3.14.2014

conversa 2076

(ao telefone)

Eu - Olá. Por acaso não estás com o teu marido? Não atende o telefone e preciso urgentemente de falar com ele...
Ela - Ah! De facto o telemóvel dele tocou. Ele saiu a correr e deixou-o cá em casa, mas daqui a uns minutos já deve estar aí outra vez.
Eu - Mas está tudo bem?
Ela - Está. Foi só à casa de banho.
Eu - Saiu de casa a correr para ir à casa de banho?!
Ela - Sim, nós só temos uma e eu estou a estudar. Foi ali ao café da frente...
Eu - Estás a estudar na casa de banho?!
Ela - Sim, porquê?!
Eu - Por nada. Pronto... eu já ligo de novo.

3.13.2014

conversa 2075

Ela - Meti uma série de revistas velhas do meu marido no lixo, mas agora estou a pensar por que motivo as teria ele tão bem arrumadinhas numa gaveta...
Eu - Ui!
Ela - Achas grave?
Eu - Acho gravíssimo. Ele já sabe?
Ela - Não, não sabe. Vou-lhe contar logo quando estivermos os dois a lavar os dentes.
Eu - A lavar os dentes?! Porquê a lavar os dentes?
Ela - Porque os homens não conseguem falar enquanto lavam os dentes. Assim falo só eu e vou-lhe explicando que estou pronta para o sexo antes de adormecer, a ver se ele se acalma...

3.12.2014

coisas que fascinam (166)

Um destes dias um amigo perguntou-me porque é que eu, se estou apaixonado, continuo a viver sozinho. A minha resposta foi imediata. É por isso mesmo, porque estou apaixonado.
Aprendi com a vida (a minha, não a dos outros) que a eternidade do Amor é uma mentira. É por isso que, quando me acontece Amar alguém a sério, tento que esse Amor se prolongue por toda a minha finitude. É que o Amor é finito, tal como cada um de nós. O meu objectivo é que o meu Amor e eu próprio possamos morrer no mesmo instante. Não é um jogo, é por ser mais feliz assim.
Se não tivermos cuidado, o Amor vai-se mais depressa do que um gelado numa tarde de Verão, daqueles que sabem muito bem mas se derretem na própria mão.
É que o mais difícil no Amor é precisamente que Amar não chega para nada. Amar, só Amar, é igual a zero. Talvez até menos que zero.
Quando dizemos ou pensamos que Amamos alguém, estamos apenas a dizer ou pensar que queremos ser Amados por esse alguém. É por isso que o Amor não é uma dádiva nem uma partilha. É um pedido, é uma exigência, é um amuo perante os dias que passam.
Eu cá, quando sou Amado, ou pelo menos sinto que sim, pego no meu gelado e vou saboreá-lo para a sombra tão devagar quanto possível. É só isso.

3.11.2014

conversa 2074

Ele - Estou mesmo feliz. Se quiseres sair esta semana, encontro-me divorciado.
Eu - Divorciaste-te?!
Ele - Não, mas esta semana a minha mulher está em Madrid numa conferência qualquer, por isso é como se estivesse. Posso sair até à hora que me apetecer, meter-me com mulheres e jantar fora. Posso fazer tudo o que me apetecer!
Eu - Desculpa lá, mas dito assim parece mesmo que o teu casamento é uma coisa sofredora.
Ele - Não são todos?
Eu - Se calhar são, passado algum tempo.
Ele - Então mudemos de assunto e deixa-me aproveitar esta semana.
Eu - Okay, desculpa.
Ele - Mas agora que penso nisso...
Eu - Que pensas nisso, o quê?
Ele - Será que a minha mulher também está farta do casamento e inventou esta ida a Madrid só para ficar sozinha?
Eu - Pois... não sei.
Ele - Já não estou assim tão feliz.

3.10.2014

conversa 2073

Ela - Detesto que um homem me pergunte se eu gosto dele antes de me convidar para jantar.
Eu - Porquê?
Ela - Prefiro que ele assuma que eu gosto e pronto, convide.
Eu - E se tu não gostares?
Ela - Vou na mesma. Pelo menos janto.

