2.22.2010

a guerra das calças

tirado do blogue dias que voam
"Uma loja de pronto-a-vestir de Lisboa vende por semana centenas de calças compridas a mulheres de todas as idades, mas a maior clientela é constituída por jovens". Começava assim uma reportagem, publicada no ano de 1969, sobre as primeiras mulheres portuguesas a usar calças. Marcelo Caetano era então o primeiro-ministro de Portugal, herdando um país de conservadorismo salazarento. Tanto, que se punha a hipótese de haver um enquadramento legal que impedisse as mulheres de usarem calças: "A explosão do uso das calças provocou nas últimas semanas, em Portugal, certa controvérsia nos liceus, escolas e empresas, pois nem em toda a parte se sabe oficialmente da existência (ou não) dum dispositivo oficial sobre o assunto". Menos mal, o Ministério da Educação afirmava que não existia nenhuma regulamentação oficial que as proibisse. Havia apenas uma disposição dizendo que as alunas e professoras se deviam apresentar vestidas com dignidade e decência.

2.19.2010

coisas que fascinam (95)

Um amor imagina-se. Pode ser durante o intervalo dum filme no cinema, numa boleia dada por acaso ou numa estação de metro qualquer. Com a mulher que está sozinha na fila A, com a que estica o dedo polegar na nacional 109 ou com aquela que adormeceu com a cabeça encostada ao vidro da carruagem. Tanto faz, o amor imagina-se e isso é bom. Pelo menos é o que um homem pensa enquanto dissolve o açúcar no café da manhã, dissolvendo também os seus próximos dias no olhar da mulher que se sentou à sua frente. Ela é bonita e isso por agora chega, já que a imaginação não precisa de mais nada.

conversa 1430

Ela - Pus férias esta semana e aproveitei para mudar a disposição dos móveis da minha sala.
Eu - Fixe, de vez em quando também gosto de fazer isso.
Ela - O problema é que já mudei cinco ou seis vezes e hoje, sexta-feira, acabei por voltar a pôr tudo com estava dantes.
Eu - Isso quer dizer que gostas mais da maneira como já tinhas a sala. Não é grave.
Ela - É grave porque não me sinto bem como aquilo está mas também não encontro uma forma melhor. Os meus móveis parecem homens: nunca estão no sítio que devem.
Eu - Mas pelos vistos és tu que pões e dispões deles... portanto...
Ela - Isso é a única coisa que me faz sentir bem.

sou mãe graças ao pai do meu filho

Os sortudos dos lisboetas vão poder assistir gratuitamente amanhã, dia 20 de Fevereiro, a um grandioso espectáculo de comédia: uma manifestação com cartazes a dizer que as senhoras que o seguram são mães graças aos pais dos seus filhos. Sortudos, os lisboetas. Eu gostava de ir mas não posso.

A mim, por acaso, interessa-me sobejamente saber graças a quem é que cada mulher portuguesa é mãe. Acho importante, pronto. É por isso que agradeço à Esmeralda, senhora de grande etiqueta e frontalidade, que vai levar o seguinte cartaz:

2.18.2010

pensamentos catatónicos (197)

Acho que nunca se deve acreditar numa mulher que nos diz que está apaixonada por nós. Na verdade porque não devemos acreditar em nós próprios quando o dizemos a alguém. O amor é mesmo uma coisa em que as palavras não chegam. Tem que se passar aos actos.

conversa 1429

(ao telefone)

Ela - Não tens dito nada....
Eu - Tenho estado doente.
Ela - E já estás melhor?
Eu - Sim, estou a melhorar. Obrigado.
Ela - Óptimo, ainda bem. É que este sábado à tarde precisava que tomasses conta do meu filho.

2.12.2010

conversa 1428

Ela - Já te aconteceu gostar muito duma mulher e ela não te ligar nada?
Eu - Claro que já. Tantas vezes...
Ela - Lá está. Essa é a diferença entre os homens e as mulheres...
Eu - Qual diferença?
Ela - Um homem é capaz de gostar muito de várias mulheres, se uma não lhe liga nada passa facilmente para outra. Por outro lado, quando uma mulher se apaixona por um homem e ele não lhe liga nada, ela tem um problema para muito tempo.
Eu - Isso não é bem assim.
Ela - Mas é muito assim.
Eu - Mas isso está a acontecer-te agora?
Ela - Está.
Eu - E estás triste?
Ela - Mais ou menos.
Eu - Pensa assim: há muitos homens na Terra, ou seja, se foste capaz de te apaixonar por um, de certeza que és capaz de te apaixonar por muitos mais.
Ela - Pois... é isso que uma mulher não é capaz de pensar.
Eu - Mas percebes que eu tenho razão?
Ela - Percebo... mas perceber não me chega.
Eu - Tu és tão bonita. Tenho a certeza que dás a volta a isso num instante. Basta ires a um jantar com muitos gajos um dia destes.
Ela - Organiza um jantar desses e convida-me. Pode ser?
Eu - Mas acabaste de me dizer que não és capaz de te apaixonar duas vezes seguidas.
Ela - Mas posso tentar...

conversa 1427

Ela - Estou quase a fazer anos...
Eu - Pois estás.
Ela - Se por acaso me quiseres oferecer alguma coisa fala comigo primeiro, que é para não gastares dinheiro mal gasto.

conversa 1426

Ela - Vou passar este fim de semana todo na cama. Só me levanto para comer e para ir à casa de banho...
Eu - Andas assim tão cansada?
Ela - Não, arranjei um namorado da margem sul. Só o vejo ao fim de semana...

2.10.2010

conversa 1425

Ela - Já pedi ao meu patrão para ter férias durante o mundial de futebol.
Eu - Não me digas que queres passar as férias a ver futebol...
Ela - Claro que não, quero é ir de férias sozinha sem ninguém a chatear-me e nessa altura o meu marido não se importa nada que eu vá. O que ele quer durante um mês seguido é cerveja no frigorífico e o telecomando da televisão...

conversa 1424

(no bar)

Eu - Bebes uma cerveja?
Ela - Não posso.
Eu - Não podes?
Ela - Não. Fui há dias ao psiquiatra e ando a tomar antidepressivos...
Eu - Andas deprimida porquê?
Ela - Sei lá. Se calhar é por nem ter motivos para andar deprimida.
Eu - Isso não é um motivo.
Ela - É, é.
Eu - Não é nada. Senão andávamos todos deprimidos, ou porque tínhamos um motivo para isso ou porque não tínhamos...
Ela - Pois... e por acaso acho que este país anda mais ou menos assim.
Eu - Bebes o quê, então?
Ela - Pronto, pode ser uma cerveja. Só para te fazer companhia...

mulheres com garantia


Um embaixador árabe dos Emirados Árabes Unidos descobriu, já depois de ter assinado o contrato do casamento, que a noiva tinha barba e era vesga. Vai daí, pediu a um tribunal islâmico a anulação do contrato de casamento e exigiu à ex-noiva o pagamento de cerca de 92 mil euros, montante que diz ter gasto para presentear a ex-futura mulher com roupas, jóias e outras prendas. A mãe da noiva ter-lhe-á mostrado fotografias duma irmã, pelos vistos uma boazona de todo o tamanho, e o tipo acreditou até à última que era ela que estava debaixo da burka. [ler no JN]
Tendo em conta o sucedido, proponho que as noivas nos Emirados Árabes Unidos venham com garantia de dois anos. Um paralelismo com a política europeia nos electrodomésticos em que a mãe (vendedora), garante ao homem (consumidor) o bom estado geral da mercadoria (a filha) e o seu funcionamento durante esse período. Passados esses dois anos, a devolução não é imediata mas a mulher pode ser enviada para a fábrica para arranjar (fazer a barba, por exemplo).

pensamentos catatónicos (196)

Hoje de manhã os semáforos da avenida AEP, em Matosinhos, estavam avariados. Resultado: um trânsito caótico e agressivo, com os automóveis a procurar espaços que já não existiam. Desesperei e acabei por entrar no mesmo jogo, metendo o meu carro onde conseguia sem respeitar nada nem ninguém.
Acho que nas relações entre duas pessoas isso acontece de vez em quando. Somos um semáforo natural que dá luz verde, amarela ou vermelha àqueles que nos são mais próximos, para poderem esquadrinhar ou não as ruas de que somos feitos. Às vezes esses semáforos avariam e o trânsito emocional entre os dois congestiona. É o caos.
Há muito tempo que os meus semáforos não avariam mas mesmo assim pensei nisto...

limpem lá a Lua

Women of the future will make the moon a cleaner place to live

O homem chegou à Lua em 1969. Neil Armstrong e os colegas andaram pelo nosso satélite aos pulinhos, tiraram algumas fotografias e até lá deixaram uma bandeira dos Estados Unidos. Espero é que não tenham sujado muito a zona por onde andaram. É que para a Tomorrow's Lestoil, num anúncio publicado um ano antes, portanto em 1968, um dia que as mulheres lá cheguem é para limpar tudo e deixar a Lua a brilhar.

