7.31.2010

conversa 1569

Ela - Às vezes imagino-te na cama.
Eu - O quê?
Ela - Imagino muitas vezes como tu és na cama.
Eu - Ena... e ao menos sou bom?
Ela - Não sei, estás sempre a dormir.

7.30.2010

conversa 1568

Eu - Bebemos uma cerveja hoje?
Ela - Estou triste. Não me apetece sair.
Eu - Então, o que é que se passa?
Ela - É um desgosto amoroso.
Eu - Então anda lá, talvez te faça bem beber um copo.
Ela - Não me apetece. Ainda me ponho a chorar, se bebo um copo...
Eu - Se calhar fazia-te bem...
Ela - Não faz bem nenhum. Apetece-me estar sozinha.
Eu - Pronto, tudo bem. Até à próxima.
Ela - Mas telefona-me daqui a dez minutos outra vez. Pode ser que entretanto mude de ideias.

coisas que fascinam (108)

o Amor dos Velhos.
Quando eu era pequeno pensava que todos os velhos apaixonados só se tinham apaixonado uma vez. Para mim as pessoas apaixonavam-se, namoravam, casavam e viviam felizes uma com a outra até à morte. Aliás, nenhum casal de velhos se tinha apaixonado tardiamente mas sim ainda em tenra idade, e era desde aí que a vida de duas pessoas apaixonadas se desenhava em conjunto.
Talvez eu achasse isso porque o primeiro Amor da nossa vida, aquele de criança, seja tão forte que não pomos a hipótese de vir a ter outro igual. Mas acabamos por ter, igual e diferente. Durante a vida até nos chegamos a contentar com amores mais ou menos, que são aqueles amores que temos mas a que passamos os dias a dizer nim. Nem sim nem não, até ao dia em que inevitavelmente dizemos um grande não.
Esta nova forma probabilística de encarar o Amor decepcionou-me durante algum tempo. Decepcionou-me porque o Amor deixou de ser aquela coisa mágica para uma vida toda e passou a ser suave. Algo que vai e vem quando lhe apetece, às vezes com mais intensidade, outras vezes com menos, mas sempre suave.
Salvou-me dessa decepção total precisamente o Amor dos Velhos. Afinal todos os velhos que eu via na rua de mão dada já se tinham apaixonado milhentas vezes por outras pessoas, e isso fazia com que o Amor pudesse ser uma escolha de todos esses amores.
Passei então a viver bem com amores efémeros, convencido que mais tarde ou mais cedo me apareceria um que pudesse envelhecer comigo. Seria a escolha... e acho que já apareceu.

conversa 1567

Ele - Vejo os meus amigos quase todos a ir de férias com as mulheres e com as namoradas e começo a sentir-me um bicho.
Eu - Porquê?
Ele - Porque é mais um ano que eu vou de férias com mais dois ou três divorciados.
Eu - Pode ser giro. Enquanto estive divorciado também fiz férias com amigos e gostei.
Ele - O que é que três ou quatro divorciados fazem de férias? Sentam-se numa esplanada, bebem cerveja o dia todo e falam de gajas. É ou não é?
Eu - Não é bem assim.
Ele - Ora pensa bem. Não te esqueças que também fizeste férias comigo.
Eu - Não falávamos só de gajas. Também falávamos de futebol.
Ele - Pois...

7.29.2010

mulheres que eu gostava de poder não compreender (83)

nome: Marina
origem: Israel (creio eu)
info: a par com a heidi dos desenhos animados foi uma paixão da minha infância, isto depois de vencer a I Gala Internacional dos Pequenos Cantores em 1979, tinha eu oito anos. Claro que nesta confusão emocional entre a vida real e a vida dos desenhos animados, o Popeye tornou-se o primeiro homem de quem tive ciúmes a sério. Pena que o sacana era forte. Quem são os cotas que se lembram desta música?

