4.24.2015

o Síndrome do Frasco

As mulheres deviam ser proibidas de pedir a um homem que lhes abra um frasco de azeitonas. Ao contrário do que parece, nunca é um pedido inocente. Pelo contrário, é tortura psicológica e humilhação gratuita.
Há três coisas que elas sabem quando fazem tal pedido: que ele não vai recusar, que ele não vai conseguir e, finalmente, que ele se vai sentir envergonhado. É por isso que o fazem. Por isso, e porque assim o reduzem a um mero instrumento doméstico: "Olha, preciso de abrir este frasco e lembrei-me de ti". Acontece-lhes o mesmo com o secador de cabelo, do qual só se lembram depois do banho.
O grande problema de um homem que não consegue abrir um frasco de azeitonas passa, naquele exacto momento, a ser o mesmo de um secador de cabelo avariado. Não serve para nada. No desespero, a humilhação aumenta quando ele se se põe a secar as mãos num pano de cozinha enquanto vai dizendo que as tem húmidas. Ao mesmo tempo, entre risos fininhos, elas vão assumindo uma condescendência cruel, do género "deixa lá, eu vou pedir ao vizinho!"
Homens de todo o mundo, quero dizer com orgulho que ontem recusei o pedido duma mulher para abrir um frasco de azeitonas. Não foi fácil, mas alguém tinha que ser o primeiro. A partir de agora também o podem fazer sem terem que ouvir que os outros nunca se recusam a tal coisa. Libertei-vos para sempre do Síndrome do Frasco.

animais

Existem algumas pessoas, felizmente muitas, que defendem os animais com o argumento que se encerra nos próprios animais, isto é, defendem o direito dos animais porque consideram que eles têm o direito a uma vida digna e com o mínimo possível de sofrimento.
Eu concordo com estas pessoas e com estes argumentos, mas o meu argumento principal em defesa dos animais é diferente, porque tem o próprio Homem por trás. Considero que quando um Homem trata mal um animal perde um pouco de humanidade. Enfim, é uma vergonha para a espécie. Para quem se estiver a perguntar, sim, considero que é o caso dos toureiros e de quem defende a tauromaquia. Para mim não são pessoas, são uma imitação barata de pessoas.
Não estamos aqui a falar apenas de emoções (mas também, claro). Estamos a falar de ciência, ou melhor, neurociência e neuropsicologia. Eu sou um ignorante em ambas porque ambas ultrapassam em muito o empirismo, mas sei o suficiente para perceber que a estrutura nervosa de um gato, de um cão ou de um touro lhe "permite" sofrer física e emocionalmente. Simplificando, eu sei que se der um pontapé num cão, ele vai sofrer pela dor física e também pela dor emocional. A minha resposta é fácil: não dou pontapés em cães.
É a partir daí que defendo os animais para defender o Homem. Custa-me ver um indivíduo da minha espécie descer ao nível mais reles que o mundo possibilita, que é esse de fazer outro ser sofrer em nome de coisa nenhuma. É o caso de todos os toureiros, pelos quais sinto imensa vergonha alheia. Enfim, posso chamar-lhes todos os nomes, menos o de animais, porque os animais são melhores do que eles.

4.23.2015

respostas a perguntas inexistentes (303)

Provas de Amor

As mulheres que precisam constantemente de provas de Amor são umas chatas. As outras, acredito que a grande maioria, são melhores. São aquelas que percebem que o Amor se prova a si mesmo todos os dias, sem testes, sem pressões e sem condicionamentos.
Os homens que tentam provar que Amam uma mulher são uns palermas. Normalmente acabam a fazer pedidos de casamento em estádios de futebol, declarações de Amor em noites de karaoke ou a pagar jantares gourmet  para ficarem na mesma com fome. Digo-o eu, com a experiência própria de quem já fez palermices a mais.
O Amor é um ser vivo. Eu diria até que é como uma pessoa qualquer. A partir do momento que existe, tem a noção da sua existência, e nenhuma pessoa precisa de anunciar ao mundo a sua existência. Por um lado porque o mundo apercebe-se facilmente dela, por outro porque se está nas tintas para isso.
O melhor Amor não se anuncia, vive-se. E a vida prova-se a ela mesma. Às vezes num olhar, outras vezes num simples toque de mãos. Na distância e na presença.
Nunca me peças que te diga que te Amo. O "Amo-te!" como simples resposta não vale coisa nenhuma.

4.22.2015

coisas que fascinam (175)

Da conquista

Não há pior verbo para usar num caso de Amor do que o verbo "conquistar". Quando nos apaixonamos e sentimos que somos correspondidos, temos a mania de acreditar que conquistámos alguém, mas no Amor nunca conquistamos ninguém. O melhor que nos pode acontecer é sermos conquistados.
Ser conquistado é passar a pertencer ao outro sem que o outro nos pertença a nós, porque a pertença no Amor tem sempre que ser voluntária. Impulsiva até, diria eu. E a sério que não há melhor Amor do que aquele em que ambos são conquistados, mas nenhum é conquistador.
Quem acredita que conquistou alguém, então ainda não sabe bem que Amar é um verbo bem maior, apesar de ter menos letras. Ter que conquistar é triste, mas ser conquistado é de uma felicidade extrema.
Quando estamos apaixonados, tudo o queremos é que a outra pessoa nos invada e ocupe como um exército intruso. De preferência, que se instale em nós para sempre. É aí que nos rendemos e nos declaramos conquistados. Estamos bem, foi uma guerra sem armas, e a cama é o melhor sítio para guerrear.

