6.21.2007

pregos

Já escolhi o banco para onde vou transferir todos os pregos do meu caixão, depois de ter exposto a minha vida a oito pessoas diferentes. Hoje de manhã lá optei pelo BES. Dentro de dois meses, mais ou menos, vou voltar a ser um gajo com alguns trocos no bolso. Agora vem aí o terror da burocracia toda outra vez, mas até nesse aspecto o BES é o menos exigente...

conversa 244

(pelo telefone)

Ela - Já estás em Aveiro?
Eu - Vou sair agora de Espinho. Só chego a Aveiro lá para a uma da manhã...
Ela - Queres passar aqui em casa e beber um copo?
Eu - Quero. Altamente, claro que quero. Já não me lembro é do andar... quando estiver aí dou-te um toque para o telemóvel.
Ela - Fixe! é que preciso que vejas o que se passa com o meu computador. Esta cena está toda marada e nem consigo ir à net.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

6.20.2007

estou deprimido gosto de uma miúda que não pode ser minha

Há algum tempo que eu não falo das buscas no google que vêm aqui dar. Para além de me solidarizar totalmente com os cerca de quarenta por mês que escrevem no google não compreendo as mulheres, achei interessante as seguintes cinco pesquisas.

estou deprimido gosto de uma miúda que não pode ser minha
Deixa lá. Eu gosto de três ou quatro que não podem ser minhas. Pior, poder até podem, o que é não querem. Ou eu sou muito velho, ou sou muito novo, ou agora nesta fase não dá para ter uma relação, ou eu sou fixe mas não faço o perfil, ou outra merda qualquer. Eu percebo, mas vai-te habituando.

mulheres levar um não
hum… hum… quem costuma levar um não são os homens. Eu, pelo menos, lá em casa já tenho uma colecção de nãos. Alguns são interessantes, outros nem por isso, mas há um que guardo com especial estima e carinho, e que é mesmo edição de coleccionador, raríssimo, e que diz "tu? Nem que eu estivesse numa ilha deserta"

o que fazer quando 1 mulher não nos fala
esta é fácil. Olha, vai-se para casa e gasta-se o salário todo em chamadas de valor acrescentado para falar com sul americanas que nos dizem “si, si, cariño… me gustas mucho”. Depois bebe-se uma garrafa de uísque.

trintões bonitos
Quem é que fez esta busca? Sou eu, sou eu… a sério. Acredita… acredita... por favor. Chuif... sou eu... eu... eu... eu...

como dizer a uma gaja que não gosto dela
Chegas ao pé dela e dizes "não gosto de ti". Já agora, depois dá-lhe o meu número de telefone.

conversa 243

(ao telefone)

Ela - És um palerma, sabias?
Eu - Não, claro que não. Uma das condições para ser palerma é não saber que se é.
Ela - Portanto és, certo?
Eu - Não, não sou. Se te disser que sou deixo de o ser.
Ela - Muito engraçado...
Eu - E tu? És palerma ou não?
Ela - Sei lá!

respostas a perguntas inexistentes (4)



Ela perguntou-me o que é que eu estava ali a fazer. A ver o ceú, respondi-lhe. Depois, perante o seu silêncio abrupto, insisti que precisava estar sozinho. Ela respondeu-me que todo eu era um absurdo e depois afastou-se. Eu, de facto, não estava a ver o ceú, mas foi a partir desse momento que comecei a acreditar que ele não estava ali só por acaso.

conversa 242

Ela – Eu vi-me sempre como a culpada da nossa separação.
Eu – Isso é um erro. Não podes ver isso assim.
Ela – Para mim, se ele acabou com tudo, era porque eu tinha falhado em alguma coisa...
Eu (silêncio)
Ela – Mas agora já não penso assim.

coisas que fascinam (53)

Ontem tive uma noite boa. Pronto, é só isso... vale a pena andar por aqui e conhecer pessoas novas :)

crónicas da cidade que sopra | dois segundos

Amanhã, no Diário de Aveiro, por ser quinta-feira.

Dois segundos. A matinal e branda luz do quarto acariciou-a quando abriu pela primeira vez os olhos, e adormeceu-a por mais alguns minutos. O corpo agradeceu, que se sentia cansado por mais uma noite de insónias. A alma também, que há muito tempo ninguém a acariciava assim ao acordar. Foi uma carícia de dois segundos apenas, talvez, mas que a fez aninhar-se nos lençóis em posição fetal, e lhe apagou na memória a linha de instrução que a obriga a levantar-se cedo todas as manhãs.

6.19.2007

sombras

Um amigo disse-me hoje que uma relação não pode ter sombras, e eu percebi. A sombra duma relação antiga, a sombra dum desejo actual ou a sombra duma incerteza futura, são sombras que fazem descer imediatamente a temperatura numa relação. O problema é que, quando olho à minha volta, vejo que projecto sombras em várias direcções. Umas mais densas, outras menos, mas nem por isso deixam de ser sombras...

frigideiras no céu

Hoje à noite vou ver frigideiras no céu. O índice ivariano sobe um valor, para doze. Estou mesmo a precisar...

conversas 241

Ela – Mas tu agora só te dás com pitas?
Eu – Com pitas?! Qual é a tua? Ela tem quase a tua idade...
Ela – A minha idade?! Não me fodas.
Eu – Tem menos dois anos do que tu.
Ela – O quê?! Pergunta-lhe o que é que ela faz para parecer tão novinha.
Eu – Infelizmente já sei.
Ela – O que é?
Eu – Só tem relações casuais. Assim não não se chateia com nada.
Ela – Na cama é melhor do que eu?
Eu – Sei lá...
Ela – Nunca foste prá cama com ela?
Eu – Com ela já mas contigo não.
Ela – Ah! Pois, é verdade...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

respostas a perguntas inexistentes (3)



Depois da última bola ter entrado fiquei a olhar para o guarda-redes que tinha sofrido o golo. A inexpressão dele fez-me recuar algum tempo, até ao dia em que ela me disse que se ia embora. Perguntei-lhe se era para sempre, e ela respondeu da mesma forma que aquele guarda-redes ao último golo: com ausência.
Foi a primeira vez que percebi que não era tudo mau. Agora tinha a oportunidade de voltar a relacionar-me com uma mulher cuja face comunicava alguma coisa, fosse choro ou riso. Ela perguntou-me, do outro lado dos matraquilhos, se eu queria jogar mais. Contigo jogo eternamente, respondi. Ela jogava melhor que eu...

pensamento catatónicos (80)

A vida, às vezes é um ringue de boxe onde lutam a possessão e o amor. Normalmente perdem os dois.

mulheres do Jacinto Leite

Cheiram sempre a litradas de perfume e pintam de preto as raízes dos seus cabelos loiros. Tratam os filhos por você e também são tratadas por eles assim. Nunca cozinharam na vida a não ser, talvez, uma vez quando o Lyons Club da terrinha delas organizou um piquenique em vez dum jantar no Hotel mais caro lá do sítio. Mesmo assim estão sempre a dizer mal das empregadas: que são preguiçosas e não se consegue arranjar nenhuma decente. Não se lembram da última queca razoável que mandaram e, para compensar, passam os fins de semana a jogar bridge à janela e a dizer mal das estudantes que passam do outro lado.
Os maridos delas (e nunca elas), assumem nomes como Jacinto Leite Capelo Rego, têm uma foto do cardeal Cerejeira escondida na carteira, e doam à instituição de caridade nacional, CDS-PP, milhares de euros em troca de nada. Tenho pena que o Portas já não seja jornalista. De certeza que era capaz de escrever um artigo interessante sobre isto.

conversa 240

Eu - Ainda bebes um copo?
Ela - Não. Vou pra casa.
Eu – Eu levo-te a casa...
Ela – Não.

6.18.2007

coisas sobre mulheres que leio nas portas de casas de banho públicas (1)

Vinha cheio de pressa para ter tempo antes de, daqui a bocadinho ir ver o filme do Paul Verhoeven no cineclube, passar aqui pelo cybercafé. Parei num café e pedi um fino e uma tosta mista. Enquanto esperava fui à casa de banho e lembrei-me de abrir aqui uma nova rubrica: coisas sobre mulheres que leio nas portas de casas de banho públicas.

