7.30.2015

índice ivariano no 12

Já passa das seis da manhã. Acabei de chegar a casa, depois de mais um turno de doze horas de trabalho numa fábrica nos arredores de Aveiro, e de encher um copo de vinho branco onde, depois de ter dado dois ou três goles, reparei que há um insecto a boiar.
Todas as noites, com excepção dos fins de semana, trabalho doze horas. Não me importo muito, para ser sincero. Faço-o, não para manter a minha vida num modo de sobrevivência, mas sim porque sigo um sonho de há muito tempo: o de poder fazer filmes.
Ainda antes do fim do ano conto ter uma empresa que me permita cumprir esse sonho. Até lá, tenho que comer qualquer coisa, pagar as contas e ter algum dinheiro para investir. É por isso que o faço, mesmo depois de ter investido num projecto empresarial que falhou e me deixou algumas dívidas.
Sei que é preciso ser forte, principalmente nos momentos em que a vida nos fragiliza, e eu sinto que estou num momento desses. Talvez por isso mesmo, numa altura em que o Amor me está a falhar e a deixar desamparado, seja capaz de me surpreender todos os dias com pequenos gestos de quem me conhece bem. Uma amiga investe o que pode num bolo que me oferece no dia em faço quarenta e quatro anos, atingindo oficialmente ameia idade; outra guarda a hora do café para me dar um abraço de meia hora à sombra duma história antiga; outra acorda às quatro da manhã e telefona-me para "colorir o meu turno na fábrica". 
Lembro-me duma altura estúpida da minha vida em que as mulheres eram, ou não, uma expectativa para mim. Os homens têm a mania de seguir essa estupidez. As mulheres são uma certeza, para o pior mas também para o melhor. É nisso que penso, agora que me vou deitar.
Já engoli o insecto que boiava no meu copo.
Entretanto, o índice ivariano, que reflecte o meu estado emocional/amoroso e estava no máximo há quase sete anos, desce para 12. Podem vê-lo no fim da barra do lado direito... 

6 comentários:

EJSantos disse...

Há momentos assim.
Há periodos assim.
Já atravessei muitos desertos. Já me abriguei em oásis.
Às vezes seria bom que as coisas fossem um pouquinho mais fáceis.

Pá, boa sorte. Que te corra bem

Bagaço Amarelo disse...

ejsantos, epá, pois sabia. obrigado. um abraço. :)

C disse...

Nas nossas vidas, cada um anda, em muitos momentos, ligado na sua frequência. quando esta se sobrepõe com outra vibramos, reconhecemo-nos e a música é bela. muita gente com sete anos de fm passou a achar melhor am...outros perceberam apenas que, na viagem...a nossa estação preferida deve ser sintoniza... é sempre uma tarefa ardua mas tambem nunca deverá ser solitária. Beijo

Bagaço Amarelo disse...

c, beijo. :)

Teresa Costa disse...

Para agora que a roda da vida está a tocar no chão boa sorte. Não tarda nada ela gira para um momento ligeiramente melhor ;)

Bagaço Amarelo disse...

Teresa Costa, sim. :)