10.23.2009

conversa 1344

(no café, porque eu tinha o Caim, do Saramago, na mesa)

Ela - Ah! Andas a ler isso?
Eu - Ainda não comecei... comprei-o hoje... vou começar a lê-lo esta noite.
Ela - Está tudo bem contigo?
Eu - Sim, e contigo?
Ela - Comigo também. Contigo é que não parece...
Eu - Porque é que não parece?
Ela - Quando um homem comprometido compra um livro do Saramago para começar a ler numa sexta-feira à noite... fico com a sensação que alguma coisa está mal.
Eu - Não percebi...
Ela - Deixa lá... esquece.
Eu - Juro que não percebi...
Ela - Nem acredito que consigas perceber.

a mulher mais sexy do mundo...

Quando eu era pequenino não havia embalagens descartáveis para o leite. Aliás, nem sequer havia leite de longa duração. O leite vinha numas garrafas que tinham uma tampa que nunca caía por estar presa ao vidro através dum arame, e era com essas garrafas que todos os dias eu ia com a minha mãe à mercearia do senhor Samico comprar a dose diária de leite.
A loja do senhor Samico, já no fim da rua Dr. Mário Sacramento, ficava mesmo ao lado dum edifício com dez andares que, nesses felizes tempos, era o prédio mais alto da cidade de Aveiro. Aliás, era tão alto que lhe chamavam o arranha-céus. Uma vez ouvi uma conversa nessa mercearia em que uma mulher qualquer se gabava de ter visto in loco o maior prédio do mundo que, segundo ela, era mesmo muito maior do que aquele. Encolhido nos meus cinco ou seis anos de idade, fiquei um bocado lá fora a olhar espantado para aquele arranha-céus. Seria possível haver mais alto do que aquilo?
Hoje lembrei-me disto quando li no jornal que uma miúda brasileira de 27 anos, chamada Grazielli Massafera, foi considerada a mulher mais sexy do mundo. Senti-me de novo na redutora incapacidade dos meus cinco anos de idade: Será possível haver alguém mais sexy do que quem eu gosto? E pronto... depois fui tomar café.

10.22.2009

conversa 1343

(no cinema, no fim do filme)

Ela - Vamos embora...
Eu - Espera aí... quero ver uma coisa na ficha técnica.
Ela - Vamos embora, anda lá. Não acredito que és daquelas pessoas que ficam a ver as letrinhas todas no fim dos filmes...
Eu - Não sou dessas pessoas. Às vezes fico, outras vezes não...
Ela - Não acredito que me vais fazer esperar só por causa destas letrinhas...
Eu - É só um bocadinho. Espera aí...
Ela - Vou andando devagarinho... quando acabares vai atrás de mim a correr para ver se chegamos ao carro ao mesmo tempo.
Eu - Não me enerves. Tem calma...
Ela - Calma? Como é que eu vou ter calma se tu me fazes perder tempo com isto?
Eu - São dois minutos... espera aí...
Ela - Prometeste que íamos beber uma cerveja depois do filme.
Eu - E vamos. Espera só um bocado.
Ela - Mas afinal o que é que tu queres saber?
Eu - Queria ver a banda sonora... mas se calhar já passou. Distraíste-me...
Ela - Ainda bem. Vá, vamos embora.

conversa 1342

Ela - Achas possível apaixonares-te por uma pessoa que passou por ti na rua mas que não conheces de lado nenhum?
Eu - Isso aconteceu-te?
Ela - Não sei...
Eu - Eu acho possível isso acontecer...
Ela - Então aconteceu-me.

10.21.2009

coisas que fascinam (89)

Habituei-me à luz do Sol que todos os dias entrava pelas frinchas da persiana do meu quarto e me acordava com rara suavidade. Era o Sol a dizer-me: "bom dia, hora do pequeno-almoço!" todas as manhãs e eu a resmungar em silêncio porque queria dormir mais.
Um destes dias acordei sozinho, que o Outono chegou definitivamente ao país e apagou esses traços da luz do Sol que amanheciam na minha cama, e esse foi o meu primeiro pensamento outonal do ano: "a chuva apagou o Sol". O segundo, enquanto abria o frigorífico para fazer o pequeno-almoço um pouco mais tarde do que o habitual, foi que devia ter bebido a garrafa de vinho branco que lá está durante os dias de calor.
Tudo bem, são pensamento egoístas, eu sei. Os pensamentos têm a mania de ser egoístas. Aliás, há duas coisas que têm essa mania: os pensamentos e o amor. Também já me habituei uma vez a uma mulher que todos os dias me acordava com rara suavidade. Era ela a dizer-me: "bom dia, hora do pequeno-almoço!" todas as manhãs e eu a resmungar em silêncio porque queria dormir mais.
Um dia acordei sozinho, que também no amor o Outono chegara sem avisar, e por estes dias tenho pensado (mais um pensamento egoísta) em como as mulheres se assemelham às vezes à luz do Sol que de vez em quando entra pelas frinchas das nossas persianas e se desenha na colcha da cama ou na parede. Essa luz ora vem ora não vem... mas sabem? Não há problema, todos os anos as estações se repetem e todos os anos o Sol volta durante algum tempo.

