9.21.2010

conversa 1597

Ela - Só a partir dos trinta e poucos anos é que me apercebi do que é ter sexo a sério.
Eu - Desde que te divorciaste, queres tu dizer...
Ela - Pois.
Eu - Preferia que não me dissesses isso.
Ela - Porquê?
Eu - Sou amigo do teu ex-marido e às vezes até bebo um copo com ele...
Ela - Por isso mesmo é que te digo isto.
Eu - Por isso mesmo? Não queres que eu lhe vá dizer que tu me disseste que não gostavas dele na cama, pois não?
Ela - Querer não quero, mas podes dizer à vontade.

lista de natal. epá! as gajas não tinham dinheiro?

Nos anos 50 as mulheres tinham o trabalho facilitado para o Natal. As listas de prendas já vinham publicadas em revistas e elas só tinham que escolher, chorar um bocadinho, e o marido comprava. Claro que a lista era só coisas úteis para elas poderem diverti... hum... hum... ter a vida doméstica facilitada. Pois...

Esposas, vejam este anúncio cuidadosamente. Façam um círculo à volta dos itens que querem para o Natal. Mostrem-no aos vossos maridos. Se ele não for ao armazém imediatamente chorem um pouco. Não muito. Só um pouco. Ele vai, ele vai.
Maridos, vejam este anúncio cuidadosamente. Escolham o que as vossa mulheres querem e vão comprar. Antes que elas comecem a chorar.

9.20.2010

couscous no mercado

amanhã, dia 21 de Setembro, é noite de Couscous Prosjekt no Mercado Negro.

conversa 1596

Ela - Qual foi a coisa mais maluca que fizeste por causa duma mulher?
Eu - Não sei... sei lá.
Ela - Ora pensa bem.
Eu - Talvez ter trepado a um segundo andar pelas varandas dum prédio quando era puto.
Ela - Fizeste isso?
Eu - Sim, uma vez. E tu? Qual foi a coisa mais maluca que fizeste por causa dum homem?
Ela - Bem... agora que falas nisso talvez tenha sido deixar que um gajo trepasse à minha janela pelo exterior do prédio.
Eu - O quê? Isso aconteceu-te mesmo?
Ela - Aconteceu... mas eu vivia num rés do chão.
Eu - Ah! Isso é fácil.
Ela - Pois é. Eu devia era ter obrigado o gajo a trepar dois ou três andares na casa duma vizinha...
Eu - Devias? Para quê?
Ela - Quando somos miúdas dá-nos gozo ver os rapazes perdidos a fazer essas figurinhas para nos impressionar.
Eu - Sim, esta conversa é a prova de que são os homens que andam sempre atrás das mulheres e não contrário.
Ela - Isso é verdade mas só até aos trinta anos.
Eu - Só até aos trinta?
Ela - Sim... aos trinta começamos a querer ter filhos.

os que não o estão...

É quando estou apaixonado que reparo mais facilmente nas pessoas que não o estão. Eu, porque estou apaixonado, não tiro os olhos da praia que corre do lado de lá da janela do comboio, como se ela me estivesse a convidar para ir lá com por quem me apaixonei; quem não está apaixonado viaja sempre a olhar para o chão ou a desviar o seu olhar do dos outros. Eu, porque estou apaixonado, bebo o copo de vinho ao almoço em suaves e prolongados goles, daqueles que acabam com um doce lamber dos lábios e um "ah!" saído do interior do peito; quem não está apaixonado bebe-o sem lhe perceber o aroma.
É quando estou apaixonado que reparo mais facilmente nas pessoas que não o estão, e é então que reparo que quase ninguém o está. Hoje de manhã as pessoas foram ocupando os bancos do comboio um a um, preferindo sempre os lugares mais vazios e distantes dos que já estavam ocupados. Ao almoço, depois de terminado o processo de mastigação, fiquei a saborear o que sobrava do vinho e do tempo entre mesas já abandonadas com copos deixados a meio. É como se todos se evitassem uns aos outros constantemente e não tivessem tempo para viver. Só para sobreviver.
É quando estou apaixonado que reparo mais facilmente nas pessoas que não o estão. Acabei o vinho a perceber que a diferença entre estar e não estar apaixonado é a mesma que distingue a vivência e a sobrevivência. Nada de novo, a não ser o facto de perceber que sobrevivi a isso...

9.19.2010

conversa 1595

Ela - Estou tão cansada. Não dormi nada esta noite.
Eu - Insónias?
Ela - Dormi com um gajo, um engate de ontem, que deixa a janela toda aberta. Logo de madrugada acordei com a luz do Sol a entrar no quarto. Eu só consigo dormir com tudo escuro...
Eu - E porque é que não fechaste a janela?
Ela - Ele estava a ressonar tão alto que achei melhor levantar-me de fininho, vestir-me e vir embora tomar café. Também não consigo dormir com barulho...
Eu (risos) - Então... e vieste embora assim? Quando ele acordar e não te vir pode ficar confuso.
Ela - Não. Eu avisei a mãe dele que ia embora porque não estava a conseguir dormir.
Eu - Espera aí. Desculpa lá a curiosidade, mas foste dormir a casa de um engate fortuito e a mãe dele estava lá?
Ela - Sim... um gajo com quase quarenta anos que deixa a janela aberta durante a noite, ainda vive com a mãe e ressona alto não pode ser grande coisa.
Eu (mais risos)
Ela - Agora só quero esquecer este fim de semana e ver se não encontro o gajo por aí nos próximos dias.
Eu - Eu acho que ele te vai telefonar mal acorde.
Ela - Não... o número de telefone que lhe dei é falso.

9.17.2010

conversa 1594

Ela - Preciso de um homem para ir ao cinema comigo este fim de semana.
Eu - Eu até posso ir. Qual é o filme?
Ela - Ainda não sei. Sei que o meu ex vai ao cinema com a namorada dele e eu quero aparecer lá de braço dado a um gajo qualquer.
Eu - O teu ex conhece-me e sabe que tu não és minha namorada.
Ela - Tens razão, não serves. Tens algum amigo que me possa ajudar?
Eu - Mas... tu estás bem? A ti basta-te estalar os dedos e de certeza que tens muitos homens para ir contigo ao cinema, jantar contigo ou o que te apetecer.
Ela - Mas isso não quero. Quero um gajo que vá comigo e depois não me chateie mais.
Eu - Ahn?
Ela - Não quero que o meu ex pense que eu não consigo arranjar nenhum homem para companhia. Ao mesmo tempo estou numa fase em que prefiro não ser incomodada por nenhum ser que tenha o órgão sexual no lugar do cérebro...

conversa 1593

Ela - Tens uns óculos novos?
Eu - Tenho. Como é que reparaste? São tão parecidos com os outros...
Ela - Estão limpos.

9.16.2010

couscous depois do jantar

Hoje à noite há Couscous no Clandestino bar em Aveiro, a partir das onze da noite, mais coisa menos coisa...

conversa 1592

Ela - Finalmente consegui que o meu marido faça alguma coisa lá em casa.
Eu - Conseguiste o quê?
Ela - Que o meu marido ajude um pouco nas tarefas domésticas lá em casa.
Eu - Ah! E como?
Ela - Dou-lhe as meias e cuecas para dobrar no princípio de um jogo de futebol e ele dobra tudo enquanto o vê na televisão.
Eu (risos) - Só o deixas ver o jogo na televisão se ele fizer isso, é?
Ela - Não... mas se o fizer prometo que o deixo em paz e nem sequer entro na sala.

conversa 1591

Ela - Ainda tens aquele livro que eu te emprestei?
Eu - Qual livro? Não me lembro de me teres emprestado nenhum livro...
Ela - Ok, era só para saber.
Eu - Só para saber o quê?
Ela - Se tinhas algum livro meu em tua casa. É que empresto tantos livros que já nem sei onde está a maior parte deles.
Eu - Podias ter perguntado directamente se eu tinha ou não algum livro teu.
Ela - Pois podia, mas aí tu ficavas a saber que eu não tinha a certeza se te tinha ou não emprestado algum.
Eu - E não confias em mim?
Ela - Não tem a ver com confiança. É uma questão de método.

