5.12.2007

conversa 174

Ela - Pai, tens que arranjar uma namorada.
Eu - Porquê filha? Tens pressa?
Ela - Não é isso. Acho que precisas...
Eu - E porque é que achas que preciso?
Ela - Não sei... gostava que a minha família fosse maior
Eu - Mas a tua família já é grande...
Ela - Pois, mas só contigo é que posso jogar jogos e ouvir músicas do Sam the Kid. Acho que se tiveres uma namorada vai ser uma que joga jogos comigo e ouve Sam the Kid...
Eu - Olha que estás enganada. A mamã já foi minha namorada e detesta jogos e não ouve Sam the Kid.
Ela - Pois, por isso é que se separaram... percebes?
Eu - Se calhar não foi por isso...
Ela - Eu acho que foi. Até há uma música que diz que não se ama alguém que não ouve a mesma canção... quer dizer isso, não quer?
Eu - De facto quer...
Ela - Tás a ver?

5.11.2007

xadrez 1

conversa 173

Ela1 – O ****** diz que sou a mulher da vida dele mas não me fala há quatro dias...
Ela2 – Tem aqui um homem divorciado, tá vendo?
Eu como um croissant e mantenho o silêncio
Ela1 – Nem um telefonema nem um sms...
Ela2 – Cê quer um café?
Eu – Não...
Ela1 (virando-se para mim) – É por esta e por outras que vou ficar pra tia...

é só às vezes que lhe peço que se cale e ela não o faz

Não é sempre, é só às vezes que lhe peço que se cale e ela não o faz. O silêncio que estava sentado mesmo ao meu lado pagou a conta e foi-se embora. Gosto tanto dela que não percebo a insistência em foder-me a cabeça, em torturar-me com significantes sem significado. Ou que as bebidas expostas são para consumo da casa, ou que uma casa se trespassa, ou que um homem plastificado de tristeza plastifica documentos, ou que as crianças com mais de doze anos não podem brincar num parque infantil.
Não é sempre, é só às vezes que lhe peço que se cale e ela não o faz. Subtraio-me então a tudo o que a povoa e por isso me toca. Me cheira. Piso a primeira risca branca duma passadeira gasta, obrigando um automóvel a travar bruscamente. Depois atravesso calmamente uma avenida para a outra margem, espelho daquela em que estava, perante o condicionado pensamento dum condutor que me acompanha num travelling de íris fixas.
Não é sempre, é só às vezes que lhe peço que se cale e ela não o faz. Urino numa casa de banho pública e sei que aquilo onde os meus sapatos chapinham é mijo dos outros. Os outros. Sempre os outros. Caminham tão apressadamente que devem ter um destino certo, e eu invejo-os. O seu silêncio grita-me ao ouvido: - "não sabes onde vais, não sabes onde vais". Entro num café qualquer, escolho um lugar entre dois bancos vazios, mas o silêncio que estava sentado mesmo ao meu lado pagou a conta e foi-se embora.

o noam compreende quase tudo menos as mulheres



Para o fim de semana, e porque sou mais chato que a potassa, deixo aqui o link rapidshare para o álbum de spokenword, do Noam Chomsky, The Imperial Presidency. Acredito que o Noam não compreenda as mulheres, mas a sério que compreende muitas coisas. Agora as mulheres, pá... as mulheres... quem é que as compreende?

encuentros imediatos de lo tercero graucito

Olha! Deu-me um beijo no pescoço e disse-me para lhe telefonar. o índice ivariano sobre um pontito pequenito. Agora se encuentra en 13.

