9.04.2013
9.03.2013
conversa 2033
Eu - Fixe. Vou precisar de ti, então.
Ela - Porquê?
Eu - Porque as paredes da minha casa estão um nojo e vou ter que as pintar, coisa em que não tenho grande experiência.
Ela - Sabe-me sempre bem conversar contigo de vez em quando.
Eu - Porquê?
Ela - Porque me apercebo sempre do motivo pelo qual as coisas nunca resultaram entre nós.
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9.02.2013
respostas a perguntas inexistentes (259)
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8.22.2013
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8.20.2013
conversa 2032
Eu - Porquê?
Ela - O meu marido não faz mais nada senão limpar a porcaria do carro.
Eu - É por ser novo.
Ela - A minha casa tem três quartos e eu limpo-a em metade do tempo que ele gasta com o automóvel, mas ele em casa não limpa nada. Já o avisei que um dia destes vai dormir para o banco de trás do seu querido Renault...
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8.19.2013
conversa 2031
Eu - Demasiado?!
Ela - Sim. Precisava que ele gostasse menos de mim, que era para eu conseguir gostar mais um bocadinho dele...
Eu - Confundes-me totalmente.
Ela - Isso é porque não percebes nada de desafio.
Eu - Que desafio?
Ela - Desafio, pá. Se um gajo não nos desafia em nada, perde o interesse.
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8.18.2013
não é só pelos touros
Já lá vou ao episódio triste (mais um) da tourada de Viana do Castelo. Primeiro regresso trinta anos atrás, à minha Aveiro de criança e aos copos de gasosa Uprel que eu bebia por vinte e cinco tostões na genuína tasca do senhor Seabra, a uns vinte metros da fonte dos Amores.
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8.15.2013
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8.14.2013
conversa 2030
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8.13.2013
coisas que fascinam (162)
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8.12.2013
conversa 2029
Ela - Eu pus fim à minha relação porque o meu marido me anulava constantemente.
Eu - Anulava?!
Ela - Sim, por exemplo, nas conversas com mais amigos ria-se sempre das coisas que eu dizia, como se eu fosse uma pateta. Era sempre assim...
Eu - Estou a ver... mas ainda andaste uns anos com ele.
Ela - Pois andei, não sei bem porquê. Ou melhor, até sei.
Eu - E porquê?
Ela - Quando estávamos só os dois, ele era fantástico.
Eu - Ah!
Ela - Nunca percebi como é que um homem tão bom a sós consegue ser tão mau quando se junta mais gente, mas acho que isso é uma coisa muito masculina.
Eu - Também há mulheres assim.
Ela - Também?!
Eu - Sim. Sei-o por experiência própria.
Ela - Lá está, nada impede uma mulher de ter algumas características masculinas.
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8.09.2013
regador
Acredita que as moscas tentam apenas prolongar a existência da sua espécie, mesmo que nenhuma delas tenha propriamente consciência disso. Está-lhes nos genes. Voam, alimentam-se e reproduzem-se. Porque é que os Homens não são assim? Porque é que na nossa espécie há indivíduos com comportamentos que se desviam desse objetivo simples? Não sabe a resposta. Sabe apenas que não a consegue encontrar dentro daquilo a que se habituou a chamar probabilística e que está, muito provavelmente, na base desta estranha forma de ser da humanidade.
Ela própria não se entende, o que é muito mau para começar. Está ali deitada com um profundo sentimento de derrota que não consegue contextualizar em nada de concreto. Talvez apenas na sua vida toda, desde que nasceu até há poucos dias atrás. Aos trinta anos não tem família que consiga tratar como tal, pois abandonou o pai e a mãe quando tinha doze anos. Além disso nunca teve filhos, nem tão pouco um homem a que pudesse chamar seu. Não por falta de candidatos, mas sim porque nunca se interessou verdadeiramente por nenhum dos que lhe passaram pelas mãos.
Agora que pensa nisso, a única vez que esteve realmente apaixonada foi ainda na escola primária, quando um rapaz chamado Sandro se sentou ao lado dela logo no primeiro dia de aulas. Não o fez por nenhum motivo especial, mas apenas porque o professor sentou todos os alunos por ordem alfabética. Olharam um para o outro e ela cumprimentou-o com o olhar. Ele sorriu-lhe, o que foi suficiente para criar essa sua primeira paixão.
O Sandro era um rapaz diferente de todos os outros. Não jogava futebol no intervalo das aulas, nem sequer gostava de qualquer atividade física como qualquer criança da sua idade. Passava o tempo livre sozinho, com um regador de plástico na mão a deitar água a tudo o que era árvore, flor ou até erva daninha. Todos os colegas gozavam com ele, menos a Sofia, que um dia lhe declarou Amor.
- Gosto de ti! - disse.
O Sandro continuou a regar um canteiro de rosas como se nada fosse. Desde então, nunca mais nenhum homem a cativou da mesma maneira. É como se o género masculino fosse composto por indivíduos todos iguais. Tirando um pormenor ou outro, nenhum consegue elaborar uma frase de engate que se encaixe no que ela quer, o que é uma pena porque adora sexo.
Sempre que tem sexo, aliás, é porque engata um homem qualquer. Nunca nenhum homem a engatou a ela. Normalmente prefere tipos um pouco mais velhos, com um máximo de cinquenta anos, que se vistam discretamente e possuam um sentido de humor constante mas que não seja óbvio. Não gosta de homens com o cabelo muito comprido e detesta aqueles que são mais baixos do que ela.
