3.05.2014
3.04.2014
conversa 2070
Eu - Um bocado radical, não?
Ela - Achas radical?
Eu - Acho... se falasses com ele talvez ele mudasse a forma de beijar.
Ela - Está mas é calado. Radical é ficar com a sensação que se fez uma endoscopia cada vez que um gajo nos enfia a língua pela boca dentro.
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3.03.2014
respostas a perguntas inexistentes (270)
Só agora, com mais de quarenta anos, é que percebi plenamente uma frase da minha professora de Educação Física do sétimo ano do liceu. Quase trinta anos depois, portanto. Não sei o que é feito dessa professora, porque nunca a mais a vi. Nem sequer faço a mínima ideia se ela está viva, nem me lembro do nome dela. Aquela frase, no entanto, e por qualquer motivo, agarrou-se às paredes da minha memória e nunca mais a esqueci.
- O exercício físico é a melhor forma de esquecermos os nossos problemas de Amor.
Eu tinha uns treze anos quando ela me disse isto, pelo que os meus problemas de Amor se resumiam às minhas crises e inseguranças do princípio da adolescência. Embora fortes, não eram verdadeiros problemas de Amor. Mesmo assim, aquela frase pareceu-me importante e nunca mais a esqueci. Esta semana, numa das poucas tréguas que a chuva deu à cidade de Aveiro, pus-me a caminhar sem direcção, apenas pelo vício de caminhar. Creio que com a mesma sensação que um urso deve ter quando sai da toca depois de um longo período de hibernação, porque de facto as condições meteorológicas não me têm dado muita vontade de sair de casa.
Encontrei a Catarina, com um passo apressado, ali perto de um centro comercial no centro de Esgueira. Já não a via há algum tempo e a primeira coisa que me veio à memória assim que a vi foi a de um abraço que ela me deu há uns atrás do qual, talvez por me ter sabido a uma sinceridade extrema, também nunca mais me esqueci. Convidei-a para tomar café, mas ela limitou-se a cumprimentar-me, dizer-me que precisava de andar e despedir-se de mim novamente.
Devo dizer que tenho um fetiche por centros comerciais construídos nos anos oitenta, daqueles que eram apenas uma série de corredores com lojas que mais pareciam aquários. Tenho esse fetiche porque, nos dias que correm, esses locais mais parecem locais assombrados de tão abandonados que estão. É por isso que de vez em quando visito um ou outro, que foi o que fiz nesse dia. Primeiro passei pelo Carramona, em Esgueira, que mesmo assim ainda tem bastantes sinais de vida, depois pelo Riaplano, perto duma das mais importantes avenidas da cidade e que faz mais justiça à descrição de local assombrado.
Foi nesse local assombrado que reencontrei a Catarina, umas duas horas depois, com o mesmo ar tenso que lhe vira antes. Sorri-lhe, mas não lhe disse nada, pois a forma como ela se despedira de mim antes indicava que ela não estava com muita paciência para ter conversas de circunstância comigo. Só que desta vez foi ela quem parou.
- Também estás desiludido com alguém?
A pergunta apanhou-me de surpresa e até me deixou um pouco baralhado, mas não me ri porque o ar dela era grave e sério.
- Para além de alguns milhares de portugueses que consideram que o país está no bom caminho, não estou desiludido com ninguém... - arrisquei.
- É que eu só me ponho a andar assim pela cidade quando estou desiludida. - respondeu.
- E estás desiludida agora?
- Sim, e acho que o exercício físico é a melhor forma de esquecer um problema de Amor.
Assim que ela me disse isto lembrei-me da minha professora de Educação Física. Talvez ela, naquela altura, tivesse feito exactamente o mesmo que a Catarina estava a fazer naquele preciso momento, andar pela cidade sem qualquer tipo de objectivo a não ser mergulhar num mundo maior do que os seus pensamentos mais íntimos e preciosos. Pelo menos, acho que é assim que, caminhando ou fazendo exercício, conseguimos esquecer um problema de Amor.
Ainda assim, a Catarina, aceitou tomar o tal café comigo. Expliquei-lhe porque é que gosto de visitar centros comerciais decrépitos e abandonados. À semelhança do que ela sentia, talvez seja porque em todos eles identifico sinais de agitação, de felicidade e alegria adormecidos em cada canto.
Talvez dentro de todos nós, depois de passada uma determina idade, exista um local assombrado destes, uma memória de felicidade que entretanto nos deu um abraço sincero e nos disse adeus. Um local desses é sempre uma história de Amor.
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2.27.2014
conversa 2069
Eu - Então, que cara é essa?
Ela - Estou muito pensativa.
Eu - Mas está tudo bem?
Ela - Mais ou menos. Hoje é quinta-feira e já comi duas natas esta semana, que é o limite a que me propus a mim mesma.
Eu - E então?
Ela - Estava aqui a pensar se devia, ou não, desobedecer às minhas próprias regras.
Eu - Ah!
Ela - O problema é que, faça eu o que fizer, é sempre triste.
Eu - A sério?!
Ela - Se eu comer uma nata, é triste porque engordo. Por outro lado, se eu não comer, é triste porque fico ougada.
Eu (risos) - Parece um problema existencial.
Ela - Felizes são os homens, que só se preocupam em ter os seus automóveis a brilhar.
Eu - Eu nem isso.
Ela - Tu és o cúmulo da felicidade, então.
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2.26.2014
conversa 2068
Eu - Uma ou duas horas por dia?!
Ela - Sim, em vez do dia todo.
Eu - Ah!
Ela - Se eu soubesse o que sei hoje, nunca tinha casado. Ficava namorada dele a vida toda, mas cada um na sua casa.
Eu - Compreendo perfeitamente.
Ela - Compreendes?