O Palo é pandeleiro e não tem piça prá Adriana

conversa 239

Ela – As mulheres, e digo todas, gostam sempre de alguma violência na cama.
Eu (silêncio)
Ela2 – Uma palmadita no rabo de vez em quando, percebes?
Eu (silêncio)
Ela (virando-se para Ela2) – Não, ele não percebe… eu sei que ele não percebe, percebes?
Ela2- Ah!
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

conversa 238

Ela – Gostava de te ver…
Eu – A sério?! Isso é uma boa notícia…
Ela – falar pelo telefone não chega, percebes?
Eu – Sim, percebo.
Ela – É que tens uma voz monocórdica e, ao telefone, és muito antipático. Mas eu conheço-te e sei que é só ao telefone…
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

segredos...

Estatisticamente, com base em conversas que eu tive com amigos meus e na minha própria experiência, acho que é justo dizer que, quando um homem e uma mulher estão juntos intimamente pela primeira vez, é quase sempre a mulher que pede para manter segredo.

conversa 237

Passei a manhã em bancos, a ver se consigo melhorar o meu actual crédito à habitação. Já percebi que é possível. Esta conversa foi com a miúda mais giraça que me apareceu à frente, com uma mini-saia e um decote até ao umbigo. Infelizmente, saias e decotes não chegam para um gajo escolher o banco menos filho da puta para onde vai transferir o crédito à habitação.

Ela – Já está mesmo divorciado?
Eu – Estou.
Ela – Sabe que a sua ex-mulher tem que assinar, não sabe?
Eu – Sei, sei… isso não há problema.
Ela – Sabe que tem que ter uma certidão de divórcio para fazer a escritura?
Eu – Olhe, a sério que sei isso tudo. De si só quero que olhe para o meu crédito à habitação actual e me diga se este banco é capaz de fazer melhor. Eu vou aos bancos todos e depois escolho o que mais me interessar. Só lhe disse que sou divorciado porque isso interessa para o cálculo do rendimento per capita… O resto, as burocracias, eu trato…
Ela – Mas a casa fica só em seu nome?
Eu – Sim…
Ela – Fez algum contrato promessa?
Eu – Não percebo. Este é o quarto banco onde faço uma simulação hoje e ainda ninguém me fez esse tipo de perguntas.
Ela – Só estou aqui para ajudar.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

monday bloody monday

Merda de segunda-feira, é o que posso dizer do meu dia até agora. Ainda não tive tempo para quase nada. Daqui a uma hora, mais ou menos, respondo aos comentários e volto aqui. Só uma nota: os bancos são uma merda mas têm miúdas giras.

6.17.2007

conversa 236

(no mini-preço do Retail Park em Aveiro. é a segunda vez que me acontece uma coisa destas ali...)

Deixaram um carrinho vazio na fila do supermercado a marcar lugar. Foram comprar o que queriam e chegaram os quatro (pai, mãe, filho e filha) a abraçar uma quantidade enorme de produtos que atiraram para lá para dentro. Eu já tinha desviado estrategicamente o carro da fila, e tinha passado à frente. Uma pacote de tortellini, uma garrafa de vermute e um pack de iogurtes líquidos era tudo o que eu levava. O homem, baixinho e atarracado, tenta pôr-se à minha frente e pisa-me os pés com as rodinhas.

Eu – Onde é que pensa que vai?
Ele (pai) – O carro já aqui estava.
Eu – Esse carrinho é meu.
Ela (mãe) – Não senhor, este carrinho fui eu buscá-lo.
Eu – Esse carrinho é meu. Os carros são todos iguais e não pode provar que não é meu. Só vos deixei pôr aí as compras porque olhei para o vosso ar miserável e tive pena. Até vos vou deixar ficar com a moeda, mas não vos vou deixar passar à frente.
Ela (mãe) (virando-se para os filhos) – Eu não vos disse para ficarem aqui? Agora é isto...
(os miúdos ficam com uma cara que não sabem onde se hão-de meter, eu começo a ficar demasiado nervoso e a sentir o objecto cardíaco a acelerar. A fila andou à nossa frente e cria-se um espaço onde dá para meter o carrinho, o que ele faz)
Ele (pai) – Eu vou ficar já aqui e ai de quem tentar meter-se à minha frente.
(Eu passo o carrinho ponho as compras no tapete)
Eu – Não percebi se isso foi uma ameaça, mas de qualquer maneira vou ser atendido à sua frente. Se isso que disse foi uma ameaça, agradeço que seja mais claro. Não lhe vou bater porque sou mais inteligente, mas se quiser prometo que espero por si lá fora.
Ela (mãe) (virando-se para empregada da caixa) – Oh menina, não nos viu a deixar aqui o carrinho?
Ela (empregada) – Eu não vi nada...
Ela (mãe) – O melhor é irmos embora. Nunca mais cá voltamos.
(Os quatro afastam-se depois duma pequena discussão entre eles. O pai, ao sair, dá um murro na porta e diz alto que nunca mais lá volta e que me fodia os cornos)
Ela (menina atrás de mim na fila) – É incrível... é este país que temos...
Eu (afastando o carrinho para facilitar a passagem de pessoas) – Eu tenho razão, não tenho?
Ela (menina atrás de mim na fila) – Claro que sim. Eu é que já estava a ficar com medo.
Eu – Eu também, deixa lá, mas à minha frente não passavam.

Acabo de pagar, vou tomar um café num quiosque ao ar livre que há no Retail Park para me acalmar. Vejo a mesma família a passar por mim. Ela é loira, obesa, tem a cara cheia de espinhas e borbulhas, e as calças não chegam para lhe tapar o rabo todo. Ele é baixo e atarracado, como já disse. Já não tem quase cabelo nenhum mas o que tem é comprido, e veste uma camisola de alças cinzenta. Passam devagar por mim e ele abranda o passo enquanto aponta pra mim. Dou mais um gole no café e viro-me para ele. Lembro-me que levei três murros numa discoteca há pouco tempo, não quero ser apanhado de surpresa outra vez. Deixo-me estar, de pernas cruzadas e um cotovelo em cima do balcão.

Ela – Vamos embora, vamos embora...

Eles afastam-se. Os putos levam uma quantidade enorme de sacos de plástico do DeBorla, mas não levam compra nenhuma. Não gosto de pessoa que deixam carrinho de supermercado a marcar lugar, não gosto de pessoas que roubam sacos de plástico nos estabelecimentos comerciais, não gosto de pessoas que não percebem que têm que respeitar os outros. Para ser sincero... não sei se não gosto ou se me limito a ter pena. Tenho pena... é mais isso.

conversa 235

Ela – Qual é a zona da mulher para onde tu olhas primeiro?
Eu – O tecto.
Ela – O tecto?! Que tecto?
Eu – Qualquer um. Quando não as compreendo olho para cima e tento pensar noutra coisa.
Ela (risos)
Eu – Não era uma piada.
Ela – Vê lá se olhar tanto para cima não vais contra qualquer coisa.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

conversa 234

Eu – Como é que te hei-de explicar?! Comecei a sentir que a chateava cada vez que lhe telefonava... percebes? Ouvia sempre um suspiro ou uma merda do género. Depois convidava-a para tomar café e ela nunca podia. Deixei de telefonar. Não gosto de sentir que estou a ser chato.
Ele – Ela deu-me a entender que tu desistes facilmente e ela não gostou disso.
Eu – E eu não gosto de jogos. Quer dizer, até gosto, mas só no computador. De resto preciso de coisas um bocado mais simples.
Ele – As mulheres não são assim.
Eu – Deve haver alguma que é... foda-se (só em pensamento).

numa noite de Junho

Nunca gostei de conduzir. Torno-me ansioso por estar a perder tempo a fazer uma coisa que não me serve para nada. Enquanto conduzo não posso ler, não posso trabalhar, não posso sequer concentrar-me devidamente num determinado assunto. Detesto conduzir e detesto automóveis, e a única coisa que vai compensando é o auto-rádio. Tenho quase sempre o auto-rádio ligado quando estou no carro.
Uma noite destas estava a chover bastante. Eu encostei à direita para fazer inversão de marcha numa rua do bairro do liceu e, nessa altura, uma miúda abriu a porta e sentou-se à minha direita, no lugar do morto. Disse-me para a levar às residências de estudantes da Universidade de Aveiro. Eu olhei para ela: estava encharcada e era muito bonita, possivelmente caboverdiana. Perguntei-lhe se a conhecia de algum lado. Não, respondeu ela, mas como estava a chover eu tinha que a levar. E levei.
Acho que foi uma das poucas vezes em que conduzir me deu realmente gozo. Tanto gozo que gostava que, em vez de ela me ter pedido para a levar à UA, me tivesse pedido para a levar a outro sítio qualquer bem mais longe. No fim disse-lhe num tom paternalista, para ela não fazer aquilo mais vezes. Perguntou-me porquê. “Opá... há gajos malucos”, insisti. Respondeu-me que sabia, agradeceu a boleia, e desapareceu engolida pela noite.

passarinhos a bailar

1] Não fui à caminhada ver passarinhos porque estava a chover.

