Mostrar mensagens com a etiqueta memória de baleia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta memória de baleia. Mostrar todas as mensagens

6.13.2014

os meus pequenos segredos



Não sei se é normal, francamente, ter alguns lugares assinalados como segredos nas nossas vidas. Sei que para mim é. Principalmente em Aveiro, mas também em vários locais do mundo, encontrei sítios onde nunca irei com ninguém, mas apenas sozinho. São os meus pequenos segredos.
Chamo um pequeno segredo a um espaço qualquer onde já me tenha refugiado algumas vezes, onde consegui falar comigo mesmo com calma, normalmente sobre decepções de Amor, tenham sido elas maiores ou menores.
Na Holanda de Aveiro (chama-se assim por ter sido conquistada à água pela mão humana), em pleno rio Príncipe, há um canto que já me serviu de refúgio algumas vezes. Estive lá, por exemplo, no dia seguinte àquele em que conheci a Raquel. Nesse dia passei lá a manhã e parte da tarde, li um livro inteiro e molhei os pés, só para tentar perceber o que me estava acontecer. Sozinho, porque o Amor deve sempre evitar opiniões alheias.
Ontem voltei lá, não sei bem porquê, e decidi filmá-lo e desvendá-lo assim que vi um lagostim a movimentar-se com dificuldade na terra em direcção à água, onde o perdi para sempre. Não é nada de especial, mas para mim é um canto inesquecível de vários cantos da minha vida.
Podem vê-lo maximizado, porque está em full hd e com uma qualidade de imagem bastante boa.


4.22.2014

Kotka

Desde pequeno que adoro mapas. Quando era miúdo, um dos meus passatempos preferidos era passar horas a analisar os mapas que o meu pai tinha no carro. Havia um mapa de Portugal, outro da península Ibérica e outro da Europa. Cheguei mesmo a conseguir juntar o dinheiro de algumas semanadas para comprar um imenso mapa do mundo. Através das linhas que os formavam fui-me apercebendo do tamanho do mundo e, consequentemente, também do meu.
Dias houve em que me dediquei às terras mais pequenas e desconhecidas. Lia os nomes e tentava decorá-los para sempre, como se fosse possível um dia conhecer o mundo como conheço as palmas das minhas mãos. Tal nunca aconteceu mas ainda hoje, quando atravesso as estradas e ruas deste país, me acontece passar por pequenas terras cujo nome me soa familiar.
Os mapas em suporte de papel não mostravam muito mais do que linhas e nomes. Não serviam, por isso, para que eu tivesse uma noção mínima de como era cada terra, mas serviam para eu conhecer a sua localização. A partir de Aveiro, a cidade onde eu cresci, passava tardes a percorrer com os meus dedos os caminhos que me podiam levar a cidades tão distantes como Roma ou Moscovo, ou a aldeias tão perdidas como Vilarandelo ou Amareleja. Aveiro deixou de ser então a cidade onde eu crescia para passar a ser um ponto de ligação ao mundo inteiro.
Naquele princípio dos anos oitenta, fruto da revolução de Abril alguns anos antes, o nosso país começou a receber turistas um pouco de todo o mundo, mas principalmente de países do norte da Europa. Eram pessoas que se distinguiam fisicamente dos portugueses e para as quais eu olhava com um misto de espanto e de curiosidade. A minha vontade de meter conversa com cada um desses estrangeiros, para saber de que ponto do meu mapa é que vinham, esbarrava normalmente na língua. Mesmo assim, através duma linguagem gestual improvisada, consegui que muitos apontassem naquele imenso desdobrável o seu local de origem. Cada vez que isso acontecia, eu ficava a conhecer um pouco mais do mundo que nunca tinha visitado.
Foram assim as minhas primeiras viagens, a estender um mapa numa mesa de um café de praia para tentar descobrir de onde vinha aquela gente com um aspecto tão diferente. Hoje lembrei-me de um desses pequenos pontos no mapa que um casal de loiros deslavados apontou enquanto sorria pela minha curiosidade. De acordo com a minha memória, em criança pensei que aquela terra ficava numa zona em forma de pistola futurista, algo que eu vira na série Espaço 1999. Fui ao Google Maps e percorri o mesmo caminho no computador que percorri no papel há mais de trinta anos atrás, na esperança de descobrir a origem desse casal simpático. Descobri. Chama-se Kotka, na Finlândia.

2.10.2013

O que se pode fazer com a vagina?

(enviaram-me isto pela net)

12.04.2009

coisas que fascinam (92)


Londres | Dezembro 2009

Tirei esta fotografia em Londres há uns dias atrás. Às vezes acho que o motivo que leva duas pessoas a partilhar um guarda-chuva é o mesmo que leva duas pessoas a partilhar uma vida. É que quando chove pelo menos ali está-se bem. Só isso.