9.13.2010

voar pela primeira vez

A minha filha faz anos hoje e nunca voou. Para festejar a data vou voar com ela pela primeira vez até Madrid e volto um dia depois. Não sei porquê mas apeteceu-me dizer isto, talvez por gostar da expressão "voar com a minha filha pela primeira vez". Só isso. E de repente acho que Madrid esteve ali sempre à espera deste dia.
Esta sensação de que uma imensidão esperou por nós uma eternidade é dum profundo egoísmo, admito, e acho que é por isso que só acontece em casos de amor.

conversa 1590

Ela - Ando tão ansiosa.
Eu - Andas?
Ela - Sim. É como se estivesse à espera que alguma coisa acontecesse na minha vida.
Eu - Alguma coisa? Mas o quê?
Ela - Não sei. Ainda não aconteceu.
Eu - Estás a gozar?
Ela - Não, deixa lá. Isto é mais uma das coisas que os homens não percebem.
Eu - Os homens não percebem a ansiedade duma mulher que está à espera duma coisa que não sabe o que é... muito bem...
Ela - Não sabe o que é mas sabe que vai acontecer.
Eu - Estou curioso. Quando acontecer diz-me para ver se eu percebo.
Ela - Está bem. Se puder dizer...
Eu (silêncio)
Ela - Mas escusas de olhar para o relógio. Não vai acontecer hoje.

conversa 1589

(ao telefone durante a noite)

Ela - Como é que estás?
Eu - Bem... mas com dificuldades em dormir.
Ela - Insónia?
Eu - Não é bem... é mais por tua causa.
Ela - Por minha causa? Mas eu estou na minha casa e tu na tua.
Eu - Exacto.

respostas a perguntas inexistentes (105)

alfinetes

Há poucas histórias sóbrias sobre o Amor que me interessem. Acho que as boas histórias sobre Amor são sempre histórias embriagadas. A mesma coisa se passa com o álcool. Há poucas bebedeiras que me interessem se não estiver apaixonado. Talvez os estados de ébrio e de apaixonado sejam mesmo semelhantes.
O Amor, no entanto, está muito longe de ser um gajo porreiro que bebe uns copos e conta histórias. Sabe quem já se apaixonou por uma mulher que não se apaixonou por ele. Sei-o eu, sabemo-lo todos. Aliás, a maior parte das conversas que tive com esse gajo foram tristes, acho eu, em frente a um mapa cheio de alfinetes.
É que também sei que as mulheres por quem me apaixonei e que nunca se apaixonaram por mim se foram transformando em alfinetes espetados num mapa, como aqueles que indicam os lugares que nunca visitámos mas queríamos visitar um dia.
Hoje por acaso tive uma conversa feliz com ele. É que o mapa só tem um alfinete e eu já o visitei. Acho que ele queria falar mais, mas eu disse-lhe que há poucas histórias sóbrias sobre o Amor que me interessem...

9.12.2010

conversa 1588

Ela - Há pessoas que detesto mesmo sem as conhecer de lado nenhum.
Eu - Não te preocupes. Isso é mais normal do que possas pensar...
Ela - É?
Eu - É. Pelo menos eu acho que sim.
Ela - Que tipo de pessoas detestas tu?
Eu - Sei lá... olha, por exemplo, pessoas racistas detesto de certeza.
Ela - Eu detesto as pessoas que me detestam a mim.

9.11.2010

conversa 1587

Ela - Lembras-te daquele rapaz de quem te falei?
Eu - Aquele com quem saíste algumas vezes?
Ela - Sim.
Eu - Lembro.
Ela - Esquece. Já não vai dar nada com ele.
Eu - Fiquei com a impressão que até estavas a gostar dele...
Ela - E estava... mas... na hora da verdade não gostei e desisti.
Eu - Na hora da verdade? Mas quê? O sexo correu mal? Isso às vezes corre mal a primeira ou a segunda vez mas depois vai melhorando...
Ela - Qual sexo qual quê? A hora da verdade foi o restaurante que o gajo escolheu para me levar a jantar fora a primeira vez. Que restaurante de merda.

pensamentos catatónicos (218)

As mulheres são boas

Estou perfeitamente convencido que por norma as mulheres são boas. Boas pessoas, quero eu dizer. Preocupam-se com o bem estar dos outros como nenhum homem o faz. Talvez isso tenha, de facto, a ver com questões biológicas ou talvez não. Sei lá. Sei que não é por acaso que elas deixam os homens convencerem-se que mandam nisto tudo e que o modelo social em que vivemos é masculino. É por serem boas. Os homens não mandam nada e só se apercebem disso quando se apaixonam. Mas mesmo quando um homem se apaixona por uma mulher, ela deixa-o convencer-se que ele manda em tudo. Em tudo menos nela, e que essa excepção se deve à grande força da natureza que é o Amor.

respostas a perguntas inexistentes (104)

A dança dos machos

Há uma relação directa entre o mundo do amor nas aves e na nossa espécie. Percebi isso ontem enquanto bebia uma cerveja num bar em Aveiro onde outra mesa era ocupada por uma mulher também sozinha. Uma mulher sozinha num bar nunca é uma coisa qualquer, é uma ilha para onde alguns homens querem navegar mas não têm permissão para aportar. Por isso pedem-na, e pedem-na da mesma forma que uma ave macho qualquer o faz para conseguir acasalar, ou seja, realizando performances pouco discretas para chamar a atenção.
Um grupo de homens entrou na sala e começou imediatamente a dança do acasalamento. Todos pediram cerveja, o que para além de mostrar alguma maturidade ajuda a ganhar alguma coragem. Imediatamente subiram o tom da voz, entrando numa conversa em que todos falavam sem se ouvirem uns aos outros. Mas eu (e já agora o bar inteiro) ouvia tudo. Fiquei a saber que estavam todos disponíveis, que todos tinham uma vida agitada e interessante, ou porque um praticava desporto ou porque o outro andava a ser perseguido no emprego por ser o melhor naquilo que faz.
As aves macho fazem mais ou menos o mesmo: abrem as asas e erguem o rabo em redor da fêmea enquanto cantam. Esta fêmea não lhes ligou nada e saiu depois da bebida. Eles baixaram todos o nível de intensidade vocal e eu lá pude escrever o que acontecera num bloquinho para não me esquecer. Depois também saí. Nenhuma fêmea me ligou nada durante a noite inteira.

9.10.2010

conversa 1586

Ela - Às vezes acho que é mais difícil de suportar o ciúme dum amigo do que o ciúme de um ex-namorado.
Eu - Não percebi.
Ela - Para mim, se um amigo meu deixa de me telefonar com regularidade porque arranjou uma namorada é pior do que ver o meu ex-namorado com uma namorada nova.
Eu - Ah! Porquê?
Ela - Porque a um amigo não consigo desejar mal, a um ex-namorado normalmente só quero é que a vida lhe corra mal.

pensamentos catatónicos (217)

Acho que o mais difícil de compreender numa mulher, ou seja, em todas as mulheres que tive o prazer de conhecer intimamente até hoje, é o síndrome da inexplicável e repentina alteração de humor.

9.09.2010

ausência

Este blogue esteve um pouco parado esta semana por motivos pessoais, ou seja, a administração do meu local de trabalho/executivo PSD da Câmara Municipal de Espinho deixou de me pagar o salário sem explicar nada a ninguém nem dar satisfações. Como devem percebem facilmente, trabalhar e não receber tem implicações directas no dia-a-dia de qualquer pessoa, para além da óbvia falta de respeito por mim que o facto demonstra, tive que me mexer para conseguir pagar algumas das minhas obrigações mensais. Daí a minha ausência. Era só para vos explicar...

conversa 1585

Ela - Convidei um amigo meu para o meu aniversário, ele agradeceu e disse-me que ia pedir permissão à mulher para aparecer. Acreditas nisto?
Eu - Acreditar, acredito...
Ela - Mais uma relação em que a mulher é que manda.
Eu - Sim... pelo menos parece. Mas também parece que ele aceita bem isso.
Ela - Aceita mais ou menos. Depois admitiu que até prefere que ela não o deixe.
Eu - Que não o deixe? Porquê?
Ela - Porque se ela não deixar vir ao meu aniversário depois não tem coragem para não o deixar ir ao futebol no fim de semana.

9.03.2010

conversa 1584

Ela - Estou farta daqueles beijos entre marido e mulher em que os só os lábios é que se tocam...
Eu (risos) - Estás? São assim tão maus?
Ela - Não é que sejam maus, pá, mas quando me casei pensei que ia ter beijos de língua todos os dias.
Eu - Pois... com o tempo os beijos de língua vão-se transformando em beijos mornos, sim...
Ela - E eu que tive tanto cuidado para escolher um marido que lavasse bem os dentes.

bacalhau à brás

Esta semana tive muito pouco tempo para vir até aqui, o que na verdade me deixa com uma pedrinha na alma. Hoje, pelo menos, poderão ler a última crónica de engate, crónicas de engate essas que a partir de agora serão publicadas no site amulher.com. Hoje saiu a primeira e chama-se Bacalhau à Brás.

