava-me gozo. Depois crescemos e nunca fizemos amor.
Depois crescemos e nunca fizemos amor, digo-lhe antes de afirmar que não fazia ideia que ela vivia tão perto de mim. Encontrei-a estes anos todos, depois de ter sido a mulher da minha vida sem de facto alguma vez o ter sido, e dei-lhe boleia entre o centro da cidade e um bairro periférico. Agora torna a pôr o pé fora do carro e sai. Sai como se eu lhe tivesse revelado um segredo qualquer. Obrigado, penso.

3.02.2010

conversa 1440

Ela - Acho que a maior parte das pessoas que fumam, fuma só para estar a fazer alguma coisa quando não tem nada que fazer.
Eu - Não sei... eu não fumo.
Ela - Mas fumo eu. Sei muito bem o que estou a dizer.
Eu- Mas não deve ser inteiramente verdade, até porque há pessoas que interrompem o trabalho para ir fumar um cigarrinho.
Ela - Sim, eu também interrompo muitas vezes o trabalho para fumar. Lá está, não tenho nada que fazer e tenho que arranjar alguma coisa para ocupar o tempo.
Eu - E a alternativa a não fazer nada é fumar?
Ela - Às vezes também jogo farmville.

3.01.2010

coisas que fascinam (96)

Acho que já aconteceu a todos os homens, pelo menos uma vez na vida, estar num sítio com um ambiente cinzento e a súbita presença duma mulher colorir todo o espaço. Já aconteceu a todos os homens, pelo menos uma vez na vida, passar a ter vontade de estar num sítio de onde uns segundos antes só queriam fugir. É como se o Inverno desse antecipada e voluntariamente lugar à Primavera. Hoje aconteceu-me isso numa sala qualquer duma cidade qualquer onde tive uma reunião qualquer. De facto, só uma mulher é que pode ter a capacidade de alterar as estações do ano.

couscous no mercado


Esta terça-feira o Mercado Negro é uma excelente escolha para ir tomar um café e/ou beber um copo à noite. Os Couscous Prosjekt estarão por lá...

2.28.2010

conversa 1439

Ela - Os homens só me decepcionam. A sério...
Eu - O que é que foi agora?
Ela - Convidei um colega meu do trabalho, com quem andava a engraçar, para ir jantar a minha casa. Convenci o meu ex-marido a ficar com os miúdos, desmarquei a visita duma amiga e comprei de propósito um tamboril. Enfim... preparei tudo.
Eu - E então?
Ela - Então jantámos e estava tudo a correr muito bem. Às tantas, como ele não avançava, eu descalcei-me, apaguei a luz da sala e acendi duas velas para criar ambiente.
Eu - Sim...
Ela - Depois disse-lhe que se ele se quisesse descalçar também estava à vontade e, como tínhamos a noite toda por nossa conta, perguntei-lhe se ele preferia sair ou ficar ali por casa a beber um copo de vinho...
Eu - E ele?
Ela - E ele perguntou-me se eu gostava de futebol porque estava a dar o Sporting - Porto na Sport Tv...
Eu (risos)
Ela - Ri-te, ri-te. A partir de agora, quando passar por ele no trabalho só lhe pergunto como é que está o Porto. Mais nada...

conversa 1438

(ao telefone)

Ela - Estou a precisar dum abraço.
Eu - Eu dava-te, se estivesse aí...
Ela - Davas-me o quê?
Eu - um abraço.
Ela - Ah! desculpa. Estava distraída a ler alto as legendas da televisão. Não preciso nada que me dês um abraço.
Eu - Estás a falar comigo ao telefone ou a ver televisão?
Ela - As duas coisas...

conversa 1437

Ela - Não percebo as pessoas que procuram relacionamentos na internet.
Eu - Eu percebo... são pessoas que precisam de conhecer outras. A internet é um meio como outro qualquer, na minha opinião.
Ela - Eu só fui uma vez tomar café com um gajo que conheci na internet e desisti logo. Nunca mais quis nada...
Eu - Porquê?
Ela - A falar com ele na internet até me parecia uma pessoa mais ou menos. Quando fui tomar café com ele apareceu-me um gajo de fato de treino roxo. Eu lá ia namorar com um gajo que veste fatos de treino roxos?

