2.29.2008

conversa 599

(ela em cima da balança da minha casa de banho)

Ela - Ai! na tua balança tenho mais dois quilos que na minha.
Eu - É normal. Essa tem uma margem de erro grande, de certeza. Custou-me cinco euros...
Ela - Tens que comprar uma digital.
Eu - Para quê?
Ela - Para quando as tuas amigas vierem à casa de banho não pensarem que estão gordas.
Eu - As minhas amigas, quando vêm à casa de banho, não é para se pesarem.
Ela - Mas tu acreditas que, por exemplo quando fazes jantares, alguma das tuas amigas vem à casa de banho e não se pesa? Nenhuma mulher passa por uma balança, sem mais ninguém a ver, sem se pesar.

conversa 598

Ela - Fazes-me uma massagem aos pés?
Eu - Aos pés?
Ela - Sim. Estou farta de andar por tua causa. É o mínimo que podes fazer para me recompensar.
Eu - Até faço, mas só andámos uns dois quilómetros e não foi bem por minha causa.
Ela - Tu é que queres tomar pequeno-almoço num café.
Eu - E tu é que não quiseste entrar em nenhum café até agora, ou porque tem pouca luz, ou porque o empregado é feio, ou porque não parece limpo, ou porque os quadros da parede são horríveis. Sei lá... eu só quero um galão e uma torrada.

mulheres artistas que não compreendo (18)

Vem hoje em quase toda a imprensa. Este quadro da pintora portuguesa que os ingleses têm a mania de dizer que é inglesa, chamado Uivando, bateu um recorde mundial de venda há dois dias atrás, tendo sido vendido por €740 599 num leilão da Sotheby's em Londres.
Esta série da mulher cão é particularmente violenta, não apenas por causa da carga animalesca da mulher retratada, mas também por causa do ambiente hermético e desamparado que a envolve. As paisagens são sempre surdas e mudas e, embora neste quadro específico a mulher uive, ninguém a ouve.
A mulher cão é uma mulher que, apesar de ainda jovem, já passou pelos testes mais duros da vida e pagou o preço com a sua feminilidade. Transformou-se num cão que vê os dias duma forma agressiva e cuja sobrevivência depende apenas do seu instinto. Aliás, diz a própria pintora que estes quadros foram feitos numa espécie de revolta com o que se passou no referendo para a despenalização do aborto em Portugal (suponho que fala não só do resultado do primeiro referendo mas também da própria discussão sobre o tema).
Paula Rego nasceu em Lisboa, em 1935 e, sobre toda a sua obra, diz também que pinta para dar uma face ao medo. Eu acho que consegue, e é um medo para o qual não se consegue deixar de olhar.

2.28.2008

vinte e um gramas

Hoje lembrei-me dum filme que vi já há uns anos, chamado 21 gramas, e que se baseia num estudo feito na ala dum hospital com doentes terminais, em que um médico reparou que no momento da morte todos os corpos perdiam vinte e um gramas. Esse seria, portanto, o peso da alma.
Embora o estudo careça de rigor científico, gostava de conseguir experimentar fazer o mesmo mas com pessoas apaixonadas, no momento em que se desapaixonam. Será que perdiam vinte e um gramas?
Pronto, foi só um pensamento estúpido dum divorciado, enquanto tomava café sozinho numa pastelaria em Aveiro, e à sua frente tinha uma mulher bonita a comer uma bola de berlim.

conversa 597

(com uma amiga que ia pela primeira vez a minha casa)

Eu - Olha, eu vou devagar e tu vens sempre atrás de mim.
Ela - Não gosto de perseguir carros. Vens tu no meu, pode ser?
Eu - Mas... assim depois tens que me trazer ao carro.
Ela - Não me importo.
Eu - Então podes vir tu no meu, que está num lugar com parquímetro, e trago-te eu depois.
Ela - Não gosto de andar no carro de pessoas que conheço há pouco tempo.

pensamentos catatónicos (126)

Estou numa fase da vida em que não considero salutar haver uma intersecção, por pequenina que seja, entre os verbos 'gostar' e 'possuir'. Sempre que vejo um sinal de que alguém, mesmo que legitimamente, vive nessa intersecção, fujo.
O meu problema é que sei que um dia destes vou deixar de concordar comigo.

insignificâncias

6 insignificâncias minhas, num corrente da sem se ver.

1] Só faço a cama dia sim, dia não.
2] Tomo café sem açúcar.
3] Desinfecto as mãos antes de começar a cozinhar.
4] Não visto camisas. Só uma camisola de manga curta por dentro e, nos dias mais frios, uma camisola de manga comprida por fora.
5] Guaraná é o meu refrigerante preferido.
6] Estou viciado nos croissants da pastelaria em frente à minha casa.

conversa 596

(ao telefone)

Ela - Estás com voz de quem está a acordar agora.
Eu - Bom dia, então.
Ela - Mas já é boa tarde. Não tens vergonha?
Eu - Não.

um sopro no coração

Ontem fui ao médico. Para além de ter que fazer análises à urina e ao sangue, tenho ainda que medir a tensão arterial diariamente e fazer exames ao coração: um ecocardiograma e um electrocardiograma.
Já sei há bastante tempo que tenho um sopro no coração e a válvula mitral com um diâmetro superior ao normal. Mesmo assim, quando ele ontem, logo no início da consulta, me perguntou como anda o coração, apeteceu-me falar-lhe da minha vida emocional. Por isso é que acho sempre piada a exames feitos por máquinas e imagino sempre um relatório final do género:

1) os batimentos sugerem paixão e ansiedade.
2) a válvula mitral indica uma correspondência no amor apenas parcial.
3) as quatro câmaras possuem ainda espaço e regularidade para mais cinco ou seis paixões.

2.27.2008

conversa 595

Ela - Tens um abre-latas igual ao meu. Que giro.
Eu - É normal. Há muitos iguais.
Ela - Sim, mas lembrei-me agora que quando o meu ex-marido comprou esse abre-latas, eu não consegui perceber como é que se utilizava e despejei a minha raiva toda em cima dele. Foi cá uma discussão.
Eu - Quando isso acontece o problema já não é o abre-latas. A própria vida é que já se transformou num problema.
Ela - Pois...
Eu - A mim aconteceu-me mais ou menos o mesmo, quando cheguei com ele a casa. Lembro-me perfeitamente de pensar: "epá! isto está mesmo mal. não vai durar muito".
Ela - De qualquer maneira ainda não sei abrir latas com isso.
Eu - É fácil. Tens que abrir assim e trilhar a lata entre estas duas rodinhas. Depois fechas e é só rodar este manípulo até completares os 360 graus da tampa.
Ela - Deixa lá, não quero saber.
Eu - Não?
Ela (risos) - Dá sempre jeito ter um motivo estúpido para criar uma discussão de vez em quando.
Eu (risos) - Pela parte que me toca, já te ensinei.

conversa 594

Ela - Comprei-te daqueles bombons que gostas muito.
Eu - Fixe!
Ela - Mas comi-os ontem à noite. Estava deprimida.
Eu - Ah!
Ela - Não te preocupes, eu compro mais, mas tem que ser mesmo antes de vir a tua casa, senão como-os.
Eu - Mas estás deprimida porquê?
Ela - Sei lá. Acho que é por ser mulher e ter trinta e cinco anos.
Eu - Eu tenho trinta e seis.
Ela - Mas já tens uma filha.

conversa 593

Ela - Tens uma casa de banho tão limpa.
Eu - Limpei-a ontem. É por isso..
Ela - Não queres vir a minha casa limpar a minha?
Eu - Estás a falar a sério?
Ela - Estou. Não consigo pôr a minha assim por muito que me esforce.
Eu - Não te esforças muito, de certeza.

borghild, a boneca insuflável nazi

Heinrich Himmler, esse mesmo que liderou as SS durante o período áureo nazi, foi o inventor da primeira boneca sexual do mundo. Em 1941, já os soldados alemães tinham ocupado praticamente toda a França e, se não tinham morrido durante a invasão, começavam agora a ter baixas avultadas devido às doenças venéreas causadas pelo contacto com prostitutas. Esta preocupação, aliada ao facto de Hitler não apreciar o contacto sexual dos seus soldados arianos com 'raças inferiores', fez com que Himmler desse início ao projecto mais original de toda a História Nazi: BorgHild, a primeira boneca insuflável do mundo.

Classificado como top secret, Himmler chefiou todo o projecto criativo, com o apoio técnico de Olen Hannussen, um médico dinamarquês, e a produção em série fez-se até à destruição por bombardeamento da sua fábrica. A Borghild, claro, era loira, tinha 176 cm de altura, uma pele macia, seios grandes e olhos azuis. A única diferença entre ela e a mulher ariana sonhada pelos nazis, era que esta cabia nas mochilas de guerra dos soldados.

A sua vida, no entanto, foi curta, já que a fábrica de Dresden onde era produzida foi rapidamente bombardeada pela aviação dos Aliados. Há sites na net que dizem ainda que Himmler teve uma espécie de paixão pela boneca e que, só para ele, requisitou 50. Aliás, a informação que encontrei sobre esta 'mulher' é contraditória, e por isso isto é apenas um pequeno apanhado do que me pareceu mais próximo da verdade. Duma coisa, no entanto, tenho a certeza: ela tinha um perfil interessante.

2.26.2008

contadores e links

O meu contador principal pára de contar quando o site atinge as mil visitas num dia. Esta semana já parou três vezes. Para não o fazer mais tenho que pagar 88 euros por ano e não me apetece. Estava a preparar-me para dar uma prenda ao visitante 150 000 mas já passou e nem dei por isso. Fica para o 200 000, se me lembrar...
A propósito, gosto de retribuir os links que fazem para aqui, não tenho é tempo de andar sempre a 'descobrir' quem os faz. Se têm um blog com um link para aqui e isso for pelo menos um bocadinho importante, basta deixarem-me aqui um comentário com o vosso url.
Eu sei que há quem não ache isso importante. Eu até acho, relativamente claro. Os links são como mãos dadas numa relação, os contadores são como uma crença em que a nossa relação não chega ao fim.

conversa 592

Ela - Sinto-me sozinha, às vezes.
Eu - Sentimos todos. Por isso é que devíamos beber uma garrafinha de vídeo quando eu logo chegar a Aveiro.
Ela - De vídeo?
Eu - De vinho, desculpa.
Ela - Se calhar estavas a pensar em beber um vinho e ver um filme.
Eu - Se calhar.
Ela - Fugiu-te a boca para a verdade.

conversa 591

Ele - Enquanto der, olha... vou-me mantendo assim.
Eu - Não deixo de notar um certo derrotismo na forma com encaras isso, mas pronto.
Ele - Não tenho coragem de chegar a casa de repente e pedir o divórcio. Gosto dela e tenho pena dela.
Eu - Tu é que sabes. Ela a mim não me parece nada burra, antes pelo contrário.
Ele - Sim, burra não é.
Eu - Não sei se precisas de ter pena dela. Nem sei se ter pena é a melhor forma de ajudar uma pessoa de quem gostamos. Acho que não. Nem sequer sabes se ela não está, neste momento, a dizer o mesmo de ti a uma amiga qualquer.
Ele - Não está de certeza.
Eu - Como é podes ter a certeza?
Ele - Ela está a trabalhar.
Eu (risos) - Deita-te cedo!

zedu tem que morrer

Um parêntesis para falar duma música que está a criar celeuma em Angola. Chama-se Zedu tem que morrer, deseja a morte ao José Eduardo dos Santos e tem uma letra que se pode considerar forte. O José Eduardo dos Santos é, de facto, um cancro político e está a mais no mundo, mas a letra também é estúpida porque é racista e contém incongruências históricas.

o Mpla é o partido criado pelos brancos, por isso manipuladamente dos nossos cotas parvos.

