12.28.2012
conversa 1979
Eu - Vais deixar o teu namorado?
Ela - Credo! Achas que o meu namorado é um banana?
Eu - Não é bem isso. Desculpa, saiu-me.
Ela - Estava a falar do fruto chamado banana.
Eu - Ah! E porque é que tens que deixar as bananas?
Ela - Por causa dos meus intestinos...
Eu (silêncio)
Ela - Que cara é essa?!
Eu - Preferia não saber isso...
Ela - Não saber o quê?
Eu - Que tens que te deixar de bananas por causa dos intestinos...
Ela - Mas o que é que raio estás a pensar? Não sabes que as bananas prendem os intestinos?! Estou a falar de prisão de ventre, homem.
Eu - Ah!
Ela - Ah?!?! Mas o que é que tu estavas a pensar?
Eu - Em nada de especial. Mudemos de assunto.
Ela - Temos que voltar a essa de achares que o meu namorado é um banana.
Eu - Não acho nada disso. Foi apenas a primeira hipótese que pus, tu achares que ele é um banana. Eu cá não acho nada. Nem o conheço bem...
Ela - Não acredito em ti.
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12.26.2012
conversa 1978
Eu - Não há muitos, de certeza. Tu é que deves ter amigos fora do normal.
Ela - É o que eu estou a dizer. Os homens são todos igualmente fora do normal.
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outra pessoa acampada na nossa cabeça
Talvez a maior parte das pessoas não simpatize muita com esta fria interpretação científica do que é o calor do Amor, mas a própria Helen passa da sua observação cientifica para uma sua interpretação pessoal, pois também ela sabe o que é estar apaixonada. Dos processos químicos resulta que a outra pessoa acampa na nossa cabeça. Pois é.
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12.24.2012
conversa 1977
Eu - Bebes um uísque ou um porto?
Ela - Não, obrigado. Não me posso meter no álcool já ao almoço...
Eu - Tudo bem. Era só por ser Natal.
Ela - Por falar nisso, qual é teu maior desejo para 2013?
Eu - Arranjar emprego.
Ela - O meu também. Gostava de arranjar emprego.
Eu - Estamos na mesma...
Ela - E já agora também queria que o meu marido arranjasse emprego. E o meu irmão... e o meu filho...
Eu - Eu também já perdi a conta a familiares e amigos desempregados.
Ela - Afinal sempre aceito o tal uísque.
Eu (dando-lhe um copo) - Bem... feliz Natal.
Ela - Feliz Natal.
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12.23.2012
conversa 1976
Eu - Porquê?
Ela - O meu marido quer que passemos a noite de Natal na casa da mãe dele, eu quero passar na casa dos meus pais... enfim, é sempre a mesma luta todos os anos.
Eu - Porque é que não alternam de ano em ano? Um ano na casa dos teus pais, outro ano na casa da mãe dele...
Ela - Ele já propôs isso, mas eu não posso aceitar.
Eu - Porquê?
Ela - Porque quero todos os anos na casa dos meus pais e depois, o almoço do dia seguinte, já pode ser na casa do pai dele.
Eu - Ah! Pronto... tudo bem.
Ela - Tudo bem?!
Eu - Sim, para mim está tudo bem. Não tenho nada a ver com isso...
Ela - Pareces o meu marido. Também não discute, abana os ombros e aceita as coisas, mas depois amua e eu é que tenho que o aturar...
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12.21.2012
a segunda impressão
Apaixonado, perco muitas vezes o discernimento. O coração bate mais depressa e os pensamentos tropeçam nas palavras que me vão saindo da boca. Há uma sensação de euforia que se vai misturando com a de frustração, o que pode dar um cocktail emocional explosivo. Assim, apenas interessado, consigo apreciar a coisa com a Razão e, em abono da verdade, adoro isso. Adoro isso, claro, quando já estou apaixonado de forma correspondida e por isso não tenho a necessidade de me apaixonar mais.
Uma vez interessei-me por uma mulher sem estar apaixonado por ninguém. Vivia sozinho e, para ser muito sincero, acho que foi a única vez que me aconteceu. Foi estranho porque o que me interessou nela foi perceber que era uma mulher desprendida de tudo. Conheci-a numa festa em casa de uns amigos comuns, enquanto abria o frigorífico para tirar uma bebida e, como ela estava logo atrás de mim, lhe perguntei se queria cerveja ou vinho branco.