9.02.2010

conversa 1583

(no café)

Ela - Caraças, pus açúcar no café.
Eu - E depois?
Ela - Decidi que não bebo mais café com açúcar. Estou a ficar muito gorda.
Eu - Fazes bem.
Ela - Faço bem?! Estás a dizer que estou gorda?
Eu - Não, estou só a dizer que fazes bem. Toda a gente sabe que se deve controlar o consumo de açúcar.
Ela - Hum...
Eu - E desde quando é que tomas o café sem açúcar?
Ela - Na verdade esta ia ser a primeira vez.

9.01.2010

conversa 1582

Ela - Já alguma tiveste a sensação de que uma relação pode não funcionar apesar dos envolvidos gostarem muito um do outro?
Eu - Hum... já, já tive.
Ela - É a sensação que eu ando a ter agora. Passo a vida a discutir com o meu marido apesar de gostar muito dele e acho que não aguento mais...
Eu - Às vezes essa sensação é temporária. Há fases melhores e fases piores em todas as relações.
Ela - O pior é que eu estou nesta fase desde que me casei.
Eu - Desde que casaste?
Ela - Bem... desde o dia seguinte ao casamento. Nesse dia discutimos logo no Hotel onde passámos a noite de núpcias por causa de qualquer coisa que já nem me lembro.
Eu - Há quanto tempo casaste?
Ela - Há dez anos.

8.27.2010

azul/vermelho

E sobre mulheres que amamos sem conhecer, a simpática Ana, dona do café, atribuiu-me um prémio à mesa do mesmo. A mulher que eu amava vestia-se sempre de vermelho menos nos dias em que eu a via, em que se vestia de azul...

conversa 1581

Eu – Lembras-te de mim no liceu?
Ela – No liceu?
Eu – Sim, no liceu. Eu estava completamente apaixonado por ti e sempre todo corado a mandar-te olhares...
Ela – Até termos sido apresentados hoje nunca tinha visto a tua cara.

respostas a perguntas inexistentes (103)

Passei a acreditar que o Amor é sempre uma coincidência. Aliás, convenci-me que o mundo se faz exclusivamente de coincidências para que o Amor seja sempre uma. É-nos agradável pensar na sorte que tivemos em encontrar alguém, e escusamos de pensar que se não fosse essa a dar-se seria outra qualquer. É por isso que quando vivemos um amor o mundo é o primeiro a quem nos lembramos de agradecer. E agradecemos-lhe sempre, nem que seja pelo simples facto de o percorrermos com um ar feliz.
O problema das coincidências é terem a mania que se fazem sozinhas e que depois vêm ter connosco. Não vêm. Somos nós os pais e as mães de todas as coincidências que se passam à face da Terra e temos que fazer por elas.

conversa 1580

Ela – Não percebo o motivo... alguns homens agem como se estivessem apaixonados por nós, levam-nos a acreditar que temos algum futuro juntos e depois, de repente, desaparecem...
Eu – Hum... para ser sincero já fiz isso e já me fizeram isso. Não acho que seja uma questão de género.
Ela – Eu nunca fiz isso a ninguém e não percebo por que motivo se faz.
Eu – Acho que às vezes é uma incerteza, só. Não se tem a certeza se se quer dar o segundo passo, mas para saber se se quer ou não há que dar o primeiro. Percebes?
Ela – Percebo que isso é uma desculpa de mau pagador para um gajo que mente a uma mulher quando diz que a ama.

8.26.2010

conversa 1579

Ela - O meu problema com os homens passa pelas fotografias.
Eu - Que fotografias?
Ela - As fotografias deles.
Eu - Não percebo...
Ela - Já dei por mim várias vezes, depois de começar a namorar com um homem, a olhar para a fotografia dele e a pensar: "Eu não gosto deste gajo".

8.24.2010

vinte

Lembrei-me hoje que o índice ívariano, que reflecte o meu estado emocional e amoroso, está no 20 desde Dezembro de 2008.

como ele e ela cozinham arroz de legumes...

ele:
1] Corta a cebola, o alho e os legumes todos colocando-os em recipientes diferentes pela ordem com que os vais usar.
2] Coloca num copo o arroz que vai usar e enche dois copos iguais com água.
3] Enche o fundo do tacho com azeite e frita um pouco o arroz com a cebola e o alho.
4] Põe os legumes no tacho, um a um, e faz o refogado.
5] Despeja os dois copos de água, deixa ferver.
6] Tempera a gosto.

ela:
1] Enche o fundo do tacho com azeite e põe ao lume.
2] Atira com todos os legumes para cima da banca enquanto telefona à melhor amiga para contar que o ex-namorado dela se vai casar com uma gaja feiosa.
3] Procura o tacho no armário outra vez porque entretanto se esqueceu que ele já está ao lume.
4] Como o azeite já está quentíssimo corta a cebola e o alho à pressa e corta-se num dedo. Põe lá dentro o que conseguiu cortar e algumas gotas de sangue.
5] Vai à casa de banho procurar um penso rápido, aproveita e traz a "Dica da Semana" que estava junto da sanita para ler enquanto cozinha.
6] Repara que ainda tem o telefone no ouvido apesar de já ter acabado telefonema no ponto 2.
7] Desliga o fogão para ter tempo de cortar os legumes.
8] Põe os legumes na panela mais algumas gostas de sangue e diz duas asneiras por se ter esquecido de pôr o penso rápido no dedo.
9] Despeja água a olho e acende o lume.
10] Tempera a gosto.

conversa 1578

Ela - É incrível como uma mulher muda com a vida.
Eu - Então?
Ela - Quando eu era novinha sentia-me muito mais atraída pelos rapazes que não gostavam de mim do que pelos que demonstravam interesse.
Eu - Era?
Ela - Sim...
Eu - Ok...
Ela - Agora, a única coisa que me interessa num homem é que ele goste de mim.

respostas a perguntas inexistentes (102)

As pessoas que marcam lugar têm uma grande probabilidade de falhar no Amor. Hoje estive algum tempo sentado na praça da alimentação dum shopping do grande Porto e vi uma mulher atirar-se desalmadamente para uma das poucas mesas disponíveis. Depois tirou o casaco e cobriu-a com ele antes de ir para uma slow fila duma casa de fast food. Quando voltou trazia a comida e o marido, com quem passou o jantar a discutir por ele se ter atrasado numa loja qualquer. Fez-de de vítima e de heroína, por ter conseguido arranjar aquela mesa.
O Amor não marca lugar. Procura-o quando já tem o tabuleiro na mão mesmo que demore mais a encontrá-lo. Aliás, procura-o quando já tem o tabuleiro na mão precisamente para que demore mais a encontrá-lo. É que o corpo alimenta-se do que está no tabuleiro e o Amor alimenta-se dessa procura, dos olhares que nela se cruzam, dos ombros que nela se tangem, dos cheiros que nela se misturam. O Amor é só uma probabilidade, não é uma marcação.
Marcar um lugar desta forma é virarmo-nos de frente para esse pequeno lugar e de costas para o grande resto do mundo inteiro, ainda por cima para comer uma dose de batatas fritas e um hambúrguer com queijo...

8.23.2010

conversa 1577

Eu - Olá! (dou-lhe um abraço)
Ela - Ai! Detesto homens que quando me abraçam parece que me querem partir os ossos.
Eu - Epá... desculpa. Aleijei-te?
Ela - Não faz mal... mas lembra-me de nunca ir para a cama contigo.

conversa 1576

Ela - O que mais me irrita nas mulheres é a facilidade com que se metem com um homem casado.
Eu - Achas que isso é verdade?
Ela - Acho. As colegas de trabalho do meu marido irritam-me tanto, sempre com olhinhos e sorrisinhos...
Eu - Ah! Estás só com ciúmes.
Ela - Pois estou. Os homens não se metem com mulheres casadas assim com a mesma facilidade.
Eu - Sabes lá.
Ela - Sei, sei. Sou mulher.

pensamentos catatónicos (216)

O problema do amor é vir com a idade. A idade estraga sempre tudo porque nos faz pensar na morte. Não na morte como uma tragédia iminente mas pelo menos como uma inevitabilidade. É por causa desse fim que achamos que está sempre qualquer coisa mal. Se fossemos eternos não havia problema nenhum porque podíamos tentar sempre outra vez até que o Amor saísse perfeito. Só que não podemos, por isso é que as vicissitudes do Amor nos irritam tanto.