Todos os racistas são estúpidos, e só o facto de se afirmar que o mpla é o partido criado pelos brancos é um incentivo a uma espécie de racismo primário, como se o problema dum partido pudesse ser a cor da pele de quem o fundou. Mais ainda, o mpla não foi criado pelos portugueses (se é aí que o cantor quer chegar) mas sim por angolanos, e por isso mesmo é que sempre foi um partido de inspiração soviética, que é como quem diz marxista-leninista. A Unita sim, foi criada mais tarde e, segundo já li algures, com o dedinho da PIDE. Dizer que o mpla foi criado pelos portugueses é tão absurdo como dizer que o PAIGG ou a Frelimo o foram. Todos estes partidos nasceram de movimentos que lutavam legitimamente pela independência dos respectivos países (Angola, Guiné, Cabo Verde e Moçambique) e, porque foram criados por pessoas corajosas, até é uma falta de respeito dizer o contrário. Cada coisa no seu lugar.
De qualquer maneira o mpla lançou um comunicado a responsabilizar todos os que contribuirem na divulgação desta música, numa tentativa de censura com que eu não concordo. Só por isso, mas mesmo só por isso, fica aqui a minha participação na sua divulgação. Podem ouvir e ler a letra aqui.

dez pormenores na manhã normal dum divorciado

1] Lambi a colher com que pus chocolate em pó no leite quente do pequeno almoço.
2] No Montepio fui atendido por uma mulher tão simpática e bonita que, para além de corar que nem um pimento, troquei as palavras todas e desejei-lhe boa noite em vez de bom dia.
3] Desenhei com uma esferográfica, num dos papéis brancos que costumo trazer sempre comigo, um gato a tentar comer o Sol. Dei-o a uma menina de quatro anos de idade que se meteu comigo no café Gato Preto e ela ficou com ele. Sorriu-me.
4] Sentei-me um bocado, sozinho, num muro que dá para a linha do norte e uma criança que ia num intercidades disse-me adeus.
5] Fiz a rotunda das pontes três vezes seguidas porque me esqueci de sair, também três vezes, em direcção ao Rossio.
6] Ouvi o disco todo do Izé no meu leitor de mp3.
7] No café Gato Preto, a senhora que me atendeu desejou-me um bom dia quando eu já estava na porta da saída.
8] Abri o vidro da porta do meu carro para deixar sair uma mosca que batia insistentemente no pára-brisas.
9] Voltei a casa à hora do almoço porque tinha calçado uma meia verde e uma preta. Agora tenho duas verdes.
10] Abri um creme para a pele que a minha ex-mulher me ofereceu há uns seis meses e que nunca tinha usado.

cretcheu

Cretcheu. A noite de ontem não morreu. Vestiu-se da luz da manhã que hoje entrou silenciosamente pelos buracos da persiana do quarto. Cretcheu. O índice ivariano sobe quatro valores e está agora em doze.

conversa 590

Ela - Gosto mais de ti do que tu pensas.
Eu - E porque é que eu penso que tu gostas de mim menos do que realmente gostas ?
Ela -Olha, porque sim...

casar pela segunda vez

Os portugueses não desistem e, mesmo depois duma primeira tentativa falhada, optam normalmente por casar outra vez. Em 2006 houve quase um divórcio por cada dois casamentos realizados e a duração média dum casamento foi de 14,5 anos. [notícia jn]
Apesar do número crescente de divórcios no nosso país, os padrecas católicos continuam a achar que se deve continuar a dificultar o divórcio mais possível, ou seja, as pessoas querem divorciar-se e querem mesmo, mas devem pagar muito e ter muitas dores de cabeça ao fazê-lo. É giro como os padrecas que, supostamente, não sabem o que é um envolvimento a dois e muitos menos uma queca, se atrevem a opinar sobre uma matéria em que são totalmente ignorantes. [notícia jn]

2.25.2008

conversa 589

Ela - Que é isso?
Eu - É um livro de contabilidade.
Ela - Fazes contabilidade?
Eu - Não, sou é administrador do condomínio.
Ela - Estás lixado.
Eu - Eu sei...
Ela - Nenhuma mulher quer ter o que quer que seja com um homem que é administrador de condomínio. São todos uns chatos.
Eu - Não sabia que era por isso que estava lixado.
Ela - Mas é.

o ponto G existe

O ponto G, uma zona altamente erógena situada entre a vagina e a uretra, existe. Pelo menos é o que garante uma equipa de investigadores italianos que conseguiu, através duma ecografia ginecológica, visualizá-lo. A ideia de que o ponto G existe data de 1950, altura em que um ginecologista alemão postulou a sua existência, mas, até hoje, a comunidade científica não o conseguiu provar.
A hipótese de Ernst Gräfenberg (assim se chamava o ginecologista) era apenas apoiada por testemunhos de mulheres que garantiam ter orgasmos vaginais e não na clítoris, mas até hoje a comunidade científica viveu sempre desconfiada da sua veracidade.
Pela parte que me toca acredito que o ponto G existe, e revolta-me o facto dos cientistas acreditarem mais em exames feitos com sondas sonoras do que em gritos e gemidos de mulheres felizes. Não sei muito bem o que é que um cientista que descobre isto pode dizer à mulher quando chega a casa, depois dum dia de trabalho, mas acho que, diga o que disser, vai ter problemas. Estou mesmo a ver:
Ele - Oh Querida! Hoje descobri que o ponto G existe.
Ela - Só agora seu inútil?
Agora fora de brincadeiras, a boa notícia é que os investigadores estão já a pensar em possíveis fármacos que permitam aumentar o ponto G das mulheres que o têm, ou seja, vai ser mais fácil ao homem cumprir o seu papel sexual numa relação. Fica também explicado porque é que as mulheres reagem de forma tão diferente ao sexo oral. É que umas têm ponto G, outras não.

notícia no Público

conversa 588

Ela - O que eu precisava era sentir-me mais desejada. Só isso.
Eu - Por alguém em especial?
Ela - Não. Até podia ser por ti.
Eu - Até?!
Ela - Sim. Da maneira que isto anda...

conversa 587

Ela - Ao contrário do que se diz, o tamanho interessa mesmo.
Eu - Interessa?
Ela - Sim, claro que interessa, mas também não é só por ser grande.
Eu - Então o que é?
Ela - Nem muito grande nem muito pequeno. Há um tamanho médio que é o ideal. Pelo menos para mim.

conversa 586

Eu - É giro. Não me lembro de te ver sem uma garrafa de água atrás.
Ela - Bebo pelo menos um litro e meio de água por dia. Faz bem.
Eu (risos) - Pois, é como eu com cerveja, mas como não estou para andar sempre com uma cerveja atrás de mim, bebo os litros todos no fim de semana.
Ela - Isso faz-te cá um bem.
Eu - Eu sei.... estou a brincar.
Ela - E eu agora vou conseguir emagrecer.
Eu - Com água?
Ela - Sim, como esta água tem fibras, substitui o almoço.
Eu - Isso é que não sei se te faz muito bem.
Ela - Cala-te. Não és mulher, não sabes o que é sofrer por ser gorda.
Eu - Tu não és gorda. És normal.
Ela - Sou gorda, sou.
Eu - Não és gorda, pá. Vê lá se almoças.
Ela - Sou, sou.
Eu - Pronto, está bem. És.
Ela - Estás a ver?

dia feliz

Gosto duma música quando ela me emociona. A maliana Mamani Keita emociona-me sempre, e por isso é que vai ser uma das convidadas do Couscous Prosjekt, hoje à noite no Clandestino bar. Se forem de Aveiro ou arredores vale a pena passarem por lá, nem que seja para tomar um café, beber uma cerveja ou um copo de vinho quente. Se não puderem ouçam-na aqui. Esta música é capaz de transformar uma segunda-feira num dia feliz.

conversa 585

(ao telefone)

Eu - Ah! Atendeste. Olha, são quatro da manhã e já estava preocupado.
Ela - Preocupado comigo?
Eu - Sim, claro.
Ela (irónica) - Que querido que ele está.
Eu - Disseste que vinhas cá dormir hoje. São quatro da manhã e ainda não chegaste. Sei lá, pensei que tivesse acontecido qualquer coisa.
Ela - Eu saí da fábrica às duas. Se não fui aí ter é porque já não vou, não é?
Eu - Estás com a voz chateada. O que é que se passa?
Ela - Eu? Chateada? Nem vale a pena...
Eu - O que é que foi agora? Diz lá...
Ela - Se não sabes ainda é mais grave.
Eu - Mas não sei mesmo... eu não fiz nada.
Ela - Deixa lá.
Eu - Não deixo nada. Só queria que me dissesses directamente o que é que foi desta vez. Já nem estou contigo há mais duma semanas, por isso não sei mesmo.
Ela - Vês? Não és burro nenhum. Estás a chegar lá ainda que devagarinho.
Eu - Mas... a última vez que estive contigo combinámos que dormias cá hoje, não foi? Não combinámos mais nada.
Ela - E não sabes o que é um telefone?
Eu - Sei, estou a telefonar-te agora e tudo.
Ela - E só te lembras de me telefonar quando eu não apareço para dormir contigo, não é?
Eu - Epá... o que é que queres que te diga? Também não me telefonaste, pois não?
Ela - Vai ver às chamadas não atendidas.
Eu - Não vi o teu número nunca.
Ela - Viste o da casa dos meus pais.
Eu - Não sei qual é o da casa dos teus pais... Vi um 234 qualquer, sim, mas sabia lá...
Ela - Acho que é melhor acabar com esta brincadeira duma vez por todas.
Eu - Está bem, acabamos, pronto, mas podemos tomar um café um dia destes?
Ela - Eu trabalho. Não tenho a tua vida.
Eu - Eu também trab...
Ela (desliga)

2.24.2008

coisas que continuam....