Eu - Sim. Duas pessoas, quando vivem juntas a vida inteira acabam por se cansar, por muito que gostem uma da outra.
Ela - Pois é... e quando não gostam muito, como é o meu caso, ainda é pior.
Eu - Então... não gostas muito dele e querias ficar namorada dele mesmo que cada um vivesse na sua casa?!
Ela - Queria. Não gosto muito dele, mas sei que ele é requisitado por muito gajedo e não o quero dar a ninguém...
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2.25.2014
conversa 2067
Eu - E não é?
Ela- Claro que não. É quando acordam no dia seguinte, se é que chegam lá...
Eu - Quando acordam?!
Ela - Sim... uma coisa é conhecer um gajo à noite, gostar dele nem que seja só um bocadinho e levá-lo para cama. Outra coisa, totalmente diferente, é gostar dele quando ele está com aquele ar ensonado, cabelo espetado e, se for preciso, com gases matinais.
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2.24.2014
coisas que fascinam (165)
Se não acontece com todos, ter um grande Amor pelo desconhecido, então devia acontecer. O desconhecido tem uma enorme paciência para aturar os nossos maiores defeitos e todas as nossas exigências. É um Amor incondicional.
As mulheres que nunca conheci fazem parte dos grandes Amores da minha vida e, como sou um homem que gosta de prolongar o Amor por muito tempo, opto por continuar assim, sem as conhecer de lado nenhum.
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2.16.2014
olha o que eu fiz...
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2.14.2014
conversa 2066
Eu - O Pai Natal dos adultos?!
Ela - Sim. Todos dizem que existe, mas ele nunca aparece...
Eu - Parece-me que andas triste...
Ela - Ando mas é com raiva de todos os que são felizes!
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2.13.2014
conversa 2065
Eu - Não me parece que isso seja um problema.
Ela - E não é... mas às vezes tenho ciúmes dela, admito.
Eu - Ciúmes porquê? Ele agora até é teu namorado. Não é dela.
Ela - Mas ela é que esteve com ele quando ele era novo. Agora eu levo com um velhote de quarenta anos...
Eu - Obrigado por pores isso assim. Eu tenho quarenta e dois...
Ela - Eu gosto dele, percebes? Mas há uma parte dele que eu nunca vou ter e aquela sacana teve.
Eu - Aquela sacana é a tua melhor amiga?
Ela - Sim. Chamo-lhe sacana porque, ainda por cima, conta-me tudo sobre eles os dois sempre que estamos juntas.
Eu - Nunca lhe pediste para não falar disso?! Explica-lhe que o tema te incomoda...
Ela - Estás maluco?! Para ela ficar a saber que eu tenho ciúmes do passado?!
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2.12.2014
conversa 2064
Ela - Para quê?
Eu - Para quê, como?! Para conversarmos...
Ela - Para conversarmos sobre quê?
Eu - Sei lá.
Ela - Pode ser.
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2.09.2014
conversa 2063
Eu - Porquê?
Ela - Por causa do Dia dos Namorados.
Eu - Ah! Eu não ligo nada ao Dia dos Namorados...
Ela - Eu também não ligava quando tinha namorado. Agora, como não tenho, ligo. Percebes?
Eu - Mais ou menos...
Ela - Quando esse dia chega, lembro-me sempre que estou encalhada há mais de três anos.
Eu - Encalhada?! E não te lembras disso nos outros dias?
Ela - Lembro-me com mais intensidade nesse dia.
Eu - Não me aprece um problema grave, para ser sincero.
Ela - Não te parece, porque não és uma mulher de quarenta anos que todos os dias se vê ao espelho e nota que está a envelhecer à velocidade da luz.
Eu - Não me vejo ao espelho quase nunca...
Ela - Sabias que és irritante?!
Eu - Porquê?
Ela - Porque respondes a tudo como se nada tivesse importância. Ao menos podias fingir que me compreendes.
Eu - Está bem, desculpa. De facto estás a envelhecer muito depressa e deve ser lixado não teres namorado há três anos.
Ela - Estou quase a estrangular-te!
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2.05.2014
recomenda-se
Este é apenas um dos problemas deste mundo, a forma como confiamos ou desconfiamos uns dos outros. Uma empresa não confia num trabalhador que não conhece de lado nenhum, mas confia na carta de recomendação de outra empresa que também não conhece de lado nenhum. Não há nada que prove que uma empresa merece mais confiança do que um trabalhador. Na minha opinião, muito pelo contrário. Pela minha experiência, até sei que algumas empresas passam cartas de recomendação aos trabalhadores dos quais se querem ver livres, precisamente por isso.
Ninguém consegue pôr em causa o que está estabelecido como normal. Por exemplo, a uma empresa alemã que me pediu uma carta de recomendação, obrigatoriamente em alemão, eu fiz o mesmo e pedi uma carta de recomendação dos seus trabalhadores, obrigatoriamente em português. Demoraram quinze dias a responder-me que não tinham que o fazer. Pois bem, eu também não tenho que o fazer, nesse caso.
A este propósito, lembrei-me dum quase Amor que vivi uma vez. Era um Amor recomendado por amigos comuns, tanto de um lado como do outro. Encontrámo-nos num Domingo, num café em Viana. De tanta recomendação, estávamos convencidos que tínhamos sido feitos um para o outro, mesmo sem nos conhecermos de lado nenhum. A coisa durou um quarto de hora.
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1.25.2014
Já não há pachorra para os Patetas
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| Os Patetas adoram Morangos Com Açúcar |
O ainda jovem Pateta é cada vez mais uma figura de relevo em Portugal. Não há semana em que não escreva uma crónica num jornal, palco de um coitado a quem o país deu um futuro, apesar de demonstrar ter uma capacidade de análise igual à de uma das figuras mais emblemáticas da Disney: o Pateta.