8.20.2010

respostas a perguntas inexistentes (101)

Houve um dia em que adormeci na toalha. Acordei com a Raquel a afastar-se para ir tomar café numa das esplanadas da praia e fiquei a vê-la a desenhar na areia pegadas mudas. É estranho como a repentina ausência de quem gostamos nos acorda e a sua presença nos embala num sono leve. Sempre em silêncio.

blandícia

Precisava da tua blandícia agora!

conversa 1575

Ela - Eu já desisti de amar alguém há muito tempo.
Eu - Desististe de quê?
Ela - De amar alguém.
Eu - Mas porquê?
Ela - Desculpa se te digo isto assim, mas os homens são uns incapazes no amor.
Eu - Lá vem essa conversa.
Ela - Não é conversa nenhuma. Não acredito no amor e estou muito bem sozinha. Aliás, estou muito bem assim há mais de cinco anos.
Eu - Há mais de cinco anos?!
Ela - Sim.
Eu - Isso é muito.
Ela - Tem passado a correr.
Eu - E como é que?...
Ela - Como é que o quê?
Eu - Como é que é a vida sexual duma pessoa que desiste de amar?
Ela - Estás a ver? A tua primeira pergunta tinha que ser essa. É o que eu digo, os homens são uns incapazes de amar.

conversa 1574

(no automóvel dela)

Eu - Está calor, apetece-me mesmo uma cervejinha. Paramos aí num café qualquer?
Ela - Eu estou a conduzir, não posso beber.
Eu - Se for só uma podes.
Ela - Quando conduzo não bebo nada.
Eu - Então bebe uma cerveja sem álcool.
Ela - Não gosto.
Eu - Então não bebes nada, pronto. Bebo só eu.
Ela - Não queria mais nada. Tu a beber uma cervejinha e eu a ver...
Eu - Qual é o problema?
Ela - O problema é que eu não posso beber porque estou a conduzir para nos levar aos dois até Aveiro, logo não é justo que tu bebas uma cerveja e eu não.
Eu - E o que é fazemos?
Ela - Aguentas até Aveiro e lá já posso beber também.
Eu - Mas... ainda faltam mais de cinquenta quilómetros.
Ela - Não me pressiones.

8.17.2010

conversa 1573

Ela - Depois do último namorado que tive nunca mais quero passar pelo mesmo pesadelo.
Eu - Foi assim tão mau?
Ela - Foi. A partir de agora, sempre que me aparecer um potencial candidato a namorado faço logo um teste na primeira noite.
Eu- Que teste?
Ela - Vejo-lhe as cuecas.
Eu - Vês-lhe as cuecas?
Ela - Sim, para ficar a saber se ele sabe limpar o rabo quando vai à casa de banho.
Eu - Estás a brincar.
Ela - Não estou não. A maior parte dos homens não limpa bem o rabo depois de ir à casa de banho.

8.11.2010

camping

Disse adeus ao Algarve e deixei-me de hotéis. Agora ando em parques de campismo onde, por razões óbvias, o acesso à net é muito mais raro e difícil. Se tiver oportunidade passarei por aqui, senão... até segunda. :)

8.06.2010

conversa 1572

Ela - Estive a pensar na minha vida.
Eu - Estiveste?
Ela - Sim, estou feliz no meu casamento mas nem sei se o mantenha ou se o termine.
Eu - Se estás feliz... não percebo a dúvida.
Ela - É que se calhar só estou feliz porque nunca experimentei outro.

conversas 1571

(ao telefone)

Ela - Então, estás bem?
Eu - Estou. Acabei agora de almoçar num restaurante com vista para o mar, por isso não podia estar melhor.
Ela - Não me consegues fazer inveja, eu hoje nem posso almoçar.
Eu - Não podes almoçar?
Ela - Não.
Eu - Mas porquê? Está tudo bem?
Ela - Ontem à noite fiz um chá.
Eu - E depois?
Ela - Depois comi um pacote inteiro de bolachas.

8.05.2010

pensamentos catatónicos (215)

O divórcio é contagioso, diz um estudo norte-americano, ou seja, assistir ao divórcio de amigos aumenta em 75 por cento a probabilidade de o casal se separar.
Um passarinho engaiolado vê outro passarinho a voar em liberdade e... também quer.

conversa 1570

Ela - Dói-me a cabeça.
Eu - Toma um comprimido.
Ela - Não tenho.
Eu - Eu também não tenho...
Ela - Estou tramada.
Eu - Aguenta um pouco...
Ela - Não é fácil aguentar.
Eu - E queres que eu faça o quê?
Ela - Que fiques também com dor de cabeça.

8.04.2010

coisas que fascinam (109)

o voo da abelha

Lá dentro o meu pai falava com outros adultos sempre com ar sério e grave, normalmente em grupos de dois ou três. Era muito raro vê-lo num grupo maior e quando o via reparava sempre que ele se limitava a ouvir. Nunca falava. Acho que herdei essa característica dele, a de gostar de conversar com poucas pessoas ao mesmo tempo. Talvez como eu, ele sentisse que nas conversas com muitos interlocutores as nossas palavras percam força por baterem nas palavras dos outros, e que por isso acabamos por não falar com ninguém apesar de estarmos a falar com muitas pessoas.
Cá fora os filhos dos adultos brincavam, sempre com um ar despreocupado de quem não tem que pensar em pôr comida na mesa no dia seguinte. Também aí eu recusava os grupos numerosos. Não jogava à bola no maior grupo de rapazes que por ali andava, não gostava de jogar às escondidas nem à apanhada e por isso nem sequer conhecia muito bem a maior parte das crianças que o fazia. E foi assim que conheci a Alice, sozinha num baloiço.
A Alice era morena e tinha um vestido branco com bolas grandes vermelhas. Vi-a sentada no baloiço e uma abelha a orbita-la. Cuidado com a abelha, disse-lhe eu tentando mostrar um ar sério igual ao do meu pai. A abelha não te faz mal se te sentares aqui e não lhe fizeres mal, respondeu ela. Sentei-me no baloiço ao lado dela e logo a seguir apaixonei-me. Não pensei mais na abelha.
Passámos ali a tarde quase sem palavras. Apenas baloiçando entre as marcas quase indeléveis que os pés dela deixavam na areia e os cabelos dançantes ao som do vento. Depois os adultos começaram a sair cá para fora despedindo-se com apertos de mão firmes e o pai dela também se despediu do meu. É o teu filho? Perguntou ele. É a tua filha filha? Perguntou o meu pai. E ambos concordaram com a cabeça. Depois afastaram-se desejando boa sorte um ao outro. Nunca mais a vi.
Hoje, mais de trinta anos depois, lembrei-me deste dia enquanto uma abelha voava à minha volta, estava eu sentado num baloiço de criança a descansar. Talvez o vento e as marcas deixadas no chão pela minha companheira fossem os mesmos, ou nem por isso. Mas percebi que nós não somos apenas nós para quem nos ama. Somos também aquilo que lhe proporcionamos, seja um cabelo ao vento ou o voo duma abelha, e às vezes é isso que fica na nossa memória.
Sejam felizes.

respostas a perguntas inexistentes (100)

No Verão e de férias é possível perceber que algumas das pequenas chatices que temos com a pessoa que partilha a nossa vida se devem essencialmente ao stress do dia-a-dia. É por isso altura de pensarmos que podemos melhorar um bocadinho esse aspecto.

8.03.2010

allgarve

Lembro-me de em criança passar férias no Algarve com os meus pais. Agora sou eu que, com a minha companheira, trago os putos todos os anos ao Algarve. Tenho a certeza que eles também não se esquecerão destes dias.

Entre uma piscina fenomenal e uma praia ainda melhor, a sério que não me importava nada de viver aqui, entre Lagos, Alvor e Portimão. 
Isto tudo para explicar porque é que tenho vindo menos aqui...

7.31.2010

conversa 1569

Ela - Às vezes imagino-te na cama.
Eu - O quê?
Ela - Imagino muitas vezes como tu és na cama.
Eu - Ena... e ao menos sou bom?
Ela - Não sei, estás sempre a dormir.