- Qualquer coisa! - disse estendendo-me um copo vazio de plástico.
Servi vinho branco aos dois e passámos o resto da noite a conversar numa enorme varanda que a casa tinha. Para além de desprendida, ela tinha uma surpreendente resistência ao álcool, de tal forma que bebemos uma garrafa de vinho cada um e ela, pelo menos aparentemente, ficou na mesma. Enquanto bebíamos e conversávamos, reparei que ela conhecia quase toda a gente naquela festa, onde deviam estar umas cinquenta pessoas, enquanto eu conhecia apenas três ou quatro.
Foi esse facto que fez com que ficássemos amigos. Quando lhe disse que ela era muito popular, ela respondeu que tinha tantos amigos que apenas costumava ficar sozinha na noite de Natal, o que achava óptimo. Ora, por essa altura também eu passava todas as noites de Natal sozinho, normalmente a jogar computador até de manhã.
Na noite de Natal, todas os nossos amigos estão com as suas famílias. Eu e ela, por assim dizer, estávamos divorciados e não tínhamos família para isso, por isso acabámos por combinar passar juntos a noite de vinte e quatro de Dezembro, que seria daí a três ou quatro dias. Passei assim, nesse ano, o Natal com uma mulher que mal conhecia.
Para além dum bacalhau assado com batatas e couves cozidas, enchi o frigorífico de vinho branco e esperei que ela chegasse para jantar, o que aconteceu à hora prevista. Abri a porta, ela entrou, cumprimentou-me e entregou-me uma prenda que me fez sentir um bocado envergonhado, pois eu não lhe tinha comprado nada. Era um moleskine.
Durante o jantar reparei em coisas dela em que não tinha reparado na festa. Por exemplo, que tinha um sinal no queixo e que uma das suas orelhas estava rasgada na parte inferior, como se alguém tivesse ali chegado e cortado a pele como se fosse uma folha de papel. Era magra e bastante bonita, de cabelos curtos muito pretos que contrastavam com a pele muito branca.
Quando acabámos a sobremesa ela fez-me um pedido muito estranho. Pediu-me que lhe indicasse uma cama, pois estava muito cansada e precisava dormir, e que escrevesse no moleskine, durante o sono, tudo o que pensava dela. Obedeci sem perguntar porquê.
Quando ela acordou já eu estava com o livro fechado e a caneta no bolso, bebericando um pequeno copo de uísque. Ela sorriu-me.
- Escreveste alguma coisa?
- Sim... como te conheço mal, chamei ao texto "a segunda impressão". A primeira impressão foi a que tive quando te conheci. Queres ler?
- Não! - respondeu ela sem hesitar.
- Não?!
- Não. Pedi-te que escrevesses sobre mim para que um dia mais tarde haja a possibilidade de leres isso e de te lembrares desta noite. Convenhamos que passar o Natal com uma mulher acabada de conhecer é estranho, e é essa a minha prenda para ti: uma memória única. Nunca fizeste isso com mais ninguém, pois não?
Arrumei o moleskine num armário, entre vários livros esquecidos e confortados pelo pó. Hoje, alguns anos depois, abri-o de novo pela primeira vez. Li o texto e regressei a essa noite, que foi tão estranha quanto agradável. Depois tornei a fechá-lo e coloquei-o no mesmo sítio. Foi a minha prenda de Natal, essa memória. A segunda impressão.
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12.20.2012
conversa 1975
Eu - Empresto. Qual é que queres?
Ela - Nem sei...
Eu - Queres um que dê para rir, um que dê para assustar ou um que dê para adormecer?
Ela - Chorar, quero um que dê para chorar.
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12.19.2012
maria
Boas festas!
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conversa 1974
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12.18.2012
conversa 1973
Ela - Tu não ligas o televisor?
Eu - Não tenho a antena ligada. Só vejo filmes em dvd...
Ela - Mas não gostas mesmo de televisão?
Eu - Há canais que gostava de ter, mas é muito caro. Mas quando estou na casa da minha namorada gosto de ver algumas coisas... ainda ontem vi um filme de boches.
