2.05.2014

recomenda-se

Na minha busca incessante por um emprego, abro a minha conta de email e vejo que uma empresa me pede uma carta de recomendação. Não percebo a que propósito é que alguém quer que eu seja recomendado por quem não conhece. É que eu próprio não recomendo a ninguém trabalhar onde eu trabalhei nos últimos doze anos da minha vida. Para além dos salários em atraso serem uma constante, sou autor dum processo judicial cuja sentença, aliás, deve estar quase a sair.
Este é apenas um dos problemas deste mundo, a forma como confiamos ou desconfiamos uns dos outros. Uma empresa não confia num trabalhador que não conhece de lado nenhum, mas confia na carta de recomendação de outra empresa que também não conhece de lado nenhum. Não há nada que prove que uma empresa merece mais confiança do que um trabalhador. Na minha opinião, muito pelo contrário. Pela minha experiência, até sei que algumas empresas passam cartas de recomendação aos trabalhadores dos quais se querem ver livres, precisamente por isso.
Ninguém consegue pôr em causa o que está estabelecido como normal. Por exemplo, a uma empresa alemã que me pediu uma carta de recomendação, obrigatoriamente em alemão, eu fiz o mesmo e pedi uma carta de recomendação dos seus trabalhadores, obrigatoriamente em português. Demoraram quinze dias a responder-me que não tinham que o fazer. Pois bem, eu também não tenho que o fazer, nesse caso.
A este propósito, lembrei-me dum quase Amor que vivi uma vez. Era um Amor recomendado por amigos comuns, tanto de um lado como do outro. Encontrámo-nos num Domingo, num café em Viana. De tanta recomendação, estávamos convencidos que tínhamos sido feitos um para o outro, mesmo sem nos conhecermos de lado nenhum. A coisa durou um quarto de hora.

11 comentários:

nos"entas!!!! ( e feliz) disse...

eheheheheh
Bagaço...
é como digo...
o Amor... onde anda essa coisa???!!
Beijinhos

Maria Eu disse...

Queres uma carta de recomendação? Eu escrevo-a. :)
Há recomendações que não funcionam, nem numa cidade linda como Viana!

Beijinhos Marianos, Bagaço! :)

Mulher de Sonho disse...

Às vezes um quarto de hora é toda uma vida. Sobretudo quando o passamos com alguém pouco recomendável. Mas é só às vezes.

Mulher Mesmo de Sonho
mulhermesmodesonho.blogspot.com

Bagaço Amarelo disse...

nos"entas!!!! ( e feliz), nem eu sei. beijinhos. :)

maria eu, sim, Viana é uma cidade linda. :) beijinhos.

Mulher de Sonho, eu também era pouco recomendável... :)

David disse...

Grande Bagaço,

Realmente as regras rígidas do mercado de trabalho mais parecem novas formas de oprimir o próximo...

Abraço :)

Fatyly disse...

Tal e qual! Sempre achei absurdo mas é o país e mundo que temos...e temos de travar uma luta titânica, já que "as mentes" não mudam de um dia para o outro.

Ana Mar disse...

Passo aqui algumas vezes, hoje lembrei-me de comentar...

Focando na questão central, como sabes, a qualidade do funcionamento da empresa nunca é posta em causa, só a qualidade do trabalhador. Sentimo-nos um pouco submissos.

EJSantos disse...

Uma carta de recomendação? so ainda se usa?
A minha Mãe, com os seus 85, diz que isso era normal na época do Salazar. Quer isto dizer que regressamos à época do Estado Novo?
Fiquei preocupado.
Ah, e boa sorte, para esta procura de emprego.

Ana A. disse...

Tu mereces mais, não duvides!

Olga disse...

Manda-lhe o link do teu blog. Não há melhor recomendação que a de tantas pessoas que gostam do que escreves. :)

Bagaço Amarelo disse...

david, é isso, é. :)

fatyly, é como lutar com uma parede. :)

Ana MAr, pois... e eu não me quero sentir... :)

ejsantos, na Alemanha todas as empresas querem uma... :)

olga, :)