7.30.2010

conversa 1568

Eu - Bebemos uma cerveja hoje?
Ela - Estou triste. Não me apetece sair.
Eu - Então, o que é que se passa?
Ela - É um desgosto amoroso.
Eu - Então anda lá, talvez te faça bem beber um copo.
Ela - Não me apetece. Ainda me ponho a chorar, se bebo um copo...
Eu - Se calhar fazia-te bem...
Ela - Não faz bem nenhum. Apetece-me estar sozinha.
Eu - Pronto, tudo bem. Até à próxima.
Ela - Mas telefona-me daqui a dez minutos outra vez. Pode ser que entretanto mude de ideias.

coisas que fascinam (108)

o Amor dos Velhos.
Quando eu era pequeno pensava que todos os velhos apaixonados só se tinham apaixonado uma vez. Para mim as pessoas apaixonavam-se, namoravam, casavam e viviam felizes uma com a outra até à morte. Aliás, nenhum casal de velhos se tinha apaixonado tardiamente mas sim ainda em tenra idade, e era desde aí que a vida de duas pessoas apaixonadas se desenhava em conjunto.
Talvez eu achasse isso porque o primeiro Amor da nossa vida, aquele de criança, seja tão forte que não pomos a hipótese de vir a ter outro igual. Mas acabamos por ter, igual e diferente. Durante a vida até nos chegamos a contentar com amores mais ou menos, que são aqueles amores que temos mas a que passamos os dias a dizer nim. Nem sim nem não, até ao dia em que inevitavelmente dizemos um grande não.
Esta nova forma probabilística de encarar o Amor decepcionou-me durante algum tempo. Decepcionou-me porque o Amor deixou de ser aquela coisa mágica para uma vida toda e passou a ser suave. Algo que vai e vem quando lhe apetece, às vezes com mais intensidade, outras vezes com menos, mas sempre suave.
Salvou-me dessa decepção total precisamente o Amor dos Velhos. Afinal todos os velhos que eu via na rua de mão dada já se tinham apaixonado milhentas vezes por outras pessoas, e isso fazia com que o Amor pudesse ser uma escolha de todos esses amores.
Passei então a viver bem com amores efémeros, convencido que mais tarde ou mais cedo me apareceria um que pudesse envelhecer comigo. Seria a escolha... e acho que já apareceu.

conversa 1567

Ele - Vejo os meus amigos quase todos a ir de férias com as mulheres e com as namoradas e começo a sentir-me um bicho.
Eu - Porquê?
Ele - Porque é mais um ano que eu vou de férias com mais dois ou três divorciados.
Eu - Pode ser giro. Enquanto estive divorciado também fiz férias com amigos e gostei.
Ele - O que é que três ou quatro divorciados fazem de férias? Sentam-se numa esplanada, bebem cerveja o dia todo e falam de gajas. É ou não é?
Eu - Não é bem assim.
Ele - Ora pensa bem. Não te esqueças que também fizeste férias comigo.
Eu - Não falávamos só de gajas. Também falávamos de futebol.
Ele - Pois...

7.29.2010

mulheres que eu gostava de poder não compreender (83)

nome: Marina
origem: Israel (creio eu)
info: a par com a heidi dos desenhos animados foi uma paixão da minha infância, isto depois de vencer a I Gala Internacional dos Pequenos Cantores em 1979, tinha eu oito anos. Claro que nesta confusão emocional entre a vida real e a vida dos desenhos animados, o Popeye tornou-se o primeiro homem de quem tive ciúmes a sério. Pena que o sacana era forte. Quem são os cotas que se lembram desta música?

7.28.2010

conversa 1566

(numa esplanada na praia)

Eu - Adoro o Verão.
Ela - Porquê?
Eu - Tantas mulheres bonitas de biquíni fazem-me bem à alma.
Ela - Eu detesto o Verão.
Eu - Porquê?
Ela - Tantas mulheres bonitas de biquíni fazem-me mal à alma.

7.27.2010

conversa 1565

(ao telefone)

Ela - Parabéns.
Eu - Obrigado por te lembrares.
Ela - Não me lembrei. Vi no Facebook.

7.26.2010

pensamentos catatónicos (214)

Acho que não há nenhum homem que, pelo menos uma vez na vida, não se tenha sentado esgotado num sofá e dito para si mesmo qualquer como "nunca mais quero saber de gajas". Eu já o fiz e mais do que uma vez, completamente convencido que nunca mais me ia chatear na vida por causa duma mulher que fosse. Enganei-me sempre.

conversa 1564

Ela - Tens saído muito com o meu namorado?
Eu - Algumas vezes. De vez em quando bebemos um copo.
Ela - E são só vocês ou há mais gajas?
Eu - Há mais gajas aonde?
Ela - Quando sais com ele vão sozinhos ou com mais gajas?
Eu - Essa pergunta traz água no bico.
Ela - É só por curiosidade.
Eu - Com esse tom de voz não me parece nada que seja só curiosidade.
Ela - Era só para saber.
Eu - Mas eu repondo. Com o teu namorado saio sempre sozinho. Não temos assim muitos amigos em comum, por isso saímos só os dois.
Ela - Não acredito.
Eu - Então para que é que perguntaste?
Ela - Para saber.
Eu - Mas se não acreditas em mim...
Ela - Se não acredito em ti fico a saber na mesma, não achas? Como vejo que estás a mentir quer dizer que a verdade é inversa.

7.25.2010

conversa 1563

Ela - Estás mais magro.
Eu - Estou. Emagreci três quilos em quinze dias.
Ela - De propósito?
Eu - Mais ou menos. Substituí o carro pela bicicleta e os pastéis doces da tarde por peças de fruta. A verdade é que me sinto muito melhor.
Ela - Eu sabia... perto dos quarenta é sempre assim.
Eu - É sempre assim o quê?
Ela - Os homens começam a preocupar-se com a linha e as mulheres começam a engordar e a ficar feias. O meu ex-marido também parece rejuvenescido.
Eu - Que exagero...
Ela - Que exagero nada. Aposto que daqui a uns tempos até já estás a comprar hidratante para o corpo.
Eu - Daqui a uns tempos? Por acaso já comprei.
Ela - Já? Lá está... tenho razão.
Eu - Tu também podes ir para um ginásio, andar de bicicleta, comer fruta em vez de bolos e usar creme hidratante.
Ela - Não posso nada.
Eu - Não? Porquê?
Ela - Porque não tenho paciência. Essas coisas demoram muito tempo a fazer efeito e eu queria emagrecer já. Hoje, agora, neste momento.
Eu - Isso é falta de paciência.
Ela - É isso mesmo que eu te estou a dizer. Como é que tu queres que uma mulher de quarenta e dois anos tenha paciência?
Eu - Tem calma... não precisas gritar.
Ela - Não me digas para ter calma. Vocês não percebem nada. Ainda tenho duas filhas para criar, um emprego para manter...
Eu - Tem calma...
Ela - Os homens divorciam-se nesta idade, ficam com uma vida santa, saem com os amigos, mantêm-se em forma... e as mulheres que se lixem. As mulheres, que estão sempre ocupadas com tudo, só engordam.
Eu - Acho melhor abrirmos uma garrafa de vinho.
Ela - Também acho, também acho...

7.24.2010

respostas a perguntas inexistentes (99)

As paixões não têm todas a mesma duração. Há paixões de anos, meses, semanas, dias e até de poucos minutos ou segundos. A intensidade da paixão não tem nada a ver com a sua duração, embora normalmente as características de cada uma dessas paixões sejam diferentes.
Posso apaixonar-me pela mulher que passa por mim na rua, e essa é uma paixão de dois ou três segundos. Posso apaixonar-me pela mulher que está a acampar mesmo em frente à minha tenda num Verão qualquer, e essa é uma paixão de alguns dias. Posso estar apaixonado pela mulher com quem vivo e essa é uma paixão de anos ou até de uma vida inteira.
O problema das paixões é que elas às vezes nos fazem confusão. Uma paixão de dois segundos pela mulher que passa por nós na rua é um ruído de fundo na paixão de uma vida. Pode ser um ruído de fundo de apenas dois segundos mas ainda assim um ruído.
Das poucas coisas que aprendi na vida acho que esta foi uma das mais importantes. Foi o que me ajudou a eliminar esse ruído de fundo da paixão de uma vida inteira.

conversa 1562

(no café)

Ela - Vou só ali fazer uma coisa. Depois telefono-te, se quiseres, para bebermos mais um fininho ao fim da tarde.
Eu - Vais só ali?
Ela - Sim.
Eu - Mas é segredo, esse "ali" onde vais?
Ela - É.
Eu - Ok.
Ela - Raios. Pronto, eu digo. Vou fazer a depilação.
Eu - Isso era segredo porquê?
Ela - Porque sim. Todas as casas de beleza feminina deviam ser clandestinas e secretas.
Eu (risos) - A que propósito?
Ela - Assim as mulheres andavam bonitas e os homens não sabiam porquê.