2] Ontem fui ao teatro Aveirense ver, com a minha filha, o projecto ribatejano Ferloscardo. Epá... os gajos são mesmo bons. Se puderem ver isso por aí, proveitem. São dois passarinhos, dançarinos, músicos, actores e malabaristas, num jogo muito interessante de luz e som. A minha filha adorou. Eu também.

3] Nunca percebi muito bem como é que, na zona de Aveiro, às vezes há rajadas de vento que deitam abaixo árvores e não deitam abaixo os ninhos de cegonha nos placards do IP5.

6.16.2007

conversa 233

Ela - Temos que falar...
Eu - Não.
Ela - Não achas que temos que falar?
Eu - Não.
Ela - Tens medo de falar?
Eu - Não.
Ela - Então porque é que não queres falar comigo?
Eu - Eu quero falar contigo... mas não quero repetir conversas que já tivemos umas quinhentas vezes...

conversa 232

Ela - Essa cena do tamanho do pénis é uma treta que todos os homens têm...
Eu - É?
Ela - Nunca conheci nenhuma gaja que se mostrasse preocupada com isso. A sério...
Eu - Hum... isso espanta-me, para ser sincero. Li algures que o tamanho, em erecção, do pénis varia entre os treze e os vinte centímetros... é uma diferença grande...
Ela - Três?! Bem, isso é pequeno demais...
Eu - Treze... eu disse treze...
Ela - Ah! Mesmo assim...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

6.15.2007

conversa 231

(com o meu urologista)

Ele - Isso não é nada. Não te assustes. É só um líquido que os testículos produzem e o corpo devia reabsorver. Por qualquer motivo não está a haver uma reabsorção total.
Eu - Hum... então não há mesmo hipótese de ser cancerígeno?
Ele - Não, não há. Fica contente por te doer, é sinal que ainda os tens...
Eu - Mas a dor interfere um bocadinho com a minha vida sexual, percebe?
Ele - Aguenta. Isso deve passar por si. Se não passar tens que cá voltar e resolve-se. Mas consegues foder, não consegues?
Eu - Sim, mas gosto mais sem dor, não é?
Ele - Isso passa, isso passa...
Eu - Pois...
Ele - Tens os testículos com volume normal e tudo normal. Não te queixes. Se soubesses o que eu vejo por aqui...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

bom fim de semana

1] Hoje tenho um jantar e depois devo ir beber um copo ao melhor bar do mundo.
2] Amanhã vou fazer uma caminhada de 8,4 quilómetros a ver passarinhos e a tirar fotografias.
3] É difícil viver numa cidade cheia de estudantes universitárias com calor.
4] A minha ex-companheira ofereceu-me um moleskine
5] Não sei se venho muito mais aqui até domingo à noite. Por isso, bom fim de semana. Beijos para elas, abraços para eles, com a habitual excepção dos que votam na Catherine Deneuve. Desculpem... no Paulo Portas.

Tangerina mais Bagaço

A Tangerina mandou os nomes para o match maker (ver post "a marta devia esforçar-se mais"): Tangerina mais Bagaço. O resultado foi que somos demasiado parecidos para sermos compatíveis. Em que é que uma tangerina se parece com bagaço? hum... hum... será da minha maçã de Adão?

mulheres artistas que não compreendo (15)


Elizabeth Leite

Fui há bocado ver a exposição da Elizabeth Leite, na galeria Nuno Sacramento em Aveiro. Elizabeth Leite é um nome a não esquecer, para quando eu tiver dinheiro para gastar nestas coisas. Os quadros apresentam quase sempre sinais de alguma desagregação invisível, entre pessoas e dentro delas próprias, suportados por cores fortes e algum humor negro e corrosivo. Gostei. Se virem este nome por aí, numa galeria qualquer, não percam a oportunidade de entrar.

a marta devia esforçar-se mais

A MTV, enquanto passa vídeos, tem vísivel uma cena que se chama match maker. Funciona assim: envia-se um sms com a palavra MATCH mais dois nomes, e eles depois dizem se os dois nomes foram ou não feitos um para o outro. Deixam ainda sempre uma mensagem subliminar e um nível percentual Por exemplo, neste momento apareceu "Marta + Rui | A Marta devia esforçar-se mais | 64%"
Eu também acho que a Marta devia esforçar-se mais. Devia ia trabalhar em vez de andar a gastar o dinheiro dos pais em chamadas imbecis de valor acrescentado. E esta merda devia ser proibida pela Alta autoridade para a Comunicação Social. Um gajo já paga para ver aquela merda de canal, e ainda por cima andam a enganar os adolescentes que acreditam que, com dois nomes, resolvem a vida amorosa deles. € 0,726 cada sms...

conversa 230

Ela - Eu falo tanto e nunca metes nada do que te digo no teu blog...
Eu (silêncio)
Ela - Mas estou-te a chatear?
Eu - Não. Tu nunca me chateias...

respirar

Ontem à noite respirar não foi só respirar. O índice ivariano volta a terrenos positivos, subindo para o onze.

maçã de Adão

Esta agora... aquela cena saliente no pescoço, que anda para cima e para baixo, a que chamamos maçã de Adão, é uma cartilagem cujo maior ou menor crescimento depende de algumas hormonas masculinas, principalmente a testosterona.
Ora, como a testosterona é produzida nos testículos, e a sua sub-produção é uma das principais causa de impotência, andamos aqui todos expostos. A tangerina perguntou-me se eu tinha a maçã de Adão saliente e eu, armado em bom, a responder que não, numa de pensar que aquela cena até é inestética. Olhem... lixei-me.
Agora percebo muito melhor os gajos Khalistan, que deixam crescer a barba a vida toda... enfim... a mãe natureza só nos lixa.

6.14.2007

conversa 229

Ele - Pois, mas não é assim tão bom...
Eu - Tás a gozar, certo?
Ele - Não, não estou...
Eu - Olha, eu não queria ter de dizer isto mas tu, primeiro andas a chorar durante meses que ela não te liga nada, agora que ela te aceita vens para aqui com esse ar de cão que quer fugir ao dono... epá... foda-se.
Ele - Já fomos prá cama, sabes?
Eu - E então? Não correu bem, foi? Corre prá próxima... caga nisso.
Ele - Não é isso...
Eu - não me vais dizer que a XXXXXX afinal é um homem?
Ele - Não... cheira mal. Ela tem um cheiro que não suporto.
Eu - Foda-se. Preferia que não me tivesses dito isso. Eu não quero saber a que é que cheira a XXXXXX. A sério.
Ele - Não sei explicar. Depois pede-me para lhe fazer um minete e eu pá... não sou capaz.
Eu - Estás a brincar, não estás?
Ele - Não te armes em santinho. Nunca sentiste esse cheiro numa mulher?
Eu - Eu sou parcialmente anósmico, mas já senti cheiros, sim, o que é isso não me chateia nada...
Ele - Nada?
Eu - Nada... mas... opá, não digas isso a mais ninguém... está bem?

