10.24.2012

o síndrome da mulher da garrafa de gás

A verdade é que também sou um machista do caraças. Hoje de manhã, por exemplo, passei por um carro com o pneu furado e uma mulher alta e loira a iniciar a troca do mesmo. Parei imediatamente para oferecer ajuda, coisa que nunca faria se fosse um homem (não por má vontade, mas porque o meu subconsciente me diz que qualquer homem sabe trocar o pneu a um automóvel) e, qual não foi o meu espanto quando ela me disse que não precisava de ajuda. Tornei a montar a bicicleta e fui-me embora com a cabeça entre as orelhas.
A mulher não me saiu da cabeça, nem o sotaque dela. Não lhe perguntei, mas supus que fosse polaca, não sei bem porquê. Tinha a cara muito arredondada, uns olhos verdes de cortar a respiração e era mais ou menos da minha altura, ou seja, tinha um metro e oitenta e tal.
Cerca de um quarto de hora depois, por uma enorme coincidência, tornei a passar pelo mesmo local. Ela ainda lá estava, mas desta vez com três homens a ajudarem-na a mudar o pneu do Fiat Punto. Passei mesmo perto e ouvia dizer insistentemente que não queria ajuda, mas os homens amontoava-se para ajudar e, na verdade, pareceu-me que competiam ferozmente entre si para ficar com o macaco.
Acho que os homens portugueses sofrem do síndrome da mulher da garrafa de gás, aquela polaca alta, loira, e gira que carregava uma garrafa de gás às costas numa publicidade à botija ultra leve da Galp. Não confundam, porque não estou a falar das figurinhas tristes que qualquer homem tuga faz quando conhece uma assombração dessas. Estou a falar do complexo de inferioridade que demonstra.
Como se já não bastasse um mulherão destes ser qualquer coisa de cortar a respiração, ainda por cima não precisa de ajuda para mudar o pneu do automóvel. Pior, diz-nos o mundo da publicidade que também não precisa de ajuda para carregar a garrafa de gás. Caraças, pá! Como é que um gajo estabelece contacto com uma mulher destas, se ela não precisa de nada?!
A única solução é ajudar na mesma, e entrar numa luta desenfreada por um macaco, uma chave inglesa em cruz e quatro porcas e parafusos. Se ela fica a olhar para nós com um ar de quem não nos compreende, problema dela.

15 comentários:

eu, que tenho alguém igual a mim. disse...

não pude deixar de me rir eheheheh:) ora toma lá;)

Olga disse...

Que sorte tem essa polaca! Eu já tive uma meia dúzia de furos e nunca ninguém me ofereceu ajuda. A explicação é simples, sou mais feia que uma bota da tropa! (não estou a brincar, é mesmo verdade) Mas de qualquer modo aprendi a mudar pneus, arranjar torneiras, tomadas de luz e demais bricolages que surjam lá em casa! Acho que vou mas é pôr um anúncio e fazer uns biscates. Há que tirar partido das adversidades da vida.

De qualquer modo estou solidária com a dificuldade dos homens em estabelecer contacto com mulheres polacas! ;)

Eva disse...

Sabes? O que acabaste de escrever é o problema de grande parte dos homens com as mulheres de hoje em dia, as independentes, as que não precisam que lhes mudem as lâmpadas, os pneus do carro, ou que as sustentem... os homens não sabem purisimplesmente o que fazer, e do que elas precisam, já não sabem o seu papel na vida duma mulher... porque afinal uma mulher dessas precisa de quê? precisa dum homem para quê? A sociedade mudou esse paradigma, dantes as mulheres precisavam dos homens para serem sustentadas e para sustentar os filhos, depois para mudar pneus e levar o carro à revisão e hoje em dia... a relação tinha como que esse suporte meio invisível de haver uma necessidade do homem para uma série de coisas práticas e pragmáticas, e bom, hoje em dia precisamos dos homens para sermos felizes, tão somente para conseguirmos sentirmo-nos completas e amadas, e os homens não percebem isto assim tão bem. Não estão ainda, maior parte, programados para isso e ficam meio perdidos e baralhados, muitos fogem (com a cabeça no meio das orelhas ehehehh)...

Anónimo disse...

"Como é que um gajo estabelece contacto com uma mulher destas..."

Hmm, conversando? Às vezes, com alguma inspiração, bom gosto e sorte, até se consegue.

"também sou um machista do caraças"
Neste ponto de vista, há algum homem que não o seja? Mas neste caso, a intenção não é má, porque o que se pretende é oferecer ajuda.

EJSantos

Bagaço Amarelo disse...

eu, que tenho alguém igual a mim, :)

olga, não sei se tens alguma coisa em especial contra botas da tropa. eu cá gosto delas e ando à procura de umas... :)

eva, sim, era mesmo isso que eu queria dizer. :)

ejsantos, eu, a conversar com polacas de um metro e oitenta, tremo que nem varas verdes. :)

Malena disse...

E que tal ficar, sorrir, e apenas passar as ferramentas?? ;)

Bagaço Amarelo disse...

malena, dito assim nem parece mal. :)

Kitty * disse...

Que engraçado :) Tal como a Eva, também acho que, com esta coisa das mulheres saberem fazer tudo, os homens ficam um bocado desorientados, sem saberem bem qual o seu papel. Disse-me um uma vez, muito ressentido: "Tu não precisas de mim para nada". Noutras circunstâncias isto até podia ser um elogio, mas não foi.

Carmo disse...

:DDD

'não compreendo os homens'

;))

Salsa disse...

a muitos anos atras passei por duas meninas que tinham o pneu furado. parei o carro e fui perguntar se precisavam de ajuda, prontamente elas responderam que sim e eu ensinei elas onde estava o macaco e o que era o macaco, depois disse-lhes como haviam de por o macaco debaixo do carro para o levantar acho que só entrevi mesmo para desapertar as porcas da roda e depois do pneu estar montado para as voltar a apertar. escusado será dizer que aquelas duas nunca mais precisariam de ajuda para mudar o pneu.
PS. Provavelmente apanhas-te uma dessas minhas pupilas.

Bagaço Amarelo disse...

Kitty *, quem Vos manda serem competentes? :

carmo, eu compreendo muito bem. :)

salsa, uma era polaca? lol. :)

Anónimo disse...

Apesar de trabalhar não sou economicamente independente... com casa para pagar e filhos ....que bom seria se necessitasse de um homem só para o « amor» seja lá o que isso for....liberdade.... uauuu

Bagaço Amarelo disse...

anónimo, esse é o problema da maioria dos casais portugueses, de facto. :)

redonda disse...

Aconteceu-me uma vez, ter um pneu furado e um desconhecido parar e mudar-me o pneu. Fiquei-lhe imensamente grata. Uma outra vez, decidi que iria ser eu a mudar o pneu e desisti quando nem sequer consegui soltar o substituto - estava demasiado preso, só pode...(não tenho jeito nenhum para mudar pneus, montar estantes, etc. etc.).

Bagaço Amarelo disse...

redonda, demasiado preso quer dizer que colou. já me aconteceu e não há ninguém que consiga tirá-lo, a não ser à martelada... :)