1.14.2010

quem diabo é o Tó quin?

Agradeço imenso ao leitor que me enviou a seguinte carta. Agora só quero descobrir quem é o Tó quin, que é para escrever uma carta à EDP a protestar a conta deste mês. "Eu acho que não devia pagar tanto de electricidade, mas se vocês acham eu vou ficar muito triste e se calhar vou ter que mandar uma carta ao Tó quin, mas vocês é que sabem".
Caramba! só eu nunca recebi cartas destas quando era puto. Cliquem na imagem se quiserem aumentar.



Não sei mais o que fazer porque ando doida e louca por ti Jorge Daniel!
Eu mandote esta carta porque quero saber se gostas de mim e se estás intereçado em mim.
O ideal era que estiveces, mas se não estiveres eu vou ficar muito triste e se calhar vou ter que mandar uma carta ao Tó quin, mas tu é que sabes.
Todas as minhas amigas te acham o mais giro da turma e o mais adulto, por és o que dá menos erros e falas como um adulto. Por exemplo, quando fostes meter aqueles papeis de bolicau no lixo que nem se quer eram teus!!
Os meus pais têm um mercedes e uma casa de férias na Vieira.
Respondeme que eu só penso em ti.
Filipa Alexandra.

conversa 1401

Ela - Esta semana o meu marido perguntou-me se eu ainda o amo.
Eu - E o que é que respondeste?
Ela - Comecei a chorar.
Eu - E ele achou que choraste porquê? Porque ainda o amas ou porque já não o amas?
Ela - Não sei.
Eu - E amas ou não amas?
Ela - Não sei.
Eu - E sabes se ele te ama a ti?
Ela - Não.
Eu - O amor é fodido.
Ela - Pois é.

respostas a perguntas inexistentes (68)

Que está de chuva, diz ela estéril de assuntos para conversar. E eu dou mais um gole na cerveja para ganhar tempo. Também não tenho nada para dizer. Acho que o estado do tempo nos salva muitas vezes das conversas vazias. Ou está chuva ou está Sol, ou está frio ou está calor. E vamos dizendo o que já se sabe.
Afinal dei três goles na cerveja. Pouso a garrafa e sorrio. Ela olha para mim esperando uma resposta à 'não pergunta' que fez. Os olhos dela parecem os de um lobo à espera que o coelho saia da toca: bonitos e delicadamente ameaçadores. E eu saio mesmo da toca.
Porque é que as pessoas falam tanto do estado do tempo? Pergunto. Agora é ela que dá uns goles no chá preto que ainda fumega e claro que eu já sei que o faz só para ganhar tempo. Para estarmos mais perto, diz ela. Estarmos mais perto? Pergunto sem dar nenhum gole. Sim, se estivermos frente a frente sem dizer nada um ao outro é como se estivéssemos distantes. Apanhou-me.
O silêncio entre um homem e uma mulher é o silêncio do amor e não pode ser banalizado. Podemos estar em silêncio quando contamos estrelas, quando nos cansámos duma suada noite de sexo, quando nos zangamos ou até quando damos as mãos à saída do cinema. Não podemos quando estamos a acabar de almoçar num self-service movimentado no centro da cidade. É esse o perigo do silêncio.

conversa 1400

Ela - Vou-te dizer uma coisa: o meu próximo namorado, se houver próximo namorado, vai ter que passar um duro teste para eu o aceitar como tal.
Eu - Na cama?
Ela - Não. Na minha idade quero lá saber se ele é bom ou mau na cama.
Eu - Então?
Ela - Vai ter que limpar a banca da cozinha sem deixar restos de comida no ralo, mijar sem sujar a sanita e o chão da casa de banho, conseguir entrar em casa sem ir directamente para o sofá ver televisão e desinfectar uma ferida sem gritar como se o mundo acabasse amanhã.
Eu (risos)
Ela - Ri-te, ri-te. Estou farta de gajos.

