10.07.2008

respostas a perguntas inexistentes (43)

Gosto da forma como ela me diz que precisa estar sozinha. É tão delicada. E enquanto o diz vai tocando o nariz com um lenço de papel, delicadamente também. Parece um abelha sobrevoando uma flor. Que precisa de espaço, insiste. Depois ri-se timidamente.
Gosto da forma como ela morde o pastel e depois limpa o resto de creme nos lábios. Eu sei o que é precisar estar sozinho e, na verdade, não pensava ocupar-lhe o espaço dela. Digo-lho assim e os olhos dela riem. São os primeiro olhos que vejo a rir desde que nasci.
Gosto da forma como o silêncio se aninha comodamente entre nós. Parece o mesmo silêncio da noite, só que agora orbitado pelo amanhecer da cidade. Ela levanta-se e vai embora. A mão dela lambe-me o ombro. Acho que nos compreendemos.

15 comentários:

that's all folks disse...

acho que a pergunta inexistente começa a ter existência... to love or not to love...? ihihih

bagaco amarelo disse...

that's all folks, :)

heidy disse...

E sabe tão bem... ;P

poeta de rua disse...

que bonita a descrição desse momento. belas as palavras. "olhos a rir"...muito do sentir. gostei muito de ler.

DeusaMinervae disse...

Com tanto gostar... Só demonstra algo ;)

Lita disse...

Isso parece-me, mesmo!, muito bom sinal... ;)

bagaco amarelo disse...

heidy, :)

poeta de rua, obrigado. :)

deusaminervae, :)

lita, é sina que estou vivo. :)

[e]vil disse...

Noto uma certa propensão para a ridicularidade...como as cartas de amor...ridículas. Mas está bonito. ;) Agora compreendes. Amanhã talvez não.

bagaco amarelo disse...

[e]vil,, porque é que as cartas de amor são ridículas? :)

[e]vil disse...

Era uma alusão ao poema de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa:

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

bagaco amarelo disse...

[e]vil, boa, já nem me lembrava disto. :)

MYA disse...

Finalmente! Ja merecias ;)

bagaco amarelo disse...

mya, lol... mais ou menos. :)

Anónimo disse...

Tenho de te dizer...
Encontrei o teu blog por acaso e é dos únicos que preciso ler aos "bochechos"... porquê?
É uma mania de criança. Quando gosto de uma coisa, prolongo o caminho, fico sem pressas...

Este texto é lindo bagaço amarelo...
Fala de coisas que me são caras. Do espaço da alma, da necessidade de estar só e daquilo que sentimos, quando alguém nos faz ver as cores todas. As cores certas.
Percebo o teu olhar.

Vou continuar a ler aos bochechos, sem pressas, nem horas certas.
Pode ser?
E vou continuar a comentar. Porque não consigo evitar. :))
Obrigada...

Beijo
Ana

bagaco amarelo disse...

Ana, claro que pode. eu também sou de bochechos, não te preocupes. Obrigado. :)