7.23.2010

conversa 1561

Ela - As mulheres distinguem muito mais as palavras 'sexo' e 'amor'.
Eu - Distinguem?
Ela - Sim, acho que sim.
Eu - Talvez...
Ela - Acho que as mulheres dão muito mais importância à palavra 'amor' do que à palavra 'sexo'.
Eu - Ah!
Ela - No entanto hoje apetecia-me esquecer a palavra 'amor'.

coisas que fascinam (107)

Não tenho bem a certeza mas acho que esta é uma pequena história de amor, e só não tenho a certeza porque não a conheço.
Hoje de manhã vi um homem reconstruir as pedras da calçada na Avenida principal da cidade. Pegou nas pedras soltas, uma a uma, e tapou o buraco aberto. Depois empurrou com os pés alguma terra e tentou fixá-las. Parecia que estava a tratar cuidadosamente duma ferida, só que esta ferida não era de ninguém. Era de todos. Era uma ferida da cidade e ele tratou-a.
Por fim, uma mulher que lhe segurava a bengala enquanto ele fazia isto devolveu-lha e lá foram os dois embora, de braço dado, lentamente como se tivessem todo o tempo do mundo. É sempre estranho ver idosos tão calmos numa artéria onde todos parecem ter pressa.
Talvez aquele abraço que eu vi a desaparecer depois numa curva se deva à forma como eles tratam as feridas um do outro, e desta vez estou a falar das feridas a sério, aquelas que não se vêem mas que os dias nos vão abrindo cá dentro. O amor também é isso, sarar a ferida do outro.
Talvez ali, naquele abraço, fosse uma história de amor. Apetece-me acreditar que sim.

conversa 1560

(na praia)

Ela - Não percebo bem o que procuramos mesmo numa relação.
Eu - O que procuramos?
Ela - Sim... em termos emocionais principalmente. Procuramos uma vida emocional mais agitada ou mais calma?
Eu - Quando alguém vai ao cinema ver um filme blockbuster, ao futebol ou simplesmente a um carrossel procura emoções fortes, mas essas emoções são efémeras. Como não é suposto uma relação amorosa ser efémera, creio que o tipo de vivência emocional que aí se procura é outro.
Ela - É o quê?
Eu - Se compararmos essas emoções efémeras a estas ondas fortes do mar, eu diria que numa relação normalmente queremos um mar de ondas suaves onde se possa nadar sempre. As ondas grandes podem dar gozo mas cansam-nos rapidamente.
Ela (levanta-se)
Eu - Onde vais?
Ela - Vou dar um mergulho, a ver se me passa esta necessidade de emoções fortes.

7.22.2010

conversa 1559

Ela - O meu marido tem tantas coisas que eu não gosto.
Eu - Isso é normal. Vais sempre encontrar coisas que não gostas em pessoas que amas.
Ela - Achas?
Eu - Tenho a certeza.
Ela - Mas ele tem uma coisa que eu detesto mesmo.
Eu - O que é?
Ela - Há muitas coisas em mim que ele não gosta.
Eu - Estás a brincar comigo...
Ela - Não estou não.

conversa 1558

Ela - Estou farta de estudar. Acho que já queimei os fusíveis...
Eu - Isso não faz mal.
Ela - Não faz mal?
Eu - Não. Os fusíveis existem precisamente para isso. Os fusíveis queimam para que o resto não queime. É uma protecção.
Ela - Não me chateies.

7.21.2010

conversa 1557

Ela - Gosto de me sentir bonita e não me ando a sentir nada bonita.
Eu - A mim pareces-me bonita. Podes não te sentir mas garanto-te que estás.
Ela - Eu sei que estou. O problema é que não me sinto.

respostas a perguntas inexistentes (98)

O Amor das compras não é igual ao Amor per si.

Quando duas pessoas que se amam vão juntas às compras o Amor costuma ficar à porta do estabelecimento comercial, seja ele uma loja chinesa, um hipermercado ou um pronto-a-vestir. Penso sempre que ele foi tomar café e que depois nos tornamos a encontrar lá fora. É um processo de sobrevivência, este. Custa-me acreditar simplesmente que ele não entra na loja por medo. Mas se calhar é verdade...
No entanto há vários motivos para que o Amor tenha medo de entrar numa loja. É na loja que as diferenças entre ele e e ela se acentuam e é na loja que ele e ela percebem mais vezes que não foram feitos uma para o outro. Basta ele querer iogurtes cremosos de morango e ela iogurtes gregos com passas. Ele coloca oito iogurtes dos dele no carro e depois ela coloca oito iogurtes dos dela. O carrinho de compras passa a ser uma espécie de campo de batalha  e ainda estamos no início das hostilidades.
O problema agudiza-se quando se quer comprar uma inutilidade, ou seja, uma coisa que não serve para nada mas que se quer muito ter vá lá o Diabo saber porquê. O outro manda sempre a boca que aquilo é gastar dinheiro em vão. E tem razão. Tem razão mas não perde pela demora, porque querer comprar uma coisa inútil calha a todos.
No fundo é como se o Amor fosse um sentimento a dividir sempre por dois e as compras fossem um sentimento a dividir por um, com a agravante que ninguém assume que ir às compras é um sentimento. E no fundo é este conflito de sentimentos que leva ao pé de guerra na passadeira rolante. Os soldados, perdão, os amantes chegam ali com os nervos à flor da pele. Ninguém se entende quanto à forma como se deve dispor as compras. Ele gosta que vá tudo direitinho como se as embalagens fossem as ruas e os edifícios duma cidade, ela irrita-se porque quer os ovos e os tomates por cima e a caixa de bolachas por baixo.
Eu cá não sei. Os tomates nunca me pareceram um bom telhado para bolachas de chocolate. Quando muito poderiam ser uma escultura ao lado da garrafa de vinho que até parece a Torre Eiffel. Por isso é que espero que o Amor esteja ali a tomar café já na esquina e não tenha ido dar uma volta maior.

7.20.2010

conversa 1556

Ela - Tu estás a viver com a tua namorada?
Eu - Mais ou menos.
Ela - Mais ou menos?
Eu - Sim, como ela não é de Aveiro só às vezes é que estou em casa dela. Em média uns quatro ou cinco dias por semana...
Ela - Ena... que fixe.
Eu - Que fixe?
Ela - Sim, acho que é isso que eu precisava. Que o meu marido só vivesse lá em casa quatro ou cinco dias por semana.

7.18.2010

pensamentos catatónicos (213)

arroto

Percebeu que o Amor põe em causa a lei das probabilidades outra vez. Está apaixonado e não é pela melhor amiga com quem sai quase todas as noites e é bonita, nem pela colega de trabalho que cumprimenta com um sorriso malandro todas as manhãs. Apaixonou-se por uma mulher com quem nunca trocou mais do que um olhar no comboio.
Ele ia mal disposto e arrotou. Ao contrário do olhar reprovador que esperava dela, viu pelo atento canto do olho que ela lhe sorriu timidamente. Um sorriso tímido perdoa tudo, até um arroto distraído. E foi nesse olhar que se apaixonou. Depois pousou os olhos na paisagem que corria lá fora, acarinhado por uma viagem que devia ser eterna mas não foi. Numa estação qualquer ela levantou-se e saiu deixando-o órfão de tão recente paixão.
Agora está ali, sentado ao balcão dum bar qualquer com a memória do sorriso dela a boiar num copo de cerveja. Se não a tivesse visto estaria provavelmente a beber com amigos, mas assim está sozinho, encorpando progressivamente o seu sentimento de solidão. E é estranho sentir-se só por não estar hoje com alguém com quem de facto nunca esteve na vida inteira. Mas o Amor também é isso. Se não existisse mais ninguém no mundo ela seria a sua população mundial. Assim não. Está só e nem a população mundial chegaria para o consolar.
E ele, que se habituou a optar em tudo na vida por uma questão de probabilidades, sente-se derrotado. Por exemplo, não tem medo de andar de avião porque sabe que há poucas probabilidades de morrer e não joga euromilhões porque sabe que há apenas uma ínfima probabilidade de ganhar. Agora pensa que a probabilidade de a ver de novo é baixa e o pensamento não lhe sai da cabeça. É como um excitado peixinho vermelho num aquário: mexe-se muito mas não tem por onde fugir.
Bebe mais um gole que enche ainda mais esse aquário. Depois congela um segundo. Talvez a maior probabilidade seja apaixonarmo-nos por uma baixa probabilidade de paixão. Pela mulher que atravessa a passadeira no sentido inverso ao nosso, pela mulher que nos pergunta uma direcção na rua ou pela mulher que descansa num banco de jardim. Talvez.