10.16.2009

conversa 1341

(ao telefone)

Ela - Queres trocar de casa comigo um fim de semana?
Eu - Trocar de casa?
Ela - Sim. Eu vou para Aveiro um fim de semana e fico em tua casa. Tu vens para Lisboa no mesmo fim de semana e ficas na minha. É uma forma de passarmos o fim de semana fora sem gastar dinheiro em alojamento...
Eu - Mas assim nem nos vemos...
Ela - That's the point!

conversa 1340

Ela - Posso perguntar-te uma coisa íntima?
Eu - Podes. Depois vejo se respondo ou não...
Ela - O período incomoda-te?
Eu - O período das mulheres?
Ela - Sim...
Eu - Não. Porque é que me havia de incomodar?
Ela - Estou a perguntar se para ti é um facto de inibição sexual...
Eu - Ah! Não... não é.
Ela - Pois... para os homens nunca é. Para as mulheres é... pelo menos para mim é...
Eu - Desculpa contradizer-te mas acho que para as mulheres normalmente também não é...
Ela - Não é enquanto elas não perceberem que no dia seguinte são sempre elas a lavar os lençóis. Porra...
Eu - Pronto, tem calma... pensei que estavas a fazer uma pergunta noutro âmbito...
Ela - Claro, o âmbito de lavar roupa nunca é dos homens...
Eu - Tem calma, tem calma...
Ela - Não tenho calma nada...

couscous aveiro mix

Este domingo, a após um convite de última hora, os Couscous Prosjekt vão estar à noite no Mercado Negro, em Aveiro, para que a iniciativa A Língua Toda acabe com sons afro. Na terça-feira voltamos ao Clandestino Bar e à diáspora mundial do costume...

coisas que fascinam (88)

As mulheres que vivem sozinhas dividem-se em dois grupos: as mulheres que colam cenas nos frigoríficos e as mulheres que não colam cenas nos frigoríficos. Entenda-se por cenas coisas tipo fotografias, ímanes das viagens que fazem, contas por pagar, desenhos feitos em guardanapos de café e afins...
Acho que sempre me interessei mais pelas mulheres que colam cenas nos frigoríficos. Normalmente são mulheres com mais garra emocional. Riem e choram com mais facilidade porque tudo o que lhes aconteceu na vida teve importância, má ou boa. Aliás, colar cenas no frigorífico é precisamente isso: tentar agarrar pedacinhos da vida e fazer um pequeno mural com eles para que nunca desapareçam.
É verdade que viver com uma mulher que cola cenas no frigorífico é um desafio maior, mas também é verdade que a vida fica mais condimentada. Há uma espécie de caos nestas mulheres que eu adoro. É o caos dos cabelos sempre por pentear, é o caos das calças pisadas no calcanhar, é o caos do filho que foi para a escola sem a lancheira, é o caos da borbulha que apareceu exactamente na ponta do nariz e por fim é o caos das emoções, aquelas emoções que se manifestam numa lágrima que cai num copo de vinho depois dum jantar que quase queimava, dum sorriso trémulo levemente embriagado e, por fim, dum abraço forte incontrolável.
Acho que quando se tem uma namorada que cola cenas no frigorífico é bem possível que essa relação seja duradoura. Duradoura e caótica, é verdade... mas vivida com muitos altos e muitos baixos. Com uma namorada que não cola cenas no frigorífico até podemos nunca nos chatear mas é certo que a coisa vai acabar cedo. Provavelmente vai até acabar muito antes do seu fim oficial, porque não percebemos logo que a branquidão vazia daquele frigorífico é também o vazio da nossa vida...