conversa 1436

Ela - Acho que os meus amores sempre foram um ciclo.
Eu - Um ciclo?
Ela - Sim. Apaixonei-me vária vezes, namorei várias vezes e fui viver com um homem várias vezes convencida que ia ser muito feliz com ele. Acabei sempre, por um motivo ou outro, por me cansar e voltar a ficar sozinha.
Eu - Foste sempre tu que tomaste a iniciativa de acabar uma relação?
Ela - Sim, acho que fui sempre eu.
Eu - Mas isso não tem que ser obrigatoriamente mau. Pelo menos tiveste alguns amores na tua vida. Há quem não tenha.
Ela - Sim, é verdade. Só que agora, com quarenta anos, começo a sentir que gostava de me apaixonar definitivamente e acho que não vou conseguir.
Eu - Porque é que achas isso?
Ela - Acho que os homens são todos...
Eu - Todos o quê?
Ela - Todos...
Eu - Todos o quê?
Ela - Todos muito iguais.

2.26.2010

respostas a perguntas inexistentes (72)

Nunca se tinha apercebido do verdadeiro motivo pelo qual liga tudo sempre que chega a casa: a televisão, a luz da sala e da cozinha, o computador e até o rádio da casa de banho. Até hoje, dia em que cozeu arroz branco, grelhou peixe e fez uma salada de tomate para duas pessoas. Depois pôs dois pratos, dois copos, dois garfos e duas facas na mesma mesa onde abriu uma garrafa de vinho. Acabou por bebê-la sozinha, a garrafa. Agora, com o pensamento afogado no vinho, é que se apercebeu que liga tudo sempre que chega a casa porque vive sozinha. Só isso.

conversa 1435

(no café)

Ela - Tens a tua certeira em cima da mesa...
Eu - Tenho. Quando estou sentado e ela está cheia, incomoda-me um bocadinho no bolso...
Ela - Pois... está tão cheia...
Eu - É só papelada e documentos. Dinheiro tem pouco.
Ela - Pois... admito que me está a apetecer espreitar.

la cabra, la cabra...

O caso está em tribunal. Dois tipos foram apanhados a violar uma cabra em Moçambique e agora, para além duma indemnização, o dono do animal exige que um deles case com ela. Com ela, a cabra. [ler no JN]
Eu estou contra esta pretensão do senhor porque me parece que o sujeito violado nunca quererá casar com o violador. Mas isso sou eu...

muito bem

França deu um passo importantíssimo na prevenção da violência doméstica, com que eu concordo plenamente. Os maridos violentos passam a ter que usar uma pulseira gps para que a polícia saiba se se estão a tentar aproximar ou não da vítima. Também foram endurecidas posições contra a violência psicológica, aquela que corrói a vítima por dentro, prevendo penas severas até três anos de prisão e multa de 75 mil euros em casos de "actos e palavras repetidas que resultam na degradação das condições de vida da vítima e que podem afectar sua saúde física ou mental". (ler no JN)
Por aqui podíamos copiar esta ideia...

2.25.2010

conversa 1434

Ela - A minha vida anda tão stressada que todas as noites preciso do meu momento zen.
Eu - Como é o teu momento zen?
Ela - A fumar um cigarro sozinha à janela.
Eu - Não sabia que os budistas gostavam de fumar à janela...
Ela - O que é que isso tem a ver?
Eu - O zen não é uma espécie de meditação budista?
Ela - Às vezes parece impossível ter uma conversa séria contigo.
Eu - Estou a  falar a sério...
Ela (levantando-se) - Oh! Cala-te!
Eu - Onde é que vais?
Ela - Fumar um cigarro à janela.

conversa 1433

Ela - Muitos divórcios dão-se porque aquilo que uma mulher procura num homem vai variando com a idade.
Eu - Vai? E como é que tu achas que varia?
Ela - Quando se é adolescente o namorado serve praticamente para tapar um buraco. Se ele for girinho chega e às vezes nem isso é preciso. Aos vinte começa-se a querer também uma certa postura e alguma cultura geral. Aos trinta, normalmente porque já se passou por algumas desilusões, o mais importante é a personalidade: se ele é meigo, atencioso e tal. Aos quarenta é tudo isso mais uma coisa: maturidade. Aos quarenta não há paciência para homens inseguros.
Eu - Ah! Interessante...
Ela - Acho que é por isso que são as mulheres que normalmente tomam a iniciativa de se divorciar. Até porque os homens exigem sempre o mesmo da mulher.
Eu - E é o quê?
Ela - Sexo.
Eu - Isso não é verdade.
Ela - É, é.

violência contra as mulheres na agenda da ONU

Em 1995 a ONU organizou a IV Conferência Mundial sobre a Mulher: Igualdade, Desenvolvimento e Paz. Agora, quinze anos depois, a sessão anual da Comissão da ONU sobre o Estatuto da Mulher assinala essa data com o peso enorme da estatística. E porque não se pode deixar passar de ânimo leve essa estatística, o esquerda.net fala nela.