1] O hipermercado Continente continua a tentar, sempre que alguém se queixa dum serviço, que essa queixa seja feita de forma interna e não no livro da ASAE. Este fim de semana tive uma chatice lá e, para além de escrever a queixa sobre o serviço (relativa a uma fraude com o cartão Continente), escrevi ainda que me foi dificultado o acesso ao próprio livro.

2] A discoteca Axé Moi continua a ser um sítio onde gosto de ir, mas ontem à noite a música estava demasiado horrível para o meu gosto. O pior, no entanto, nem foi isso. Uns tipos decidiram andar à pancada na casa de banho enquanto eu estava a urinar e, como a casa de banho é pequena, vi-me um bocado aflito para não sujar a parede enquanto levava encontrões. Quando fechei a braguilha virei-me para eles e perguntei se me deixavam só lavar as mãos. Deixaram e, depois de eu sair, continuaram a travar-se de razões. Passado uns minutos os seguranças expulsaram-nos.

3] A minha casa continua a ser um bom sítio para fazer jantares. Ontem fiz pescada com espinafres no forno. Primeiro deixei-a duas horas de molho em creme de cebola, depois reguei-a com leite de coco e polvilhei-a com noz moscada. Cobri-a com espinafres cozidos e levei ao forno. Ficou bom... ficou, ficou. Para sobremesa fiz a minha mousse de chocolate.

4] O Clandestino continua a ser um bom bar para beber um copo. Ontem só lá estive cerca de meia-hora, é verdade, mas foi o suficiente para uma mulher bonita que não conheço me sorrir à entrada, para encontrar uma amiga de Viana do Castelo que já não via há uns meses, e para dizer meia dúzia de palermices felizes a amigos.

5] A desinformação continua nos media. Todos os portugueses sabem que a Luciana Abreu comprou umas mamas por cinco mil euros, mas ninguém sabe, por exemplo, do que consta o Tratado de Lisboa. Ninguém sabe que a gestão dos recursos biológicos do mar vai ser uma competência exclusiva da União Europeia, que o Parlamento Europeu vai deixar de influenciar a política económica do Banco central Europeu e que os estados membros vão ser progressivamente militarizados no âmbito da Nato. Há um referendo aqui, para quem se está nas tintas para as mamas da Luciana Abreu. Eu já assinei.

pensamentos catatónicos (125)

Gosto duma mulher que não gosta de mim. Acho que ela ainda gosta dum amigo meu que eu sei que não gosta dela. Esse amigo meu gosta duma mulher que já me disse que gosta de mim, só que eu não consigo gostar dela porque estou ocupado a gostar duma mulher que não gosta de mim.
Hoje estava a olhar para ela e a ouvir uma música que diz: a mi me gusta la gasolina, e a pensar que para ser feliz provavelmente tenho que sair de Aveiro uns tempos. Nem sequer gosto de gasolina...

2.23.2008

conversa 584

Ela - Se eu me fizesse a ti ias comigo prá cama?
Eu - Se não tivesses namorado?
Ela - Sim.
Eu - Ia. Ia já.
Ela - E com namorado?
Eu - Com namorado não.
Ela - Porquê?
Eu - Porque não.

conversa 583

Ela - Sabes aquela amiga minha que te apresentei há dias?
Eu - Hum....
Ela - Aquela de quem me perguntaste o nome umas quatro vezes na mesma noite.
Eu - Sei.
Ela - É divorciada.
Eu - E estás a dizer-me isso porquê?
Ela - Sei lá. Podias querer avançar e eu acho que, se calhaaaaaaaaar, tinhas hipótese.
Eu (risos) - Nem a conheço.
Ela - Pelo menos é divorciada. Um divorciado fica sempre melhor com uma divorciada do que com uma solteira.
Eu - Onde é que foste buscar essa ideia?
Ela - Já passaram os dois pelo mesmo. Dizem que a segunda relação duma pessoa resulta melhor que a primeira. Neste caso são os dois numa segunda relação.
Eu - E onde é que metes os que já vão no quarto ou quinto casamento?
Ela - No lixo. Esses já não têm solução.
Eu - Além disso, há muita gente solteira que já teve muitas relações. Ser solteiro ou divorciado é só um pormenor técnico.
Ela - Vais-me fazer chá?
Eu - De quê?
Ela - De qualquer coisa. Só para me saíres da frente um bocadinho. Estás-me a enervar.

2.22.2008

respostas a perguntas inexistentes (28)



Está a olhar para o ovo. Não acredita que ele tenha sido a causa da discussão. Ela entrou na cozinha enquanto ele o estrelava, olhou para a frigideira, disse-lhe que achava incrível ele ainda não saber que ela gostava dos ovos mal passados, depois que ia jantar fora. Sozinha, insistiu antes de bater com a porta.
Está a olhar para o ovo. A sua forma é perfeita. Está desenhado para resistir a fortes pressões e para quebrar quando é necessário. Era assim que ele devia ser mas não consegue. Já conseguiu. Agora não. Desliga o fogão e vai jantar fora. Sozinho, pensa enquanto fecha a porta devagar. O problema não está no ovo.

conversa 582

(num hipermercado)

Eu - Eu recuso-me a comprar isto. Desculpa lá. É para mim, eu é que decido.
Ela - Mas é tão giro.
Eu - Mas se estão aqui estes a dois euros porque é que eu vou dar quase trinta por esse?
Ela - Porque é mais giro, e até tem esta parte que fecha e abre.
Eu - Eu não dou trinta euros por um piaçaba. Nem discuto mais isto.

conversa 581

Ela - Apanhaste-me num dia muito mau.
Eu - Porquê?
Ela - Estou toda despenteada e com olheiras.
Eu - Ficas bonita despenteada e com olheiras.
Ela - Então já não é assim tão mau, este dia, mas o que devias mesmo dizer é que nem sequer tenho olheiras.
Eu - Mas se tu é que disseste que tens...
Ela - Para tu dizeres que é mentira, claro.
Eu - Pronto, és bonita despenteada e não tens olheiras.
Ela - Agora não acredito.

conversa 580

Ela - Se o ****** algum dia quisesse voltar para mim, eu aceitava. Não posso mentir-te.
Eu - Pois não, não podes. Até te agradeço a verdade, mas não vou ter uma relação com uma mulher que me diz uma coisa dessas.
Ela - Mas porquê? Não gostas de ficar em segundo?
Eu - Não tem a ver com isso. Isto não é competição. Só não me apetece andar com uma mulher que tem outro gajo na cabeça.
Ela - Mas eu até estou disposta a isso, desde que saibas que se por acaso ele voltasse para mim...
Eu - Mas eu não estou disposto. É o que te estou a dizer.
Ela - Mas ele não volta para mim, podes ter a certeza. Está todo apaixonado lá pela nova namorada.
Eu - Se calhar até já sei porque é que ele te deixou.
Ela - Sabes?
Eu - Sim, disseste-lhe qualquer coisa tipo o que me acabaste de dizer a mim.
Ela - E agora?
Eu - Agora vou dormir que amanhã tenho que me levantar cedo.

2.21.2008

conversa 579

Ela - Nós andávamos mais ou menos juntos. O gajo agora nunca mais me disse nada. Eu, quando estão uma semana sem me telefonar, já sei que estão a sair de fininho.
Eu - E tu, telefonaste-lhe?
Ela - Não. Ele é que devia telefonar.
Eu - Ah!

conversa 578

Ela - Emprestas-me este disco?
Eu - Não empresto discos. Filmes podes levar, discos não.
Ela - Não, porquê?
Eu - Porque não. Se quiseres gravar cá em casa, estás na boa.
Ela - Mas há dias disseste-me que não tinhas aqui um cd porque o tinhas emprestado à tua amiga com quem pões música.
Eu - Sim, a ela empresto.
Ela - Gostas mais dela do que de mim?
Eu - Não é isso, é que ela passa música comigo.
Ela - É, é.
Eu - Não é nada.
ela - É, é.

conversa 577

Ela - Queres vir ver o eclipse lunar para a minha varanda?
Eu - Não.
Ela - Não?
Eu - Não. Até gostava de ir ter contigo mas não para ver o eclipse lunar que é uma seca.
Ela - Não acho.
Eu - Demora muito tempo. Se quiseres faço-te uma simulação em computador para tu veres o eclipse à velocidade que te apetecer no monitor, quando quiseres.
Ela - Oh!
Eu - Estou? Estou?
Eu (só em pensamento) - Desligou.

antes de amar-te

aviso: Este texto é chato como o caraças. Se não estiverem com paciência passem ao próximo. Obrigado.

O Big Bang é uma espécie de teoria do balão para o cosmos. O universo terá emergido dum estado altamente denso e está, por isso, em permanente expansão. A dificuldade de perceber isto, dito assim, pode não ser nenhuma, mas se nos disserem que antes do Big Bang não havia espaço nem tempo a coisa pode, para um empirista como eu, ser mais difícil de aceitar, principalmente porque não tenho formação científica suficiente para ser capaz de me inteirar, na sua plenitude, da Teoria da Relatividade.
Para mim o tempo é só a possibilidade de uma coisa qualquer poder acontecer depois de outra. Mais nada. A primeira vez que consegui, por uns momentos, explorar as minhas capacidades cognitivas ao ponto de perceber a inexistência do tempo, foi com um poema de Pablo Neruda: Antes de Amar-te.

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e pelas coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inseparavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que a tua beleza e a tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Neruda parte do princípio que antes do amor havia qualquer coisa, mas depois consegue reduzir essa coisa, que é ele próprio, a nada. E realmente o tempo precisa da existência de massa e energia. Se eu disser que dois morangos mais dois morangos são quatro morangos, só o são de facto se o tempo o permitir. Desculpem lá, mas a minha ignorância não me permite ir muito mais longe.
Talvez seja mais fácil, no entanto, se nos virmos a nós mesmos como um universo. Antes de nós existirmos o tempo também não existia, pelo menos para nós. Mas como nós somos o universo não existia e pronto.
Se nos virmos a nós nesta perspectiva, podemos até inventar uma teoria do Balão para cada um. Acho que a distância que mantemos dos outros, e até da pessoa de quem supostamente mais gostamos, pode ser vista com um balão que ora é maior ora é menor. Esse balão desenha-se à nossa volta e é o que nos permite uma maior ou menor aproximação aos outros. Às vezes sou um universo que precisa de muito espaço, e que por isso não entra em contacto muito facilmente com mais ninguém. Nem sequer com a senhora que me vende pevides no futebol. Outras vezes preciso de abraços, toques e palavras a todo o momento. É nestes momentos que o tempo parece ter mais razão de ser, apesar do meu espaço ser menor. E pronto, era só isto.