3.07.2014

conversa 2072

Ela - Não percebo como é que um homem pode estar disponível para sexo logo a seguir a uma valente discussão.
Eu - Eu até acho que é quando o sexo é melhor.
Ela - Achas?
Eu - Às vezes é. Ter sexo a seguir a uma discussão pode ser bom porque também é reconciliador.
Ela - Nunca tinha pensado nisso assim. Logo, quando chegar a casa, a primeira coisa que faço é discutir com o meu marido, a ver se tens razão.

3.06.2014

conversa 2071

(no Carnaval)

Eu - Fica-te bem, a tua fantasia.
Ela - E tu?! Não te disfarçaste de nada?
Eu - Sim, de gajo simpático. Igual ao costume, mas simpático. Percebes?
Ela - Percebo. Por acaso, agora que penso nisso, estás irreconhecível.

3.05.2014

13 erros que as mulheres devem evitar num encontro com um homem

Descobri esta maravilha na internet. Um artigo duma revista americana, de 1938, que explica tintim por tintim quais são os erros que uma mulher nunca deve cometer quando tem um encontro com um homem. Como concordo com todos eles, decidi traduzir e publicar, a ver se as mulheres que por aqui passam aprendem alguma coisa.
A única excepção que abro é para o ponto oito (8). É verdade que os homens não gostam de carícias em público, mas se a carícia for espetar um dedo dentro do ouvido a coisa muda totalmente, até porque se ela tiver a unha comprida sempre dá para tirar alguma cera.
Enfim, tentem levar isto a sério que é importante. Um homem quando se irrita fica como aquele senhor na última imagem, de braços levantados e ar ameaçador. Evitem cenas destas seguindo estes conselhos:

1. Não seja sentimental nem tente fazê-lo dizer algo que ele não quer, explorando as suas emoções. Os homens não gostam de lágrimas, especialmente em lugares públicos.

2. Não use o espelho do carro para retocar a maquilhagem. Os homens precisam dele para conduzir e é muito irritante ter que se curvar para ver o que está atrás.

3. Não se sente em posições desconfortáveis e nunca dê ar de aborrecida, mesmo que esteja. Esteja atenta e se estiver a mascar chiclete (não é aconselhável), seja silenciosa e mantenha a boca fechada

4. Vista-se no seu quarto privado para manter o seu encanto. Esteja pronta a horas dos encontros e não o faça esperar. Cumprimente-o com um sorriso.

5. Os homens não gostam de mulheres que lhes pedem o lenço emprestado e o sujam com manchas de batom. Maquilhe-se em privacidade, não onde ele a possa ver.

6. As mulheres descuidadas nunca atraem cavalheiros. Nunca fale enquanto dança, pois quando um homem dança é porque quer dançar.

7. Se precisa de um sutiã, use um. Não force a sua cintura e tenha cuidado para que as suas formas não estejam engelhadas.

8. Não ganhe demasiada confiança de forma a acariciá-lo em público. Qualquer demonstração aberta de afecto é de mau gosto e normalmente humilhante para ele.

9. Não ganhe confiança com o empregado de mesa, conversando sobre como se divertiu com alguém noutra altura. O homem merece a sua total atenção.

10. Não fale de roupa nem descreva o seu vestido novo a nenhum homem. Promova e lisonjeie o seu encontro falando de coisas que ele quer falar.

11. Não beba demais, já que um homem espera que mantenha a sua dignidade toda a noite. Algumas mulheres podem parecer inteligente quando bebem, mas a maior parte fica maluca.

12. Não seja evidente quando fala com outros homens.

13. A gota de água é desmaiar com tanto licor. Provavelmente, ele nunca mais vai querer nada consigo.

3.04.2014

conversa 2070

Ela - O meu ex não sabia beijar. Foi o motivo principal para ter posto fim à nossa relação.
Eu - Um bocado radical, não?
Ela - Achas radical?
Eu - Acho... se falasses com ele talvez ele mudasse a forma de beijar.
Ela - Está mas é calado. Radical é ficar com a sensação que se fez uma endoscopia cada vez que um gajo nos enfia a língua pela boca dentro.

3.03.2014

respostas a perguntas inexistentes (270)

Um local assombrado é sempre uma história de Amor

Só agora, com mais de quarenta anos, é que percebi plenamente uma frase da minha professora de Educação Física do sétimo ano do liceu. Quase trinta anos depois, portanto. Não sei o que é feito dessa professora, porque nunca a mais a vi. Nem sequer faço a mínima ideia se ela está viva, nem me lembro do nome dela. Aquela frase, no entanto, e por qualquer motivo, agarrou-se às paredes da minha memória e nunca mais a esqueci.