10.13.2009

maitê proença



Portugal tem uma incapacidade enorme de se rir de si mesmo e uma enorme tendência para a pequenez. Só isso é que pode justificar o facto de metade do país andar indignado com o vídeo que a Maitê Proença fez em 2007 e que passou agora num canal de televisão brasileiro.
A mim o vídeo não me incomoda nada e não o acho importante. A Maitê é apenas uma brasileira entre muitos milhões de brasileiros e tem o direito de ter a opinião e os sentimentos que lhe apetecer em relação a Portugal, mesmo que o faça com algum mau gosto.
O que me incomoda no vídeo é esta imagem em que ela aparece a cuspir para uma fonte. Caramba... perdeu a sensualidade toda que eu lhe via desde a adolescência. Depois disto só lhe faltava arrotar, coçar a tomatada e dar um beijinho no Paulo Portas. Pois é...
[ler no JN]

saudades

agora, assim de repente, tenho saudades tuas...

conversa 1339

(na minha cozinha)

Eu - Tiras aí duas cervejas do frigorífico, por favor?
Ela (espreitando para o frigorífico) - Tens algumas coisas no teu frigorífico fora de prazo...
Eu - É possível... às vezes acontece...
Ela - Posso arrumar o teu frigorífico? Está tão desarrumado...
Eu - Não, não podes. Podes é tirar duas cervejas para bebermos...
Ela - Posso só pôr este queijo ralado no lixo? Está fora de prazo...
Eu - Podes, pronto. Depois tira as cervejas...
Ela - E estes iogurtes também.
Eu - Ok... mas tira as cervejas...
Ela - Já tiro, já tiro... há quanto tempo é que estas tupperwares com comida estão aqui?
Eu - Não sei... tira as cervejas...
Ela - E precisas limpar isto. Está tão sujo...
Eu - Tira as cervejas...
Ela - E este vinho branco cheira mal... só o usas para cozinhar, não é?
Eu - É... mas tira as cervejas...
Ela - Já tiro, já tiro... deixa-me só ver se estes molhos estão bons...
Eu - Não vejas nada disso. Tira as cervejas, caraças...
Ela - Tiro só uma, então. Não me apetece beber nada agora.

conversa 1338

(ao telefone com uma senhora do citibank)

Ela - Boa tarde!
Eu - Boa tarde!
Ela - Estou a falar do cartão citibank e queria saber se gostava que o citibank lhe depositasse 6000 euros na sua conta à ordem em menos de 48 horas...
Eu - Gostava sim, gostava muito até...
Ela - Nesse caso, e como o seu crédito está aprovado, vou só confirmar os seus dados para lhe enviar os papéis que deve assinar...
Eu - Mas para me depositar dinheiro na conta eu tenho que assinar papéis?
Ela - Sim... referente ao crédito...
Eu - Mas eu não quero fazer crédito nenhum. Só quero que me deposite 6000 euros na conta, como me perguntou se eu queria...
Ela - Mas quer saber a prestação que vai pagar?
Eu - Eu não vou pagar prestação nenhuma... se quiser depositar dinheiro na minha conta agradeço, que até estou a precisar... mas não vejo motivo para lhe pagar prestação nenhuma...
Ela - Temos condições vantajosas para si...
Eu - Nesse caso também tenho condições vantajosas para si. Empresto-lhe 100 euros hoje e para a semana dá-me 140. Pode ser? Até lhe emprestava mais mas neste momento não posso. No entanto, quando me pagar os 140 posso emprestar-lhos de novo e depois paga-me 180...
Ela - Já vi que não está interessado...

aumente os seus seios

Este senhor com ar de quem-espera-pelo-verde-para-peões-numa-passadeira-de-Serpa-às-três-da manhã, chama-se David Knight e diz que é hipnotizador. Mais ainda, diz que através da hipnose consegue aumentar o tamanho dos seios das mulheres. Mais ainda, diz que para isso acontecer basta às mulheres ouvir o seu conjunto de cd's. [ler no PD]
A explicação é simples: os seios de todas as mulheres são produzidos pela mente e por isso a mente também os pode melhorar.
Sinceramente, estou a pensar comprar este conjunto de cd's do David e pô-lo a tocar durante todo o dia na minha rua, com a minha aparelhagem na varanda. Tenho a certeza que o meu bairro vai ficar muito mais bonito e um melhor lugar para se viver...

sexo com velhinhas idosas

Há muito tempo que não fazia isto: ir ver buscas no google que vieram aqui dar. É uma mina para quem está a precisar de rebolar a rir, coisa que eu não estou. De qualquer maneira fica aqui uma mostra. O prémio, na minha modesta opinião, vai para a frase "sexo com velhinhas idosas". Pela originalidade, claro...

molheres noas
Vieste ao blogue certo. Aqui há montes de molheres noas. Ainda ontem esteve aqui uma toda noa. hoje é que por acaso não está nenhuma.

hi5 de gajas porcas a fuder com fruta portugal
Com fruta mesmo? Ena... quero ver isso, uma mulher e uma maçã, uma mulher e uma uva, uma mulher e um morango...