2.09.2010

conversa 1423

Ela - Gastei um balúrdio numas calças que não me servem...
Eu - Não as experimentaste antes de as comprar?
Ela - Experimentei, experimentei...
Eu - Então... não percebo...
Ela - Comprei um número abaixo do meu, assim obrigo-me a emagrecer nos próximos tempos. Sempre que me lembrar que dei quase cem euros por umas calças que não me servem, consigo abdicar da comida com muitas calorias.

pedido de casamento

Dave Morin é um dos gerentes do Facebook, ou seja, qualquer coisa como senior platform manager. Um destes dias decidiu pedir Brittany Bohnet, gerente de marketing da Google, em casamento. Não o fez por menos: encomendou um avião, um barco e uma noite de luxo nas Maldivas. Depois, escreveu o pedido com cocos na areia duma das praias.
Sobre o Dave e sobre a Brittany não tenho concretamente nada a dizer, mas este é um tipo de pedido de casamento que eu não queria que me fizessem. Não parece um pedido, parece mais uma espécie de cerco. Acho que ninguém gosta de cercos.
Por mim podiam-me pedir em casamento no café da esquina, à hora do almoço, entre um pastel de bacalhau e um gole numa cerveja. Depois sim, se houvesse dinheiro, é claro que não dispensava uns dias nas Maldivas...

2.08.2010

conversa 1422

Ela - Há tanto tempo que não te via.
Eu - Sim... por acaso tinha saudades tuas.
Ela - E como é que vão as coisas?
Eu - Quase tudo na mesma. Vai-se andando...
Ela - É como eu. Tirando ter mudado de emprego, de casa e de namorado está tudo na mesma.
Eu - Bem... no teu caso está tudo diferente.
Ela - Sim, mudei de casa e isso é diferente. Mudar de emprego, como estou sempre a recibos verdes, tornou-se normal na minha vida.
Eu - E o namorado?
Ela - Os namorados são mais uma espécie de contrato a prazo. Despeço-os sempre antes de acabar o primeiro...

alergia ao sabonete



Este é uma música de Black Metal, também de revolta, feita por mim e por uns amigos da Fanfarra de São Bernardo, contra as mulheres que obrigam os maridos e namorados a tomar banho todos os dias.

2.05.2010

pelos caminhos de Portugal

A vida de divorciado ou, neste caso, de casado pela segunda vez é assim: tem coisas boas e tem coisas más. Estou a ficar maluco com saudades da minha filhita, por isso este fim de semana vou fazer mais de mil quilómetros para a ver. Se puder passar por aqui ainda passo, mas não sei se consigo. Se não conseguir, bom fim de semana para todos vocês, incluindo aqueles que eu não sei que existem. Se conseguir, bom fim de semana na mesma.

conversa 1421

(no café)

Ela - Estás a ver aquele gajo sentado ao balcão a ler o jornal?
Eu - Sim...
Ela - Gostava tanto que ele gostasse de mim, mas tanto...
Eu - Conheces?
Ela - Não conheço pessoalmente mas sei quem é. Foi casado com uma colega minha.
Eu - E gostas assim tanto dele?
Ela - Detesto-o. É um convencido. Sempre que ele ligava para a empresa para falar com ela e eu perguntava quem era, ele respondia que era o Engenheiro não sei quantos...
Eu - Então porque é que querias que ele gostasse de ti?
Ela - Para o fazer sofrer, para o fazer sofrer...

2.04.2010

conversa 1420

Ela - Acho que a minha vida com os homens vida dava um filme.
Eu - Isso não é mau, pois não?
Ela - A parte má é eu ser sempre um actriz secundária.
Eu - Não me parece que sejas uma actriz secundária para a maior parte dos homens.
Ela - Se falarmos dum filme porno não, não sou, mas acho que nunca fui a actriz principal de um romance.
Eu (risos)
Ela - Ri-re, ri-te. Contigo então...
Eu - Comigo o quê?
Ela - Contigo foi uma curta-metragem.

conversa 1419

(no meu carro, depois de meter gasolina)

Ela - O que é que estás a escrever?
Eu - Estou a apontar os quilómetros. Encho sempre o depósito e quero fazer uma média para saber quanto é que o carro está a gastar.
Ela - Só mesmo um homem é que perde tempo com isso.
Eu - Não achas importante saber quanto gasta o teu carro?
Ela - Não. Acho que os homens deviam era andar com uma folhinha para anotar o desgaste que fazem às mulheres...

can we start again?

Hoje à noite há Couscous Prosjekt no Clandestino Bar, em Aveiro, a partir das 22:45, mais coisa menos coisa.

2.03.2010

conversa 1418

(ao telefone)

Eu - Está? Podes falar agora?
Ela - Agora não. Estou  a almoçar...
Eu - Eu também estou a almoçar.
Ela - Telefona-me daqui a meia-hora, quando eu estiver a trabalhar.

coisas que fascinam (94)

Acho que quando um homem gosta muito duma mulher telefona-lhe muitas vezes sem ter nada para lhe dizer. O que ele quer, na verdade, é ouvi-la, mesmo que ela também não tenha nada para lhe dizer. Por isso é que entre duas pessoas que gostam muito uma da outra há telefonemas marcados pelo silêncio. 

conversa 1417

Ela - Isto entre mim e o meu marido está mesmo muito mal.
Eu - Porquê?
Ela  - Sei lá, não o percebo. Para ele parece que está sempre tudo bem.

a ver mulheres nuas durante o trabalho

Um bancário australiano, do Macquarie Bank, foi apanhado a ver mulheres nuas no computador enquanto um colega seu fazia um comentário em directo para a televisão. (ler no JN)
O excerto do vídeo, que passou no canal de televisão Austrália 7, está no youtube e tem tido milhares de acessos. Este blogue envia ao visado um grande abraço de solidariedade neste momento difícil que está a passar. Imagino, por exemplo, que o gajo nunca mais vai conseguir ser levado a sério numa reunião de trabalho. Agora... garanto a todos que se eu passasse o dia a olhar para cotações da bolsa e ficheiros de Excel cheio de números, também tinha que ver umas gajas nuas lá pelo meio para não ficar maluco. Aliás, acredito que os homens com mais necessidade de ver gajas nuas durante o horário de expediente são os financeiros e os afegãos, coitadinhos, que quando saem à rua só vêem burkas a andar dum lado para o outro.

2.02.2010

conversa 1416

(ao telefone)

Ela - Vou comprar uma sapateira. Vens comigo?
Eu - Vou, claro. Levo umas cervejinhas e faço eu o recheio, pode ser?
Ela - Qual recheio?
Eu - A sapateira tem que levar um recheio. As patas comem-se só cozidas mas a carapaça convém levar um recheio...
Ela - Eu vou ao IKEA comprar uma sapateira para arrumar os meus sapatos.
Eu - Vais comprar um móvel só para arrumar sapatos?
Ela - Sim.
Eu - Nem sabia que isso existia... mas pronto.
Ela - Mas tu andas sempre com os mesmo sapatos. Uma pessoa normal tem vários pares e precisa de um móvel para os arrumar. Vens comigo ou não?
Eu - Pronto, até vou. Bebo a cervejinha por lá...

2.01.2010

conversa 1415

Ela - Sabes o que é que eu queria?
Eu - Ahn?
Ela - Ter outra vez vinte anos.
Eu - Porquê?
Ela - Para não sair de casa no dia em que conheci o meu marido.
Eu - Isso está assim tão mal?
Ela - Está.
Eu - Podias sair de casa na mesma, só não te enrolavas nem começavas a namorar com ele.
Ela - Isso ia ser difícil. O gajo era mesmo giro, beijava bem e falava melhor. Parecia um sonho...
Eu - E o que é está mal agora?
Ela - Agora ele está gordo e ter a Sport Tv lá em casa é o maior objectivo da vida dele.

conversa 1414

Ela - Conheces algum homem que lave a loiça?
Eu - Eu lavo a loiça muitas vezes.
Ela - E conheces algum homem que costume cozinhar?
Eu - Eu costumo cozinhar muitas vezes.
Ela - E conheces algum homem que aspire ou passe a ferro?
Eu - Eu aspiro e passo a ferro muitas vezes.
Ela - Mas limpar a casa de banho... conheces algum homem que limpe a casa de banho?
Eu - Eu limpo a casa de banho muitas vezes.
Ela - Credo. Deve ser uma seca viver contigo.