a minha roupa cheira a uma merda qualquer

A minha roupa cheira a tabaco. Dispo a camisola e prendo-a à cadeira da varanda com molas. Amanhã estará de novo pronta a vestir. As molas são vermelhas.
Não me incomoda, o cheiro do tabaco, embora não seja fumador. Incomoda-me sim, ser a única merda que trago para casa depois de ter estado a beber a noite inteira.
Bebo um vermute antes de me deitar. Escrevo um bocado na cama mas apago tudo sem gravar. Não me apetece, não sei porquê. Sei que amanhã não me vou lembrar de nada do que escrevi. Alivia-me saber isso. Alivia-me a capacidade de esquecer.
A minha roupa cheira a um perfume barato que comprei no chinês.Tiro a camisola da cadeira da varanda. As molas deixaram duas marcas no tecido, como se fossem duas feridas, que se mantêm visíveis depois de eu a vestir. Levo-as comigo, à camisola e às feridas. Não me lembro mesmo do que escrevi ontem. Tinha a ver com a incapacidade de marcar encontros, mas já não me lembro como é que agarrei a coisa. Merda, pá, devia ter gravado. Agora, pelo menos, postava aqui.
A minha roupa cheira ao suor dos que viajam nos comboios. Ao suor de todos: do velho que abre cuidadosamente o envelope com radiografias, da mulher que está sempre a falar ao telefone sobre alguém que não gosta dela, da outra mulher que lê revistas cor de rosa e abana sempre a cabeça em sinal de negação, do homem que lê o jornal Destak como se estivesse a ler o New York Times e dela, da morena de olhos verdes que está sempre a ouvir um leitor de mp3. Nunca me fala. Logo à noite vou-me lembrar dela, quando tentar apagar esta memória em mais uma cerveja num bar qualquer, e a minha roupa vai cheirar a tabaco.

conversa 228

Ela – Deu-me gozo deitar-te abaixo.
Eu – A quem? A mim?
Ela – Sim.
Eu – Mas... quando é que me deitaste abaixo?
Ela – Tu sabes... até melhor do que eu.
Eu – Olha, se ficas contente por me teres deitado abaixo, sejá lá isso o que for, óptimo, mas eu não me lembro de o teres feito. Pelo menos fico com a sensação que te pus em cima por qualquer motivo.
Ela – És um caralho, sabias?
Eu – Não, não sabia.
Ela – Vou embora, ter com um amigo. Agradeço que não me fales mais e, se passares por mim, nem me dirijas a palavra.
Eu – Está bem.

pensamentos catatónicos (79)

Há mulheres com uma capacidade enorme de não decidir nunca nada.

6.13.2007

conversa 227

Ela – Fodemos hoje?
Eu – Hoje não dá. Amanhã posso... amanhã era fixe.
Ela – Amanhã não devo eu poder.
Eu – Foda-se... telefona-me se puderes...
Ela – Eu telefono ou mando-te um sms. Senão só prá semana. No fim de semana vou pró Algarve.
Eu – No fim de semana também não posso.
Ela – No fim de semana não podes?! Andas com alguma gaja?
Eu – Não... vou a um aniversário e tenho a minha filha...
Ela – Ah! Lá porque eu não quero ter nada contigo não penses que podes começar a andar praí com uma gaja qualquer...
Eu – Foda-se... (sem ser só em pensamento)

conversa 226

Ele - Não vais contar esta merda a ninguém...
Eu - Vou, vou...
Ele - Olha que me fodes. A mim e a ela...
Eu - Pronto, vou só pôr no blog...
Ele - Não te conto mais nada. Nunca mais...

cancro dos tomates

O cancro dos tomates, também conhecido como cancro dos testículos, é fodido porque é um dos cancros que se espalha mais rapidamente no corpo, e é por isso que o pessoal tem que estar sempre atento ao seu eventual aparecimento. As boas notícias são que, para além de fácil detecção, é também um dos cancros de mais fácil tratamento. Não custa nada, cada vez que se toma banho, por exemplo, verificar com as mãos se há alguma coisa de errado. Eu, por exemplo, sempre que tomo banho faço um exame aos testículos, o que dá em média um exame por mês, mais do que suficiente.
Normalmente, a primeira sensação que se tem é ter um testículo mais pesado do que o outro. Não confundam isto com ter um testículo mais abaixo do que outro (isso é normal), é mesmo sentir que um tem mais uns duzentos gramas do que o outro até porque, normalmente, esse mais pesado também cresce de tamanho.
Outra merda que se deve analisar é a existência de caroços. Isso consegue-se apertando o mais possível a pele à volta de cada um dos tomates, de forma a que se veja bem a forma do testículo. Se houver algum caroço vai-se notar a existência duma saliência. É fácil...
Não esquecer ainda que o surgimento do cancro torna também a zona mamária mais sensível, e esta é, segundo o meu médico, uma das sensações mais óbvias.
Em caso de desconfiança o exame que se deve fazer é uma ecografia aos tomates, ou seja, vê-los través de ondas sonoras. Eu já fiz dois e sim, é chato como a merda ter um tipo a mexer-nos nos tomates com uma máquina, mas não se queixem, que as mulheres também passam a vida nos ginecologistas e não se queixam. Além disso, os médicos já se estão mesmo a cagar pró que estão a fazer. Querem é que chegue à horinha deles para irem jantar. Tá-se bem.

conversa 225

Ela – Não sei se me apetece ir viver sozinha.
Eu – Então não vás.
Ela – Mas estou farta de viver com o meu pai, percebes?
Eu – Então vai.
Ela – Não quero é viver com o meu pai nem sozinha.
Eu – Então não sei que te diga...
Ela – Tu dás-te bem a viver sozinho?
Eu – Sim, dou.
Ela – Disseste que ias vender a casa...
Eu – E vou, mas depois arranjo outra e continuo a viver sozinho.
Ela – Sempre?
Eu – Sempre, não. Acho que não...
Ela – Com quem é que gostavas de viver?
Eu – Sei lá. Para já não sei... ou sei mais ou menos. Sei lá...
Ela – mas tu és homem. É diferente.
Eu – É diferente em quê?
Ela – Já viste? uma mulher a viver sozinha...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

aroma e frescura

1] No próximo dia quatro de Julho faz um ano que a minha ex-companheira me pediu o divórcio. Tem piada os gringos chamarem a esse dia o Dia da Independência.
2] No próximo dia quatro de Setembro faz um ano que iniciei este blog. A sério que isso não me interessa muito, mas acho mesmo curioso este pasquim ter tido, por exemplo, nos últimos dois dias e segundo o ShinyStat, respectivamente 282 e 278 visitas únicas. De qualquer maneira tenho que agradecer às pessoas que vão passando por aqui. Isto é uma terapia fixe para mim e por isso vocês também são. Obrigado. Gosto de vocês!
3] Fui multado por estar aí uns quatro centímetros em cima da passadeira. Foda-se lá prós bófias. É mesmo caça à multa esta merda. Ainda por cima a multa não diz porque é fui multado. Vou contestá-la.
4] Lembro-me desta cena numa publicidade qualquer quando eu era puto: quatro vezes quatro, aroma e frescura... e gosto de me lembrar. Fica-me uma sensação agradável, não sei porquê.

alvos

Às vezes damos um tiro que não acerta no alvo. Pior que não acertar no alvo é acertar no alvo errado. O índice ivariano desce quatro valores, para o nove.

crónicas da cidade que sopra | cortes de cabelo, silêncios e multas

Amanhã, por ser quinta-feira, o Diário de Aveiro publica mais uma crónica da cidade que sopra, escrita aquilo pelo bagaçólico...

Esta noite Hugo não dormiu. Com a ponta do pé direito descalçou o calcanhar do pé esquerdo e depois, com a ponta do pé esquerdo, descalçou o calcanhar do pé direito. Os sapatos estão largos e envelhecidos, e nem é necessário desapertar os atacadores para os calçar ou descalçar. Com dois pontapés no ar atirou-os para o meio do quarto onde adormeceram envolvidos numa exagerada quietude. Os sapatos adormeceram mas ele não. Aconchegou-se o quanto pôde no lençol de silêncio que não o chegou a aquecer suficientemente, e os seus olhos recusaram-se a fechar. Durante um dia inteiro não tinha falado com ninguém, e só ao deitar-se é que reparou nisso. Depois passou a noite a falar consigo mesmo.