5.10.2007

não compreendo as cadelas




É verdade: os cães não compreendem as cadelas. Pelo menos não compreendem porque é que a maior parte delas está sempre com enxaquecas. Foi a pensar nisto que a feeladdicted criou uma sexual doll para eles. Estou mesmo a ver, no dia em que os cães falarem e escreverem, um dálmata deprimido a criar um blog chamado "não compreendo as cadelas" e a postar qualquer coisa como:

Eu – Queres vir à minha casota roer um osso?
Ela – Prefiro um Pitbull...
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

Depois é capaz de se pôr a beber a noite toda e a latir tristemente muito alto, sem deixar dormir nenhum dos vizinhos, até que alguém lhe atire pedras.

conversa 172

Ela - Tu é que tens problemas com as mulheres, não é?
Eu - Problemas?!
Ela - Sim... não és tu que até tens um blog que se chama "os meus problemas com as mulheres"?
Eu - Ah! Não é bem isso. Chama-se "não compreendo as mulheres"...
Ela - Então és tu que tens muitos problemas com as mulheres...
Eu - Só eu?
Ela - Sim, o blog não é só teu?
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

oito e meio


1] Bebo sempre o café sem açúcar mas às vezes ponho canela em pó.
2] Não bebo coca-cola nem vou ao Mac Donald's desde Julho de 1995.
3] Não compro o Expresso desde Março de 2003 por causa da manifestação pró-americana sobre a a invasão do Iraque.
4] Sinto tristeza e estou desiludido com a França por causa da vitória do Sarkozy.
5] Vou fazer uma casa de bonecas, em madeira, para a minha filha.
6] Quanto mais o tempo passa menos compreendo as mulheres e mais gosto delas.
7] Estou pessimista e acho que o Beira-Mar vai descer de divisão.
8] Desde que me separei, há já quase um ano, nunca mais escrevi nem fiz filmes. Agora estou a começar a conseguir escrever outra vez.
8,5] Não sei que lhe diga, pá. Até me apetece mas acho que não estamos bem na mesma onda.

5.09.2007

se eu fosse...

Foi a Didas que me mandou fazer este TPCC (trabalho para cybercafé)
Se fosse uma hora do dia, seria 22:22, porque é a hora a que eu marco mais encontros (é a mais fácil de escrever com o teclado do telemóvel)
Se fosse um astro, seria um qualquer daqueles que é só mulheres atrás
Se fosse uma direcção, seria uma qualquer desde que fosse só mulheres atrás
Se fosse um móvel, seria uma cama com um colchão de água duma divorciada
Se fosse um líquido, seria bagaço amarelo
Se fosse um pecado, seria comer quatro queques de chocolate seguidos
Se fosse uma pedra, seria de haxixe (que até nem fumo mas é cool dizer isto)
Se fosse uma árvore, seria um chorão
Se fosse uma fruta, seria um morango
Se fosse uma flor, seria uma margarida
Se fosse um clima, seria um qualquer desde que anunciado por aquela apresentadora loira da SIC que fazia o boletim meteorológico
Se fosse um instrumento musical, seria um reco reco
Se fosse um elemento, seria o túlio
Se fosse uma cor, seria o amarelo
Se fosse um animal, seria do Partido Nacional Renovador
Se fosse um som, seria silêncio
Se fosse música, seria desafinada
Se fosse estilo musical, seria música étnica
Se fosse um sentimento, seria esquizofrénico
Se fosse um livro, seria em branco
Se fosse uma comida, seria caracoletas
Se fosse um lugar, seria um cantinho perto do Mosteiro de Pitões das Júnias
Se fosse um gosto, seria amargo
Se fosse um cheiro, seria a suor
Se fosse uma palavra, seria schmetterling
Se fosse um verbo, seria (só em pensamento) foda-se
Se fosse um objecto, seria uma afiadeira de plástico em forma de sobrinho do pato Donald
Se fosse peça de roupa, seria umas cuecas compradas no chinês que tem uma chinesa bonita
Se fosse parte do corpo, seria o intestino grosso (pelo menos passo a vida a fazer merda)
Se fosse expressão facial, seria de sono
Se fosse personagem de desenho animado, seria Conan o Rapaz do Futuro
Se fosse filme, seria skhízein o elevador
Se fosse forma, seria uma que dê para fazer gelatina
Se fosse número, seria menos que zero
Se fosse estação, seria antes um apeadeiro
Se fosse uma frase, seria "queres vir a minha casa beber um copo?"