2.23.2010

conversa 1432

[no restaurante com uma amiga. a empregada traz o cartão visa e o recibo para assinar num pratinho e põe-no à minha frente]

Ela - Já viste que a empregada trouxe o recibo do visa e deu-to a ti para assinares?
Eu - Sim... partiu do princípio que era eu a pagar.
Ela - Detesto estas gajas. Partiu do princípio que eras tu a pagar por seres homem.
Eu - Deve ter sido isso, sim.
Ela - Não lhe dou gorjeta só por causa disso. Estas gajas são mais machistas que muitos homens...
Eu - Tem calma, ela trabalha aqui e deve estar habituada a que sejam normalmente os homens a pagar. É só isso.
Ela - O cartão tem o meu nome. Ela podia pelo menos ter olhado para isso, não achas?
Eu - Acho que se quiseres levar a sério esse espírito feminista eu estou pronto a ajudar-te.
Ela - A ajudar-me como?
Eu - Vimos aqui todos os dias e pagas tu sempre, pelo menos até ela te dar a ti o recibo para assinar.
Ela - É melhor calares-te. Estou nervosa.

2.22.2010

perguntas matinais

Ontem os amigos foram todos dançar e ela ficou ao balcão do bar. Pediu mais um vodka com laranja. Ele também ficou. Pediu mais uma cerveja. Já tinham trocado alguns olhares mais doces durante o jantar que reunia os ex-colegas de liceu e, por isso, aquele posicionamento estratégico não era mais do que o passo final para dormirem juntos. Afinal, na conversa regada pelo bacalhau e pelas garrafas de alentejano, ambos se tinham apercebido da disponibilidade do outro. Divorciados e com filhos, portanto, disponíveis e preparados para não perder uma oportunidade.
Há sempre duas perguntas que um homem faz quando acorda de manhã numa cama com uma novidade: E agora? E depois? São as respostas a essas perguntas que o fazem sair de fininho ou então tentar abraçá-la para tentar mais uma sessão de sexo. E para ele, que costuma gostar mais do sexo fresco matinal do que do cansado sexo nocturno, há que responder imediatamente às questões que se impõem. E agora? Agora fica. E depois? Depois logo se vê.
Há sempre duas perguntas que uma mulher faz quando acorda de manhã numa cama com uma novidade: E depois? E agora? São as respostas que a fazem sair de fininho ou então beijá-lo para tentar mais uma sessão de sexo. E para ela, que costuma gostar mais do calculado sexo matinal do que do desesperado sexo nocturno, há que responder imediatamente às questões que se impõem. E depois? Depois quer continuar a sair com ele. E agora? Agora logo se vê.

conversa 1431

Ela - Tens um carro novo...
Eu - Não é novo, é usado.
Ela - Isso não é um carro de homem, é um carro de mulher.
Eu - Porquê?
Ela - É tão pequenino.
Eu - É poupadinho, neste momento é o que eu preciso.
Ela - Mas tu és tão grande. De certeza que cabes dentro do carro?
Eu - Caibo. Lá por ser grande não quer dizer que tenha que ter tudo grande, caramba.
Ela - Lá isso é bem verdade... já me aconteceu ser surpreendida com homens grandes e, digamos, carros pequenos...
Eu - Não era isso...
Ela - Deixa lá, vamos tomar café.
Eu - E vamos no meu carro pequenino ou na tua carrinha largueirona?
Ela - Já não estás a ter piada nenhuma...

