5.19.2015

A Guerra dos Tronos

Defendo a ideia de que todos os homens deviam ter um sofá só para eles, como antigamente. De preferência um monolugar grande e robusto, parecido com o trono de um rei, onde as crianças até podem dar uma cambalhota quando ele não está, mas a mulher nem pensar.
Todos ganham com esse sofá. O homem, que pode ser Rei em casa mesmo quando é humilhado todos os dias no trabalho; a mulher, que ganha o estatuto de conselheira familiar por uns momentos; a criança, que pode dar umas cambalhotas de vez em quando.
O sofá monolugar sempre foi um elemento essencial na estrutura familiar portuguesa. Era com esse sofá que parecia que tudo estava bem, mesmo quando tudo estava mal. Era o Poder do Trono. O homem sentava-se nele a ler o jornal e ganhava imediatamente o estatuto que não tinha em mais lugar nenhum, nem sequer no café da frente entre os bêbados diários (cada um deles também teria o seu sofá em casa).
Com o fim do sofá, as famílias desagregaram-se porque a peça principal da estrutura ruiu. As mulheres começaram a partir do princípio que também tinham o direito à felicidade e, pior, a decidir o seu próprio destino. Aumentou o número de separações, divórcios e discussões caseiras.
O Ikea tem parte da culpa, porque os seus sofás são todos iguais. Falta-lhe o sofá monolugar tipo trono, com uma almofada enorme, pesados pés de madeira e um tecido grosso e difícil para ela limpar.
Na boa época do sofá, um homem decidia que estava apaixonado e queria ficar com aquela mulher para toda a vida, sempre antes do primeiro sexo. Assim mesmo, com o verbo "ficar", não pelo seu significado de posse, mas sim pelo seu aspecto mais conservador. Ficar significa permanecer ou deter-se. O sofá era a garantia desse conservadorismo e o conservadorismo sempre seguiu um modelo masculino.
O fim do sofá como lugar de Poder é uma responsabilidade feminina, no exacto momento em que as mulheres decidiram que o homem não tinha o direito de decidir ficar (lá está o verbo de novo) com elas. A subversão da coisa é que deixou de ser o trono do Rei para passar a ser um lugar de queca. Foi o fim da monarquia lá de casa.
Ainda assim, todos os homens deviam ter um sofá como antigamente.

12 comentários:

Cisne disse...

A cor do layout desse site é super agressivo, fiquei a ver mal uns segundos depois de fechar a página :p

Bagaço Amarelo disse...

cisne, acho que é de propósito, não sei... mas vou dizer à responsável. :)

Maria Varredora Pau de Vassoura disse...

LOL.... adorei!
Mas não desesperes, com tudo é cíclico.
A moda do sofá há-de voltar. ;)

Bagaço Amarelo disse...

Maria Varredora Pau de Vassoura, haja esperança... :)

Patricia M. Silva disse...

Ahahaha.. sofá tipo Archieeeeeeeeeeeee

Bagaço Amarelo disse...

Patrícia M. Silva, se eu me tivesse lembrado dele, tinha-o referido. :)

Patricia M. Silva disse...

Sofá que é trono só mesmo o do Archie :-)

Bagaço Amarelo disse...

Patricia M. Silva, sim... a referência é mesmo essa. sofro de nostalgia pelos tempos em que eu gostava de ver televisão de vez em quando. :)

EJSantos disse...

"sofro de nostalgia pelos tempos em que eu gostava de ver televisão de vez em quando."

Inacreditável. Al ler isto recordei-me de uma era, no milénio passado, em que era possivel ver coisas boas na televisão.
Tens razão, que saudades...

Bagaço Amarelo disse...

EJSantos, o Archie bunker, por exemplo. :)

EJSantos disse...

All in tge family.

Muito bom!

Bagaço Amarelo disse...

ejsantos, :)