Ela - Também só pensas em sexo...
Eu - Boches! Eu disse boches.
Ela - Boches?!
Eu - Sim. Não sabes o que é um boche?
Ela - Se não for sexo oral com papas de Nestum na boca, não sei.
Eu - Um boche é um militar alemão nazi... estava a falar de um documentário da segunda guerra mundial.
Ela - Ah! Nunca me passou pela cabeça que um nazi pudesse ter um nome tão... sei lá... tão apetitoso.
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pensamentos catatónicos (289)
Pelo canto do olho podemos ler as notícias do jornal do passageiro que vai ao nosso lado no autocarro, podemos copiar num teste de condução, podemos perceber que alguém repete a dose num jantar de amigos. Podemos até dar conta de que alguém está bêbado num bar ou simplesmente a olhar para nós. Aquilo que nunca fazemos pelo canto do olho, com toda a certeza, é contemplar.
Contemplar exige a abertura total da íris e da sua comunicação com o exterior ou, pelo contrário, que se fechem os olhos. É que fechar os olhos pode ajudar-nos a ver para dentro. François Guizot, politico e historiador francês, dizia que "a consciência é a faculdade que o homem tem de contemplar quanto se passa no seu íntimo, assistir à própria existência. Ser, por assim dizer, espectador de si próprio.".
O canto do olho não é senão uma forma de intrujice. Uma forma de, eventualmente, nos enganarmos numa paixão. Pelo canto do olho descontextualizamos o que queremos ver do que vemos realmente, e o que vemos realmente do mundo inteiro. O canto do olho é um lugar fechado, para fora e para dentro de nós.
Estava há bocado numa estação de metro da cidade do Porto, à espera de vir a apanhar um comboio em direcção a Aveiro. Estou, por vários motivos, um pouco triste, e apercebi-me de que estava a olhar para tudo e para todos pelo canto do olho. Agora vou fechar os olhos.
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12.17.2012
conversa 1972
Lembrava mas, tal como ela, também eu tinha dúvidas que ela se lembrasse de mim. As memórias são apenas a paisagem dum caminho estreito, que percorremos sós. Assim, por um momento, fiquei a olhar para o meu passado sem lhe ver o horizonte.
- Claro que lembro. Que patetice, então não me havia de lembrar? - Mas não era uma patetice.
Ela calou-se e fitou-me nos olhos, como se procurasse alguma coisa escondida em mim. Acho que sempre que perdemos alguma coisa noutra pessoa, os olhos são o primeiro sítio onde a vamos procurar. Deixei-me estar quieto, a ver o primeiro sinal de desilusão no seu rosto. O que quer que fosse que ela queria ver, não viu. Depois veio o silêncio.
- E então, que fazes? - Perguntei.
- Estou desempregada. Trabalhei muitos anos em Setúbal, em várias coisas...
- Eu também estou desempregado. Trabalhei sempre cá por cima, com alguns intervalos para trabalhos no estrangeiro...
Mas as palavras iam morrendo pouco a pouco, como que intoxicadas pelo desinteresse da banalidade. Temos os dois mais de quarenta anos e não nos víamos desde a adolescência, numa noite qualquer de Verão. Na verdade, foi essa a única noite em que a vi, e só me lembro que ficámos para trás de um grupo de vários amigos comuns que iam a uma discoteca qualquer. Passámos horas numa praia qualquer do Alentejo, onde fizemos da areia a nossa cama e do som do mar a nossa conversa.
Ela tornou a fitar-me nos olhos.
- Apaixonaste-te muitas vezes, desde então?
- Duas ou três. - respondi.
- Duas ou três?! Tens sorte.
- Sorte?! Porquê?!
- Eu já lhe perdi a conta...
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12.14.2012
respostas a perguntas inexistentes (240)
No ensino básico, em Matemática, ensinaram-me que um mais um é igual a dois. Deram-me como exemplo qualquer coisa tão estúpida como uma peça de fruta, creio que uma banana da Madeira, e explicaram-me que uma banana mais uma banana é igual a duas bananas. Erro crasso, passei a acreditar piamente nisso.
