8.19.2016

pensamentos catatónicos (348)


Caminho por Sófia. A cidade conta-me histórias do futuro. De quem, em nome dele, abdicou do presente e pôs a vista num ponto distante lá mais à frente, que ainda não se via muito bem, à espera de o poder tocar. Mas o futuro nunca se toca. Quando lá chegamos, já ele nos enganou e se transformou no presente.
É o presente que tocamos, porra. No Amor também, na luz que entra pelas frinchas da persiana e se deita com a mesma mulher que eu, lhe segreda o mesmo silêncio e agradece o momento. É o presente que nos pode abraçar. O passado é da saudade e o futuro é da solidão, esse ponto lá à frente continuamente desfocado.
Cruzo-me com um homem que o sabe, mas engole a sabedoria toda num estranho olhar silencioso. É o presente mesmo à frente dele e ele nunca o tinha visto. É o Amor, pá! Que não se pode adiar.


fotografia do blogue fotográfico Love You Sófia

5 comentários:

São Rosas disse...

Bem apessoada, essa Sofia...

Bagaço Amarelo disse...

são rosas, é o melhor que ela tem. :)

São Rosas disse...

Não há mais nada que se aproveite?

Miss Seren disse...

Se o presente for agarrado, o futuro não será de solidão, certamente. Bonita, a Sofia. Beijinhos

Bagaço Amarelo disse...

são rosas, isso a mim chega-me e sobra-me, mas sim, há. :)

miss sere, mais por dentro que por fora. beijinhos. :)