agora desafio, sem obrigatoriedade, qualquer um dos que têm ali ao lado um link

conversas 171

Ela – Logo saímos?
Eu – Logo não sei se saio mas se sair é em Aveiro...
Ela – Sempre Aveiro, sempre Aveiro... quando é que vens ao Porto?
Eu – Isso não é Porto, é Gaia.
Ela – É a mesma merda...
Eu – Agora não devo ir tão cedo. A CP já tem um comboio que passa em Espinho à meia-noite e vinte seis. Mesmo quando trabalho à noite vou de comboio, percebes? Hoje vim de comboio, não posso ir ao Porto, senão só posso voltar de manhã...
Ela – Mas tens onde ficar aqui...
Eu – Tás a brincar, não estás?
Ela – Não... podes ficar aqui na boa.
Eu – Eu sei que posso ficar aí. Não sei é se é na boa. A última vez não foi assim muito na boa...
Ela – Tu também... és rancoroso, pá.
Eu – Não é rancor, é cuidado. Tenho que ter cuidado comigo. É só isso... está bem?
Ela – Isso quer dizer que não me queres ver mais...
Eu – Não quer dizer nada. Quer dizer só que ando a ter cuidado comigo.
Ela – Eu sei que me passei. Tu nunca te passaste, foi?
Eu – Já me passei várias vezes, já. Nunca me pus às caneladas num amigo por causa disso... mas sim, já me passei várias vezes.
Ela – A culpa também foi tua.
Eu – Porquê?
Ela – Porque sim.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

mulheres que eu gostava de poder não compreender (51)


Nome: Tamara Obrovac
origem: Croácia
info: Nasceu em 1962 em Pula, na Croácia, e tem seis cd's editados. Foi-me apresentada agora quando fui a Lisboa. Podem ver o site oficial dela aqui. Vale a pena.

couchsurfing

Adoro o conceito. Já ouviram falar no couchsurfing?

crónicas da cidade que sopra | a possibilidade da dúvida

Amanhã é quinta-feira. Por isso é publicada mais uma crónica da cidade que sopra no Diário de Aveiro.

Detemo-nos na possibilidade da dúvida e é nela que tentamos dilatar a nossa presença. É como se ela fosse um comboio que não sabemos se pára na nossa estação, mas que talvez um dia o faça. Nem tudo é perfeito mas ela existe, a possibilidade da dúvida. Entretanto vamos respirando fumo, contornando notícias no jornal, aproveitando momentos a sós, gritando uma última palavra a um telefone que ensurdeceu. Depois caminhamos na cidade que sopra, em sentido paralelos que nos mantêm afastados, e esperamos que talvez o nosso fumo possa formar uma só nuvem.

5.08.2007

conversa 170

Ela - Nem sei que te diga...
Eu - Não digas nada. É melhor.
Ela - Mas queria dizer-te qualquer coisa bonita...
Eu - Ornintorrinco.
Ela - Ahn?!
Eu - Diz ornitorrinco. São bonitos os ornintorrincos.
Ela - É melhor não dizer nada...
Eu - Tás a ver?

vinho vs bravo

Acabei de ir ali abaixo ao bar comer um queque de laranja (não havia de chocolate) e tomar um café. Descobri que a minha colega que lá trabalha lê a revista Bravo, apesar de já ter mais de 12 anos. Na verdade tem 19. Estava a ler uma secção que se chama naturalmente bonita e eu pedi-lhe a revista emprestada. É que também quero ser naturalmente bonito, expliquei-lhe. Ela respondeu-me que a secção é só para mulheres, e tem razão, já que a própria revista (cuja única desculpa para tanta imbecilidade é ser alemã) se refere apenas a miúdas. É uma pena, há alguns conselhos que eu queria mesmo seguir. Bem... já que 70,3% dos leitores deste blog são mulheres, deixo aqui dois para quem quiser.

Olhar Zen – Se tens os olhos irritados pelo pólen ou outras causa, anota este truque que te acalmará a irritação. Corta uma batata às rodelas e aplica-as nos olhos! As vitaminas B e C e os minerais deste rico tubérculo devolverão a frescura do teu olhar.
Tá fixe. No meu caso, para ficar com um olhar Zen, basta-me beber uns copos de vinho. Andar com batatas nos olhos é capaz de dar resultado mas há sempre o perigo dum gajo ir contra qualquer coisa.

