11.11.2011

respostas a perguntas inexistentes (186)

As pilhas gastaram-se
Só nos costumamos aperceber do Amor quando nos apaixonamos, não quando nos desapaixonamos. Acho eu que é assim porque nos apaixonamos sempre de um momento para outro, enquanto nos costumamos desapaixonar devagar. Tão lentamente que nem damos por ela. Aliás, o maior perigo do Amor, ou da falta dele,  é esse: não nos apercebermos que nos desapaixonámos.
Um amigo meu desapaixonou-se e deu por ela. Aconteceu tão depressa quanto eu me costumo apaixonar, ou seja, deitou-se apaixonado e desapaixonou-se durante o sono. Foi isso, pronto. Nessa manhã, ainda na cama, fez uma declaração de falta de Amor à mulher. "Olha, não sei porquê mas deixei de te Amar esta noite". E ela, para seu enorme espanto, percebeu-o. Sorriu e disse-lhe que então o melhor era divorciarem-se. Os dois tomaram o pequeno-almoço com uma estranha sensação de felicidade, olhos nos olhos. Foi sorte, portanto. Os dois deram-se conta ao mesmo tempo da falta de Amor entre ambos.
Tem piada. Sempre pensei que um Amor só pudesse acabar assim, de um momento para o outro, por causa de outro Amor ainda maior. Mas não, também pode acontecer que ele se esgote por si só. Foi o que eu lhe disse quando ele me contou o sucedido. É o Amor que acaba no nada, como se fosse uma pilha gasta. E ele concordou acenando com a cabeça. "As pilhas gastaram-se", disse.

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O deve e o haver
Admiro as mulheres em geral e é por isso que preciso de me apaixonar. Admirar uma em particular é conseguir materializar aquilo que a generalidade não permite. O Amor também é isso, uma admiração, e eu gosto de viver admirado.
O que mais me admira, aliás, é que com as mulheres que já tive a sorte de particularizar alguma coisa, fiquei sempre com a sensação de ficar a ganhar na relação entre o deve e o haver. As mulheres dão muito mais aos homens do que os homens dão às mulheres. A mulher mais egoísta do mundo, no Amor é sempre uma mãos-largas. O homem mais mãos-largas do mundo, no Amor é sempre um pouco egoísta. Não é de propósito. Creio que é defeito, pelo menos no meu caso. Ainda hoje acho isso. 
Há uns dias, assim como quem não quer a coisa, e talvez porque a consciência me pesasse, disse-o àquela que Amo. Ela respondeu-me que o Amor só se dá quando ambos ficam a ganhar. Tem razão. O Amor é como um gerador que fornece um motor de corrente contínua. Converte-se a ele mesmo em energia mecânica e eléctrica. Quando deixa de o fazer é porque as pilhas se gastaram. E os motores só demoram um segundo a parar...

10 comentários:

HydraFlama disse...

Bolas, bolas!
Um gajo levanta-se de manhã e apanha com isto?
Enquanto lia estive o tempo todo a fazer a mesma figurinha que tu tens no 'logo' do blog e assim fiquei por bem mais dois minutos após ter acabado.
Eu cá tenho pinhas recarregáveis, que nem sempre estão no máximo mas dão uma luz constante.
Mas, as mulheres são mãos largas?

bagaco amarelo disse...

hydraflama, ter pilhas recarregáveis é o melhior que nos pode acontecer nesta vida. isso e ir para a cama com a Scarlett Johanson, uma mãos-largas... :)

Carmo disse...

Bagaço

Os motores podem demorar um segundo a desligar mas levam muito tempo a arrefecer, assim é, quando o Amor ainda está lá e/ou por lá fica... e novas pilhas permitem por os mesmos, ou novos motores a trabalhar.

:)

Fatyly disse...

Digo-te que foste um bocado complicado e fiquei também "de mão no queixo" a pensar...

Claro que um amor pode acabar "no nada, tal como uma pilha", mas essa do "deve e haver" numa contabilidade enjoativa hummmm não sei

e o teu amor deu a melhor resposta:

"que o Amor só se dá quando ambos ficam a ganhar"

Lilith disse...

Bolas páh!!! Estou Apaixonada pelo teu blog!!!
Subscrevi os teus posts para o meu e-mail, e quando os leio as minhas colegas de trabalham passam por mim e perguntam: "Estás a rir-te/sorrir para o computador?", ao que eu respondo:"Mais ou menos... estou mesmo é fascinada com algumas coisas que leio...".
Sensacional, tudo!! Desde as conversas às reflexões...

Desculpa a invasão, mas depois de tanto ler achei-me no dever de vir aqui partilhar :)

Keep Feeling*

E obrigado!

bagaco amarelo disse...

carmo, acho que anda por aí, sim: :)

fatyly, pois deu. :)

lilith, obrigado. pela simpatia e pela presença. a sério. :)

Me disse...

"Sempre pensei que um Amor só pudesse acabar assim, de um momento para o outro, por causa de outro Amor ainda maior."
Não há amor maior quando se vive um que é o que tem de ser, seja em termos de dar e receber; seja em termos de grandeza.
Largar alguém, mesmo depois de já não haver amor, não é fácil.
Tenho cá para mim que a expressão "Mais vale só que mal acompanhado", é mentira. Mais vale mal acompanhado que só.
Pelo menos é assim que a maior parte das pessoas vive.
Daí só largarem um "amor" por outro que, por comparação ao primeiro e que já morreu, ou ficou sem pilhas, claro, parece muito maior e melhor.
O que o casal teu amigo fez... É de louvar, de aplaudir. O amor que ainda têm um pelo outro (ainda que diferente ou com outros contornos) é tão forte que se permitiram amar a si próprios, mesmo enfrentado a perspectiva de ficarem sós.
De louvar. Quem já largou alguém (o amor nunca se larga, porra) sabendo que vai ficar só, sabe o que digo e sabe o difícil e "contra-natura" que é. Sabe o difícil que é ter alguém que acredite nisso.
De louvar, de facto.

bagaco amarelo disse...

me, isso é verdade. aliás, quando se deixa um Amor por outro ainda maior, às tantas o primeiro nunca existiu. :)

Me disse...

Nem mais :)

bagaco amarelo disse...

me, :)