Com estas exigências, consegue engatar em média um homem por semana, sempre num bar de hotel. Desta forma, tem a certeza que o companheiro sexual não é de Lisboa, a cidade onde vive, e por isso não a tornará a chatear tão cedo para um novo encontro. Tem uma vida sexual satisfatória e nunca se prende a ninguém, o que lhe parece muito bem.
Ontem à noite vestiu uma saia curta e uma camisola apertada que lhe realça a forma dos seios. Depois apanhou um táxi e foi beber um copo no bar dum hotel central da capital. Esteve ali uma hora e meia sem que nada acontecesse, a fumar cigarro atrás de cigarro e a meter conversa com o barman para matar o tempo, até que finalmente avistou uma presa.
Um homem de meia idade, ainda com o cabelo todo e pouca barriga sentou-se no mesmo balcão, a três bancos de distância, e pediu um vermute com limão. Trazia uma mala e desapertou o nó da gravata assim que a pousou. Ela aproximou-se dele e perguntou-lhe se lhe podia fazer companhia. Disse que uma amiga, com quem tinha combinado um encontro, lhe tinha telefonado a dizer que afinal não podia aparecer. Desculpa habitual neste tipo de encontros. Ele concordou, acenando afirmativamente com a cabeça.
Vinte minutos depois estavam no quarto 408. Ele deitou-se vestido e foi ela que o despiu. Começou por massajar-lhe o pénis durante alguns minutos e depois pôs-se em cima dele, penetrando-se devagar com aquela excitação que parecia duma estátua. Ele não se mexia, mas continuava com o falo ereto como se fosse de pedra. Na altura exata ela pediu-lhe que se viesse, o que ele conseguiu fazer com uma competência fora do normal.
Ao contrário do habitual, deitou-se ao lado dele e dormitou um pouco. Quando acordou estava já viciada no seu cheiro e na sua pele. Elogiou-lhe a capacidade sexual e perguntou-lhe como é que ele conseguia vir-se na hora h. Ela não estava nada habituada a homens assim. Normalmente, ou são demasiado rápidos ou extremamente lentos.
Ele explicou-lhe que nunca teve uma companheira regular, por isso habitou-se a ter sexo apenas quando consegue e com quem consegue. Apesar de poucas vezes, a diversidade deu-lhe experiência suficiente para controlar o momento do orgasmo.
- Nunca estiveste apaixonado? - Perguntou-lhe.
- Na escola primária houve uma miúda que me me disse que gostava de mim. Não lhe respondi porque estava entretido a regar rosas. Desde então, nunca mais consegui declarar amor a ninguém.
Agora Sofia está ali, deitada num sofá vermelho a ver uma mosca bater insistentemente no vidro da janela.
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7.30.2013
conversa 2028
Eu - Tens a certeza?
Ela - Tenho.
Eu - Como é que podes ter a certeza?
Ela - O meu marido, antes de casar comigo, era namorado da minha melhor amiga.
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7.29.2013
conversa 2027
Eu - Não te preocupes. Não faz mal.
Ela - Não faz mal?!
Eu - Não... claro que não. Estava muito pessoal.
Ela - Estou a sentir-me rejeitada...
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7.26.2013
Virginia Johnson
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7.25.2013
conversa 2026
Eu - E qual é?
Ela - Um homem apaixona-se por uma mulher, uma mulher apaixona-se pelo facto desse homem estar apaixonado por ela.
Eu - E é tudo?
Ela - É.
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7.23.2013
respostas a perguntas inexistentes (258)
Quando saía da fábrica estava sempre tão cansado que tudo o que eu queria era beber umas cervejas com uns amigos, comer qualquer coisa e depois ir para casa dormir. Comecei a ter uma enorme vontade de escrever, mas as forças que me restavam depois de tudo não me permitiam fazer muito mais do as palavras cruzadas do jornal do café que eu frequentava. Por isso acabei por arranjar um método alternativo. Andava sempre no bolso com um pequeno caderno e uma esferográfica e, quando me vinha uma ideia qualquer à cabeça, fosse ela a base de um argumento ou apenas uma metáfora solta, apontava-a nesse caderno. Interrompia o trabalho por cinco ou dez segundos, escrevia o que queria e voltava a fechá-lo.
Foi assim que conheci a Margarida. Um dia o supervisor reparou no que eu fazia e confiscou-me o caderno como uma prova de que eu não cumpria totalmente com o meu contrato de trabalho. Ameaçou-me com despedimento e entregou-o, junto com uma queixa escrita, no departamento de pessoal. O supervisor era um tipo estranho de quem eu não gostava ali, naquele ambiente hostil e desconfortável, mas também não gostaria em nenhum outro local do mundo. Nem que o conhecesse numa ilha tropical durante umas férias de Verão.
Alguns dias depois ele passou por mim e, tugindo, informou-me que eu tinha que ir ao tal departamento de pessoal prestar informações.
- A doutora Margarida chamou-te! - disse.
Subi umas escadas curvas com a sensação que ia ser presente a um tribunal Inquisidor. Lá em cima inspirei e expirei profundamente três vezes seguidas e decidi, antes de entrar, que à mínima falta de respeito pela minha pessoa esticaria o dedo do meio e virava costas àquele sítio para sempre.