1.12.2010

conversa 1399

Eu - Porque é que estás a olhar para mim tão fixamente?
Ela - É para a tua testa que estou a olhar...
Eu - Mas porquê?
Ela - Tens aí dois pontos negros que vou tirar.
Eu - Nem penses nisso.
Ela - Deixa-me.
Eu - Não. Qual é o gozo de tirar pontos negros?
Ela - É muito, é muito...

coisas que fascinam (93)

Há uns dias, em conversa com uns amigos, discutia-se a distância que pode haver entre a capacidade de amar alguém e a vontade de envelhecer com esse alguém. É que às vezes há de facto uma distância entre ambos os estados.
Uma amiga minha apagou uma vela com a ponta dos dedos e, tal como esse fogo, também as suas palavras se esfumaram num sorriso que me pareceu triste: "já amei alguns homens a sério mas nunca quis envelhecer com nenhum".
Não gosto muito, numa primeira análise, da ideia de envelhecer com alguém, principalmente porque me parece que a ela está associado um certo divórcio da vida. Melhor dizendo, dos outros. De todos os outros. Mas não é assim. Pelo menos não tem que ser assim.
Actualmente estou a passar a fase profissional mais complicada de sempre na minha vida, não me apetece nem posso explicar aqui porquê. Sei no entanto que estou a fazer os possíveis para me manter à tona da felicidade e dar a volta a isto. No entanto hoje senti-me a afundar lentamente e ao princípio da noite decidi andar um pouco à deriva numa cidade que não é a minha, entre alguns ombros embrutecidos e a indiferença dos outros. De todos os outros.
Foi num bar de esquina qualquer que, guiado por curtas mensagens de telemóvel, me acabei por encontrar com a minha companheira. Bebemos duas cervejas e comemos uns pratos de polvo com molho verde. Agora não sei bem explicar mas estou bem disposto. Gostava de envelhecer com ela... se puder ser. Entre todos os outros.

conversa 1398

Ela - Andei anos e anos a acreditar que ia encontrar um homem totalmente compatível comigo. Hesitei em muitas relações que até podiam ter corrido bem só porque na altura achei que ainda não era o momento nem a pessoa para mim.. E agora...
Eu - E agora o quê?
Ela - Agora, em vez de acreditar que vou encontrar esse homem sinto-me a ficar cada vez mais sozinha.
Eu - Tens muitos amigos.
Ela - Mas os amigos não chegam para tudo.
Eu - Pois não, é verdade. Mas ainda és nova. Tens a minha idade.
Ela - Com quase quarenta anos um homem é considerado novo para iniciar uma relação se já teve muitas mulheres, uma mulher que praticamente não teve ninguém perde o interesse. Os homens acham que ela tem falta de experiência. Foi esse o meu erro: tenho pouca experiência. Agora, cada vez que vou a um encontro vou nervosa e insegura.
Eu - Eu não acho que uma mulher perca o interesse por causa disso. Aliás, isso da experiência é uma tanga, pelo menos se estás a falar no plano sexual. Sexualmente só interessa uma coisa: é que as pessoas gostem mesmo muito uma da outra. Se for assim corre sempre bem.
Ela - Achas mesmo?
Eu - Acho?
Ela - Então se calhar nunca gostei de ninguém.

conversa 1397

(no restaurante)

Ela - Achas que o sexo anal pode dar em corrimento anal?
Eu - Ahn?
Ela - Achas que sexo anal pode dar em corrimento anal?
Eu - Eu percebi, eu percebi... só não acreditei à primeira que me tinhas perguntado isso...
Ela - Porque é que não acreditaste?
Eu - O motivo mais forte é estar agora a comer uma mousse de chocolate.
Ela - És muito sensível... é que uma amiga minha disse-me que está com problemas na retenção das fezes.
Eu - E depois?
Ela - Depois olha, pensei que podia ser por causa disso.
Eu - E porque é que pensaste isso, já agora?
Ela - O namorado dela é tão grande...

