11.10.2010

conversa 1634

(no café)

Ela – O meu marido perguntou-me se eu já o traí alguma vez desde que casámos. Acreditas nisto?
Eu – Acredito em quê? Que ele te perguntou isso ou que já o traíste?
Ela – Caraças! Vocês são todos iguais.
Eu – Iguais como?
Ela – Esquece.
Eu – Pronto, já me esqueci.
Ela – Não esqueças nada, pá. Tens que insistir comigo.
Eu – Insistir em quê?
Ela – Ao menos tenta perceber por que motivo eu acho anormal ele perguntar-me isso.
Eu – Ok... explica lá.
Ela – Tenta perceber sem eu explicar.
Eu – Sem tu explicares? Como é que eu faço isso?
Ela – Pensa...
Eu – Vou pedir uma cerveja, então. Queres uma?
Ela – Não se pergunta a uma mulher com quem se vive há mais de dez anos se ela o anda a trair ou não, porque isso é sinal de desconfiança. Percebes?
Eu – Percebo isso mas também acho que é melhor perguntar do que andar na dúvida, e se ele te perguntou isso é porque sente um ciúme qualquer e portanto ainda gosta de ti.
Ela – Ainda? Porquê ainda?
Eu – Nada, nada. Queres uma cerveja ou não?
Ela – Não pedes cerveja enquanto não me explicares esse 'ainda'. Achas que já não era suposto ele gostar de mim, é?
Eu – Acho que se ele te perguntou isso foi sincero. Podias simplesmente responder que não e deixar-te de merdas sobre o que se deve ou não perguntar à companheira.
Ela – Nem pensar nisso. Ele tem que confiar em mim ou ficar na dúvida.
Eu – Já posso pedir uma cerveja?
Ela – Pede lá a porcaria da cerveja. Eu quero um uísque e um chocolate.
Eu -Um uísque e um chocolate?
Ela – Sim.
Eu – De certeza?
Ela – Sim, não me chateies.

vai de comboio


"Desde que o meu marido vai de comboio, o meu amante tem mais tempo para me dedicar", é o que diz um cartaz da ala flamenga de um sindicato belga de ferroviários com a fotografia duma mulher em trajes menores, a propósito da falta de pontualidade dos comboios belgas. A ala francófona não gostou e diz que o cartaz é machista.
Não sei se o cartaz é machista ou não, mas sei que em Portugal os amantes devem ter todos muito tempo para as mulheres cujos maridos andam de comboio. Eu até proponho à CP que, pelo menos para os passageiros que usam o Vouguinha, faça uma publicidade a dizer: "Desde que o meu marido foi de Vouginha,nunca mais o vi".
ver no Sol

11.08.2010

conversa 1633

Ela - Este fim de semana aprendi uma grande lição de vida.
Eu - Qual?
Ela - Uma mulher nunca deve ir para a cama com o seu melhor amigo.
Eu - Não me digas que vais perder um bom amigo só porque foste para a cama com ele.
Ela - Não é isso.
Eu - Então.
Ela - É a imagem com que fiquei dele.
Eu - Imagem?
Ela - Sim, ele era um tipo que eu considerava estável e bom conselheiro. De repente vê-lo a babar-se todo... nem sei que te diga... acho que nunca mais olho para ele da mesma forma.

11.05.2010

conversa 1632

Eu - Estás tão bonita.
Ela - Isso são os teus olhos.
Eu - Se calhar são.
Ela - Não são nada, não são nada.

conversa 1631

(entre duas miúdas, hoje, no comboio urbano sentido Aveiro-Porto)

Ela - As bananas verdes são ideais para quem tem diarreia.
Ela 2 - São?
Ela - São.
Ela 2 - E onde é que as metes?
Ela - Não meto em lado nenhum. Como-as.
Ela 2 - Ah! Como disseste que eram só as bananas verdes...
Ela - As maduras têm o efeito contrário...

respostas a perguntas inexistentes (111)