Como as minhas mãos estavam cheias de óleo, entrei ainda na casa de banho e lavei-as. Penteei o cabelo com a ponta dos dedos e, finalmente, dei por mim a bater à porta da tal Doutora Margarida, mulher de quem já tinha ouvido falar mas nunca tinha visto nem para assinar contrato, pois era sempre uma intermediária sua que falava comigo.
Para meu espanto era bonita. Nunca esperei que uma mulher de quem, na generalidade, os trabalhadores falavam tão mal pudesse ser tão bonita. Tinha o cabelo apanhado e uma camisa branca parcialmente aberta num decote generoso. Usava um lenço avermelhado e tinha um sinal no queixo que combinava com os seus grandes olhos castanhos claros. Além disso, a sua face transmitia, acima de tudo, alguma generosidade.
O meu livro estava em cima da secretária dela, junto a umas folhas que eu não sabia se tinham a ver com o meu processo. Ela perguntou-me, antes de qualquer outra coisa, se o livro era meu.
- O livro é meu! - respondi.
Ela sorriu, admitiu que o tinha lido todo, do princípio ao fim, e perguntou-me porque é que eu escrevia aquelas coisas todas durante o trabalho.
- Não é durante o trabalho, é durante a vida. Faço anotações em qualquer sítio ou altura porque gosto de escrever e de me sentir vivo. Apesar de não me sentir muito vivo quando estou na produção, faço os possíveis...
Ela tornou a sorrir e perguntou-me a que horas é que eu saía. Como o meu turno acabava uma hora depois do dela, convidou-me para jantar lá em casa. Lembro-me que fez carne guisada com batatas e ervilhas e serviu-me um bom vinho. Depois do jantar levantou-se e desapareceu dentro dum quarto que apenas tinha estantes e livros. Quando regressou trazia uma série de cadernos iguais ao meu, com anotações feitas por ela.
- Faço exactamente o mesmo que tu, sabes? A diferença é que eu estou sentada numa secretária e ninguém dá por ela.
Passei a noite a visitar esses cadernos dela. A partir desse dia ficámos amigos durante muito tempo, apesar de eu ter pedido demissão pouco tempo depois. A Margarida tinha mais doze anos do que eu e nunca quis envolver-se comigo para além dessa amizade. Era um problema para ela, essa diferença de idade, embora me tenha dito várias vezes que tinha pena de não ser da minha faixa etária.
Um dia encontrou um homem por quem se apaixonou perdidamente e nunca mais nos tornámos a ver. Ontem vi-a numa pastelaria e reconheci-a. Cumprimentei-a à distância com um sorriso que ela devolveu. Ao sair abraçou o marido, olhou para trás e cochichou-lhe qualquer coisa. Eu não sei o que foi, mas abri o meu caderno e escrevi este texto.
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7.20.2013
páginas de silêncio
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7.09.2013
conversa 2025
Ela1 - Até dava umas voltas contigo, ó jeitoso!
Ela2 - Foda-se! Não vês que ele é um velho?!
Ela 1 - É velho, mas não é como o teu pai.
Ela2 - E tu já comeste o meu pai?
Ela 1- Não, mas ele está sempre a fazer-se ao piso, o cabrão.
Eu (só em pensamento) - Socorro!
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7.05.2013
Crónicas da Cidade que Sopra

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7.03.2013
conversa 2024
Eu - Ainda não. Para a semana devo ir algumas vezes...
Ela - Vais para a mesma zona do ano passado, onde te encontrei várias vezes?
Eu - Devo ir...
Ela - Este ano, se me quiseres encontrar, vai lá mais para trás para o meio das dunas...
Eu - Eu não gosto de ir para as dunas...
Ela - Mas eu tenho que ir... pelo menos enquanto não fizer a depilação total e definitiva...
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7.02.2013
conversa 2023
Eu - Porquê?
Ela - Num dia estou muito feliz e no dia seguinte já estou triste...
Eu - É sempre assim?
Ela - É. Ontem estava deprimida e hoje já estou a sentir-me feliz.
Eu - Bem... aproveita o dia de hoje, pelo menos.
Ela - Não consigo.
Eu - Porquê?
Ela - Porque estou feliz, mas sinto-me mal só de saber que amanhã já vou estar triste.
Eu - Não és assim tão bipolar, então. No fundo estás sempre triste.
Ela - Mais ou menos. Amanhã, por exemplo, vou estar triste, mas como sei que além de amanhã vou estar feliz consigo andar mais ou menos bem...
Eu - Estás a gozar comigo?
Ela - Não.
Eu - Parece mesmo!
Ela - Os homens é que não percebem estes labirintos sentimentais das mulheres.
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7.01.2013
conversa 2022
Eu - Ia convidar-te para vires beber uma cerveja comigo, mas suponho, se bem te conheço, que não deves querer sair com este calor...
Ela - Importas-te de me fazer o convite sem responderes por mim?! Que coisa irritante!
Eu - Queres vir beber uma cerveja comigo?
Ela - Não. Está demasiado calor...
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6.28.2013
conversa 2021
Eu - Então e o teu?
Ela - Acabámos a semana passada.
Eu - E já estás a pensar no seguinte.
Ela - Para esquecer um Amor, nada como levar um gajo para a cama.
Eu - Hum...
Ela - Como dizem os brasileiros, há mais gente na fila.
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6.26.2013
conversa 2020
Ela - Andamos a explicar a importância de Deus...