1.31.2010

conversa 1413

(num bar perto da praia)

Ela - Faz-me bem estar aqui. Ultimamente tenho andado tão tensa...
Eu - Tens andado tensa, porquê?
Ela - Sei lá... hoje de manhã tive uma discussão com o meu marido por causa da forma como ele abre os pacotes de leite.
Eu - E como é que ele abre os pacotes de leite? Fiquei curioso...
Ela - Com uma faca. Faz um buraco demasiado grande. Quando sou eu a abrir, faço-o com uma tesoura e fica melhor.
Eu - Acredito que sim mas, muito sinceramente, acho que a forma como se abre um pacote de leite não deve ser motivo de discussão.
Ela - Eu sei. O que tu não sabes, porque já te divorciaste há quase quatro anos, é que quando uma mulher discute por causa dum pacote de leite é porque quer discutir sobre outra coisa qualquer.
Eu - E porque é que não discutiste sobre essa outra coisa qualquer?
Ela - Porque sinceramente nem sei bem qual é essa outra coisa.
Eu - Ou seja, se calhar essa outra coisa é a vossa vida quase toda...
Ela - Claro que é. Só que irrita-me ele não chegar lá.
Eu - Deixa-me dizer-te uma coisa: eu acho que ele chega lá, não está é para se chatear.
Ela - Isso ainda me irrita mais.

1.30.2010

e agora?

Acabou o sexo e o candeeiro do quarto está quieto. Ele também e ela também. De barriga para cima, ele estranha que depois de tanta agitação o candeeiro do tecto esteja parado. Parece que os esteve a observar aquele tempo todo. De barriga para baixo, ela estranha todo o silêncio que se instalou entre as quatro paredes depois do último gemido. Aquele ambiente hermético é doce e melancólico. Talvez por isso os corpos que acabaram de se afastar dêem agora as mãos: para que a doçura vença a melancolia dum orgasmo curto.

De onde é que vem a doçura? Do sexo. Dos lábios dela e do falo dele, dos cabelos dela e das pernas dele, das mamas dela e do pescoço dele. Enfim, dos corpos. Há corpos doces e corpos azedos. Aqueles dois corpos são doces. De onde é que vem a melancolia? Pois é. De toda a vida para trás. Dos filhos dela e dos filhos dele, dos amigos dela e dos amigos dele, do ex-marido dela e da ex-mulher dele. Ambos tiveram uma vida inteira sem o outro.
E agora? É a pergunta que os dois querem que o outro faça mesmo que não saibam a resposta. E uma pergunta é só isso: a procura duma resposta. E agora? pergunta ela. São sempre elas que têm a coragem de perguntar. Nunca eles. E ele  responde-lhe com medo que o candeeiro estremeça com a resposta. Que agora lhe apetece um copo de vinho, diz. Se ele quer um copo de vinho talvez fique a dormir ali esta noite, pensa ela. Se ela for buscar o copo talvez possa dormir ali, pensa ele. O candeeiro continua quieto. 

1.29.2010

conversa 1412

Ela - Sempre tiveste a mania de te dar à primeira gaja que aparece..
Eu - Olha que não. Tenho trinta e oito anos e vou na segunda namorada...
Ela - Pronto. Não é bem dares-te, é emprestares-te.
Eu - O que é que tu queres dizer com isso?
Ela - Quero dizer que os homens são uma espécie de banco que empresta sexo sem juros.
Eu - Isso não é verdade mas pronto. Aliás, cheguei a passar meses sem ninguém.
Ela - É o chamado período de carência.

conversa 1411

Ela - Às vezes não sei se o meu marido me acha boa ou má na cama.
Eu - Acho que um dos maiores erros na cama que já vi, e que também já cometi, foi partir do princípio que uma boa prestação sexual passa apenas por um grupo de técnicas ou truques. Não passa...
Ela - Passa por quê, então?
Eu - Na verdade nem sei bem por onde passa. Sei que já tive sexo mau, sexo assim assim e sexo bom. A única certeza que eu tenho é que no sexo a dois ambos saem sempre com a mesma sensação: se foi mau para um, foi mau para o outro; se foi assim assim para um, foi assim assim para o outro; se foi bom para um, foi bom para o outro.
Ela - Não acho que seja bem assim...
Eu - Estou a falar duma relação equilibrada, claro. Não duma relação em que um é uma espécie de dono do outro...
Ela - Ah! Então deve ser isso...
Eu - Isso o quê?
Ela - É que eu sou uma espécie de dona do meu marido.

em primeiro ou em segundo?

You know you are not the first
But do you really care?

Aqui há uns anos, quando numa aldeia qualquer do norte chegou pela primeira vez a electricidade, um dos habitantes respondeu a uma pergunta duma jornalista dizendo que antes de ter televisão em casa usava mais vezes a mulher. A expressão "usar a mulher", que vê a mulher como um acessório, caiu em desuso no Português com o passar do tempo. Para a Bmw, pelos vistos, ainda faz sentido...
Obrigado à leitora que me enviou esta imagem.

1.28.2010

conversa 1410

Ela - Ontem quase que era multada.
Eu - Porquê?
Ela - Um polícia apanhou-me a falar ao telemóvel enquanto conduzia.
Eu - E não te multou?
Ela - Não... mas tive que ser insistente com ele...
Eu - E como é que se é insistente com um polícia de forma a ele não nos multar?
Ela - Abre-se o decote, faz-se uma voz muito tenra e chora-se um bocadinho porque o namorado nos deixou recentemente...
Eu - Não acredito que isso resulte nos dias de hoje.
Ela - Resulta às vezes. De qualquer maneira não me parece que o consigas fazer.

conversa 1409

(na minha casa)

Ela - Posso tomar um banho?
Eu - Claro. Vou buscar uma toalha...

(uns segundos depois)
Ela (na casa de banho) - Deixa estar. Não tragas a toalha que eu não posso tomar banho nesta casa.
Eu - Porquê?
Ela - Não tens condicionador para o cabelo. Só tens um champô e é fraco...
Eu - É o champô que eu costumo usar.
Ela - Mas se eu não usar condicionador não me consigo pentear, percebes? Além disso este champô vai-me deixar o cabelo espigado.
Eu - Nem sequer sei o que é um condicionador mas, de facto, também nunca me penteio.
Ela - Pois... há certas coisas em que o mundo dos homens e o mundo das mulheres estão bem distantes...

sexo, porcos e argentina

A actual presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, num acto político que pretende impulsionar a produção de carne de porco naquele país, dirigiu-se a toda a população dizendo que comer porco melhora a actividade sexual. Para não deixar dúvidas acrescentou ainda que comer porco é muito melhor do que tomar Viagra [ver link]
Tenho para mim que uma dieta que cause facilmente problemas de colesterol não pode ser boa para a actividade sexual de ninguém. Por isso esta opinião da Cristina só pode ser baseada numa coisa: fetiches sexuais. Aí sim, pelo menos a ver pelas buscas no google que todos os meses vêm cá dar, acredito nos benefícios da ligação entre sexo e suínos. Só este mês já cá vieram ter os seguintes... ahn... fetichistas:

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1.26.2010

conversa 1408

(conversa a três)

Ele - A minha mulher anda sempre a falar-me dum gajo qualquer que trabalha com ela. Parece que ele está sempre a meter-se com ela...
Eu - Isso deve ser só uma boca ou outra entre colegas de trabalho. Não penses muito nisso.
Ele - O pior é que às vezes fico com ciúmes dum gajo que nem sequer conheço.
Eu - Há muitas mulheres que gostam de provocar ciúmes aos companheiros...
Ela - É verdade. Eu faço mais ou menos o mesmo com o meu marido.
Eu - Fazes isso para quê? Para o chatear?
Ela - Não sei bem. Às vezes acho que é para ver se ele me dá mais atenção.
Ele (para ela) - Achas que se eu lhe der mais atenção, ela deixa de me falar do colega de trabalho todos os dias?
Ela (para ele) - Bem... aí talvez passe a fazê-lo só para te provocar ciúmes.

respostas a perguntas inexistentes (71)

A primeira divisão para onde vou quando entro em casa é a cozinha. A sala ou o meu quarto ficam sempre para depois. Ontem, por exemplo, quando cheguei a casa coloquei o porta-chaves em cima do frigorífico, o casaco e mala do computador em cima da banca, atirei com os sapatos para um canto e abri uma cerveja que fiquei a beber encostado à parede enquanto espreitava o mundo pela janela.
É uma sensação confortável, esta de espreitar à janela. É como se estivéssemos a ver o mundo sem ele nos ver a nós. Claro que da janela da minha cozinha não vejo propriamente o mundo, vejo apenas uma ínfima parte dele: umas casas e uns prédios, algumas árvores selvagens ameaçadas por uma estrada movimentada, um carro abandonado, uma loja de ferragens, alguns contentores do lixo e, lá muito ao fundo, o topo do estádio do Beira-Mar. Não é o mundo todo, de facto, mas é o meu mundo àquela hora em que chego a casa. É esse meu mundo que se disponibiliza todos os dias para me receber e por isso gosto dele. Na verdade sinto-me bem com ele.
Recebi um telefonema dum amigo depois de dar o último gole na cerveja e de pousar a garrafa em cima do microondas. Quando vejo o nome dele no ecrã do telemóvel já sei ao que vem: anda com problemas sentimentais ou coisa parecida. Disse-me que há uma segunda mulher na vida dele e que se sente mal com isso. Expliquei-lhe isto da cozinha ser o meu mundo. Não sei se ele percebeu...

conversa 1407

Ela - Estou a pensar fazer um minibar em minha casa e nunca mais sair à noite.
Eu - Mas porquê?
Ela - Estou farta de sair à noite. Sempre as mesmas caras e as mesmas conversas...
Eu - Em tua casa vai ser só a tua cara e conversas contigo mesma. Se calhar fartas-te mais depressa ainda.
Ela - És sempre tão inconveniente

1.21.2010

tentei, está bem?

