2.22.2011

o selo de garantia do Amor

Recebi de um leitor o texto seguinte:

Hoje pensei que o amor, como quase todos os equipamentos que compramos tem um selo de garantia. Normalmente nos equipamentos quando esse selo é de alguma forma danificado, nós ficamos sem garantia.
É o mesmo que dizer que a partir daquele momento se o equipamento se estragar temos que nos desenrascar. Se der para arranjar e se acharmos que vale a pena tudo bem. Caso contrário não nos resta outra hipótese senão atirar com o equipamento para o lixo e quando possível comprar um novo.
Inconscientemente passamos a olhar para o equipamento de uma forma diferente, começamos a tratá-lo com mais cuidado e se for algo mesmo importante por vezes damos por nós a rezar que ele não estrague, para que dure o máximo de tempo possível.
Nalgumas relações por vezes acontece o mesmo. A relação vai avançando no tempo, com altos e baixos, momentos bons, momentos maus. Aguentamos tudo. Mas porque no amor nada é garantido, por vezes acontece algo que nos deixa de rastos, sem reacção, sem vontade de continuar.
É como se esse selo de garantia tivesse sido quebrado. Olhamos para a relação e pensamos que falta ali qualquer coisa, algo que se perdeu. Seja porque houve uma discussão, um desentendimento, palavras ofensivas, um abre olhos, existem várias razões para que isso
aconteça.
Sem esse selo de garantia, aos nossos olhos a nossa relação vai estar sempre um pouco debilitada.
Sem esse selo de garantia, a relação já não parece tão forte.
Sem esse selo de garantia, a pessoa que nos acompanha já não tem tanto impacto na nossa vida.
Sem esse selo de garantia tudo muda.
Cabe às pessoas a partir desse momento puxaram ambas para o mesmo sentido, cuidarem ainda mais da relação. E mesmo assim, não podem nunca tomar nada por garantido. Porque o amor é mesmo assim: uma doença, quando nele julgamos ver a nossa cura.

por: António Figueiredo

29 comentários:

Mamã do Príncipe Pipoca disse...

Muito bom, muito bom mesmo!

bagaco amarelo disse...

Mamã do Príncipe Pipoca, :)

Ricardo Sá disse...

é mesmo assim.....fantástico texto!!!
abraço,

bagaco amarelo disse...

ricardo sá, publiquei este texto porque acho que reflecte um sentimento generalizado. pelo menos às vezes. :)

maria disse...

Até doi...:(
Mas faz-nos reflectir tanto...!

bagaco amarelo disse...

maria, :)

Janine Bettencourt disse...

:) O amor... dói tanto esse cabr#$", mas é tão bom quando amamos e tão melhor quando somos amados!
António Figueiredo, parabéns, muitíssimo bem dito.

bagaco amarelo disse...

janine bettencourt, :)

Olga disse...

As garantias não são vitalícias e mais tarde ou mais cedo vamos mesmo ter de nos desenrascar sozinhos sem elas. E às vezes há "equipamentos" que nos dão tantos problemas que mais vale trocar por outro. :)

bagaco amarelo disse...

olga, há quem opte por arranjar por si mesmo as avarias. :)

Eli disse...

Uma vez, ouvi uma conversa entre dois recé-casados e ele disse:

"- Vê lá se queres que te devolva, ainda estás na garantia."

Enquanto não se passarem seis meses, o casamento pode ser anulado.

Ou seja, voltas a ser solteiro em vez de seres divorciado!

Nos dias que correm, ainda hoje, sim, na minha terriola, divorciado (ou melhor, divorciada) é sinónimo de "estragada" ou de "devolvida". Ou seja, não serviste e agora ficaste marcada para sempre.

:S

bagaco amarelo disse...

eli, obrigado pelo aviso sobre o erro neste e pela simpatia. essa noção de que o homem usa e a mulher é usada, infelizmente, não se limita a "terriolas". Mas, também numa terriola, lembro-me de ver uma reportagem sobre a chegada da electricidade a uma aldeia, onde um homem dizia que antes de poder usar a televisão, usava a mulher. :)

Anónimo disse...

A esse selo de garantia eu chamo de corda, aquela que quando as duas pontas se unem, cria uma união. Aquela que quando tem as duas pontas separadas, continua a ser uma. Depois, se se quebra, remedeia-se com um nó, só que o nó tem sempre duas pontas a mais e passam a quatro e assim sucessivamente. O selo quando se quebra há poucas salivas a dar, pois fica o amargo de boca; à corda, ficam as pontas soltas e, quando já há muitos nós, fica o amargo no estômago.
-partilhas-AC

Cota disse...

caiu-me tudo

sophie disse...

Muito verdade este texto... :)

Mas se formos a ver, quantos equipamentos sem garantia temos em casa a funcionar perfeitamente??? Ou,pelo menos, que tenham ligeiras falhas mas que efectuam perfeitamente a sua tarefa?

Gostei de ver um texto que não foi escrito por ti, mas que tem a tua essência! :)

Bj

bagaco amarelo disse...

anónimo, :)

cota, lol. :)

Malena disse...

Muito interessante, embora eu não veja no amor uma doença. :)

bagaco amarelo disse...

sophie, bem visto, isso dos electrodomésticos sem garantia. :)

malena, eu também não vejo, mas que já me senti doente por causa dele, já. :)

Briseis disse...

Muito bem...! alguem anda a consumir do mesmo Bagaço e depois dá nisto... =) gostei!

Eli disse...

Ainda bem que não estou para ligar a olhares reprovadores, embora eles nem saibam o que reprovar, porque não têm acesso às informações sobre a minha vida!

:))

bagaco amarelo disse...

briseis, :)

eli, lol. acho que não há nada de reprovador. :)

Fatyly disse...

Fabuloso e retrata bem as relações e como podemos manter o "selo de garantia" ou mandar o "objecto" borda fora!

Adorei e parabéns a António Fugueiredo

bagaco amarelo disse...

fatyly, :)

Rana disse...

Parabéns ao autor e obrigada a quem o publicou.

Anónimo disse...

Desculpa lá mas essa última frase, é de uma música dos Ornatos Violeta LOL
mais propriamente a "Ouvi dizer"

Alforreca disse...

Obrigado ao Bagaço por permitir a colocação do texto.

E obrigado a todos os que comentaram.

bagaco amarelo disse...

rana, :)

anónimo, na verdade não é. Nessa música, os Ornatos utilizaram um sample do Vitor Espadinha que, como é um clássico da música popular portuguesa, é de certeza assumido por quem escreveu o texto. :)

alforreca, eu é que agrdeço. :)

Alforreca disse...

Sim claro que assumo, foi uma falha minha.

bagaco amarelo disse...

alforreca, eu não acho que tenha sido uma falha. acho só que não tinhas mesmo que dizer onde foste buscar a frase porque toda a gente a conhece. É como dizer, por exemplo, que "o poder está na ponta duma arma". Já ninguém refere Mao como autor da frase. :)