7.28.2010

conversa 1566

(numa esplanada na praia)

Eu - Adoro o Verão.
Ela - Porquê?
Eu - Tantas mulheres bonitas de biquíni fazem-me bem à alma.
Ela - Eu detesto o Verão.
Eu - Porquê?
Ela - Tantas mulheres bonitas de biquíni fazem-me mal à alma.

7.27.2010

conversa 1565

(ao telefone)

Ela - Parabéns.
Eu - Obrigado por te lembrares.
Ela - Não me lembrei. Vi no Facebook.

7.26.2010

pensamentos catatónicos (214)

Acho que não há nenhum homem que, pelo menos uma vez na vida, não se tenha sentado esgotado num sofá e dito para si mesmo qualquer como "nunca mais quero saber de gajas". Eu já o fiz e mais do que uma vez, completamente convencido que nunca mais me ia chatear na vida por causa duma mulher que fosse. Enganei-me sempre.

conversa 1564

Ela - Tens saído muito com o meu namorado?
Eu - Algumas vezes. De vez em quando bebemos um copo.
Ela - E são só vocês ou há mais gajas?
Eu - Há mais gajas aonde?
Ela - Quando sais com ele vão sozinhos ou com mais gajas?
Eu - Essa pergunta traz água no bico.
Ela - É só por curiosidade.
Eu - Com esse tom de voz não me parece nada que seja só curiosidade.
Ela - Era só para saber.
Eu - Mas eu repondo. Com o teu namorado saio sempre sozinho. Não temos assim muitos amigos em comum, por isso saímos só os dois.
Ela - Não acredito.
Eu - Então para que é que perguntaste?
Ela - Para saber.
Eu - Mas se não acreditas em mim...
Ela - Se não acredito em ti fico a saber na mesma, não achas? Como vejo que estás a mentir quer dizer que a verdade é inversa.

7.25.2010

conversa 1563

Ela - Estás mais magro.
Eu - Estou. Emagreci três quilos em quinze dias.
Ela - De propósito?
Eu - Mais ou menos. Substituí o carro pela bicicleta e os pastéis doces da tarde por peças de fruta. A verdade é que me sinto muito melhor.
Ela - Eu sabia... perto dos quarenta é sempre assim.
Eu - É sempre assim o quê?
Ela - Os homens começam a preocupar-se com a linha e as mulheres começam a engordar e a ficar feias. O meu ex-marido também parece rejuvenescido.
Eu - Que exagero...
Ela - Que exagero nada. Aposto que daqui a uns tempos até já estás a comprar hidratante para o corpo.
Eu - Daqui a uns tempos? Por acaso já comprei.
Ela - Já? Lá está... tenho razão.
Eu - Tu também podes ir para um ginásio, andar de bicicleta, comer fruta em vez de bolos e usar creme hidratante.
Ela - Não posso nada.
Eu - Não? Porquê?
Ela - Porque não tenho paciência. Essas coisas demoram muito tempo a fazer efeito e eu queria emagrecer já. Hoje, agora, neste momento.
Eu - Isso é falta de paciência.
Ela - É isso mesmo que eu te estou a dizer. Como é que tu queres que uma mulher de quarenta e dois anos tenha paciência?
Eu - Tem calma... não precisas gritar.
Ela - Não me digas para ter calma. Vocês não percebem nada. Ainda tenho duas filhas para criar, um emprego para manter...
Eu - Tem calma...
Ela - Os homens divorciam-se nesta idade, ficam com uma vida santa, saem com os amigos, mantêm-se em forma... e as mulheres que se lixem. As mulheres, que estão sempre ocupadas com tudo, só engordam.
Eu - Acho melhor abrirmos uma garrafa de vinho.
Ela - Também acho, também acho...