Passei por ti tão incerto. Acho que nesses dias andava a recolher das ruas a minha própria vida, aos pedaços. Às vezes no falso vigor dum café quente, outras vezes no constante adeus daqueles que passam e não ficam. Como se assim um dia pudesse tê-la toda. Não podia. Talvez pensasse que ela estava fragmentada por aí, como peças dum puzzle por construir. Não estava. O amor é sempre assim. Ou a falta dele, pensei depois. Uma extensão de fragmentos.

E vi-te tão incerta. Acho que nesses dias houve um segredo qualquer. O amor começa sempre assim, pensei depois. Num olhar que é um segredo, num cheiro que é um segredo, numa vontade que é um segredo. Seja lá o que for. No princípio é sempre um segredo. Sempre. E tu disseste que os segredos são o Big Bang do amor. Tinhas razão. Todo o amor comprimido num único ponto pronto a ser o Cosmos. Às vezes devagar, outras vezes mais depressa.
E eu que já me tinha esquecido da mania que o amor tem de não fazer apresentações. Primeiro entra em nossa casa sem bater, deixando pegadas de terra na carpete da sala; depois desarruma-nos os objectos pessoais e a mobília. E rio-me com isso. E rimo-nos com isso. Às vezes também vai à cozinha servir-se dum café expresso. E quando perguntamos: "o que diabo se passa aqui?" já nem queremos saber a resposta. Queremos que o fim da cama seja a nossa linha do horizonte. É que às vezes é, até porque é atrás dela que passa a nascer o dia. Que passa a nascer a noite.
Tinha nascido a noite quando surgiu a dúvida: "o que dirá o dicionário sobre a palavra amor?". E tu riste-te. Se os dicionários são tão grandes deve ser só por causa dessa palavra, disseste. E eu ri-me. Fomos ver. Dizia que é o sentimento que induz a obter ou a conservar a pessoa ou a coisa pela qual se sente afeição. E rimo-nos os dois. Não é, pois não? Como é que o Big Bang podia ser só isso? O dicionário não sabe nada. E pediste-me para tentar escrevê-lo. Acabo de o tentar, meu amor, com este texto que é para ti. Só que eu também não sei nada. Tentei, está bem?

conversa 1406

Ela -  Gosto muito do meu namorado mas ele irrita-me tanto...
Eu - Porquê?
Ela - Estás a perguntar porque é que eu gosto muito dele ou porque é ele me irrita?
Eu - Porque é que gostas muito dele...
Ela - Sei lá.
Eu - E porque é que ele te irrita?
Ela - Isso sei... mas é uma lista de coisas tão grande...

1.20.2010

curar o quê?



Esta mulher chama-se Cori Rist, é italiana e amante do golfista Tiger Woods. Por causa disso o homem está internado numa clínica americana para curar o seu vício do sexo. Mas... ei! pára tudo. Ele tem esta amante e quer curar o vício do sexo? Juro que não percebo. Até percebia que ele não quisesse ter vontade de sexo se vivesse isolado numa ilha deserta ou estivesse preso em Guantânamo... mas assim... não percebo, não percebo, não percebo.
Já agora, como é que raio uma clínica o vai curar da vontade de ter sexo? É que eu só estou a imaginar duas terapias possíveis: electrochoques durante várias semanas ou exibição contínua de fotografias com um gajo peludo....

conversa 1405

Ela - Define numa palavra o que é o amor para ti.
Eu - Amor.
Ela - Só isso?
Eu - Se é numa só palavra, acho que o melhor é usar a própria palavra para a definir a si mesma.
Ela - Os homens são tão simples...

pensamentos catatónicos (195)

Acho que há pessoas que vivem a sua própria vida, melhor ou pior, e há pessoas que só conseguem viver a vida dos outros. Estas últimas são uma espécie de parasitas da vivência alheia. Nunca, em caso algum, as primeiras poderão ter uma relação saudável com as segundas.

1.19.2010

ombro

Sentia-se desamparado há algum tempo mas nunca tinha percebido esse desamparo. Até hoje, quando no autocarro uma mulher adormeceu no seu ombro vencida pelo cansado do dia. Mais um dia. Ele ia sair já na paragem seguinte mas acabou por ir até ao fim da linha, onde já nos subúrbios da cidade ela acordou quando o pesado motor do veículo adormeceu. Corou levemente e pediu-lhe desculpa, enquanto ele a ajudava com os sacos das compras. Não faz mal, respondeu ele. E não fazia. Durante anos tinha procurado a cura para o seu desamparo nos sítios errados: ora numa prostituta estrangeira, ora num copo de uísque. Outras vezes, mais raras, numa inócua conversa na internet. Tinha-a encontrado agora ali, por acaso, numa cabeça que adormecera no seu ombro.

Sentia-se desamparada há algum tempo mas nunca tinha percebido esse desamparo. Até hoje, quando no autocarro adormeceu no ombro dum homem desconhecido, vencida pelo cansaço do dia. Mais um dia. Ia sair já na paragem seguinte mas, talvez como num embalo de mãe, foi dimanando a alma num suave percurso até ao fim da linha. Como numa nuvem, pensou quando corada pediu desculpa ao homem e o viu corar também. Durante anos tinha procurado a cura para o seu desamparo nos sítios errados: ora numa telenovela nocturna onde todos pareciam felizes, ora num frigorífico tão apetecível quanto ameaçador. Outras vezes, mais raras, numa inócua conversa na internet. Tinha-a encontrado agora ali, por acaso, na quietude dum ombro brando.

é hoje...

O Clandestino bar, em Aveiro, abre hoje as portas após umas curtas férias, e quem começa por matar o silêncio nesta primeira noite é o Couscous Prosjekt. Tenho a certeza que os Dazkarieh também vão passar por lá. Até logo. :)

conversa 1404

(na cozinha da casa dela)

Ela - Descasca-me aí essas batatas, por favor, que eu vou só ali ver o fim do filme que está a dar.
Eu - Ok...

(uns cinco minutos depois)
Ela - Obrigada. É que adoro o fim deste filme. Já o vi uma dez vezes...
Eu - Acho piada querer tanto ver uma coisa que já se viu dez vezes, mas está bem.
Ela - É que me emociona.
Eu - Ok, ok... também nunca percebi aquelas mulheres que compram revistas para saber antecipadamente o que vai acontecer nos episódios das telenovelas que andam a ver.
Ela - É a mesma coisa. Assim emocionam-se duas vezes.

hoje escolho esta....


A RedTape, marca de calçado, parece achar que um homem que usa os seus sapatos fica com a possibilidade de escolher uma mulher da mesma forma que se compra um refrigerante numa máquina automática qualquer. Basta meter uma moedinha e pronto, já está. Aliás, pode até também guardar várias num armário e de manhã 'usar' aquela que lhe apetecer mais nesse dia.
No segundo caso, aquela morena  linda com uma barriguinha que o rapaz escolheu, parece não corresponder exactamente ao seu modelo de mulher preferido, pelo menos a ver pela anoréctica do poster que tem no quarto.
O problema de algumas publicidades, na minha opinião, é os seus autores não perceberem o quão estúpidos conseguem ser...

