1.31.2007

pelo não 2



vi este cartaz na montra da padaria e roubei-o. também gosto.

conversa 80

Ela – Precisava que viesses a minha casa. O meu DVD não dá imagem…
Eu – Não dá imagem? Não dá sinal nenhum ou consegues ver o fundo do dvd e os discos é que falham?
Ela – Discos? Estou a falar do dvd… já não tenho gira-discos…
Eu – DVD quer dizer digital video disc. As rodelinhas de plástico com filmes também são discos…
Ela – Sabes cada coisa…
Eu – Olha XXXXX, isso não é saber muito. A sério que não… são só os filmes que não consegues ver?
Ela- Não consigo ver nada. Nem filmes, nem documentários, nem nada. Não dá imagem.
Eu – Olha, hoje à noite não posso ir aí. Amanhã dou-te um toque, ok?
Ela – É que aluguei um filme que tenho que devolver amanhã…
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

mulheres que eu gostava de poder não compreender (42)


nome: Adriana Calcanhoto
origem: Brasil
info: não é preciso info. Todos a conhecem. Entre por essa porta agora… e diga que me adora… você tem meia hora… pra mudar a minha vida…

Crónicas da cidade que sopra | Apneias e interrupções voluntárias

Amanhã, por ser quinta-feira, é dia da trigésima sétima crónica da cidade que sopra no Diário de Aveiro.

Uma apneia. Na sala de espera dum consultório médico, uma mulher vira lentamente as páginas duma revista envelhecida. Não as lê, vai vendo sem volição fotografias de pessoas que posam dissimuladas pelo que vestem. Repara que em todas as fotografias se sorri, ao contrário do que sente passar-se no apertado compartimento onde se encontra. Os seus olhos voam como uma borboleta pela sala, pululando em brandura de face em face. Não há sorrisos ali, e depois fixa-se numa mulher debruçada sobre as próprias pernas. Não lhe consegue ver a cara, mas é certo que ali também não se encontram esgares de alegria. Fixa-a, sustendo temporariamente a respiração, sustendo temporariamente o pensamento, sustendo temporariamente entre dois dedos uma página na vertical.

1.30.2007

índice ivariano passeia-se à chuva



O índice ivariano passeia-se à chuva, mesmo sem chover, e canta o singing in the rain enquanto se lança para um poste da EDP e rodopia sobre ele algumas vezes. Sobe 10 valores, do 9 para o 19. I'm singing in the rain... Just singing in the rain... What a glorious feeling... I'm happy again...

pelo não


Vocês desculpem lá mas eu vou mesmo votar NÃO. Se o NÃO vencer, daqui a uns dez anos é inevitável que haja outro referendo, e eu adoro referendos sobre a IVG. Aparecem pérolas como este cartaz um pouco por todo o lado e eu, só a imaginar a brainstorming dos gajos que fizeram isto, ando a rir o dia todo. Todo mesmo.
Se o SIM ganhar, como todos vão perceber que, para além duma mulher ou outra deixar de ir a tribunal de vez em quando, o mundo continua igual, nunca mais se fazem referendos nem campanhas como esta. Eu voto NÃO.
É claro que eu não quero os meus impostos a financiar hospitais (leia-se clínicas de aborto). Prefiro os meus impostos a financiar o Estádio Municipal de Leiria, o aeroporto da OTA ou o TGV. Aliás, é só por causa destes três grandes projectos nacionais que eu não fujo aos impostos.

assobio

lai lai lai (assobio). lai lai lai... (desvio-me dum poste da EDP) lai lai lai...

incêndio 2

Ontem fui ver o filme do Al Gore sobre o aquecimento global. O meu objecto cardíaco tentou arrefecer mas não conseguiu. Não interessa porquê. Interessa que, com o enorme risco de parecer aquele gajo que canta nos Delfins, apeteceu-me aproximar-me dela e dizer-lhe isto:

Se fores só uma cidade à espera, daquelas que se banham receosas num mar revolto, levanta os olhos. Sou aquele barco, à deriva e a meter água, que insiste em não fugir para águas calmas.

Não me aproximei nem disse. Isto pode parecer estúpido mas não é.

incêndio

Ontem fui ver o filme do Al Gore sobre o aquecimento global. Depois fui beber um copo com a YYYY e a XXXXX. Cheguei a casa às duas da manhã e o apartamento dos meus vizinhos de cima estava a arder. Sim, estava mesmo a arder, e os bombeiros a tirarem éne cenas queimadas cá para fora. O meu apartamento, para além dum cheiro a queimado que tão cedo não sai, não sofreu nadinha. A partir de agora, sempre que convidar alguém para jantar, tenho que fazer um assado para disfarçar.