2.20.2008

márcia on the rocks

A Márcia era puta e bebia uísque. Eu era pior, pensava: amava-a e também bebia uísque. Depois disso a noite chegava sempre ao fim como um acidente de automóvel: como se se batesse sempre ao passar a velocidade máxima permitida por lei. A Márcia era puta e era a lei. Eu amava-a e não era nada. Ela era doi2 e eu zer0. Quando fodíamos eu tinha sempre o cuidado de ter o dinheiro trocado para lhe pagar. Não queria ter que lhe dar uma gorjeta por um acto de sexo, e também não queria que ela tivesse que me dar o troco. Ambas as situações tornar-se-iam embaraçosas, e por isso chegava a ir comprar pão à padaria da frente só para ter dinheiro trocado.
Há bocado o vento acariciou-me a face e depois entrou acanhado num bar quase deserto. A carícia lembrou-me Márcia, principalmente quando ficava por cima de mim e os seus cabelos compridos caminhavam levemente sobre o meu peito. Entrei no bar a seguir ao vento e pedi um uísque novo. O vento já bebia uma bebida qualquer colorida e eu sentei-me mesmo ao lado. Queria meter conversa, desabafar um bocado, qualquer merda assim... mas mantive-me calado até agora.
Acho que as pessoas se matam porque se amam. Se zer0 não amasse doi2 não entrava num autocarro para o fazer explodir, não o socava à porta dum bar, não lhe chamava filho da puta num jogo de futebol, não lhe pagava para ter uns míseros minutos de sexo num quarto duma pensão rasca. Tento dar a mão a este pensamento que está prestes a afogar-se no uísque. Preciso salvá-lo e peço ajuda à dona do tasco, solicitando outra bebida igual. Bebo a primeira num só gole e salvo o afogado. São seis euros, diz ela, e pede-me para pagar já porque vai fechar. Eu deixo o dinheiro em cima do balcão. Sempre trocadinho, insiste ela, e pisca-me o olho. Eu amo-a e apetece-me falar desse amor ao vento mas ele já bebeu demais. Márcia foi puta e agora vende uísque. Eu sou pior: amo-a e ainda bebo uísque.

conversa 576

(com duas senhoras que hoje me apareceram em casa de manhã)

Ela1- Vimos falar-lhe da vida eterna.
Eu – Eu ia sair agora...
Ela2 – Acredita na vida eterna?
Eu – Não, não acredito. Ia sair agora... tenho que ir ao banco.
Ela1 – Porque é que acha que envelhecemos e temos doenças?
Eu – O envelhecimento é por causa da falta de capacidade de regeneração celular, no corpo, com a idade. As doenças depende: há doenças de foro psiquiátrico, doenças por bactéria, por vírus... depende. Por falar em doenças psiquiátricas...
Ela1- Sabe que os cientistas não conseguem explicar porque é que de repente o corpo não consegue essa regeneração celular?
Eu – Que cientistas é que não conseguem?
Ela1 – Como?
Eu – Como é que se chamam esses cientistas que não conseguem explicar isso? É que eu conheço cientistas que conseguem.
Ela2 – Ah!
Eu – Tem a ver com a Senescência. De qualquer maneira, se é aí que quer chegar, os cientistas também não conseguem explicar a existência de Deus. Até porque ele não existe.
Ela1- Podemos só deixar-lhe a nossa revista? Gostava que a visse com abertura.
Eu – Para a ler tenho que a abrir. Isso é um facto.
Ela1- Consegue entender a guerra, por exemplo?
Eu – Consigo. É um negócio muito lucrativo. Aliás, os negócios mais lucrativos do mundo são as guerras e as religiões. Eu, pela parte que me toca, não vou contribuir nem para uma nem para outra.
Ela2 – Vive alguém na casa da frente?
Eu – Vive.
Ela2 – Então tenha um bom dia.
Eu – Bom dia.

conversa 575

(no café, enquanto ela se levantava para ir à casa de banho)

Eu - Se vier a empregada peço um café para ti?
Ela - Agora também queres decidir o que eu bebo nos cafés?
Eu - Ui... ok! Vai lá à casa de banho.

(passado cinco minutos)

Ela (para a empregada) - Um café cheio, por favor.
Eu - Afinal querias café.
Ela - Calas-te?
Eu - Calo. Até vou embora. Posso só perguntar se te fiz alguma coisa?
Ela - Não. Vai embora.
Eu (levanto-me, pago e vou embora)

(passado cinco minutos)
Ela (por sms) - Já devias saber quando estou mal disposta. beijinhos.

2.19.2008

conversa 574

Ela - Coitada da tua filha...
Eu - Porquê?
Ela - Fazes-lhe os douradinhos de peixe no micro-ondas...
Eu - É melhor. Assim não uso óleo e há menos gordura.
Ela - Já estás a pensar em gordura na tua filha?
Eu - Estou a pensar em colesterol.
Ela - Os douradinhos assim são intragáveis.
Eu - Já provaste?
Ela - Não. Nem quero.

o salvador dos relacionamentos


Um tipo chamado Radomir Samardzic (na foto), escreveu um livro que está a vender na internet (suporte ebook) por cerca de 28 euros, chamado "the relationship saver", qualquer coisa como "o salvador dos relacionamentos".
Na sua página de internet promete que o livro ensina uma fórmula simples para impedir que qualquer relacionamento chegue ao seu fim.
O livro em é si uma inevitável intrujice, concebida por alguém que devia era ir trabalhar para as obras, e em que o mais tolo não é o escritor mas sim quem o lê, acreditando que os problemas conjugais que tem se resolvem lendo uma espécie de receita culinária.
Pior ainda é a ideia base do livro, em que parece que o mais importante que há para salvar numa relação entre duas pessoas é a própria relação e não as pessoas em si. Eu acho que o mais importante é salvar as pessoas e, para isso, às vezes é mesmo preciso matar a relação. Talvez um dia escreva um livro...

pensamentos catatónicos (124)

Só de a ouvir a actual ministra da educação fico com náuseas. É daquelas mulheres com quem eu nem um café era capaz de tomar.

conversa 573

Ela - Não percebo qual é o teu problema.
Eu - O problema é que não me consigo apaixonar a sério. Nem por ti nem por ninguém.
Ela - Mas deixa-me dizer-te que disfarças bem.
Eu - Às vezes penso que estou mas depois, afinal, não estou.
Ela - Tens que ver que já não tens vinte anos. Se achas que te vais apaixonar por uma mulher que passe por ti na rua, dum momento para o outro, tira o cavalinho da chuva.
Eu - Talvez. Sei lá.
Ela - Devias ligar-te a uma mulher. Às vezes as paixões são crescentes. Se te envolveres pode ser que surja alguma coisa.
Eu - Sim... mas normalmente não surge e depois é um bocado deprimente.
Ela - Se não surgir passas à frente.
Eu - Era bom que as coisas fossem assim tão simples, era.

conversa 572

Ela - Queres sair logo à noite comigo?
Eu - Onde?
Ela - Por mim alugava um filme e ficava em casa. Na tua ou na minha, tanto faz.
Eu - Sim, pode ser. Queres que eu passe no clube de vídeo quando chegar do trabalho?
Ela - Pode ser.
Eu - Que filme queres?
Ela - Isso é importante?

vacas para Guantánamo, já!

Nos Estados Unidos fecharam um matadouro de animais porque as vaquinhas eram maltratadas. É por isso que eu gosto imenso daquele país. Aliás, eu estava capaz de propor a transferência de todas as vacas ainda vivas, com urgência, para a base naval de Guantánamo onde, garantem as autoridades daquele país, não existem este tipo de maus tratos.

2.18.2008

doze palavras

a elisa pede-me doze palavras a sério.

zeitgeist, schmetterling, mulher, relativo, verdade, não, merci, fall, jamais, sempre, cheiro, fogo.

como habitualmente, passo a corrente a quem quiser.

conversa 571

Ela - Quais são os teus maiores fetiches?
Eu - Freiras e dentistas.
Ela - Freiras e dentistas?! Porquê?
Eu - Sei lá. Acho que as freiras é porque também gosto de pinguins. As dentistas é porque com aquela bata e aqueles instrumentos todos de tortura, lembram-me sempre ninfomaníacas.
Ela - Estás a ficar maluco.
Eu - Desculpa, esqueci-me mesmo que és dentista.
Ela - Esqueceste-te, esqueceste-te...
Eu - Esqueci-me. A sério que me esqueci.
Ela - Estou ansiosa por te apanhar na minha cadeira.
Eu - Acho que não apanhas.

conversa 570

(hoje, na sala de espera do centro de Saúde, com uma mulher que não conheço de lado nenhum que já me estava a irritar)

Ela - Quantos anos tem a menina?
Eu - Oito.
Ela (virando-se para a minha filha) - Onde está a mamã?
(A minha filha encolhe os ombros)
Ela - Estás doentinha?
Eu - Não. Nós é que gostamos de vir passear para aqui. Às vezes também vamos para o hospital, mas isso é mais nos fins de semana.

independência

Este blogue reconhece oficialmente a independência do Kosovo, tornando-se assim, logo a seguir à Albânia e aos Estados Unidos da América, a terceira pseudo-democracia a fazê-lo.

2.16.2008

segundas feiras contentes




Mais duas segundas feiras no Clandestino Bar, em Aveiro, já marcadas. São as nossas happy mondays. Para a semana este cartaz já lá estará. Hoje é dia de Contagiarte, no Porto.

conversa 569

Ela - Estás tão bêbado que amanhã nem te vais lembrar das nossas conversas para pores no teu blogue.
Eu - Vou-me lembrar que disseste isso.

2.15.2008

wireless party

As ligações wireless permitem-nos entrar em contacto uns com os outros, sem fios, mesmo estando a quilómetros de distância. Os olhares que trocamos amiúde também são uma espécie de comunicação wireless, assim como os cheiros e as conversas que aniquilam os nossos silêncios cá dentro.
Há pessoas que são muito importantes para mim, e de quem me lembro regularmente mesmo que não esteja fisicamente próximo delas. Acho que até esses pensamentos são uma ligação wireless, porque me permitem entrar em contacto com pessoas que estão longe de mim. Se é uma ligação unilateral ou bilateral depende também daquilo em que acreditamos.
Estava aqui a pensar que, quando ponho música num sítio qualquer, é também isso que acontece com as pessoas que dançam, assim como com as pessoas que costumam vir aqui regularmente. No fundo estou-lhes grato por existirem e me permitirem estabelecer essa comunicação wireless.
Obrigado. Acho que sou uma pessoa com sorte.
Este fim de semana não sei se vou ter muito tempo para vir aqui. Vou tentar, apesar de tudo. Entretanto fiquem com um set do Couscous Prosjekt, na sua vertente mais dançável, com cerca de quarenta minutos de duração. Façam do mundo uma wireless party e sejam felizes. :)

memória de criança

Lembro-me da maior sova que apanhei na minha vida, da minha professora primária e depois, em casa, dos meus pais. Na terceira classe eu tinha um colega que ainda não sabia ler nem escrever e, por isso, no dia da mãe, pediu-me para lhe escrever o tradicional postal para a mãe dele, na parte de trás dum desenho que ele já tinha feito. E eu escrevi:

Mãe, és uma puta e eu odeio-te. O pai é muito melhor que tu.