A Matemática, ou pelo menos a Álgebra, tem esta mania estúpida de escrever a vida sem a perceber. Até pode ser que uma banana mais uma banana seja igual a duas bananas, mas certamente que uma gota de água da chuva mais outra gota de água da chuva não é igual a duas gotas de água da chuva. Basta ver chover para perceber que o resultado é uma pequena poça de água.
Para piorar a coisa, o Marco Paulo veio cantar aos portugueses, creio que no princípio dos anos oitenta, que tinha dois Amores. Quem o ouvia dava conta de uma morena e de uma loira, deduzindo assim que um Amor mais outro Amor é igual a dois Amores. Pura mentira. Um Amor mais outro Amor é quase sempre igual a menos do que dois Amores. É uma questão de tempo. Mas a equação da soma ou subtracção do Amor é inócua de sentido, porque nela faltam sempre os factores que ninguém consegue entender.
Acredito que o Amor elevado à sua máxima potência é sempre igual a um. A partir do um, quanto mais se soma, menos se tem. Mesmo que a coisa não seja óbvia à primeira. O um é um número difícil de entender neste contexto, porque por ser o primeiro dos números inteiros nos parece sempre pouco. Um comparado com cem, por exemplo, assemelha-se a uma insignificância. No entanto, quando de Amor estamos a zero, buscamos o um como se fosse tudo. E é mesmo. Só que ninguém nos ensina isso na escola.
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12.13.2012
está uma noite óptima para nos pormos a caminho de lugar nenhum.
Estávamos de férias num parque de campismo há alguns dias, algures no norte do país, ambos hesitantes em começar um romance. Era de noite. Por um lado queríamos dormir juntos, por outro tínhamos medo de o fazer. Acho que é sempre assim quando se gosta muito de alguém mas não se está apaixonado. Perguntei-me muitas vezes sobre o que devia fazer naqueles momentos em que nos abraçávamos ou encostávamos a cabeça um no outro. E agora? Beijo-a? Digo-lhe que a Amo? Nunca me decidi por nada, a não ser por lhe dizer a coisa mais absurda do mundo. Do nada.
- Está uma noite óptima para nos pormos a caminho de lugar nenhum.
Ela olhou para mim e, ao contrário do que eu tinha imaginado, concordou com a minha ideia nonsense. Obrigou-me a desmontar a tenda, a arrumar a mochila e, depois de acordar um homem que dormia ao balcão da recepção, acabámos por nos pôr a caminho através das estradas sinuosas do distrito de Bragança, onde tínhamos chegado de autocarro e à boleia de um amigo.
Caminhámos a noite toda numa conversa amena, até a Lua se cansar de nos ouvir e se ir embora sem dizer adeus. Lembro-me que acabámos por montar a tenda junto a uma curva onde havia uma fonte e, a alguns metros, uma árvore com sombra suficiente para não morrermos com aquele calor abrasador próprio do Verão transmontano. A minha tenda montava-se em três segundos. Bastava atirá-la ao ar e já estava. Foi o que fizemos e, dado o cansaço, adormecemos imediatamente os dois.
Não me costumo lembrar dos meus sonhos, mas sei que nessa tarde sonhei com ela e com as histórias que ela tinha acabado de me contar nessa viagem a pé pela Via Láctea. Era uma história qualquer sem grande romance, mas que eu tinha ouvido com a maior das atenções. Era sobre coelhos.
Ela gostava muito de animais, particularmente de coelhos. Tanto, que fazia colecção de coelhos de toda a espécie e feitio: de peluche, de louça, de plástico e até um de arame, feito por um artesão boliviano qualquer com quem tinha namorado no passado. Quando o tal artesão voltou para a Bolívia ainda estavam apaixonados,. Ele prometeu-lhe fazer um coelho tão grande quando lá chegasse, que ela havia de o ver deste lado do Atlântico. Durante muito tempo, apesar de ela não acreditar que isso fosse possível, ia à janela todos os dias para procurar o tal coelho gigante.
Pois bem, eu sonhei que tinha construído esse coelho. Era tão grande que, quando estávamos em cima dele, podíamos praticamente tocar nas nuvens. Acho que acordei no momento em que lhe perguntei se ainda se lembrava do boliviano e ela me respondeu que tinha esperança que ele, da janela de casa dele, visse aquela minha construção e se lembrasse dela.