O Pateta critica severamente aqueles que se queixam dum país que os obrigou a emigrar por uma questão de sobrevivência e não por opção. Pior, não percebe que se este país é chamado de piolheira por alguns, é precisamente por causa de jornais de seriedade duvidosa que deixam gajos com menos de dois neurónios escreverem o que lhes apetece e ainda lhes paga por isso. Se puxarem por ele, até é capaz de se referir a esses emigrantes como amigos do Gato Xoné.
Felizmente não sou amigo destes Patetas. Acredito mesmo que constituem uma minoria hiperbolizada pelos jornais que defendem o interesse de grandes grupos económicos (o Público é do Tio Belmiro). Se não escrevessem este tipo de asneiras, não tinham lugar no jornal.
E eu nem estou a falar de cronistas que, apesar de estarem ligados ao poder político actual deste país, fazem uma ideia mínima do que está a acontecer. Este Pateta tem uma génese diferente. Apresenta-se aos leitores como alguém que "nasceu no segundo mês dos anos 80 e gosta de gelatina de morango". Uau, mas que grande totó...
As asneiras e a arrogância com que este Pateta escreve é alimentada pelo mito de que a crise económica se deve ao facto dos trabalhadores deste país terem vivido muito tempo acima das suas possibilidades e que, portanto, a solução passa por massacrá-los com impostos, baixos salários, trabalho temporário e desemprego. O Oliveira e Costa, a especulação financeira protegida pelos governos portugueses das últimas décadas, as parcerias público-privadas e os paraísos fiscais não tiveram nada a ver com isto.
É importante que alguém desengane este Pateta e lhe explique que para escrever não basta saber juntar palavras. É preciso pensar e ter, no mínimo, um neurónio em actividade. Já agora, perceber alguma coisa de Economia e de Política também ajuda.
Este Pateta tem, por isso, duas opções, ou continua a escrever no Público (pasquim que eu vou deixar definitivamente de comprar), ou emigra para deixar de ser totó e ver o que custa a vida.
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1.08.2014
conversa 2062
Ela - Estás a ver aquela gaja ali sozinha, que está a beber um café com natas?
Eu - Sim...
Ela - Achas que é bonita?
Eu - É bonita, sim.
Ela - Ainda bem.
Eu - Ainda bem porquê?
Ela - É a namorada do meu ex-marido. Não queria nada ter sido trocada por uma gaja feia.
Eu (risos) - Não te preocupes. Ela é bem gira.
Ela - Também não exageres. "Bonita" chega.
Eu - Pronto...
Ela - Mas é mais bonita do que eu?
Eu - Hum...
Ela - Pronto, hesitaste. A gaja é mais bonita do que eu.
Eu - Não é isso. As coisas não são assim tão lineares.
Ela - São, são. Deixa-te lá de merdas.
Eu - Tu e ela são diferentes. Não dá para comparar.
Ela - Se fossemos iguais é que não dava para comparar, pá.
Eu - Perguntaste-me se ela era bonita e eu disse que sim, porque é. Entre ti e ela já não sei dizer assim tão facilmente, percebes?
Ela - Percebo que a conversa do meu ex sobre o fim do nosso casamento, de como havia um cansaço natural entre nós e mais não sei o quê era tudo peta. Ele encontrou foi uma gaja melhor.
Eu - Não sei que te diga.
Ela - É melhor não dizeres nada. Quanto mais falas, pior a coisa fica.
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1.07.2014
conversa 2061
Eu - É normal.
Ela - Achas?
Eu - Acho. Um homem só Ama uma mulher quando ela se transforma num vício. Antes disso não é bem Amor o que se sente. Talvez seja qualquer coisa muito parecida com espanto, como quando uma criança vê um brinquedo novinho em folha numa montra. É bom, mas não é Amor.
Ela - Estás a dizer que eu estou espantada com ele e ele comigo?
Eu - Estou a dizer que o princípio duma relação, na minha opinião, é sempre um espanto.
Ela - Então acho que está na altura de o espantar de vez.
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12.25.2013
conversa 2060
Ela - Achas que eu falo demais?
Eu - Não, mas porquê?
Ela - O meu marido está sempre a dizer-me que eu falo demais.
Eu - Que falas demais ou que falas muito? Uma coisa é falar demais, outra é falar muito.
Ela - Ele diz que falo demais...
Eu - Tens que lhe perguntar porquê, então. Falar demais tem a ver com qualquer coisa inconveniente que disseste.
Ela - Pois...
(cinco minutos depois)
Ela - Achas que falo muito?
Eu - Não, mas porquê?
Ela - Há bocado referiste que, em vez de eu falar demais, podia falar muito.
Eu - Foi só como termo comparativo.
Ela - Ah! Ainda bem. Não importo de falar demais, mas não queria que me dissessem que eu falo muito.
Eu - Bem... eu prefiro uma pessoa que fala muito a uma que fala demais.
Ela - Pois, mas o meu marido é mais importante do que tu e acho que ele não gosta de mulheres que falam muito.
Eu - Porque é que dizes isso?
Ela - Eu, às vezes, falo durante o sexo e ele está sempre a mandar-me calar. Às vezes até com palmadas no rabo.
Eu - Por exemplo, talvez isso seja falar demais.
Ela - Já não percebo nada.
Eu - Deixa lá. Esquece isso por agora.
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12.20.2013
conversa 2059
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12.19.2013
coisas que fascinam (164)
Acontecem coisas estranhas nos dias normais. Nenhuma dessas coisas é igual a outra, mas nunca damos por elas porque acontecem regularmente. É isso que as torna iguais, apesar de diferentes. Uma vez por outra, muito raramente, numa dessas coisas surge um pequeno rasgo de Amor, assim como um passageiro desconhecido que sai do comboio num apeadeiro qualquer à procura de aventura.