6.12.2007

conversa 224

Ela - Tens cabelos compridos na sanita da tua casa de banho.
Eu - Tenho o quê?
Ela - Cabelos compridos na sanita da tua casa de banho.
Eu (silêncio)
Ela - Teus não são de ceteza. Meus também não. Devem ser de alguém que lá foi há pouco tempo.
Eu - Sim, isso é óbvio.
Ela - Devem ser duma amiga tua.
Eu - Ou duma amiga minha ou dum amigo meu. Desde os Beatles que os homens usam cabelos compridos no Ocidente...
Ela - Mas tu deves saber quem foi... tu é que deves saber quem trouxeste cá, não é?
Eu - Às vezes vêm cá amigos meus... ou amigas, sim, mas não costumo ir à casa de banho verificar se deixam cabelos na sanita.
Ela - Mas quando se puxa o autoclismo os cabelos vão para baixo. Ou não costumas usar a casa de banho ou esteve cá alguém há pouco tempo.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

produtividade

só para contribuir para a vossa quebra de produtividade no trabalho ou no estudo: é terça-feira e eu vou agora à praia. :)

[update] o tempo estava uma boa merda mas a água estava muito fixe, na Costa Nova. Bandeira amarela mas boa temperatura...

a minha próxima relação tem que ser...

para um bom amigo: com uma gaja que fale pouco e foda muito.
para a minha mãe: com um menina limpinha e que trabalhe.
para o meu irmão: com uma miúda que não seja um modelo ultra-leve.
para outro bom amigo: com a XXXXXX, pá. Ela está disponível.
para um colega de trabalho: com uma gaja que não me canse muito à noite para eu começar a trabalhar mais cedo.
para uma amiga: com uma gaja que não seja possessiva que é para ela não me perder.
para o barbeiro: nenhuma, que ele tem mais de sessenta anos e sabe que nenhuma mulher vale a pena.
para a minha filha: com uma mulher que goste de cantar Sam the Kid
para um gajo com os copos que acha que é mais meu amigo do que realmente é: com uma qualquer que as gajas são todas iguais.
para mim: com alguém que eu goste, que goste de mim, e não beba sumol de morango.

pensamentos catatónicos (78)

O mundo é demasiado pequeno para mim e para este blog. A mulher que bochecha com Sumol de morango lê o "não compreendo as mulheres" e reconheceu-se. Acho que, apesar do sentido de humor, está um bocadinho chateada. Um bocadinho de nada.. Hum... parece-me que não pode haver compatibilidade entre um espírito pós-moderno que bebe Sumol de morango, e um classicista que bebe Sumol de laranja, como eu. A vida é fodida. Mais uma hipótese perdida...

conversa 223

Ela - É a nossa primeira queca e é tão bom...
Ele (silêncio)

(passado algum tempo)

Ela – Às vezes fodia com um gajo que depois me pagava copos.
Ele (silêncio)
Ela – Ele tinha assim uma pila tipo rinoceronte. Era uma boa queca.
Ele (silêncio)
Ela – Depois ficava a falar sobre as gajas que já tinha fodido.

in "Inland Empire", David Lynch

6.11.2007

morangos

(antes de ir para o cinema)
Hoje conheci uma mulher que bebe Sumol de laranja e aproveita o último gole para bochechar e lavar os dentes. A lata de Sumol de morango tem uma cena qualquer sobre a série Morangos Com Açúcar. estava a pensar se não será esta a mulher da minha vida. Hum... hum... hum...

Wish me luck!

Bem... convenceram-me a ir ver o filme do David. Wish me luck!

disfunção eréctil e ejaculação precoce

Desde que escrevi o post mulheres, traumas, cores e ejaculação precoce, já recebi alguns emails de homens que me parecem um bocado perdidos e até envergonhados, incluindo um comentário anónimo que publiquei.
Tenho uma amiga mais ou menos próxima que é, de facto, técnica de saúde. Eu não sou. Sobre disfunção eréctil, ejaculação precoce ou outra merda qualquer que atormente um homem, o que se deve fazer, segundo ela, é primeiro dar algum tempo, porque normalmente este tipo de problemas são passageiros. Se o problema se mantiver então é que se deve consultar um andrologista, que ele depois identificará se o problema é de origem orgânica ou psicológica. A partir daí ou inicia um tratamento ou indica um psicoterapeuta.
Eu prossigo que a vergonha é a última coisa que se deve ter, e se a companheira sexual não aceitar nem perceber isso e entrar numa de vos diminuir, a conclusão é fácil: a gaja é parva e é melhor trocarem-na. Claro que o mesmo se passa no sentido inverso. Quando a mulher passa por uma fase de abstémia a única coisa que se pode fazer é respeitar isso e tentar conversar com ela. É para isso que temos duas mãos, por isso evitem pressões psicológicas sobre ela.
Hoje e amanhã estou limitadito no acesso à net, mas brevemente falarei mais sobre estas questões, que são importantes. Importantes porque não foder é fodido (adoro esta frase), e perder uma pessoa por causa duma merda destas ainda mais fodido é.

sms

não penses que eu desisto tão facilmente.
sms recebido antes das oito da manhã. Li-o, com olhos de carneiro mal morto, e adormeci outra vez. Eu não penso nada... a não ser que agora vou cortar o cabelo à barbearia Aveirense.

conversa 222

Ela - Opá, Ando a sentir-me tão sozinha.
Eu - Tu?! Mas tu estás com o XXXXXX... ele parece feliz.
Ela - Ele é feliz. Não me interpretes mal, eu gosto mesmo muito dele... mas é muito centrado nele mesmo. Só pensa nele... mesmo com ele sinto-me sozinha.
Eu - Devias falar com ele...
Ela - Não estás a perceber. Não se consegue falar destas coisas com ele. Ele nem as percebe.
Eu - Hum...
Ela - Já falei mais contigo hoje do que com ele em toda a minha vida. Às vezes penso em acabar com tudo...
Eu - Não te precipites. Vai dar uma volta à praia ou assim...
Ela – Amanhã estás cá em Aveiro, não estás?
Eu – Estou. Mas de tarde vou cortar o cabelo e tenho uma reunião. À noite ainda nem sei... costumo ir ao cineclube mas esta semana é o David Lynch. Não sei se vou.
Ela – Gosto de falar contigo...
Eu – deixa-me só dizer-te uma coisa importante. Aquilo que me estás a dizer do XXXXXX, era exactamente o que a minha ex-mulher dizia de mim. Se calhar essas merdas da falta de comunicação acontecem sempre. Não é o fulano X ou Y que é fechado.
Ela – Achas?
Eu – A partir do momento que divides a vida com outra pessoa, estás a dividir espaço e tempo também. Isso é sempre difícil. Por isso é que um gajo só se deve meter em relações a sério quando está cheio de certezas. Senão é melhor ficar por umas voltitas aqui e ali a ver o que dá...

6.10.2007

xadrez 9


conversa 221

Ontem fui, pela primeira vez, ao Armazém do Silêncio, um bar em Aveiro junto ao Cais do Paraíso. Fui à casa de banho e, na parede por cima do mictório, estava um papel impresso a computador a dizer:

Isto não é um cesto de papeis. Agradecemos a compreenção!

(conversa com a empregada)
Eu - Olha, desculpa lá dizer isto mas é mau de mais. Fui à casa de banho... compreensão é com s
Ela - Só um bocadinho (foi chamar o colega).
Ele - O que é que se passa? (dirigindo-se para a casa de banho comigo atrás)
Eu (apontando já para o papel) - já nem falo no facto de papéis ter acento... mas compreensão leva s. Isto é mesmo mau, ter esta merda aqui, pá.
Ele - Ah! eu sei. Não faz mal...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

(passados alguns minutos)

Ela - Há bocado pensei que estavas reclamar por qualquer coisa. Quando falaste em compreensão eu pensei que estavas zangado... que não te estavam a compreender. Por isso é que chamei o meu colega.
Eu - Não, não. Não te preocupes. Mas escrever compreensão com ç é muito mau. Para mim é suficiente para não voltar cá.

(entretanto, duas horas depois, voltei a ir à casa de banho e ainda lá estava o mesmo erro)

Eu (só em pensamento) - Foda-se!

Observação: Para além de não saberem escrever, também não gosto de bares com gorilas à porta a distribuir cartões de consumo. Isso já passou de moda há muito tempo. A única coisa que o bar tem decente é mesmo a empregada, que é bonita e muito simpática. Não volto lá.

conversa 220

Ele - Ontem vi a XXXXXX e ela reagiu duma forma estranha quando perguntei por ti... estão chateados?
Eu - Não... Pelo menos eu não estou.
Ele - Ah! já entendi...
Eu - Ainda bem que entendeste que eu, sinceramente, não entendo nada.

mulheres, traumas, cores e ejaculação precoce...