Ele, que tinha medo de mostrar o que fazia à professora, conseguiu contornar a inspecção do bilhete e entregou-o assim quando chegou a casa. No dia seguinte a mãe dele foi à escola e foi como se eu tivesse descido ao inferno. Epá, eu nem sabia o que era uma puta...

respostas a perguntas inexistentes (27)

Ela pensou várias vezes naquilo de que tinha mais medo: o ponto sem retorno. Achava que numa relação o ponto sem retorno era ter o primeiro filho. Se o tivesse nunca mais poderia afastar-se definitivamente do pai.
No entanto, o que mais lhe fazia confusão, era ter medo de atingir o ponto de retorno com um homem de quem gostava tanto. Talvez o medo fosse mais o de mudar a sua vida totalmente. Talvez... não tinha a certeza.

menina Bia Lulucha

E porque este fim de semana há couscous prosjekt no Porto, mais concretamente no Contagiarte e no sábado à noite (a partir da meia noite e pouco na cave), ouçam esta pequena pérola dos La Mc Malcriado com a Cesária Évora. Com certeza que também passarão por lá.

conversa 568

Ela - Comprei uma coisa na TvShop e aquilo não é nada do que estava anunciado.
Eu (risos)
Ela - Os tipos diziam que aquilo secava a roupa e passava-a a ferro mas não faz nada disso.
Eu (risos)
Ela - A roupa nem sequer cabe lá dentro e nem sequer fica seca.
Eu (risos)
Ela - E agora não me devolvem o dinheiro...
Eu (risos)
Ela - É um Air O Dry...
Eu (risos)
Ela - Queres parar de te rir?

conversa 567

Eu - Tenho que ir pôr gasolina.
Ela - Porquê?
Eu - Porque o carro só anda com gasolina e já está na reserva.
Ela - Combinaste sair comigo ontem. Não podias ter posto gasolina antes de me ir buscar?
Eu - Podia mas não pus.
Ela - Às vezes pareces o meu ex-marido.

2.14.2008

conversa 566

Ela - Esta noite sonhei contigo.
Eu - Ena, que fixe. Conta.
Ela - Foi mais um pesadelo, para ser sincera.

conversa 565

Ele - Vais dar alguma coisa à tua ex-mulher?
Eu - Dar alguma coisa... como?
Ele - hoje, por ser o dia dos namorados.
Eu - Não, claro que não. É o dia dos namorados e não do ex-namorados.
Ele - Eu vou dar à minha qualquer coisa...
Eu - A sério?!
Ele - Sim, pensei em vender a minha aliança, que já não serve para nada, e comprar-lhe qualquer coisa com o dinheiro, e dizer-lhe mesmo que foi com o dinheiro da aliança que comprei o presente.
Eu - Para quê?
Ele - Para ela perceber que está mesmo tudo acabado entre nós.
Eu - Não foi ela que tomou a iniciativa de acabar com o vosso casamento?
Ele - Sim.
Eu - Não é ela que já está casada com outro tipo?
Ele - Sim, mas...
Eu - Acho que ela já percebeu que está mesmo tudo acabado entre vocês. Tu é que não. Vende a aliança e compra uma garrafa de uísque.
Ele - Eu não bebo uísque.
Eu - Ainda melhor. Passo em tua casa esta noite e bebo-a eu.

dia dos namorados

video

Sou um homem que sabe ver o lado positivo da vida. A sério que sim. Hoje, por exemplo, em vez de pensar que a minha vida emocional e sexual é um desastre, que estou com os tostões contados até ao fim do mês, que a minha última namorada anda agora com o porteiro duma discoteca que se chama Starlight, que a minha melhor perspectiva de futuro é emigrar para Burkina Fasso e nunca mais regressar à civilização, não. Prefiro ver as coisas pelo lado positivo e penso na vantagem que é não ter que comprar uma prenda a ninguém neste dia.
Hoje poupei à vontade 19,99 €, que é o preço do cd que eu ofereceria à minha namorada se ela existisse. Um amigo meu chinês tem mais ou menos a mesma forma de pensar, e até me mandou um vídeo com uma música que fez dedicada a este dia maravilhoso. Claro que, tirando o facto dele saber ver o lado bom da vida e também ser constantemente pontapeado por mulheres (num sentido metafórico, claro), a vida dele não tem nada a ver com a minha. Eu nunca faria esta letra para uma canção. A sério que não... juro. Pois... não fazia, não. A sério... chuif... a sério. Juro...
Já agora, "não compreendo as mulheres" em mandarim é mais ou menos assim: 我不理解女人.

2.13.2008

conversa 564

Ela - Eu preciso dum namorado que saiba muito de informática.
Eu (risos) - É só disso que precisas?
Ela - Bem, não é só isso.
Eu - Bem me parecia.
Ela - Mas como ainda não tenho carro, para já chega.

será que os aveirenses são tansos?

A Câmara Municipal de Aveiro transferiu para a EMA (Empresa Municipal de Aveiro) cento e cinquenta mil euros, que foram imediatamente transferidos para o futebol profissional do SC Beira-Mar, mais concretamente para pagar o despedimento do último treinador (que levou cerca de oitenta mil euros) e salários de jogadores. Esta estratégia permitiu à câmara contornar a lei que impede o financiamento público do desporto profissional. O vereador aveirense Caetano Alves é também presidente-adjunto do clube, numa relação promiscua que só os tansos é que não vêem.
Ao mesmo tempo a MoveAveiro, empresa também municipal, tem salários em atraso de trabalhadores que precisam mesmo do dinheiro para viver (comer, pagar contas e essas coisas normais).
Sou do Beira-Mar mas não sou tanso. Não votei nesta câmara PSD-CDS/PP e também não vou pagar mais quotas enquanto esta direcção estiver no clube. Se quiserem expulsem-me. O Beira-Mar envergonha-me enquanto beiramarense, a Câmara envergonha-me enquanto aveirense. Será que os aveirenses são tansos? o futuro o dirá...

conversa 563

Ela - Mas agora diz-me qual é a tua definição de amor.
Eu - Sei lá...
Ela - Tenta.
Eu - O amor é uma estratégia de sobrevivência da espécie.
Ela - Porquê?
Eu - Se não houvesse amor não tínhamos filhos. Se não tivéssemos filhos a espécie não sobrevivia.
Ela - Que bonito. Então, se ainda te vieres a apaixonar por uma mulher, vais querer ter filhos.
Eu - Eu não disse isso.
Ela - Disseste sim.
Eu - Não disse.
Ela - Disseste.
Eu - Não disse.
Ela - Disseste.
Eu - Não disse.
Ela - Disseste.
Eu - Pronto, está bem, disse. Também não me vou apaixonar por ti de certeza.
Ela - O que é que disseste?
Eu - Nada, nada...

conversa 562

Ela (enquanto olhava para as lombadas dos meus cds) – Não sei o que se passa. Actualmente só ouço músicas de amor.
Eu – O que é uma música de amor?
Ela – Não te armes em homem. Sabes muito bem.
Eu – Não sei não. Explica-me, por favor, como se eu fosse muito estúpido.
Ela – Isso é o que eu tenho que fazer sempre. Já estou habituada.
Eu – Então podes fazê-lo mais uma vez...
Ela – Opá... é uma música em que alguém fala do amor que tem por outra pessoa, por exemplo.
Eu – Ah, ok...
Ela – Que cara de gozo é essa?
Eu – Ia fazer-te uma declaração de amor que gosto muito... lembrei-me agora por falares em canções de amor... lembrei-me duma.
Ela – Diz...
Eu – Como o macaco gosta de banana eu gosto de ti.
Ela – Vai-te lixar.
Eu – Então... é uma canção de amor.

2.12.2008

a primeira impressão...

Tipo de pensamentos que posso ter quando conheço uma mulher pela primeira vez. Estou a falar da primeira impressão, e a primeira impressão é quase sempre errada. De qualquer maneira acho que, como nasci para errar no que se refere a mulheres, não faz mal.

1] Esta mulher é queridota. Gostava de jantar com ela, ir com ela ao cinema, sentar-me num sofá com ela a ver um filme estúpido, ir prá cama com ela de vez em quando.
2] Esta mulher é boa. Gostava de ir prá cama com ela uma vez.
3] Esta mulher, se não é do partido Popular anda lá perto. Que totó do caraças. Vou-lhe dizer que estou com pressa e bazar.
4] Esta mulher é interessante. Gostava de ir tomar um café com ela e depois logo se vê.
5] Esta mulher é uma incógnita total. Gostava de a encontrar de novo, por acaso, e também por acaso ir jantar com ela.
6] Esta mulher é mulher demais pra mim.
7] Esta mulher é mulher de menos pra mim.
8] Esta mulher nunca na vida vai gostar de mim. Não posso gostar dela.
9] Esta mulher tem umas botas com um salto de pelo menos vinte e cinco centímetros. Deixa-me fugir.
10] Esta mulher tem cara de quem já esteve apaixonada pelo Pedro Abrunhosa. Deixa-me fugir.
11] Esta mulher, ui. Se encostasse agora a cabeça ao meu ombro, amanhã casava-me.
12] Esta mulher é a Mayra Andrade. Está a faltar-me o ar.
13] Esta mulher já falou mais em dois minutos do que eu em dois dias. Hum... hum... mas é gira, pá. E agora? Hum... vou dizer coisas que a chateiem.
14] Esta mulher parece a minha paixão do liceu, por quem cheguei a andar a pé mais de dez quilómetros, e que depois me convidou para o casamento dela com o meu maior inimigo da adolescência. Preciso dum copo, preciso dum copo...
15] Esta mulher é mesmo bonita mas já olhou pra mim de lado duas vezes só porque pus o dedo no nariz. Não há hipótese.

pensamentos catatónicos (123)

Hoje, no centro nevrálgico da cidade de Aveiro, uma turista loira com a minha altura, perguntou-me onde é que se podia dormir barato na cidade. Perguntei-lhe o que é que ela considerava barato. Respondeu-me que até uns 50 ou 60 euros. Sorri e disse-lhe para ir a qualquer hotel da baixa.

pensamentos catatónicos (122)

És um egoísta. Deixa-me. <sms via uzo.pt>
Recebi este sms. O pior é que quem o escreveu nem sequer o mandou pelo telefone. Foi à internet e enviou-o através dum serviço gratuito de mensagens. Acho que se pode dizer que isto é bater no fundo. São três da tarde mas vou beber um uísque.

conversa 561

(ao telefone)