Eu - Não vale a pena perderem tempo comigo. Sou ateu.
Ela - Posso só fazer-lhe uma pergunta?
Eu - Se não for para vender nada, pode. Além de ateu, estou desempregado.
Ela - Quem é que fez a sua camisola?
Eu - Sei lá. Provavelmente um escravo qualquer no Bangladesh...
Ela - Então alguém a fez?
Eu - Sim, alguém a fez...
Ela - E acredita que o mundo poderia existir sem ninguém o ter feito?
Eu - Acredito na teoria do Big Bang.
Ela - É possível, mas o Big Bang não poderá ter sido mão de Deus?
Eu - E quem é que fez Deus?
Ela - Ninguém pode ter feito Deus. Deus é o Pai.
Eu - O meu pai tinha um pai também, que por acaso era meu avô.
Ela - Mas com Deus é diferente.
Eu - Porquê?
Ela - Porque... porque...
Eu - Bem me pareceu que não sabia.
Ela - Posso deixar-lhe só este jornal sobre como ser um bom pai de família?
Eu - Está bem. Prometo ler quando estiver na casa de banho.
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6.25.2013
respostas a perguntas inexistentes (257)
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6.18.2013
conversa 2019
Ela - Andas com memória fraca?
Eu - Acho que sim.
Ela - Não sei...
Eu - Não?!
Ela - Não. Sou nutricionista, mas normalmente bebo para esquecer.
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6.13.2013
conversa 2018
Eu - O que é que se passa?
Ela - Tenho fome!
Eu - Eu a pensar que estavas com uma pedrinha na alma...
Eu - É quase isso. Preciso dum pedregulho no estômago.
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6.12.2013
coisas que fascinam (161)
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6.10.2013
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6.08.2013
conversa 2017
Ela - Queres ir tomar café comigo hoje à tarde?
Eu - Pode ser...
Ela - Eu passo aí em tua casa às três. Pode ser?
Eu - Pode...
Ela - Não leves aliança mas, para variar, vê se te penteias e vestes com algum cuidado.
Eu - Eu não uso aliança. O que é que raio se passa?
Ela - Vamos a um café que eu cá sei, onde trabalha um gajo giríssimo, e tu vais-te mostrar muito interessado em mim enquanto eu te dou ao desprezo. Está bem?
Eu - Mas o que é que tu pensas que eu sou?!
Ela - És meu amigo e os amigos servem para isso mesmo. Um dia, se precisares, faço o mesmo por ti...
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6.07.2013
dona Elvira
Eu estava a jogar, creio que quase a bater o meu recorde pessoal, e ele deu um pontapé na máquina para accionar o bloqueio automático da mesma. Os dois flippers pararam e eu perdi o jogo. Dei-lhe um encontrão que se veio a transformar em murros e pontapés. Acabámos os dois a sangrar do nariz e expulsos do café por um dos empregados, que nos pediu para nunca mais lá voltarmos.
Passámos a cumprimentarmo-nos nos corredores da escola, já que afinal de contas éramos conhecidos. Primeiro com alguma distância, mas depois o tempo curou a nossa zanga e tornámo-nos amigos. Bebemos as primeiras cervejas juntos e falávamos de Amor como se dominássemos o assunto. Não dominávamos, mas parecia que sim e só ele sabia de quem eu gostava mesmo.
Hoje, tantos anos depois, gostava de lhe poder dizer que uma dessas miúdas é a minha namorada, por quem estou apaixonado como quando andava no liceu. É essa a recordação que eu tenho da escola. De Amores transformados em lágrimas e lágrimas transformadas em abraços. É certo, mais um murro ou um pontapé à mistura.
Talvez hoje a escola não esteja a formar pessoas, não esteja a ensinar-nos a viver com o sucesso e com a derrota, ambos inerentes à própria vida. Talvez a competição instaurada entre alunos seja um erro e talvez a maior parte dos professores não tenha mais forças para realmente o ser.
Há qualquer coisa de errado nisto tudo, menos os putos.
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6.06.2013
eu sou feliz sendo prostituta
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6.04.2013
conversa 2016
Ela - Ando um bocado em baixo...
Eu - Eu também...
Ela - Vamos beber um copo hoje?
Eu - Eu preciso de alguém que esteja com boa disposição. Se me junto contigo, que também estás em baixo, ainda é pior...
Ela - Ah! É que eu, para ficar bem, preciso de estar com alguém que ainda esteja pior do que eu.
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6.03.2013
pensamentos catatónicos (297)
Hoje, não por acaso, lembrei-me dela. Nunca percebi se a Amei sem me apaixonar ou se me apaixonei sem a Amar. Só percebi o meu corpo clandestino, como um fugitivo sem papeis, a querer esconder-se no dela. Assim, sem cartão de cidadão nem passaporte, e ela a deixar sabendo que era ilegal.
Hoje, não por acaso, lembrei-me duma bebedeira de batidos de fruta mais uma guitarra com cinco cordas, um tapete na parede com dois cavalos e um rádio fanhoso a tentar captar a nossa atenção. Depois ela, e eu sem perceber se era a sorte ou o azar que me tinha levado até ali, àquela doce e terminável fonte de prazer.
- E agora? - perguntei
Hoje, não por acaso, lembrei-me do dedo indicador da mão direita dela a trancar-me suavemente os lábios, e os dela a dizerem shhhhhhhhh!, como se o silêncio fosse a única razão para estarmos ali fechados em nós mesmos, por uma só vez.