Deu-se agora conta que tem passado bastante tempo a sonhar acordado. Por exemplo, viu um avião a cruzar os céus e imaginou-se nele a viajar para Banguecoque com aquela que acredita amar. Acabou de aterrar e percebeu que o café que a empregada lhe trouxe já está frio. Arrefeceu durante esse prolongado voo imaginário, assim como o seu espírito, que arrefece também também cada vez que desperta de um desses sonhos acordados. Têm sido tantos...
Deu-se agora conta que o Amor não o é apenas pela mulher acredita amar. É um desejo à partida seja por quem for, e por isso quando não se ama ninguém ama-se pelo menos a vontade de amar. Procura-se cumprir essa vontade, depois, em sonhos que se cumprem à hora do café. A uma hora qualquer, até, e assumiu que todas as pessoas absortas por quem passa estão a sonhar como ele. A mulher com a testa encostada à janela do autocarro, o homem sentado num banco de jardim, o condutor que não percebe que o semáforo passou de vermelho para verde, o estudante deitado na relva do liceu...
Deu-se agora conta que o desejo de amar é a nascente da solidão, e que um acto casual de sexo é mergulhar os pés na correnteza que dela brota. Sabe tão bem. Talvez por isso se tenha dado conta agora mesmo que a empregada é boa, e não quer usar outra palavra para a definir. É boa mesmo e pronto. Por isso é que lhe beija as costas cuja quietude dá início a um doce terramoto, e depois os lábios tremem, as mãos também, os seios também, as nádegas também e a vagina também. Talvez o mundo esteja todo a tremer. Por isso acorda. A chávena de café continua cheia. E fria.

11.04.2010

através do som



Gosto desta música como já gostei de algumas mulheres. Não é preciso dizer mais nada. Já gostei de algumas mulheres através da voz. Ouvi-as sem as ver e isso chegou para me apaixonar. Apaixonarmo-nos por uma música tem essa vantagem: basta ouvi-la para nos sentirmos bem. É como com as mulheres por quem nos apaixonamos desta maneira. Às vezes uma mulher pode ser uma música e uma música pode ser uma mulher.
A propósito, hoje os Couscous Prosjekt estão no mercado Negro, em Aveiro, a partir das 22:45 (mais ou menos). Sejam felizes...

conversa 1630

Ela - Hoje ao almoço tive uma discussão brutal com o meu marido.
Eu - Tens que ter calma. Às vezes acontece.
Ela - Calma o tanas. Estava mesmo a precisar...

conversa 1629

(no café)

Ela - Com quantas mulheres é que já foste para a cama?
Eu - Sei lá.
Ela - Foram assim tantas?
Eu - Não é isso. Só que agora, assim de repente, não te sei dizer.
Ela - Se tivesses ido só com uma lembravas-te de certeza.
Eu - Mas porque é que raio queres saber isso agora?
Ela - Só curiosidade.
Eu - Mas não te sei responder...
Ela - Eu acho é que não queres responder.
Eu - Se calhar.
Ela - E no último ano? Com quantas mulheres é que foste para a cama no último ano?
Eu - Uma.
Ela - Uma?
Eu - Sim... namoro há dois anos.
Ela - Não tens piada nenhuma...

11.03.2010

conversa 1628

Ela - Tenho um problema: amo um homem de quem me cansei.
Eu - Mas amas mesmo?
Ela - Amo, sei que sim. O que eu queria era poder chegar ao pé dele e dizer que quero fazer um intervalo de um ano na nossa relação.
Eu - Hum... percebo. E o que é que fazias nesse ano?
Ela - Andava com outros homens, claro.
Eu - Claro?
Ela - Sim, um dos motivos pelos quais eu me sinto cansada é que ando com ele desde o liceu. Só tenho uma vida e nunca experimentei outra coisa. Percebes?
Eu - Mas se lhe pedires esse ano ele não vai aceitar facilmente, pois não?
Ela - Não. Embora eu ache que ele está tão cansado de mim quanto eu dele.
Eu - Isso não facilita as coisas?
Ela - Não. Se ele me viesse pedir esse ano eu também reagia mal. Não o quero perder, só quero desenjoar dele, percebes?
Eu - Sim, percebo. Queres esse ano de intervalo mas não queres que ele também queira. No entanto achas que ele também quer... O ideal seria ele compreender que tu tens essa necessidade de experimentar outras coisas e ficar à tua espera fechado em casa.
Ela - Sim... é mais ou menos isso.
Eu - Pois... as coisas não são assim, pois não?
Ela - Pois não, eu sei. O que é que hei-de fazer?
Eu - Tens três hipóteses. Ou lhe pedes esse ano e sofres as consequências, que podem ser várias; ou não lhe pedes e manténs esse cansaço na tua vida enquanto der.
Ela - E a terceira hipótese qual é?
Eu - Acabamos de beber esta garrafa de vinho, abrimos outra, eu asso uma chouriça e ficamos na conversa até às tantas.
Ela - Opto por essa.
Eu - Óptimo.

