Esta carta vem hoje na Pública, suplemento do jornal Público. Depois de a ler, e também baseado em conversas sóbrias que já tive com amigos meus, acho que se posso resumir, ainda que duma forma empírica, o processo de evolução psicossomática no homem depois do divórcio.
Tive uma relação que durou cinco anos. Acabou tudo, faz sensivelmente um ano. Estive deprimido durante mais de seis meses, período em que estive abstémio no que concerne a mulheres. Há alguns meses, voltei a ter contacto sexual(sempre com parceiras casuais), mas não tenho conseguido ter o desempenho que tinha. O problema é que tenho tido frequentemente ejaculação precoce. Tenho 26 anos, considero-me saudável, pratico exercício com frequência, sempre consegui satisfazer as minhas parceiras. Por vezes, no passado acontecia-me isso quando estava muito nervoso ou com muito stress, agora, tornou-se regra. Acredito que tudo se deve a não estar completamente sanado quanto à relação que refiro no começo desta carta. Será mesmo psicológico ou será um problema físico? Comecei agora uma relação e sinto algum nervosismo quanto a um contacto mais físico por ter medo de ficar envergonhado.
O período abstémio existe sempre, sendo que a primeira companheira sexual que se tem é quase sempre casual, mesmo que na altura se acredite que não. Mesmo que se chegue a acreditar que se gosta muito dela, isso é normalmente mentira. Na verdade acho que criamos a necessidade de gostar de alguém para combater uma certa frigidez emcional instalada em nós.
O período eufórico consiste numa actividade sexual um bocadinho acima do normal, com companheiras de curta duração emocional. Apesar de eufórico é uma fase fodida, em que apesar da regular actividade sexual, se geram constantemente sentimentos contraditórios dentro de nós: vou/não vou, faço/não faço, amo/não amo.
O período de má prestação sexual vem só a seguir às primeiras relações sexuais casuais, quando se começa a levar mais a sério o facto de levar alguém prá cama. Normalmente, com a primeira mulher que levamos para debaixo dos lençóis com paixão, levamos também algum nervosismo. Nunca sofri de ejaculação precoce mas já tive más prestações sexuais, sim. Sei que assumir isto é um problema para a maior parte dos homens. Para mim não é.
O período nuvem (como lhe chamo), em que acho que me encontro agora, é a fase em que se pode viver algumas amizades coloridas, e se começa a acreditar que talvez valha a pena voltar a ter uma relação. Talvez... não se tem muito bem a certeza. As amizades coloridas são importantes, porque as cores tanto aparecem vivas como desbotadas, dependendo dos dias, e vão-nos avisando secretamente de coisas pelas quais não queremos passar outra vez.