5.31.2010

conversa 1528

Ela - Eu devia era ser daquelas boazonas todas giras.
Eu - Porquê?
Ela - Para arranjar emprego como hospedeira duma companhia aérea. Apetecia-me ter um emprego que me permitisse viajar.
Eu - Não acho que todas as hospedeiras sejam dessas boazonas e giraças que estás a pensar. Podes candidatar-te à vontade...
Ela - Ei! Devias era ter dito que eu sou muito gira...
Eu- És bonita, sim. Não disse que eras feia. Mas pareceu-me que estavas a falar daquelas mulheres tipo capa da Playboy...
Ela - Portanto achas que sou suficientemente bonita para hospedeira de bordo mas não para capa da Playboy. É isso?
Eu - Mas... tu é que estavas a dizer...
Ela - É melhor acabar por aqui esta conversa.

5.28.2010

bom fim de semana

Perguntam-me porque é que ponho sempre um sorriso nas respostas aos comentários. A resposta é fácil: apetece-me. Devemos fazer o que nos apetece se isso não prejudicar ninguém. Agora, por exemplo, apetece-me desejar um bom fim de semana a todos vocês. :)

conversa 1527

Ela - Há homens que não percebem que podem ser amigos duma mulher. São esses homens que, sempre que vêem um outro homem com uma mulher partem do princípio que se andam a comer um ao outro.
Eu - Sim, acho que é verdade. Alguns homens talvez pensem assim. Não todos.
Ela - Claro que não são todos, felizmente. Tu, por exemplo, tens muitas amigas. Se calhar tens mais amigas do que amigos.
Eu - Sim, acho que sim. Tenho mais amigas do que amigos.
Ela - Já viste se tivesses ido para a cama com todas elas? Era um exagero...
Eu - Pois...
Ela - Mas tira esse ar de satisfeito.

respostas a perguntas inexistentes (89)

Hoje fui ao médico. Quando se vai ao médico é porque se suspeita que se pode estar doente. Eu suspeito. O médico mandou-me fazer uma série de análises mas acalmou-me. Não estás a morrer, disse-me. Estou sim, respondi-lhe. Espero é estar a morrer ao mesmo ritmo do meu envelhecimento. Não disse isto por nenhum motivo especial. Saiu-me. Só isso. Depois fui tomar café.
Gosto muito de café mas nem sempre o tomo por gostar dele. Tomo-o para poder estar sozinho no meio de muitas pessoas que não conheço de lado nenhum. E estive. Reparei que quase todas as pessoas que eu não conhecia de lado nenhum também tomavam café. Talvez o fizessem pelo mesmo motivo que eu e, nesse caso, era eu uma pessoa que elas não conheciam de lado nenhum. Foi isso que me fez olhar para elas com atenção redobrada.
Afinal conhecia uma delas. Um velho amigo que emigrou para a Holanda há uns anos atrás. Cumprimentei-o e mudei-me para a mesa dele. Então e a vida? É sempre o que se pergunta a alguém que não vemos há muitos anos. A vida, disse ele, está a zero. Voltou da Holanda por se ter apaixonado e desapaixonado por lá. Não se consegue viver num país em que nos apaixonámos e desapaixonámos, pois não? Não, confirmei eu. A não ser que seja o nosso.
Saímos do café ao mesmo tempo e demos um abraço. Acho que nunca tinha dado um abraço a um amigo que já não via há anos. Isso fez-me pensar que somos mesmo amigos. Pelo menos éramos. Perguntou-me pela minha vida. Os que são mesmo nossos amigos também perguntam sempre pela nossa vida. Acho que estou doente e tenho a certeza que estou apaixonado, respondi. A certeza mesmo? Sim. Doente de quê? Ando com umas tonturas repentinas, não sei bem porquê.
Uma criança com um prato de plástico em forma de volante interrompeu-nos. Apitou e disse que queria passar. Pi! Pi! O meu amigo deu-me uma pancada no ombro. Isso não é nada, disse. Depois foi-se embora. Acho que estava a precisar dessa pancada no ombro. Às vezes é preciso. Ter tonturas e estar apaixonado é uma sorte, pensei depois. Até porque as tonturas se resolvem.