7.24.2010

respostas a perguntas inexistentes (99)

As paixões não têm todas a mesma duração. Há paixões de anos, meses, semanas, dias e até de poucos minutos ou segundos. A intensidade da paixão não tem nada a ver com a sua duração, embora normalmente as características de cada uma dessas paixões sejam diferentes.
Posso apaixonar-me pela mulher que passa por mim na rua, e essa é uma paixão de dois ou três segundos. Posso apaixonar-me pela mulher que está a acampar mesmo em frente à minha tenda num Verão qualquer, e essa é uma paixão de alguns dias. Posso estar apaixonado pela mulher com quem vivo e essa é uma paixão de anos ou até de uma vida inteira.
O problema das paixões é que elas às vezes nos fazem confusão. Uma paixão de dois segundos pela mulher que passa por nós na rua é um ruído de fundo na paixão de uma vida. Pode ser um ruído de fundo de apenas dois segundos mas ainda assim um ruído.
Das poucas coisas que aprendi na vida acho que esta foi uma das mais importantes. Foi o que me ajudou a eliminar esse ruído de fundo da paixão de uma vida inteira.

conversa 1562

(no café)

Ela - Vou só ali fazer uma coisa. Depois telefono-te, se quiseres, para bebermos mais um fininho ao fim da tarde.
Eu - Vais só ali?
Ela - Sim.
Eu - Mas é segredo, esse "ali" onde vais?
Ela - É.
Eu - Ok.
Ela - Raios. Pronto, eu digo. Vou fazer a depilação.
Eu - Isso era segredo porquê?
Ela - Porque sim. Todas as casas de beleza feminina deviam ser clandestinas e secretas.
Eu (risos) - A que propósito?
Ela - Assim as mulheres andavam bonitas e os homens não sabiam porquê.

7.23.2010

conversa 1561

Ela - As mulheres distinguem muito mais as palavras 'sexo' e 'amor'.
Eu - Distinguem?
Ela - Sim, acho que sim.
Eu - Talvez...
Ela - Acho que as mulheres dão muito mais importância à palavra 'amor' do que à palavra 'sexo'.
Eu - Ah!
Ela - No entanto hoje apetecia-me esquecer a palavra 'amor'.

coisas que fascinam (107)

Não tenho bem a certeza mas acho que esta é uma pequena história de amor, e só não tenho a certeza porque não a conheço.
Hoje de manhã vi um homem reconstruir as pedras da calçada na Avenida principal da cidade. Pegou nas pedras soltas, uma a uma, e tapou o buraco aberto. Depois empurrou com os pés alguma terra e tentou fixá-las. Parecia que estava a tratar cuidadosamente duma ferida, só que esta ferida não era de ninguém. Era de todos. Era uma ferida da cidade e ele tratou-a.
Por fim, uma mulher que lhe segurava a bengala enquanto ele fazia isto devolveu-lha e lá foram os dois embora, de braço dado, lentamente como se tivessem todo o tempo do mundo. É sempre estranho ver idosos tão calmos numa artéria onde todos parecem ter pressa.
Talvez aquele abraço que eu vi a desaparecer depois numa curva se deva à forma como eles tratam as feridas um do outro, e desta vez estou a falar das feridas a sério, aquelas que não se vêem mas que os dias nos vão abrindo cá dentro. O amor também é isso, sarar a ferida do outro.
Talvez ali, naquele abraço, fosse uma história de amor. Apetece-me acreditar que sim.

conversa 1560

(na praia)

Ela - Não percebo bem o que procuramos mesmo numa relação.
Eu - O que procuramos?
Ela - Sim... em termos emocionais principalmente. Procuramos uma vida emocional mais agitada ou mais calma?
Eu - Quando alguém vai ao cinema ver um filme blockbuster, ao futebol ou simplesmente a um carrossel procura emoções fortes, mas essas emoções são efémeras. Como não é suposto uma relação amorosa ser efémera, creio que o tipo de vivência emocional que aí se procura é outro.
Ela - É o quê?
Eu - Se compararmos essas emoções efémeras a estas ondas fortes do mar, eu diria que numa relação normalmente queremos um mar de ondas suaves onde se possa nadar sempre. As ondas grandes podem dar gozo mas cansam-nos rapidamente.
Ela (levanta-se)
Eu - Onde vais?
Ela - Vou dar um mergulho, a ver se me passa esta necessidade de emoções fortes.