Hoje, não por acaso, lembrei-me de a ter levado ao autocarro, numa linha qualquer que ligava a rotunda da Boavista à cidade da Maia, e de eu ter ficado ali horas depois de lhe dizer adeus, acreditando que se ali ficasse talvez a tornasse a ver. E a cidade disse shhhhhhhh!
Hoje, não por acaso, lembrei-me que o Amor tem esta mania estúpida de, mais tarde ou mais cedo, nos vir dizer que não é bem assim. Que estávamos enganados e nos devemos sentir gratos por isso. E eu aqui, a concordar com ele, que me sinto grato por ter existido e por me lembrar dele. Hoje, não por acaso.
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5.30.2013
conversa 2015
Eu - Acho um absurdo.
Ela - E eu chego à conclusão que namorei dois anos com um banana...
Eu - Ou é um banana, ou ela tem qualquer coisa de muito especial que o faz aceitar isso.
Ela - O que é que pode ser tão especial assim?
Eu - Hum...
Ela - Já percebi. Agora tira esse ar de criança a pensar em doces!
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5.29.2013
pensamentos catatónicos (296)
Se não for o frio a ser o mais frio de todos, é um calor que é o mais quente. Também pode ser um shopping a ser o maior numa determinada área, uma equipa de futebol a ser a mais cara num determinado campeonato ou até, imagine-se, a mulher a ter as maiores mamas do mundo.
Em Portugal sublinhamos tudo o que é mais do que o resto. Temos o maior farol da península Ibérica em Aveiro, Lisboa tem o maior hipermercado do país e o jogador de futebol mais caro do mundo é português. Mais ainda, no Euro 2004 fizemos o maior logótipo humano da História, no Natal gostamos de ter a árvore de Natal mais alta da Europa e, por falar em Natal, também costumamos fazer os maiores desfiles de Pais Natal. Além disso, já perdi a conta aos maiores bolos, pães e feijoadas sobre pontes que se realizaram neste país.
Talvez este Verão não seja o mais frio dos últimos duzentos anos, mas se não o anunciassem assim, ninguém lhe ligava nada.
Não interessa como se é, interessa quanto se é desde que se seja o maior. Este país transformou-se num livro de recordes e, imagine-se, não é feliz.. E eu, que aprendi com a vida a detestar todos os que tentam ser mais do que os outros, ando aqui a tentar Amar o mais possível, sem ser aquele que Ama mais entre quem passa por mim.
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5.27.2013
conversa 2014
Eu - Não.
Ela - Não tens?!
Eu - Não. Esqueci-me do telemóvel em casa e nunca ando com relógio.
Ela - Como é que é possível alguém andar sem horas?!
Eu - Também andas, caso contrário não perguntavas.
Ela - Eu tenho o telemóvel, mas está na minha carteira e dá muito trabalho encontrá-lo.
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5.24.2013
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5.21.2013
conversa 2013
Eu - Hum... aquela em que finalmente, depois de anos a esforçar-me, tivemos sexo?
Ela - Essa mesmo.
Eu - Lembro, já foi há uns sete anos. Depois nunca mais...
Ela - Pois não. Acabo de perceber porquê.
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5.20.2013
conversa 2012
Eu - Não. Já nem falo com ele há bastante tempo. Porquê?
Ela - Constou-me que ele se anda a queixar da vida sexual que tem comigo.
Eu - Ah! Não sei de nada...
Ela - O que eu acho incrível é que ele a mim não me diz nada. Depois vai-se queixar aos amigos...
Eu - Não podes ter a certeza que ele se vai queixar aos amigos. Alguém pode ter inventado isso...
Ela - Deve ter queixado, deve...
Eu - Porque é que dizes isso?
Ela - Era muita coincidência inventarem isso exactamente na altura em que ele tem razões de queixa.
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5.18.2013
conversa 2011
Ele - Ainda me Amas?
Ela - Mais ou menos...
Ele - Mais ou menos?!
Ela - Sim, mais ou menos. Mas sabes isso, não sabes?
Ele - Ahn?!
Ela - Já estamos um bocado cansados um do outro. Sabes isso, não sabes?
Ele - Sei lá o que é que eu sei...
Ela - Preferes que te minta e te diga que estou louca por ti?
Ele - Se calhar prefiro.
Ela - Estou louca por ti. Amo-te muito. Sabe-te bem ouvir isto?
Ele - Não.
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5.17.2013
respostas a perguntas inexistentes (253)
Tomo café com a Cristina uma vez por outra. Na verdade, chamo-lhe a minha amiga dos cafés. Nunca saio com ela à noite, não vamos os dois ao cinema, nem sequer jantamos juntos uma vez que seja. Tomo café com ela de vez em quando, sempre depois do almoço. É que à noite noite, diz ela, gosta de ficar em casa sozinha.
Até que enfim que é sexta-feira, repetiu. Eu costumo sorrir. Menos hoje. Depois ela pediu-me explicações para o silêncio. Não me agrada a ideia de que a vida seja isto: andar cinco dias a suspirar pelo sexto. Pagámos os cafés, saímos, despedimo-nos e afastámo-nos. Telefonou-me três minutos depois a perguntar se podemos jantar um dia destes. Que sim, respondi.
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5.15.2013
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5.14.2013
conversa 2010
Eu - Não encontrei nada.