Esta carta vem hoje na Pública, suplemento do jornal Público. Depois de a ler, e também baseado em conversas sóbrias que já tive com amigos meus, acho que se posso resumir, ainda que duma forma empírica, o processo de evolução psicossomática no homem depois do divórcio.

Tive uma relação que durou cinco anos. Acabou tudo, faz sensivelmente um ano. Estive deprimido durante mais de seis meses, período em que estive abstémio no que concerne a mulheres. Há alguns meses, voltei a ter contacto sexual(sempre com parceiras casuais), mas não tenho conseguido ter o desempenho que tinha. O problema é que tenho tido frequentemente ejaculação precoce. Tenho 26 anos, considero-me saudável, pratico exercício com frequência, sempre consegui satisfazer as minhas parceiras. Por vezes, no passado acontecia-me isso quando estava muito nervoso ou com muito stress, agora, tornou-se regra. Acredito que tudo se deve a não estar completamente sanado quanto à relação que refiro no começo desta carta. Será mesmo psicológico ou será um problema físico? Comecei agora uma relação e sinto algum nervosismo quanto a um contacto mais físico por ter medo de ficar envergonhado.

O período abstémio existe sempre, sendo que a primeira companheira sexual que se tem é quase sempre casual, mesmo que na altura se acredite que não. Mesmo que se chegue a acreditar que se gosta muito dela, isso é normalmente mentira. Na verdade acho que criamos a necessidade de gostar de alguém para combater uma certa frigidez emcional instalada em nós.
O período eufórico consiste numa actividade sexual um bocadinho acima do normal, com companheiras de curta duração emocional. Apesar de eufórico é uma fase fodida, em que apesar da regular actividade sexual, se geram constantemente sentimentos contraditórios dentro de nós: vou/não vou, faço/não faço, amo/não amo.
O período de má prestação sexual vem só a seguir às primeiras relações sexuais casuais, quando se começa a levar mais a sério o facto de levar alguém prá cama. Normalmente, com a primeira mulher que levamos para debaixo dos lençóis com paixão, levamos também algum nervosismo. Nunca sofri de ejaculação precoce mas já tive más prestações sexuais, sim. Sei que assumir isto é um problema para a maior parte dos homens. Para mim não é.
O período nuvem (como lhe chamo), em que acho que me encontro agora, é a fase em que se pode viver algumas amizades coloridas, e se começa a acreditar que talvez valha a pena voltar a ter uma relação. Talvez... não se tem muito bem a certeza. As amizades coloridas são importantes, porque as cores tanto aparecem vivas como desbotadas, dependendo dos dias, e vão-nos avisando secretamente de coisas pelas quais não queremos passar outra vez.

6.09.2007

candidatura espontânea

A kruella está à procura dum gajo com requisitos mínimos. Deixo aqui a candidatura...

Ser bom > Sou bom. A sério que sou mesmo bom. Vou muitas vezes a Ermesinde e tudo.
Idade entre 30 e 40 > tenho 35 mas tou quase nos 36. Portanto estou mesmo entre os 30 e os 40.
habituado a fazer flexões e abdominais > isso não faço, mas pratico frequentemente levantamento de copo.
dentição completa e tratada > faltam-me dois ou três dentes, mas quando como amêndoas e elas se entalam nos buracos dos que faltam até parece que tenho todos. A sério.
com a unha dos dedos mindinhos do tamanho das outras oito, curtas, sem serem roídas, que isso mostra sinais de nervosismo/insegurança > unhas roídas só quando o Beira-Mar joga. Também têm todas o mesmo tamanho. Deixei-as crescer todas.
alto, moreno com olhos claros de preferência que não seja vesgo > 1,84 metros mas já não cresço mais. Olhos castanhos claros, pelo menos quando estou completamente sóbrio. Vesgo, só a partir das duas, normalmente.
Inteligente > sim, sim. Claro.
com bom humor > eu, uma vez, fiz uma piada. Foi em 1982 e a minha mãe riu-se.
com um andar normal > hum... andar normal é andar de carro?
hetero a 100% mas sem ser...machista...> sou hetero e não sou machista. Aliás, quando uma gaja me chama machista apanha logo...
remediado...financeiramente > cof, cof, cof!
cabelo penteado > penteado sim, pelo menos duas vezes por ano.
bom na cama que não ressone > isso depende... e se for no sofá?

é bom não foi?

Arranjei uma namorada que me compreende e que eu compreendo. Acredito que vamos ter uma relação de muitos anos. É esta. Hum... hum... estou aqui a pensar agora... epá: como é que eu levo esta gaja ao cinema? ou beber um copo? Hum... se calhar afinal não dura muitos anos... acho que vou é já acabar com esta relação... tenho pena mas vai ser já.

conversa 219

Ela – Podemos estar juntos esta semana? A última vez foi fixe...
Eu – Foi fixe mas ficámos de marcar mais vezes e tu não me telefonaste. Depois eu fico com saudades...
Ela – Então, tu também não me telefonaste a mim.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

cinco cenas maradas

1] Hoje, no Armazém do Silêncio, a acompanhar os Retroboys no som, vão passar imagens aqui do Bagaço Amarelo. Pena é que o Bagaço não possa estar presente porque está em Espinho a trabalhar. Se aparecer é lá mais para o fim...

2] Se torno a ouvir o Pedro Abrunhosa a perguntar quem o salva desta espada e quem lhe diz onde é a estrada, mando o auto-rádio pela janela. Fosca-se, que gajo reptitivo. Eu estou aqui, eu estou aqui, eu estou aqui....

3] Acho que me vou iniciar no couchsurfing este mês. Não a viajar mas a receber uma pessoa. Fixe!

4] Assinei o abaixo-assinado do movimento 1922 por um Beira-Mar mais perto dos sócios.

5] A sério que não compreendo as mulheres. Num dia está tudo bem, no dia a seguir está tudo mal, depois está tudo bem outra vez e, por fim, afinal está tudo mal. E eu (só em pensamento): Foda-se, caralho lá para esta merda toda. É tudo mesmo só em pensamento, que eu não digo asneiras e sei que este blog é visitado por menores (o Marques Mendes, por exemplo).

6.08.2007

mulheres com blogs...

1] A Insaciável pergunta no Sexo sem Nexo, às meninas e aos cavalheiros, se recuam nas intensões sexuais quando a parceira está com o periodo. Eu, pessoalmente, não me importo.
2] A Kruella procura, no dekruella, um gajo bom que tenha entre 30 e 40 anos. Eu tenho, mas pelo que percebi não satisfaço os requisitos todos.
3] A Cláudia, no Claudipedia, acha que mudar a cor do cabelo é um vício.
4] A Fausta Paixão, no não compreendo os homens, está preocupada com os direitos humanos. Pelo menos os dela.

menina Inverno

Júlia gosta do vento cinzento que a despenteia pela manhã. Às vezes abraça-o cingindo-se a si. Porque ele é esguio. Tão esguio como as suaves lembranças coloridas que pontilham o céu pálido onde habita, e depois se vão intermitentes de amor, explodindo no ar como balões de gás a arder. Às vezes semeia sonhos no negrume de um café quente britânico. Depois pára no tempo, espaçadamente, mas ninguém sabe. Devaneia sorrisos vãos entre os olhares que a percorrem sem destino, e de meias rotas é uma menina Inverno notando-se no degelo. Como água no deserto. É um insecto preso na imensa teia de aranha que desenha a cidade de Londres.
Hoje de manhã embrulhei o acordar embrutecido da cidade, adormecendo-o com a cabeça encostada à janela de um comboio. Tão longe da partida e da chegada como de outra coisa qualquer. O céu empalideceu-se e, como um peixinho vermelho na água de lodo escura, vi-a entre os transeuntes. Não a chamei. Júlia está longe.

[escrito para uma amiga em outubro de 2004]

carne torpe

O teu sono permanece com a justiça e a quietude dos astros. Se um dia acordares dessa letargia, surpreender-te-ás pela quantidade de coisas que agora te digo, que te dizia com a mesma intensidade em qualquer noite bem dormida. Aquilo que eu sei e amo em ti, aprendi-o nos teus silêncios oníricos.