1.18.2010

orgasmo feminino



Já vi muitos anúncios da Durex que gostei. Este é apenas mais um deles. E porque é eu gosto deste? É fácil, acho que é uma maneira bem conseguida de mostrar um orgasmo feminino. Mais nada.

conversa 1403

Ela - Queria pedir-te uma coisa.
Eu - Diz...
Ela - Comprei esta placa de acesso à internet naquela bomba de gasolina da Galp mas o acesso é muito lento. Vais lá devolvê-la por mim?
Eu - Mas porque é que não vais tu?
Ela - Não tenho coragem... vai lá tu.
Eu - O.k. eu vou...
Ela - Já agora, com o dinheiro da devolução traz-me um maço de tabaco, por favor.
Eu - Se eles me devolverem o dinheiro, claro.
Ela - Devolvem. Vais ver que devolvem.

respostas a perguntas inexistentes (70)

Há uns dias li num jornal qualquer uma notícia sobre uma mulher que ficou presa num elevador durante oito dias. Quando a descobriram internaram-na, não por causa do seu estado físico mas porque apresentava 'sinais de desorientação'.
Este é um exemplo crasso, mas a solidão traz sempre um estado de desorientação, e é possível uma pessoas sentir-se só mesmo quando não está fisicamente isolada de outras pessoas. É, por exemplo, o caso da solidão emocional.
Quando li a notícia, o que achei curioso foi precisamente a mulher ter ficado presa num elevador. É que a desorientação emocional que às vezes sofremos quando estamos muito tempo sem, por exemplo, uma companhia íntima, é parecida com a sensação de estar num elevador sem saber em que andar sair. Vamos descendo e subindo, espreitando pelas portas que se abrem e se fecham, mas nunca nos apetece ficar ali. E continuamos descendo e subindo...

1.15.2010

preta

Gosto muito desta música. Ontem ao jantar fiz esta brincadeirinha.

conversa 1402

(no café)

Ela - Estou tramada!
Eu - Porquê?
Ela - Está ali o gajo mais bonito de Aveiro, mesmo atrás de ti.
Eu - Posso ver quem é, só por curiosidade?
Ela - Não. Não te mexas nem faças nada de suspeito. Ele é tão giro...
Eu (depois de me virar para trás disfarçadamente) - Ah! eu conheço-o.
Ela - Conheces?
Eu - Sim. Não é propriamente o meu melhor amigo mas conheço-o.
Ela - Ele é giro... mas tem as mão muito grandes e o cabelo um bocado seboso. Não gosto assim tanto dele.

respostas a perguntas inexistentes (69)

Porque é que damos as mãos? Não sabemos muito bem mas damos na mesma.
Por trás duma mão dada pode estar um sentimento de posse: "esta mulher é minha"; mas também pode estar apenas o desejo: "quero estar sempre em contacto com esta mulher". Depois há as mãos que apesar de se darem nunca se dão a sério. São as mãos que parecem sempre incomodadas por estarem a cumprir aquela obrigação e que se apartam à primeira oportunidade.
Numas mãos dadas pode estar escrito o futuro de quem as dá. 

1.14.2010

quem diabo é o Tó quin?

Agradeço imenso ao leitor que me enviou a seguinte carta. Agora só quero descobrir quem é o Tó quin, que é para escrever uma carta à EDP a protestar a conta deste mês. "Eu acho que não devia pagar tanto de electricidade, mas se vocês acham eu vou ficar muito triste e se calhar vou ter que mandar uma carta ao Tó quin, mas vocês é que sabem".
Caramba! só eu nunca recebi cartas destas quando era puto. Cliquem na imagem se quiserem aumentar.



Não sei mais o que fazer porque ando doida e louca por ti Jorge Daniel!
Eu mandote esta carta porque quero saber se gostas de mim e se estás intereçado em mim.
O ideal era que estiveces, mas se não estiveres eu vou ficar muito triste e se calhar vou ter que mandar uma carta ao Tó quin, mas tu é que sabes.
Todas as minhas amigas te acham o mais giro da turma e o mais adulto, por és o que dá menos erros e falas como um adulto. Por exemplo, quando fostes meter aqueles papeis de bolicau no lixo que nem se quer eram teus!!
Os meus pais têm um mercedes e uma casa de férias na Vieira.
Respondeme que eu só penso em ti.
Filipa Alexandra.

conversa 1401

Ela - Esta semana o meu marido perguntou-me se eu ainda o amo.
Eu - E o que é que respondeste?
Ela - Comecei a chorar.
Eu - E ele achou que choraste porquê? Porque ainda o amas ou porque já não o amas?
Ela - Não sei.
Eu - E amas ou não amas?
Ela - Não sei.
Eu - E sabes se ele te ama a ti?
Ela - Não.
Eu - O amor é fodido.
Ela - Pois é.

respostas a perguntas inexistentes (68)

Que está de chuva, diz ela estéril de assuntos para conversar. E eu dou mais um gole na cerveja para ganhar tempo. Também não tenho nada para dizer. Acho que o estado do tempo nos salva muitas vezes das conversas vazias. Ou está chuva ou está Sol, ou está frio ou está calor. E vamos dizendo o que já se sabe.
Afinal dei três goles na cerveja. Pouso a garrafa e sorrio. Ela olha para mim esperando uma resposta à 'não pergunta' que fez. Os olhos dela parecem os de um lobo à espera que o coelho saia da toca: bonitos e delicadamente ameaçadores. E eu saio mesmo da toca.
Porque é que as pessoas falam tanto do estado do tempo? Pergunto. Agora é ela que dá uns goles no chá preto que ainda fumega e claro que eu já sei que o faz só para ganhar tempo. Para estarmos mais perto, diz ela. Estarmos mais perto? Pergunto sem dar nenhum gole. Sim, se estivermos frente a frente sem dizer nada um ao outro é como se estivéssemos distantes. Apanhou-me.
O silêncio entre um homem e uma mulher é o silêncio do amor e não pode ser banalizado. Podemos estar em silêncio quando contamos estrelas, quando nos cansámos duma suada noite de sexo, quando nos zangamos ou até quando damos as mãos à saída do cinema. Não podemos quando estamos a acabar de almoçar num self-service movimentado no centro da cidade. É esse o perigo do silêncio.

conversa 1400

Ela - Vou-te dizer uma coisa: o meu próximo namorado, se houver próximo namorado, vai ter que passar um duro teste para eu o aceitar como tal.
Eu - Na cama?
Ela - Não. Na minha idade quero lá saber se ele é bom ou mau na cama.
Eu - Então?
Ela - Vai ter que limpar a banca da cozinha sem deixar restos de comida no ralo, mijar sem sujar a sanita e o chão da casa de banho, conseguir entrar em casa sem ir directamente para o sofá ver televisão e desinfectar uma ferida sem gritar como se o mundo acabasse amanhã.
Eu (risos)
Ela - Ri-te, ri-te. Estou farta de gajos.

1.12.2010

conversa 1399

Eu - Porque é que estás a olhar para mim tão fixamente?
Ela - É para a tua testa que estou a olhar...
Eu - Mas porquê?
Ela - Tens aí dois pontos negros que vou tirar.
Eu - Nem penses nisso.
Ela - Deixa-me.
Eu - Não. Qual é o gozo de tirar pontos negros?
Ela - É muito, é muito...

coisas que fascinam (93)

Há uns dias, em conversa com uns amigos, discutia-se a distância que pode haver entre a capacidade de amar alguém e a vontade de envelhecer com esse alguém. É que às vezes há de facto uma distância entre ambos os estados.
Uma amiga minha apagou uma vela com a ponta dos dedos e, tal como esse fogo, também as suas palavras se esfumaram num sorriso que me pareceu triste: "já amei alguns homens a sério mas nunca quis envelhecer com nenhum".
Não gosto muito, numa primeira análise, da ideia de envelhecer com alguém, principalmente porque me parece que a ela está associado um certo divórcio da vida. Melhor dizendo, dos outros. De todos os outros. Mas não é assim. Pelo menos não tem que ser assim.
Actualmente estou a passar a fase profissional mais complicada de sempre na minha vida, não me apetece nem posso explicar aqui porquê. Sei no entanto que estou a fazer os possíveis para me manter à tona da felicidade e dar a volta a isto. No entanto hoje senti-me a afundar lentamente e ao princípio da noite decidi andar um pouco à deriva numa cidade que não é a minha, entre alguns ombros embrutecidos e a indiferença dos outros. De todos os outros.
Foi num bar de esquina qualquer que, guiado por curtas mensagens de telemóvel, me acabei por encontrar com a minha companheira. Bebemos duas cervejas e comemos uns pratos de polvo com molho verde. Agora não sei bem explicar mas estou bem disposto. Gostava de envelhecer com ela... se puder ser. Entre todos os outros.

