8.31.2008

conversa 927

Ela - Preciso que me passes o vídeo do meu casamento para dvd. Assim, quando me separar, o meu marido fica com uma cópia e eu com outra.
Eu - Não sabia que te ias separar. Está bem, eu passo. Tens a certeza que o teu marido quer uma cópia dum casamento que vai acabar?
Ela - Se calhar não quer, mas eu dou-lhe uma que é para ele sofrer quando olhar para ela.
Eu - Ah!

8.30.2008

conversa 926

Ela - Esta noite tive um sonho tão bom...
Eu - Então?
Ela - Sonhei que entrava numa loja enorme de roupa e, como era a cliente número cem mil, podia levar tudo o que me apetecesse sem pagar. Sapatos, saias, calças, sutiãs, camisolas... tudo.
Eu - E qual foi a parte boa?
Ela - Estragas sempre tudo.

a democratização da pele macia


A Jane Fonda tornou-se, durante as décadas de sessenta e setenta, a mulher do sabonete Lux, em publicidade na rádio, na televisão e na imprensa. A marca de sabonetes aproveitou assim o auge da sua beleza e do seu sucesso como actriz cinematográfica.
Até aos anos sessenta os sabonetes Lux chamavam-se Lever, nome do fabricante que nesta altura decidiu adoptar uma atitude de marketing mais agressiva e que o tornou líder do mercado mundial. O nome Lux, cuja etimologia é latina (luz) foi também escolhido por causa da palavra inglesa luxury (luxo). A esta sensação de luz e de luxo estiveram associadas sempre várias mulheres do star system americano. Para além de Jane Fonda também Ursula Andress, Brigitte Bardot, Natalie Wood, Rachel Welch e Cheryl Ladd 'emprestaram' a sua imagem ao sabonete. A mensagem era óbvia: Lux punha ao alcance de todos a fórmula que mantinha a pele das estrelas macia. Era uma espécie de democratização da pele macia.

8.29.2008

ricas vaginas

Diz o DN de hoje que duas mulheres, uma de dezasseis e outra de dezanove anos, foram presas pela PSP de Lisboa e que ambas escondiam jóias no valor de 7669 euros na... vagina. Segundo o comunicado da polícia, as mulheres foram presas depois de terem tentado atropelar um agente. Na esquadra, "uma das suspeitas insinuava-se bastante inquieta e aflita", tendo retirado "dos órgãos genitais uma embalagem de plástico com uma quantidade apreciável de ouro".
Se bem percebo a notícia, o que aconteceu foi que duas mulheres com ouro e jóias na vagina tentaram atropelar um polícia e depois foram presas. Não compreendo as mulheres!

8.28.2008

sapo

O Papa está chateado com a escultura dum sapo crucificado exposta na entrada do Museion, o museu de arte contemporânea de Bolzane, Itália. A escultura, da autoria de Martin Kippenberger (já falecido), é, segundo uma carta do Papa àquele museu, ofensiva para os cristãos que vêem na cruz o símbolo da salvação.

Eu concordo mais ou menos com o Papa mas por um motivo diferente: acho esta escultura um insulto aos sapos em geral e ao Cocas em particular, cujos traços físicos são muito parecidos com o da escultura. A mim, e acredito que a todos da minha geração, custa ver o Cocas assim crucificado e com a língua de fora. Por isso mesmo vou hoje mandar uma carta ao museu a dizer que considero esta obra de arte ofensiva para os todos os que vêem no Cocas um ícone da sua infância.

qual é coisa qual é ela?

Adivinha: Qual é coisa qual é ela que mal chega a casa se põe à janela?

Solução: É a minha vizinha da frente que, por qualquer motivo que desconheço, está sempre à janela. Nem andar em cuecas na cozinha posso.

conversa 925

Ela - Desconfio sempre de homens que têm toalhas pretas na casa de banho.
Eu - Porquê?
Ela - Acho que usam toalhas pretas só para não terem que as lavar tantas vezes...
Eu - Eu também tenho toalhas brancas.
Ela - Nunca vi. Na tua casa de banho nunca vi.
Eu - É raro usá-las.
Ela - Lá está. Tenho razão.

conversa 924

Ela - Acho mesmo que homem e a mulher nasceram para estar juntos...
Eu - Que homem e que mulher?
Ela - Em geral.
Eu - Não acho que isso seja uma regra geral. Aceito-a, às vezes, no particular.
Ela - Isso quer dizer o quê?
Eu - Que talvez possas dizer, numa determinada altura, que achas que a Maria e o António deviam estar juntos. O homem e a mulher é demasiado abrangente.
Ela - Quem é a Maria e quem é o António?
Eu - Era só um exemplo.
Ela - Mas eu não os conheço. Como é que podes usar um exemplo que eu não conheço?
Eu - Deixa lá. Esquece...
Ela - Já estás chateado.
Eu - Não estou nada. Por exemplo, eu e tu não nascemos para estar juntos. Definitivamente...

