8.21.2009

acho que é sempre assim ou quase assim...

Onde é que está o livro que ando a ler? A pergunta surge-me enquanto dou passos lentos no corredor duma casa que não é minha, a ver se ganho tempo para decidir para que divisão devo ir. É que não me é óbvia a decisão.
Acho que é sempre assim ou quase assim. Conhece-se uma mulher bonita que se convida para uma cerveja. Depois descobre-se que ela sorri bastante e que para falar com ela não é preciso respigar assuntos nem palavras. Vem mais uma cerveja e os olhares, que até então se evitavam, arrostam-se cada vez mais. Depois, já na rua, dão-se as mãos como um princípio do corpo.
Acho que é sempre assim ou quase assim. O corpo e a noite. Estamos numa cama que não conhecemos bem e por isso reparamos com mais intensidade no enquadramento nocturno da janela do quarto. É estranho, o nosso mundo mudou totalmente numa noite mas lá fora continua tudo igual: a Lua, as nuvens, os telhados e o ruído dos automóveis que pontilham a noite com faróis perdidos. Para o mundo ainda é segredo que nos estamos a apaixonar.
Acho que é sempre assim ou quase assim. De manhã ao acordar não sabemos se foi apenas mais um queca fortuita, por isso fechamos os olhos de novo para poder sonhar nessa incerteza. O toque do despertador não foi igual ao que estamos habituados. A estação de rádio sintonizada também não nos é familiar, assim como não é o candeeiro de mesa ou o chão onde as nossas roupas estão espalhadas.
Acho que é sempre assim ou quase assim. Apaixonarmo-nos é também emigrar e perdermo-nos num mundo novo onde temos que perguntar os nomes das ruas. A paixão não é só fácil. Às vezes também é difícil. Só é sempre boa. Pensei nisso agora que me perguntei onde é que está o livro que ando a ler e não soube responder. Acho que está na minha casa e no meu mundo de onde emigrei...

18 comentários:

Liliane disse...

Wow!!

Vou buscar o meu livro. :)

bagaco amarelo disse...

liliane, :)

GiGi disse...

É verdade, a paixão é sempre boa. Acho que não é só eu quem sente falta quando ela se vai, deixando lugar a outros sentimentos também importantes.

Talvez, ela não desaparece inteiramente. Apenas se transforma.

Beijos!

Joana disse...

Fotografaste-me a vida e aquilo que ainda nao consegui escrever sobre ela. Posso citar este teu texto no meu blog? Têm que o ler. Escreve sempre, sim? Obrigada

bagaco amarelo disse...

gigi, sim... desaparecer não desaparece. talvez se esconda uma vez por outra... :)

joana, claro que podes.... só te agradeço. obrigado. :)

rosa disse...

Acho que é sempre assim ou quase assim, que a lua desperta a esperança e o sol revela a ilusão
Acho que é sempre assim ou quase assim, que quando nos soltamos vamos na onda da emoção, vivemos sem restrição e com liberdade de ser como queremos sermos que mais cedo ou mais tarde deixamos a “realidade quotidiana “ governar outra vez, volta a lógica e vergonha… que pena

Sávio Fernandes disse...

O melhor post que li hoje.

Larose disse...

de que me fizeste lembrar ...... acho que já não tinha pachorra ..... ai ai ...será que estou a envelhecer e não tinha reparado?

depois de refectir ...e por questão de comodidade mental cheguei à conclusão que a minha 1ª reflexão é por já estar servida ! ihihihihihi

bagaco amarelo disse...

rosa, :)

sávio fernandes, obrigado. :)

larose, bem servida, de certeza. :)

Princesa Canela disse...

Lindo, inocente e juvenil. Como todas as paixões devem ser. =*

Lara disse...

... Adoro este blog!
Tanto que acho que vou emigrar para aqui!

;)

bagaco amarelo disse...

princesa canela, :)

lara, obrigado. :)

memyselfandi disse...

Há circunstâncias em que a paixão é difícil, isso eu sei de cor. Mas também sei que é boa. Tão boa que desejariamos nunca deixar de a sentir (quando corre bem, claro!)

bagaco amarelo disse...

memyselfandi, tens razão... tanto que quando corre mal tentamos sempre de novo. :)

memyselfandi disse...

Pois é! Parvalhões!:)

bagaco amarelo disse...

memyselfandi, lol. :)

Paula Raposo disse...

Certíssimo! É quase sempre assim e apaixonarmo-nos é sempre bom, mesmo que não saibamos onde está o nosso livro, naquela noite!

bagaco amarelo disse...

paula raposo, :)