7.16.2014

pensamentos catatónicos (314)

Em nome do futuro

É em nome do futuro que vamos esquecendo o presente. Todos vivemos em função do amanhã, mas quando ele chega transforma-se apenas num novo hoje de esperança. Nunca somos felizes, porque optamos por uma tristeza que nos pode trazer a felicidade num tempo que ainda não chegou. É assim na política, no trabalho, na educação e em tudo o que vamos fazendo. O futuro é a cenoura à frente do burro.
A única excepção é o Amor e, a espaços, uma cerveja com amigos na esplanada de um bar.
O Amor está sempre encostado à parede. Ou nos traz felicidade a cada momento que passa ou então não presta enquanto Amor. Ninguém, como na vida, se entrega a um Amor que não existe com a esperança que venha a existir no futuro.
E eu sempre estive com o José Mário Branco, que na canção histórica "FMI" canta assim: Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro.

7 comentários:

EJSantos disse...

Hoje vivo o futuro de ontem...

Tenho fome, vou comer um pão, HOJE!

Bagaço Amarelo disse...

ejsantos, eu também. :)

Mar disse...

Nem o amor foge à regra, deveria ser assim, não nos entregarmos a um amor que não existe com esperança de que venha a existir, mas a verdade é que o fazemos. Também no amor nos podemos agarrar a um futuro platónico e viver o presente em função dele, criando uma felicidade ilusória... é um amor que não presta mas não deixa de o ser... é isso, somos parvos.

Bagaço Amarelo disse...

Mar, boa! creio que estou contigo em tudo. :)

Anónimo disse...

Meu rico paizinho tem esse estimado vinil... assistiu ao concerto e encomendou o disco, esperou 6 meses para o receber... e eu estou há espera há anos para que ele aceda ao meu pedido e mo dê! eheheheheh

Maria Mundo disse...

Boa reflexão esta!
Pois, quer o passado, o presente, ou mesmo o futuro não passam de meros conceitos. Construções mentais. São ótimos apenas para lidarmos com o lado prático da vida.
Parafraseando Eckhart Tolle - a vida é agora. Nunca houve um momento em que a nossa vida não fosse agora, nem nunca haverá.

Bagaço Amarelo disse...

anónimo, gostava de o ter. o original, digo. entretanto já foi reeditado em cd. :)

maria mundo, sim, o nosso conceito de tempo é só nosso. mas vale mesmo assim... :)