- O exercício físico é a melhor forma de esquecermos os nossos problemas de Amor.

Eu tinha uns treze anos quando ela me disse isto, pelo que os meus problemas de Amor se resumiam às minhas crises e inseguranças do princípio da adolescência. Embora fortes, não eram verdadeiros problemas de Amor. Mesmo assim, aquela frase pareceu-me importante e nunca mais a esqueci. Esta semana, numa das poucas tréguas que a chuva deu à cidade de Aveiro, pus-me a caminhar sem direcção, apenas pelo vício de caminhar. Creio que com a mesma sensação que um urso deve ter quando sai da toca depois de um longo período de hibernação, porque de facto as condições meteorológicas não me têm dado muita vontade de sair de casa.
Encontrei a Catarina, com um passo apressado, ali perto de um centro comercial no centro de Esgueira. Já não a via há algum tempo e a primeira coisa que me veio à memória assim que a vi foi a de um abraço que ela me deu há uns atrás do qual, talvez por me ter sabido a uma sinceridade extrema, também nunca mais me esqueci. Convidei-a para tomar café, mas ela limitou-se a cumprimentar-me, dizer-me que precisava de andar e despedir-se de mim novamente.
Devo dizer que tenho um fetiche por centros comerciais construídos nos anos oitenta, daqueles que eram apenas uma série de corredores com lojas que mais pareciam aquários. Tenho esse fetiche porque, nos dias que correm, esses locais mais parecem locais assombrados de tão abandonados que estão. É por isso que de vez em quando visito um ou outro, que foi o que fiz nesse dia. Primeiro passei pelo Carramona, em Esgueira, que mesmo assim ainda tem bastantes sinais de vida, depois pelo Riaplano, perto duma das mais importantes avenidas da cidade e que faz mais justiça à descrição de local assombrado.
Foi nesse local assombrado que reencontrei a Catarina, umas duas horas depois, com o mesmo ar tenso que lhe vira antes. Sorri-lhe, mas não lhe disse nada, pois a forma como ela se despedira de mim antes indicava que ela não estava com muita paciência para ter conversas de circunstância comigo. Só que desta vez foi ela quem parou.

- Também estás desiludido com alguém?

 A pergunta apanhou-me de surpresa e até me deixou um pouco baralhado, mas não me ri porque o ar dela era grave e sério.

- Para além de alguns milhares de portugueses que consideram que o país está no bom caminho, não estou desiludido com ninguém... - arrisquei.
- É que eu só me ponho a andar assim pela cidade quando estou desiludida. - respondeu.
- E estás desiludida agora?
- Sim, e acho que o exercício físico é a melhor forma de esquecer um problema de Amor.

Assim que ela me disse isto lembrei-me da minha professora de Educação Física. Talvez ela, naquela altura, tivesse feito exactamente o mesmo que a Catarina estava a fazer naquele preciso momento, andar pela cidade sem qualquer tipo de objectivo a não ser mergulhar num mundo maior do que os seus pensamentos mais íntimos e preciosos. Pelo menos, acho que é assim que, caminhando ou fazendo exercício, conseguimos esquecer um problema de Amor.
Ainda assim, a Catarina, aceitou tomar o tal café comigo. Expliquei-lhe porque é que gosto de visitar centros comerciais decrépitos e abandonados. À semelhança do que ela sentia, talvez seja porque em todos eles identifico sinais de agitação, de felicidade e alegria adormecidos em cada canto.
Talvez dentro de todos nós, depois de passada uma determina idade, exista um local assombrado destes, uma memória de felicidade que entretanto nos deu um abraço sincero e nos disse adeus. Um local desses é sempre uma história de Amor.