conversa 1555

Eu - Então fica combinado amanhã de manhã, ok?
Ela - Ok... mas eu às vezes de manhã atraso-me um bocadinho, está bem?
Eu - Tudo bem, desde que não seja muito...
Ela - Quer dizer, às vezes nem apareço.
Eu - O quê? Queres que eu te empreste um despertador?
Ela - É que eu não consigo dormir com um despertador por causa do barulho do tic-tac.
Eu - Então e se for um rádio-despertador?
Ela - Não consigo dormir por causa da luz dos dígitos.
Eu - E um rádio-despertador com um cobertor por cima?
Ela - Depois não consigo ouvir...
Eu - Então e o telemóvel?
Ela - Nunca ponho o telemóvel ao pé de mim durante a noite. Se alguém me telefona ou manda uma mensagem, eu acordo e já não consigo adormecer outra vez.
Eu - Ouve lá, tu não queres combinar de manhã, pois não?
Ela - Ah! Se pudesse ser à tarde...

depois da primeira vez... acabou

Diz o Jornal de Notícias que os homens continuam a matar mulheres e pergunta porquê. Porquê? Ninguém sabe muito bem porquê. Sabe-se que o único porquê por trás disto é uma besta a quem não vale a pena explicar as coisas, porque a "não violência" não é uma coisa que tenha que ser explicada. Há homens que não entendem isto por serem uma bestas. Ponto final, não se lhes explique mais nada. Explique-se é às mulheres que, por mais que tentem acreditar no contrário, têm que perceber que depois duma primeira vez há sempre uma segunda. Um homem que bate uma vez é porque é capaz de fazê-lo, e essa é a fronteira que nunca pode ser ultrapassada numa relação.
Depois da primeira vez... acabou.

7.16.2010

conversa 1554

Ela - Detesto os homens que adormecem logo a seguir ao sexo.
Eu - Deixa lá, eu detesto as mulheres que ficam acordadas.
Ela - Qual é o mal de ficar acordada?
Eu - Normalmente não me deixam dormir.

pobreza

Sou do tempo em que os pobres não roubavam. Eram pobres apesar de trabalharem muito mas nunca roubavam. Pelo menos era o que dizia a RTP e por isso os 'não pobres' andavam felizes da vida.
Agora os pobres não trabalham e roubam. Pelo menos é o que me diz a TVI e por isso os 'não pobres' andam zangados.
Nunca nenhum canal de televisão falou em acabar com a pobreza ou mostrou o ponto de vista dos pobres.

7.15.2010

conversa 1553

Ela - A tua bicicleta está um bocado velhinha.
Eu - Pois está, qualquer dia pinto-a. Este mês já tive que comprar os faróis novos e o capacete...
Ela - Só devias comprar mais uma coisa para quando andares nela.
Eu - O quê?
Ela - Desodorizante.

7.14.2010

respostas a perguntas inexistentes (97)

E ela repete várias vezes que nós só temos uma vida e não a podemos desperdiçar. Eu acabei de encher pela primeira vez os copos de vinho, o meu e o dela, mas por mais que os encha isso não vai mudar. De facto só temos uma vida e não a devemos desperdiçar. Poder até podemos mas não devemos. Até ver é o que temos de mais valioso.
E ela repete várias vezes que se se divorciar vai sentir-se uma derrotada. Acabámos de dar um gole no vinho, eu e ela, mas por mais goles que dêmos isso não vai mudar. No princípio sentimo-nos derrotados e até pessimistas mas depois, com o tempo, passamos a sentirmo-nos vitoriosos e optimistas. A mudança dá-se precisamente quando percebemos que estamos a aproveitar a vida.
E ela repete várias que uma mudança abrupta das coisas a assusta. Eu acabei de pousar o copo e ela também, mas por mais vezes que levantemos e pousemos os copos isso não vai mudar. As mudanças abruptas assustam-nos mas também nos atraem. Principalmente quando são a única maneira de aproveitarmos a vida que andamos a desperdiçar.
E ela repete várias vezes que por mais que se fale de Amor vai dar tudo ao mesmo. A questão é se com o Amor estamos a aproveitar ou a desperdiçar a vida. A nossa e a de quem amamos. Os copos estão vazios, o meu e o dela, mas por mais vazios que estejam isso não vai mudar. A questão do Amor é mesmo essa. Enchamos os copos pela segunda vez, então.

conversa 1552

Ela - Às vezes apetece-me tanto abraçar um homem.
Eu - Qual?
Ela - Um qualquer, depende. Tu, o Manel, o João. Tanto faz...
Eu - Apetece-te abraçar um gajo assim sem mais nem menos?
Ela - Sim, mas nunca o faço.
Eu - E não o fazes porquê?
Ela - Porque quando uma mulher abraça um homem ele pensa logo que ela lhe quer saltar em cima.
Eu - Lá estás tu. Não pensa nada.
Ela - Pensa, pensa.
Eu - Não pensa nada. Além disso um homem também abraça mulheres sem lhes querer saltar em cima.
Ela - Abraça?
Eu - Sim, claro.
Ela - Caraças!

7.13.2010

conversa 1551

Ela - Agora andas de bicicleta? Fazes muito bem. Como médica digo-te que fazes mesmo muito bem.
Eu - Então devias andar também.
Ela - Dá muito trabalho, senão até andava.

respostas a perguntas inexistentes (96)

Troquei o carro pela bicicleta. O carro vai ficar apenas para as deslocações em que não exista outra solução. Ontem, por exemplo, fiz cerca de dez quilómetros em Aveiro a andar de bicicleta e hoje fui para o trabalho de bicicleta também. É bom para o planeta, bom para a minha saúde e para minha carteira. É bom para todos.
O facto de ser bom para a minha saúde não é apenas pelo exercício físico que faço. Reparei que sou muito menos ansioso quando ando de bicicleta, talvez por não ter um acelerador que me coloca em poucos minutos do outro lado da urbe. Menos ansiedade significa, no fundo, que me relaciono melhor com a cidade quando me desloco. Não chamo nomes a ninguém por fazer rotundas por fora nem desespero por não ter onde estacionar.
A ansiedade é uma das roturas principais entre pessoas que se amam e que por ela às vezes se deixam de amar. É a ansiedade que faz com que sintamos que a pessoa que amamos não chega para nós, e nem sabemos porquê. Mas chega. Basta andarmos de bicicleta na relação que temos com ela e não de carro.

7.09.2010

conversa 1550

Ela - Comprei um peixinho vermelho.
Eu - A sério? Que giro...
Ela - É giro mas também uma derrota pessoal.
Eu - Uma derrota pessoal? Porquê?
Ela - Desisti de tentar viver com homens e cheguei à conclusão que é melhor este peixinho vermelho.
Eu - Mas... mas... mas...
Ela - Mas nada. Tal como os homens só pensa em comer, comer, comer. A vantagem é que está sempre calado e não tem acessos incontroláveis de testosterona.

pensamentos catatónicos (212)

Se pensar naqueles que me são próximos, assim de repente, não cabem nos dedos duma mão os amigos para quem o amor já morreu pelo menos uma vez na vida. Não falo só, embora também, de divórcios. Falo daquele café sem sabor que se toma no dia seguinte a perceber que já não gostamos dela ou que ela já não gosta de nós.
O problema desse dia não é só o fim da ligação. É a morte do Amor em si, porque morre aquilo que nunca pensámos que pudesse morrer. A morte de um Amor é como a morte duma vida. É insubstituível como a de um amigo. Não queremos outro porque só queríamos aquele.

conversa 1549

Ela - Queres jogar a meias no Euromilhões comigo?
Eu - Não.
Ela - Não? Não tens fé nenhuma no euromilhões?
Eu - Não é bem isso. Já joguei esta semana e não estou para gastar mais dinheiro nisso.
Ela - Oh! Gostava mesmo de jogar a meias.
Eu - Mas porquê?
Ela - Assim se acertássemos depois podíamos ter uma discussão sobre quem tinha direito ao prémio. Podíamos ir a tribunal e tudo.
Eu - Mas eu não quero nada disso...
Ela - Sempre dava mais cor à vida.

respostas a perguntas inexistentes (95)

Depois dela não há mais nada. É como se o mundo terminasse ali, com a agravante que não termina de facto. Apenas pára. Passa a ser um filme ou uma música no 'pause'. E é no 'pause' que ele fica também, com a mão a segurar no telefone adormecido e a testa encostada ao vidro da janela da cozinha. Ela tem essa capacidade de fazer o mundo parar, e fá-lo sempre que se despede ao telefone com uma enorme e incompreensível distância. Boa noite, disse ela. Depois desligou.

para variar...