4.21.2015

coisas que fascinam (174)

Dizem que o princípio e o fim são naturais. Quanto ao princípio não sei, mas se o fim é natural, então a Natureza não é natural. Eu não gosto de fins, embora os tenha na minha vida de forma regular. Hoje mesmo, assim como quem não quer a coisa, um amigo perguntou-me há quanto tempo estou com a Raquel (usou mesmo o verbo "estar") e eu contei pelos dedos para lhe responder.

- Quase sete! - disse.
- Tens que contar pelos dedos?!

Claro que tenho que contar pelos dedos. Nunca conto o tempo que passa quando Amo alguém. Por um lado, não gosto que o tempo passe; por outro, não tenho dedos que cheguem para o infinito. O infinito é o meu tempo com a Raquel. É essa a minha Natureza, seja ela natural ou não.
O melhor Amor não é aquele que começa, é aquele que não acaba. A Natureza está cheia de merdas que não me são naturais. O fim do Amor é uma delas, talvez a mais grave.  Por favor, não me perguntem pelo passado do Amor. Perguntem-me pelo futuro, aquele que eu não posso contar pelos dedos.

4.20.2015

conversa 2120

Ela - Então, gostas do meu vestido novo?
Eu - É novo?
Ela - Sim.
Eu - Gosto, é bonito.
Ela - Mas não gostas assim tanto...
Eu - Gosto, gosto.
Ela - Pelo teu tom de voz, não sei se gostas.
Eu - Qual tom de voz?! Se eu disse que gosto é porque gosto. Se não gostasse, dizia que não gostava.
Ela - E se só gostasses mais ou menos?
Eu - Dizia que gostava mais ou menos.
Ela - Os homens são mesmo incompreensíveis.

4.18.2015

conversa 2119

Ela - Qual é o melhor vinho tinto que vendes na tua loja?
Eu - Quatro Caminhos, sem dúvida nenhuma...
Ela - Quanto custa?
Eu - Quase oito euros...
Ela - E qual é o pior?
Eu - Na minha opinião, Porta da Ravessa.
Ela - Quanto custa?
Eu - Menos de dois euros...
Ela - Detesto esta dúvida existencial de fim de semana.
Eu - Qual dúvida?
Ela - Se devo ficar sóbria com um bom vinho ou bêbada com um mau vinho.

4.17.2015

Os nossos governos estão cheios de Jics

Por definição, sou contra os homens que não são contra nada. Existe uma raça de homens no nosso país que chamo de Jics. São aqueles que, surja que tema surgir numa conversa, antes de emitir opinião dizem que não têm nada contra. Querem estar bem com todos, mesmo que todos estejam mal com eles, e em nome desse bem estar abdicam da sua própria afirmação.
Estar bem com todos pode dar jeito no futuro, porque assim ninguém lhes aponta o dedo. A quem não tem opinião, ninguém acusa de a ter ou de ter tido. Por isso, just in case, não são contra nada. É daí que vem a alcunha de Jic.
O grande problema dos Jics é a palavra "mas", que os trai a cada conversa e a cada momento. Eu não tenho nada contra os homossexuais, mas...; eu não tenho nada contra os comunistas, mas...; eu não tenho nada contra as tatuagens, mas...; o "mas" é a palavra que morde pela calada.
"Não ter nada contra, mas..." é uma característica de género e, já agora, também portuguesa. É dos homens portugueses, pronto. É ela o grande denominador comum da nossa querida classe política (aquela que pertence à esfera do poder, pelo menos), contra a qual não tenho nada contra, mas que só faz merda, lá isso é verdade.
Os nossos governos estão cheios de Jics.

4.16.2015

respostas a perguntas inexistentes (302)

As mulheres gostam mais de sexo do que os homens

As mulheres gostam mais de sexo do que os homens. Muito mais, mesmo. Por isso é que o querem menos vezes. É comum os homens pensarem que as mulheres não gostam tanto de sexo assim que ouvem o primeiro "hoje não me apetece" da namorada ou da amante. O que eles não percebem é que para elas o sexo é um prato gourmet, para eles é um hambúrguer num restaurante de fast food.
Pensem num Caril de Peixe com frutas em que juntam Perca, Cherne e Alabote. Refogam tudo em alho e cebola enquanto juntam os temperos:  sal, salsa ou os coentros e o louro. É o sexo das mulheres. Tem sabor, dedicação e oportunidade. Não se come é todos os dias.
Eles conduzem um carro até ao drive in mais próximo e pedem um Big Mac. Sim, todos os dias.
O melhor que pode acontecer a um homem é encontrar uma mulher que o ensine, não só a cozinhar, mas também a comer, para que ele possa conhecer receitas gastronómicas. É quando um homem deixa de ter a mania que é o melhor do mundo na cama que passa a ser alguma coisa de jeito. É também, nesse momento, que ela o acompanha uma vez por outra ao pior restaurante do mundo.