conversa 923

(quando nos preparávamos para ver o Blade Runner)

Ela - Há muito tempo que eu quero ver este filme. Só pela maneira como falas dele...
Eu - É fixe.
Ela - Mas se eu adormecer não me acordes, está bem? Estou tão cansada...

sapatilhas


Finalmente vou ter mais de um par de calçado na despensa e deixar de ter que explicar às mulheres que me conhecem porque é que ando sempre com os mesmos sapatos. Comprei três pares de sapatilhas por onze euros. Cinco euros cada um e, se comprasse dois, vendiam o terceiro por um euro. Fixe, até porque já tinha olhado para as brancas e só não as tinha adquirido porque custavam vinte e nove euros...

comprimidos ou segredos?


Miss Army Kit é o nome dum novo canivete suíço especialmente desenhado para mulheres. Tem um espelho, uma lanterna, uma tesoura, uma lima para unhas, uma caneta, uma caixa para comprimidos, um frasco de perfume, uma navalha, uma régua, uma chave de parafusos de fendas, um saca-rolhas, uma caixa para comprimidos, uma agulha e linha e uma corrente para chaves. O novo canivete tem nove centímetros de comprimento e pode ser adquirido por cerca de vinte dólares aqui.
A versão do mesmo canivete para homens chama-se metroline kit e tem uma lanterna, um compartimento secreto, um saca-rolhas e abre-cápsulas, um palito, uma tesoura, um corta-unhas, uma caneta, um espelho, um pente para o bigode, uma pinça e uma lima para as unhas,
uma chave de parafusos de fendas, uma régua, uma faca e um porta-chaves. Pode ser adquirido pelo mesmo preço no mesmo sítio.
Se não me engano, aquilo a que o fabricante chama de compartimento secreto na versão masculina é, na versão feminina, um compartimento para comprimidos. De repente, e através duma simples análise a uns canivetes, percebi uma diferença fundamental entre os géneros: eles têm mais segredos, elas têm mais enxaquecas...

8.27.2008

a vida numa garagem

Hoje ganhei coragem para acabar um trabalho forçado que iniciei há um ano: arrumar a minha garagem. Encontrei tanta coisa da minha vida de casado e mesmo da de solteiro que admito que, quando pus algumas coisas no ecoponto, senti que estava a pôr um bocado de mim mesmo fora. E estava, mas isso não é obrigatoriamente mau.
Organizei a minha colecção de revistas de banda desenhada erótica de adolescente, guardei numa gavetinha a minha colecção de cartões de telefone tipo credifone, organizei alguns livros que tenciono ir levando para casa a pouco e pouco e até algumas fotografias que fui encontrando. Depois juntei tudo o que encontrei da minha ex-mulher e meti em caixas que lhe vou levar a casa daqui a bocadinho.
Por entre alguns (muitos) quilos de lixo, fiquei algum tempo a olhar para as centenas de fotografias do meu casamento. Foi a primeira vez que o fiz sem nostalgia alguma a não ser, talvez, por causa da minha avó que entretanto deixou de estar entre nós. A felicidade estampada na face da minha companheira, nesse dia, voltou. A da minha face também. Às vezes é preciso saber abanar a vida na altura certa, como se fosse uma árvore, para recuperar uma certa felicidade que nem percebemos que já perdemos. Ainda bem que o fiz.
Entretanto, já posso guardar outra vez o carro na minha garagem sem bater em caixotes.

8.26.2008

conversa 922

Ela - Foste de férias com a tua filha?
Eu - Fui.
Ela - Podias ter dito. Eu ia com o meu filho também...
Eu - Não podia ser. Eu precisava fazer férias só com ela.
Ela - Porquê?
Eu - Sei lá. Porque sim.
Ela - E eu precisava de alguém para fazer férias com o meu...
Eu - Porquê?
Ela - Preciso fazer férias sozinha. Só comigo...

francesinha

Hoje, numa rua qualquer de Aveiro, uma mulher perguntou-me em francês se eu lhe podia indicar o caminho para a praia de Mira. Indiquei-lhe o caminho em português. Ela perguntou-me, de novo em francês, quanto tempo demorava. Eu respondi-lhe em português. Ela agradeceu-me de novo em francês. De nada, tornei a responder.
Um dia vou perceber porque é que a maior parte dos emigrantes portugueses em França, quando cá vem de férias, tem a mania de falar francês. Ou talvez nunca perceba...