Para ficares Coradinha – Se notas a pele do teu rosto apagada, tritura umas quantas framboesas ou morangos num almofariz, mistura-os com mel e aplica 15 minutos sobre o teu rosto. A cor vai subir-te à cara.
Eu mantenho a minha. Para ficar coradinho basta-me beber uns copitos de vinho. Acredito que os morangos com mel resultem mas, foda-se, já viram o que é um gajo andar todo peganhento na cara?! E se vem um cão lamber-nos?

Bem... estão a ver? Não há nada que um copito de vinho não faça...

a mulher que prendeu a chuva

A Divas apresenta hoje, às 18:30, na livraria Bertrand do Fórum Aveiro, o último livro de Teolinda Gersão, "A Mulher que Prendeu a Chuva". A Carolina Rodrigues vai ler um conto e acreditem que, só por isso, vale a pena ir.

conversa 169

Ele – Já vou com mais de um ano de divórcio e ainda estou na merda, Ivar. Ando assexuado e não consigo esquecer a ******.
Eu – Pois, eu vou com quase um ano… compreendo-te perfeitamente.
Ele – Odeio a gaja, pá.
Eu – Se não a consegues esquecer é porque não a odeias. Tem calma, pá. Ela não te fez mal nenhum…
Ele – Não fez?! O caralho é que não fez. Depois de três anos acaba com tudo de repente… foda-se.
Eu – Três anos não é nada. Eu cheguei quase aos dezasseis…
Ele – Epá, foda-se. Também te passaste…
Eu – Claro que sim. É impossível não te passares no princípio. Até era mau… queria dizer que andavas a viver com uma tipa que não te dizia nada…
Ele – Mas eu odeio a ******, pá. Enganou-me e mentiu-me.
Eu – se calhar não foi bem assim. Cansou-se de ti ou mudou de opinião. Tem esse direito. Toda a gente tem…
Ele – Mas então dizia logo no princípio.
Eu – Logo no princípio ela gostava de ti, passados três anos já não gostava assim tanto… tem esse direito, por muito que custe.
Ele – Não tem nada.
Eu - Tem, tem.
Ele – Não tem nada.
Eu – Tem, tem.
Ele – Não tem nada, caralho.
Eu – Tem, tem. E se gostas dela tens é que lhe desejar boa sorte.
Ele – Não me digas que tu queres que a tua ex-mulher se dê bem lá com o gajo com quem anda.
Eu – Quero, quero… garanto-te que sim. Gosto muito dela, espero que a vida lhe corra bem…
Ele – Estás a ser um hipócrita.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!
Eu – (voltando às palavras) – Bebes mais um fino?
Ele – Iá… é melhor mudar de assunto.

conversa 168

Ela – Às vezes sinto-me um animal num jardim zoológico. Tu passas pelas pessoas que estão a olhar para mim e nem olhas…
Eu – Não estou a perceber…
Ela – Estou a ser directa. O que é que não percebes?
Eu – Quer dizer… primeiro, utilizando a mesma analogia, tu estás numa jaula onde também está um macho. Segundo, não gosto muito de jardins zoológicos.
Ela (depois de alguns segundos de silêncio) – Pois, quando estão dois machos na mesma jaula, às vezes lutam um com o outro.
Eu – Pois, só que eu não faço isso… e continuando a falar de animais, espero não encontrar nunca nenhuma fêmea tipo Louva-A-Deus. Acho que comem os gajos depois do acto sexual…
Ela (silêncio) – Se não vivêssemos a mais de 500 quilómetros de distância talvez não houvesse nenhum macho na minha jaula.
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

5.07.2007

que raio.

já percebi... queria mandar um sms a uma amiga a dizer: - "estou em Lisboa. Estás cá?" e, de facto mandei. Só que mandei a montes de contactos da minha lista telefónica menos ao que eu queria... se alguém que lê isto recebeu um... epá... peço desculpa. Prometo que vou passar a beber menos.