talvez um destes dias toque no tecto...

O que eu quero é dizer-te que te amo. O problema é que dizer isso só assim parece sempre pouco. Deixa-me ver... é a mesma sensação que tinha em criança quando saltava para tentar tocar no tecto da sala e nunca conseguia. Vou tentar saltar mais desta vez...
O que eu quero dizer-te é que há bocado estava sentado num banco dum jardim qualquer numa cidade qualquer e o vento veio tocar-me. Abraçou-me os ombros e eu pensei que eras tu, apesar de saber que estavas a muitos quilómetros de distância. Isso acontece-me sempre, pensar que és tu quando um estímulo qualquer investe no meu corpo. Depois pensei que aprendi contigo que o Amor também é isso: achar que és tu quando a natureza respira.
Ontem, por exemplo, fiquei a ver a luz levantar voo devagarinho enquanto as sombras povoavam as ruas. Cada uma dessas sombras que ia surgindo me parecia sempre que eras tu, mesmo sabendo que não eras. Até cheguei a seguir uma delas com o olhar, convencido que a sua metamorfose se revelaria em ti. Não revelou, acho que entrou num automóvel qualquer e depois partiu, mas fiquei a saber que aprendi contigo que o Amor também é isso: achar que és tu a revelação da natureza.
O que eu quero mesmo é dizer-te que te amo. O meu problema é que nunca consigo. Até já pensei que é por ser homem que não consigo. Mas tento, a sério que tento. Talvez um destes dias toque no tecto...

11.02.2010

conversa 1627

(entre duas crianças no comboio)

Ele - Não gosto nada de beijos.
Ela - Os grandes beijam-se uns aos outros na boca, não é na cara.
Ele - Isso não são beijos.
Ela - São beijos, sim.
Ele - Não são nada que eu já vi. Metem a língua dentro da boca do outro para lhe limpar os dentes.
Ela - É?
Ele - É.

10.29.2010

conversa 1626

(no café)

Eu - Que horas são?
Ela - São horas de eu decidir se ponho ou não fim a o meu namoro de dois anos.
Eu - Ahn?
Ela - São horas de eu decidir a minha vida.
Eu - Eu só queria mesmo saber que horas são. O relógio deste café está parado.
Ela - Ah! São duas e meia.

conversa 1625

Ela - Vou tirar este fim de semana para estar com algumas amigas minhas. Tudo mulheres.
Eu - Fazes bem.
Ela - Não sei se faço.
Eu - Porquê?
Ela - Isto de sair só com mulheres pode querer dizer duas coisas.
Eu - Que coisas?
Ela - Ou tenho uma idade mental ainda de garota ou já tenho uma idade mental própria da terceira idade.
Eu - Não percebo.
Ela - Acho que só tem lógica sair com as amigas quando ainda somos garotas ou quando já estamos velhinhas...
Eu - Mas porquê?
Ela - Quando somos garotas os homens ainda são estúpidos, quando ficamos velhinhas os homens já são estúpidos outra vez.