Quando lhe contei o sonho, que ao fim e ao cabo não passava dum sonho estúpido, ela riu-se e deu-me um beijo furtivo nos lábios. Depois tirou duas maçãs dum saco de plástico, limpou-as à própria camisola e deu-me uma enquanto trincou a outra de forma a prendê-la na boca.
Esse foi o único beijo que demos, mas a verdade é que sinto que gostei realmente dela, sem nunca me ter apaixonado. É uma sensação difícil de explicar porque nunca foi clara para mim próprio. Para ela, aliás, também não. De tal forma que quando acabámos por ter uma conversa séria sobre o assunto, sobre a nossa proximidade tão pouco consumada fisicamente, ela respondeu-me que o melhor, quando estivéssemos a sentir que íamos passar uma certa barreira, era começarmos a caminhar para lugar nenhum.
Percebi-a imediatamente e, apesar da minha ideia ter vindo do nada, acabou por encontrar o seu próprio contexto.
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12.12.2012
conversa 1971
Eu - Já lho disseste?
Ela - Não. Doze anos deviam dar para ele perceber ou adivinhar.
Eu - Isso de que os companheiros sexuais têm que adivinhar os desejos dos outros é um mito urbano. O melhor é dizeres-lhe.
Ela - Dizer-lhe, dizer-lhe... não posso fazer isso.
Eu - Porquê?
Ela - Agora é tarde demais.
Eu - Tarde demais?
Ela - Sim, se eu lhe dissesse agora algumas coisas, ele ia perguntar porque é que eu não lhe disse antes.
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12.11.2012
conversa 1970
Eu - Até que enfim que te apanho. Preciso falar contigo.
Ela - Apanhaste-me na casa de banho.
Eu - Okay, desculpa. Ligo-te daqui a cinco minutos.
Ela - Não, não. Diz agora, que é o momento certo.
Eu - Não estás na casa de banho?
Ela - Estou. É na casa de banho que aproveito para fazer os meus telefonemas todos, ler revistas e livros, etc. Além disso, não saio daqui a cinco minutos, mas sim daqui a uma hora, mais ou menos.
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12.10.2012
coisas que fascinam (156)
Passei este fim de semana fechado em casa. Desde sexta-feira à noite até segunda de manhã, apenas saí uma vez para uma rápida refeição de fast food. De resto, não falei com ninguém a não ser pelo telefone. Em pouco mais de sessenta horas entre paredes vi oito filmes (documentários e ficção), li dois romances, ouvi alguns (não sei quantos) discos de música e joguei computador. Deitei-me duas vezes às seis da manhã e levantei-me por volta do meio-dia.
A minha alimentação, para além duma refeição pobre no Burguer King que não tenciono repetir nos próximos anos, passou por duas garrafas de vinho, umas fatias de presunto comidas directamente da embalagem, algumas fatias de queijo, pão, quatro ou cinco dióspiros, mousse de chocolate caseira e uma alface. Na única vez que cozinhei fiz arroz de peixe com tomate e coentros. Também bebi dois cafés sem açúcar e três ou quatro uísques Bushmills. Alguma louça suja acumulou-se na banca da cozinha e o mesmo aconteceu com a roupa num canto do quarto.
Tirei um fim de semana para viver sem regras, como se não existisse ninguém no mundo a quem a minha vida dissesse respeito, totalmente entregue às minhas vontades pontuais. Fiquei a conhecer melhor o sofá da minha sala e as minhas estantes onde guardo livros e discos.
Vivi satisfeito, como se não precisasse de mais ninguém à minha volta, nem sequer dessa coisa que já tanta falta me fez e que dá pelo nome de Amor. E, no entanto, só o consegui fazer porque a tenho, mesmo ao meu lado e à distância duma chamada telefónica ou dum pensamento fugaz. Para conseguir estar sozinho é preciso não estar só. Essa é apenas umas das maiores vantagens de estarmos apaixonados.
Qualquer dia repito...
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12.07.2012
conversa 1969
Ela - Ainda tens um televisor destes antigos?
Eu - Tenho e vou continuar a ter durante algum tempo.
Ela - Porque é que não compras um plasma?
Eu - Não tenho dinheiro para isso agora.
Ela - Eu também não tinha e comprei na mesma...
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pelo dedo mindinho do pé
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