palavras com fra fre fri fro fru
França, frete, friigorífico, frontal, fruta. Pronto.

fazere sexo forsa
Dále de forsa, dále de forsa...

fotos mulhe em relasao com outras mulher
Em relasao a isso não sei de nada.... mas por mim tudo bem.

mulher de quatro para um porco
Hum... hum... e o porco faz o quê?

mulheres quando fazem sexo suam sera que faz bem a saude
Será que sim? Será que não? Só Deus sabe... são estes mistérios divinos que dão alguma graça à vida, pelo menos quando se sua...

os melhores videos de sexo com chinesas velhas
É um bocado específico...

pensamentos das mulheres tamanho penis
Acho que as mulheres não pensam muito nisso, para ser sincero. Os homens é que pensam que elas pensam...

sexo com velhinhas idosas
Com velhinhas idosas é difícil. Com velhinhas novas é muito mais fácil porque, lá está, as velhinhas ainda são novas.

suino e mulher faz sexo
De certeza? é que eu acho que não...

velhas malucas a despirem-se
Se forem malucas é mais giro, acho eu. Devem vestir cenas engraçadas. A despirem-se, malucas ou não, vai dar ao mesmo...

10.12.2009

quero ver esta mulher nua...

Marge Simpson, a mulher do famigerado Homer Simpson, vai ser a estrela principal da revista Playboy no mês de Novembro.

Não sei se também o vai ser na edição portuguesa mas creio que não, o que quer dizer que vou ter que reservar no quiosque um exemplar da edição americana. É que desde que comecei a beber copos com o meu amigo Homer que sinto uma sedução enorme da parte da Marge... e nesta fotografia ela está tão bonita... oh Marge, oh Marge... chuif...

Ei! só espero é que aquela luva que ela tem na fotografia não seja uma daquelas luvas de crina de cavalo... é que mulheres sensuais com luvas dessas dão-me medo. Acho que já sei porque é que o Homer bebe tanto...

10.10.2009

conversa 1337

(ao telefone)

Ela - Queres tomar um café? Preciso sair de casa que já não aguento mais isto...
Eu - Não aguentas o quê?
Ela - O meu marido trouxe os amigos todos para ver o Portugal - Hungria cá em casa. Não aguento tantos comentários estúpidos em minha casa. Tenho que sair...
Eu - Ok... eu até tomava um café.
Ela - Mas não pode ser num café. Tem que ser em tua casa. Os cafés também estão cheios de homens a ver o jogo...
Eu - Não estarás a exagerar?
Ela - Não. Os homens queixam-se que as mulheres vêem telenovelas mas ao menos nós vemos telenovelas sozinhas. Não nos juntamos em grupo a dizer barbaridades umas a seguir às outras...

conversa 1336

Ela - Preciso falar contigo... preciso desabafar...
Eu - Então?
Ela - Ando a ter tentações com o meu ex-marido e não queria nada...
Eu - Não querias nada porquê?
Ela - Acho que as pessoas são como lugares. Quando somos muito felizes num lugar nunca devemos lá voltar anos mais tarde. A única coisa que vamos encontrar lá é melancolia e saudade.
Eu - Isso quer dizer que tens saudades do teu ex-marido...
Ela - Tenho saudades do que ele já foi, não daquilo que ele é agora...
Eu - Então afasta-te...
Ela - Imagina, por exemplo, que tinha sido muito feliz em Paris há dez anos atrás. Agora, muito tempo depois, passavas lá perto e sabia que não ias encontrar ninguém das pessoas com quem tinhas sido feliz lá. Entravas ou não na cidade?
Eu - Talvez entrasse...
Ela - Pois é..

10.09.2009

conversa 1335

Ela - Sinto-me gorda e feia.
Eu - Engordaste um bocadinho mas eu acho que estás muito bem assim.
Ela - Vês? Engordei.
Eu - Engordaste mas não estás gorda. Estás bonita e com bom ar...
Ela - Mas engordei...
Eu - Mas estás muito bonita. A sério.
Ela - Mas engordei...
Eu - Mas estás... vale a pena eu continuar a dizer que estás bonita?
Ela - Não. Eu engordei...

mais politiquices...

Acho que este foi o primeiro discurso político oficial que fiz na vida... e agora que a campanha acabou preciso mesmo de descansar e voltar à minha vida normal.
Preciso também de agradecer a todos os incansáveis que contribuíram desinteressadamente para esta candidatura histórica do Bloco de Esquerda em Aveiro e de dizer que houve momentos em que o esforço de alguns me emocionou.
Obrigado.