4.09.2009

traços de giz

Um avião riscou de giz o céu. Já não o vejo mas aquele risco é uma marca. Sei que ele passou por ali e que voava para o norte. Talvez viesse de Lisboa ou do Algarve. Talvez de África. Talvez fosse para a Suécia ou para a Dinamarca. Talvez para a Polónia. Não sei. Sei que o amor é uma porção de traços de giz. Todos nos marcam mas a certa altura perdemos-lhe a origem e o destino. De traço em traço vamos fazendo um desenho que não percebemos... até que alguém nos faça um traço mais forte.
Foi assim que lhe tentei explicar a solidão, enquanto ela dava mais um gole no chá numa esplanada ventosa. Foi assim que lhe tentei explicar que ela riscou a minha vida e eu, espero, a dela. Não foram riscos fortes o suficiente mas estão lá, no desenho que é a nossa vida.

15 comentários:

calamity disse...

eu não digo?

Senhora do Vento disse...

Outro texto tremendamente simples a espelhar outra coisa tremendamente bela...o amor e os riscos que cada um deixa.

Giovana disse...

Lindo!

Teus escritos são tão simples, mas tão marcantes... São os que mais tocam.

É um blog gostoso de ler.

Um beijo!

Quel disse...

Lindo... A inspiraçao que eu precisava para o meu dia! :)

bia disse...

Ivar, adorei este texto... de verdade!

bagaco amarelo disse...

calamity, dizes... dizes... :)

senhora do vento, às vezes acho-me uma espécie de gatafunho. :)

giovana, eu gosto que gostes. :)

quel, é o meu serviço público. :)

bia, obrigado... de verdade. :)

Sandra disse...

Admiro verdadeiramente a tua capacidade de expressar, de forma tão simples, o que todos nós sentimos.

Este texto fez-me pensar em cada risco da minha vida e em como, por vezes, um traço não tão forte pode ser muito mais sólido e verdadeiro do que um risco forte.

Icon disse...

há riscos feitos com giz, outros com o dedo que só deixam a marca na pele durante breves instantes, há aqueles feitos a caneta e há riscos que parecem feitos com agulhas. fica a tatuagem para sempre!
Depois funcionam um bocado como as cicatrizes. Há aquelas para que olhamos e nos trazem recordações de felicidade e outras que nos lembram dor.
relações, pessoas - a metáfora dos traços de giz é uma forma bem poética de as escrever...

bagaco amarelo disse...

sandra, é isso mesmo, sim. :)

icon, obrigado. :)

maestrina disse...

pois que bem me parecia que esta minha predisposição natural, para ficar a observar a passagem de aviões, não era por acaso...
pois que bem me parecia que vale sempre a pena voltar a este blog, nem que seja para perceber porque fico sempre de pescoço levantado a ver passar os aviões...
pois que bem me parecia que não seria por acaso que, seja qual for o risco dos aviões que por mim passam, não lhe consigo ver nem o principio nem o fim...
pois que bem me parecia que no meu céu o risco dos aviões se desvanece mais depressa do que devia...

Closet disse...

Adorei o texto. Mesmo muito! Bons desenhos ;)

André disse...

gostei desta merda =)
Parabéns

bagaco amarelo disse...

maetrina, "pois que bem me parecia que no meu céu o risco dos aviões se desvanece mais depressa do que devia..." pois... mas acaba por aparecer um risco mais vincado. :)

closet, obrigado. :)

andré, obrigado. :)

Rita disse...

Simples mas perfeito! Mais uma vez parabéns! Aproveito para pedir autorização para te linkar no meu blog.
***Beijos***

bagaco amarelo disse...

rita, claro... linkar-te-ei também. :)