Ela não disse nada. Nem sequer uma palavra. Eu só disse uma. Obrigado. Depois vi-a sair em Campanhã e entrar no comboio para Braga, enquanto eu me dirigia para a linha seis onde me esperava o comboio para Aveiro. Provavelmente nunca mais a vejo. De certeza que nunca mais a esqueço.
Ela acabou por sair na estação de Esmoriz. Primeiro afastou-lhe cuidadosamente a cabeça e pousou-a para trás, como se estivesse a mudar de sítio uma frágil peça de louça. Depois levantou-se e saiu em silêncio enquanto ele lhe pediu desculpa, ainda estremunhado. Afinal não eram um casal. Não se conheciam de lado nenhum, mas ele adormecera no ombro dela e ela deixara-se estar ali, tão quieta como uma fêmea leoa que protege uma cria de cordeiro.
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12.18.2013
ford figo
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conversa 2058
Eu - Todos os homens são capazes de ter discussões com as mulheres.
Ela - O meu marido não é.
Eu - Olha que é. Pode é ter chegado à conclusão que não vale a pena discutir contigo. Aliás, pelo que eu conheço de ti, não vale mesmo a pena discutir contigo.
Ela - Não vale a pena discutir comigo?!
Eu - Não, não vale. Nunca dás o braço a torcer, mesmo que seja óbvio que não tens razão.
Ela - Mesmo que isso seja verdade, prefiro que ele discuta.
Eu - Mas para que é que ele vai discutir contigo, se sabe que não vale a pena?
Ela - Para isso mesmo, para discutir.
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12.17.2013
respostas a perguntas inexistentes (269)
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12.16.2013
conversa 2057
Eu - De baixa intensidade?!
Ela - Sim, claro. Preciso apaixonar-me por alguém, mas só um bocadinho.
Eu - É das coisas mais estranhas que já ouvi.
Ela - Quando me apaixono muito fico fragilizada. Se me apaixonar só um bocadinho, sou eu que mando na relação.
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12.13.2013
Reportório Osório
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12.12.2013
conversa 2056
Eu - Deitei-me tarde. Estive na conversa com uma amiga minha até às tantas da manhã...
Ela - Acredito mesmo nisso.
Eu - Não acreditas?
Ela - Não. Como se fosse possível estares na conversa com uma amiga até às tantas da manhã. Passa-se sempre mais qualquer coisa.
Eu - Não passa nada.
Ela - Passa, passa.
Eu - Não passa nada.
Ela - Pronto, eu é que não acredito. Qual é a mulher que quer estar na conversa até às tantas da manhã contigo?!
Eu - Uma que seja minha amiga.
Ela - Só se for isso. As amigas, realmente, não costumam servir para mais nada do que falar.
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12.11.2013
sem título, sem nada
Procurar o Amor, viver nessa expectativa, é uma infelicidade tão próxima da felicidade que chegamos a acreditar que vale a pena. Talvez valha. Sei lá.
O que eu sei é que há um momento em que acreditamos que não. É quando damos a mão a alguém que nos estende a sua e tudo o resto perde a importância. A árvore que nos observa do meio da avenida, o polícia que multa um carro em segunda fila ou o resultado dum jogo de futebol. Tudo se engrandece para se reduzir a nada.
Porque o Amor é o único capaz de viver do nada.
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Etiquetas: mensagens por telemóvel que não envio por serem foleiras mas que queria enviar na mesma
12.10.2013
conversa 2055
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12.08.2013
respostas a perguntas inexistentes (268)
Tudo o resto é paisagem. Era, aliás, nessa paisagem que eu estava a tentar acreditar. É que por ali, entre a aparente solidão de alguns edifícios decrépitos que povoam a estranha cidade de Gaia, sobram alguns sinais dum Amor clandestino. Alguém escreveu numa parede a palavra "Amor", em letras tortas e desproporcionais como se estivesse a gritar.
A Ana entra na sala e traz-me a melhor bebida do mundo, segundo ela mesma uns minutos antes. Um chá que não é apenas um chá. Pousa as canecas e olha-me de frente, sem piscar os olhos e com um sorriso que me parece esconder uma tristeza qualquer.
- Prova! - diz.
Aceno afirmativamente com a cabeça enquanto uma pequena porção de um sabor forte e quente percorre o meu esófago.
- É bom. Muito bom... - confirmo.
A Ana não me quer falar sobre o que o seu sorriso esconde. Conheço-a o suficiente para perceber isso. Se quisesse, o mais provável era nem sequer ter feito chá nenhum. Tinha começado a falar assim que abriu a porta de casa para eu entrar. É mau sinal. Talvez seja grave.
Desvio o olhar do nosso silêncio e digo-lhe que está uma mulher lá fora, à espera de alguém, com um ar anormalmente ansioso. Aparenta ter a minha idade, mais ou menos. É bonita, com aquela beleza que só uma mulher de quarenta e poucos anos consegue ter, mas vai abraçando-se dentro de um casaco comprido como se se quisesse esconder do vento, que é o único ocupante da rua. Ou isso, ou então sabe que alguém a espreita cobardemente por trás duma cortina branca.
- É maluca! - diz a Ana - está sempre ali à espera de alguém que nunca chega. Todos os dias faz o mesmo.
Não tenho muito bem a certeza se posso considerar uma pessoa maluca por estar permanentemente à espera de outra. Na verdade, tanto quanto me já me apercebi, essa é uma das condições essenciais do Amor. Esperar, às vezes sem sequer saber por quem. Dou outro gole, desta vez maior. O meu esófago queixa-se.
- Estou sozinha outra vez.
