7.08.2015

pensamentos catatónicos (325)

Afastemo-nos

Quando nos acostumamos a um Amor e eles nos começa a parecer banal, a melhor coisa que temos a fazer é afastarmo-nos por um momento, para sentirmos a falta que ele nos faz.
É que quando se Ama alguém, o melhor que nos pode acontecer é sentir saudades desse alguém de vez em quando, para não cairmos no erro de pensar que é dispensável. O maior erro que se pode cometer no Amor é perceber a sua importância apenas quando ele já não está.
Quando isso nos acontece, zangarmo-nos com o Amor sem ele nos ter feito nada de especial, acabamos a fazer as pazes com as piores coisas que esta vida tem. O comando do televisor, por exemplo, para passar os canais num zapping que se quer tão rápido e insípido quanto a própria vida.
Por outro lado, se nos afastamos e a saudade não vem, ficamos esclarecidos sobre a falta que esse Amor não nos faz. Vejamos televisão então, porque certamente conseguiremos parar no melhor filme ou na melhor série. 
Afastarmo-nos por um momento é o barómetro do que somos. Também do que não somos. Afastemo-nos todos por um momento e, assim que voltarmos, ou não, aos braços de quem Amamos, o mundo estará melhor.

3 comentários:

Sílvia Maria disse...

E as 'falsas saudades'?, aquelas que nos levam a pensar que sentimos falta da pessoa mas estamos apenas a sentir falta de ter alguém ao nosso lado? É muito comum de acontecer e estou em crer que, na maioria das vezes, não sabemos a diferença. Acabamos por regressar para uns braços que nos confortam por serem familiares, por trazerem alguma segurança, por nos abrigarem daquele pânico que sentimos quando nos sentimos sozinhos nos primeiros tempos após a separação.
O 'dar um tempo' para avaliar sentimentos não é, a meu ver, uma solução válida.

Anónimo disse...

A distância é a maior prova de resistência ao Amor. Ou à ideia dele, pois o Amor não pede distância, é honesto o suficiente para aceitar a imperfeição das diferentes formas de Amar e para se manter firme como uma árvore que resiste de pé à intempérie. Julgo que o ser humano tem uma incapacidade crónica de Amar e uma tendência inconsciente para Paixões que confundem as ideias e os sentimentos e o leva a etiquetá-los de Amor.
Devia haver um botão para desligar a corrente de emoções, para sermos imunes ao raio da Paixão, para sentirmos só e apenas
nada.

Bagaço Amarelo disse...

silvia maria, "dar um tempo" é diferente de um momento. também existem as falsas saudades, sim. acho que são são sempre elas que pedem um tempo. :)

anónimo, no mínimo, o Amor é uma disciplina que se aprende. talvez essa seja uma das lições... :)