1.29.2007

pensamentos catatónicos (53)

não tem nada a ver. eu até curto um bocadinho trabalhar (só um bocadinho, nada de mal entendidos), mas se eu percebesse o que estou a fazer era muito melhor. phónix! alguém aqui é especialista em PHP?

[update]
oh, já não preciso de especialistas em PHP. Já descobri a cena. Logo já posso ir ao cinema... cool!

suspiro

A menina bonita que dança bem quando eu ponho música, e que me faz suspirar quando passa a menos de três metros e vinte e oito centímetros de distância de moi-même, e que sei lá o quê mais, mas por exemplo, se me prometesse tomar um café comigo no Bronze (praia da Barra) caso eu me atirasse do último andar do edifício da Segurança Social de Aveiro, eu atirava, apareceu-me naquela coisa-de-que-todos-dizem-mal e ninguém-sabe-muito-bem-para-que-serve-mas-todos-têm chamada HI5. Pronto, suspirei mais uma vez…
Claro que só me atirava do edifício da Segurança Social depois do café. Pensam que eu sou parvo ou quê?

desejos

Se agora me aparecesse à frente o génio da lâmpada e me dissesse: - "Oh Grande Mestre, por me teres tirado ali daquela merdinha escura e apertada concedo-te três desejos. Mas, atenção, nenhum deles pode ser pedir ainda mais desejos, nem ver a Elsa Raposo nua porque já não aguento mais isso…". Eu dizia:

1 – Quero ter uma banda de rock’n’roll super conhecida, chamada “Noise Inside a Yellow Divorced Day”, em que a vocalista é uma miúda de Singapura muito gira, a guitarrista é uma mulher girafa de Laos, a baterista é uma afegã de burka, a baixista é uma americana vestida de wonderfull woman. Eu… eu toco ferrinhos…

2 – Quero que o Beira-Mar não desça de divisão mas, pronto, isso não sei se consegues nem com magia… por isso, se não conseguires, opto por um saco de 2 kg de caramelos de fruta.

3- Quero compreender as mulheres mas, pronto, isso não sei se consegues nem com magia… por isso, se não conseguires, opto por um saco de 2 kg de caramelos de fruta.

conversa 79

[por sms, agora mesmo, com um amigo]

Eu - não, não tenho coragem. eu nem a conheço. sempre gostei dela, mesmo quando andava com a YYYYYY, mas nunca lhe liguei nada...
Ele - deixa de ser otário. Manda-lhe email a dizer que não tens o contacto dela mas que mesmo não curtindo esta forma de aproximação, gostavas mto de tomar café com ela...que mal há nisso?
Eu - há o mal dela poder achar-me parvo... ou imbecil, ou idiota, ou puto… e o meu objecto cardíaco não está preparado para mais desgostos...

1.27.2007

open, close, play

Pega-se num cd da estante da sala e caminha-se, com ele balançando entre o polegar e o indicador da mão direita, até à cozinha. Open. A tampa da mini hi-fi abre tão devagar que parece que naquele momento cabia uma vida. Close. Play. Open, close, play: três passos que qualquer divorciado já deu. Open quando casou e acreditou que valia a pena, close quando se divorciou e acreditou que nada vale a pena, play quando começo a respirar a outra vez. Talvez valha a pena, pensa-se. Música vocal cigana do princípio do século já se espalhou pelos cantos da cozinha. Monocórdica, como uma tarde que se escreve involuntariamente só.
Open. Uma mulher é sempre open. Mesmo uma que se cruzou connosco num autocarro, e é tão bonita; levantou-se antecipadamente para sair depois dum túnel, e é tão bonita; foi batendo com o polegar no corrimão vertical em que tocou a campainha, e é tão bonita; olhou-nos de relance quando as portas abriram, e é tão bonita. Saiu: close. Era tão bonita.
Play, o bicho continua em movimento tortuoso serpenteando a cidade. Com mais fome. Engole pessoas pela porta da frente e vomita-as pela porta de trás, sem ligar merda nenhuma à minha vontade de ter ficado estacionado no momento em que os nossos olhos se cruzaram, e ela era tão bonita. Os autocarros não estacionam, o tempo não estaciona, as relações também não. Vivemos e temos que decidir tudo em andamento. Open, close, play. Open, close, play...
Se eu lhe pudesse dizer alguma coisa era open. Agradecia-lhe a existência e ter-se cruzado comigo neste mundo tão povoado, e de me ter povoado a mim. Tanto, ainda que pouco. Que eu sou um cais, pois, onde a fugacidade se atraca com a força dum navio petroleiro. Pois sou: um cais deserto onde à noite vou fumando as nuvens que poluem o horizonte, desenhando-a hirta, batendo com o polegar ao ritmo duma música qualquer. Uma música qualquer? Não, talvez uma música cigana, vocal e monocórdica, que se espalha em momentos involuntariamente sós. Open, Close, Play.