- Já percebi que sim.
- Como é que percebeste?
- Não sei explicar. Assim que entrei na tua casa percebi isso mesmo. Como é que te sentes?
- Aliviada.
O alívio pode ser triste? Pode esconder-se atrás dum sorriso enquanto se serve um chá a um amigo? Talvez possa. Pelo menos espero que sim. Olho-a nos olhos, com o mesmo espírito de um cientista que espreita pelo microscópio. Num imenso mar azul não vejo muito mais do que alguém que regressa a essa condição de espera.
Lá fora, do outro lado da janela, a paisagem subtraiu a mulher que espera permanentemente.
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12.07.2013
12.05.2013
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12.04.2013
conversa 2054
Eu - Fixe. Fizeste alguma coisa para isso?
Ela - Fiz. Comecei uma dieta.
Eu - Uma dieta?!?!
Ela - Sim. À noite, como não posso ir ao frigorífico buscar pão com manteiga, fico tão tensa que tenho que fazer alguma coisa com o meu marido.
Eu - Okay, mas não lhe expliques isso assim...
Ela - Já expliquei.
Eu - Já?!
Ela - Já. Ele perguntou-me o que é que se passava...
Eu - E reagiu bem?
Ela - Acho que sim. Disse qualquer coisa do tipo: "que se f**a!".
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12.03.2013
conversa 2053
Ela - Tens uns vasos no meio da tua casa...
Eu - Estou a experimentar uma coisa que vi na internet. Colocas umas velas a aquecer um vaso pequeno, virado ao contrário, com outro vaso maior por cima. Parece que aquece o ambiente...
Ela - E aquece mesmo?
Eu - Aquece, embora ainda não esteja satisfeito com os resultados obtidos.
Ela - Mas porque é que estás a usar velas perfumadas para esta experiência?
Eu - Só tinha essas velas em casa quando me decidi a fazer isso.
Ela - Mas estas velas são caras, sabias?
Eu - Estou-me nas tintas. Não servem para nada. Tenho-as aí há que tempos. Foi alguém que mas deu num aniversário, num Natal, ou coisa parecida...
Ela - Pois foi, eu sei. Fui eu que tas ofereci...
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11.30.2013
Poemarma
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11.29.2013
conversa 2052
Ela 2 - Achas?!
Ela 1 - Acho, por acaso acho. Tu não achas?
Ela 2 - Mais ou menos... como sou amiga dele há muitos anos nunca pensei nele como um amante, para ser sincera.
Ela 1 - Não?! Eu acho que ele é um naco.
Ela 2 - E deve ser sério. Nunca lhe conheci uma namorada...
Ela 1 - Ui! Acabei de perder todo o interesse nele.
Ela 2 - Porquê?
Ela 1 - Não gosto de automóveis em primeira mão. Prefiro-os usados.
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11.28.2013
a primeira vez
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11.27.2013
conversa 2051
Eu - Já. Por acaso li ontem na internet.
Ele - Eu também o li na internet e mandei-o logo à minha namorada, por email, a ver se a irritava. Ela costuma ter ciúmes da minha ex-mulher...
Eu - E ela Irritou-se?
Ele - Nem por isso. Respondeu-me logo, passado cinco minutos. Pôs-me um bocado a pensar..
Eu - Então?
Ele - Disse-me que o melhor é separarmo-nos já, a ver se o sexo entre nós nos começa a fazer bem.
Eu - Isso anda assim tão mal?
Ele - Pelos vistos...
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11.25.2013
conversa 2050
Eu - Podes.
Ela - Ando a precisar de me envolver com um homem mais novo do que eu.
Eu - Quanto mais novo do que tu?
Ela - Sei lá... preciso dum gajo que tenha aí vinte e cinco anos. Trinta no máximo, vá lá.
Eu - Tu tens quarenta e cinco, não é?
Ela - É.
Eu - Curioso...
Ela - O que é que é curioso?
Eu - Já te ouvi dizer várias vezes que os homens com quem te relacionaste quando eras mais nova eram imaturos e estúpidos a todos os níveis. Agora queres envolver-te com um?
Ela - Quero. Agora é que era bom arranjar um homem dessa idade. Já tenho experiência suficiente para o levar para a cama e não ligar nada ao que ele diz.
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11.24.2013
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11.21.2013
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11.14.2013
morte à "gaja boa"
Há uma relação directa entre a quantidade de vezes em que um homem chucha no dedo sozinho e aquelas em que diz que uma gaja qualquer é boa. Eu, sempre que ouço um tipo qualquer dizer que "aquela gaja é mesmo boa", tiro automaticamente a conclusão de que ele é apenas um pobre solitário, uma espécie de satélite longínquo do planeta em que queria tocar. A má notícia é que elas tiram a mesma conclusão. Com excepção, claro, da Scarlett Johansson, que é mesmo boa. Quando um gajo me diz que a Scarlett é mesmo boa, eu aceno afirmativamente com a cabeça e, lá está, passo a ser eu o satélite.
O problema da "gaja boa" não é apenas semântico. "Boa" podia querer dizer generosa (na maneira de ser e não nas formas) ou justa (na maneira de ser e não não nas formas), mas todos sabem o que é que aquilo quer dizer realmente. Não é que seja mau olhar para uma mulher por causa do seu impacto visual, mas é demasiado mau parecer um cachorro abandonado e a salivar, que é o que parece um gajo qualquer quando diz que "uma gaja é boa".
Por tudo isto declaro morte à expressão "gaja boa" e anuncio a boa nova, ou melhor, a mais ou menos nova. Devemos todos começar a dizer que as gajas são mais ou menos. É preciso ser inteligente e não parecer um cão que não come há duas semanas. Ao dizermos que uma gaja é mais ou menos, mantemo-nos no mesmo patamar dela. Impedimos que ela passe a olhar para nós como seres miseráveis e tristes que só pensam em sexo. Com excepção, lá está, da Scarlett Johansson. A essa podemos dizer que é boa, até porque é mesmo.