11.25.2009

coisas que fascinam (91)


Serpa, Novembro 2009

Optei por ir a Serpa neste fim de semana sem pagar portagens porque fiz as contas e cheguei à conclusão que as mesmas iam duplicar o custo da viagem.
Devo dizer que sou um apaixonado pelo Alentejo profundo e penso muitas vezes que se deixasse de viver em Aveiro era para lá que queria ir. Há qualquer coisa nos alentejanos que me fascina e que tem a ver com honestidade. Talvez não haja a simpatia generalizada que existe no norte mas também não existe hipocrisia nem beatice. Com as devidas excepções à regra acho que o Alentejo é a zona mais honesta de Portugal.
No regresso, enquanto percorria aquelas longas rectas de alcatrão que ligam Beja a Évora, Évora a Arraiolos e Arraiolos a Ponte de Sôr, pensei que é assim que quero que a minha vida emocional seja: com rectas longas e sem muitas curvas e contracurvas. Talvez também pelas estradas eu goste tanto do Alentejo... e não só.

10.29.2009

o beijo


túmulo, Praga-República Checa, junho 2009

6.15.2009

se Praga e Dublin fossem mulheres


ponte e cidade ao fundo, Praga-República Checa, junho 2009

Se Praga e Dublin fossem mulheres, acho que gostaria de Praga para um engate numa sexta-feira à noite e de Dublin para namorada. Praga continua bonita e jovial como na última vez que lá fui, há catorze anos, mas a simpatia não grassa por ali. Dublin é uma cidade suja e despenteada mas sempre com um sorriso no fim da cada conversa. Com Praga apetece ter uma noite de sexo intenso e depois partir para lugar incerto enquanto ela ainda está a dormir, com Dublin apetece adormecer e acordar, adormecer e acordar, adormecer e acordar...


temple bar, Dublin-Irlanda, junho 2009

5.19.2009

rota das bétulas







A Rota das Bétulas percorre as terras de São Pedro do Sul, iniciando-se na Fraguinha em direcção ao planalto onde nasce o ribeiro Escuro. Aí vira-se para a pequena povoação do Candal onde se toma o percurso do ribeiro do Paivô, rumo à Póvoa das Leiras onde uma subida acentuada nos desafia a chegar à barragem "A Pioneira".
Parece que alguém verteu ali, sobre a terra negra, esguichos de amarelo e roxo, pintando um gigantesco quadro fauvista. Foi aqui que este fim de semana me ergui qual dom Quixote para lutar contra os gigantes que guardam o silêncio das terras até onde o horizonte se desenha em curvas de mulher. Por fim, derrotado, caí de cansaço e alguém me disse que os gigantes eram apenas moinhos de vento.
O Bioparque, cheio de gente simpática e acolhedora, organiza regularmente batalhas destas que eu quero continuar a travar...

4.14.2009

amo-te hoje



Estas três placas, colocadas sequencialmente em árvores numa rua de Espinho, chamaram-me a atenção e fotografei-as. Amo-te hoje / Mais que ontem / Menos que amanhã. Dois dias depois já não estavam lá. A questão do amor é sempre a mesma: Amo-te hoje / Mais que ontem / Menos que amanhã / Além de amanhã é que já não sei...

3.04.2009

carta de amor

Encontrei esta carta de amor no chão. Percebi que já não escrevo uma carta de amor há mais de vinte anos e fiquei com uma pedrinha na alma. Mesmo assim... é de mim ou, na altura em que eu andava no liceu, o pessoal tinha mais cuidado a escrever cartas de amor? Bem, se o destinatário percebeu tudo o que está ali escrito, dou-lhe os meus parabéns...


[clicar na imagem para ver maior]

Amt mt Issac
Eu amt mt e tu sabes disso, mas não me qero mostrar n vou te mandar mts cartas até descobrires qem sou. Eu sei que mt criança, mas tem que ser. Em cada carta vou te dar uma pista. Nao mostres a ninguem, eu sei toda que fazes. te amo sabias


pista - sou uma amiga tua
Quando soberes quem sou anda ter qomigo.

2.12.2009

só e acompanhado


Lisboa Clube Rio de Janeiro, Lisboa, Fevereiro de 2009

Gosto de estar em sítios em que posso estar só e acompanhado ao mesmo tempo. Só, porque não conheço ninguém e os olhares se trocam entre todos duma forma efémera. Acompanhado pelo mesmo motivo. Aliás, os olhares trocados por desconhecidos não são todos iguais...

