8.31.2015

coisas que fascinam (186)

Por muito que custe, temos que nos render a uma das condições mais básicas e certeiras da vida: no Amor há um princípio e um fim. A mim custa-me muito perceber esta crueldade da Natureza, que foi quem nos fez assim. Talvez por isso me considere um inadaptado à vida, porque também sou um inadaptado ao Amor.
A explicação é simples. Não me apaixono facilmente, mas desapaixono-me mais dificilmente ainda. Nas mudanças abruptas devíamos conseguir chegar a um cruzamento e virar noventa graus. Pelo menos, devíamos ter evoluído por aí.
Eu não evoluí. Salto de estrada para percorrer outro caminho, sim, mas as minhas estradas são quase paralelas. Percorro-as afastando-me muito lentamente da estrada que sempre percorri no passado e, ingenuamente, dou-me à esperança de voltar ao percurso anterior.
O Amor interessa-me assim, lento. Quando me encontro num caminho sem saída possível, é porque já o percorri durante muitos quilómetros.

10 comentários:

Anónimo disse...

Também sou assim e não queria ser diferente. É bom que as coisas demorem a chegar.. e a desaparecer..significa que foram importantes.
Maria

Bagaço Amarelo disse...

anónimo, pois... mas neste momento dava-me jeito ser um bocadinho diferente...

Anónimo disse...

Mas não deveria ser sempre assim? Ter a capacidade de amar sempre pela primeira vez? sem vestígios do passado, sem saber o guião?
Teresa

Inês disse...

Neste mundo de fast tudo e insta trend, estás a passo de caracol.

Andreia disse...

Também me encontro numa situação assim. Sair de uma longa relação, onde já houve amor mas onde agora só há amizade e conforto. Estou perdida... Sem querer magoar mas não querer ser injusta.

Bagaço Amarelo disse...

Teresa, devia poder andar sempre no mesmo caminho. era o que eu queria... :)

Inês, também me parece, por acaso. :)

Andreia, compreendo-te bem. :)

Inês disse...

Bagaço, se andasses sempre no mesmo caminho é que não evoluías.

Bagaço Amarelo disse...

Inês, o mesmo caminho é o mesmo Amor... :)

Maria Nunes disse...

Em pergunta à sua resposta... "poder andar sempre no mesmo caminho", não é contrário a "uma das condições mais básicas e certeiras da vida: no Amor há um princípio e um fim"?
Teresa

Bagaço Amarelo disse...

Maria Nunes (ou teresa), é... mas andar no mesmo caminho é apenas o que eu queria, não o que eu consigo... :)