Se todos passarmos a dizer que as gajas são mais ou menos, não ofendemos ninguém e damos aos piropos um ar mais elegante e selecto. Com o tempo e com a habituação até podemos, eventualmente, começar a dizer coisas como "tu és mesmo toda mais ou menos" ou "mas que gaja tão mais ou menos". É melhor para todos, acreditem. As mulheres vão passar a olhar para os homens como seres que comem de faca e garfo, não fazem barulho a beber chá e nunca têm gases e, no final de contas, o desabafo pavloviano está lá na mesma.
Boa sorte, ou melhor, uma sorte assim assim.
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11.13.2013
conversa 2049
Eu - Que homem é que não sabe engatar uma mulher?
Ela - Nenhum homem sabe. A verdade é essa.
Eu - É?
Ela - É. A maior parte pensa que com um carro de luxo, um ramo de flores e um jantar à luz das velas consegue o que quer...
Eu - E não consegue?
Ela - Claro que não. Não é isso que uma mulher procura num homem...
Eu - Então é o quê?! Pode vir a dar jeito...
Ela - Competição.
Eu - Competição?! Não atingi...
Ela - Lá está. Também nunca percebeste nada do assunto.
Eu - Então explica-me, por favor.
Ela - Um gajo tem que trazer concorrência com ele, que é para dar pica. Tem que ter outra gaja interessada nele, percebes?
Eu - Mais ou menos...
Ela - Qual é a mulher que se vai meter com um gajo a quem ninguém liga?! Se houver outra mulher no jogo, a coisa torna-se muito mais interessante.
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11.12.2013
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11.11.2013
conversa 2048
Eu - Compraste um peixinho vermelho...
Ela - Comprei. Sempre me faz companhia, agora que vivo sozinha. Gostas?
Eu - Para ser sincero não. Peixinhos vermelhos em aquários redondos sempre me fizeram impressão.
Ela - Porquê?
Eu - Porque são atrofiantes. Não acredito que um peixinho, ali naquela coisa minúscula, possa ser feliz.
Ela - Os peixinhos vermelhos não são felizes nem são tristes. Não têm essa capacidade.
Eu - Não?!
Ela - Não. Limitam-se a comer quando lhes dão comida. De resto, não são seres pensantes.
Eu - Então que raio de companhia é que o peixe te faz?
Ela - Lembra-me o meu marido.
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11.09.2013
conversa 2047
Ela - Isso é uma tentativa de engate?
Eu - Não.
Ela - Então não vou.
Eu - Não me digas que se fosse para eu te tentar engatar já ias.
Ela - Claro que ia, só que ia para não me deixar engatar.
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11.08.2013
conversa 2046
Eu - O teu marido é ciumento?
Ela - Nem imaginas. Parece muito calminho mas depois, em casa, faz cada cena de vez em quando.
Eu - Espero que nunca tenha feito nenhuma cena por minha causa.
Ela - Por tua causa nunca fez, mas faz por causa dos meus amigos que eu acho giros.
Eu - Ah!
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11.07.2013
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- Não há problema. Queria um café e uma Macieira, por favor.
Não sei se já vos aconteceu ter o cérebro divido em dois, como se um dos hemisférios estivesse em plena actividade e o outro tivesse tirado algum tempo para sonhar. Era assim que eu estava. Por um lado, sentia-me pela primeira vez capaz de perceber tudo o que me tinha acontecido, de pegar nos factos e colocá-los numa linha de pensamento como se fosse um puzzle terminado. Finalmente, pensei. Por outro lado, sentia-me numa espécie de planeta gigante onde eu era o único habitante. Podia fazer tudo o que me apetecesse e não tinha receio nenhum da solidão. Por algum motivo, sabia que mais tarde ou mais cedo aterraria ali uma nave qualquer com uma mulher por quem me ia apaixonar.
Primeiro bebi a Macieira, num só golo ansioso. Depois beberiquei o café, gozando plenamente a mistura do seu sabor com o do brandy. Apercebi-me que o meu paladar estava bastante apurado. Depois abri um livro que comecei a ler nesse preciso momento, mas propriamente, O Processo, de Franz Kafka.
Dois anos antes, tinha eu dezasseis anos, apaixonei-me com a intensidade única que aquela idade permite por uma mulher bastante mais velha do que eu. Chamava-se Cristina, tinha trinta e poucos anos e cheirava sempre ao mesmo perfume, algo que me fazia lembrar longas extensões de campos verdes. Era casada com um homem qualquer que nunca cheguei a conhecer, mas que estava emigrado no Canadá e não dava notícias de vida há bastante tempo. Assim, juntaram-se por mero acaso um jovem surpreendido pelo Amor e uma mulher já desiludida com esse mesmo Amor.
Lembro-me que estava uma chuva intensa no dia em que ela me levou àquele café para se despedir de mim. Já me tinha dito que se queria afastar, mas faltava explicar o motivo, se é que o motivo para acabar uma relação é importante. Sinceramente, não sei se é. Sei que esperava que ela me viesse com aquela conversa habitual de que as nossas idades eram incompatíveis, ou que me anunciasse que o marido dela decidira aparecer de repente. Mas não.
- Exactamente daqui a dois anos, quando tu já fores maior de idade, se eu ainda estiver apaixonada por ti venho aqui a este café e espero toda a tarde que apareças.
Era fim de tarde e ela ainda não tinha aparecido. Paguei a conta, que entretanto contava com mais duas cervejas e uma torrada, e saí. Talvez tenha sido a primeira vez que o Amor me explicou que não vem sempre para ficar. Que é um viajante como qualquer outro que só está bem onde não está.