Ela - Preciso falar.
Eu - Mas... o que é que se passa? Estás bem?
Ela - Preciso falar.
Eu - Ok, mas diz-me o que se passa. Estás a assustar-me.
Ela - Não estou bem. Preciso de falar com alguém urgentemente.
Eu - Passo aí depois de deixar a minha filha na escola. Estás em casa?
Ela - Não. Estou no trabalho.
Eu - Mas eu não sei onde é o teu trabalho...
Ela - Pode ser pelo telefone...
Eu - Então diz-me o que se passa.
Ela - Estou triste. Como é que hei-de dizer?! Já foste para a cama com alguém que depois nem sequer fala contigo? Nem sequer te atende o telefone? Simplesmente evita-te a todo o custo?...
Eu - Hum... já, por acaso já. Contigo.
Ela - Comigo?
Eu - Sim, não te lembras. Só voltámos a falar quase meio ano depois.
Ela - Ah! sim... mas foi diferente.
Eu - Diferente porquê?
Ela - Porque sim... deixa lá. Olha, tenho que desligar.

conversa 560

Ela - Pai, eu queria mesmo um leitor de mp3.
Eu - Para quê?
Ela - Para ouvir música.
Eu - Posso comprar-te um mas, primeiro: não o podes levar para a escola, segundo: não podes ouvir música muito alto, terceiro: não podes ouvir muito tempo seguido.
Ela - Porquê?
Eu - Olha filha, nós temos dentro dos ouvidos uns pêlos que vibram quando recebem som e são eles que te permitem ouvir. Quando ouves música muito alto com auscultadores estás a destruir esses pêlos e podes ficar surda. Além disso, não quero que a minha filha fique alucinada por estar sempre a ouvir música quando devia era estar a brincar com os amigos.
Ela - Tu tens um leitor de mp3 que estás sempre a ouvir e não és surdo nem alucinado.

conversa 559

Ela - Oh pai, quinta-feira é o dia dos namorados e tu não tens namorada, pois não?
Eu - Não filha, mas isso não faz mal nenhum.
Ela - Pois, não te importes. Eu cá não gosto nada de ver corações nas montras todas. Além disso, também não tenho namorado.

respostas a perguntas inexistentes (26)



Na grande mesa da sala havia chá, bolachas e bolo de chocolate. Perante a séria insistência dos familiares, que não percebiam nem aceitavam bem o divórcio de ambos e, por isso, se tinham reunido de emergência para analisar a situação, Ele e Ela aceitaram responder ao porquê que pairava no ar. Separamo-nos porque gostamos um do outro, disseram, e como os nossos abraços perderam o calor, os nossos beijos perderam o sabor e as nossas conversas se silenciaram, só nos resta deixar o outro ser um bocadinho mais feliz.
As bolachas e o bolo de chocolate acabaram. O chá também. Todos se lembram que na televisão estava a dar um jogo de futebol entre duas equipas estrangeiras.

2.11.2008

conversa 558

Ela - Posso fazer-te um teste de personalidade?
Eu - Poder até podes...
Ela - Imagina-te em casa. Ao mesmo tempo o teu bebé começa a chorar, o telefone começa a tocar, ouves alguém a bater à porta, tens a torneira da cozinha aberta e a gastar água e, olhando pela janela, apercebes-te que começou a chover e tens a roupa a secar. Por que ordem é que resolves as coisas?
Eu - Depende do tipo do choro do bebé, da quantidade de água que está a sair pela torneira, se tenho empregada ou não para no dia seguinte resolver o problema da roupa, se o toque do telefone é ou não irritante e se estou ou não à espera de alguém. Só com esses elementos não consigo responder.
Ela - Oh! Sabes que és um chato?

mais ou menos feliz, mais ou menos triste

Estou a meio da tarde duma segunda-feira. Mais ou menos feliz, mais ou menos triste.
A parte feliz disse-me para regar a minha planta com sumo de laranja, tomar um café naquele sítio onde a empregada me dá as mãos quando me cumprimenta e sorri, cortar o cabelo e fazer a barba, ouvir um disco caboverdiano qualquer e ir passear à maior livraria da cidade.
A parte triste disse-me para não regar a planta, fazer um café em casa, pôr água no meu cabelo comprido para ele não andar pelo ar, ouvir rádio e fazer desenhos.
Para já vou cortar o cabelo.

xadrez 14

conversa 557

Ele - Não percebes nada de gajas, tu.
Eu - Pois, percebes tu.
Ele - Até a Christina Ricci achas gira.
Eu - A Christina Ricci é gira.
Ele - É feia como um penedo.
Eu - Foda-se! Então fica tu com o penedo que eu fico com a Christina Ricci.
Ele- Preferia.
Eu - Acredito. És um calhau. Estás bem para um penedo.
Ele - Acaba é o vinho que eu vou abrir outra.
Eu - Abre a de branco, Quinta de Cabriz.
Ele (já na cozinha) - Ok, onde é que está?
Eu - No frigorífico, claro. É de branco, tem que estar no frigorífico.
Ele - Sabia lá.
Eu - Não percebes nada de gajas nem de vinho.
Ele - A Christina Ricci é horrível.
Eu - É gira.
Ele - É feia. Onde é que está o saca-rolhas?
Eu - É gira. Está aqui na sala, pá.
Ele - A Christina Ricci está aí na sala?
Eu - Não, o saca-rolhas é que está aqui na sala.

conversa 556

Ela – Não te sentes só a viver sozinho há tanto tempo?
Eu – Não. Esse é um dos problemas.
Ela – Problemas?
Eu – Sim. No princípio, quando te divorcias, sentes-te a pessoa mais solitária do mundo nem que estejas todos os dias com amigos. Depois, quando resolves as coisas e te habituas, já não queres mais nada.
Ela – Mas não queres arranjar uma namorada, é?
Eu – Não é bem não querer. É não me sentir disponível para ter uma namorada neste momento porque me sinto muito bem como estou, percebes?
Ela – Isso muda dum dia para o outro.
Eu – Não sei se muda. A experiência diz-me que sou capaz de gostar de mulheres mas não sou capaz de assumir uma relação. Se calhar tenho uma frigidez emocional qualquer.
Ela – Tu? Não acredito nisso. Dum dia para o outro apareces aí com uma mulher daquelas que te faz não pensar em mais nada.
Eu – Não acredito.
Ela (risos) – Até podíamos fazer uma aposta.
Eu – Uma aposta?
Ela – Sim, se arranjares uma namorada durante 2008 tens que a esquecer um fim de semana e vamos os dois para Salamanca.
Eu – Mas... fazer o mesmo como quando nos conhecemos?
Ela – Claro.
Eu – Mas se eu arranjar uma namorada dessas não vou ter disponibilidade para ter sexo contigo.
Ela – Tomas Viagra se for preciso.
Eu – Viagra não. Tenho medo disso.
Ela – Apostas ou não?
Eu – E se eu não arranjar a tal namorada o que é que tu fazes?
Ela – Esqueço eu o meu namorado durante um fim de semana e vou eu contigo para Salamanca.
Eu – Com esse tipo de apostas não chegas ao fim do ano com namorado.
Ela – Não chego é às férias.
Eu – Pronto, está apostado.
Ela – Apostadíssimo.
Eu - Mas uma coisa: não foste tu que andaste aí a espalhar que eu sou mau na cama?
Ela - Fui... mas já tenho saudades na mesma, e também... é só uma vez.

2.10.2008

a Micas

Maria da Conceição de Melo Rita, mais conhecida por Micas, residiu na residência do Toninho (Salazar para uns, senhor doutor para ela) desde os seis anos de idade até casar. Mesmo depois do casamento continuou a privar com ele até à sua morte. Foi por isso, muito provavelmente, a melhor testemunha do que foi a vida do Presidente do Conselho durante praticamente toda a segunda República de Portugal.

A Micas é por isso uma mulher com um papel na História, e o livro que escreveu sobre as suas memórias com o Toninho, Os Meus 35 anos com Salazar, é revelador daquilo em que Portugal se tornou durante o Estado Novo: um estado velho e caduco.

Acredito que a Micas tenha tanto de boa pessoa como de ingenuidade, acredito até que durante a sua infância e adolescência não tenha havido disponibilidade para perceber que, aquele a que chama o seu pai adoptivo, era responsável por um campo de concentração em Cabo Verde (o tarrafal) onde morreram lentamente muitos inocentes, por uma polícia política que torturava e matava todos os que discordavam de si, e por uma guerra em África injusta para com todos (os povos africanos que legitimamente ansiavam pela independência e os militares que eram obrigados a ir para uma guerra que, na sua maioria, não percebiam nem aceitavam).

A verdade é que Portugal ainda não saiu da pequenez em que mergulhou durante o Estado novo e, mesmo hoje, a noção que tem de progresso extingue-se num país em que o mais importante é fazer chegar a uma aldeiazita qualquer, um número indeterminado de auto-estradas, com saídas do tipo Merdaleja Oeste, Merdaleja Norte e Merdaleja Sul, que ao fim e ao cabo vão dar ao mesmo sítio, e em que a logística para a educação e para a saúde não interessam mesmo nada se houver um estádio de futebol que dê para levar trinta ou quarenta mil pessoas.

A Micas fala da pequenez do Toninho para mostrar como ele era bom, sem se aperceber que, por trás dessa bondade do senhor doutor, está todo o obscurantismo que permite ainda hoje termos no governo pseudoengenheiros que assinam projectos de obras que não são seus, e que o país ache isso normal.

Para a Micas, o senhor doutor era bom porque deixava a governanta criar galinhas nas traseiras do Palácio de São Bento; porque lhe permitia um rancho melhorado num colégio onde todas as alunas passavam fome, mesmo que não pudesse partilhar com ninguém; ou porque ia metendo cunhas para todos os seus amigos e familiares arranjarem empregos melhores. Aliás, gosto especialmente da passagem: em questões de emprego, o chefe do governo não deixava cair os seus próximos. O meu irmão José abandonaria o cargo de porteiro no Palácio de São Bento para ser gradualmente promovido, até chegar a administrador do hospital Miguel Bombarda. Pois é...

conversa 555

Ela - Eu não sou uma qualquer. Sou artista plástica.
Eu - Fazes coisas em plástico?