conversa 1398

Ela - Andei anos e anos a acreditar que ia encontrar um homem totalmente compatível comigo. Hesitei em muitas relações que até podiam ter corrido bem só porque na altura achei que ainda não era o momento nem a pessoa para mim.. E agora...
Eu - E agora o quê?
Ela - Agora, em vez de acreditar que vou encontrar esse homem sinto-me a ficar cada vez mais sozinha.
Eu - Tens muitos amigos.
Ela - Mas os amigos não chegam para tudo.
Eu - Pois não, é verdade. Mas ainda és nova. Tens a minha idade.
Ela - Com quase quarenta anos um homem é considerado novo para iniciar uma relação se já teve muitas mulheres, uma mulher que praticamente não teve ninguém perde o interesse. Os homens acham que ela tem falta de experiência. Foi esse o meu erro: tenho pouca experiência. Agora, cada vez que vou a um encontro vou nervosa e insegura.
Eu - Eu não acho que uma mulher perca o interesse por causa disso. Aliás, isso da experiência é uma tanga, pelo menos se estás a falar no plano sexual. Sexualmente só interessa uma coisa: é que as pessoas gostem mesmo muito uma da outra. Se for assim corre sempre bem.
Ela - Achas mesmo?
Eu - Acho?
Ela - Então se calhar nunca gostei de ninguém.

conversa 1397

(no restaurante)

Ela - Achas que o sexo anal pode dar em corrimento anal?
Eu - Ahn?
Ela - Achas que sexo anal pode dar em corrimento anal?
Eu - Eu percebi, eu percebi... só não acreditei à primeira que me tinhas perguntado isso...
Ela - Porque é que não acreditaste?
Eu - O motivo mais forte é estar agora a comer uma mousse de chocolate.
Ela - És muito sensível... é que uma amiga minha disse-me que está com problemas na retenção das fezes.
Eu - E depois?
Ela - Depois olha, pensei que podia ser por causa disso.
Eu - E porque é que pensaste isso, já agora?
Ela - O namorado dela é tão grande...

roxxxy music


É uma pena mas as bonecas insufláveis têm os dias contados. A Roxxxy já está no mercado e provavelmente vai aniquilar a concorrência. No entanto, não acredito que a grande vantagem desta boneca esteja nas suas capacidades sexuais, apesar dos seus 1,73 metros de altura, 54 quilos, sutiã copa C, pele sintética semelhante à pele humana, coração mecânico e um esqueleto que se move como um esqueleto humano. Afinal de contas levar para a cama um boneca não passa disso mesmo: levar uma boneca para a cama. A grande vantagem da Roxxxy é a sua inteligência artificial. É que Heines, o engenheiro mentor do seu cérebro, garante que "ela sabe aquilo de que o utilizador gosta. Se ele gosta de Porshes, ela também gosta. Se ele gosta de futebol, ela também gosta”.
Se for mesmo assim, a Roxxxy pode, por exemplo, gostar de ir ao domingo à tarde ver um jogo de futebol entre o Candal e o Coimbrões, a contar para a distrital do Porto. Já estou a imaginar os estádios de futebol cheios de Roxxxys nas bancadas, cada uma fazendo companhia ao seu utilizador com um sorriso nos lábios, chamando todo o tipo de ofensas à mãe do árbitro enquanto se baba com cascas de tremoços e pevides.
Mas nem só no futebol a Roxxxy tem vantagens relativamente às mulheres que são mesmo, mesmo, mesmo mulheres. É que finalmente os homens têm uma companheira que consegue gostar genuinamente dos seus actos mais masculinos, tipo coçar os tomates, cuspir para o chão uma verdinha enquanto ambos comem um gelado, tirar cera dos ouvidos ou ranhoca do nariz e depois lamber o dedo, roer uma unha e cuspi-la par o chão, etc, etc. Enfim... A Roxxxy é música para os meus ouvidos.

1.08.2010

sos


Da maior parte da publicidade dos anos 50, a ideia que dá é que as mulheres se passavam completamente com tudo o que tinha a ver com o trabalho doméstico. Basicamente, frigoríficos, aspiradores ou ferros de passar a roupa estão para os anos 50 assim como as drogas sintéticas estão para os anos 90. Por exemplo, se olharmos bem para a cara que esta mulher faz só por causa dumas pastilhas para limpar panelas, é a sensação que dá. A mulher está em êxtase total. Eu, se um dia chegar a casa e a minha namorada estiver assim, chamo logo os gajos do INEM, o que até tem um bocadinho a ver com o nome do produto aqui anunciado.

conversa 1396

Ela - Está tanto frio...
Eu - Pois está. Tenho um bocado de medo de me constipar a sério...
Ela - Eu tenho medo é que a minha pele seque...

1.06.2010

mamas aonde?


Este rapaz tinha uma tatuagem duma cowgirl na perna esquerda. Não contente com a coisa, decidiu fazer um implante de silicone na zona dos peitos da miúda para a coisa ficar mais realista. Não tenho nada contra e até acho bonito. Só espero é que as mulheres que tenham tatuagens com cowboys não sigam esta ideia, já que pode ficar pouco estético um implante fálico numa perna.
Palermices à parte, ao ver isto lembrei-me duma pergunta que uma amiga me fez aqui há uns tempo e que acho que já toda a gente fez a alguém: "quando olhas para uma mulher qual é a primeira coisa em que reparas?". Eu corei um bocadinho porque no caso dela é mesmo para as mamas, e depois desculpei-me dizendo-lhe que isso era no caso dela porque para além das mamas não se vê mais nada. Depois, enquanto estava a tentar endireitar os óculos do murro que ela me deu, perguntei-lhe também qual era a primeira coisa em que ela reparava quando olhava para um homem. "Para a conta bancária", respondeu ela. Depois continuou: "por isso é que não olho muito para ti". Eu não lhe bati...

1.05.2010

pensamentos catatónicos (194)

as árvores morrem de pé

As árvores morrem de pé, ouvi eu dizer muitas vezes quando era criança. A frase ficou-me sempre guardada num cantinho especial da memória. Depois descobri que esse era o nome de um telefilme português dos anos sessenta e, já como jovem adulto, vim a perceber o seu verdadeiro significado.
Era fim de tarde quando me deitei aconchegado pela sombra das árvores mortas do jardim. Estavam mortas e, para além de estarem de pé, também as pontas dos seus ramos se tocavam como mãos esquálidas de jovens apaixonados. Era mais ou menos essa a forma ideal de matar as saudades dum amor adolescente que não chegou a acontecer: tocar-lhe nas mãos como se fossem filamentos nervosos, mesmo na sua morte prematura Depois olhei para os meus dedos onanistas. Talvez eles se tivessem apercebido disso antes de mim: o amor deve sempre morrer de pé.

conversa 1395

(no café)

Ela (acendendo um cigarro) - Não me digas para não fumar, por favor. Detesto homens que me dizem para não fumar.
Eu - Não ia dizer.
Ela - Ias, ias.
Eu - Não ia, não.
Ela - Ias, sim senhor. Eu vi estampado na tua cara.

conversa 1394

(num shopping)

Ela - Lembras-te de quando dávamos aqueles passeios de bicicleta?
Eu - Sim... até tenho algumas saudades...
Ela - Já foi há tantos anos. O tempo passa num instante.
Eu - Pois foi... mas podíamos repetir isso um dia destes...
Ela - Podíamos, podíamos... mas agora ando mais caseira. Podíamos era comprar daquelas bicicletas de ginástica, sem rodas, e dávamos uns passeios em minha casa.

1.02.2010

falta de carácter, diz ela...



No seu livro "Les hommes, lamour, la fidélité" (Os homens, o amor, a fidelidade) lançado recentemente, Maryse Vaillant defende que para a maioria dos homens a infidelidade é quase inevitável porque os homens precisam do seu próprio espaço, Maryse acha mesmo que os homens que não têm casos extra-conjugais podem sofrer de uma fraqueza de carácter. Para ela os homens fieis "são homens que têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem".
Lá está... se um gajo tem um flirt extraconjugal numa noite qualquer é um traidor e um insensível, se um gajo não tem é porque tem falta de carácter. Alguém sabe se há alguma nave pronta a partir para outro planeta qualquer nos próximos dias?

1.01.2010

conversa 1393

Ela - Agora na passagem de ano reparei que um amigo meu estava sem a namorada.
Eu - E depois?
Ela - Depois... como eles costumam ser unha com carne, andam sempre juntinhos, perguntei-lhe por ela e ele disse-me que ela tinha ido passar o ano com uns amigos ao Porto.
Eu - E o que é que tem?
Ela - Eu acho que quando uma mulher decide ir passar o ano com amigos do Porto, em vez de passar com o namorado em Aveiro, é porque alguma coisa está mal na relação...
Eu - Não obrigatoriamente.
Ela - Desculpa mas é...
Eu - Eu não acho...
Ela - Eu acho.
Eu - Eu não acho...
Ela - Eu acho.

antes preso do que com a mulher

Quero começar este novo ano por dar um grande abraço de solidariedade ao italiano que roubou alguns doces numa loja de conveniência para poder ser preso pela polícia. Tenho a certeza que o homem, que apenas queria passar o ano longe da mulher (ler no JN), está a passar um mau bocado...

