pensamentos catatónicos (248)
erva daninha
A palavra "flor" devia ser afastada da palavra "Amor". Que mania irritante, essa de oferecer flores a quem se Ama ou se quer Amar como se isso significasse alguma coisa. Não significa nada. Zero. É como se o Amor fosse uma erva daninha. Cresce onde menos se espera e mesmo que se a arranque pode tornar a aparecer, ali, num local árido onde parecia impossível crescer fosse o que fosse.
É por isso que um primeiro encontro entre duas pessoas nunca é um erro. É uma hipótese, é uma fome. O que pode ser um erro entre duas pessoas são os encontros seguintes. O segundo, o terceiro, o quarto, o quinquagésimo... se forem uma tentativa de floricultura metódica. Pode ser bonito, pode cheirar bem, mas não vale nada porque cresce em nome da forma e não do conteúdo.
Ser flor é insustentável. Uma flor é uma mulher que sai do cabeleireiro e que em nome da beleza não se deixa tocar. Pelo contrário, uma erva daninha é aquela que nos agarra pelos colarinhos e nos dá um beijo de língua enquanto os cabelos se entrelaçam ao vento. Em nome do Amor matemos a floricultura. Vivam as ervas daninhas.
