8.06.2009

fotografias da adolescência...

Já vos aconteceu encontrarem lembranças na vossa memória que não conseguem situar muito bem? É como ver fotografias num álbum em que faltam algumas folhas e onde o tempo já apagou a maior parte das anotações. Pois bem, hoje passei o dia a ver fotografias dessas, quase todas delas relacionadas com mulheres...

1] pernas de frango
Foi provavelmente o primeiro método de engate na minha vida e, acreditem, o primeiro falhanço também. Num piquenique qualquer durante uma visita de estudo da minha sala (dizia-se sala e não turma) da escola primária, troquei as duas pernas de frango de churrasco que a minha mãe me mandou numa tupperware por outra parte muito menos saborosa, creio que umas asas. A miúda que comeu as pernas e que, admito, fez de mim parvo, acabou por me dar um beijo mas inconsequente. No dia seguinte voltou às brincadeiras com as suas amigas e eu aos meus jogos de futebol em que a bola era um pacote vazio de um litro de leite. Acho que ainda estava a digerir as asas...

2] à boleia pela rua...
Nunca percebi o que é que falhou com a Márcia (nome fictício, claro). Foi ela que teve a ideia de passarmos uma noite juntos no quarto dela e eu, tanto pela aventura como por estar apaixonado, aceitei imediatamente esperar pacientemente que os pais dela adormecessem para depois, conforme combinado, ela me abrir a porta. Como supostamente a família acordava cedo para ir trabalhar, teríamos a manhã toda por nossa conta. E teríamos mesmo, não fosse eu ter esperado até às três da manhã sem ela aparecer. O problema é que eu vivia em Aveiro e ela a dezasseis quilómetros de distância. Acabei por voltar à boleia de um desconhecido por volta das cinco da manhã... e juro que nessa noite imaginei como seria bom existirem telemóveis.
No dia seguinte ela disse-me simplesmente que tinha adormecido...

3] uísque
Se é verdade que fui precoce a imaginar o telemóvel, também é verdade que fui precoce a desejar não ter nenhum. Era tão bom ir acampar no Verão e estar realmente incontactável. Até os nossos pais tinham que esperar pela nossa boa vontade em ir a uma cabina telefónica dizer-lhes que estava tudo bem. Acho que era essa distância da família que dava ao campismo a conotação de espaço privilegiado para o engate adolescente.
Num Verão qualquer, num parque de campismo transmontano, lá consegui depois de muito esforço que uma miúda gira interrompesse uma dança numa discoteca para se sentar comigo numa mesa e ter uma conversa séria. É que apesar de eu não a conhecer de lado nenhum, sentia que tinha muitas coisas importantes para lhe dizer. E tinha mesmo, só não sabia quais. Claro que primeiro, para me armar em homem adulto (que de facto ainda não era), forte (que de facto ainda não era) e experimentado (que de facto ainda não era nem nunca cheguei a ser), comecei por beber um uísque enquanto lhe oferecia uma coca-cola. Pois o uísque deu-me tal volta à cabeça que acabei por perder a noção do que estava a fazer e a dizer. Caso encerrado... no dia seguinte ela passou por mim, riu-se com a superioridade inerente a uma adolescente que bebeu uma coca-cola à minha custa, e foi à vida dela...

12 comentários:

a Trofa tem cozinheira disse...

PERNAS DE FRANGO?! o.o (...)

mfc disse...

... a do adormecer... é de cabo de esquadra!

Miss Kin disse...

Que boas essas recordações, fizeram-me ir buscar umas quantas com pequenas semelhanças.

rosa disse...

Live ‘n learn ;)
Sem fazer figura de urso não temos aprendizagem....
Só é grave quando deixamos memorias como estas nos limitar no “agora”

Parabéns pelo blogue... é a 1º vez que comento mas já leio à algum tempo, e adoro :)

bagaco amarelo disse...

a trofa tem cozinheira, lol. :)

mfc, admito que sim. :)

miss kin, acho que somos todos iguais em questões como esta. :)

rosa, obrigado. :)

Bid disse...

Sou da altura em que se trocavam bilhetinhos nas aulas e risos nos intervalos.
Ainda tenho alguns e cadernos com cantos dobrados que diziam "segredo" ou "não contes a ninguém" e isso deixa-me feliz!

Não sei como farão para rever quando forem velhos se os telemóveis têm limite de capacidade de mensagens e se os computadores apanham vírus.

K.A.B.G. disse...

Aie oh pah!!! tenho que me manifetar de vez em quando. Porque só me ri!!! Que bom!!! Sinceramente!!!

bagaco amarelo disse...

bid, também sou dessa altura... na escola comercial de aveiro... :)

kagb, ainda bem. já não é mau... :)

SMC disse...

Bem, por intermédio de um amigo descobri este teu blogue e ainda não consegui parar de rir! :-D Desde as pernas de frango que isso foi um baile e tanto (eu também teria aproveitado as pernas que é a parte que mais gosto), passando pela seca monumental de não ter aberto a porta porque adormeceu, digo-te isso é mesmo coisas de raparigas!parabéns por teres arrancado risos e sorrisos
Sara Castro

bagaco amarelo disse...

smc, obrigado, :)

Sininho disse...

e por falar em telemoveis: ja viste 'o justiceiro' recentemente?, não faz confusão toda aquela engenharia e depois não existe telemovel..... muito estranho
lol
bj

bagaco amarelo disse...

sininho, lol... não tenho visto, não. :)