9.29.2008

o décimo trabalho do Bagaço... ir ao baño...


Hércules, Corunha, Setembro 2008

Eu não sabia, mas o décimo dos doze trabalhos de Astérix Hércules foi ali para os lados da Corunha, onde passei este fim de semana. Diz a lenda que Hércules libertou aquelas terras do domínio do gigante Gérion após três dias de intensa luta, e que ali mandou construir uma torre e povoar uma grande cidade.
Hércules até pode ter sofrido nessa luta mas eu garanto que sofri muito mais. A quantidade de mulheres bonitas que frequenta aquela noite galega é impressionante. Tive, portanto, uma espécie de décimo trabalho do Bagaço Amarelo quando, num dos muitos bares daquela cidade, vi a provavelmente mais bonita mulher do mundo, passando devagar entre a multidão. Bebi a cerveja que tinha na mão de penalti e pedi um uísque (para ganhar coragem) que também bebi de penalti. Desmarquei-me discretamente do meu grupo de amigos e fui ter com ela. Quando estava quase a perguntar-lhe se lhe podia oferecer uma bebida vi uma mão abraçar-lhe a cintura. Era o namorado dela, que se não era do tamanho de Gérion pouco faltava. A minha aproximação, no entanto fez-se notar, e ambos olharam para mim. Ora bem... tendo em conta que não tenho propriamente a coragem de Hércules, perguntei só: "Sabes dónde está el baño?" e lá fui eu... ao banõ...
De resto, apenas quatro considerações mais sobre a Corunha:

1] A Praça de Portugal é muito maior do que a Praça de Espanha.
2] Os espanhóis, afinal, não estão sempre aos gritos como uns histéricos que meteram LSD. É só quando vêm passar férias a Portugal.
3] A Corunha é uma cidade com alguma coisa do Porto, mas sem os arrumadores de carros completamente enfarinhados e sem cotas a cuspir para o chão de cinco em cinco segundos.
4] A percentagem de mulheres bonitas a sair à noite é muito maior na Corunha que em qualquer cidade portuguesa que eu conheça.

9.07.2008

conversa 938, memória de baleia 6


O meu pé direito e o pé esquerdo da minha filha | São Pedro do Sul | Agosto 2008

Ela - Pai, se nós damos as mãos às vezes, também podemos dar os pés?
Eu - Claro que sim.

1.28.2008

memória de baleia 5



Amor em Lisboa, escultura de Robert Indiana Jones. Fim de semana de 27 e 28 de Janeiro de 2008. Ah! a palavra Jones está ali a mais. A palavra amor não.

12.01.2007

memória de baleia 5


Jane Birkin | Aveiro | teatro Aveirense | 30 Novembro 2007

Jane Birkin vai fazer 62 anos este mês de Dezembro e esteve ontem em Aveiro, no teatro Aveirense. Veste-se como uma menina de doze anos, tem ainda a mesma encantadora voz frágil de "je t'aime moi non plus" e um sorriso do tamanho do mundo, num cocktail que se transforma num charme que nunca mais acaba. Em palco fala mais do Serge Gainsbourg do que dela, como se o amor nunca morresse. E talvez nunca morra...
A fotografia não é a melhor, mas os parolos do teatro Aveirense não deixam fotografar. Mal tirei a primeira, ainda ao Tcheka, veio logo uma gaja chatear-me a cabeça. Depois tive que tirar esta às escondidas.
A propósito, num concerto minimalista, apenas com mais dois músicos em palco, Tcheka aqueceu muito bem uma noite fria. O último cd dele é excelente, mas ao vivo ainda é melhor.

11.24.2007

memória de baleia 4



Estarrejazz 07 | Estarreja | 23 de Novembro de 2007

Liana, vocalista dos Stockkholm Lisboa Project, durante o concerto que deram em Estarreja.
Ó linda rosa, quem te pôs a mão? Anda cá ó rosa, pró meu coração

11.06.2007

memória de baleia 3


Cinanima 2007 | Espinho | Novembro 2007

Cá em cima ninguém nos vê. Somos invisíveis. mas cada reacção, má ou boa, de cada uma daquelas pessoas, quando a voz off fala, quando se acendem ou apagam as luzes, quando cada filme de animação passa, depende de nós. O ambiente de festa passa-nos um bocado ao lado. As pessoas são pontos pequeninos lá em baixo.
Esta semana não posso actualizar este blogue ao ritmo habitual. Só por isso.

11.01.2007

memória de baleia 2



armazéns de sal cadavéricos | Aveiro | 31 de Outubro de 2007

10.14.2007

memória de baleia 01



árvore com raiz milenar e folhagem nova.
almada, 14 de outubro de 2007.