12.23.2009

respostas a perguntas inexistentes (67)

Hoje disseram-me que normalmente a segunda ou a terceira relação que temos funciona melhor do que a primeira. Estava a beber uma cerveja e quem me disse isto saiu logo a seguir. Fiquei sozinho no bar, onde as sombras das mobílias se deitavam no chão com medo do Pôr-do-Sol que espreitava pelas janelas, e aproveitei para conversar com esta ideia.
Talvez seja verdade. É que o amor tem a mania de prometer mais do que aquilo que realmente nos pode dar, e numa primeira vez deixamo-nos enganar facilmente por essas promessas. Depois vem a desilusão ou o desgaste, como lhe queiram chamar, e também nós nos dobramos perante o lento Pôr-do-Amor. Numa segunda ou terceira vez já ele não faz promessas e por isso perde a sua tenaz capacidade de desiludir.
Acabei de beber a cerveja e levantei-me. A minha sombra também.

conversa 1392

Ela - Sabes... acho que há um contrasenso qualquer na forma como eu me apaixonei pelo meu marido.
Eu - Então?
Ela - Ele era casado quando o conheci e, uma vez num almoço, disse-me que jamais trairia a sua mulher...
Eu - E então?
Ela - Então... eu que já tinha começado a gostar dele, acho que me apaixonei definitivamente nessa altura.
Eu - E então?
Ela - Então... ele acabou por trair a mulher exactamente comigo.
Eu - Ah!

vales-divórcio

Um escritório britânico de advogados está a vender vales-divórcio, ou seja, em vez de oferecermos um vale a um amigo para ele comprar qualquer coisa na fnac, oferecemos-lhe um vale para ele ter uma consulta com um advogado especialista em divórcios. É uma boa prenda para, em alguns casos, oferecer ao conjugue. Estou a imaginar a cena: ele oferece um vale destes a ela e ela a ele. "Muito obrigado querido, estava mesmo a precisar", diz ela. "Eu também... és tão atenciosa, meu amor", diz ele.

12.21.2009

urinar de pé


No ano de 2003, para publicitar o seu Z4,a BMW lançou este anúncio com a fotografia duma miúda a urinar de pé para uma árvore e com o slogan "solta o rapaz que há em ti". Ora bem, eu tenho uma coisa importante a dizer à BMW: para urinar assim numa árvore junto à estrada não basta ser do sexo masculino. É preciso ser do sexo masculino e ter bebido pelo menos cinco litros de cerveja seguidos sem ter comido nada durante o dia todo. E sim, é verdade que quando um rapaz está a urinar completamente bêbado põe assim a mão na árvore, mas isso é para não cair...

conversa 1391

Ela - Vais ser um velho feios, sabias?
Eu - Não, não sabia. Porque é que dizes isso?
Ela - Porque o nariz é a única coisa no corpo humano que nunca pára de crescer. Agora tens um nariz grande mas que ainda se aceita. Daqui a uns anos vais ser um narigudo...
Eu - A que propósito é que te lembraste disso agora?
Ela - Estava a olhar para o teu nariz...

12.18.2009

a vida sexual duma caganita de pássaro

Bem vindos ao blogue mais estúpido do mundo.

conversa 1390

Ela - Ando numa fase... já não sei se gosto do meu marido como gostava.
Eu - Todos os casamentos têm fases boas e menos boas. Só não te deves precipitar.
Ela - Precipitar como?
Eu - Precipitar... tens que dar tempo ao tempo antes de tomar qualquer decisão mais drástica.
Ela - Ai isso tens razão. Se me quiser divorciar, primeiro tenho que arranjar maneira de depois lhe pôr as culpas em cima por o casamento ter falhado.

conversa 1389

(no carro dela, na A29, com ela a conduzir)

Eu- Desculpa lá, mas não podes ir mais devagar?
Ela - Mas porquê?
Eu - Estás a ir depressa demais para o meu gosto.
Ela - Não gosto nada que me dêem ordens quando estou a conduzir.
Eu - Eu também não gosto. Só que tu estás a aproximar-te demais dos veículos que vão à frente. Se um deles trava de repente podes bater.
Ela - É para isso que o carro tem buzina.

12.17.2009

conversa 1388

Ela - Ontem fiz uma sobremesa espectacular.
Eu - O quê?
Ela - Gelatina de laranja.
Eu - Gelatina de laranja?
Ela - Sim.
Eu - Mas isso é só aquecer água, atirar lá para dentro o pó da gelatina e mexer...
Ela - Eu disse que era espectacular, não disse que tinha dado muito trabalho.

conversa 1387

Ela - Às vezes começo a pensar no meu grupo de amigos e fico com a sensação de que muitos deles já foram para a cama com muitas delas.
Eu - Isso preocupa-te?
Ela - Não, não me preocupa nada. É só por dizer que tenho a sensação que qualquer coisa me está a escapar.

sexo 24 horas por dia


Olhem bem para a cara desta mulher. Parece um pouco sofredora, não parece? Cahama-se Joleen Baughman e teve um acidente rodoviário há dois anos atrás quando conduzia uma camioneta. Desde então, e após uma operação, vive num permanente estado de excitação sexual. Qualquer movimento que faça, tipo sentar-se no autocarro, caminhar ou aspirar, é suficiente para a excitar. Parece que o marido dela recebeu bem a notícia no princípio. Agora agora começa a achar que não é capaz de a satisfazer plenamente.
Atenção leitoras deste blogue, não provoquem acidentes rodoviários propositadamente depois de ler isto. [link]

conversa 1386

(com uma amiga que é emigrante em França)

Ela - Este ano fui operada à rata.
Eu - Foste operada à rata?
Ela - Sim.
Eu - Foste operada à rata, mas como?
Ela (apontando a zona) - Foi de repente...
Eu - Ah! Foste operada a um rim...
Ela - Sim, isso...
Eu - Não digas a muita gente em Portugal que foste operada à rata, está bem?

12.16.2009

conversa 1385

(no café)

Ela - Bem, vou andando para casa. Tenho que fazer...
Eu - Eu levo-te. Tenho o carro aqui perto...
Ela - Não é preciso. Já sabes que não gosto dessas coisas.
Eu - Que coisas?
Ela - Um homem a querer levar uma mulher a casa. Que machismo. Eu sei andar sozinha...
Eu - Não estava a ser machista, estava a oferecer-te boleia. Só isso.
Ela - Como se eu não te conhecesse.
Eu - Que mania de achar que é tudo machismo, tudo machismo. Só te estava a oferecer boleia. Se fosses um gajo também te oferecia, até porque está a chover lá fora.
Ela - Está a chover?! Olha, pois está. Vá lá, tens razão. Aceito a oferta.

12.15.2009

conversa 1384

(enquanto eu pegava numas colunas de som que estavam perto dum contentor do lixo)

Ela - Não vais levar isso para tua casa, pois não?
Eu - Vou. Se estiverem boas ainda as ponho a trabalhar.
Ela - Não acredito que agora andas a acatar lixo.
Eu - Não é lixo. Quem as deixou aqui, deixou-as de lado para o caso de alguém as querer aproveitar.
Ela - Pronto... mas então vai dez metros à minha frente que é para ninguém me confundir contigo.

espaço



Passei os dias de ontem e hoje a arrumar a minha casa. Como na vida, os dias vão-se amontoando a pouco e pouco no sítio onde vivemos até nos sentirmos perdidos em tanta papelada e inutilidades espalhadas ao acaso. Desse amontoado organizei parte e levei outra parte para o lixo, o que me permitiu ainda aproveitar umas colunas passivas que alguém tinha deitado fora. Abri-as, substituí e soldei alguma cablagem que estava morta. Agora já estão na minha sala a debitar decibéis e decibéis de música. É uma espécie de renovação que de vez em quando preciso de fazer. Agora até já tenho algumas gavetas vazias, portanto com espaço por ocupar, assim como tenho mais espaço mental para continuar a respirar estes dias frios. E a propósito de música e de dias frios, hoje à noite há Couscous Prosjekt no Candestino Bar.

12.14.2009

criança

Hoje fiz cinco coisas que que, de alguma forma, me lembram o tempo em que eu era criança. Às vezes apetece-me ser criança, precisamente por ter sido esse o tempo em que não pensava em mulheres.

1] Esperei ansiosamente em casa que os CTT me entregassem um amplificador de som NAD C 340 que comprei em segunda mão e abri a caixa com a mesma sensação que tinha quando abria prendas de Natal em criança.

2] Comi Nestum Mel com a mesma consistência do cimento.

3] Brinquei com o meu carrinho telecomandado e deixei um vizinho meu conduzi-lo durante alguns minutos.

4] Pus no facebook a minha fotografia de quando tinha uns oito ou nove anos.