5.27.2010

conversa 1526

Ela - Apetece-me casar.
Eu - Casar com quem?
Ela - Com o meu namorado.
Eu - Ah! Não sabia que... quem é o felizardo?
Ela - Qual felizardo?
Eu - O teu namorado...
Ela - Eu não tenho namorado. Sabes muito bem.
Eu - Como disseste que te apetecia casar...
Ela - Sim, se eu tivesse um namorado pedia-o em casamento agora.

coisas que fascinam (104)

Ela aceitou sair comigo sem hesitar. Fiquei espantado porque, até então, nunca tinha havido nenhuma troca emocional entre nós. Nem um só pedacinho de ternura. A nossa vida era o olá de manhã e o tchau seco ao fim da tarde numa escola de que nem gostávamos muito. Apaixonei-me por ela só por isso, por ela aceitar sair comigo sem hesitações apesar do grande nada que existia entre nós. E eu que já me tinha convencido que as miúdas todas da escola se achavam especiais a partir do momento em que eram convidadas para sair, e que só isso lhes dava o direito de hesitar. Afinal não.

As hesitações vieram depois. Andámos muito a pé. Nós e o sufocante calor de Maio a anunciar trovoada, numa permanente expectativa dum abraço. Os cinco centímetros que nos separavam eram margens dum rio pouco navegável para a minha coragem adolescente. Fui esticando o tempo, fui esticando o desejo, fomos esticando as palavras. Esticámos o tempo até à hora de a levar a casa. Meia-note, tinha-lhe dito o pai.
Vi-a subir o primeiro lance de escadas e ser cruelmente engolida pelo elevador. Dei uns passos atrás e fiquei à espera que ela aparecesse numa das janelas para me dizer adeus. Apareceu numa varanda uns segundos depois e acenou-me. Foi a primeira mulher por quem esperei debaixo duma varanda. Agora lembrei-me disso...

5.26.2010

conversa 1525

Ela - Acreditas que desde que tive o meu primeiro filho comecei a pensar mais vezes na morte?
Eu - Hum... hum...
Ela - Acho que isso acontece mais com as mulheres.
Eu - Hum... hum...
Ela - A ti não te aconteceu?
Eu - Não me aconteceu o quê?
Ela - Pensares mais na morte, depois de nascer a tua filha...
Eu - Na morte de quem?
Ela - Esquece. Às vezes é impossível falar contigo.
Eu - Desculpa. Pões-te a falar da morte comigo enquanto estou a fazer as palavras cruzadas...
Ela - Deixavas de fazer as palavras cruzadas e pronto.

respostas a perguntas inexistentes (88)

o orgasmo

Fala-se demais no orgasmo sexual, seja em conversas de café, no cinema ou na literatura. Quando somos putos e inexperientes chegamos a pensar que ter um orgasmo deve ser qualquer coisa muito parecida com tomar LSD ou ter uma trip parecida. Não é. Aliás, ter o orgasmo como único propósito no acto sexual é o primeiro dos erros. O sexo é sempre bom. Às vezes vem com orgasmo, outras vezes não... mas é sempre bom. E é bom não por esses segundos finais mas por todo o tempo que durou.
Aconteceu-me há bocado, durante um café solitário, ouvir duas miúdas novinhas a descrever a sua primeira experiência sexual. "Chegaste ao orgasmo?" perguntavam uma à outra. Que sim, afirmavam repetidamente descrevendo a experiência como uma espiral em arco-íris. E riam-se. Entendi o riso como um riso nervoso de quem não teve o que estava à espera mas não tem experiência suficiente para o admitir. Provavelmente estiveram com um miúdo qualquer que teve a mesma ânsia: chegar ao fim sem olhar a meios, porque o fim é tudo.
A questão é que no sexo o fim não é tudo. Aliás, não é quase nada. O tudo está no durante. Saí dali a pensar que se fala pouco em sexo neste país e quando se fala normalmente fala-se mal. Por isso é que se fala demais no orgasmo. O sexo continua a ser uma coisa de esgoto. Portanto o amor também...