Às vezes ainda me pergunto, no entanto, se nesse dia ela se lembrou de mim.
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11.06.2013
conversa 2045
Eu - Não sei...
Ela - Não sabes?! Foram assim tantas?
Eu - Não, não é isso. Não sei e pronto. Se calhar até foi só uma, mas mesmo assim não sei. Não me lembro...
Ela - A mim disseram-me vinte e oito vezes.
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11.05.2013
conversa 2044
Eu - É melhor não, obrigado.
Ela - Todos os homens que eu convidei disseram logo que sim. Tinhas que ser a ovelha ranhosa...
Eu - É que actualmente nem costumo conseguir ver um jogo de futebol até ao fim...
Ela - Mas vem na mesma. Não é só para ver o jogo, é para estarmos todos juntos a beber um copo e a conversar na boa.
Eu - Hum... talvez vá, então. Eu até quero que o Porto perca.
Ela - Queres que o Porto perca?! Porquê?!
Eu - Joguei no totobola e apostei na vitória do Zenit...
Ela - É melhor não vires, então. Ainda acabo por me chatear contigo...
Eu - Então e aquela coisa de estarmos juntos a beber um copo na boa?
Ela - Esquece. Fica para outro dia.
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11.04.2013
pensamentos catatónicos (301)
Não foi neste país que eu nasci. Na verdade, já nem sei onde é que está esse país em que eu nasci, mas um dia destes saio daqui e vou procurá-lo noutro sítio qualquer. Talvez o encontre, talvez não, mas sei que está exactamente onde as pessoas acordam umas ao lado das outras todas as manhãs porque gostam uma da outra. Só por isso, não por outro motivo qualquer.
O Amor não é um contrato, nem sequer uma promessa. É cada suspiro que damos quando estamos afastados de quem Amamos, cada gota de suor que partilhamos. No final é cada dia que passa. Não cada ano financeiro. Mais um bocadinho e os contabilistas começam a ter uma alínea orçamental para o Amor. Este ano podemos Amar-nos até duzentos e cinquenta euros. Depois disso acabou porque temos que comer qualquer coisa. Nada mau.
Um país é tanto pior quanto o número de ombros que se encolhem para não enfrentar a vida, e Portugal é um país de ombros encolhidos perante tudo e mais alguma coisa. Encolhemo-nos agora perante a evidência que, depois de perder tudo, perdemos também a capacidade de Amar.
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10.30.2013
conversa 2043
Ela - Preciso de ter dois dedos de conversa contigo urgentemente. Quando estiveres em Aveiro liga-me.
Eu - Porquê?
Ela - Agora não me estou a lembrar.
Eu - Então não é assim tão urgente.
Ela - É, é. Que é urgente, eu lembro-me.
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10.29.2013
conversa 2042
Eu - Mas querias?!
Ela - Eu queria ter uma relação a sério, mas nunca funciona.
Eu - Hum, hum...
Ela - Eu sou uma mulher bonita, não sou?
Eu - És.
Ela - Não sou burra nenhuma, pois não?
Eu - Não.
Ela - E até sou afável, não sou?
Eu - És.
Ela - Lá está.
Eu - Lá está o quê?
Ela - A culpa é sempre dos homens.
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10.25.2013
conversa 2041
Eu - Por causa da chuva?!
Ela - Sim. Na ânsia de apanhar a roupa que estava a secar, puxei-a com demasiada força e foi toda lá para dentro.
Eu - Ah! Então não deves ter estragado nada.
Ela - Não?
Eu - Não. Deve ser só preciso abrir aquilo e ir lá desenrolá-la. Depois é só um ou outro ajuste...
Ela - E tu sabes fazer isso?
Eu - Qualquer um sabe.
Ela - Queres jantar lá em casa este fim de semana?
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10.22.2013
conversa 2040
Eu - Porquê?
Ela - Porque, quando partem do pressuposto que não concordam uma com a outra, são incapazes de ouvir os argumentos do outro. No fundo já não querem ouvir o que o outro tem a dizer, mas sim defender a sua posição mesmo que ela já não seja defensável.
Eu - Passaste por alguma discussão assim, foi?
Ela - Sim, com o meu ex-marido. Sabes que eu trabalho longe de Aveiro... acho que era melhor levar o nosso filho comigo.
Eu - E ele não concorda contigo?
Ela - Não. Quer que o miúdo fique em Aveiro.
Eu - Quais são os argumentos dele?
Ela - Sei lá. Achas que eu ainda dou importância ao que ele diz?!
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10.21.2013
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10.18.2013
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10.12.2013
conversa 2038
Eu - A sério?!
Ela - Sim... e foi contigo.
Eu - Comigo?! Espectacular.
Ela - Sim. Eu estava no pátio a ler um livro e tu dentro de casa, de esfregona na mão, a limpar o chão.
Eu - Foi esse o sonho?
Ela - Foi.
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10.10.2013
conversa 2037
Eu - Então?
Ela - Um homem com umas mãos enormes. Sempre adorei homens com mãos grandes.
Eu - Mãos grandes?! A que propósito?
Ela - Tenho mesmo que te explicar?
Eu - Tens.
Ela - olha bem para mim.
Eu - Sim...
Ela - O que é que eu tenho grande e que precisa de mãos grandes para apertar?
Eu - O nariz?
Ela - Eu tenho mãos pequenas, mas levas já duas chapadas.
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10.09.2013
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- Quantos?
- Cabem todos numa só mão.
- Então fecha-a e guarda-os.