a guerra das calças

tirado do blogue dias que voam
"Uma loja de pronto-a-vestir de Lisboa vende por semana centenas de calças compridas a mulheres de todas as idades, mas a maior clientela é constituída por jovens". Começava assim uma reportagem, publicada no ano de 1969, sobre as primeiras mulheres portuguesas a usar calças. Marcelo Caetano era então o primeiro-ministro de Portugal, herdando um país de conservadorismo salazarento. Tanto, que se punha a hipótese de haver um enquadramento legal que impedisse as mulheres de usarem calças: "A explosão do uso das calças provocou nas últimas semanas, em Portugal, certa controvérsia nos liceus, escolas e empresas, pois nem em toda a parte se sabe oficialmente da existência (ou não) dum dispositivo oficial sobre o assunto". Menos mal, o Ministério da Educação afirmava que não existia nenhuma regulamentação oficial que as proibisse. Havia apenas uma disposição dizendo que as alunas e professoras se deviam apresentar vestidas com dignidade e decência.

2.19.2010

coisas que fascinam (95)

Um amor imagina-se. Pode ser durante o intervalo dum filme no cinema, numa boleia dada por acaso ou numa estação de metro qualquer. Com a mulher que está sozinha na fila A, com a que estica o dedo polegar na nacional 109 ou com aquela que adormeceu com a cabeça encostada ao vidro da carruagem. Tanto faz, o amor imagina-se e isso é bom. Pelo menos é o que um homem pensa enquanto dissolve o açúcar no café da manhã, dissolvendo também os seus próximos dias no olhar da mulher que se sentou à sua frente. Ela é bonita e isso por agora chega, já que a imaginação não precisa de mais nada.

conversa 1430

Ela - Pus férias esta semana e aproveitei para mudar a disposição dos móveis da minha sala.
Eu - Fixe, de vez em quando também gosto de fazer isso.
Ela - O problema é que já mudei cinco ou seis vezes e hoje, sexta-feira, acabei por voltar a pôr tudo com estava dantes.
Eu - Isso quer dizer que gostas mais da maneira como já tinhas a sala. Não é grave.
Ela - É grave porque não me sinto bem como aquilo está mas também não encontro uma forma melhor. Os meus móveis parecem homens: nunca estão no sítio que devem.
Eu - Mas pelos vistos és tu que pões e dispões deles... portanto...
Ela - Isso é a única coisa que me faz sentir bem.

sou mãe graças ao pai do meu filho

Os sortudos dos lisboetas vão poder assistir gratuitamente amanhã, dia 20 de Fevereiro, a um grandioso espectáculo de comédia: uma manifestação com cartazes a dizer que as senhoras que o seguram são mães graças aos pais dos seus filhos. Sortudos, os lisboetas. Eu gostava de ir mas não posso.

A mim, por acaso, interessa-me sobejamente saber graças a quem é que cada mulher portuguesa é mãe. Acho importante, pronto. É por isso que agradeço à Esmeralda, senhora de grande etiqueta e frontalidade, que vai levar o seguinte cartaz:

2.18.2010

pensamentos catatónicos (197)

Acho que nunca se deve acreditar numa mulher que nos diz que está apaixonada por nós. Na verdade porque não devemos acreditar em nós próprios quando o dizemos a alguém. O amor é mesmo uma coisa em que as palavras não chegam. Tem que se passar aos actos.

conversa 1429

(ao telefone)

Ela - Não tens dito nada....
Eu - Tenho estado doente.
Ela - E já estás melhor?
Eu - Sim, estou a melhorar. Obrigado.
Ela - Óptimo, ainda bem. É que este sábado à tarde precisava que tomasses conta do meu filho.

2.12.2010

conversa 1428

Ela - Já te aconteceu gostar muito duma mulher e ela não te ligar nada?
Eu - Claro que já. Tantas vezes...
Ela - Lá está. Essa é a diferença entre os homens e as mulheres...
Eu - Qual diferença?
Ela - Um homem é capaz de gostar muito de várias mulheres, se uma não lhe liga nada passa facilmente para outra. Por outro lado, quando uma mulher se apaixona por um homem e ele não lhe liga nada, ela tem um problema para muito tempo.
Eu - Isso não é bem assim.
Ela - Mas é muito assim.
Eu - Mas isso está a acontecer-te agora?
Ela - Está.
Eu - E estás triste?
Ela - Mais ou menos.
Eu - Pensa assim: há muitos homens na Terra, ou seja, se foste capaz de te apaixonar por um, de certeza que és capaz de te apaixonar por muitos mais.
Ela - Pois... é isso que uma mulher não é capaz de pensar.
Eu - Mas percebes que eu tenho razão?
Ela - Percebo... mas perceber não me chega.
Eu - Tu és tão bonita. Tenho a certeza que dás a volta a isso num instante. Basta ires a um jantar com muitos gajos um dia destes.
Ela - Organiza um jantar desses e convida-me. Pode ser?
Eu - Mas acabaste de me dizer que não és capaz de te apaixonar duas vezes seguidas.
Ela - Mas posso tentar...