2.27.2014

conversa 2069

(no café)

Eu - Então, que cara é essa?
Ela - Estou muito pensativa.
Eu - Mas está tudo bem?
Ela - Mais ou menos. Hoje é quinta-feira e já comi duas natas esta semana, que é o limite a que me propus a mim mesma.
Eu - E então?
Ela - Estava aqui a pensar se devia, ou não, desobedecer às minhas próprias regras.
Eu - Ah!
Ela - O problema é que, faça eu o que fizer, é sempre triste.
Eu - A sério?!
Ela - Se eu comer uma nata, é triste porque engordo. Por outro lado, se eu não comer, é triste porque fico ougada.
Eu (risos) - Parece um problema existencial.
Ela - Felizes são os homens, que só se preocupam em ter os seus automóveis a brilhar.
Eu - Eu nem isso.
Ela - Tu és o cúmulo da felicidade, então.

2.26.2014

conversa 2068

Ela - Se fosse possível ter o meu marido uma ou duas horas por dia, era o ideal.
Eu - Uma ou duas horas por dia?!
Ela - Sim, em vez do dia todo.
Eu - Ah!
Ela - Se eu soubesse o que sei hoje, nunca tinha casado. Ficava namorada dele a vida toda, mas cada um na sua casa.
Eu - Compreendo perfeitamente.
Ela - Compreendes?
Eu - Sim. Duas pessoas, quando vivem juntas a vida inteira acabam por se cansar, por muito que gostem uma da outra.
Ela - Pois é... e quando não gostam muito, como é o meu caso, ainda é pior.
Eu - Então... não gostas muito dele e querias ficar namorada dele mesmo que cada um vivesse na sua casa?!
Ela - Queria. Não gosto muito dele, mas sei que ele é requisitado por muito gajedo e não o quero dar a ninguém...

2.25.2014

conversa 2067

Ela - Há homens que pensam que o teste mais importante que passam com uma mulher é quando se deitam com ela.
Eu - E não é?
Ela- Claro que não. É quando acordam no dia seguinte, se é que chegam lá...
Eu - Quando acordam?!
Ela - Sim... uma coisa é conhecer um gajo à noite, gostar dele nem que seja só um bocadinho e levá-lo para cama. Outra coisa, totalmente diferente, é gostar dele quando ele está com aquele ar ensonado, cabelo espetado e, se for preciso, com gases matinais.

2.24.2014

coisas que fascinam (165)

É claro que me apaixono constantemente por mulheres que não conheço de lado nenhum. Por uma cantora, uma locutora de rádio, uma jornalista ou uma mulher que está sentada no mesmo bar que eu. As mulheres que eu não conheço de lado têm essa característica deliciosa que é precisamente eu não as conhecer de lado nenhum. Podem ser tudo aquilo que eu quiser imaginar, para além do pouco que eu já sei que são.
Se não acontece com todos, ter um grande Amor pelo desconhecido, então devia acontecer. O desconhecido tem uma enorme paciência para aturar os nossos maiores defeitos e todas as nossas exigências. É um Amor incondicional.
As mulheres que nunca conheci fazem parte dos grandes Amores da minha vida e, como sou um homem que gosta de prolongar o Amor por muito tempo, opto por continuar assim, sem as conhecer de lado nenhum.

2.16.2014

olha o que eu fiz...

Todas as pessoas têm sonhos. Eu tenho-os. Acho que sempre tive e sempre terei. Na verdade, acho que os nossos sonhos são o que melhor nos definem. Claro que estou a falar dos sonhos verdadeiros e não daqueles que temos quando estamos a dormir.
Um dos meus sonhos é trabalhar no que eu mais gosto e, mesmo estando desempregado, é o que eu vou fazendo. Escrevo muito e, dentro das condições que tenho, procuro filmar. Filmo de tudo e faço de tudo, pelo simples prazer de o fazer.
É por isso que hoje vos venho mostrar uma das coisas que tenho feito, da mesma forma que se mostra a uma namorada, quando se chega ao pé dela e se diz: "olha isto que eu fiz". Não é que ela goste obrigatoriamente, mas dela esperamos sempre uma reacção qualquer. Como um sorriso, por exemplo.
O que eu fiz foi um canal sobre a zona onde vivo. Não é verdadeiramente um canal. Na verdade sou eu e a minha pequena câmara. Pode ser seguido no facebook ou visto no website.
Obrigado.

2.14.2014

conversa 2066

Ela - O Amor é o Pai Natal dos adultos...
Eu - O Pai Natal dos adultos?!
Ela - Sim. Todos dizem que existe, mas ele nunca aparece...
Eu - Parece-me que andas triste...
Ela - Ando mas é com raiva de todos os que são felizes!