2.09.2008

conversa 554

(com ela a ver o seu email no meu computador pessoal)

Ela - Ei, tu bloqueaste-me no messenger!
Eu - Se calhar bloqueei.
Ela - Porquê?
Eu - Quando estou a falar com duas ou três pessoas bloqueio as outras. Duas ou três ao mesmo tempo já me custa.
Ela - Basta dizeres que não queres ou não podes falar. É mais honesto.
Eu - E se não me apetecer estar sempre a dizer às pessoas que agora
não posso porque já estou a falar com nem sei quem?
Ela - És mas é um gajo sem carácter.
Eu - Sem carácter é tu pedires-me para veres o email no meu computador e ires cuscar no meu messenger.
Ela - Estava mesmo aqui. Foi só ligar. Quase que foi sem querer. É um vício, percebes?
Eu - Não, não percebo.

num beijo simples...

video
A Hipatia lançou um desafio interessante a todos os interessados: colocar online a melhor cena de sexo alguma vez feita em cinema. Esta talvez não seja verdadeiramente uma cena de sexo, talvez até nem seja a melhor. No entanto é aquela de que nunca me esqueci, e já lá vão mais de dez anos. Acho que nem preciso de explicar porquê. Jeremy Irons e Dominique Swain num beijo simples, na versão cinematográfica de 1997 de Lolita.

muletas

Hoje estacionei o automóvel perto da estação de comboios de Aveiro. Estava bem disposto e a ouvir uma música sobre o fundador do PAIGC, Amílcar Cabral, que gosto muito. Uma senhora, apoiada em duas muletas, estendeu-me a mão mal abri a porta do veículo. Nem tinha reparado nela porque normalmente ouço música muito alto. Verifiquei se tinha algumas moedas e dei-lhe a única que tinha: cinquenta cêntimos.
Entretanto olhei para o relógio e percebi que faltava um minuto para o comboio partir. Tinha ainda que percorrer uns trezentos ou quatrocentos metros até à linha 3. Enquanto ela resmungava por eu não lhe dar mais dinheiro, disse-lhe que estava com pressa para apanhar o comboio. É pró Porto? Perguntou ela. Sim, respondi eu. A mulher pôs as muletas debaixo do braço e correu comigo. Na verdade correu quase tão depressa como eu e ainda apanhou a mesma composição. Saiu em Esmoriz...

assim vai este país...

O google compreende toda a gente. Estas são algumas buscas que vieram aqui dar nos últimos dias, o que me leva a acreditar que, de facto, a internet já chegou a todos os lares portugueses.

2 mulheres e um copo de bosta
só uma pergunta: para que é o copo de bosta?

as mulheres mais sexes
eu acho que a mais sexe de todas é a ninfa artemis.

epa um dois três um passito prá traz musica
gostei do traz mas eu, infelizmente, não trago nada comigo a não ser um leitor de mp3

eu queria saber a diferença entre o canario macho e a femea
só o macho é que canta. as fêmeas não... é mais ou menos como no casal ninfa artemis e zé cabra

floribela como correu a cirurgia plastica
a cirurgia correu bem mas acredito que, a partir de agora, lhe custe um bocadinho mais a correr.

garotas novas asima do pesso peladas
os ena pá 2000 têm uma música que é assim: pra sima, pra baixo, ao som do contrabaixo

mulher bebendo leite dela
com os recentes aumentos no preço do leite, o leite meio gordo desapareceu das lojas porque os fornecedores estão à espera de o vender mais caro. se calhar esta mulher não comprou a tempo...

não sei o que se passa entre nós
é fácil: desinteresse dum pelo outro. já vi esse filme várias vezes.

2.08.2008

conversa 553

Ela - Tu não és um qualquer. És assim o homem que eu mais... só que agora... é que eu estou nuns dias... mas não penses que... por exemplo, talvez. O que se passa é que estou numa fase... tenho dois filhos. Há muito tempo que eu... não sei. Acho que tenho que parar... que pensar.
Eu - Queres um copo de leite?
Ela - Sim.
Eu - Vá, não sofras.

pensamentos catatónicos (121)

É de manhã e o sol penetra pelos buracos da persiana. É primeira vez que acordamos com esta mulher na cama que, por causa das intensas horas de sexo, ainda dorme. Qual é a pior coisa que podemos descobrir nesse momento? Pois... que o nosso vizinho de quinze anos comprou uma bateria e está a começar mais um ensaio. Fosca-se!

conversa 552

Ela - Não te cases. A sério. As mulheres são mesmo más quando querem ser.
Eu - Tu és mulher. És má?
Ela - Não. Não é isso... quando quero ser até sou. E já o fui na minha vida várias vezes.
Eu - Não estou com ideias de casar, de facto, mas não é por isso. E olha, ser mau não é uma opção exclusiva das mulheres. Tu sabes isso, não sabes?
Ela - Pois.

desafios (10+6=16)

A Carla desafiou-me a nomear 10 blogues que façam o meu dia e o htsousa desafiou-me a admitir 6 coisas que adoro.

10 blogues (não sou frequentador diário de nenhum blogue, por falta de tempo, e costumo visitar irregularmente todos os que constam da coluna do lado direito. estes são os primeiros dez que me vieram à cabeça): farinha amparo, a ilusão da visão, red on white, cabeça vs coração, ciência ao natural, não há mal que não se cure, meditassões do jakim, la marée haute, café margoso, raízes e antenas.

6 coisas que adoro: a Mayra Andrade, arroz de polvo em tomatada, os quadros do Edward hooper, vermute com limão e gelo, os livros do Henry Miller, a série do Conan (o rapaz do futuro).

2.07.2008

pensamentos catatónicos (120)

É triste quando duas pessoas chegam simultaneamente a duas conclusões: primeira: que gostam muito uma da outra, segunda: que não se podem aturar uma à outra.

mulheres artistas que não compreendo (17)


Tracey Moffatt

Fotógrafa e realizadora de cinema australiana, de origem aborígene, considera-se "apenas" uma fazedora de imagens. É que apesar de utilizar tecnologias imediatas no seu trabalho, como máquinas fotográficas ou de filmar, tudo o que faz é conceptual. Ao mesmo tempo que se encontra uma temática realista nas suas imagens, retratando essencialmente as dificuldades da vida dos aborígenes, percebe-se uma estética universal. É isso que mais gosto nela.

conversa 551

Ela - Tens acetona cá em casa?
Eu - Não.
Ela - Não posso ir comer fora contigo se não tiveres acetona.
Eu - Porquê?
Ela - Já viste as minhas unhas?
Eu - Já. Estão vermelhas.
Ela - Estão mal pintadas de vermelho, que é diferente. Preciso de acetona para as limpar.
Eu - E não vamos jantar fora por causa disso?
Ela - Eu não vou a nenhum restaurante neste estado.
Eu - Então vamos só ao Ramona comer um hambúrguer. Lá ninguém liga nada a essas merdas.
Ela - Começas por me convidar para ir a um restaurante bom e acabas por me querer levar ao Ramona comer um hambúrguer. Às vezes és uma desilusão.
Eu - Não percebo nada. Tu é que não queres ir ao restaurante. Não sou eu.
Ela - Mas isso é porque não tens acetona.
Eu - Não tenho acetona porque não pinto as unhas nem fabrico explosivos. É normal que eu não tenha acetona. Agora o que é que fazemos?
Ela - Já estás zangado.
Eu - Não estou zangado. Estou confuso. Decide tu o que fazer que eu estou-me nas tintas.
Ela - Se tivesses acetona nada disto acontecia.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

coisas que fascinam (66)

Ela disse-me que queria estar comigo mais vezes.

acrobata vaginal

Chama-se Sónia Baby. Para além de ter um nome interessante, vai tirar pela própria vagina uma corda de noventa metros com bandeirinhas e tudo. Acredito que uma vagina que expele uma corda de noventa metros não seja a vagina sexualmente mais apetecível do mundo, mas pelo menos, pela mesma vagina, também sabe pintar, desenhar, expelir água e lâminas e até dar autógrafos.
Nunca fui um adepto da pornografia. Não por causa de nenhum valor moral em especial mas sim porque acho a pornografia normalmente desinteressante. Não sei... neste fim de semana, se não trabalhasse, preferia ficar em casa a ouvir música e ler um livro do que ir ver uma miúda a tirar uma corda de noventa metros pela vagina. Mas isso sou eu...

2.06.2008

conversa 550

Ela - Estou a mudar a minha sala toda. Espero que te agrade.
Eu (risos) - Sempre que vou a tua casa mudaste alguma coisa. Não me surpreende.
Ela - Pus o sofá grande ali e a televisão ali...
Eu - Pois, mas assim pelo telefone não consigo ver.

dez coisas para melhorar a relação com elas

Hoje de manhã, enquanto esperava uma amiga que chegou quarenta e dois minutos atrasada a um cafezinho numa pastelaria, fiz uma lista das coisas que acho que tenho que mudar para ter maior sucesso junto das mulheres. A primeira que escrevi foi precisamente evitar esta obsessão de contar o tempo ao segundo e, em vez de dizer que ela chegou quarenta e dois minutos atrasada, passar a dizer calmamente "cerca de meia hora". Depois risquei, depois tornei a escrever, depois tornei a riscar. Ficou riscada, portanto.

1] Não contar o tempo ao segundo como se fosse um obsessivo compulsivo. Nem quando estou à espera dum encontro nem quando ela se atrasa.

2] Não ir a jantares com demasiada cera nos ouvidos que depois cai para cima da comida.

3] Não olhar fixamente, durante mais de oito segundos seguidos, para o decote dela.

4] Não tirar macacos do nariz.

5] Não ir à casa de banho durante um jantar para depois, no regresso, não encontrar um amigo dela sentado na nossa cadeira e que, quando nos vê, nos cumprimenta de soslaio sem sair do sítio e continua a falar eternamente. Ainda por cima quando um gajo lhe diz: "estás na minha cadeira" não consegue deixar de mostrar que a vontade é esganá-lo e ela repara nisso.

6] Ter sempre calma nas discussões.

7] Se fizer a barba antes dum encontro, ter a certeza que se fez realmente a barba e não apenas uma parte.

8] Limpar o carro por dentro e evitar que ele cheire pior que o suor do Alberto João Jardim depois de se armar em folião no Carnaval da Madeira.

9] Não roer as unhas para depois não ter que as cuspir silenciosamente para o chão.