5] Joguei Monopólio.

conversa 1383

(ao telefone)

Ela - Então sempre podes vir aqui a casa hoje?
Eu - Posso mas não te consigo dizer a hora. Estou em casa à espera duma encomenda e também estou à espera que me telefonem para uma reunião. Não sei a que horas me safo.
Ela - Pronto, lá para as quatro eu espero por ti, então.
Eu - Eu disse que não te posso dizer a hora a que vou aí...
Ela - Pronto, lá para as quatro eu espero por ti...
Eu - Estás a ouvir o que eu estou a dizer?
Ela - Sim, mas depois às quatro falamos melhor.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

conversa 1382

(em minha casa depois do jantar)

Eu - Para sobremesa só tenho gelado de chocolate e gelatina de frutos silvestres...
Ela - Tens bananas?
Eu - Tenho uma.
Ela - Então quero gelatina e a banana. Mas a banana quero levá-la comigo, está bem?
Eu - Está bem... mas ficaste com fome?
Ela - Não, não. A banana não é para comer. É agora para a noite.
Eu - Estás a deixar-me intrigado. Queres mesmo levar uma banana para casa para a noite?
Ela - Sim, é para fazer uma máscara facial. Esmago-a muito bem e cubro a face com ela durante dez minutos. Depois tiro-a com água morna e seco a cara com uma toalha. Devias experimentar, fica-se com a pele tão macia.
Eu - Não, obrigado. Dispenso, mas fico mais descansado por quereres a banana para fazer uma máscara facial.
Ela - Havia de ser para fazer o quê?
Eu - Nada, nada. Queres café?

12.11.2009

conversa 1381

Eu - Porque é que estás com esse sorriso na cara?
Ela - Fui a um jantar com antigos amigos da minha equipa de atletismo...
Eu - E foi assim tão bom?
Ela - Foi. Uma gaja que tinha a mania que era boa e que eu detestava está um pote autêntico.

um sofá, umas bolachas e um frigorífico

Ensaio sobre uma mulher gorda

Apareceu um destes dias na minha casa depois de um pedido amargurado pelo telefone. Não tenho mais ninguém a quem telefonar, disse ela. Pois é, pensei eu, é possível chegarmos a um ponto em que não temos ninguém a quem telefonar. Desliguei o telefone e liguei a memória. Há uns vinte anos saíamos quase todos as noites e quase todas as noites eram uma festa, entre amigos, sorrisos, algumas cervejas e, uma vez por outra, uma mão dada ou um abraço mais apertado.
Acho que a amei numa altura em que não sabia muito bem o que era amar. Todas as mulheres que um homem ama quando ainda não sabe o que é amar são importantes. Na verdade são as melhores professoras que ele teve. Mesmo que não o saibam.
Plastifiquei o sorriso possível antes de lhe abrir a porta e a convidar para entrar. Mas ela não entrou sozinha, com ela entrou um silêncio que se sentou no sofá da sala mesmo ao lado dela e que me custou a expulsar. Bebes alguma coisa? Que não. Comes alguma coisa? Que não. Tenho ali um vinho que é uma especialidade. Que não. Estás bem? Que nem por isso. Depois deixei as perguntas e dei-lhe uma ordem: tira o casaco. E ela tirou. Acho que só aí é que o silêncio saiu e ficámos os dois sozinhos.
Explicou-me que está gorda e eu, na minha ingenuidade, não percebi que não era isso que ela me queria dizer. Não vieste até aqui, depois de tantos anos sem nos vermos, para me dizer que estás gorda, pois não? Que não. Depois olhou para o tecto e continuou pausadamente: está gorda porque come demais, come demais porque se sente sozinha e deprimida e que isso se tornou num ciclo vicioso.
Já aceitas um copo de vinho? Que já. Sorriu pela primeira vez. E o teu marido? Que deve estar com os amigos. Percebi então que me estava a falar da depressão dos dias, daqueles que se tornam sempre iguais e que de repente transformam a vida num percurso monótono e, a espaços, solitário. Não há pior do que a solidão que se sente quando se vive com alguém, confirmou.
Acho que o vinho é como as conversas. O segundo gole é melhor que o primeiro, o terceiro é melhor que o segundo e por aí adiante. As conversas só são realmente boas quando nos deixamos embriagar por elas. É sempre assim, disse eu.
É sempre assim, disse ela insistindo, como se tivesse suportado o desabado durante anos. Uma mulher apaixona-se, casa e tem filhos. Sente que está a subir a montanha sem perceber que o cume dessa montanha é um espaço exíguo onde só cabe uma pessoa. Quando dá por ela percebe que foi a única a realmente cuidar dos filhos e que o marido já a trocou por uma rede social qualquer que manteve todos esses anos. No café, no trabalho ou noutro sítio qualquer. Depois resta um sofá, umas bolachas e um... frigorífico.
Zanguei-me com a vida, que não pode ser só um sofá, umas bolachas e um frigorífico. Podia responder-lhe que acho que ela se devia separar e começar de novo; podia dizer-lhe que acho que ela não está no cume da montanha mas sim que já a desceu e por isso pode começar a subir de novo; podia dizer-lhe que não admito tanta passividade duma pessoa que significa tanto para mim. Mas não disse nada. Só que ela está gorda, sim, mas continua tão bonita como há vinte anos atrás. Bebemos o resto da garrafa.

12.10.2009

uma questão de dinheiro



Esta publicidade a um automóvel Honda que penso ser dos anos 70 tem um aspecto interessante: convence o homem que com o carro é mais fácil conquistar mulheres, não por o carro ser um luxo mas sim por ser barato, ou seja, sobra ao homem mais dinheiro para gastar com elas. Ao fim e ao cabo parece que para a indústria automóvel a lógica foi sempre mais ou menos a mesma: a mulher é uma questão de carro ou de... dinheiro.

conversa 1380

Ela - Já comecei as compras de Natal. Ando um bocado stressada.
Eu - Pois... acredito. Os shoppings estão sempre cheios...
Ela - E não é só isso. É muito difícil comprar prendas para os outros. Nunca sei o que é que hei-de dar ao meu irmão ou ao meu marido, por exemplo. São pessoas difíceis. Até agora só consegui comprar prendas para o meu filho e para mim...

conversa 1379

(no café)

Ela - Quando estou a falar com um homem gosto de perceber que ele me está a dar atenção.
Eu - Hum, hum...
Ela - Detesto quando estou a falar com um homem sobre uma coisa que acho importante e ele não me liga nada, percebes?
Eu - Hum, hum...
Ela - E então começo a dizer-lhe que realmente fico fula quando um homem não liga nada ao que eu lhe estou a dizer.
Eu - Hum, hum...
Ela - Queres saber como é que sei se ele me está a prestar realmente atenção ou não?
Eu - Hum, hum...
Ela - Quando ele me responde "hum, hum" a tudo o que eu digo é porque a conversa lhe está a entrar por um ouvido e a sair pelo outro. E já agora tira a mão do queixo e pára de olhar para as gajas que estão na mesa ao pé da janela.

12.09.2009

conversa 1378

Ela - Deixei de lavar e passar a roupa ao meu marido e sabes o que é que ele faz?
Eu - Ahn?
Ela - Dá a roupa à mãe dele e ela é que lava e passa...
Eu - Ah!
Ela - E agora a mãe dele manda-me bocas a mim, como se passar a roupa dele fosse uma obrigação minha.
Eu - Tens que ter calma. Isso é mesmo um conflito de gerações. Dantes muitas mulheres eram educadas assim e agora já não vão lá...
Ela - Conflito de gerações, nada. É mas é um conflito entre mim e uma sogra que me detesta. Já disse ao gajo que a mãe dele não dura sempre e que quando ela morrer é que me vou rir. Agora é só esperar que ela morra...

sonhar com um mundo melhor



A revista belga Ché, exclusivamente dirigida ao público masculino, é mais famosa pela sua publicidade do que pela revista em si. "Continuar a sonhar com um mundo melhor" costuma ser o desejo expresso nos seus anúncios. Por mim tudo bem, podem sonhar à vontade com um mundo melhor. Só não acho que um mundo melhor passe por uma saia com o número de telefone de quem a veste ou por uma mulher telecomandada... mas isso sou eu.

12.08.2009

pare de tomar a pílula...



O sofrimento de Odair José, um cantor que uma amiga minha brasileira teve a lucidez de me mostrar, é tocante. A mim, pelo menos, toca-me tanto que só espero não me lembrar desta música quando estiver na sala de espera do meu dentista. É que sinceramente não me apetece começar a rir descontroladamente à frente duma senhora que me trata como se eu fosse um bom escuteiro. A propósito, talvez seja um bom truque para os momentos em que me sinto mais triste... lembrar-me deste vídeo.