1.26.2007

uicande

Estou-me a preparar para um fim-de-semana calmo. Preciso mais de calma do que outra qualquer. Quer dizer, também precisava enriquecer rapidamente e que uma loira de olhos verdes chegasse ao pé de mim e dissesse: - “Hoje apetecia-me sexo com um bom jogador de michu”, e eu respondia: - “melhor do que eu há só há um, mas já está comprometido”. Depois ela gemia e levava-me para uma casa junto à praia, sábado e domingo, onde também me fazia banana split para pequeno-almoço. Como não acredito que tiro o euromilhões, nem na história da loira que gosta de jogadores de michu, vou mesmo, e isto é só para vos fazer inveja, a uma reunião de condomínio. Queriam, não queriam? Não vos convido. Bem feita.
Para os que vão dar saltinhos em pistas de dança, beber cerveja e cubas livres, deixo aqui este mp3 do ali mullah para introdução. Ali mula ali, mula ali, ali, aaaaaaaaiiili ailiiiiiiiiii… Ah! alguma das minhas leitoras é psiquiatra? Só para saber…

conversa 78

[por sms]
Ela - se valer a pena esperar por ti eu espero
Eu – não deve valer a pena. Não tem nada a ver contigo. Fica bem
Ela – é triste. Fica tu bem.
Eu – não é triste nem feliz. É o que é. Jitos
Ela – vais ficar pra tio, lol.
Eu – já sou tio e pai há uns anos…
Ela – mas estás sozinho. Anda beber um chá a casa desta tua amiga.
Eu – hoje já não saio. Vá, depois falamos. Jinhos

[mais ou menos meia hora depois]
Ela – Estás sozinho em casa?
Eu (só em pensamento) – Foda-se!

sumo [aviso que este post é mauzinho]



Os lutadores de sumo (aquela luta idiota de origem japonesa) chegam a pesar 500 kg. Sim, é verdade, começam na engorda logo desde pequeninos. Lembro-me, por exemplo, de ver na televisão um documentário sobre um lutador que tinha variações de peso médias de 15 kg (quando ia à casa de banho, note-se). Foi nesse documentário também que percebi que, para além duma data de dinheiro, o campeão anual de sumo tem direito ainda a uma mulher (sim, isso mesmo!). Essa mulher é preparada durante éne tempo para o gajo, e escolhida a dedo entre muitas candidatas. É também sempre muito bonita e magra.
Para além de não conseguir perceber como é que depois eles se dão na cama, também não percebo como é que há muitas candidatas para prémio dum lutador de sumo (rikishi). Não compreendo mesmo as mulheres, foda-se (só em pensamento). No Japão não há lutadoras de sumo, mas já há noutros países. Eu garanto-vos que nunca serei prémio para uma lutadora dessas, nem que morra divorciado. Opá... dá-me medo, não sei porquê.

[link] as mulheres no sumo

1.25.2007

mulheres que eu gostava de poder não compreender (41)


Nome: Yuki Chikudate
Origem: Japão/EUA
Info: A Yuki é a vocalista e teclista dos Asobi Seksu, banda de Nova Iorque. No entanto ela é de origem japonesa. Tem uma voz fantástica, que podem ouvir no site oficial, e… e… e… epá, sei lá.

o que hei-de vestir?

Agora já podem vestir e despir o divorciado. Só têm que ter instalado o macromedia flash player. Se não tiverem, paciência… ah! basta arrastar as roupas...





buracos

Tenho buracos em algumas meias, sempre na zona do dedo grande do pé. Mesmo assim uso-as mais uma vez. Por preguiça não as troco por outro par qualquer. Estão escondidas dentro dos sapatos e ninguém as vê.
Não sei porquê, às vezes acho que somos todos um bocadinho assim nas relações amorosas, pelo menos de vez em quando. Andamos dum lado para o outro dentro duma espécie de sapato que nos tapa, mas estamos rotos num sítio qualquer...
Quando fazemos amor com alguém e nos descalçamos, as meias ficam à vista. Os buracos também...