Ela - Não?! Pensava que tu e a Raquel...
Eu - Sendo muito sincero, nunca quis encontrar a minha alma gémea. Para quê?! Ia eu apaixonar-me por uma alma idêntica à minha?! Que grande seca! O que sempre procurei no Amor, foi encontrar uma alma diferente pela qual me apaixonasse.
Ela - Arranjas sempre forma de me confundir.
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5.08.2013
pensamentos catatónicos (295)
Os portugueses em geral detestam o vinho rosé. Inventaram-no, mas não o bebem, e dizem-no com orgulho. Tive uma namorada que me olhava de lado sempre que eu me servia um copo de rosé.
- Isso não é vinho! - tugia ela.
Eu gosto de rosé. Na verdade, posso dizer que adoro rosé. O rosé é o melhor de dois mundos: o mundo do tinto e o mundo do branco. Aliás, sempre que eu abria uma garrafa de rosé, ela abria uma de tinto ou de branco. Os dois bebíamos como se, naquele preciso momento, houvesse uma enorme cratera a separar-nos. Eu, sempre com a sensação que tinha mais mundo do que ela.
Namorámos, sei lá... talvez uns três meses. Quando ela se foi embora apertou-me a mão. Deu-me um passou bem, por assim dizer, e segredou-me que devia ter adivinhado que não podia ter uma relação com um homem que bebia rosé.
Perguntei-lhe se não me dava um abraço de despedida. Que não, respondeu ela. Os abraços dão-se quando existe Amor. Fiquei fodido. Vi-a fechar a portar de casa e, pela janela, afastar-se lentamente até se diluir no horizonte.
Os abraços dão-se quando são precisos, pensei. Eu precisava dum abraço. É esta mania das purezas que me revolta. Abraços puros, Amores puros e vinhos puros. Eu queria um abraço, mesmo que não tivesse a pureza do Amor. Precisava dele. O rosé, por exemplo, não é puro. Mas sabe bem...
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5.07.2013
conversa 2009
Eu - Fez-se a ti, como?
Ela - Perguntou-me se eu estava bem, depois começou a dizer que eu parecia muito bem e que sempre me achou muito bonita. Já na porta do prédio, disse-me que a relação dele com a mulher não está muito bem...
Eu - Sim, é conversa de engate.
Ela - Pois, mas ele é casado e com filhos. Pior ainda, eu conheço a mulher dele.
Eu - Também só o aturas se quiseres...
Ela - Sim, isso é verdade. Agora há duas hipóteses.
Eu - Que hipóteses?
Ela - Ou corto definitivamente com o gajo e deixo de lhe dar confiança, ou então vou uma vez para a cama com ele, na casa dele, e esqueço-me das minhas cuecas bem lá no fundo dos lençóis...
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5.06.2013
pensamentos catatónicos (294)
É por isso que evitamos chorar à frente dos outros. É também por isso que hesitamos em assumir que Amamos alguém. Por algum motivo que ninguém explica, mas todos nós compreendemos, sabemos que as emoções são uma fragilidade. De uma maneira ou de outra, talvez o Amor seja mesmo a maior fragilidade de todas. Aquela que faz de nós uma embalagem com as setinhas a indicar para que lado temos que estar virados para não quebrarmos.
Quebrar, como está escrito em alguns vidros, só em caso de urgência. É quando choramos, sorrimos ou gritamos pelo que está dentro de nós.
De Istambul trago muitas recordações. Algumas doces, outras nem por isso. Mas, agora que estou aqui sentado em casa numa manhã primaveril, só me pergunto como estará a mulher com quem me cruzei há uns dias atrás, numa estação qualquer do tram. Percebi que ela estava em dificuldade para entrar no cais.
O Istambulcard que ela passava no leitor automático dava erro e alguns passageiros, turistas na sua maioria, davam sinais de nervosismo e protestavam em línguas diversas. Voltei atrás, passei o meu passe na entrada dela e a passagem abriu como se fosse uma ampulheta a iniciar a contagem do tempo.
Reparei, por uns segundos, que ela estava a chorar. Nervosa, limpou os olhos com as mãos e só depois é que me agradeceu. Com um sorriso, porque percebeu que também eu não falava turco. Os nossos olhares tornaram a tocar-se quando ela entrou no primeiro tram e, ao afastar-se, me disse adeus com as mãos. Somos todos iguais.
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4.28.2013
conversa 2008
Eu - Não posso estar ao telefone contigo. Estou em Istambul e é muito caro.
Ela - Estás em Istambul? Sortudo.
Eu - Não posso é estar aqui ao telefone...
Ela - Estás a gostar?
Eu - Sim. Depois falamos...
Ela - Quanto é que foi a viagem?
Eu - Depois falamos.Pára de fazer perguntas. Olha! Vou desligar...
Ela - Nunca me queres ouvir...
Eu - Não é isso...
(fiquei sem saldo)
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4.25.2013
coisas que fascinam (160)
Lembro-me de acordar muito devagar, embalado pelo suave soluçar do comboio que atravessava a Europa, por sentir que alguém tinha entrado no mesmo compartimento onde, até então, eu tinha viajado sozinho. Quando abri os olhos vi uma mulher bonita, de olhos tão azuis como o céu que espreitava pela janela. Lia um livro cujo autor e título eu não conhecia. Estávamos algures na Alemanha, e desejei secretamente que ela se dirigisse para o mesmo e longínquo destino que eu, fosse ele qual fosse.