Eugénia Brito em "Carne Torpe"

conversa 218

Ela – É bom estar ao pé de ti.
Eu - Não concordo, mas pronto...
Ela - Não concordas?
Eu - Não... passo a vida ao pé de mim e já estou farto. Acho que é melhor estar ao pé de ti.
Ela - Também estou farta de estar ao pé de mim.

ressabiados

Lol! Uma das coisas que me dá mais gozo neste blog é perceber que deixa vários tipos ressabiados. Hoje tinha três comentários anónimos, sobre o post anterior "esta noite dormi com ela", de pessoal em total regozijo pelo facto de ter feito amor apenas uns minutos.
Acho que é a isto que se costuma chamar analfabetismo funcional, ler um texto mas não perceber o que está lá escrito. Também não me apetece explicar mas, ao pessoal que deixou os comentários, dou um conselho sério: leiam mais.
Ah! e "fizes-te" não leva tracinho. É fizeste, simplesmente. Eu explico-vos a regra porque estou farto de ver este tipo de erros. Só se puderem fazer a negação do verbo é que colocam tracinho. Exemplo:
Fizeste amor só durante alguns minutos, não pode ser não te fizes amor durante alguns minutos.
mas a negação de
Fazes-te ao bife durante alguns minutos é não te fazes ao bife durante alguns minutos.
Não é assim tão difícil, pois não?

6.07.2007

esta noite dormi com ela

Esta noite dormi com ela. Fizemos amor durante alguns minutos e depois dormimos juntos até amanhecer. Vê bem à tua volta. Deves ter perdido a sombra.

respostas a perguntas inexistentes (2)


Ela chamou-me. Esperou alguns segundos e, como não reagi, tornou a chamar-me, desta vez mais alto e com irritação na voz. Perguntou-me porque é que eu não lhe respondia. Eu respondia, sim, da mesma forma que as árvores falavam umas com as outras.

cabeça borracha

1] Baixei a última versão do Openoffice, que é muito melhor do que o Microsoft Office e é de graça .
2] Baixei o Eraserhead, do David Lynch, e vou revê-lo antes de ir ao cinema ver o Inland Empire.
3] Isto é para ver se um gajo se ditrai e não pensa em mulheres incompreensíveis.

links> openoffice, eraserhead 3, eraserhead 4, eraserhead 5, eraserhead 6, eraserhead 7, eraserhead legendas em português

conversa 217

Ela - Porque é que às vezes finges que não me vês?
Eu - Eu?! Eu não finjo que não te vejo...
Ela - A maior parte das vezes passas por mim e nem um olá dizes.
Eu - A sério que não é de propósito. Se não te cumprimento às vezes é porque não te vejo mesmo...
Ela - Já me disseram que és um arrogante, que não cumprimentas as pessoas só porque não te apetece.
Eu - Quem é que te disse isso?
Ela - Olha, uma pessoa que não cumprimentas.
Eu - É verdade que sou arrogante, é verdade que não cumprimento uma pessoa só por uma questão de educação. No teu caso, a sério que se não te cumprimento algumas vezes é só porque não reparo em ti...
Ela - Porque não reparas em mim?! Isso ainda é pior.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

conversa 216

Ela1 - Se pudesses voltar atrás no teu divórcio, voltavas?
Eu - Não.
Ela1 - Porquê?
Eu - Sei lá... há que coisas que quando quebram não são recuperáveis.
Ela2 - Mas se pudesses voltar atrás como se nada se tivesse passado, voltavas?
Eu - Talvez... acho que sim.
Ela2 - Pois, isso muda tudo.

trece

después desta noche yo no sé lo que hacer con lo índice ivariano. Pués... mira... creo que se quedará con uno pontito más: trece

fuck da system

Conselho de divorciado: se, depois de terem bebido alguma cerveja, alguém vos começar a oferecer shots, não aceitem. No dia seguinte a cabeça fica um cadito mais pesada do que o costume. Fuck da system!

6.06.2007

jantar

E pronto, vou cozinhar camarão com alguns ingredientes exóticos embora não em demasia mas para mais garfos. Parece bom. Espero que tenham também um bom jantar e uma boa noite a não ser que, por uma vez na vida, tenham votado no CDS Pipi.

conversa 215

Eu - Não consigo mesmo. A sério... se me quiserem torturar é obrigar-me a ouvir um disco dos pólo Norte inenterruptamente.
Ela - Não me fodas.
Eu - Não, não fodo. Não te preocupes.
Ela - Mau, não sejas assim. Não é esse "não me fodas" de que estou a falar.
Eu - Mas porquê? Então qual é que é o "não me fodas" em que não te posso foder mesmo?
Ela - (risos) Em nenhum.
Eu - Não me fodas.
Ela - (risos) - É melhor falarmos mais baixo.
Eu - Porquê?
Ela - Porque podem ouvir.
Eu - Podem ouvir sobre coisas que não fazemos. Não há crise...
Ela - Não fazemos mas podemos vir a fazer.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

mayra andrade por aí

Estou zangado com a Mayra. Então não é que a miúda vem cá e não me diz nada... foi o Duckman que me avisou por email, a quem agradeço.

28 Junho | Lisboa
02 Agosto | Zambujeira do Mar
14 Agosto | Faro

Ainda por cima vem cá mas nem um concerto no norte. Nem um. E eu (só em pensamento): foda-se!

conversa 214

Ela – Logo jantamos?
Eu - Já tenho um jantar marcado em Aveiro.
Ela – És sempre a mesma merda.
Eu – Amanhã trabalho em Espinho à tarde. Se quiseres posso ir de carro e dou um salto ao Porto à noite. Jantamos amanhã...
Ela – Amanhã não posso. Já tenho eu um jantar marcado.
Eu – Estás a ver? Também és sempre a mesma merda. (risos)
Ela – Não. Tu é que és sempre a mesma merda. Fazes jantares em Aveiro e nem me convidas.
Eu – Também não me convidaste para o teu de amanhã no Porto.
Ela – Não posso. Não conheces o pessoal com quem vou...
Eu – Tu também não conheces o pessoal com quem vou jantar hoje.
Ela – Passava a conhecer, não é?
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

respostas a perguntas inexistentes (1)



Ela contava piadas sempre que tomávamos café na esplanada de betão, acanhada entre alguns edifícios decrépitos e sem cor. Nunca levei a sério aquela felicidade, mas respondia sempre com um sorriso e, não sei porquê, gostava que tivesse sido eterna, apesar de falsa.

crónicas da cidade que sopra | mas às vezes não

Amanhã, por ser quinta-feira, regresso ao diário de Aveiro com mais um crónica da cidade que sopra: mas às vezes não.

Tem perdido amigos, pensa enquanto o céu vai fugindo na delgada janela do veículo. Não é que eles se tenham zangado ou até morrido. Deixaram apenas de ser amigos do presente para passarem a ser conhecidos do passado. Talvez seja normal aos trinta e tal anos, conclui. Amigos de abraços e conversas longas transformam-se em insípidos apertos de mão e casuais perguntas de retórica: “Então, como vai isso?”, “Olá, estás fixe?” ou “Vais andando?”.

uma dúzia

Minetes à parte, e voltando a coisas sérias, o índice ivariano sobe mais um valor. Fica no doze e já não é mau. Hoje tive uma manhã boa, na também boa companhia da XXXXXX. Logo vou ter um jantar fixe, na também fixe companhia de algumas amigas e um amigo. Nem me posso queixar muito.