10] Nunca contrariar uma mulher que nos está a explicar que a vida dela é muito difícil, dizendo por exemplo: "a vida dos outros parece-nos sempre mais fácil do que a nossa".

conversa 549

Ela - Ando a precisar de sexo.
Eu - Epá... se é por isso acho que te posso ajudar.
Ela - Tens algum amigo giro e disponível, é?

conversa 548

Ela - Vou-te ensinar a fazer o meu bolo de laranja. Aquele que gostaste muito. Queres?
Eu - Quero.
Ela - Fixe. Vamos?
Eu - Mas agora? Agora tenho que ir trabalhar. São nove e meia da manhã duma quarta-feira...

conversa 547

Ela - Vou escolher a cama para a minha casa nova. Podes vir comigo?
Eu - Agora?
Ela - Sim.
Eu - Estou com um bocadinho de pressa.
Ela - É que tenho vergonha de ir sozinha.
Eu - Vergonha?
Ela - Sim. Olham para uma mulher sozinha a comprar uma cama e ainda pensam que sou uma solteirona.
Eu - Estás a falar a sério?
Ela - Estou.

mulheres que eu gostava de poder não compreender (63)



nome: Susheela Raman
origem: Inglaterra/Índia/Austrália
info: nasceu em Londres, filha de indianos, e emigrou muito nova para a Austrália. Para além de ser bonita e ter um olhar cativante, também tem uma voz que eu gostava que me adormecesse à noite (não sei se estas coisas se devem dizer). A sua origem indiana é tamil (tamil nadu é um estado mesmo no sul). Admito que não a conheço há muito tempo, embora ela seja bastante famosa. A primeira música que ouvi dela, há cerca de ano e meio se a memória não me falha, foi esta Ganapati que podem ver no youtube. Também podem ir ao seu sítio oficial na internet.

acho que às vezes me esqueço que todos os dias tenho sorte

Acho que às vezes me esqueço que todos os dias tenho sorte. Tenho sorte porque saboreio um café quente todas as manhãs, tenho sorte porque a minha filha corre para mim e grita por mim quando me vê, tenho sorte porque tenho amigos com quem beber um copo, tenho sorte porque gosto de ouvir a Mayra Andrade a cantar, tenho sorte porque sim e pronto. Todos os dias. Às vezes esqueço-me disso.

Há muitas formas de ajudar a Carolina, uma menina de três anos que sofreu uma paralisia cerebral e agora precisa de tratamentos em Cuba: dando um donativo, divulgando o site, comprando algo no bazar, clicando nos banners publicitários. Sei lá... façam qualquer coisa, por favor. [página da Carolina]

2.05.2008

conversa 546

(com uma ex-colega do liceu que encontrei na noite de carnaval)

Eu - É fantástico como ainda te lembras tão bem de mim.
Ela - Achas?
Eu - Sim, acho.
Ela - Um mês não é assim tanto tempo.
Eu - Um mês?! já não te via há uns quinze anos...
Ela - Pois. Há mais ou menos um mês, quando estivemos aqui neste bar a conversar, disseste exactamente o mesmo.
Eu - Ah! sim... desculpa. Já me lembro.
Ela - Devias beber menos.
Eu - Hum... vou só à casa de banho.

um beijo numa noite de carnaval

Só mais uma noite, só mais um copo, só mais um abraço aqui, um sorriso disfarçado e um beijo ali. Só mais uma conversa. As palavras misturam-se na música, ainda com restos de cerveja que bóia na boca, mas não se dissolvem totalmente. Ainda bem. Às vezes é bom saborear palavras bêbadas: gosto, amor, sempre, beijo, calor...
Olá. Ela está fantasiada duma coisa que não sei muito bem o que é e diz-me olá. Olá. Eu não estou fantasiado de nada mas também não sei muito bem o que sou. Abraça-me durante alguns segundos e com força. Gosto. Dá-me um beijo que fica na bochecha como se fosse uma borboleta preguiçosa, e eu sinto-o. Vai batendo as asas num hesitante princípio de voo. Daqui a pouco voará mesmo.
Às vezes as borboletas voam muito. Às vezes não. Alguém me disse que depois da metamorfose só têm alguns dias de vida, e que as asas são uma espécie de prémio por terem rastejado tanto enquanto eram apenas lagartas. É pena, penso, mas é um pensamento que também já está bêbado. De qualquer maneira o beijo já voou da minha bochecha. Já não o sinto. É triste os beijos só o chegarem a ser depois de terem sido lagartas muito tempo.

2.04.2008

conversa 545

Ela - Acho que ando a comer demasiado chocolate.
Eu - Então porque é que comes?
Ela - Estou deprimida.
Eu - Estás deprimida porquê?
Ela - Porque estou gorda e feia.
Eu - Não és nem nunca vais ser feia, a não ser que te ponhas a fazer plásticas.
Ela - Mas gorda estou, não estou?
Eu - Não estás gorda. Estás normal. Tens um pneuzinho que até é sexy.
Ela - Não é nada sexy. Tenho que o perder.
Eu (suspiro) - Epá, então deixa de comer tanto chocolate. Pronto.
Ela - Não consigo.
Eu - Não consegues porquê?
Ela - Estou deprimida.
Eu - Estás a gozar comigo?
Ela - Vês?! Estás farto de mim.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

pensamentos catatónicos (119)

Ar pedante

Há uns dias uma amiga disse-me que nunca teria uma relação com um homem que, por exemplo numa ida a um café, tratasse o empregado com uma distância pedante como às vezes se vê por aí. Mais tarde ou mais cedo, na relação, ele acabaria por tratá-la a ela da mesma maneira. Eu concordei.

respostas a perguntas inexistentes (25)


Eles deram as mãos e depois apenas os dedos, entrelaçando-os uns nos outros. Ela perguntou-lhe se aquilo era um nó cego. Ele respondeu que os nós cegos tinha duas desvantagens: para além de serem difíceis de se desfazer eram mesmo cegos.

conversa 544

Ela - Nunca mais vou ter relação nenhuma com homem nenhum, pelo menos da mesma maneira.
Eu - De certeza?
Ela - Sim. Aprendi muito sobre mim com esta experiência. Agora que acabou não quero repetir.
Eu - Pois, às vezes penso assim também.
Ela - É mais fácil viver sozinha quando se está mesmo sozinha do que quando supostamente não se está, e eu sentia-me muito mais sozinha quando vivia com o ****** do que agora.
Eu - Sim, acho que consigo perceber isso, mas não achas que podes estar a ser um bocado derrotista?
Ela - Não. Agora tenho amigos como tu a quem telefono para sair e desabafar. Aquela relação absorveu-me tanto que já nem vida social tinha.
Eu - Nós nunca deixámos de falar um com o outro enquanto namoravas. Perdi a conta aos cafés que tomei contigo...
Ela - Sim, mas não era eu. Eu não estava bem e por isso não era bem eu. Agora estou contigo a tomar café porque me apetece estar contigo, enquanto dantes era para fugir temporariamente a qualquer coisa.

conversa 543

Ela - Antes de te conhecer eu achava-te muito interessante.
Eu - Ah!

não comas pão sem manteiga

Ontem fui ao cineclube de Aveiro ver o 12:08 a Este de Bucareste, uma sátira interessante sobre a revolução romena que, na sequência da queda do muro de Berlim em novembro de 1989, pôs fim ao regime do Ceausescu na Roménia.
Uma mulher de classe média, cujo emprego não remunerado é trabalhar em casa para o marido, passando-lhe a ferro o fato, organizando-lhe os livros ou preparando-lhe as refeições, mantém-se submissa na sua relação mesmo quando ele lhe nega dinheiro para a filha. O único momento em que ela levanta a voz, é quando ele come pão sem nada ao pequeno-almoço. Não comas pão sem manteiga, diz ela. Ele, que reagira violentamente a todas as tentativas da mulher em conseguir algum dinheiro para a filha, torna a pôr o pão na mesa para ela o barrar com manteiga.

2.01.2008

conversa 542

Ela - O que é que tu queres que eu pense, quando estou com um homem uma vez por mês e ele usa sempre as mesmas cuecas?
Eu - É coincidência. Entretanto lavei-as e tornei a usá-las.
Ela - Não sei se isso é verdade.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

dez coisas cujo único interesse é contribuírem para mais um dia deprimente

1] Ao ler a revista suplemento do Jornal de Notícias de hoje, fica-se a saber que as mamas novas da Luciana Abreu (ou Floribela) custaram mais de 5000 euros e que uma gaja que eu nem sei quem é, mas que se chama Eva Longoria, afinal não é perfeita porque tem um osso saliente no joelho.

2] Deixei o meu carro estacionado debaixo duma árvore e um grupo de passarinhos confundiu o pára-brisas com uma retrete.

3] Uma mulher baixinha e irritante, com um cordão de ouro ao pescoço e que tratava o filho por fedelho, passou à minha frente quando eu estava a registar o euromilhões e eu nem dei conta. Ou melhor, dei mas já era demasiado tarde.

4] Está a chover.

5] Quando tomava café de manhã, ao balcão dum tasco perto da minha casa que tem uma empregada muito bonita e que, por coincidência, também tem sempre montes de homens ao balcão e em bicos de pés, ouvi um reformado dizer a outro que os portistas são piores cós muçulmanos.

6] Esqueci-me do passe da CP em casa. No comboio tive que explicar ao revisor a situação. Saí em Estarreja e voltei para Aveiro sem bilhete e a fugir ao revisor (consegui), fui a casa buscar a carteira e só apanhei um comboio depois do almoço.

7] O meu leitor de mp3 está quase sem bateria e eu quero mesmo ouvir os mc Malcriado no regresso a casa.

8] Uma mulher, no último comboio que apanhei, ia a falar com outra sobre o casal Mccann e a Madie. Isso só por si já é mau, mas fica pior quando se diz que aquela mãe merecia era umas vergastas nas costas.

9] Faz cem anos que mataram o Rei D. Carlos I e isso nem me aquece nem me arrefece.

10] Este mês, em vez de receber por transferência bancária, recebo por cheque.

conversa 541

Ela - Não te deitas?
Eu - Estou a jogar futebol no computador. É só mais um bocadinho.
Ela - Acho que já sei porque é que a tua mulher te pediu o divórcio.
Eu - Não foi por isso.
Ela - Não?
Eu - Não, foi por causa dum jogo de estratégia.

conversa 540

Ela – És o gajo menos romântico que eu já conheci na minha vida.
Eu – Conheceste muitos?
Ela – Alguns.
Eu – Então tiveste azar. Posso indicar-te alguns menos românticos do que eu.
Ela – Duvido. É que nesse aspecto és um zero.
Eu – Sim, talvez, mas há gajos que entram nos números negativos.
Ela – Mas os outros não interessam. Não gosto de comparações. Interessa que és uma nulidade nesse aspecto.
Eu – Tu é que começaste com comparações.
Ela – Ai foi?
Eu – Sim, com os gajos que já conheceste na vida.
Ela – Vais ou não abrir-me a porta do carro?
Eu – Não. Oferecer flores vendidas por indianos esfomeados, dizer coisas próprias duma música do Vitor Espadinha e abrir portas de carros não é ser romântico.
Ela – Então o que é ser romântico para ti?
Eu – Sei lá. É ser um escritor da primeira metade do século dezanove. Sabes mais disso do que eu porque és de Letras.
Ela – Tens a mania que és engraçado, não tens?
Eu – Não, mas também não tenho a mania que sou romântico.

respostas a perguntas inexistentes (24)



Ele perguntou-lhe porquê. Porque é que ela não tinha espaço para ele no seu espaço vazio. Que não era um espaço vazio, respondeu ela. Era um espaço cheio de nada. Depois repetiu três vezes a palavra cheio. Cheio, cheio, cheio.
Ele desceu a escada. Não lhe apeteceu ir pelo elevador para não ser ver ao espelho. Foi-se embora.