sermões a todo o rebanho

Fazer férias com a minha filha tornou-se revelador. Os miúdos têm uma tendência natural para reparar naquilo que nos passa ao lado e, no mesmo dia em que eu lia no Jornal de Notícias uma reportagem sobre divórcios em Portugal, a minha filha dizia-me que estavam muitas mulheres sozinhas com os filhos a acampar no mesmo parque que nós. E estavam. Ela tem pressa que eu arranje uma namorada. Eu, na verdade, tenho cada vez menos pressa.
A reportagem do Jornal de Notícias, da autoria da jornalista Catarina Ferreira, fala da estatística habitual: dos casamentos celebrados actualmente na UE, 48% acabam em divórcio. No entanto, o que mais me impressionou foi mesmo uma reportagem sobre os que se casam e divorciam ainda antes dos trinta. Não por causa do divórcio em si mas porque, pelos relatos de alguns intervenientes, percebe-se que é fácil acreditar-se que se conhece uma pessoa que, de facto, não se conhece.
Mas não reparando só em pessoas que fazem férias "sós", a minha filha reparou ainda na forma como alguns casais massacravam os filhos com um constante sermão. Mais uma vez tinha razão. Um homem e uma mulher acampados perto de nós não conseguiam ter uma conversa normal. Gastavam o tempo todo a repreender os filhos por coisas triviais tipo a forma como tinham o chapéu colocado, comerem uma bolacha antes do almoço ou afastarem-se mais de cinco metros da tenda. Não são más pessoas, expliquei eu à minha filha, são apenas pessoas muito cansadas. Se calhar deviam divorciar-se também, respondeu ela. Talvez, sei lá.
De qualquer maneira fiquem descansados os que se divorciam. A Igreja Católica tem adoptado uma nova postura: as pessoas, por serem divorciadas, já não são excomungadas. Fico muito mais descansado.

8.22.2008

fora

Vou passar este fim de semana fora e, como vou com a minha filha, nem sequer estou para levar computador. Se conseguir passar por aqui, passo. Senão... bom fim de semana a todos os leitores deste blogue e à Mayra Andrade também.

conversa 921

Ela - Nem imaginas com quem estive.
Eu - Com quem?
Ela - Adivinha.
Eu - Como é que raio vou adivinhar se nem sequer imagino?
Ela - Tenta.
Eu - Sei lá.
Ela - Com aquele espanhol que conhecemos uma vez em Aveiro. Fui a Vigo e encontrei-o. Tomámos um café os dois.
Eu - Ah!
Ela - Ah?! É só isso que tens para dizer?
Eu - Queres que eu diga mais o quê? Mal o conheço. Aliás, só falei com ele dessa vez em Aveiro...
Ela - Podias mostrar mais interesse pelo que me acontece.
Eu - Encontraste esse espanhol? Ai que giro, que interessante.
Ela - Que foi?
Eu - Estou a mostrar mais interesse pelo que te acontece.

conversa 920

Ela - A única coisa que eu peço é um homem que me respeite e goste de mim. Achas que isso é pedir muito?
Eu - Acho.
Ela - Achas?
Eu - Sim. Respeitar-te é uma coisa que nem deve ser sujeita a pedido. Aí tudo bem. Agora gostar de ti nem sequer é coisa que se peça. Ou se gosta ou não se gosta.
Ela - És um chato.

video a fazer um minete a amiga de minha mae

As buscas no google pelos nossos avós que vêm dar a este blog têm sido uma constante. Este mês decidi dedicar-lhes um post.

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Mas ainda assim, e apesar de tanta imaginação, o grande prémio deste querido mês de Agosto vai, não para uma avó, mas sim para uma mãe. Ou para a amiga dela...

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precisa-se de mulheres feias

1] O presidente da Câmara de Mount Isa, uma cidade australiana onde vivem cinco homens para cada mulher, pediu às mulheres mais feias do país que se mudem para a sua cidade, de forma a solucionar o desequilíbrio entre os géneros.

2] Em Portugal as mulheres têm a mania de ser bonitas. Não acho que devam emigrar para Mount Isa mas, caso lá paguem o mesmo a ambos os géneros pelo mesmo trabalho, talvez valha a pena. É que Portugal é o segundo país da UE com maior diferença nos salários de homens e mulheres.

3] A propósito das alíneas anteriores, abriu recentemente um blogue de mulheres brasileiras feministas anti-capitalistas e anti-racistas. É o blog da Ofensiva contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres. Não simpatizo, à priori com estes movimentos, simplesmente porque partem do princípio que os problemas do machismo são uma guerra entre géneros. Não são. São problemas de todos nós, homens ou mulheres ou até do presidente da Câmara de Mount Isa...