2.13.2014

conversa 2065

Ela - O meu marido foi namorado daquela que é, actualmente, a minha melhor amiga.
Eu - Não me parece que isso seja um problema.
Ela - E não é... mas às vezes tenho ciúmes dela, admito.
Eu - Ciúmes porquê? Ele agora até é teu namorado. Não é dela.
Ela - Mas ela é que esteve com ele quando ele era novo. Agora eu levo com um velhote de quarenta anos...
Eu - Obrigado por pores isso assim. Eu tenho quarenta e dois...
Ela - Eu gosto dele, percebes? Mas há uma parte dele que eu nunca vou ter e aquela sacana teve.
Eu - Aquela sacana é a tua melhor amiga?
Ela - Sim. Chamo-lhe sacana porque, ainda por cima, conta-me tudo sobre eles os dois sempre que estamos juntas.
Eu - Nunca lhe pediste para não falar disso?! Explica-lhe que o tema te incomoda...
Ela - Estás maluco?! Para ela ficar a saber que eu tenho ciúmes do passado?!

2.12.2014

conversa 2064

Eu - Queres jantar hoje comigo?
Ela - Para quê?
Eu - Para quê, como?! Para conversarmos...
Ela - Para conversarmos sobre quê?
Eu - Sei lá.
Ela - Pode ser.

2.09.2014

conversa 2063

Ela - Este mês deprime-me.
Eu - Porquê?
Ela - Por causa do Dia dos Namorados.
Eu - Ah! Eu não ligo nada ao Dia dos Namorados...
Ela - Eu também não ligava quando tinha namorado. Agora, como não tenho, ligo. Percebes?
Eu - Mais ou menos...
Ela - Quando esse dia chega, lembro-me sempre que estou encalhada há mais de três anos.
Eu - Encalhada?! E não te lembras disso nos outros dias?
Ela - Lembro-me com mais intensidade nesse dia.
Eu - Não me aprece um problema grave, para ser sincero.
Ela - Não te parece, porque não és uma mulher de quarenta anos que todos os dias se vê ao espelho e nota que está a envelhecer à velocidade da luz.
Eu - Não me vejo ao espelho quase nunca...
Ela - Sabias que és irritante?!
Eu - Porquê?
Ela - Porque respondes a tudo como se nada tivesse importância. Ao menos podias fingir que me compreendes.
Eu - Está bem, desculpa. De facto estás a envelhecer muito depressa e deve ser lixado não teres namorado há três anos.
Ela - Estou quase a estrangular-te!

2.05.2014

recomenda-se

Na minha busca incessante por um emprego, abro a minha conta de email e vejo que uma empresa me pede uma carta de recomendação. Não percebo a que propósito é que alguém quer que eu seja recomendado por quem não conhece. É que eu próprio não recomendo a ninguém trabalhar onde eu trabalhei nos últimos doze anos da minha vida. Para além dos salários em atraso serem uma constante, sou autor dum processo judicial cuja sentença, aliás, deve estar quase a sair.
Este é apenas um dos problemas deste mundo, a forma como confiamos ou desconfiamos uns dos outros. Uma empresa não confia num trabalhador que não conhece de lado nenhum, mas confia na carta de recomendação de outra empresa que também não conhece de lado nenhum. Não há nada que prove que uma empresa merece mais confiança do que um trabalhador. Na minha opinião, muito pelo contrário. Pela minha experiência, até sei que algumas empresas passam cartas de recomendação aos trabalhadores dos quais se querem ver livres, precisamente por isso.
Ninguém consegue pôr em causa o que está estabelecido como normal. Por exemplo, a uma empresa alemã que me pediu uma carta de recomendação, obrigatoriamente em alemão, eu fiz o mesmo e pedi uma carta de recomendação dos seus trabalhadores, obrigatoriamente em português. Demoraram quinze dias a responder-me que não tinham que o fazer. Pois bem, eu também não tenho que o fazer, nesse caso.
A este propósito, lembrei-me dum quase Amor que vivi uma vez. Era um Amor recomendado por amigos comuns, tanto de um lado como do outro. Encontrámo-nos num Domingo, num café em Viana. De tanta recomendação, estávamos convencidos que tínhamos sido feitos um para o outro, mesmo sem nos conhecermos de lado nenhum. A coisa durou um quarto de hora.