5.25.2010

conversa 1524

Ela - Acho que nunca na vida vou encontrar uns óculos escuros para mim.
Eu - Nunca mesmo?
Ela - Nunca. Tenho a cara muito pequena e pareço uma mosca com a maior parte dos óculos escuros que experimento.
Eu - Experimenta uns pequenos...
Ela - Não gosto de óculos escuros pequenos. O problema é esse...
Eu - Não gostas?
Ela - Não.
Eu - Então pronto, andas sem óculos escuros. Não é grave.
Ela - É grave porque no Verão engelho a pele junto aos olhos.
Eu - Estás num dia mau, não estás?
Ela - Estou.

conversa 1523

Ela - Esqueci-me da minha carteira no café. Tenho que voltar para trás.
Eu - Ena... tinhas lá o dinheiro?
Ela - Não, por acaso o dinheiro até tenho no bolso das calças.
Eu - Menos mal.
Ela - Mas na carteira tenho os documentos todos, um pacote de bolachas de água e sal para o lanche da tarde, uma garrafa de água com fibras, um brinde Happy Meal para a minha filha, uma camisola com buracos nos cotovelos para levar à retrosaria, uma calculadora solar, um molde em papel dos meus sapatos e um pacote de mentos.
Eu - Ah! Vai lá, então.

5.24.2010

respostas a perguntas inexistentes (87)

Não é só por causa da má qualidade da comida que não gosto de restaurantes fast food. É por causa da primeira palavrinha dos mesmos: fast. Sempre me pareceu que quem come regularmente este tipo de comida é quem procura a satisfação imediata das suas necessidades biológicas e, se fizer uma análise estatística à minha vida amorosa, chego facilmente à conclusão que nunca tive sucesso com mulheres adeptas de comer regularmente no Mac Donald's. São pessoas que se tornam impacientes, e depois essa busca ansiosa pelo estímulo rápido reflecte-se em tudo: nas decisões que se devem tomar em conjunto, no amor em si e até no sexo.
Sou pelos jantares lentos. Pela slow food, se lhe quiserem chamar assim. Gosto de ouvir o som da rolha a sair duma garrafa de vinho antes da refeição e de o deixar respirar; gosto do molho verde com a cebola bem picada e a salsa bem cortada; sobretudo gosto de falar enquanto almoço ou janto. As palavras têm sempre que ser um dos ingredientes duma refeição.
Hoje passei por dois rapazes e duas raparigas na praça de alimentação dum shopping em Aveiro, todos a almoçar um hambúrguer com batatas fritas e um refrigerante qualquer. Reparei que não falavam. Limitavam-se a mastigar a comida numa incompreensível luta contra o tempo. Acho tão importante andar mais devagar... tanto na comida como no amor...

conversa 1522

(no café, comigo a ler uma revista)

Eu - Olha que giro. Vem aqui a lista das invenções mais importantes da Humanidade. A roda, o avião, a lâmpada, a penicilina, o telefone... e vem também o Iphone. Que estranho, esta do Iphone...
Ela - Não me digas que não vem o sutiã!

conversa 1521

Ela - Nunca mais me esqueci daquela conversa que tivemos quando andávamos no liceu...
Eu - Que conversa?
Ela - Não me digas que não te lembras.
Eu - Se foi quando andava contigo no liceu, sei lá... já foi há uns vinte anos.
Ela - Mas não te lembras?
Eu - Tive tantas conversas contigo no liceu...
Ela - Mas há uma conversa que era suposto não te esqueceres.
Eu - Qual?
Ela - Deixa lá, não te vou dizer...

pêra


O perfil duma pêra não é perfil para uma mulher, dizia a Warner's, marca de roupa interior que também apresentava uma solução para as mulheres mais largas em baixo do que em cima. Mulheres de todo o mundo que não são totalmente perfeitas: sintam-se mal! muito mal!

5.22.2010

respostas a perguntas inexistentes (86)

Hoje dei o primeiro mergulho mar. Percorri alguns metros em passos lentos para me ir habituando à temperatura da água até ganhar coragem para furar uma onda. No entanto não faço sempre isto. Às vezes prefiro mergulhar mal ponho o pé no mar e não passo por esse processo de habituação.
Acho que entre géneros também é mais ou menos assim. Já conheci algumas mulheres em quem me apeteceu mergulhar logo na primeira noite, outras em quem me fui habituando aos poucos, sem que este mergulhar tenha obrigatoriamente uma conotação sexual.
Entretanto, acho que na vida vamos também aprendendo que há ondas em que não devemos mergulhar...

