11.26.2008

a verdade da mentira

Às vezes mentimos a um amigo sobre a nossa vida emocional. Dizemos que está tudo bem quando, na verdade, está tudo mal. Acredito que não estamos de facto a mentir a um amigo mas sim a nós mesmos. Se convencermos um amigo que está tudo bem connosco ficamos com a sensação de que está mesmo. Ainda que não por muito tempo.
Esta capacidade que temos de mentir a nós mesmos é importante para a nossa sobrevivência e bem estar. Permite-nos, por exemplo, prolongar um período de adaptação a uma eventual nova realidade. Permite-nos saborear melhor um café ou uma refeição num período menos bom da vida. Na verdade, acho que essa é uma das 'funções' mais importantes dos amigos: engolir as nossas mentiras mesmo quando não acreditam nelas.

19 comentários:

Jo disse...

Sei bem do que falas... no fundo queremos convencer-nos de que nao ha mesmo mal nenhum em estar sozinho ha umdia, uma semana, um mes, um ano, mais do que um ano... as vezes ta tudo bem, mas noutras vezes era bom termos alguém a nosso lado, mas isso nao podemos dizer, admitir, porque estariamos a admitir para nos mesmos ... e afinal, nos somos felizes sem um companheiro, nao precisamos disso... ou pelo menos é no que desejamos ardentemente acreditar, principalmente naqueles dias em que pelo menos um abraço seria benvindo...

Tens razao... nao mentimos aos nossos amigos... mentimos a nos proprios... mas nem eles se zangam, nem nos proprios nos zangamos ... sabemos que é puro mecanismo de defesa...

joaninha versus escaravelho disse...

Eu também sou adepta do "Faz-de-conta".
Mas em tudo o que não me é permitido mudar para meu gosto. Claro que tenho momentos em que me lamento, mas Mark Twain disse: "Se os problemas têm resolução, para que estar a lamentá-los? Se os problemas não têm resolução, para que estar a lamentá-los?"
Acho que foi ele... :)) Se não foi, quem o disse, disse muito bem!!

Fá disse...

Ás vezes é melhor mentir a nós mesmos que dar aos outros a "satisfação" de saberem as nossas pequenas e grandes desgraças, mesmo que sejam amigos...digo eu...

Papinha disse...

Aí está uma verdade, que ajuda à nossa sobrevivência e bem estar em alturas de crise!!! Tentemos é não prolongar esse estado, de modo a conseguirmos reiniciar o nosso caminho!!

Beijinhos
P@pinh@

Anónimo disse...

Gosto da mentira.
Desde que a tomemos conscientemente por isso mesmo.
A mentira é mais redonda.

A verdade, está num grau abaixo da mentira (nem percebo porque são antónimos).
A verdade não nos permite sonhar. Nem ter esperança. Agarra-nos ao chão. Aos limites. Às certezas.

Não consigo gostar muito da verdade...ou pelo menos, na verdade da verdade.
A "verdade da mentira" é mais humana.
Mas isto sou eu...

Um beijo
Ana

redonda disse...

Mas não será também bom desabafar e sermos acarinhados pelos nossos amigos para começarmos a melhorar?

Lita disse...

Essa é uma perspectiva fantástica sobre o assunto!!! :)

SunGod disse...

bagaço... sim senhor, por esta vez vou largar as piadas e dizer... subscrevo a 100%... e o mais "engraçado" é que (pelo menos alguns de nós) temos consciência disso e mesmo assim, subconscientemente ou não, voltamos a fazer o mesmo.Sinceramente só não sei se é para mentirmos a nós próprios, porque estamos perfeitamente cientes do descalabro de algumas relações, algumas vezes até mesmo antes de iniciarem o caminho para o fim, ou se tem mais a ver com o facto de não querermos que ninguém, e principalmente os amigos, saibam que não estamos a dar conta de uma relação, quando na verdade não depende apenas de nós mas sim das duas pessoas que compôem o casal... mas isso são outras historias :P
e depois aos verdadeiros amigos não se esconde quase nada não é? :D

bagaco amarelo disse...