Lá fora, alguns telhados de casas pontilhavam uma misteriosa floresta densa e escura. De vez em quando, a espaços, algumas pessoas marcavam presença nas janelas ou nos quintais, uma demonstração de que ali existia vida humana. A paisagem, a mim, lembrava-me mais o cenário dum conto fantástico, povoado apenas por bruxas, duendes e espíritos milenares.
Num troço do percurso, sem motivo aparente, o comboio diminuiu bastante a velocidade, e tive a sensação que alguns espantalhos de palha e roupas velhas nos observavam com curiosidade. Entre dois desses espantalhos, uma criança que brincava a alguns metros de dois agricultores levantou-se e disse-nos adeus. Sorri perante aquele gesto, de levantar a mão direita e abaná-la como o pêndulo de um relógio antigo virado ao contrário, por concluir que faz parte duma linguagem universal, comum a quase todo o planeta. Talvez mesmo todo o planeta, pensei. Depois respondi fazendo exactamente o mesmo.
Reparei então que a viajante que entrara no meu compartimento me observava pelo canto do olho, mas quando lhe devolvi o olhar, ela voltou à sua leitura como se nela estivesse muito compenetrada. Aproveitei esse momento para a analisar ao pormenor. Tinha uma face bastante magra e o queixo saliente, supostamente capaz de fazer um sorriso bonito que eu não cheguei a conseguir ver. Era loira, ancas relativamente largas e oprimidas por umas calças pretas demasiado apertadas.
Por qualquer motivo que não percebi, fiquei com uma vontade enorme de falar com ela, de a conhecer, de saber de onde vinha, para onde ia e o que pensava do mundo. Levantei-me instantaneamente e tirei da mochila um termo de café quente que uma amiga me tinha oferecido em Paris, ao qual era possível subtrair duas canecas de plástico, e servi-me duma chávena fumegante. Depois, assim como quem não quer a coisa, perguntei-lhe em inglês se era servida. Para meu espanto ela disse que sim.
Era russa e viajava para a Ucrânia. Tinha saído nessa manhã de Lille, em França, e ia encontrar-se com a namorada em Kiev. Tinha medo de andar de avião, confessou antes de me começar a fazer perguntas sobre mim.
Tem que haver qualquer coisa de muito especial entre algumas pessoas, pensei eu, para que nos interessemos por trivialidades referentes a pessoas que acabámos de conhecer. E há mesmo. Apesar de eu nunca ter visto aquela mulher antes, era genuíno o meu interesse pela origem e passado dela.
Expliquei-lhe que vinha de Paris, onde tinha estado três dias, e não sabia para onde ia. No entanto, com alguma sorte talvez acabasse em Istambul dentro de um dia ou dois. Era verdade que nessa viagem eu não sabia para onde ia. Sabia apenas que quando aquele comboio chegasse ao seu destino, na Áustria, eu procuraria imediatamente outro para outro sítio qualquer. Istambul era apenas uma das cidades que eu mais queria conhecer, e portanto um dos possíveis destinos para quem se podia dar ao luxo de simplesmente mudar de direcção em qualquer momento.
- Vais ter com alguém? - Perguntou-me ela.
- Não. Estou a viajar sozinho.
- Não se deve ir a Istambul sozinho. É uma boa cidade para quando estamos apaixonados.
Não percebendo muito bem porque é que ela me disse aquilo, acredito que tenha sido o motivo para eu não ter lá ido. De certa forma, acreditei que o que podia ganhar ao visitar Istambul, poderia perder no exacto momento em que me visse sozinho e, portanto, sem ninguém para partilhar a experiência.
Passaram-se anos desde então, e nunca cheguei a visitar aquela cidade dos meus sonhos. Vou fazê-lo amanhã e durante a próxima semana, porque neste momento me encontro nas condições definidas por essa efémera companhia de viagem há muitos anos atrás.
Depois de todo este tempo, se algum dia a encontrar por aí, num dos escaninhos deste planeta, tenho a certeza que a poderei identificar pelo queixo. Talvez lhe agradeça o conselho. Talvez a veja sorrir. Talvez até lhe diga que já estou em condições de visitar Istambul.
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4.23.2013
Estarreja rules!
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4.22.2013
respostas a perguntas inexistentes (251)
É a hora do almoço e Dora não tem fome. Saiu da cama há apenas alguns minutos, depois de ter estado algumas horas naquele limbo delicioso que é vaguear entre o sono e a luz, espreguiçando-se espaçadamente como se fosse um gato sem preocupações. Por falar em gatos, o Kiko também só agora deu sinais de vida, miando desesperadamente ao pé da taça de comida vazia.
Ontem tiveram uma longa conversa os dois, Dora e o gato, que é o mesmo que dizer que ela passou toda a noite a falar consigo mesma, enquanto o felino ronronava fingindo compreensão. É motivo mais do que suficiente para ter inveja do Kiko, esta forma de viver cuja maior preocupação é o abastecimento da sua taça de comida. Quem lhe dera a ela conseguir preocupar-se apenas com o que se encontra dentro do seu frigorífico e da despensa. Não consegue, e por isso é que às vezes passa as noites em claro.
As conversas que tem com ela mesma são normalmente aquelas que não teve com quem era suposto. Nem quando era suposto. Ontem, por exemplo, teve um jantar silencioso com o marido. Nem sequer saber do que lhe queria falar, nem sequer sabe o que lhe queria ouvir. Sabe, no entanto, e com toda a certeza do mundo, que queria que as palavras de ambos se beijassem no ar. Não beijam.