5.21.2010

todos os homens bêbados o são por causa do amor

Todos os homens bêbados o são por causa do amor. Na pior das hipóteses são-no por causa da falta dele, o que vai dar ao mesmo mas com uma dose de tristeza e nostalgia acrescida. A sociedade devia tratar bem os bêbados e não escorraçá-los com aquela sóbria sobranceria de quem não ama ninguém.
Um homem só, bêbado ao balcão de um bar, afoga no líquido do copo os seus amores acabados; o jovem estudante bêbado que grita na rua qualquer coisa como "fra fre fri fro fru", celebra com a sua bebedeira os amores que acredita poder vir a ter; aquele que normalmente já está bêbado pela manhã é um homem que não consegue enfrentar o amor. Depois também existem os que bebem para se poderem aventurar no amor, os que sem a coragem dada pela mágica poção do álcool não conseguem dizer que amam.
Além disso, só o álcool e o próprio amor são capazes de embriagar um homem, facto que coloca estes dois elementos da natureza como a principal essência da vida. Estar sóbrio é o contrário de amar. Pior: estar sóbrio é a recusa de amar. Um homem sóbrio pode dizer a uma mulher que a ama, mas quando o faz as palavras nascem-lhe no céu da boca e saem sem pressão. Quando um homem bêbado diz a uma mulher que a ama as palavras não lhe nascem na boca, nascem-lhe no coração. É por isso que quando chegam cá fora já trazem uma lágrima ou um sorriso a enfeitá-las. Já percorreram um longo caminho de emoções.
Todos os amores deviam começar numa enorme bebedeira e a bebedeira devia ser protegida por lei. Um polícia, por exemplo, ao ver um bêbado adormecido numa esquina qualquer, devia cumprir o seu dever de serviço público e tapá-lo com um cobertor. Uma sociedade que acarinha os bêbados acarinha também o amor.

5.20.2010

come on baby light my fire!

Uma equipa de cientistas alemães acredita ter descoberto o brinquedo sexual mais antigo do mundo, um pénis de pedra com cerca de 28 000 anos. O artigo publicado no Austrian Times diz ainda que, quando este antepassado dos actuais vibradores não estava a ser usado sexualmente, servia para fazer fogo. A mim, o que me parece, é que há muito tempo, mas mesmo há muito tempo, que as mulheres se tentam livrar dos homens...

pensamentos catatónicos (208)

Quando eu era pequeno aprendi que o amor era uma instalação. Supostamente devia um dia instalar-me numa mulher da mesma forma que me vim a instalar num T2 dos subúrbios da cidade: é maneirinho, barato e até tem acessos a uma via rápida. Depois de me instalar devia arrumar os cacos da melhor maneira e ir varrendo ou aspirando o cotão atrás das portas.
O problema é que não é suposto o amor ser maneirinho ou barato, muito menos ter acessos a vias rápidas. Num amor assim acabamos a limpar o cotão todos os dias sem saber porquê, num acto mecânico de manutenção ausente. Não é por isso, também, suposto sentirmo-nos instalados. Quando nos instalamos dessa forma o amor morreu...

o direito de pernada ou o valor de uma jovem virgem...

O direito de pernada, ou direito da primeira noite, permitia ao senhor feudal desvirginar a noiva na sua noite de núpcias caso os recém casados pertencessem aos seus domínios territoriais, ou seja, fossem camponeses. A produção de riqueza, na idade média, estava essencialmente na agricultura e um pouco nos artesãos.
Os camponeses que conseguiam fugir desses domínios territoriais e chegar a um aglomerado urbano, ou vila, viam-se livre dessa escravidão se aceitassem pagar o imposto. Passavam a chamar-se vilões.
Com o fim do feudalismo e o crescente modelo capitalista, o direito de pernada foi passando do senhor feudal para o burguês. A virgindade feminina passou assim a ter um valor cada vez maior num mundo onde as doenças sexualmente transmissíveis proliferavam.

conversa 1520

(ao almoço, em minha casa)

Ela - Vais fazer a salada com essa alface?
Eu - Qual é o problema da alface?
Ela - Está molhada.
Eu - Está húmida, sim, mas isso é porque a lavei.
Ela - Tenho que te oferecer um secador de legumes.
Eu - Um secador de legumes?
Ela - Sim, um secador de legumes.
Eu - Nunca tinha ouvido falar em tal coisa...
Ela - É essencial ter um em casa. É um tupperware mas que faz centrifugação.
Eu - Essencial não deve ser. Eu nunca tive nenhum e estou vivo.
Ela - Para mim é essencial que um homem que me convide para almoçar em casa dele e, no mínimo dos mínimos, não tenha a alface já lavada e seca, tenha um secador desses...
Eu - Repito que nunca ouvi falar em tal coisa...
Ela - Uma questão de cultura geral...