conversa 1427

Ela - Estou quase a fazer anos...
Eu - Pois estás.
Ela - Se por acaso me quiseres oferecer alguma coisa fala comigo primeiro, que é para não gastares dinheiro mal gasto.

conversa 1426

Ela - Vou passar este fim de semana todo na cama. Só me levanto para comer e para ir à casa de banho...
Eu - Andas assim tão cansada?
Ela - Não, arranjei um namorado da margem sul. Só o vejo ao fim de semana...

2.10.2010

conversa 1425

Ela - Já pedi ao meu patrão para ter férias durante o mundial de futebol.
Eu - Não me digas que queres passar as férias a ver futebol...
Ela - Claro que não, quero é ir de férias sozinha sem ninguém a chatear-me e nessa altura o meu marido não se importa nada que eu vá. O que ele quer durante um mês seguido é cerveja no frigorífico e o telecomando da televisão...

conversa 1424

(no bar)

Eu - Bebes uma cerveja?
Ela - Não posso.
Eu - Não podes?
Ela - Não. Fui há dias ao psiquiatra e ando a tomar antidepressivos...
Eu - Andas deprimida porquê?
Ela - Sei lá. Se calhar é por nem ter motivos para andar deprimida.
Eu - Isso não é um motivo.
Ela - É, é.
Eu - Não é nada. Senão andávamos todos deprimidos, ou porque tínhamos um motivo para isso ou porque não tínhamos...
Ela - Pois... e por acaso acho que este país anda mais ou menos assim.
Eu - Bebes o quê, então?
Ela - Pronto, pode ser uma cerveja. Só para te fazer companhia...

mulheres com garantia


Um embaixador árabe dos Emirados Árabes Unidos descobriu, já depois de ter assinado o contrato do casamento, que a noiva tinha barba e era vesga. Vai daí, pediu a um tribunal islâmico a anulação do contrato de casamento e exigiu à ex-noiva o pagamento de cerca de 92 mil euros, montante que diz ter gasto para presentear a ex-futura mulher com roupas, jóias e outras prendas. A mãe da noiva ter-lhe-á mostrado fotografias duma irmã, pelos vistos uma boazona de todo o tamanho, e o tipo acreditou até à última que era ela que estava debaixo da burka. [ler no JN]
Tendo em conta o sucedido, proponho que as noivas nos Emirados Árabes Unidos venham com garantia de dois anos. Um paralelismo com a política europeia nos electrodomésticos em que a mãe (vendedora), garante ao homem (consumidor) o bom estado geral da mercadoria (a filha) e o seu funcionamento durante esse período. Passados esses dois anos, a devolução não é imediata mas a mulher pode ser enviada para a fábrica para arranjar (fazer a barba, por exemplo).

pensamentos catatónicos (196)

Hoje de manhã os semáforos da avenida AEP, em Matosinhos, estavam avariados. Resultado: um trânsito caótico e agressivo, com os automóveis a procurar espaços que já não existiam. Desesperei e acabei por entrar no mesmo jogo, metendo o meu carro onde conseguia sem respeitar nada nem ninguém.
Acho que nas relações entre duas pessoas isso acontece de vez em quando. Somos um semáforo natural que dá luz verde, amarela ou vermelha àqueles que nos são mais próximos, para poderem esquadrinhar ou não as ruas de que somos feitos. Às vezes esses semáforos avariam e o trânsito emocional entre os dois congestiona. É o caos.
Há muito tempo que os meus semáforos não avariam mas mesmo assim pensei nisto...

limpem lá a Lua

Women of the future will make the moon a cleaner place to live

O homem chegou à Lua em 1969. Neil Armstrong e os colegas andaram pelo nosso satélite aos pulinhos, tiraram algumas fotografias e até lá deixaram uma bandeira dos Estados Unidos. Espero é que não tenham sujado muito a zona por onde andaram. É que para a Tomorrow's Lestoil, num anúncio publicado um ano antes, portanto em 1968, um dia que as mulheres lá cheguem é para limpar tudo e deixar a Lua a brilhar.