roxxxy music


É uma pena mas as bonecas insufláveis têm os dias contados. A Roxxxy já está no mercado e provavelmente vai aniquilar a concorrência. No entanto, não acredito que a grande vantagem desta boneca esteja nas suas capacidades sexuais, apesar dos seus 1,73 metros de altura, 54 quilos, sutiã copa C, pele sintética semelhante à pele humana, coração mecânico e um esqueleto que se move como um esqueleto humano. Afinal de contas levar para a cama um boneca não passa disso mesmo: levar uma boneca para a cama. A grande vantagem da Roxxxy é a sua inteligência artificial. É que Heines, o engenheiro mentor do seu cérebro, garante que "ela sabe aquilo de que o utilizador gosta. Se ele gosta de Porshes, ela também gosta. Se ele gosta de futebol, ela também gosta”.
Se for mesmo assim, a Roxxxy pode, por exemplo, gostar de ir ao domingo à tarde ver um jogo de futebol entre o Candal e o Coimbrões, a contar para a distrital do Porto. Já estou a imaginar os estádios de futebol cheios de Roxxxys nas bancadas, cada uma fazendo companhia ao seu utilizador com um sorriso nos lábios, chamando todo o tipo de ofensas à mãe do árbitro enquanto se baba com cascas de tremoços e pevides.
Mas nem só no futebol a Roxxxy tem vantagens relativamente às mulheres que são mesmo, mesmo, mesmo mulheres. É que finalmente os homens têm uma companheira que consegue gostar genuinamente dos seus actos mais masculinos, tipo coçar os tomates, cuspir para o chão uma verdinha enquanto ambos comem um gelado, tirar cera dos ouvidos ou ranhoca do nariz e depois lamber o dedo, roer uma unha e cuspi-la par o chão, etc, etc. Enfim... A Roxxxy é música para os meus ouvidos.

1.08.2010

sos


Da maior parte da publicidade dos anos 50, a ideia que dá é que as mulheres se passavam completamente com tudo o que tinha a ver com o trabalho doméstico. Basicamente, frigoríficos, aspiradores ou ferros de passar a roupa estão para os anos 50 assim como as drogas sintéticas estão para os anos 90. Por exemplo, se olharmos bem para a cara que esta mulher faz só por causa dumas pastilhas para limpar panelas, é a sensação que dá. A mulher está em êxtase total. Eu, se um dia chegar a casa e a minha namorada estiver assim, chamo logo os gajos do INEM, o que até tem um bocadinho a ver com o nome do produto aqui anunciado.

conversa 1396

Ela - Está tanto frio...
Eu - Pois está. Tenho um bocado de medo de me constipar a sério...
Ela - Eu tenho medo é que a minha pele seque...

1.06.2010

mamas aonde?


Este rapaz tinha uma tatuagem duma cowgirl na perna esquerda. Não contente com a coisa, decidiu fazer um implante de silicone na zona dos peitos da miúda para a coisa ficar mais realista. Não tenho nada contra e até acho bonito. Só espero é que as mulheres que tenham tatuagens com cowboys não sigam esta ideia, já que pode ficar pouco estético um implante fálico numa perna.
Palermices à parte, ao ver isto lembrei-me duma pergunta que uma amiga me fez aqui há uns tempo e que acho que já toda a gente fez a alguém: "quando olhas para uma mulher qual é a primeira coisa em que reparas?". Eu corei um bocadinho porque no caso dela é mesmo para as mamas, e depois desculpei-me dizendo-lhe que isso era no caso dela porque para além das mamas não se vê mais nada. Depois, enquanto estava a tentar endireitar os óculos do murro que ela me deu, perguntei-lhe também qual era a primeira coisa em que ela reparava quando olhava para um homem. "Para a conta bancária", respondeu ela. Depois continuou: "por isso é que não olho muito para ti". Eu não lhe bati...

1.05.2010

pensamentos catatónicos (194)

as árvores morrem de pé

As árvores morrem de pé, ouvi eu dizer muitas vezes quando era criança. A frase ficou-me sempre guardada num cantinho especial da memória. Depois descobri que esse era o nome de um telefilme português dos anos sessenta e, já como jovem adulto, vim a perceber o seu verdadeiro significado.
Era fim de tarde quando me deitei aconchegado pela sombra das árvores mortas do jardim. Estavam mortas e, para além de estarem de pé, também as pontas dos seus ramos se tocavam como mãos esquálidas de jovens apaixonados. Era mais ou menos essa a forma ideal de matar as saudades dum amor adolescente que não chegou a acontecer: tocar-lhe nas mãos como se fossem filamentos nervosos, mesmo na sua morte prematura Depois olhei para os meus dedos onanistas. Talvez eles se tivessem apercebido disso antes de mim: o amor deve sempre morrer de pé.