Jo, exacto, :)

joaninha versus escaravelho, mas nós nunca sabemos, não é? quando é que têm ou não resolução. :)

fá, isso já não pratico... :)

papinha, tb não lhe chamo tempos de crise... chamo-lhe uma vida normal. :)
Ana, e eu estou contigo. :)

redonda, às vezes é, sim: :)

lita, é uma parte da verdade, lol. :)

sungod, exactamente. :)

joaninha versus escaravelho disse...

É... por isso mesmo deixemos de lamentações e passemos à acção!
Vamos em frente que se faz tarde!

Podemos descansar um bocadinho no caminho e beber um copo com os amigos e tal... mas continuemos sempre a fazer de conta que está tudo bem...
Vai passar a estar de certeza. Mesmo que a viagem demore...

A isto chama-se fé.
(eu sou ateia)

Anónimo disse...

Mentir é uma forma demasiado fácil de nos defendermos da realidade, de mantermos a ilusão de que temos de alguma maneira o poder sobre a vida, sobre o quotidiano, o destino. Acho que é uma forma simplista de continuar a viver nessa ilusão e obviamente não é uma solução sustentável. A mentira, mentirinha, mais cedo ou mais tarde é descoberta e depois? O amigo ou amigos vão ficar a pensar o que? Olha, afinal este tipo anda a tentar enganar-se? Ou será enganar-me? E depois? Volto a acreditar nele/a? Será que tudo o que disser daqui para a frente é ou será verdade??...

Acredito mais na verdade, e acho que o verdadeiro amigo é aquele que confronta sempre a realidade e faz sempre tudo para ver o seu semelhante bem, se não estiver bem, então haverá alguma forma de o pôr bem? Não será a partir deste pressuposto que é possível construir algo sustentável? A mentirinha é só um começo, parece inocente...mas não é! Não é a nós próprios e não será aos outros também. Hey! Mas como sou um democrata é justo que o faças se te sentires bem assim, bem como os teus amigos...mas sinceramente deves antes perguntar se eles estão a ser coniventes, ou convincentes das tuas acções...é que ambas as opções não me agradam lá muito. São demasiado passivas, percebes? De qualquer forma aqui vai o meu respeito pela tua forma de pensar.

Um abraço,

bagaco amarelo disse...

joaninha versus escaravelho, também sou ateu... e acho que esta mentira é um forma de andar em frente também. talvez isso seja um problema. :)

anónimo, não é bem uma forma de pensar. é uma constatação de um facto. de resto percebo-te e concordo contigo. acho que há fases para tudo. :)

joaninha versus escaravelho disse...

Não lhe chames mentira. Chama-lhe "não quereres abordar o assunto".
Todos temos o direito de não querer falar seja no que for. Imagina, perguntam-te se estás bem de amores e tu dizes: "Oh pá, não me apetece falar disso!" A outra pessoa percebe logo que não estás nada bem.
Temos o direito de não partilhar os nossos sentimentos se não nos apetece. Mesmo que seja com amigos. Os amigos também têm que nos dar espaço. Senão passam a ser um namorado aborrecido. E assim dispenso. :)
Agora acho que como amigos temos sempre a obrigação de ouvir sem fazer disso uma obrigação.
Temos que estar lá!

Olga disse...

Quando alguém pergunta se está tudo bem certamente não está à espera de ficar a ouvir lamúrias. Ás vezes a mentira também serve para evitar que toda a gente se afaste.

bagaco amarelo disse...

joaninha versus escaravelho, eu concordo... a omissão também é necessária, sim. :)

olga, lamurias não... mas desabafos. :)

Miss G disse...

Será que os amigos engolem mesmo ou fingem que engolem para nos fazer felizes? Ou, de outra forma, se tatno fazemos de amigos como de amigo de amigos, enganamo-nos duplamente: quando engana-mos os amigos e a nós mesmos!
Depois acordamos e lá vamos nós enfrentar o mundo.

bagaco amarelo disse...

Miss G, a questão é que como estamos a mentir a nós mesmos, se eles engolem ou não vai dar ao mesmo. :)

i]Nes. disse...

isso é tao verdade... :|

bagaco amarelo disse...

i]Nes. :)