Nos meus blogues que ninguém lê, falo hoje do pedido do Cavaco Silva para que façamos férias em Portugal e do lixo que todos pagamos. Só para variar...

7.08.2010

conversa 1548

Ela - Quando eu era mais novinha só gostava de homens mais velhos. Eu tinha vinte anos e só me interessava por trintões. Isso preocupa-me.
Eu - Preocupa-te?
Ela - Preocupa-me porque agora tenho quase cinquenta e ainda só me interesso por trintões. Eles é que não se interessam lá muito por mim.
Eu - Portanto, não te interessavas por trintões por serem mais velhos do que tu mas sim por serem trintões. É isso?
Ela - Sim. É a fase em que os homens são mais bonitos e menos estúpidos.
Eu - Ei, falta-me um ano para entrar no quarenta. Vou passar a ser estúpido, é isso?
Ela - Não... mas vais deixar de ser bonito.

7.07.2010

conversa 1547

Ela - Só me apetece chorar.
Eu - Então? O que é que se passa?
Ela - O biquíni que comprei o Verão passado já não me serve.

respostas a perguntas inexistentes (94)

Uma gota de suor percorre-lhe o rosto. Que este calor é um exagero, diz ela. E ele concorda. Ficam os dois a olhar para o céu durante alguns segundos, como se dali pudesse vir uma boa notícia qualquer, que é como quem diz algum vento fresco, ainda que fraco. Mas do céu não vem nada só por olharmos para ele, pois não? Não. E ele desvia o olhar para o perfil dela.
Ela espera que venha alguma coisa do céu, ele espera que venha alguma coisa dela. Mas dela também não vem nada só por olhar para ela, pois não? Não. E ele desvia o olhar para a garrafa de cerveja. Bebe-a, à cerveja e à sede que tem de se deitar com uma mulher que continua a olhar para o céu.
Há alguns meses que começaram a sair juntos, depois de se terem conhecido numa sessão do ginásio onde conversaram sobre eles mesmos. Ficaram a saber aquilo que se quer sempre que o outro saiba quando se está divorciado: que ambos têm filhos. Consideraram-se automaticamente compatíveis e logo no dia seguinte jantaram na casa dele. Desde então que andam assim, ela a olhar para o céu à espera que venha qualquer coisa, ele a olhar para ela à espera que venha qualquer coisa.

7.06.2010

conversa 1546

(no café)

Eu - Então o teu marido?
Ela - Hoje não vem. Está em casa de castigo.
Eu (risos) - Porquê?
Ela - Fomos às compras e ele deixou-me aos gritos sozinha numa loja de roupa.
Eu - Aos gritos?
Ela - Sim. Fui experimentar uma saia e quando comecei a chamar por ele para opinar se me ficava bem ou mal, ele... nada. Tinha ido esperar lá para fora.
Eu - Coitado. Não sabia de certeza que o ias chamar.
Ela - Se não sabia devia saber. Já vive comigo há muito tempo.

7.05.2010

conversa 1545

Ela - Os homens não fazem a mínima ideia de como se deve tratar uma mulher.
Eu - E como é que é?
Ela - Sei lá. Os homens é que deviam saber.

7.04.2010

conversa 1544

(no café)

Ela - Aquele rapaz ali ao balcão é mesmo giro.
Eu - Hum hum...
Ela - Tem algumas semelhanças com o Figo...
Eu - Hum hum...
Ela - É mesmo girinho.
Eu - Já disseste.
Ela - Quê?! Tens algum problema por eu dizer que o rapaz é giro?
Eu - Não. Havia de ter porquê?
Ela - Pareceste incomodado.
Eu - Incomoda-me estares sempre a dizer a mesma coisa.
Ela - Pareceste um bocadinho irritado.
Eu - Não estou irritado.
Ela - Mas pareces.

pensamentos catatónicos (211)

Às vezes acho que o Amor é só isso, tentarmos saber de que é que somos feitos. A questão é que passamos a vida a tentá-lo mas nunca chegamos a sabê-lo. Mentimo-nos muito sobre essa questão indissociável da vida e do Amor.
Falta talvez perceber que somos voláteis ao Amor. É ele que é capaz de nos fazer os mais fortes e os mais fracos, e nós temos a mania de disfarçar essa nossa condição.

conversa 1543

Ela - Esta semana fui para a cama com um gajo lá da empresa onde trabalho.
Eu - Hum... e foi bom?
Ela - Nem por isso.
Eu - Porquê?
Ela - Acho que ele estava nervoso. Na verdade eu também estava um bocado...
Eu - Não são amigos?
Ela - Somos mas...
Eu - Mas o quê?
Ela - Somos amigos assim assim. Nem grandes amigos, nem desconhecidos. Percebes?
Eu - Não percebo lá muito muito.
Ela - Acho que para ter uma boa noite de sexo esporádica convém ser com alguém que conheças muito bem ou então não conheças de todo. Não pode ser alguém que conheças mais ou menos.

conversa 1542

Ela - Não há nuvens no céu...
Eu - Não.
Ela - O céu está todo azul...
Eu - Sim...
Ela - E nós aqui a beber uma cerveja...
Eu - Pois...
Ela - Porque é que estás a responder a tudo o que eu digo?
Eu - Sei lá.
Ela - Se não sabes está calado. Detesto pessoas sempre a falar ao meu lado sem motivo nenhum.

7.02.2010

conversa 1541

Ela - Para uma mulher o Amor passa rapidamente duma necessidade a um capricho.
Eu - Como assim?
Ela - Rapidamente percebemos que é impossível ter realmente o amor dum homem. Só o temos enquanto lhe dá jeito, por isso o melhor é ver o Amor como um capricho que pode acabar a qualquer altura.
Eu - Quem te ouvir até pode pensar que são sempre os homens a acabar com as relações. Eu até acho, embora possa estar errado, que há mais mulheres a acabar com relações do que homens. Comigo foi assim a vida toda.
Ela - O que tu não consegues perceber é que quando uma mulher põe fim a uma relação é porque o homem já pôs fim ao Amor que tinha com ela.
Eu - Não é nada assim.
Ela - É, é.

coisas que fascinam (106)

Às vezes acho que não há nenhuma mulher que não seja um labirinto. Estranho é um homem normalmente não querer encontrar a saída.

7.01.2010

de doméstica a rainha em poucos segundos


A Frigidaire, marca de máquinas para a cozinha, apresentava assim o seu forno amovível em 1966. A mulher podia temporariamente deixar de ser uma escrava na cozinha para passar a ser uma rainha. Atenção, mas nada de exageros, apenas temporariamente. Pelo anúncio podíamos concluir que todas as mulheres domésticas americanas não pensavam em mais nada senão em tornar-se uma rainha. Eu cá não acredito nisso. Não sei porquê...

conversa 1540

(ao almoço)

Ela - Vou pedindo já os cafés. Estou mesmo com pressa. Ainda tenho que ir a casa vestir umas calças.
Eu - Vais a casa só para vestir umas calças?
Ela - Sim, isto de ser engenheira civil tem muito que se lhe diga. Convém não andar de saias, pelo menos quando se vai a uma obra.
Eu - Ah, já percebi. Não gostas de ter os olhos em cima de ti, não é?
Ela - Gostar até gosto, mas tenho que me dar ao respeito. Alguns homens não percebem muito bem qual é a fronteira que não devem ultrapassar.
Eu - E qual é?
Ela - Podem olhar mas discreta e silenciosamente. É fácil, não é?
Eu - É, mas então não vistas umas calças com elastano que às vezes usas.
Ela - Porquê?
Eu - Porque são apertadas e... e...
Ela - Estás a dizer que o meu rabo é grande ou que o meu rabo é bom?
Eu - Estou a dizer que... não sei... sei lá....
Ela - Vê lá. Não passes a fronteira.