pensamentos catatónicos (220)

zapping ao pequeno-almoço

Os ecrãs dos nossos televisores estão empanturrados com uma publicidade da Meo, feita pelos Gato Fedorento, que apregoa que aquele é o serviço de televisão por cabo com o zapping mais rápido do mercado. Mais nada, só isso. E para prová-lo montaram um laboratório gigantesco onde comparam aquele ao zapping da concorrência. A Meo é portanto a assumpção de que as pessoas já não param para contemplar nada, nem que seja um mísero programa na televisão, e que preferem passar (que é como quem diz perder) as noites a saltar pelos canais todos.
O problema é quem faz zapping acaba por ver um pouco de tudo sem perceber de facto nada, e isto não seria um problema se não se estendesse à nossa própria vida, incluindo ao nosso próprio Amor que, principalmente por força do endeusamento da Economia, se está a transformar em mais um programa no meio de muitos pelo qual passamos às vezes os olhos. Hoje tomei café de manhã numa pastelaria dos subúrbios da cidade onde vi uma mulher despedir-se do companheiro levando a mão à boca para simular um beijo. Não o beijou de facto e depois saiu a correr para apanhar um autocarro cujos freios já se faziam ouvir. Depois vi-o a ele a encolher-se perante o copo de galão meio vazio e a torrada mal roída que ela deixou em cima da mesa. Acho que o povoou uma qualquer sensação de abandono.
O zapping é essencialmente isto: abandono. E eu não queria que ele passasse por mim. Se eu podia viver com ele? Podia. Mas não era a mesma coisa.

10.27.2010

significado uma pessoa flatulenta

Mais algumas busca no google que vieram aqui dar...

como ganhar um bom rabo
Eu, mesmo sem ser um grande especialista no assunto, aconselhava a pedir mais do que uma opinião neste assunto.

eu me apaixonei por um homem da net mas ele não me ama
Às tantas é por ter sido pela net. Digo eu, sei lá...

mulheres nervosas ao extremo
Isso não existe, pois não? Mulheres nervosas... naaaaa. Nunca ouvi falar.

Mais algumas buscas no Google que vieram aqui dar...
mulheres sensuais de rabo de peixe
Até podem ser sensuais. Não as aconselho é a dizer de onde são logo assim à primeira. Podem perder a sensualidade...

mulheres trazando com porco
Epá, isso tem muito que se lhe diga. Um gajo usa as mesmas meias três ou quatro dias seguidos e elas já acham que um gajo é porco.

porque as mulheres gostam de espremer espinhas
É verdade que gostam, mas eu acho que gostam mesmo é de espremer um gajo. As espinhas são uma desculpa.

sexo com velhas 95 anos
Se fosse com novas de 95 anos admito que ficava mais espantado.

sexo de porco com porcas
Portanto, tem um porco e várias porcas. É isso? Hum... hum... feliz, o porquinho.

significado uma pessoa flatulenta
Espero que não seja tarde demais mas vou dar uma pista: não é tocar flauta.

vidios de sexo gratis de mulheres com porcos
Um pedido tão específico e tem que ser grátis?

conversa 1624

Ela - Os homens deviam perceber que não se deve dizer a uma mulher mal dum amigo dela.
Eu - Porquê?
Ela - Primeiro porque dá mau aspecto falar mal doutro homem pelas costas.
Eu - Sim, concordo.
Ela - Segundo porque quem diz mal doutro normalmente tem problemas de afirmação, ou seja, para se afirmar precisa de denegrir a imagem doutra pessoa.
Eu - Sim, também concordo.
Ela - Terceiro porque não acho que sejas assim tão palhaço.
Eu - Ahn?
Ela - Estiveram-me a dizer mal de ti.

10.26.2010

conversa 1623

Ela - Um problema só é um problema se tiver solução.
Eu - Se não tiver solução é o quê?
Ela - É um homem.

10.22.2010

conversa 1622

(no café)

Ela - Ontem mandei-te um email.
Eu - Eu vi, eu vi...
Ela - Viste mas não respondeste.
Eu - Não me perguntaste nada.
Ela - Mas podias ter acusado a recepção, ao menos.
Eu - Poder podia, de facto, mas não achei importante.
Ela (levanta-se)
Eu - Vais embora? Ainda agora chegámos.
Ela - Eu podia ficar mas não acho importante.

conversa 1621

(numa sala escura depois do disjuntor ter disparado)

Eu - Onde é que estás?
Ela - Aqui.
Eu - Mas onde?
Ela - Aqui no meio da escuridão. Não me vês?
Eu - Não.
Ela - Cegueta.