conversa 1395

(no café)

Ela (acendendo um cigarro) - Não me digas para não fumar, por favor. Detesto homens que me dizem para não fumar.
Eu - Não ia dizer.
Ela - Ias, ias.
Eu - Não ia, não.
Ela - Ias, sim senhor. Eu vi estampado na tua cara.

conversa 1394

(num shopping)

Ela - Lembras-te de quando dávamos aqueles passeios de bicicleta?
Eu - Sim... até tenho algumas saudades...
Ela - Já foi há tantos anos. O tempo passa num instante.
Eu - Pois foi... mas podíamos repetir isso um dia destes...
Ela - Podíamos, podíamos... mas agora ando mais caseira. Podíamos era comprar daquelas bicicletas de ginástica, sem rodas, e dávamos uns passeios em minha casa.

1.02.2010

falta de carácter, diz ela...



No seu livro "Les hommes, lamour, la fidélité" (Os homens, o amor, a fidelidade) lançado recentemente, Maryse Vaillant defende que para a maioria dos homens a infidelidade é quase inevitável porque os homens precisam do seu próprio espaço, Maryse acha mesmo que os homens que não têm casos extra-conjugais podem sofrer de uma fraqueza de carácter. Para ela os homens fieis "são homens que têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem".
Lá está... se um gajo tem um flirt extraconjugal numa noite qualquer é um traidor e um insensível, se um gajo não tem é porque tem falta de carácter. Alguém sabe se há alguma nave pronta a partir para outro planeta qualquer nos próximos dias?

1.01.2010

conversa 1393

Ela - Agora na passagem de ano reparei que um amigo meu estava sem a namorada.
Eu - E depois?
Ela - Depois... como eles costumam ser unha com carne, andam sempre juntinhos, perguntei-lhe por ela e ele disse-me que ela tinha ido passar o ano com uns amigos ao Porto.
Eu - E o que é que tem?
Ela - Eu acho que quando uma mulher decide ir passar o ano com amigos do Porto, em vez de passar com o namorado em Aveiro, é porque alguma coisa está mal na relação...
Eu - Não obrigatoriamente.
Ela - Desculpa mas é...
Eu - Eu não acho...
Ela - Eu acho.
Eu - Eu não acho...
Ela - Eu acho.

antes preso do que com a mulher

Quero começar este novo ano por dar um grande abraço de solidariedade ao italiano que roubou alguns doces numa loja de conveniência para poder ser preso pela polícia. Tenho a certeza que o homem, que apenas queria passar o ano longe da mulher (ler no JN), está a passar um mau bocado...

12.23.2009

respostas a perguntas inexistentes (67)

Hoje disseram-me que normalmente a segunda ou a terceira relação que temos funciona melhor do que a primeira. Estava a beber uma cerveja e quem me disse isto saiu logo a seguir. Fiquei sozinho no bar, onde as sombras das mobílias se deitavam no chão com medo do Pôr-do-Sol que espreitava pelas janelas, e aproveitei para conversar com esta ideia.
Talvez seja verdade. É que o amor tem a mania de prometer mais do que aquilo que realmente nos pode dar, e numa primeira vez deixamo-nos enganar facilmente por essas promessas. Depois vem a desilusão ou o desgaste, como lhe queiram chamar, e também nós nos dobramos perante o lento Pôr-do-Amor. Numa segunda ou terceira vez já ele não faz promessas e por isso perde a sua tenaz capacidade de desiludir.
Acabei de beber a cerveja e levantei-me. A minha sombra também.

conversa 1392

Ela - Sabes... acho que há um contrasenso qualquer na forma como eu me apaixonei pelo meu marido.
Eu - Então?
Ela - Ele era casado quando o conheci e, uma vez num almoço, disse-me que jamais trairia a sua mulher...
Eu - E então?
Ela - Então... eu que já tinha começado a gostar dele, acho que me apaixonei definitivamente nessa altura.
Eu - E então?
Ela - Então... ele acabou por trair a mulher exactamente comigo.
Eu - Ah!