2.09.2010

conversa 1423

Ela - Gastei um balúrdio numas calças que não me servem...
Eu - Não as experimentaste antes de as comprar?
Ela - Experimentei, experimentei...
Eu - Então... não percebo...
Ela - Comprei um número abaixo do meu, assim obrigo-me a emagrecer nos próximos tempos. Sempre que me lembrar que dei quase cem euros por umas calças que não me servem, consigo abdicar da comida com muitas calorias.

pedido de casamento

Dave Morin é um dos gerentes do Facebook, ou seja, qualquer coisa como senior platform manager. Um destes dias decidiu pedir Brittany Bohnet, gerente de marketing da Google, em casamento. Não o fez por menos: encomendou um avião, um barco e uma noite de luxo nas Maldivas. Depois, escreveu o pedido com cocos na areia duma das praias.
Sobre o Dave e sobre a Brittany não tenho concretamente nada a dizer, mas este é um tipo de pedido de casamento que eu não queria que me fizessem. Não parece um pedido, parece mais uma espécie de cerco. Acho que ninguém gosta de cercos.
Por mim podiam-me pedir em casamento no café da esquina, à hora do almoço, entre um pastel de bacalhau e um gole numa cerveja. Depois sim, se houvesse dinheiro, é claro que não dispensava uns dias nas Maldivas...

2.08.2010

conversa 1422

Ela - Há tanto tempo que não te via.
Eu - Sim... por acaso tinha saudades tuas.
Ela - E como é que vão as coisas?
Eu - Quase tudo na mesma. Vai-se andando...
Ela - É como eu. Tirando ter mudado de emprego, de casa e de namorado está tudo na mesma.
Eu - Bem... no teu caso está tudo diferente.
Ela - Sim, mudei de casa e isso é diferente. Mudar de emprego, como estou sempre a recibos verdes, tornou-se normal na minha vida.
Eu - E o namorado?
Ela - Os namorados são mais uma espécie de contrato a prazo. Despeço-os sempre antes de acabar o primeiro...

alergia ao sabonete



Este é uma música de Black Metal, também de revolta, feita por mim e por uns amigos da Fanfarra de São Bernardo, contra as mulheres que obrigam os maridos e namorados a tomar banho todos os dias.

2.05.2010

pelos caminhos de Portugal

A vida de divorciado ou, neste caso, de casado pela segunda vez é assim: tem coisas boas e tem coisas más. Estou a ficar maluco com saudades da minha filhita, por isso este fim de semana vou fazer mais de mil quilómetros para a ver. Se puder passar por aqui ainda passo, mas não sei se consigo. Se não conseguir, bom fim de semana para todos vocês, incluindo aqueles que eu não sei que existem. Se conseguir, bom fim de semana na mesma.

conversa 1421

(no café)

Ela - Estás a ver aquele gajo sentado ao balcão a ler o jornal?
Eu - Sim...
Ela - Gostava tanto que ele gostasse de mim, mas tanto...
Eu - Conheces?
Ela - Não conheço pessoalmente mas sei quem é. Foi casado com uma colega minha.
Eu - E gostas assim tanto dele?
Ela - Detesto-o. É um convencido. Sempre que ele ligava para a empresa para falar com ela e eu perguntava quem era, ele respondia que era o Engenheiro não sei quantos...
Eu - Então porque é que querias que ele gostasse de ti?
Ela - Para o fazer sofrer, para o fazer sofrer...

2.04.2010

conversa 1420

Ela - Acho que a minha vida com os homens vida dava um filme.
Eu - Isso não é mau, pois não?
Ela - A parte má é eu ser sempre um actriz secundária.
Eu - Não me parece que sejas uma actriz secundária para a maior parte dos homens.
Ela - Se falarmos dum filme porno não, não sou, mas acho que nunca fui a actriz principal de um romance.
Eu (risos)
Ela - Ri-re, ri-te. Contigo então...
Eu - Comigo o quê?
Ela - Contigo foi uma curta-metragem.

conversa 1419

(no meu carro, depois de meter gasolina)

Ela - O que é que estás a escrever?
Eu - Estou a apontar os quilómetros. Encho sempre o depósito e quero fazer uma média para saber quanto é que o carro está a gastar.
Ela - Só mesmo um homem é que perde tempo com isso.
Eu - Não achas importante saber quanto gasta o teu carro?
Ela - Não. Acho que os homens deviam era andar com uma folhinha para anotar o desgaste que fazem às mulheres...

can we start again?