7.22.2010

conversa 1559

Ela - O meu marido tem tantas coisas que eu não gosto.
Eu - Isso é normal. Vais sempre encontrar coisas que não gostas em pessoas que amas.
Ela - Achas?
Eu - Tenho a certeza.
Ela - Mas ele tem uma coisa que eu detesto mesmo.
Eu - O que é?
Ela - Há muitas coisas em mim que ele não gosta.
Eu - Estás a brincar comigo...
Ela - Não estou não.

conversa 1558

Ela - Estou farta de estudar. Acho que já queimei os fusíveis...
Eu - Isso não faz mal.
Ela - Não faz mal?
Eu - Não. Os fusíveis existem precisamente para isso. Os fusíveis queimam para que o resto não queime. É uma protecção.
Ela - Não me chateies.

7.21.2010

conversa 1557

Ela - Gosto de me sentir bonita e não me ando a sentir nada bonita.
Eu - A mim pareces-me bonita. Podes não te sentir mas garanto-te que estás.
Ela - Eu sei que estou. O problema é que não me sinto.

respostas a perguntas inexistentes (98)

O Amor das compras não é igual ao Amor per si.

Quando duas pessoas que se amam vão juntas às compras o Amor costuma ficar à porta do estabelecimento comercial, seja ele uma loja chinesa, um hipermercado ou um pronto-a-vestir. Penso sempre que ele foi tomar café e que depois nos tornamos a encontrar lá fora. É um processo de sobrevivência, este. Custa-me acreditar simplesmente que ele não entra na loja por medo. Mas se calhar é verdade...
No entanto há vários motivos para que o Amor tenha medo de entrar numa loja. É na loja que as diferenças entre ele e e ela se acentuam e é na loja que ele e ela percebem mais vezes que não foram feitos uma para o outro. Basta ele querer iogurtes cremosos de morango e ela iogurtes gregos com passas. Ele coloca oito iogurtes dos dele no carro e depois ela coloca oito iogurtes dos dela. O carrinho de compras passa a ser uma espécie de campo de batalha  e ainda estamos no início das hostilidades.
O problema agudiza-se quando se quer comprar uma inutilidade, ou seja, uma coisa que não serve para nada mas que se quer muito ter vá lá o Diabo saber porquê. O outro manda sempre a boca que aquilo é gastar dinheiro em vão. E tem razão. Tem razão mas não perde pela demora, porque querer comprar uma coisa inútil calha a todos.
No fundo é como se o Amor fosse um sentimento a dividir sempre por dois e as compras fossem um sentimento a dividir por um, com a agravante que ninguém assume que ir às compras é um sentimento. E no fundo é este conflito de sentimentos que leva ao pé de guerra na passadeira rolante. Os soldados, perdão, os amantes chegam ali com os nervos à flor da pele. Ninguém se entende quanto à forma como se deve dispor as compras. Ele gosta que vá tudo direitinho como se as embalagens fossem as ruas e os edifícios duma cidade, ela irrita-se porque quer os ovos e os tomates por cima e a caixa de bolachas por baixo.
Eu cá não sei. Os tomates nunca me pareceram um bom telhado para bolachas de chocolate. Quando muito poderiam ser uma escultura ao lado da garrafa de vinho que até parece a Torre Eiffel. Por isso é que espero que o Amor esteja ali a tomar café já na esquina e não tenha ido dar uma volta maior.

7.20.2010

conversa 1556

Ela - Tu estás a viver com a tua namorada?
Eu - Mais ou menos.
Ela - Mais ou menos?
Eu - Sim, como ela não é de Aveiro só às vezes é que estou em casa dela. Em média uns quatro ou cinco dias por semana...
Ela - Ena... que fixe.
Eu - Que fixe?
Ela - Sim, acho que é isso que eu precisava. Que o meu marido só vivesse lá em casa quatro ou cinco dias por semana.