Regresso a um baloiço velho, já velho quando eu era criança, onde os dias baloiçavam numa tontura desigual. Era a Helena, que ia sempre mais alto do que eu e depois punha-se em pé. Chegava a ficar na horizontal, quando atingia a altura máxima atrás ou à frente e eu, com medo, a dizer-lhe que não me apetecia baloiçar. Quando o fiz, caí, e ela saltou lá de cima para me secar as lágrimas. Deu-me a mão para me ajudar a levantar e eu fechei-a, para guardar a sensação do toque dela.
Regresso a uma incerteza que nada sôfrega no meu copo de uísque.
- Lembras-te de mim?
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10.08.2013
conversa 2036
Eu - Qual?
Ela - Sexo.
Eu - Era mau?
Ela - Era curto.
Eu - Era curto?!?!
Ela - Curto em tempo, curto em tempo... já ouviste falar em ejaculação precoce?
Eu - Ah! Porque é que ele nunca foi ao médico?
Ela - Já ouviste falar em estúpido orgulho de macho?
Eu - Ah!
Ela - Chegou a convencer-me que, se bebesse três ou quatro uísques antes do sexo, a coisa podia durar mais, para eu também aproveitar.
Eu - E experimentaram?
Ela - Sim. Algumas vezes.
Eu - Deu resultado?
Ela - O único resultado que deu foi ele adormecer bêbado em cima de mim algumas vezes.
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10.07.2013
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10.03.2013
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10.02.2013
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Saio muito raramente com a desculpa comum de tomar um café no tasco do outro lado da rua, mas a razão verdadeira é precisamente aventurar-me nesse outro mundo e ver algumas caras diferentes daquela que o meu espelho tem a mania de me mostrar. As caras dos outros, que se tornam interessantes mesmo que eu não as conheça de lugar nenhum. É que para além disso, este é o terceiro dia consecutivo em que a minha vida social se resume a conversas ao telefone com a Raquel, a minha mãe e um ou outro amigo. Com uma excepção.
Foi precisamente nesse café que marquei um encontro com a Olga. Ela tinha visto no facebook que eu estava doente e mandou-me uma mensagem privada. "Talvez seja uma boa oportunidade para nos vermos", dizia. E eu, que acho que todas as oportunidades são boas, combinei com ela. Tive que lhe explicar onde vivo, porque não a via há uns quinze anos. Cheguei uns dez minutos antes da hora marcada.
Lembro-me que ela tinha um namorado de quem eu não gostava muito. Um tipo pouco falador, um pouco mais baixo do que eu, que tinha a mania de andar com a chave do carro na mão e que a usava como sinal sonoro para tudo. Por exemplo, quando queria chamar o empregado do café, batia com chave na mesa para atrair a sua atenção. Era uma coisa que me irritava solenemente.
Outra coisa de que me lembro é que ele anulava a Olga totalmente. Quando ela estava sozinha era uma mulher interessante, faladora e que tinha uma opinião sobre tudo, algo que eu apreciava bastante. Quando ele estava com ela, no entanto, era praticamente impossível ouvir-lhe a voz. Transformava-se numa espécie de bicho do mato, mudo e surdo. Mesmo quando eu lhe perguntava fosse o que fosse, era ele quem respondia automaticamente.
Talvez por isso tenha sentido um certo alívio quando a vi chegar sozinha ao café.
- Estás melhor? - Perguntou.
- Já consigo falar. Ontem nem isso conseguia, por causa da garganta inflamada.
Ela riu-se. Pediu um café e um pastel de nata enquanto olhava para a minha chávena já vazia, com um ar compreensivo e como se assim me explicasse que já sabia que eu não queria pedir nada.
- Estás como eu, então! - concluiu.
- Como tu?!
- Sim. Também andei anos com a garganta inflamada. Agora já consigo falar.
- Casaste com aquele teu namorado...
- Sim, mas já me divorciei.
Não me espantou o facto dela ter casado com ele. Espantou-me o tê-lo feito com a perfeita consciência do que estava a fazer. Ela sabia que estava a anular a própria vida ao fazer aquela opção mas, por qualquer motivo que nem ela me conseguiu explicar, fê-lo. Conversámos sobre isso, de forma descontraída, e eu acabei por recorrer também à doçura duma nata. Andou alguns anos calada, a observar o mundo como se não fizesse parte dele. Era o mundo dos outros, disse-me.
Estava doente, concluí.
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9.27.2013
serpentinas
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9.12.2013
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9.10.2013
conversa 2035
Eu - Bom?! Porquê?!
Ela - Não há maior prazer nesta vida do que dar falsas esperanças a um homem durante uma noite inteira e, no fim, dizer-lhe simplesmente adeus com a mão e ir embora.
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9.06.2013
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conversa 2034
Eu - Estiveste aqui na segunda-feira, não foi?
Ela - Acho que foi. Há quatro dias, portanto.
Eu - Sim.
Ela - Muito interessante.
Eu - Porquê?
Ela - Porque ainda tens a mesma roupa a secar.
Eu - E depois?!
Ela - Não achas que já secou o suficiente?
Eu - Já está seca, sim.
Ela - E estás à espera de quê, para a apanhar?
Eu - De precisar duma peça qualquer que esteja pendurada.
Ela (suspiro)
Eu - O que é que foi?
Ela - Não interessa. Nada do que eu te diga te pode salvar.
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9.04.2013
engole o teu piropo
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9.03.2013
conversa 2033
Eu - Fixe. Vou precisar de ti, então.
Ela - Porquê?
Eu - Porque as paredes da minha casa estão um nojo e vou ter que as pintar, coisa em que não tenho grande experiência.
Ela - Sabe-me sempre bem conversar contigo de vez em quando.
Eu - Porquê?
Ela - Porque me apercebo sempre do motivo pelo qual as coisas nunca resultaram entre nós.
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9.02.2013
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