Hoje à noite há Couscous Prosjekt no Clandestino Bar, em Aveiro, a partir das 22:45, mais coisa menos coisa.

2.03.2010

conversa 1418

(ao telefone)

Eu - Está? Podes falar agora?
Ela - Agora não. Estou  a almoçar...
Eu - Eu também estou a almoçar.
Ela - Telefona-me daqui a meia-hora, quando eu estiver a trabalhar.

coisas que fascinam (94)

Acho que quando um homem gosta muito duma mulher telefona-lhe muitas vezes sem ter nada para lhe dizer. O que ele quer, na verdade, é ouvi-la, mesmo que ela também não tenha nada para lhe dizer. Por isso é que entre duas pessoas que gostam muito uma da outra há telefonemas marcados pelo silêncio. 

conversa 1417

Ela - Isto entre mim e o meu marido está mesmo muito mal.
Eu - Porquê?
Ela  - Sei lá, não o percebo. Para ele parece que está sempre tudo bem.

a ver mulheres nuas durante o trabalho

Um bancário australiano, do Macquarie Bank, foi apanhado a ver mulheres nuas no computador enquanto um colega seu fazia um comentário em directo para a televisão. (ler no JN)
O excerto do vídeo, que passou no canal de televisão Austrália 7, está no youtube e tem tido milhares de acessos. Este blogue envia ao visado um grande abraço de solidariedade neste momento difícil que está a passar. Imagino, por exemplo, que o gajo nunca mais vai conseguir ser levado a sério numa reunião de trabalho. Agora... garanto a todos que se eu passasse o dia a olhar para cotações da bolsa e ficheiros de Excel cheio de números, também tinha que ver umas gajas nuas lá pelo meio para não ficar maluco. Aliás, acredito que os homens com mais necessidade de ver gajas nuas durante o horário de expediente são os financeiros e os afegãos, coitadinhos, que quando saem à rua só vêem burkas a andar dum lado para o outro.

2.02.2010

conversa 1416

(ao telefone)

Ela - Vou comprar uma sapateira. Vens comigo?
Eu - Vou, claro. Levo umas cervejinhas e faço eu o recheio, pode ser?
Ela - Qual recheio?
Eu - A sapateira tem que levar um recheio. As patas comem-se só cozidas mas a carapaça convém levar um recheio...
Ela - Eu vou ao IKEA comprar uma sapateira para arrumar os meus sapatos.
Eu - Vais comprar um móvel só para arrumar sapatos?
Ela - Sim.
Eu - Nem sabia que isso existia... mas pronto.
Ela - Mas tu andas sempre com os mesmo sapatos. Uma pessoa normal tem vários pares e precisa de um móvel para os arrumar. Vens comigo ou não?
Eu - Pronto, até vou. Bebo a cervejinha por lá...

2.01.2010

conversa 1415

Ela - Sabes o que é que eu queria?
Eu - Ahn?
Ela - Ter outra vez vinte anos.
Eu - Porquê?
Ela - Para não sair de casa no dia em que conheci o meu marido.
Eu - Isso está assim tão mal?
Ela - Está.
Eu - Podias sair de casa na mesma, só não te enrolavas nem começavas a namorar com ele.
Ela - Isso ia ser difícil. O gajo era mesmo giro, beijava bem e falava melhor. Parecia um sonho...
Eu - E o que é está mal agora?
Ela - Agora ele está gordo e ter a Sport Tv lá em casa é o maior objectivo da vida dele.

conversa 1414

Ela - Conheces algum homem que lave a loiça?
Eu - Eu lavo a loiça muitas vezes.
Ela - E conheces algum homem que costume cozinhar?
Eu - Eu costumo cozinhar muitas vezes.
Ela - E conheces algum homem que aspire ou passe a ferro?
Eu - Eu aspiro e passo a ferro muitas vezes.
Ela - Mas limpar a casa de banho... conheces algum homem que limpe a casa de banho?
Eu - Eu limpo a casa de banho muitas vezes.
Ela - Credo. Deve ser uma seca viver contigo.