É a hora do almoço e Dora não tem fome. Encosta-se à janela, de onde pode ver todo aquele formigueiro excitado que é Lisboa quando almoça. Pergunta-se quantas pessoas daquelas terão conversado com o seu Amor no jantar de ontem à noite. Não sabe a resposta. O gato também não.
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4.19.2013
conversa 2007
Ela - Estou outra vez solteira.
Eu - A sério?!
Ela - Sim. Eu e o Daniel acabámos ontem.
Eu - Então?
Ela - Então... eu sou muita mulher para ele. Ele não aguentava comigo...
Eu - Não acho que sejas mais pesada do que ele...
Ela - Bem, vou embora.
Eu - Já?!
Ela - Sim. Estar a falar contigo ou com uma parede é a mesma coisa.
Eu - Lá estás tu.
Ela - Percebes que eu não estava a falar do meu peso, nem do peso do Daniel?!
Eu - Estavas a falar de quê?
Ela - Estava a falar da maneira de ser. Ele não aguentava com a minha maneira de ser.
Eu - Pronto, desculpa. De qualquer maneira vai dar ao mesmo.
Ela - Ao mesmo?!
Eu - Sim. Também não acho que sejas mais chata do que ele.
Ela - Às vezes pergunto-me porque é que continuo a ser tua amiga...
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4.17.2013
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4.15.2013
pensamentos catatónicos (292)
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coisas sobre mulheres que leio nas portas de casas de banho públicas (6)
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4.11.2013
conversa 2006
Eu - É que corto o cabelo a mim mesmo com a máquina, percebes? Vou cortando até ficar todo igual, mas só consigo quando o pente é mesmo muito curto.
Ela - Ah! Já me aconteceu.
Eu - Já?! Não me lembro de te ver com o cabelo rapado.
Ela - Não foi na cabeça, totó!
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4.10.2013
respostas a perguntas inexistentes (250)
Todos no café ouviram, incluindo a mulher em quem aquele homem pousava brandamente os olhos. Era bonita, e também eu fizera o mesmo. Aliás, dei comigo a dar goles num copo de cerveja já vazio durante o processo. A mulher dele é que não gostou. Deu-lhe um puxão no braço e marcou território com aquele grito.
Eu gosto que a minha companheira de vida olhe para outros homens. Gosto até que suspire por eles. É a única forma que tenho de ter a certeza que ela me escolheu entre todas as possibilidades, apesar de haver muitas. Se ela olhasse só para mim, talvez andasse comigo apenas por ignorância.
Eu gosto de olhar para outras mulheres. Aliás, é depois de me deliciar com a sua presença que fico com a certeza de por quem estou apaixonado. Há tantas mulheres bonitas, que não pode ser só por isso que sinto isto que sinto. A definição de Amor, a existir, anda por aí.
Olhar para uma mulher bonita é o melhor dos museus. Apreciamos verdadeiramente aquilo que vemos, jogando ao mesmo tempo para que o nosso olhar não se torne invasivo. Mesmo que para isso tenhamos que dar um gole num copo de cerveja já vazio, vestir um casaco do avesso ou ir contra o poste dum sinal de trânsito.
Olhar para uma mulher bonita não significa ser voyeur. Significa, já que há tantas por aí, estar permanentemente a inspirar fundo como se estivéssemos a ver pela primeira vez as cataratas do Niagara.
- Não pares nada! - diria eu àquele homem.
Mas não disse.
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4.09.2013
conversa 2005
Ela - Ando a comer tão mal...
Eu - A sério?!
Ela - Sim.
Eu - Epá! Vou fazer umas pizzas para o jantar. Queres vir jantar aqui a casa?
Ela - Não me entendeste. Ando a comer demais.
Eu - Pensei que tinhas dito que andavas a comer mal.
Ela - E disse...
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4.08.2013
tenho marido na Ucrânia
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4.06.2013
conversa 2004
Eu - Vamos beber um copo?
Ela - Até ia, mas estou tão cansada que só me apetece dormir. Aliás, isto é sempre assim. Trabalho tanto durante a semana que passo os fins de semana a dormir. Quando finalmente me sinto em forma, já tenho que ir trabalhar outra vez.
Eu - Dito assim, é como se a vida te estivesse a passar ao lado.
Ela - E está mesmo. Não faço mais nada senão trabalhar, dormir e...
Eu - E quê?
Ela - E...
Eu - E sexo?
Ela - Não.
Eu - Ir ao cinema?
Ela - Não.
Eu - Ir às compras?
Ela - Nem por isso. É mesmo limpar a casa.
Eu - Desisto.
Ela - Eu também desisto.
Eu - Desistes?! Então bebemos um copo?
Ela - Não. Vou dormir.
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4.05.2013
respostas a perguntas inexistentes (249)
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4.02.2013
conversa 2003
Eu - Caramba! Dizes-me isso assim, porquê?
Ela - Desculpa. Estava a pensar alto. Acho que vou mandar uma mensagem ao meu namorado.
Eu - A dizer que hoje te apetece ter sexo?
Ela - Sim. É que quase nunca me apetece e ele anda um bocado chateado, mas hoje apetece-me.
Eu (silêncio)
Ela - Na verdade até anda amuado.
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