6.05.2007

coisas que fascinam (52)

conheci-o no blog da Insaciável e fascinou-me: não tenho vergonha.

conversa 213

Ele – Há quanto é que não nos víamos?
Eu – Há mais de um mês... desde que eu fui a Lisboa.
Ele – Como é que anda aí o índice ivariano? Não tenho ido ao teu blog...
Eu – Na mesma. É a guerra do costume.
Ele – Tens estado com a XXXXXX ou com a YYYYYY?
Eu – Vou estando... às vezes. E tu, estás porreiro com a ZZZZZZ?
Ele – Estou, mas não penses que não temos chatices um com o outro. Não há nada perfeito.
Eu – Pois, mas pelo menos gostas de alguém a sério. Já não é mau...
Ele – E tu não gostas?
Eu – Gosto... mas gosto de quem não gosta de mim, percebes? A merda é essa...
Ele – Mas a XXXXXX e a YYYYYY não gostam de ti?
Eu – Opá... gostar gostam mas não é o suficiente. É mais por empréstimo, percebes?
Ele – E a WWWWWW? Ela gosta mesmo muito de ti...
Eu – Sim, eu sei. Mas o que é queres que te diga? A WWWWWW não me desarruma por dentro, pá. Nem devia ter estado com ela. Fiz-lhe mal.
Ele – Como a XXXXXX te fez a ti?
Eu – Exacto. Mais ou menos...
Ele – Tu falas muito de gajas com paixão, pá. Isso na nossa idade não existe. Tu tens é que arranjar alguém, mesmo que só gostes um bocadinho dela, e depois alimentar essa relação. Aos trinta e cinco pensas que te vais apaixonar como quando tinhas vinte? Não vais...
Eu – Então estou fodido. Eu não consigo fazer isso... e não quero.
Ele – A WWWWWW é mesmo bonita e tu mandaste-a à merda. Eu nem acredito, percebes? Para quê? Por causa duma mulher que está contigo uma vez por mês...
Eu – Eu não a mandei à merda. Disse-lhe a verdade e foi o que fiz melhor. Não estou arrependido, caralho. E não foi por causa de ninguém. Foi por minha causa. Bem... e por causa dela.
Ele – Vais andar anos até encontrar a tua princesinha. É o que te digo...
Eu -Tá fixe! Primeiro tenho que encontrar um sapato. Espero encontrar um duma gaja que cheire mal dos pés, assim é mais fácil chegar até ela.
Ele – Tás a aparvalhar.
Eu – Pois tou.

tu vens do circo quando eu gosto de ti

Tu vens do circo quando eu gosto de ti. Sempre, sapateando a mistura de terra e água do caminho das árvores tristes, cujas folhas pranteiam de vermelho a lama. Trazes nos olhos ainda restos de algodão doce que, em sulcos de soluços leves, se rasgam e sobem aos céus formando as nuvens. Ora brancas de falsa paz, ora negras de concórdia. Hora de te deitares e seres boa.
Tu vens do circo quando eu gosto de ti, e trazes sempre novas formas de o contar. Ora antes, ora depois. Seja o sorriso estendido de um palhaço triste, seja o amparo quente da bailarina ao domador de leões. Trazes na boca a humidade duma nascente de água fresca, que eu bebo, e me corre com a força de um rio onde sou náufrago.
Tu vens do circo quando eu gosto de ti. Sempre sobre um dia de suor pedindo repouso, em que te espero tal um cão faminto soçobrado à ausência do dono.
Mas hoje não, que fui à janela que dá para o caminho e vi-os a passar: o palhaço triste, o domador de leões, a bailarina que o ampara, e até o homem do algodão doce. Fiquei a vê-los até se diluírem no horizonte, e nunca olharam para trás.~

[escrito em maio de 2003]

profanação de bandeira II


Latvia | não pisar

conversa 212

ainda em comentários neste blog e ainda sobre minetes:

Ela - Não só concordo com a segunda pequena como te digo que, para além de técnica, tem pré-requisitos.
Eu - Pré-requisitos.... ai... meu deus... mas o quê?! ai... nem sei que diga.
Ela - É preciso lavar os dentes. Muito pouco romântico eu sei, mas um ataque de espontaneidade a seguir à refeição, longe de casa, pode valer uma caixa de antibiótico em poucos dias.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

conversa 211

conversa em comentários neste blog (sobre minetes)

Ela1 - Uiiii...quando bem feito de facto pode levar a uma apneia orgásmica...que quando se volta a inspirar tem que ser com a gânfia toda.
Eu - Quando bem feito?!!!! tou a ver que temos técnica... lol, lol!
Ela2- Tem de haver uma técnica, e muito especializada, diga-se, para se atingir o objectivo desejado:) Não é qualquer um que tem essa boa técnica;)

pelo menos...

Pelo menos abraçámo-nos, entre um chá de não sei o quê e bolachas com doce framboesa. O índice ivariano sobe dois valorzinhos e regressa a terrenos positivos, fixando-se no onze.

6.04.2007

profanação de bandeira

A bandeira da Letónia é feia!

minete

O meu sono ancora no teu umbigo, que se eleva do horizonte quando inspiras cansaço. E depois retrai-se novamente destapando-te as dunas solarengas. Suas, e eu tenho a língua húmida desejando secar ao Sol. Posso ouvir o teu respirar friccionar esta apneia onde me deito. E deitado, que pena ser apenas o meu sono ancorado em ti. E não eu.

[escrito em 21 de julho de 2005]

início da semana a descer...

Regressa-se, que há sempre um regresso, dum monte alentejano às hesitações quotidianas. Tomei café num sítio onde uma caboverdiana me atende sempre com a maior simpatia do mundo e ela não estava. Depois percorri os mais de 50 quilómetros de caminhos de ferro entre Aveiro e Espinho, acompanhando uma conversa de dois homens reformados e sós. Encontrei-me um bocadinho, no reflexo dum lago que banhava aquela floresta de palavras. O índice ivariano desce seis valores, para nove.

conversa 210

Ela – Porque é que não respondeste às minhas mensagens?
Eu – Ah! Eram tuas? Não li...
Ela – Não leste?
Eu – Não. Vi o aviso que estava sem espaço no telemóvel para novas mensagens. Depois apaguei as mensagens todas que tinha mas não consegui ler as que supostamente tinham chegado. Devo tê-las apagado sem querer...
Ela – Também não atendeste o telefone.
Eu – No Monte Selvagem não tinha rede...
Ela – Não tinhas rede mas recebeste um aviso a dizer que tinhas mensagens...
Eu – Tinha rede nuns sítios mas não tinha noutros, percebes? Tinha pouca rede, pronto.
Ela – E não viste que eu te tinha telefonado?
Eu – Não. A sério que não.
Ela – Eu prefiro sinceridade e que me digam que não têm vontade de falar comigo...
Eu – Mas não foi isso. A sério...
Ela – A XXXXXX telefonou-te e tu atendeste...
Eu – Pois atendi. Foi sorte. Estava com rede na altura.
Ela – Queres que eu acredite nisso?
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

já estava com saudades vossas....




Já estava com saudades vossas, mais delas do que deles, admito. Passei este fim de semana no monte selvagem. Identifiquei-me muito com este watussi, não sei porquê. Parece que nos machos os cornos crescem até ao fim da vida... eu fui-lhe perguntar se era verdade mas ele só me disse que não compreendia as fêmeas...

6.01.2007

coisas que fascinam (51)


deixem-me ser egoísta... só um bocadinho...
hoje é o dia mundial da minha filha.

agradecimento

Quero agradecer à mulher que viajou hoje à minha frente no comboio da CP, sentido Aveiro-Porto, e que me fez sair três estações depois daquela em que devia ter saído, e que por isso me fez também chegar atrasado ao trabalho. É loira, vinha a ler um livro, e tornou o meu dia melhor mesmo sem o ter percebido.

guarda nocturno

Há uns dias puseram-me um papelinho na caixa de correio a dizer qualquer coisa como: A pedido da Junta de Freguesia [de Esgueira], a Câmara Municipal de Aveiro vai disponibilizar um guarda nocturno para esta zona que estará sempre devidamente identificado.
Uns dias depois apareceu-me lá em casa uma miúda a pedir dinheiro para o guarda-nocturno porque ele não é remunerado. Sugestão do divorciado à Junta de freguesia e à Câmara Municipal de Aveiro: acabem com os inúteis da Polícia Municipal e paguem vocês ao guarda nocturno.

excesso de pele nos braços

É o que vem hoje na revista Viva+, suplemento do JN...

Victoria Beckham, mulher de David Beckham, perdeu peso enquanto procura casa para a família que, devido à transferência do jogador para o Los Angeles Galaxy, vai mudar-se para a CAlifórnia. Em virtude disso, a ex-Spice Girl está agora preocupada com o excesso de pele nos braços e pensa em recorrer à cirurgia para removê-la, embora o marido a tenha aconselhado a fazer exercício físico em alternativa.

Eu, em virtude de ter sido interpelado hoje de manhã, numa das principais artérias de Aveiro, por uma imigrante da Macedónia que estava desesperada para arranjar dois euros para comer um prato de sopa na Casa das Sopas, aconselho a Victoria Beckham a ir pró caralho que a foda.